Say Something

3 Capítulo II — Recovery


Notas iniciais
Hey babys! We come back. — Primeiramente, desculpem essas autoras desnaturadas, amamos vocês okay? Mas, vocês sabem, temos nossos deveres e compromissos, não ta fácil para ninguém. — Segundo, queremos agradecer a todos os comentários e favoritos que SS recebeu. Ficamos muito contente em saber que estão gostando e faremos de tudo para agradar a todos. Novamente, obrigada! — Terceiro, pedimos desculpa por qualquer erro ortográfico, gramatical e afins. — Por ultimo, a musica do capítulo é Recovery, do James Arthur. Para quem gosta de escutar musica enquanto lê o capítulo, aqui está o link: https://www.letras.mus.br/james-arthur/recovery/traducao.html Boa leitura, esperamos que gostem.

Era praticamente impossível acreditar que Laurel estava mesmo aqui na minha frente. Havia se passado muitos anos, pensei que nunca mais iria revê-la novamente.

Seus olhos se encheram de lagrimas e seus braços envolveram-se ao redor de mim. Não sabia como reagir a isso.

— Sonhei tanto com este momento — ela disse, abraçando-me mais forte.

Sua voz pareceu me acordar do transe do qual havia caído e, delicadamente, a afastei de mim.

— O que você está fazendo aqui, Laurel? — Foi o que consegui perguntar.

— Como assim? — riu sem humor, limpando as lagrimas. — Eu voltei para você, meu amor.

Aquela tinha sido a coisa mais estupida que eu havia ouvido durante todo o dia. Como alguém pode voltar depois de cinco anos como se nada tivesse acontecido? Ela só pode estar ficando maluca.

Ou isso daqui é um pesadelo.

Vi Felicity sair e ir para o nosso quarto afetada. Ela não precisava dizer nada, apenas o olhar lançado a mim antes de se virar foi o suficiente para perceber. Eu lembro que quando a conheci Laurel havia acabado de ir embora, e meses depois eu nunca mais tive noticias da mesma. Então Felicity sabe perfeitamente quem ela é.

— Espere aqui. Temos muito o que conversar — falei.

— Deixe-a — pediu, segurando meu braço. — Eu prefiro ter essa conversa sozinha com você. Tenho certeza que ela não vai se importar — Senti a hostilidade no seu tom. Foi o bastante para me irritar.

— Mas eu me importo — respondi entre dentes.

Seu semblante triste passou para indignado em segundos. Seu rosto ficou corado e ela suspirou, alto e lento. Sua mão parou no meu ombro onde ela apertou, e desceu o caminho pelo meu braço até chegar no pulso. Á todo instante me olhando. Eu observei seus movimentos sem acreditar em como ela poderia estar tão serena, depois de tanto tempo sem nos vermos.

— Eu estou aqui agora, Oliver — ela disse, baixo. — E eu prometo que não irei mais te deixar. Nunca mais! Entenda que esses últimos anos foram ruins para mim, como se não tivessem existido. E no momento que eu entrei no avião meu único objetivo era voltar para você. Imagino que você tenha andado com outras mulheres, mas agora acabou. Estou de volta e é para ficar.

Para ficar...

Ela realmente acha que eu estou com o coração partido por conta dela?

Deus, eu não sei o que Laurel andou fazendo nos últimos anos, mas com certeza ela não se deu conta ainda que se passaram cinco anos. E o quanto minha vida mudou neles.

— Preste atenção, Laurel… — dei um paço para trás. — A Felicity é minha prioridade, sempre. Se ela quiser que você vá embora daqui, então você irá — avisei seriamente. — E não dou a minima se você veio para ficar ou não.

Dei as costas a ela e não me virei para ver sua resposta — eu realmente não me importava. Ela não poderia aparecer na minha casa depois de anos sem noticias e fingir que estava tudo como antes.

Eu pensei que ela estava morta!

A noticia do seu acidente abalou todos nós. Sua irmã e pais ficaram sem chão e, por um momento, eu também. Laurel foi muito importante para mim, para minha descoberta como pessoa e também no amor.

Sempre desejei que ela estivesse viva. Que ela voltasse para casa bem. Mas eu nunca imaginei que isso seria possível.

Nós não tivemos a chance de colocar um ponto final na nossa relação, como deveríamos. Contudo, isso iria acontecer.

Apenas queria saber o porquê dela não ter nos procurado antes.

— Felicity? — a chamei, quando entrei no quarto e não a vi.

Segundos depois a porta do banheiro foi aberta e ela saiu, com um semblante amedrontado.

— Está tudo bem? — Cheguei até ela em dois passos e segurei seu rosto entre as mãos. — Por que você saiu de lá tão depressa?

— Sua namorada já foi embora? — perguntou sarcasticamente, se desvencilhando de mim e indo até o pequeno sofá em frente a enorme janela.

Ela estava chateada. Eu também ficaria se fosse uma situação inversa.

Felicity estava presente nos meses em que sofria e me sentia culpado pela suposta morte de Laurel. Passei meses desejando que ela voltasse e, mesmo no começo do meu relacionamento com Felicity eu ainda não havia superado totalmente a morte dela.

Contudo passou-se cinco anos. Eu segui minha vida e deixei Laurel Lance nas minhas memorias do passado. Mas agora ela reaparece na minha casa, do mesmo modo que á anos atrás depois de sofrer um acidente e ser dada como morta.

Tem algo errado. E eu não sei se quero descobrir.

— Não faça assim — implorei, suspirando alto. — Minha mente está acabando comigo de tanta informação e suposições, não quero deixá-la chateada — garanti.

Uma parte de mim ainda achava que isso não é real. Que não passa de um terrível e cruel sonho.

Reviver Laurel depois de tanto tempo? Por quê?

Felicity me olhou pelo canto dos olhos e percebi seu olhar suavizar de pouquinho em pouquinho.

— Você sabia que ela viria aqui?

— Obvio que não — afirmei, enquanto me sentava ao seu lado. — Felicity, até poucos minutos atrás para mim Laurel não estava mais entre nós — passei as mãos pela nuca, olhando para a noite lá fora. — Eu te contei do acidente que ela sofreu e que seu corpo havia sido arremessado para fora do carro, matando-a…

— Sim, você me disse — confirmou com um breve aceno de cabeça. — Mas aquela mulher ali na sala não parece ter sido arremessada para fora de um carro muito menos parece estar morta — sussurrou a ultima parte.

— É, eu sei. E isso é o que eu não entendo — murmurei.

Felicity levantou-se e andou de um lado para o outro, mordendo o canto da boca. Olhou para mim e inspirou.

— Não me leve a mal, fico contente por ela está viva. Eu só não vou admitir que ela me desrespeite na minha própria casa — disse-me com o cenho franzido.

— O que foi que ela fez com você? — impressionante como não estou surpreso com isso.

— Não vem ao caso agora — desviou do assunto. — Vá até lá e converse com ela.

Busquei seu olhar enquanto me levantava, sentindo um peso nas minhas costas e na minha cabeça. Eu era capaz de sentir o bloqueio que se formava na minha mente… Isso não é real.

Não era assim que eu espera ser minha noite.

— Eu não sei se é uma boa ideia — confessei, com o tom de voz baixo.

— Oliver — ela segurou meu rosto com as mãos. — Você merece saber o que aconteceu realmente nesses últimos anos. Ela tem que falar e você deve ouvir.

Ela tem razão. Existe algo no meio dessa história toda que eu preciso descobrir.

— Tudo bem — concordei.

Um sorriso fraco apareceu em seus lábios e ela acariciou meu rosto, antes de se afastar. Mas a puxei de volta e a abracei forte, confortando a ela e a mim.

Deslizei minha boca pelo seu pescoço e senti seu cheiro que eu tanto sou apaixonado. Talvez o que eu ouça não me agrade, quem sabe. Porém não importa porque eu sei que eu teria minha mulher ao meu lado antes dessa note acabar.

E é só isso o que eu preciso para me manter sã.

— Eu te amo — sussurrei em seu ouvido.

— Também amo você — respondeu.

A deixei no quarto e segui até a sala, onde encontrei Laurel impaciente com um copo de água em mãos.

Assim que me viu se levantou e aproveitei para observa-la mais atentamente. Não havia mudado muito, apenas alguns traços. Parecia mais matura… E havia um brilho escuro em seu olhar que eu não me lembrava. Como também não me deixou confortável.

— Estava com sede, se não se importa — quebrou o silencio, erguendo o copo.

Não esbocei nenhuma reação o que afez recuar um pouco.

Joguinhos nunca foi o meu forte, então decidi ser direto:

— Como você pode está viva?

— É uma longa história, Ollie — informa com um suspiro.

— Eu não vou a lugar algum — afirmo.

— Foi uma coisa triste, realmente. Eu fiquei muito abalada. Oliver, eu estava bem ao lado da prima da Becca, ela quem sofreu mais no fatídico acidente —– vejo seus olhos lacrimejarem — Era mais uma noite em que eu e algumas meninas íamos sair para tomar alguns drinks, porém quando estávamos no caminho Becca recebeu uma ligação de Maddie, sua prima — engoliu seco e olhou para as mãos juntas no colo. — Ollie foi horrível, encontramos ela nua, havia sido violentada, estava um pouco alta, parecia drogada. Eu a entreguei meu casaco, então resolvemos ir para casa, cuidar dela e em seguida delatar aquilo a policia, mas foi tudo muito rápido — se levantou e começou a andar de um lado para o outro abraçando a si mesma, enquanto lagrimas já corriam livremente pelo rosto pálido — Nós fomos atingidas ou batemos em algo, eu não me lembro. Só me lembro do carro capotando, as garotas gritando e então tudo ficou escuro.

— Mas, porque nesses cinco anos, cinco anos Laurel! Você não deu noticia, ficamos perplexos pensando que você havia morrido, você não se deu ao trabalho de nos informar que havia sobrevivido — ralho já irritado.

Ollie — ela parou e me encarou com o semblante aterrorizado — Eu fiquei em coma durante todo esse tempo, eu não sabia de nada, eu fiquei em coma por cinco malditos anos!

— O quê? — olho-a atordoado.

— E nem em um hospital eu estava, acordei em uma casa em uma floresta, só depois fui saber que um casal de fazendeiros havia me encontrado e cuidado de mim todo esse tempo. Eles me trataram como se fosse a filha deles, pareciam estranhos e paranoicos, mas eu mesmo assim agradeci por terem me encontrado, eu poderia realmente ter morrido — caiu aos prantos no sofá.

— Mas seu pai foi reconhecer seu corpo, como é possível? — argumento.

— A garota era parecida comigo, só que provavelmente o corpo estava desfigurado, por isso pensaram que era eu — fecha os olhos segurando um soluço — Eu sinto tanto Ollie, eu não queria que pensasse que estava morta, eu te amava, eu te amo.

Ela se aproximou apoiando a mão em meu antebraço buscando meus olhos. Levantei-me abruptamente colocando as mãos sobre a cabeça, confuso, atordoado, caótico. Isso estava me deixando louco, tudo isso, a historia, a sua volta... Era nebuloso, como se uma tempestade estivesse chegando, era simplesmente um pouco desconexo. Mas ela estava aqui, na minha frente, viva, contando tudo o que aconteceu. Era perturbador, trazia todos aqueles sentimentos tristes embaraçosos de volta, eu não queria isso.

— Já falou com seus pais? — indago tentando botar a cabeça em ordem.

— Irei amanhã. Queria vê-lo primeiro — alega — Venha comigo.

— Isso é algo que deve fazer sozinha — digo ríspido — Acho melhor você ir.

— Mas é que...

— Laurel, por favor — olho para ela com a maior serenidade possível.

— Ok — levanta-se juntando a bolsa e o casaco — Eu estou neste hotel — me alcança o cartão pequeno — Boa noite — da um passo em minha direção e eu dou um para trás.

Encaro seu rosto triste e decepcionado enquanto se afasta indo até a porta saindo em seguida. Soltei a respiração que nem notei que havia prendido, enquanto me sentava na poltrona colocando o rosto entre as mãos, isso era muito para digerir.

Não queria ser rude com ela, mas havia se passado tempo demais. E ao vê-la ali na minha frente, como estava a segundos atrás, tive a sensação de que não a conhecia mais. Parecia uma completa estranha para mim.

Seu jeito de falar e andar ainda eram os mesmo, os traços do rosto haviam mudado pouco… Mas ainda sim a intimidade que tínhamos se foi. E ela não poderia agir como se quisesse que ela voltasse.

Levantei com a cabeça ainda cheia e fui até o quarto. Felicity estava sentada na nossa cama com o celular em mãos. Pelo modo em que mordia os lábios instintivamente, ela estava nervosa.

— Ela já foi — avisei, suspirando, enquanto tirava a camisa.

Ela não disse nada, mas seu olhar estava em mim.

— Não vai dizer nada? — ergui as sobrancelhas.

— O que você quer que eu diga? — me devolveu a pergunta e colocou seu celular ao lado da cama. — O que acha de: O que sua ex namorada zumbi queria com você? — sua voz soou sarcástica, me fazendo revirar os olhos. — Ou talvez eu pergunte o por quê de ela ter acordado da morte depois de tantos anos — sorriu em provocação.

E essa era minha Felicity. Mascará suas emoções com seu habitual sarcasmo.

Sentei-me na beira da cama e enterrei meu rosto entre as mãos. Eu sabia que tudo isso amanha seria uma enorme confusão. A mídia não deixaria isso passar em branco.

Felicity se mexeu na cama e me abraçou por trás, colando seus lábios em minhas costas.

— Me desculpe — pediu. — Eu sei que a Laurel foi importante demais para você, então quando ela apareceu eu… eu surtei — suspirou e senti-a encaixando o queixo no meu ombro.

— Não mais do que eu, acredite — murmurei.

— Quer falar sobre isso?

Me levantei, passei a mão em meus cabelos e suspirei exausto.

— Está tudo tão confuso aqui — apontei para minha cabeça. — Ela me devia uma explicação, e me deu. Mas não ajudou a mudar o fato de que eu sofri luto por ela, mas consegui seguir minha vida para ela chegar como se nada tivesse mudado.

— E você disse isso a ela?

— Não. Porque ela vai descobrir isso logo — disse.

Notas finais
Então? O que acham dessa história da Laurel Bitch? Deixe a opinião de vocês ai, gostaríamos muito de saber o que estão pensando. Vemos vocês no próximo capítulo. Beijos e até a próxima. ♥