Kathy correu para dentro da casa de Drew novamente, nervosa demais. Se dirigiu até a sala onde estavam Lizzie e o garoto, pensando que ainda não podia acreditar que Matthew era Mason.

Acabei de ligar para Annie! – gritou Kathy.

Lizzie levantou-se num pulo e cercou a amiga em busca de respostas. Se não estivesse tão debilitado, Drew teria feito o mesmo, porém, apenas continuou sentado no chão, aguardando por uma resposta.

– E então? – perguntou Lizzie desesperada.

– Eu contei sobre Matthew ser Mason, mas Annie não acreditou em mim! Eu alertei para que ela saísse de lá, mas ela só negou, dizendo que precisava ouvir aquilo da boca do próprio Matthew... Depois, ela desligou o telefone porque disse que Matt estava saindo do banho. Mas, primeiro ela disse que tinha achado algo e...

Kathy atropelou-se nas palavras, o ar tinha quase se extinguido de seus pulmões e ela buscou por mais oxigênio numa longa inspirada.

Drew já estava de pé ao lado delas, claramente lutando para manter seu equilíbrio.

– Eu preciso ir a Chicago!

– Drew, não! – repreendeu Lizzie.

O garoto pegou Lizzie pelos braços e fez com que ela olhasse diretamente em seus olhos. Seus olhos, tão verdes quanto esmeraldas, clamando por uma chance.

– Lizzie, é de Annie que estamos falando, nossa amiga desde sempre! Por favor, não me impeça de ir... Eu preciso salvá-la! – Drew fez uma longa pausa. – Me deixe provar que eu não sou um monstro, Lizzie. Uma chance... É tudo o que te peço!

Lizzie não aguentou o olhar suplicante de Drew. Acabou cedendo.

– Tudo bem. Você tem minha permissão! – Drew fez um gesto de agradecimento com a cabeça e já ia se retirando, mas Lizzie puxou o braço dele. – Drew, por favor, só me prometa que você não fará nenhuma besteira! Do tipo: enfrentar o Matt...

– Eu lhe prometo que eu não vou, Lizzie!

Os olhos de ambos estavam fixos um no outro. Saber que Drew estava partindo para o que parecia ser seu fim – caso ele lutasse contra Mason –, partia o coração de Lizzie, mas Annie era sua amiga também. Se houvesse uma possibilidade de salvá-la, mesmo por menor que fosse, eles precisavam tentar, deviam aquilo à amiga. Vendo a preocupação estampada nos olhos de Lizzie, a reação de Drew foi automática, de uma forma gentil e carinhosa. Ele puxou a garota com força, pressionando-a contra seu corpo, dando-lhe um longo beijo. Kathy, assistindo à cena, suspirou, com um olhar romântico em seu rosto. Quando os lábios de Drew e Lizzie finalmente se afastaram, o vampiro encostou a testa no rosto da garota.

– Eu prometo que vou voltar. Por você! – disse num sussurro.

Assim, Drew soltou-se de Lizzie e correu para seu quarto. Ele era quase tão ágil quanto a velocidade da luz, mas ainda não tinha se acostumado às habilidades de seu novo corpo, portanto, procurava manter seu ritmo humano.

Quando o garoto desapareceu no alto da escada, Kathy deu uma cutucada no braço de Lizzie, que ainda estava um tanto quanto boba pela atitude bastante inesperada de Drew.

– Hey, amiga, se não estivéssemos numa situação tão tensa aqui, eu juro que esse momento teria sido... “UAU”!

Lizzie assentiu sem dizer uma palavra sequer.

Poucos minutos depois, Drew já estava de volta lá embaixo, vestindo suas roupas típicas: tênis Vans, calça skinny, uma camiseta branca básica e jaqueta college. Trazia nas costas uma pequena mochila. Só então ele se deu conta de que agora, sendo um vampiro, não poderia sair na rua debaixo da luz solar. Entretanto, quando olhou lá para fora, viu que o tempo tinha fechado. Nuvens cinzentas cobriam o céu e impediam a passagem de qualquer raio do Sol. Ele estava liberado para ir.

Antes de sair, Drew beijou a testa de Lizzie e deu um abraço apertado em Kathy.

– Me desejem sorte! – falou enquanto abria a porta.

Boa sorte! – disseram as duas num uníssono.

E Drew se foi.

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Talvez fosse toda a tensão que pairava no ar antes que não permitiu que Lizzie e Kathy reparassem tanto nos cadáveres dos pais de Drew. É claro, quando elas entraram na casa, se apavoraram ao ver a cena e de súbito aquele cheiro podre embrulhou seus estômagos, mas depois sumiu. Pelo menos, era o que parecia. Lizzie estava preocupada demais com Drew para notar qualquer outra coisa e Kathy estava assustada demais com a possibilidade de que ele pudesse as atacar. Ambas esqueceram.

Porém, assim que Drew deixou a casa, aqueles corpos, seu cheiro podre... Tudo pareceu “fluir”. O odor de carniça em decomposição atingiu suas narinas e o estômago de ambas revirou. A cena também era pouquíssimo agradável. O estágio de decomposição já parecia estar um pouco avançado, pois suas peles estavam necrosadas. Era repulsivo.

Pelo amor do Santo Deus, Lizzie... O que Drew irá fazer com esses corpos?

– Eu sei...

– Logo menos a polícia vai baixar aqui na porta... Se ele não se livrar logo dos corpos, irá preso. E mesmo que se livre deles, o que Drew dirá à polícia?

– Acho que só resta uma opção, Kathy... Drew terá que sair daqui!

Nem Lizzie e – muito menos – Kathy estavam mais aguentando ficar naquela casa. Elas decidiram sair dali o mais rápido possível, tentando se esquecer daquela cena horrível a qual testemunharam.

Lizzie começou a refletir. O fato de que fora Drew quem fizera aquilo pareceu finalmente lhe atingir. E doeu. Mas, no fundo, Lizzie sabia que o garoto por quem ela estava apaixonada há anos não seria capaz daquilo. Ele não era um monstro. Era apenas uma condição nova, a qual ele não conseguiu controlar, infelizmente, e a qual ele iria precisar aprender a conviver. Fosse por bem ou por mal.

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Drew chegou à rodoviária apressado, andando rapidamente e cortando caminho entre as pessoas a sua frente.

Quando conseguiu alcançar o balcão, pediu uma passagem para Chicago. Por sorte, o ônibus sairia em menos de uma hora. Assim que retirou seu ticket, correu para o veículo acomodando-se logo. Permaneceu com a mochila dentro do ônibus, não quis guardá-la no bagageiro, isso apenas o atrasaria a deixar o ônibus quando estivesse em seu destino.

A ansiedade e preocupação com Annie estavam o consumindo. Quanto mais pensava nela ali, junto com Matthew – ou melhor, junto com Mason –, sua aflição aumentava. Os poucos minutos que ficou ali no ônibus pareceram uma eternidade. Contudo, quando os outros passageiros começaram a subir no veículo, o tempo pareceu passar mais rápido. E Drew agradeceu por isso. Antes que percebesse, eles já estavam pegando a estrada.