Scarlet Blood II - One First Breath
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Elijah e Drew continuavam no corredor. O garoto já estava impaciente e caminhava de um lado para o outro. Fazia quase uma hora que Annie e Alexis conversavam lá dentro. Elijah só o analisava. Cansado de esperar, Drew decidiu entrar, foi até a porta e estava quase alcançando a maçaneta quando Elijah segurou sua mão. Drew o encarou e o vampiro fez sinal de negação.
– Não entre, Drew!
– Por que não? Faz vários minutos que elas estão lá dentro. Em poucas horas o dia amanhecerá e os funcionários irão chegar. Temos que sair daqui antes disso acontecer!
– E nós vamos... – respondeu Elijah tranquilo.
Drew ficou levemente emburrado. Ele queria entrar e dizer para que Annie viesse logo. Depois ela e Alexis teriam todo tempo do mundo para conversar, mas não ali naquele momento. Elijah continuava o observando.
– Sabe, Drew, eu não sei como você reagiu ao ser transformado. Algo me diz que sem querer você fez coisas ruins. Tudo por causa do impulso por sangue. Acredite, eu sei perfeitamente bem como é. Eu sei, porque eu também o fiz. A sede foi maior que o meu senso – Elijah disse remoendo sobre o passado. Drew engoliu em seco. – Você não teve alguém com quem conversar, Drew, e nem eu. Mas Alexis tem. Ela tem Annie. Deixe tomar o tempo que for necessário. É muito para assimilar. Além do mais, a garota além de ser uma vampira, também perdeu os pais. Não é um momento fácil para ela. Dentre todos, nós dois deveríamos ser os que entendem melhor a situação pela qual a garota está passando...
As palavras sábias de Elijah fizeram Drew refletir. Ele encarou o vampiro mais velho, se perguntando quem ele tinha matado pelo impulso de se alimentar. Drew havia matado Chris, seu melhor amigo, um guarda e os próprios pais. E depois do egoísmo do jovem naquele momento, Elijah poderia ter gritado com ele, mas não. Em nenhum momento sua voz pacifica se alterou. Ele foi compreensivo com Drew. O garoto se envergonhou.
– Você tem razão, Elijah... Sinto muito.
– Não sinta, garoto. Você ainda é jovem. Tem muito que aprender – respondeu Elijah gentilmente.
Ambos se entreolharam mais uma vez. Drew assentiu e voltou a caminhar pelo corredor escuro, enquanto Elijah permanecia encostado na parede.
Mais meia-hora se passou até que, finalmente, os vampiros notaram a maçaneta da porta girando. Annie saiu da sala de autópsia abraçando uma Alexis com o rosto inchado e vermelho em função da choradeira. A garota ainda continuava bastante abalada, mas não chorava mais.
– Hey – falou Annie num tom amigável –, este é Elijah.
– É um grande prazer, Alexis – o homem fez uma mesura. – Sinto muito pela situação em que te coloquei, minha jovem...
Alexis fez um gesto com a cabeça, dizendo “não há problemas”. Num primeiro momento, ela pensou que seria melhor ter continuado morta. Não havia mais motivos para ela viver. Não sem a sua família. Contudo, depois Alexis percebeu que aquilo era exatamente o que ela queria: voltar à vida como uma vampira, um ser talvez maligno e repugnante, porém forte, ágil e habilidoso. Dessa maneira, ela podia fazer Mason, o assassino de sua família, pagar por todo o mal que lhes causara. Tudo que Alexis queria era vê-lo implorar por piedade. Vingança...
– E este – Annie prosseguiu – é meu amigo Drew.
– Bem-vinda ao grupo, eu acho... – o garoto sorriu. Alexis conseguiu retribuir fracamente.
Por um momento, o silêncio predominou, enquanto todos olhavam um para a cara do outro. Até que Elijah decidiu quebrar o ambiente silencioso.
– Vamos garotos, é melhor sairmos logo daqui. Está perto do amanhecer. Além do mais, sinto que o Conselho já está se aproximando. Precisamos voltar logo a Springfield e... – Elijah já estava caminhando pelo corredor, quando congelou, se dando conta de algo. – Oh não! – ele engoliu em seco.
– O que foi, Elijah? – perguntou Annie.
– Amanhecer... Sol... Vampiros recém-transformados... Vocês não tem a “Benção”.
– Por sorte o tempo vai permanecer nublado depois do amanhecer. Ou seja, nada de Sol – afirmou Drew sorridente. – Eu saí de Springfield antes de anoitecer. Na hora da preocupação em salvar Annie, nem me dei conta, é claro, mas agora percebo. O tempo estava nublado. Por isso não me feri ao sair para o exterior ainda de dia. E agora pouco, chequei a temperatura pelo celular. Continuará nublado. Significa que já podemos sair de Chicago. Se você acha tão importante, Elijah, quem somos nós para discordar?
O homem ficou aliviado.
– Então vamos, garotos. Quando sai o próximo ônibus para Springfield?
– Em menos de uma hora... – respondeu Drew.
– Significa que temos meia-hora para chegar à rodoviária – afirmou Elijah. – Ei – ele olhou para as garotas e lhes jogou alguns uniformes do necrotério –, vistam estas roupas. Usar apenas jalecos não é a forma mais apropriada de se sair à rua e muito menos fazer uma viagem.
Annie e Alexis pegaram as roupas, aqueles típicos uniformes de enfermeiros, com uma calça e uma camiseta em gola V, e cada um era de uma cor: um rosa e outro verde. As garotas se dirigiram para o banheiro e se vestiram rapidamente, saindo para o corredor em menos de dois minutos. Pronto, eles estavam preparados para ir, deixar aquele lugar de morte e regressar à vida e ao mundo lá fora.
Os quatro apertaram o passo. Dessa vez, saíram pela porta da frente do recinto, sem maiores preocupações. Um alarme soou, mas nenhum deles sequer olhou para trás. Não demorou até que chegassem à rodoviária. Elijah pagou por quatro passagens até Springfield. Eles se acomodaram no ônibus e em poucos minutos o veículo seguiu viagem. Na metade do caminho, o dia começou a nascer, porém, sem resquícios do Sol. Como dissera Drew, o tempo permanecia nublado.
Elijah e Drew sentaram-se juntos, nos últimos assentos de um dos lados do ônibus, enquanto Annie e Alexis tomaram os lugares da frente. As garotas vieram conversando quase o caminho inteiro e Annie ainda tentava consolar Alexis. Os rapazes permaneceram em silêncio, mas Drew de alguma forma queria puxar assunto, porém a figura de Elijah com os olhos fixos na estrada lá fora, observando a chuva que começara a cair pouco depois do nascer do dia, demonstrava que ele não queria papo. Talvez fosse engano de Drew, mas soou dessa forma e além do mais, o vampiro mais velho parecia ser um cara caladão. O garoto se perguntava o porquê. Ele queria saber mais da história de Elijah, afinal, estava ali do lado de um dos vampiros mais antigos, segundo suas próprias palavras. E quem seria que ele tinha matado após sua transformação, Drew continuava se perguntando. Entretanto, o garoto apenas permaneceu em silêncio.
Alguns minutos se passaram.
– Já estamos perto? – a voz de Elijah irrompeu na calmaria do ônibus, onde a maioria dos passageiros dormia. Drew o olhou surpreso.
– Estamos quase lá... Acredito que em menos de meia-hora chegaremos.
– Ótimo! Preciso fazer uma ligação. – Elijah retirou do bolso seu celular e discou um número. – Claire?
– Querido! – respondeu o outro lado da linha. Drew escutou claramente a voz da mulher, mesmo sem querer. Só depois ele percebeu que era devido a sua audição de vampiro. – Onde vocês estão?
– Segundo um dos garotos, a menos de 30 minutos de Springfield. Você já chegou?
– Sim, há pouquíssimo tempo. Vou esperar vocês na rodoviária, certo?
– Ok – Elijah suspirou e fez uma longa pausa. – Estou com saudades, Claire... Não vejo a hora de te reencontrar! – falou com a voz cheia de dor.
– Nem eu querido, nem eu! – A moça também suspirou. – Mas, não se preocupe, em poucos minutos estaremos juntos novamente.
Ali em seu assento, escutando a conversa – e parecendo um intruso no meio do diálogo do casal –, Drew quase pôde ver um leve sorriso surgindo na face da moça.
– Claro. Até logo, Claire – Elijah disse suavemente.
– Até, querido...
E assim, Elijah desligou o celular, com uma expressão triste estampada no rosto. Drew o encarou e viu que o homem estava distante.
– Posso lhe perguntar algo? – falou Drew um pouco sem graça, chamando a atenção de Elijah.
– Sim, Drew, claro...
– Por que você e sua noiva não estão juntos? Desculpe a intromissão, é só que eu...
– Não há motivos para se desculpar, Drew – Elijah fez uma ligeira pausa. – Sabe, desde que Oliver morreu, eu e Claire estamos rodando essa região em busca de Mason. Acho que procuramos em cada centímetro do estado de Illinois, porém não conseguimos encontrá-lo. Passamos por Springfield algumas vezes, inclusive, mas acho que ele foi esperto o suficiente para se mandar de lá bem nesses momentos. O Natal foi um deles. Depois decidimos checar os estados vizinhos. Entretanto, achamos que poderíamos cobrir uma área maior separados. Então, não é sempre que temos a oportunidade de estarmos juntos... Eu a vi poucas vezes nesses últimos 10 meses – admitiu o homem.
– Sinto muito em ouvir isso. Vocês nunca pensaram em procura-lo em Chicago? Quero dizer, parece que ele ia muito para lá, certo?
– Pensamos. Só que não o fizemos. Achá-lo em Chicago seria como procurar uma agulha num palheiro, mesmo com nossos poderes vampirescos. Era óbvio que ele sempre estava lá, atrás de Heinrik, o vampiro líder da área. Seria uma opção ficar perto da Trump Tower, onde Heinrik reside e tentar pegar Mason. O único problema é que aquele lugar é infestado de vampiros e todos eles querem a minha cabeça, ordem direta do líder deles. Veja bem, Heinrik e eu temos uma certa inimizade desde que eu virei “vegetariano”... – Elijah tomou um ar. – Resumindo, tentar pegar Mason em Chicago seria impossível, ou suicídio.
– Compreendo.
O falatório cessou e o veículo voltou ao antigo silêncio, não fosse pelas vozes das garotas sentadas nas poltronas da frente. Pouco tempo depois, o ônibus já adentrava a cidade de Springfield.
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