Scarlet Blood II - One First Breath
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Já era fim de tarde quando o telefone da casa dos pais de Annie tocou. A mãe preparava o jantar, mas sua cabeça estava na filha. Como Annie podia ter saído de casa daquela maneira?, pensava a mãe. A menina não dera notícias durante os dois dias que passou fora. O toque do telefone a tirou do devaneio e a mulher correu para atender.
– Alô?
– Por favor – respondeu um homem do outro lado da linha –, essa é a residência dos Amberden?
– Isso mesmo! Quem gostaria?
– A senhora é a responsável de Annie Amberden?
– Essa seria eu – o coração da mãe disparou, mas ela procurou pensar no melhor. – O que há com a Annie?
– Receio que seja melhor a senhora se sentar... – a voz veio carregada de pesar.
– Oh, Deus... Por favor não me diga que...
O outro lado da linha permaneceu em silêncio por uns instantes. Foi então que a mãe de Annie se deu conta de que era realmente verdade. Ela começou a chorar descontroladamente.
– Eu sou o detetive Baker da polícia de Chicago, senhora Amberden. Infelizmente, encontramos o corpo de sua filha num hotel da cidade. Ao que parece, ela e o namorado estavam juntos no quarto, mas foram atacados por um assassino. O garoto tentou lutar, mas o agressor o deteve. Sinto muito por sua perda! – fez-se uma pausa. – A perícia precisa investigar e examinar o corpo. Assim que terminarmos, extraviaremos o corpo para Springfield. Não posso garantir-lhe com certeza o prazo que manteremos o corpo de Annie conosco, mas assim que terminarmos, telefonaremos. Receio que a família seja a responsável por arcar com os gastos do transporte, mas isso será conversado com vocês depois. Mais uma vez, senhora, sinto muitíssimo mesmo por sua filha...
O policial desligou o telefone.
A mãe de Annie estava sentada na poltrona, seu pranto escorria-lhe pelo rosto depressivo. Ela perdera duas filhas, era mais dor do que qualquer mãe podia suportar. A senhora Amberden olhou para o alto.
– Deus... – gritou – Por que o Senhor está me castigando dessa forma? Por quê?
Mas sua voz sumiu em meio ao choro.
–--
Estava prestes a anoitecer. Kathy e Lizzie ficaram sentadas na guia em frente à casa de Drew, por qual motivo, nenhuma das duas sabia realmente. Apenas ficaram ali, pensando na amiga e a angústia e ansiedade por não saber o que estava acontecendo com Annie era esmagadora contra o peito das garotas. Os corações de ambas estavam apertados.
Foi o som de uma porta se abrindo que chamou a atenção das garotas. O som vinha da casa ao lado da residência dos Carter, completamente reconhecível, era o som da porta dos Amberden.
Quando as meninas se viraram para a direção da casa, viram a mãe de Annie. A Sra Amberden caminhava pela varanda em direção à rua. Kathy e Lizzie estranharam a postura dela, parecia que ela tinha acabado de ser hipnotizada, pois andava sem rumo, sem notar o que estava acontecendo a sua volta. As garotas se entreolharam, preocupadas, e então correram na direção da Sra Amberden. Ao se aproximarem mais, viram que a mulher chorava. Kathy e Lizzie congelaram. Demorou um pouco até que a Sra Amberden notasse as duas meninas bem a sua frente, mas quando percebeu a presença delas, desmoronou num mar de lágrimas. As garotas correram para abraçá-la.
– Sra Amberden – falou Lizzie com o coração quase saindo pela boca –, o que aconteceu?
A mulher respondeu, mas suas palavras foram suprimidas pelo choro incessante.
– Por favor, Sra Amberden, nos diga que Annie está bem... – implorou Kathy.
– Não... Annie es-está... Annie está morta...
A última palavra foi quase inaudível, mas inconfundível.
Kathy e Lizzie olharam uma para outra novamente e deixaram que o silêncio reinasse, enquanto lágrimas de dor escorriam por seus rostos. Haviam permanecido estáticas com a notícia da morte de Annie, como se a vida fosse tirada delas próprias, e desabaram a chorar juntamente com a mãe da amiga. A viagem de Drew seria então em vão, pensara Lizzie num lapso de nitidez em meio a sua mente, que se encontrava num turbilhão de esperança e fé, porém estas se quebraram em caquinhos mínimos.
Ela e Kathy abraçaram reconfortantemente a mão de Annie, mas é claro que não havia no mundo conforto para uma mãe que perdera uma filha; especialmente quando se tratava de uma segunda filha morta, e para piorar, numa questão de um intervalo mínimo depois da morte de Carly.
Kathy só conseguia se lembrar do telefonema que dera pra Annie poucas horas atrás, alertando-a sobre Matthew ser na realidade Mason, o vampiro que havia destroçado a vida de todos nos últimos meses. Entretanto, a amiga não acreditou, e se o fez, queria ter certeza de ouvir da boca do próprio namorado. Provavelmente foi o que ela fizera, pensou Kathy, e acabou por encontrar a morte. Caiu em prantos, sentindo-se inútil por não ter conseguido convencer Annie a fugir dali.
As duas garotas permaneceram lá com a Sra Amberden, até que resolveram levar ela para dentro. Fizeram com que a mãe de Annie se sentasse numa poltrona e Kathy foi lhe preparar uma água com açúcar, numa tentativa de fazer com que ela se acalmasse.
Poucos minutos depois, Lizzie, que se encontrava no corredor, encostada à parede que dividia o hall de entrada da casa e a sala – a casa dos Amberden era idêntica à residência dos Carter –, escutou uma freada brusca lá fora. Poucos segundos depois, lá estava o pai de Annie, entrando às pressas, com lágrimas no olhar e o claro desespero estampado do rosto.
– Helen... – disse em meio a soluços. – Helen, me diga que isto é uma brincadeira de mau gosto! – a voz do Sr Amberden se elevou.
A mulher não teve forças para dizer uma palavra se quer, apenas acenou com a cabeça que aquilo não era trote nem nada do tipo. Foi o suficiente para o pai de Annie surtar. Ele gritou de raiva e dor – o que fez Lizzie dar um leve salto de susto –, depois chutou o sofá pequeno, fazendo-o deslizar um pouco do lugar. Pegou um vaso de flores que ficava sobre a mesinha de centro e tacou na parede da escada, atrás de Lizzie. Kathy, que vinha para sala na hora para inspecionar a gritaria, quase foi atingida pelo vaso, que se estilhaçou em pedaços ao bater na parede, deixando-a marcada de água. O Sr Amberden cedeu e caiu de joelhos no chão, enterrando seu rosto contra o piso em seguida, ainda gritando desesperado.
– Minhas duas filhas... – murmurou num tom quase inaudível. – Minhas pequeninas!
Kathy, agora mais aliviada pelo susto de quase ser acertada por um objeto voador não identificado e ainda por cima de vidro – só descobriu que era um vaso após o mesmo se estilhaçar na parede, a poucos centímetros do rosto dela – se aproximou de Lizzie, que assistia à cena com o coração se contorcendo por ver o sofrimento daquele pai.
– É melhor irmos... – falou Kathy baixinho.
Ainda olhando para o Sr Amberden prostrado no chão, ela assentiu. Kathy então caminhou para a porta e Lizzie disse algumas palavras num sussurro, mesmo que os pais de Annie não pudessem ouvir, e mesmo que aquilo não fosse aliviar suas dores.
– Sinto muito!
Uma última lágrima escorreu por seu rosto antes que ele deixasse a residência dos Amberden.
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