Scarlatt e os dois Lobos.
1 Capítulo 1 Olhos enormes.
Notas iniciais
As lendas foram feitas como uma forma de avisar as próximas gerações os perigos que rodeiam a noite, certa vez minha mãe contou uma história que me fez pensar.
Estamos em 2014, final de ano e, nossa família tradicionalmente comemora as festividades na cidade natal que todo ano promove uma comemoração aos fundadores, o engraçado é que nunca participei de nenhuma em vinte anos de vida, pelo menos não que eu me lembre, sempre estive viajando para a casa das minhas amigas, primos, ficar no colégio interno, viagens sozinha, isso porque sou diferente dos meus irmãos mais novos, eu sou bastarda, filha de um erro do meu pai com a empregada da casa, ela me escondeu até os meus sete anos de idade até que morreu misteriosamente caindo da escada, então a senhora Weapon me criou a contra gosto, meus irmão vieram um ano depois devido a um tratamento de fertilidade, mas este ano eu sinto que vai ser diferente, neste dia do ano Petrified Tree Hollow nunca mais será a mesma...
Minha mãe costumava me contar histórias sobre a cidade dos Weapon , eles fazem parte de das famílias que fundaram a cidade, ela foi formada pelas famílias March, Hammer, Steel, ela é conhecida por sua riqueza mineral e natural, tem uma grande floresta e uma mina de minério de ferro que deixou as quatro famílias muito ricas e cheias de folclore.. superstições que duram até hoje.
—Pai... Quer dizer senhor... Eu já cheguei na cidade, sim... Eu... comprei um apartamento no centro, não precisa, eu tenho o dinheiro... Ok... Ah ... não é nada deixa pra lá, boa noite. –Desliguei o celular, me sentei no meio da sala ouvindo a música vindo da festa no centro, gostaria de estar lá.
Fui a um mercadinho do outro lado da rua do meu prédio e, estava vazio, a maioria das pessoas estavam na grande fogueira montada bem na praça principal em frente à igreja, no mercado não tinha muita variedade de comida, apenas besteiras, o senhor asiático assistia uma apresentação da pequena tela do celular distraído de mais, quando paguei pelo salgadinhos e refrigerantes vi que do lado de fora estava tudo escuro, sai andando atravessando a rua e me deparei com a entrada do meu prédio completamente escura também, me senti como se estivesse em um episódio ruim de uma serie SyFy, acho que uma lâmpada quebrou, atravessando a rua acabei caindo por causa de um buraco, voltei a andar, chegando na portaria ouvi um uivo, quase como uma lamentação, olhei para trás vi grandes olhos amarelos me observando, fiquei tentada a olhar melhor aquela figura sinistra senti uma vibração de perigo vindo daqueles olhos na escuridão, me recusando a ser a personagem burra que morre ao correr em direção ao perigo corri, mas na tentativa de entra acabei caindo de costas e mesmo que eu tentasse sair dali, aqueles olhos me aprisionaram.
—Olá... filhote dos Weapon... Você cheira como a sua mãe.... Mas infelizmente cheira também como o seu pai.. em breve vai ficar morta como eles e a escória do fundou este lugar. –Estava ficando louca ou aquele grande vulto preto falou comigo?
—Meus... pais?
O vulto veio em minha direção em disparada, mas passou sobre mim indo em direção a cidade, eu não pensei duas vezes, seja lá o que era aquilo, tinha a intenção de matar minha família, liguei várias vezes pra o meu pai, mas ele não atendia, dirige até o centro da cidade, porém quando cheguei lá já era tarde demais, havia uma cena de guerra, muitas pessoas mutiladas e feridos, eu procurei naquele cenário macabro os meus irmãos e pai, apenas vi o John meu pai e sua esposa Amélia abraçando os corpos sem vida dos meus irmãos.
—Pa.. Senhor... O Tomás? ... ele está? Amélia... Me responde o que aconteceu aqui? –Ele ouvi a minha voz e se surpreende ao me ver.
—Scarlett? O que pensa que está fazendo aqui, não te dei permissão para vir aqui... –Seu tom é frio como sempre, mas nos seus olhos eu vejo a dor de ter nos braços os meus irmãos sem vida. –E sim, seus irmãos foram atacados, mas por sorte John ainda está bem, ele está no carro dormindo, vá até lá e fique com ele, eu tenho que cuidar disso aqui...
Amélia nem se quer me olhou como ela sempre costuma fazer, corri até o carro onde ouvi um uivo semelhante ao de antes, porém quando me aproximei me deparei com dois lobos enormes brigando na frente do carro do meu pai, gritei e eles imediatamente pararam, um lobo negro rosnou para o lobo branco, o grande e negro me derrubou no chão e ficou sobre mim.
—Voltarei por você criança... Como eu disse não hoje... –Ele lambeu meu pescoço logo após sua voz visceral proferir sua promessa.
—Ele fala?. –Sussurrei minha estupida constatação.
Ele correu em direção a floresta, a dor nas costas causadas pelo tombo veio imediatamente ao tentar ficar de pé e assim eu vi o lobo branco me encarou e não disse nada, apenas correu atrás do outro lobo, olhei para o carro e havia arranhões na porta direita do carro no banco traseiro, tentei mover minhas pernas para chegar ao carro, mas eu estava parecendo um bezerro que acabou de vir ao mundo, quando olhei para dentro meu o irmãozinho dormia, ele não acordou com som dos lobos, abri a porta e me sentei ao seu lado e o abracei, ele acordou, olhou pra mim e fechou novamente os olhos, pode ver que ele nem se dava conta do que havia acontecido a nossa família.
Um tempo depois Amélia voltou sem meu pai, ela chorava inconsolavelmente ela nem mesmo olhou para o Junior dormindo em meus braços, meu pai apareceu logo em seguida com o seu terno caro manchado de vermelho, ele esfregava as mãos na tentativa de limpar o sangue já seco das mãos, ele veio até a porta aberta e notou os arranhões nele.
—Scarlett, como esses arranhões aconteceram? John ele viu alguma coisa? –Perguntou-me agressivo como se eu tivesse feito isso.
Meu pai sempre foi um homem frio quando está perto de Amália, mas na época em que eu tinha Sete anos e que minha mãe era viva, ele ia sempre nos visitar no interior, sempre foi tão caloroso comigo, sempre me deu presentes, o ultimo que ele me deu foi uma cesta de flores, as flores morreram assim como minha a mãe, eu ainda tenho a cesta, era uma vida boa e meu pai costumava me contar sobre as lendas da cidade, junto com a minha mãe, ele e ela, sempre sorriam pra mim, até que um dia ele simplesmente parou.
—Eu... Eu não... Eu não sei como explicar... Eles eram tão grandes... um branco e um outro negro como a noite, ambos com olhos grandes e amarelados... Rápidos... –Ainda tentando assimilar o que aconteceu eu tento pôr em palavras o que eu entendi.
—Lobos? –Eles testa a resposta que sai assim como ele espera.
—Sim... foram eles que fizeram isso, tudo aquilo foram eles? –Incrédula ponho a minha mão sobre a boca para evitar que minha alma saia de tanto terror. –Como podem existir lobos tão grandes na cidade? Bem que ele disse que faria... –Detive minhas palavras, mas foi tarde demais ele as capitou no ar.
— Ele falou com você? O que ele te disse? Por que não me contou? –Ele captura meus punhos e os aperta com força me forçando a olhar para os seus olhos vidrados em certezas.
—Eu tentei, seu celular só dava caixa, eu só posso estar louca por que eu acho que ele fala... ele disse que mataria a todos, e quando eles lutavam aqui no estacionamento, ele saltou sobre mim, e disse que eu seria a próxima, mas não hoje, ele disse que viria por mim. –Agora que a fixa caiu eu estou histérica, só posso ter consumido drogas sem saber.
—Então eles mataram meus filhos, mas não mataram essa bastarda, só pode ser o sangue ruim de sua mãe, aquela vadia até hoje te protege... –Minha madrasta acusa-me e deseja que eu morra desde que pisei em sua casa, não era novidade para mim ela dizer aquelas palavras.
—Cale-se Amélia, ela também não tem culpa, vamos pra casa tratar do enterro, a comunidade, quer sepultar os filhos dos fundadores juntos, e temos sorte por ela está aqui para cuidar de John. –Me soltando e repreendendo a esposa inconformada por eu ainda estar viva.
Fomos pra casa de inverno dos Weapon, que fica no meio da reserva longe da cidade, quando chegamos lá a polícia esperava por nós, Amélia e John ficaram falando com eles, notei que um policial jovem me olhava fixamente enquanto eu entrava com John Junior em meus braços, subindo as escadas, a casa como era usada constantemente da temporada de caça era natural ter vários animais empalhados espalhados na decoração, a caça era também um negócio de família da pele as armas, chegando no quarto, notei que John estava acordado.
—Scarlett, cadê a Maria e o Tom? –Ele falou cansando com os olhos quebrados de sono.
—Estão dormindo.. –Falei com os olhos escorrendo lágrimas, eles estava, realmente dormindo, eternamente....
—Po que ta chorando? –Ele esfrega os olhinhos, ele é tão inocente.
—Por nada amorzinho, você quer que eu te conte uma história? –Me deito ao seu lado e ele se aconchega em mim.
—Sim, sim. –Ele se agita meio bêbado de sono.
—Que história quer que eu conte? –Puxo eu celular para procurar uma história online.
—Chapeuzinho vermelho. –Se ele soubesse o que os lobos fizeram, não me pediria esse história.
—Ok, hum... como começa mesmo? .... –Digito o nome e me aparecem várias versões, fotos de lobos com olhos amarelos me aparecem, todas me fazem lembrar dele.
—Com “Era uma vez..” –Com um sussurro ele me responde.
—Ok.. Uhm.. Era uma vez uma menina...
Contando a história a ele, lembrei do aviso da minha mãe... “-Filha, nunca fale com estranhos... nunca se desvie do caminho e, principalmente... nunca ande, ou procure a escuridão, nunca se sabe o que tem por lá.”
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