Say Something
4 That's When It All Began
Notas iniciais
1 ano e 6 meses depois
Pov’s Tony
Ás vezes, as pessoas esquecem as coisas, pelo menos até que estejam prontas para lidar com elas. As pessoas dizem que o tempo cura, engraçado, já faz quase dois anos e nada dessa dor dilacerante passar.
Lembrar de Ziva era meu novo passatempo favorito, eu conseguia vê-la em qualquer coisa, eu ainda esperava que isso fosse apenas um pesadelo e que eu acordaria a qualquer momento e ela estaria aqui.
As coisas estavam bem complicadas no NCIS. A mais ou menos dois meses alguém passou a mandar mensagens ameaçadoras para nós, quando digo nós quero dizer eu, McGee, o chefe e até a pobre Abby.
Eram mensagens estranhas, mas o padrão das mensagens era “contar nossa situação emocional ou física”, no meu caso a maioria das mensagens falavam de como eu fiquei inútil sem Ziva e depois desse cara acabar com o seu psicológico, fazendo você lembrar de coisas que gostaria de esquecer, no final ele escreve algo ameaçador. Como por exemplo, na minha mensagem de hoje estava escrito:
“Quase dois anos, agente DiNozzo. Será que Ziva ia gostar de ver o idiota que você se tornou? Bom, tome cuidado ao sair na rua, você pode acabar sendo atropelado por suas emoções.”
Isso já estava me fazendo perder o sono. Terminei meu café de pressa, eu estava atrasado só para não perder o costume. Coloquei o primeiro terno que vi pela frente e sai.
Cheguei ao lado de fora do meu prédio e meu carro estava estacionado do outro lado da rua. Não sei por que. Eu nunca faço isso. Mas eu me lembraria o motivo depois, atravessei a rua lentamente e apesar de estar bem claro, eu pude sentir a luz do farol de um carro bater forte no meu olho e depois eu senti o carro bater forte no meu corpo. Não tive mais tempo de raciocinar sobre nada. Tudo havia ficado escuro.
Quando finalmente eu consegui abrir meus olhos eu pude ver que estava na cama de um hospital, meu corpo doía muito, parecia que eu havia sido atropelado, não, espera, eu fui!
Abri meus olhos novamente e vi Gibbs falando com um homem, ele parecia ser o “meu” médico. O cara saiu e deixou meu chefe sozinho comigo:
– Como está se sentindo, DiNozzo? – Gibbs perguntou. Ele estava realmente preocupado.
– Com dor, mas vou ficar bem.
– Você quebrou a perna e vai passar uns dois dias aqui no hospital. – só então percebi o gesso que cobria minha perna, do pé até o joelho. Olhei para Gibbs e murmurei um xingamento. – Eu tenho que ir. O doutor vai te dar alguns remédios para passar a dor e vai te fazer dormir também. Mais tarde eu volto com a Abby. Fica bem.
– Pode deixar.
Gibbs saiu e o médico já entrou. Nós conversamos um pouco, coisa superficiais do tipo : como eu estava me sentindo, o que havia acontecido e qual medicação ele me daria:
– Bom, eu vou te deixar descansar. Mais tarde eu volto para te ver.
– Obrigado.
O efeito da medicação foi quase que instantâneo, eu senti meus olhos pesarem rapidamente e então acomodei meu corpo na cama dura do hospital.
Após algum tempo eu abri meus olhos lentamente. E eu vi a Ziva ali, ao lado da minha cama:
– Ziva?!
– Você está bem, Tony?
– Eu estou, mas você, você está...
– Morta?! – eu não queria pronunciar aquela palavra, mas não pude deixar de afirmar o questionamento de Ziva. – Eu não devia estar aqui, mas você se machucou e eu fiquei tão preocupada. Eu tive medo de que você fosse morrer. Por isso eu voltei. Não me importo o quanto isso seja perigoso. Eu precisava te ver.
– Zi, o que aconteceu com você?
– Eu preciso ir. E Tony, pega logo esse cara, ele já está me deixando nervosa.
E novamente meus olhos pesaram e cai em um sono profundo.
Acordei mais tarde com o médico e Abby do meu lado:
– TONY! MEU DEUS, eu fiquei tão preocupada quando eu soube.
– Eu estou bem Abby, obrigado. Doutor?!
– Sim.
– É possível os remédios causarem algum tipo de alucinação?
– Sim, não é muito frequente, mas pode ocorrer.
– Obrigado.
O médico saiu e eu fiquei conversando com a Abby por um tempo, até que o meu celular e o dela apitou. Eu deixei o meu em cima da mesa, mas Abby olhou a mensagem e uma expressão de medo tomou conta de seu rosto:
– Abby, o que foi? – ela não dizia nada, apenas me entregou o celular, depois que li a mensagem no celular da Abby peguei o meu e não me surpreendi por ter recebido a mesma mensagem.
“Eu ainda estou aqui desgraçados. Estou em todo lugar e eu sei de tudo.”
Aquilo já estava me deixando louco, mas não só a mim, mas a todos os meus amigos.
No dia seguinte eu fui pra casa, eu deveria ter ficado feliz, mas não fiquei. Eu teria que ficar duas semanas de repouso e ficar em casa era a última coisa que eu queria.
McGee me deixou em casa, literalmente. Ele subiu comigo até o meu apartamento, eu quase achei que ele ia me colocar na cama, mas ele me deixou no sofá, ainda bem:
– Obrigado, McPrestativo.
– Eu vou indo, se precisar de alguma coisa pode me ligar.
– Pode deixar, novato.
Quando McGee saiu eu peguei o controle remoto e liguei a televisão, procurei algum canal com filme. Assistir filmes sempre me faziam relaxar e esquecer os meus problemas, por isso eu gosto tanto deles. Não se passou nem dez minutos de filme e eu já adormeci.
Sonhei com Ziva, o que não era novidade. Quando eu não estava pensando nela, eu estava sonhando com ela. Eu a amei contra a razão, contra as minhas próprias promessas, contra a minha paz, contra tudo, mas não me arrependo disso. Porque ama-la me salvou de mim mesmo.
Quando voltei para o NCIS me senti bem melhor, eu estava ocupando a minha cabeça com outra coisa além de memórias que me deixavam triste.
Fiquei umas duas semanas fazendo trabalho de escritório, mas quando Gibbs teve certeza de que minha perna estava melhor, não me polpou de trabalho nenhum.
Estávamos trabalhando em um caso de homicídio, faltava pouco para acharmos o assassino, estávamos muito perto.
Timmy, o chefe e eu descemos para o laboratório da Abby, ela havia dito que tinha novas evidências. A Abby estava muito estranha esses dias. Eu não sei explicar, mas ela estava mais emotiva do que sempre foi:
– Bom dia garotos! – Abby disse sem parar de olhar para o seu computador.
– Então, o que tem pra mim Abs? – Gibbs perguntou e Abby foi abrir um arquivo no outro computador, mas uma expressão de susto tomou conta de seu rosto. Quando Abby se afastou eu pude ver o que era. O nosso amigo havia deixado outra mensagem:
“Nunca confie em uma linda garota. Elas geralmente escondem um segredo feio.”
Eu juro que não entendi nada, mas parece que Abby sabia muito bem do que se tratava:
– Você contou para alguém McGee? – Abby pressionava o novato.
– Não, claro que não. Eu juro. Não contei nem mesmo ao Tony.
– Não contou o que? – foi a vez do chefe querer entender alguma coisa.
– Ai, que se dane. Ele vai saber de um jeito ou de outro mesmo. Prefiro que seja por nós. – Abby parou de olhar McGee e se virou para Gibbs. – Eu e o Timmy estamos juntos. Quero dizer, realmente juntos. Faz alguns meses, seis meses no máximo. Não contamos antes porque o McGee achou que você não aprovaria.
Ta bom, eu estou chocado e o chefe parecia não acreditar também. O novato namorando a Abby. E o pior é que ele conseguiu esconder isso por seis meses. Eu e Ziva conseguimos nos livrar de Gibbs apenas por um mês:
– Não acredito que esconderam isso de mim. Vocês acham que eu sou um tipo de monstro que nunca apoiaria vocês em nada? Vocês estarem juntos é o menor dos meus problemas. – caramba. O chefe parecia ter ficado chateado. Mas é que o Gibbs não é um cara muito agradável.
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