Scarloon Leandro III - Pneumonia
2 CAPÍTULO 17 — OS ANTIMAIS
Scars que morreram para animais.
Obviamente, eles ganham Impares relacionados ao animal que causou sua morte. Porém, eles são iguais aos demônios — só que piores. Viram praticamente animais que caçam Scars nas florestas e regiões vizinhas, às vezes até comendo sua carne. Nojento.
Por algum motivo bizarro, Scars com Impares de animais perdem seus escrúpulos e só caçam outros Scars. Agem por puro instinto. Alguns deles ainda têm mente, mas continuam selvagens.
E neste momento, eu estou enfrentando um desses Scars.
Eu os apelidei de ANTIMAIS.
SUIM!
Desviei da garrada do Urso.
— Não tô com muita vontade de lutar com você agora, animal.
[Gripe + Febre = Chicotes Invernais]
Avancei pra cara do Scar e o envolvi no muco. Com a cabeça grudada, usei o impulso da febre para lançar o Scar-urso com força para cima. Ele subiu uns cinco metros.
Usei toda a minha força.
POW!
O lancei com tudo no chão. Terra subiu em todas as direções, formando uma cratera onde o antimal caiu.
— Se… Desgr— FUUURRR.
Chamas brancas cobriram o Scar antimal.
Depois da carbonização, caí no chão de pé.
— 21077.
Falei o número atual de mortes.
Sem remorso.
De repente, senti algo perto de mim. Não sei dizer o quê, mas senti um cheiro.
Olhei ao redor. Não vi ninguém.
Falei em voz alta:
— Quem tá aí? Eu sei que você está aqui.
Alguém começou a se formar na minha frente.
Incrivelmente, era a mesma Scar que tinha fugido antes.
— É você? Eu não tinha mandado você ir embora?
Ela não olhou nos meus olhos enquanto falava.
— Eu corri, mas ouvi um estrondo, depois um barulho de fogo… e o Impar do Scar urso sumiu. Então voltei aqui para ver o que aconteceu.
— Hm. Qual é o seu nome?
Ela desviou os olhos para o chão.
— S-Samara…
— Ok, Samara. Seu Impar é invisibilidade?
Ela ergueu os olhos por um segundo, surpresa.
— Sim. Mas esses Scars animais conseguem me perseguir mesmo sem me ver. Provavelmente por causa do olfato.
Realmente. Camuflagem visual não é suficiente neste caso. Não estou surpreso de ela ser presa fácil para eles.
— Sim. Toma mais cuidado… Droga.
Não tem muito o que eu falar. Ela claramente não tem como se defender e provavelmente vai morrer quando se deparar com outro antimal.
Será que eu me importo tanto assim com alguém que eu nem conheço?
Não. Eu não me importo muito…
O que a minha Mestra diria neste momento?
"Vai mesmo abandonar uma garota numa floresta onde você sabe que ela vai morrer se você não protegê-la?"
Algo assim.
Mas essa garota é uma mulher forte e independente. Eu acredito nela.
"Para de falar merda. Não é questão de ela ser uma garota. É questão de ela estar precisando de ajuda."
Parei de pensar por um segundo.
Eu realmente estou esquizofrenizando agora. Estou imaginando o que ela falaria. Enquanto eu esquizofrenizava, Samara falou baixinho:
— Moço, muito obrigada. Você me salvou e eu sou grata a você. Eu tô vendo que você não quer mais perder seu tempo com alguém como eu, então eu vou indo.
Essa doeu.
Pensando bem, já salvei alguns Scars de demônios e antimais, mas ninguém realmente demonstrou essa gratidão. Talvez porque ninguém aqui esteja mentalmente bem. Ou talvez todo mundo só se importe consigo mesmo.
Mas ela parece ser diferente do que eu estou acostumado.
Samara…
Se tirar o "ma" do meio, fica Sara.
Que coincidência engraçada.
Vendo ela caminhar com medo estampado na postura, falei alto:
— Samara. Deixa que eu…
Respirei fundo.
— …te ajudo.
Ela parou de andar. Ficou imóvel.
Virou-se bruscamente.
— Sério? — Seu rosto era de pura felicidade, ainda que contida.
— Sim… eu vou te ajudar a se defender desses merdas.
Ela parecia chocada com a minha proposta. Como não negou nem aceitou, me aproximei.
— Eu vou te treinar para você aprender a usar seu Impar direito. Duvido muito que ele seja apenas você ficar invisível.
Apontei para ela.
— Huh… mas por quê?
Que pergunta é essa?
— Que pergunta é essa? — falei assim que pensei. — Você está com problemas, então eu vou te ajudar. Além do mais, você tem um Impar bem incomum, sabe?
Realmente. "Ficar invisível" definitivamente não acontece com frequência. Como será que ela morreu para ganhar esse Impar?
Samara parecia genuinamente feliz, mas com bastante vergonha também.
— Meu Impar é incomum?
Fiquei meio surpreso de ela não saber o quão diferente seu poder era da maioria.
— Sim. Ficar invisível não é algo muito comum. Nunca vi esse tipo de Impar antes.
Dizendo isso, olhei para Samara. Dei um sorriso.
Ela pareceu não saber como reagir e escondeu o rosto.
Eu não sou muito acostumado com esse comportamento mais tímido. Normalmente, os Scars aqui são todos bem malucos e extrovertidos.
Mas ela é realmente tímida.
— Qual o seu nome? — sua voz saiu quase como um sussurro.
— Leandro. É… um prazer conhecê-la, Samara.
Estendi a mão.
Ela olhou para ela e lentamente moveu a sua para me cumprimentar.
Mas eu apenas segurei sua mão e dei um aperto.
— Pode relaxar. Eu sou bem experiente em matar arrombados. Você vai aprender bem rápido.
Seus olhos, que antes eram de timidez, lentamente ficaram mais determinados.
— S-sim! — sua voz saiu mais firme. — Eu vou ficar mais forte e dar o troco nesses animais de MERDA!
Fiquei até surpreso com a mudança no tom da sua voz.
Samara percebeu que se exaltou e rapidamente olhou para baixo de novo.
Sem condições.
Comecei a rir baixinho.
— É assim que eu gosto. Tem que ter confiança!
Soltei sua mão.
— Vamos para um lugar mais tranquilo para treinar. Afinal, não dá para relaxar neste local.
Ela me encarou.
— Você conhece a saída dessa floresta?
— Sim. Eu venho aqui para matar demônios e antimais.
— Demônios? — seus olhos se arregalaram. — QUE?
Ela parece ter bastante medo de demônios.
Pensando bem, seu Impar combina bastante com sua personalidade. Tímida com poder de invisibilidade. O mundo realmente parece que foi escrito por alguém.
— Sim, demônios. Mas relaxa. A maioria não são fortes.
Ela ficou aliviada, mas ainda com medo.
Eu não sei que sentimento é esse, mas sinto que eu devia falar algo.
— Relaxa. Eu tô aqui. Eles não vão te machucar. Eu te protejo.
Ela pareceu ter ficado meio envergonhada, mas não desviou o olhar.
— Leandro… muito obrigada. Juro que vou me esforçar o máximo que eu consigo para não ser um fardo para você!
— Assim que se fala!
Eu senti algo que não era comum.
Depois de tantos anos de monotonia e lutas… estou começando a sentir algo diferente. Não sei descrever. Mas isso me deixa feliz.
Então é o que importa.
Depois dessa conversa, andei com ela pela floresta, procurando o lugar ideal para treiná-la.
Eu já conhecia um lugar seguro. Seria o nosso campo de treinamento.
Saindo da floresta, vi o local que estava procurando.
Samara, que me acompanhava, olhou com curiosidade para aquela estrutura, como se nunca tivesse visto algo igual. Analisando sua postura, ela parecia uma jovem de dezessete anos. Muito nova para estar em um lugar tão miserável como Scarloon.
Apontei para o coliseu.
— É bem ali que você vai treinar.
Ela me olhou com curiosidade.
— O que é aquilo?
— É um lugar onde Scars lutam. Mas é o local mais seguro que eu conheço. Pode confiar.
Ela me olhou e falou animadamente:
— Beleza! Vamos lá então!
Dei um sorriso.
— Bora!
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