Scarlet Blood II - One First Breath
10 Capítulo 9
Notas iniciais
Kathy se encontrava na cozinha, bebendo um copo de leite quente, quando seu celular tocou. Ela pegou o aparelho e viu que era uma ligação de Lizzie. Atendeu.
– Por que você está me ligando a essa hora, Elizabeth Hale? – perguntou, preocupada. – Outra coisa de ruim que preciso saber?
– Calma, Kathy, nada de ruim. Pelo menos, eu acho... – falou Lizzie mais para si do que para a amiga. – Enfim, você está sozinha em casa, certo?
– Estou, mas...
– Ótimo! Estamos indo pra sua casa, ok?
– Estamos, no plural? – perguntou Kathy um pouco confusa.
– Sim, eu e Drew. Nos vemos daqui a pouco...
Antes que Kathy pudesse dizer qualquer outra coisa, Lizzie já tinha desligado o telefone. Não entendeu o motivo da urgência da visita assim tão cedo. Novidades quanto a Annie?, pensou. Provavelmente não, concluiu. De qualquer forma, não podia deixar de dizer que um alívio percorreu seu corpo ao saber que os amigos estavam indo até sua casa. Os pais não estavam ali há alguns dias porque viajaram e Lizzie se sentia muito sozinha, especialmente na noite anterior com a notícia da morte de sua amiga. Não tinha ninguém com quem conversar, desabafar, todo aquele sentimento de irá que sentia pelo monstro que matou seus melhores amigos.
A garota mal tinha conseguido dormir à noite, pensando em Annie e em todos os outros que se foram, pois a recente morte dela só serviu como um efeito dominó para as demais perdas. Lembranças. Pessoas únicas e especiais que se foram e jamais voltariam... Estar com Lizzie e Drew naquele momento seria reconfortante. Era tudo o que Kathy precisava.
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Drew se juntou novamente ao grupo, que esperava por ele.
– Eu liguei para Lizzie – disse mais para Annie do que para os outros, afinal, eles não a conheciam. – Disse a ela que precisávamos nos encontrar. Marcamos na casa de Kathy, ela está sozinha lá.
– Vampiras também? – perguntou Alexis.
– Não – contou Drew –, mas elas sabem de tudo. Também foram vítimas de Mason... Talvez não tão diretamente quanto eu, você ou Annie, mas sofreram nas mãos dele, como nós.
Alexis assentiu. Ainda se sentia um pouco deslocada e aquilo tudo parecia um enorme sonho ruim, onde ela acordaria em sua cama aconchegante e veria que continuava viva, assim como sua família inteira. Tolo engano, pensou ela depois. Era a verdade e não poderia ser mudada. Afastou todos os pensamentos, refletindo que relembrar sua antiga vida e sua família seria pior e mais doloroso, porque ela era uma vampira e precisava aceitar sua condição se quisesse fazer justiça para seus familiares. Reprimiu as lembranças e a tristeza e decidiu ser movida por um único objetivo: vingança. Annie se sentia igual, Alexis sabia. E era muito provável que todos os demais ali se sentiam da mesma maneira que ela. Respirou fundo.
– Vamos lá, quero conhecer essas garotas, pois acredito que tenhamos muito em comum se elas também sofreram nas mãos de Mason! – disse rígida.
Elijah expressou um leve sorriso.
– Muito bem, Drew, leve-nos até à casa de sua amiga!
O garoto assentiu e caminhou na frente do grupo. Annie se aproximou dele, deixando Alexis lado a lado com Claire e Elijah, alguns passos atrás.
– Como elas estão? – perguntou Annie. – Kathy me ligou ontem, horrorizada, dizendo a verdade sobre Matthew. Eu não quis escutá-la e... Bem, veja o que deu.
– Não se culpe, Annie. Eu no seu lugar teria feito o mesmo, sabe. Eu precisaria ouvir a verdade da boca da pessoa que eu amasse. Acho que, não sei, talvez seja um impulso natural do ser humano... Duvidar do que nos dizem até escutarmos da boca de quem realmente interessa. – Drew fez uma pequena pausa. – Mas, respondendo sua pergunta: não, as garotas não estão bem. Nem eu estou, Annie... Eu não sei se você sabe, mas fui eu qu – sua voz falhou –, fui eu quem... – Ele apertou as pálpebras numa tentativa de afastar as lágrimas.
– Eu soube de tudo, Drew – admitiu Annie com pesar. – Sinto muito!
O amigo assentiu, encarando o chão.
– Os últimos dias não foram fáceis para mim... Conviver com a culpa. O peso da morte de seus próprios pais e do seu melhor amigo no ombro... É simplesmente demais para qualquer pessoa aguentar. O que me deu força foi ter ido resgatar você. Foi algo ao qual eu me prendi e não podia deixar ir. Não podia perder mais ninguém!
– Se ao menos eu tivesse percebido tudo isso há mais tempo... – lamentou-se Annie. – Ele jamais poderia ter nos machucado.
– Todos nós fomos cegos demais para ver a verdade, Annie. Não se culpe exclusivamente por isso.
– Não você, Drew. Desde quando descobriu que Matthew era um vampiro, você soube que tínhamos que nos afastar dele, que o garoto era encrenca. Só que estávamos todos cegos demais para isso. Principalmente eu, que estava apaixonada por ele. – A garota suspirou pesadamente.
– Annie – disse Drew, encarando-a –, só tem mais uma coisa que você precisa saber – seu tom era sério. Seríssimo, na verdade.
– O quê? – perguntou preocupada.
– Ontem, logo após eu chegar a Chicago, Lizzie me ligou. – Ele fez uma longa pausa. – Ela estava chorando, Annie. Chorando por você!
Por um momento, Annie não compreendeu, mas no instante seguinte, a ficha caiu. Annie levou as mãos à boca, não conseguindo suprimir uma exclamação de “Oh, não!”. Drew fez que sim com a cabeça. Era o que ela temia... De alguma forma, os pais dela foram avisados de sua morte, muito provavelmente pelo departamento de polícia de Chicago, e eles contaram para as garotas. E agora, pensou Annie, e agora, como vou chegar em casa e encarar meus pai se eles acham que eu estou morta?, se perguntou aflita.
– Hey... – O som da voz de Drew a tirou de seu transe, parecendo ler sua mente. – Não se preocupe, Annie, vamos resolver isso!
Ela assentiu e, assim, ambos se silenciaram, continuando seu caminho para a casa de Kathy. Lá atrás, Claire e Alexis mantinham uma conversa agradável e a jovem finalmente sorria. Elijah admirou como sua noiva era cuidadosa com os mais jovens da espécie, afinal, ela sabia como era difícil ser transformada, mas sempre teve Elijah ao seu lado e ela queria poder fazer o mesmo que o noivo fez por ela para outros recém-transformados. O vampiro não conseguiu conter o sorriso fino que se formou em seu rosto, continuando a caminhar.
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Lizzie chegou um pouco suada à casa de Kathy, afinal, foi quase correndo, talvez numa tentativa de que o tempo se acelerasse e ela pudesse ver Drew logo. Tocou a campainha, agitada.
Uma Kathy meio sonolenta e com olheiros enormes ao redor dos olhos abriu a porta poucos segundos depois. Lizzie a encarou e ficou com pena da amiga, o que a fez se lembrar de Annie, e também o fato de que ela não estava sofrendo como deveria, pois saber que Drew tinha retornado, de certa forma, era um grande alívio. Só Deus sabia o que poderia acontecer com ele caso o garoto se cruzasse com Matthew. Mason, forçou a se lembrar em sua mente.
– Como está, amiga? – perguntou Lizzie preocupada. E receosa, caso Kathy tivesse notado sua histeria.
– Como acha, Lizzie?! – Lágrimas estavam prestes a escorrer pelo rosto de Katherine, mas ela decidiu engolir o choro e se mostrar mais forte. – Estou melhor do que ontem a noite – finalmente falou –, tentando aceitar. E ser forte!
Lizzie assentiu com a expressão pesarosa.
Kathy, que ainda vestia um pijama cinza de regata e shorts curtos, deu passagem para que a amiga entrasse. Lizzie adentrou a casa e foi para a cozinha, onde imaginou que Kathy estava, pois notou o copo de leite cheio até a metade sobre a bancada. A dona da casa veio logo atrás.
– Servida? – perguntou educadamente.
Lizzie balançou a cabeça em sinal de negação. Estava apenas ansiosa, esperando por Drew, resolvendo chegar a hora no celular e viu que ainda faltavam uns 10 minutos para que ele chegasse.
Kathy se sentou de frente para Lizzie, do outro lado da bancada e as duas começaram a conversar, tentando evitar assuntos que lhes lembrasse daqueles que já se foram e os minutos passaram rapidamente enquanto Kathy terminava de beber seu copo de leite.
Foi quando a campainha soou.
As garotas se entreolharam e correram até a porta. Assim que Kathy destrancou a fechadura e puxou a maçaneta, ela não conseguiu sufocar o grito, levando as mãos para a boca, enquanto Lizzie empalideceu e arregalou os olhos, engolindo em seco.
– Annie! – disseram ambas num uníssono.
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