Notas iniciais
Não tenho atualizado mto essa fic pq ainda estou escrevendo e tal. E de quebra, ñ tenho nenhum leitor ainda ~pura tristeza, rs. Enfim, de qlqr forma aq vai + um cap!

Drew se esgueirava pelos corredores escuros. Não era um lugar grande, porém existiam muitas salas e caminhos diversos. Isso dificultou a situação. O garoto entrava de sala em sala, atrás de pistas da amiga. Enquanto estava lá dentro, não viu ninguém, mas manteve cautela.

Quando chegou a determinado corredor, Drew sentiu que se aproximava, um instinto interior lhe dizia isso. Adentrou a primeira sala. Tinha um corpo deitado numa maca, coberto por um lençol branco. O garoto se aproximou. Em cima de uma mesa de rodinhas ao lado da cama de metal se encontrava uma prancheta. Drew a examinou antes de ter a coragem de descobrir o corpo do cadáver. Não era Annie. O nome escrito era Alexis Clark. Apenas 18 anos, reparou Drew, apenas um pouco mais velha que Annie. Uma vida toda desperdiçada... O que ele não sabia era que, assim como sua amiga de infância, Alexis também fora apenas mais uma vítima do sádico Mason.

Deu as costas para o corpo, lamentando-se pela vida que se foi. Drew saiu do quarto e entrou na sala seguinte. Assim que passou pela porta, seu coração se acelerou. Era Annie, sentiu ele. O jovem vampiro correu até ela e tirou o lençol de cima do rosto dela. De fato, era sua amiga.

Qual foi a reação dele? Um misto de tristeza, repulsa, ódio e todas as sensações ruins e negativas que se podem propiciar a alguém que perdeu um ente querido devido a um assassinato. E o pior de tudo, aquele desejo de vingança. Tudo que Drew queria era ter um segundo confronto com Mason e ele arrancaria a cabeça do maldito, sem dó nem piedade, da mesma forma que Mason tratava suas vítimas. No fundo, sabia Drew, tudo aquilo era pura fantasia, afinal, ele jamais poderia vencer um duelo contra Mason. Entretanto, imaginar não custava...

A princípio, Drew se sentiu enojado pensando no que faria a seguir. Ele simplesmente não tinha coragem. Morder sua amiga. Trazê-la de volta à vida era o que ele mais queria, mas a que preço? Ela se tornaria uma sanguessuga, assim como ele. Ela iria sentir aquele desejo incontrolável de matar... E talvez ela iria tirar vidas para se alimentar. E o ciclo se repetiria incontáveis vezes até que Annie pudesse aprender a se controlar. Valeria a pena?, pensou Drew.

O menino se jogou numa cadeira que estava encostada na parede. A indecisão lhe consumia. Deveria agir pela razão e desistir desta ideia tola e insana ou continuar seguindo a emoção e trazer de volta uma vida? Não pôde evitar de soltar um grito de raiva. Seu urro ecoou pela sala escura, fazendo o lugar parecer ainda mais sombrio do que já era. Drew suspirou, cansado. Olhou para Annie uma última vez. Ele tinha tomado sua decisão.

Me perdoe, Annie... – murmurou baixinho.

Assim, Drew voou na direção do corpo jazido na mesa. Cravou suas prezas no pescoço de Annie. Entretanto, ela já não tinha mais sangue – Mason havia lhe drenado, provavelmente. Então, Drew prosseguiu o ritual: pegou um dos objetos cirúrgicos e cortou seu próprio pulso, o sangue pingou no lençol branco, manchando-o. O garoto posicionou o braço sobre a boca de Annie e deixou que o líquido escorresse por sua mão. A garota ingeriu as gotas do sangue. Nada aconteceu. A ferida se fechou e logo não havia sequer a marca de uma cicatriz no pulso do garoto. Ele respirou fundo e voltou a sentar-se na cadeira.

Que tudo dê certo! – pediu aos céus.

Seu nervosismo apenas crescia insanamente... Até que Annie se levantou abruptamente em busca de ar. Pronto, estava feito: Annie Amberden era uma vampira.

–--

– Drew, o que aconteceu comigo?

A voz de Annie estava aflita e confusa. Não era para menos. Drew a analisou por alguns segundos sob o céu noturno e fez-se silêncio durante os próximos instantes.

– Você morreu, Annie...

Aquelas palavras foram um choque, atingiram Annie em cheio e a cabeça dela girou ainda mais do que já estava girando. Uma forte tontura lhe pegou e garota perdeu o equilíbrio. Drew a segurou, mas ela já se apoiava à parede. Foi então que, em meio àquela drástica revelação, Annie começou a se lembrar de tudo que acontecera. As imagens vieram-lhe à cabeça como um flash.

Ela estava no quarto de hotel com Matthew. Kathy ligou para ela desesperada, dizendo que Matt era, na realidade, Mason, o vilão do dia. Annie desacreditou, mas quando questionou o namorado, ele confirmou. Contou a história desde o princípio, revelando como ele tinha enganado a todos, manipulando-os como marionetes. Então, usando de seu charme, Mason conseguiu levar Annie para cama. No fim de tudo, ele lhe mordeu e sugou a vida da garota, juntamente com o sangue dela. Eu consegui, Annie!, sussurrou Mason. E, assim, a garota morreu.

A lembrança deixou Annie ainda pior. Sentiu nojo. Nojo de Mason e mais nojo ainda de si mesma, por ter sido capaz de deitar-se com ele. Entretanto, afastou os pensamentos a respeito de Mason, pois se deu conta de que se ela tinha morrido, mas estava ali viva naquele momento, frente a frente com Drew – um recém-transformado vampiro, segundo lhe dissera Kathy pelo telefone –, só havia uma explicação plausível...

Oh Deus... – exclamou Annie. – Drew, você não fez o que eu estou pensando que fez, certo?

O garoto corou por um instante. Agir por emoção nunca era bom, pensou ele.

Sinto muito... – se desculpou com a voz trêmula.

– Oh Deus, não, eu não posso acreditar! O que passou pela sua cabeça, Drew? – gritou Annie.

Aquilo foi uma dolorosa apunhalada no coração. Drew ficou sem reação por um momento, tentando diluir o que dissera Annie. Ele soltou um leve riso, achando que talvez fosse brincadeira. Contudo, quando olhou para a garota, viu que sua expressão era severa.

Drew?! – questionou Annie nervosa.

– Annie, eu sinto muito! Só estava pensando em salvar sua vida! – retrucou ele com a voz elevada.

– Me transformando em uma sugadora de sangue? Como isso parece “salvar uma vida”, Drew? – respondeu Annie rispidamente, dando as costas para Drew e encarando a parede de tijolos.

– Você é minha amiga, Annie! E quando eu soube que você estava com Mason aqui em Chicago... Deus, era tudo minha culpa! Se eu não tivesse ficado trancado em casa, você jamais estaria com ele. Só pensei em salvar você. É uma das poucas pessoas que me restou, Annie. Eu... – lágrimas começaram a escorrer pelo rosto do garoto – eu matei meus pais, Annie. E matei Chris e aquele guarda da escola. Sabe o peso que isso tem? Quando as garotas me contaram sobre você, decidi que precisava salvá-la. Fazer o bem pelo menos uma vez enquanto este ser abominável que me tornei. A questão é que quando cheguei aqui, Lizzie me telefonou e contou que você havia morrido. Foi um baque. Mas, não. Minha vinda não podia ter sido em vão e eu ainda tinha uma chance de te salvar. Não foi a solução mais sensata, eu sei, entretanto foi tudo que eu pude fazer. Além do mais, o que você acha? Que foi fácil te transformar? Muito pelo contrário! Foi provavelmente a decisão mais difícil que já tomei. Eu ponderei a situação. Decidi que assim seria melhor. Talvez eu me enganei e sinto muito por isso... E talvez você questione o fato de que eu, um assassino em tão pouco tempo de vampiro, escolhi lhe dar esta maldição. Algo que vá fazer com que você sinta a vontade de matar. Mas, Annie, você é a pessoa mais doce que conheço na vida. E se existe alguém que pode lidar com isso, que pode ser mais forte que o desejo por sangue, esse alguém é você! Se por ventura algum dia você tentar machucar uma pessoa, eu sei que na última hora um lapso da realidade vai te atingir e você vai perceber o que está tentando fazer e irá parar na hora. E não se esqueça de algo, estamos juntos agora. Você e eu. E vamos nos ajudar como sempre fizemos. Eu te darei força quando você estiver louca por sangue, e você fará o mesmo por mim – Drew fez uma pausa. – Talvez você não aceite sua atual condição, mas só espero que um dia você possa me perdoar, Annie...

Drew enxugou as lágrimas, enquanto Annie ficou muda, tocada pelo discurso do amigo. Ele só estava pensando em salvá-la e ela agradeceu de forma tão egoísta gritando com o pobre garoto que já estava passando por altas situações. Além do mais, algo ocorreu na mente de Annie: ela estava de volta e era uma vampira. Ela poderia ir atrás de Mason e fazer com que o cretino pagasse por tudo o que lhe havia tirado, inclusive a vida. Essa era a regra, uma vida por outra.

Vingança era tudo o que Annie queria. Um desejo ardente de ver o cavalheiresco e malévolo Mason morrer à mingua, gritando por piedade. Mas, pelo menos por aquele momento em questão, Annie afastou tais pensamentos. Ela estava simplesmente agradecida pelo gesto de amizade que Drew a prestara – mesmo quando não era exatamente o gesto mais carinhoso ou coisa do tipo. Em seguida, ela abraçou um Drew muito surpreso por tal ato.

– Eu te perdoo, Drew! – falou baixinho. – Obrigada por salvar a minha vida! – sorriu.

Palmas.

O barulho de palmas ecoou pelo beco escuro atrás do necrotério. Annie e Drew se soltaram rapidamente e olharam na direção do som. Só viram sombras.

Tocante!

Declarou uma voz grossa e rouca.

– Quem está aí? – perguntou Drew, colocando-se na frente de Annie, tentando protegê-la de quem quer que fosse.

Em meio às sombras surgiu uma silhueta alta. Ela se aproximou, até que a pouca luminosidade existente no beco lhes permitiu enxergar a tal figura...