Notas iniciais
Oi, meus amigos. Desculpem pela demora, mas aqui vai o próximo capítulo. Antes de iniciarem a leitura, quero apenas avisar que estou quase terminando de escrever One First Breath, o que significa que logo irei começar a escrever a terceira e última parte de Scarlet Blood.

O ônibus parou na rodoviária e todos os passageiros desceram, enquanto os vampiros no fundo ficaram por último. As garotas não tinham mala alguma, Drew levara apenas uma mochila e Elijah estava com uma bolsa, as quais permaneceram dentro do veículo com eles, para que não precisassem ficar esperando no bagageiro do ônibus. Os quatro se puseram de pé e Elijah foi primeiro, caminhando pelo corredor do automóvel, seguido por Drew e as garotas por último.

Assim que chegaram à escada, antes de passar pela porta, Elijah parou e deu um amplo sorriso. Drew reparou que o vampiro olhava na direção de uma moça que estava de costas, dona de cabelos castanho chocolate com as pontas ligeiramente clareadas. Claire, deduziu ele. Elijah não se conteve e correu na direção da noiva, mas é claro que não havia como ele fazer a surpresa que queria, afinal, Claire era uma vampira e podia sentir o cheiro dele, o que a fez se virar rapidamente e pular nos braços do noivo. Eles se abraçaram por um longo tempo e trocaram um beijo, o que fez Drew se lembrar de Lizzie e do quanto queria abraçá-la, mesmo quando ele não a via não fazia nem 24 horas.

Drew e as garotas se reuniram atrás de Elijah e, quando ele finalmente se soltou de Claire, fez as apresentações.

– Claire, estas são Annie Amberden e Alexis Clark, as garotas de Chicago e este é Drew Carter, amigo de Annie.

– É claro, é um prazer conhecer todos vocês! – disse com um sorriso largo enquanto seus olhos azuis cinzentos e doces os encaravam.

Claire se aproximou devagarzinho de Alexis e lhe deu um abraço apertado, o que fez com que a garota novamente se derramasse em lágrimas. Claire se soltou dela e limpou uma das lágrimas de seu rosto.

– Oh, minha querida, eu sinto tanto por sua família... Mas, nós estamos aqui por você, para o que der e vier! – e dirigiu um sorriso amistoso à jovem vampira.

Em seguida, Claire se direcionou para Annie e também a abraçou.

– Annie Amberden. Espero que juntas possamos fazer Mason pagar pelo o que ele lhe causou!

Annie assentiu para Claire. Diferente de Alexis, Annie não sentia dor ou tristeza pelo que lhe aconteceu, apenas um ódio profundo por Matthew, que a enganou descaradamente por dez longos meses. Por outro lado, entretanto, era compreensível o estado de Alexis, pois ela havia perdido a família toda e aquele era um completo mundo novo para ela.

Por fim, Claire se virou para Drew e também o abraçou.

– É ótimo que possamos contar com um rapaz tão vigoroso em nossa busca. Não contávamos com sua presença, meu jovem, mas é ótimo que esteja conosco!

– Obrigado, Claire! – Ele sorriu e a vampira lhe retribuiu.

Assim, os cinco se juntaram e caminharam para fora da rodoviária. Elijah e Claire iam bem atrás dos jovens, rindo e de mãos dadas, provavelmente matando a saudade que sentiam. Drew reparou que Claire aparentava ser um pouco mais jovem que Elijah, na casa de uns 20 e poucos anos – 27, chutou o garoto –, enquanto ele devia ter quase 35. Ainda assim, Elijah tinha certa jovialidade, muito provavelmente pelo fato dele ser um vampiro. No entanto, mesmo quando os jovens não o conheciam nem fazia um dia, Elijah aparentava um pouco de cansaço, independentemente de seu dom de vampiro de nunca envelhecer. Definitivamente era devido a toda aquela situação com Mason e a morte de Oliver, o rompimento de seu grupo de vampiros “vegetarianos” e, é claro, o fato dele precisar ficar longe de sua amada.

Chegando ao lado de fora da rodoviária, Drew se separou do grupo, caminhando um pouco à frente e recostou-se numa pilastra de concreto perto dos portões do local. O garoto retirou o celular do bolso e, imediatamente, discou o número de sua nova namorada, Lizzie.

–--

Quando Kathy e Lizzie saíram da casa dos Amberden, na noite anterior, ficaram vagando pelas ruas de Springfield, ora chorando por saberem que Annie nunca mais estaria ali para dar um passeio daqueles com elas, ora rindo, lembrando os momentos bons que tiveram com a amiga. Uma parceira... Uma irmã, que agora tinha ido embora deste mundo.

Sentaram-se num banco de praça. Aquela mesma praça onde Matthew havia lhes contado sobre ele ser um vampiro e que tinha alguém no encalço dele. Mal sabiam que fora ele o tempo todo, montando um teatrinho de fantoches e usando todos para tornar suas sádicas e tortuosas fantasias em realidade. Kathy se lembrou de ter pedido para que Matthew – ou melhor, Mason, era Mason agora e ela precisava se acostumar – lhe transformasse em vampira. Não pôde deixar de sentir uma grande e imediata repulsa de si mesma. Se ela ao menos soubesse... Se alguns dos amigos ao menos soubessem, muita coisa poderia ter sido evitada. A morte de Carly e Max, assim como a transformação de Drew, que matou seus próprios pais e o melhor amigo, e Annie.

Depois de algum tempo ali, ambas em silêncio, cada uma foi para sua casa, sem dizer uma palavra sequer. Kathy foi primeiro, apenas lançou um olhar comovido para Lizzie, que acenou com a cabeça, depois a garota levantou e se retirou. Passados uns minutos, Lizzie também se pôs de pé e seguiu para casa.

Evitou os pais, pois não queria lhes informar de mais uma morte no grupo de amigos, pelo menos não por enquanto. Ela própria precisava assimilar o ocorrido antes de gritar ao mundo, afinal, eram tantos lutos recentes juntos... Chris morrera a apenas duas semanas, lembrou-se Lizzie. Agora só restava ela, Kathy e Drew.

Drew, pensou Lizzie, que tinha ido a Chicago para salvar Annie, fez uma viagem em vão, bem como criou expectativas que não estavam mais ao alcance. A morte era o fim e não havia nada que poderia ser feito a respeito.

Com uma pontada no coração, ela pegou o celular e ligou para Drew, a fim de contar sobre a morte de Annie. A fim de não deixar o namorado procurando esperançoso a agulha num palheiro e, uma agulha, que ela sabia, jamais poderia ser encontrada.

O telefone chamou duas vezes antes que Drew atendesse.

– Lizzie, já estou em Chicago! – falou ele animado.

A garota não conseguiu falar imediatamente, pois tentou conter o choro, enquanto sua respiração ficava cada vez mais pesada...

–--

Foi o celular tocando sobre o criado mudo ao lado da cama que despertou Lizzie. Na primeira vez tocou e tocou, mas ela não atendeu. Veio uma segunda ligação, deixando-a estressada por alguém estar ligando àquela hora, pois parecia ser bem cedo ainda. Saiu de debaixo das cobertas com o rosto um pouco inchado em decorrência do choro na noite anterior e ainda bastante sonolenta. Olhou rapidamente para a janela e viu o tempo nublado lá fora. Ótimo, pensou, estar de luto já não é ruim o suficiente, o clima tem de estar nublado pra piorar tudo! Agarrou o celular, tentando ajustar a visão à luz do aparelho, no mesmo instante que o mesmo parou de tocar. Ela se irritou ainda mais, pois era pouco mais de sete da manhã, até que percebeu que havia duas ligações perdidas do namorado. Saltou ereta na cama, esperando para que o celular tocasse outra vez, do contrário, era ela quem ligaria para ele se o toque não viesse no intervalo do próximo minuto.

Desde a noite passada, quando Drew desligou o telefone inteiramente frustrado por saber que Annie tinha morrido, Lizzie vinha tentando falar com ele. Ligou incontáveis vezes. Nos minutos que se sucederam. E nas horas seguintes. E durante a madrugada... Até que não aguentou mais e caiu num sono profundo, adormecendo sobre o travesseiro ensopado por suas lágrimas.

Ela já se preparava para discar o número de Drew quando recebeu a terceira ligação. Atendeu imediatamente.

Drew! – não conseguiu conter o grito eufórico.

Lizzie... – respondeu ele docilmente. Mesmo através da linha, Lizzie poderia dizer que um sorriso pequeno se formara nos lábios do namorado. – Escute, no momento não tenho tempo para explicar nada, mas já estou de volta à cidade. Prometo que nos encontraremos em poucos minutos, certo? Mas, agora, preciso que você avise a Kathy que precisamos nos ver. Agora!

– Drew, que houve? – perguntou Lizzie confusa. – Você parece tão... tão despreocupado – disse incrédula.

– Acredite, Lizzie, eu trago novidades. Mas, você sabe, não vou contar nada pelo celular, precisamos nos ver!

Onde?

– Os pais de Kathy não estão fora da cidade, como fazem todo ano para comemorar seu aniversário de casamento?

– Sim! – falou Lizzie estranhamente animada, pois a voz de Drew estava tão... pretensiosa. Depois sentiu uma leve pontada de culpa por se animar mesmo sabendo da recente morte da amiga. – Tenho absoluta certeza de que Kathy está sozinha em casa.

– Perfeito, Lizzie! Vá correndo para lá... Nos vemos em 30 minutos, certo?

A garota assentiu e Drew finalizou a chamada. Curiosa, ela pulou da cama e correu para o banheiro, escovou os dentes e lavou o rosto, voltando para o quarto em seguida. Se trocou o mais rápido que podia e desceu as escadas da casa, tentando evitar fazer barulho para não acordar os pais e precisar dar uma explicação. Agarrou suas chaves e saiu porta afora, correndo pela rua em direção à casa de Kathy. Tateou os bolsos à procura de seu celular, discando o número da amiga.

Notas finais
Que acharam? Deixem comentários para que eu possa saber - e também para que vocês façam um autor feliz! =P