Scarlet Blood II - One First Breath
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Era um homem. Alto e forte. Dono de uma impecável postura e o tão belo e culto sotaque inglês. Trajava um terno risca de giz que aparentava ser muito caro.
De certa forma, Drew e Annie ficaram aliviados por não ser Mason. O sotaque e o modo irônico com o qual o homem tinha falado lhes fez lembrar o vampiro sádico. Entretanto, talvez fosse melhor ser o velho conhecido deles. Se Mason tinha toda aquela postura de poder, este homem estava muito além disso. Facilmente derrotaria Mason num combate. Mas, por que ele estava ali? Quem era ele? Alguém a se temer? Se sim, Drew e Annie não teriam chances...
O jovem vampiro engoliu em seco. Caminhou para trás bem devagar, ainda protegendo Annie atrás do próprio corpo. O homem os observou, mas parecia não ligar para o fato de que os adolescentes estavam tentando escapar sorrateiramente.
– Sabe – falou o estranho com humor na voz –, se eu realmente estivesse aqui para lhes fazer mal, acreditem, vocês nunca teriam me visto. Já teria os matado tão facilmente quanto se esmaga uma formiga.
Apesar das palavras escolhidas e de todo o “poder” que o tal homem emanava através de sua postura, ainda assim, de fato, ele não parecia alguém de quem Drew e Annie deveriam ter medo. Mas, foi exatamente assim que Mason lhes enganou, fazendo-se de bonzinho, um amigo e namorado carinhoso. Portanto, na atual circunstância, confiança não era o forte dos jovens vampiros.
– Meu nome é Elijah Hattfield – anunciou. – E você – ele apontou para a garota –, é Annie Amberden. Te vi na televisão. A garota que morreu na Trump Tower algumas horas atrás – relembrou-se Elijah. – Ironicamente, aqui está ela, bem à minha frente. Ou você não é quem eu penso ou a tv nos enganou...
Elijah se silenciou misteriosamente, encarando bem no fundo dos olhos de Drew e Annie. Ele sorriu com o canto dos lábios – de forma bastante charmosa, pensou a garota, apesar da tensão do momento.
– Ou existe uma terceira possibilidade – refletiu. – Uma possibilidade que eu chamaria de sobrenatural. Que me diz? Eu estou certo, não? O garoto aí provavelmente acabou de te transformar em uma vampira – falou sem enrolação alguma.
Annie se sentiu desconfortável com a situação. Claro, quem quer que a tivesse visto na televisão e depois a encontrasse na rua, ficaria pasmo. Mas, a questão era que aquele homem, o qual Annie nunca tinha sequer visto, saber tanto sobre ela a incomodava.
– Ok. Você a viu na tv. Mas por que está aqui? – perguntou Drew com a voz elevada, tentando ser imponente. Falhou.
O tal Elijah deu um pequeno riso e olhou para baixo.
– Não acreditam em mim, não é mesmo? Que surpresa...
– Não temos motivos para confiar em você! – respondeu Annie secamente.
– E nem em ninguém do seu mundinho de vampiros... – completou Drew.
Elijah suspirou. Tomou uma postura séria.
– Não peço para que confiem em mim, crianças. Seria querer demais. Eu sei. Mas, estou aqui porque o caso de Annie me pareceu familiar. Uma garota morta num quarto de hotel e que teve o sangue drenado logo após fazer sexo... É um modus operandi que conheço muito bem. Sendo assim, me parece que temos um inimigo em comum.
– Mason... – disse Drew, mais para si mesmo do que para os demais.
– Matthew Mason – confirmou Elijah.
– E por que Mason é seu... inimigo? – perguntou Annie.
– É uma longa história, Annie. Por ora, eu apenas peço que confiem em mim até chegarmos em Springfield. Mas, antes, me parece que ainda tenho uma tarefa.
Vendo a reação de Drew e Annie ao se falar em “confiança”, Elijah viu que seria difícil convencê-los de que ele estava ali para ajudar.
– O que posso dizer é que Mason matou aquele a quem eu seguia. Ele matou aquele que lutava para uma nova sociedade de vampiros – Elijah suspirou. – Vampiros que não matam para se alimentar, que não tiram vidas alheias... Mason matou o líder de um movimento revolucionário. Oliver Spencer... – falou tristemente.
– Oliver? – perguntou Annie. – Mason me contou... Ele me contou tudo sobre Oliver antes de... bem, antes de me matar.
Elijah arregalou os olhos surpresos. Neste momento, Annie percebeu que aquele homem era quem dizia. Um aliado, não inimigo.
– Drew – falou a garota –, sei que isso pode parecer difícil, mas acredite em mim, temos que confiar nele – cochichou para o amigo.
– Annie... – repreendeu Drew receoso. Ela ignorou.
– Fico feliz em saber que você ouviu falar de Oliver, Annie. É um ponto positivo na nossa relação de mútua confiança – Elijah fez uma pausa. – Desde que Oliver morreu, o movimento dos vampiros “vegetarianos” perdeu força e se desmantelou. Quando vi seu caso na tv, pensei que depois do que Mason lhe fez, você poderia me ajudar. Entretanto, percebo que cheguei um pouco atrasado... – ele sorriu para Drew.
– Espere. Você iria me transformar em vampira? – questionou Annie.
– Exatamente. Talvez isso fizesse com que você nunca confiasse em mim, mas a sua pessoa, juntamente com Alexis Clark, poderiam dar vida novamente a nossa causa.
– Alexis Clark? – Drew se lembrou do nome de uma das garotas no necrotério. – Você pretende transformá-la também? Porque ela está lá dentro.
– Mason matou essa garota também? – Annie ficou aturdida.
– Temo que sim, Annie. Ela e a família foram achados mortos dentro da própria casa poucas horas antes de você. A própria tv acredita que os casos tenham relação, afinal, em ambos as vítimas tiveram o sangue completamente drenado de seus corpos. Parece muita coincidência, certo?
– Como você tem absoluta certeza de que foi Mason que as matou? – perguntou Drew. – Eu digo...
– Além do M.O. dele, a imagem de um tal Matthew Spencer saindo da Trump Tower me pareceu bastante clara.
– E agora você vai entrar lá dentro e transformar a garota Alexis em vampira? – Drew continuou questionando. – E depois?
– Depois todos nós voltaremos para Springfield. Assim que vi ambos os casos, liguei para minha noiva, Claire, e pedi que ela nos encontrasse lá. Me parece ser mais seguro do que Chicago neste momento – Elijah olhou para a imagem da Trump Tower ao fundo. – Sinto forças maiores já se aproximando. Amanhã é dia do Conselho. Não podemos permanecer aqui.
– Forças maiores? – Annie engoliu em seco. – Você já me parece a personificação da “força maior” aqui. Existem coisas mais... poderosas que você? E que tal Conselho é esse?
Elijah não pode deixar escapar um leve riso. Suspirou.
– Sou um dos mais antigos. Um dos mais poderosos. Inclusive, já fiz parte deste Conselho. Mas, desde que abandonei a vida de sanguessuga, eu não tenho tanto poder quanto antes. Apesar de eu optar por viver sem me alimentar de sangue humano, é fato que ser “vegetariano” não nos provém tanto poder quanto beber direto da veia. E, desde sempre, eu nunca fui a pessoa mais poderosa no Conselho. Lá existem vampiros que poderiam me desbancar muito facilmente. Principalmente a senh... Quer saber, esqueçam disso, crianças. Não é algo com o que vocês deveriam se preocupar neste momento. Vamos apenas nos concentrar em Mason. Ok? – Pausa. – Agora vamos, eu preciso transformar Alexis Clark.
– Por que nós duas?
– É simples, Annie. Ambas foram mortas por Mason. No caso de Alexis foi ainda pior, ela perdeu toda a família por causa dele. E o crápula matou o meu líder. No fim de tudo, só o que nós três queremos é vingança. Contra uma “vingança tripla”, Mason não pode ter chances...
Elijah caminhou até Drew e parou ao lado do garoto. Pôs sua mão no ombro dele.
– Como te chamas?
– Andrew Carter. Drew.
– É um prazer, Drew. Eu espero que você, assim como Annie, possa confiar em mim no futuro.
Drew assentiu.
– Quando estivermos em Springfield – prosseguiu Elijah –, prometo que vou contar a vocês toda a história. Vocês me acompanham? – ele apontou para o necrotério.
Annie respirou fundo. Ela e Drew se entreolharam e assentiram. O garoto tomou a frente e os conduziu pelo mesmo caminho que entrou na clínica, a janela no alto. Os três pularam. Lá dentro, Drew levou Elijah até a sala de autópsia onde estava Alexis Clark.
Era hora de trazê-la de volta à vida...
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