Saviors of Aernas
5 Muro Externo de Serdin
Notas iniciais
As três jovens, integrantes do grupo Grand Chase, seguem juntas em uma carroça coberta pelo caminho para a saída do reino de Serdin. O trajeto que dividia plantações e montes verdejantes deixava para trás o formoso castelo da cidade, que se destaca abaixo do horizonte montanhoso.
— As últimas notícias diziam que havia traços de magia negra ao sul de Serdin. Isso foi alguns dias atrás. A magia já deve ter se dissipado bastante, mas darei o meu melhor.
— Isso torna as coisas muito mais difíceis. Apesar da pressa para se formar esse grupo, pode ser que cheguemos tarde demais.
— Ah, relaxa. Se a Arme vai farejar a magia ela deve conseguir.
— Farejar? Está pensando que eu sou um cachorro por acaso?
— Não, você não é, mas essa é sua missão, não é?
— Ora, ora, vamos nos acalmar, por favor?
Arme encarava Elesis, a qual por sua vez olhava para a abertura da carroça, despreocupadamente. Lire estava ao lado de Elesis, gesticulando para a maga se acalmar. A elfa continuou.
— Provavelmente vamos encontrar dificuldades nesses lugares. Temos que investigar e sair de lá em segurança. Não irá adiantar de nada se não passarmos as informações de volta para a comandante.
Elesis soltou um suspiro triste, mas depois deu um sorriso pra disfarçar.
— Infelizmente o combate não é a prioridade, mas vai ser inevitável. Se a magia de Cazeaje fortalece os monstros, certamente vamos encontrar monstros fortes em lugares com a tal magia.
— Ei, vocês não estão ouvindo um barulho?
Lire olhou à frente da carroça, e suas orelhas se mexeram levemente. Elesis até achou graça nisso, mas dado o rosto sério da elfa, achou melhor esperar em silêncio pelo que ela conseguia ouvir.
— O que é?— Arme ficou um pouco impaciente depois do breve silêncio.
— ... Som de ... gritos de guerra.
Lire saiu de seu assento para ficar de pé no banco do condutor, o qual chegou um pouco para o lado. Olhou adiante, observando o muro exterior de Serdin, e logo puderam ver três rojões vermelhos e brilhantes subindo de uma das torres da muralha, uma magia de sinalização.
— Há uma movimentação no muro!
— O quê?— Elesis apoiou as mãos na divisão da carroça com o condutor – Você consegue ver daqui?
— Esse sinal! Serdin está sendo atacada! Deve ter sido a influência de Cazeaje!— Arme se espremeu ao lado de Elesis, quase empurrando o condutor para fora da carroça.
— Vamos para lá, depressa!— Elesis pediu ao condutor, que agitou as rédeas. Os cavalos relincharam e aceleraram pela estrada de terra.
...
Na base do muro, que se estendia entre as montanhas, o som das batalhas estava agora claro e audível. Do lado interno, as três seguiram escada acima para ver diversos soldados, arqueiros e magos combatendo goblins e oaks.
— Oaks? Uma invasão de oaks?— exclamou a maga.
As criaturas verdes e gordas, maiores que os goblins, estavam armados com paus e compensavam sua pouca perícia com força bruta e números.
Lire, com seu arco em mãos, começou a atirar sequencialmente nos oaks que apareciam escalando a mureta pelo lado de fora. Elesis pôde se aproximar e derrubar as cordas e escadas que foram montadas ali. Arme subiu em um local mais alto, e se preparava para lançar sua magia em cima da horda que chegava logo abaixo.
— Espíritos do fogo, água e terra, me deem forças!
O orbe que a maga levava consigo ao peito brilhou, e ela levantou seu cajado diante da horda de monstros. Elesis se pôs à frente da maga novamente, e protegia a maga das pedradas que os goblins começaram a atirar nela.
— Meteoros!
As numerosas luzes que pairavam acima de Arme se transformaram em pedras flamejantes e caíram como chuva em cima das centenas de oaks e goblins que ainda marchavam em direção à muralha. Em outros pontos da muralha, havia dois ou três magos também conjurando magias de fogo contra as hordas abaixo, intensivamente. Ainda havia muitos monstros, mas a quantidade reduziu drasticamente.
Eis que um homem em vestes casuais brancas e pretas apareceu pelo lado esquerdo, eliminando elegantemente vários goblins e oaks. Ele esboçava um sorriso convencido, e girava sua espada na mão direita.
— Esses goblins não mudam. Sempre tentando assolar nossas cidades.
— Ei, quem é esse convencido aí?— Elesis franziu as sobrancelhas. Ele não vestia armadura como os soldados da muralha.
— Ele parece forte. Muito forte.— Lire ressaltou.
O moreno olhou para elas e alargou o sorriso – Sou o lendário espadachim de Canaban, Sieghart, o imortal. Me poupem os aplausos, estou em uma missão importante.
— Espera... o lendário?— Arme se lembrava de histórias sobre um lendário espadachim.
— Como assim você é o Sieghart? Não me venha de palhaçadas com o nome de minha família!— Elesis marchou a passos firmes em direção a ele.
— Ehehe... Calma, ruivinha. É uma Sieghart, é? Está destinada a grandes coisas, se partilha do mesmo sangue que eu. Até mais ver!
— Eu não quero partilhar sangue nenhum com você, seu convencido! Volta já aqui, vou te derrubar agora mesmo!
— Crianças...— ele bufou, ainda sorrindo, e deu um tchauzinho enquanto continuava seu trajeto pela muralha — Treine por mais cem anos antes de me desafiar!
— Idiota...— ela desistiu de perseguí-lo quando viu que ele pulou por cima de vários goblins. Se ela fosse atrás deles, deixaria suas companheiras desprotegidas.
— Tinha que ser da família da Elesis.— Arme dizia em tom de reprovação.
— Será que Ela vai ficar convencida no mesmo nível dele?— Lire riu, e a espadachim olhou para as duas com um olhar fumegante.
...
— Vejam!
Seguindo o trajeto, o que chamou a atenção das três foi um oak ainda maior que os outros, que atacava os guardas com seu martelo e resistia os golpes e flechas com sua pele resistente.
Lire conjurou uma flecha, mirando cautelosamente acima do chefe, e liberou-a. O trajeto percorreu um arco raso, certeiro, mas antes de atingí-lo alguns goblins que estavam atentos ao seus arredores gritaram, e o oak desviou parcialmente da flecha atingindo seu capacete de raspão.
— K’sha...
Lire falou algo, irritada, e Elesis torceu pela flecha observando-a com a boca semiaberta.
— Foi por pouco... Vamos! Ele deve ser o líder.— Elesis incentivou, depois da expressão de Lire.
— Vou precisar de um tempo pra recarregar minha mana. Invoquei muitos meteoros... vocês dão conta dele, não dão?
— Deixa comigo! Mas aperte o passo, não quero ter que levar a princesinha de volta pra Serdin!
Arme soltou o ar em um som irritado, mas seguiu as duas ao longo do trajeto. O oak percebeu que vinham na direção dele, e ele começou a marchar, junto com seus subordinados, em direção às jovens.
À esquerda, os goblins continuavam a subir por cordas. Lire e Arme atacavam os que apareciam com bolas de fogo e flechas, enquanto Elesis limpava o caminho para seguirem em frente.
— Ataaqueeem!!— O grande oak gritou aos seus subordinados.
— Mandando seus subordinados idiotas virem pra cima? Que perda de tempo!— Elesis gritou de volta.
— Oaks vão destruir! GRAAH!
E Lire preparou várias flechas de uma só vez em seu arco, e ao disparar atingiu vários da primeira fileira, e seguiu atirando sobre o Oak, mas teve que sair de sua posição no alto por causa das pedras atiradas pelos goblins, que continuavam a cair sobre elas. O oak defendia as flechas com seu escudo de madeira, que mais parecia um portão de cerca, e focou sua atenção para Elesis.
O martelo desceu ao chão e a espadachim rolou para a direita do Oak. Ele levantou seu martelo logo depois e o contra-ataque dela rebateu na haste. Elesis teve que se movimentar para evitar outro golpe do oak.
Elesis esboçava um sorriso no rosto. O martelo dele era certamente mais pesado que sua espada, mas a força do oak compensava isso de forma que ele podia acompanhar a velocidade da ruiva.
— Eu sou o invencível Guerreiro Oak! Oak vai destruir muro!!— Ele ergueu o martelo e desceu-o com toda a força. O impacto fez uma leve cratera que balançou o chão e levantou algumas pedras que caíam nos que estavam ao seu redor, ao mesmo tempo que o impacto forçou as jovens e os goblins a pararem no lugar momentaneamente pra se equilibrarem.
Mas logo depois diversos goblins pularam em cima de Arme. Lire a avisou, mas a maga já tinha um truque na manga.
— Acha que eu não posso fazer isso também?
Ela já estava agachada, então bastou fechar o punho imbuído de magia e batê-lo no chão para causar um terremoto semelhante. As pedras perto de Arme subiram com a magia e atingiram os goblins que a cercavam. Lire teve que se afastar dela.
Elesis não teve tempo para admirar a proeza da maga. O Guerreiro Oak veio para cima com outra martelada, que ela pareou com a espada e impulsionando-se pra frente estocou contra o ventre do monstro.
O golpe não foi fundo o suficiente, a pele era muito resistente. Lire aproveitou os momentos para se posicionar e atirar flechas repetidamente contra o oak, que dada a proximidade se fincaram na pele, e a espadachim aproveitou o breve momento de dor de seu oponente para retirar sua espada e finalizar.
— Crítico X!
Um golpe transversal para cima e esquerda que emanava chamas, enquanto saltava Girando no ar, posicionou sua espada para uma segunda estocada, dessa vez contra o peito do Oak, derrubando-o no ato.
— Guerreiro Oak! Guerreiro Oak caiu!
Vários dos goblins e oaks menores que estavam ao redor gritaram o nome de seu chefe com a derrota do mesmo, e ficaram divididos. Já perderam muitos de seus aliados e estavam sem seu líder. Lutar até a morte ou...
— Recuar!
Um deles gritou, e com isso a maioria dos monstros que estavam em cima da torre começaram a fugir sem rumo. As jovens não ficaram paradas. Junto com os soldados restantes da muralha atacaram o máximo de goblins que podiam, para que nunca mais voltassem.
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