Notas iniciais
Eu sugiro que leiam esse capítulo escutando a música Not abou angels- Bird Acho que essa música combinou. Vou avisando que eu escrevi isso chorando ;(

– Mamãe!? – Ziva viu Caleb se aproximar com Camille e então o menino tirou a mão do peito e Ziva pode ver a mancha vermelha se formando no uniforme branco.

Caleb andou mais um pouco e antes de cair no chão, Ziva apoiou o menino no colo. Tony pegou Camille no colo e ligou para a ambulância e Gibbs:

– Caleb, fala com a mamãe. – Ziva dizia com a mão no peito do garoto tentando estacar o sangramento.

– Tá doendo mamãe. – Caleb tremia e Ziva apertava ele em seu colo. – Mamãe eu estou com medo.

– Não precisa ter medo, campeão. Nós estamos aqui com você, a ajuda já vai chegar. – Tony se agachou até a altura do filho, mas ainda com Camille no colo.

– Titio, o Caleb vai ficar bem, não vai? – Camille perguntava abraçando o pescoço do Tony fazendo menção de que iria chorar.

– Claro que ele vai ficar bem, não é campeão. – Tony falava aquilo mais pra ele do que para a garotinha que estava no seu colo.

– Eu não sou invencível, Cami.

– Mas você é forte, meu amor. – Ziva notou que Caleb começava a fechar os olhos. – Filho, olha pra mamãe. – Caleb com uma certa dificuldade abriu os seus olhos. – Isso meu amor. Fica com a mamãe. Caleb a mãe te ama muito e o papai também. Você tem que ser forte para melhorar. Quem vai me ensinar a jogar futebol?

– O Caleb também ama a mamãe e o papai e ama muito.

Ziva sentiu o menino desfalecer no seu colo:

– Caleb. Caleb, você está me ouvindo? – Ziva sacudia o garoto com um pouco de força. – Caleb, não faz isso, por favor. Tony faz alguma coisa, ele não está respirando. Caleb não morre.

Já era tarde, o coração já não batia mais, a respiração já havia parado a um bom tempo e os olhinhos verdes já não estavam mais brilhando. Ziva apertou o menino no seu colo e enterrou o seu rosto nos cabelos dele. Ela estava desesperada, não conseguia controlar o choro que vinha e dilacerava a sua garganta, Tony se levantou e abraçou Camille com tanta força, esquecendo-se que ela era uma simples criança:

– Titio, por que o Caleb está dormindo? Ele tem que acordar.

Tony não sabia o que responder, apenas apertou a menina com mais força em seu colo e sentia os seus olhos arderem como nunca tinha ardido antes:

– Titio, o que foi? – Camille passava as mãos no cabelo de Tony, mas mesmo sem saber o que era a menina já chorava. Ela sabia que alguma coisa estava errada. – Eu quero a minha mamãe.

– Vai ficar tudo bem, Cami.

Ziva continuava no chão com Caleb em seu colo, apesar de ainda estar chorando, ela não emitia nenhum som. Tony só conseguia escutar ruídos da voz dela no ouvido do filho. Em poucos minutos Gibbs chegou com McGee e a primeira reação dos dois foi entrar em um estado de choque. Aquilo não era possível. McGee caminhou até Tony e pegou a menina dando um olhar de cumplicidade ao parceiro e o deixando livre para se abaixar e abraçar Ziva em uma tentativa fracassada de consola-la:

– Filha, o que aconteceu? – McGee perguntava enxugando as lágrimas da menina que estava em seu colo.

– Eu tava brincando com o Caleb, aí o homem mal veio andando até a gente e machucou o Caleb. Papai, ele vai ficar bem?

Ninguém conseguia responder a pergunta de Camille, ninguém sabia que resposta dar para a garotinha que viu o seu amigo que era praticamente o seu irmão ser baleado. Aquilo era de mais para uma garota de cinco anos.

Quando a ambulância chegou Gibbs caminhou até Ziva:

– Ziver, você precisa deixar os médicos levarem o Caleb.

– Não adianta mais. Eu perdi o meu garotinho Gibbs. – Ziva pela primeira vez levantou o olhar até Gibbs e ele pode ver o quão inchado seus olhos estavam, ele pode ver pelos olhos dela o quanto a sua alma e seu coração estavam destruídos. Ele mesmo havia perdido a sua filha e sabia muito bem o que ela sentia. – NÃO PRECISAMOS MAIS DE VOCÊS! SAIAM DAQUI!– Ziva disse empurrando um dos médicos que tentou pegar Caleb para levar até o hospital. Realmente não adiantava, mas eles precisavam fazer a balística e uma autopsia no menino.

– Ziva, se acalme. Eles têm que leva-lo. Você sabe disso. – Gibbs dizia acariciando os cabelos da morena.

Depois de alguns minutos, Ziva se levantou com Caleb no colo e ela mesma o colocou na maca da ambulância. Quando se virou caiu no colo de Tony e novamente voltou a chorar. Ela estava inconsolável, parecia uma menininha de tão frágil que se encontrava. Todos ali tentavam não chorar, tentavam ser fortes para apoiarem a mulher que havia perdido o seu filho.

Gibbs mandou Tony levar Ziva pra casa. Gibbs disse que ele mesmo cuidaria das coisas do hospital e da funerária. Tony comprou um calmante no meio do caminho até em casa e deu pra Ziva beber. Quando percebeu que ela já estava quase dormindo, a chamou para deitar com ele, mas ela simplesmente ignorou e se deitou na cama de Caleb, se cobrindo com o cobertor dele e abraçando o travesseiro que era do garoto. E quando Tony teve certeza de que Ziva havia pagado ele se permitiu chorar. Tony não queria acorda-la, então se trancou dentro do banheiro e lá começou a socar as paredes ou qualquer coisa que estava a sua frente. Entrou em baixo do chuveiro e tomou um banho quente, depois deitou-se na cama do filho do jeito que pode e abraçou Ziva, enterrando o rosto nos cabelos dela, Tony novamente deixou as lágrimas escorrerem pelos seus olhos. Ele sentia o cheiro de Caleb sair do travesseiro, ele olhava para a porta e via o seu campeão correndo pra dentro do quarto gritando “mamãe, papai”. Tony não conseguia descrever o tamanho da dor, ele se sentia fraco e impotente. Mais uma vez havia falhado em uma de suas promessas. Tony não conseguia se perdoar. Afundou mais ainda o rosto no cabelo de Ziva e lá ficou impedindo que a sua mulher acordasse. Tony não aguentaria ver Ziva chorando de novo.

Notas finais
Esse capítulo foi tão dramática, mas os próximos terão muito violência, porque a tia gosta *-*