Saviors of Aernas
6 Praia Carry
Notas iniciais
Depois de sairem dos muros de Serdin, as três integrantes da Grand Chase seguiram o rastro de magia negra deixado pelos goblins. O rastro era fraco, o que indicava que apenas poucos dos monstros foram afetados.
— Basta o que possui mais influência decidir que todos os outros vão atrás. É uma limitação na capacidade de pensar?
— Pode ser, Lire. Os goblins nunca foram um exemplo de inteligência, pra começar. Não é à toa que nenhum deles é um mago.
Elesis sentiu uma leve indireta de Arme quando ela se pronunciou, mas resolveu relevar ao perceber que estava apenas se gabando. Puxou o assunto de volta para a missão.
— E então, para onde agora?
— A próxima pista era na praia Carry. Há relatos de um aumento no número de Harpias... – e mudando a postura de pensativa para descontraída, continuou— E aí, todos trouxeram seus trajes de banho?
Elesis olhou para Arme com uma face de incredulidade, e Lire deu uma risada.
— Ué? Não trouxeram? Já que vamos para lá, vamos aproveitar o mar, né?
Lire parou de rir, mas ainda manteve o rosto um pouco alegre — Espera... é sério?
— É claro, ué! Ninguém é de ferro pra ficar andando por lá e nem aproveitar a praia.
— Você pensa em brincar na praia no meio da busca à feiticeira mais perigosa de Ernas? ... Ah, esquece. Praia Carry, derrotar harpias, tá. Vamos andando.
...
A carroça que as levou até o muro de Serdin retornou de lá para a cidade, devido aos ataques, então restava às integrantes da Grand Chase seguirem o caminho à pé. O trajeto não foi complexo, afinal a praia era muito conhecida, então havia um caminho em meio às árvores no qual elas puderam seguir.
A praia era um paraíso. Chegaram ao local com o sol a pino, e a areia brilhava contra os olhos das três. Elesis colocou uma mão na altura das sobrancelhas para olhar ao redor e Arme andou na frente, alegre com toda aquela vista.
Lire via harpias e outras aves circulando alguns montes ao redor, mas as mesmas pareciam estar apenas capturando seus alimentos na terra e na água. Nada diferente do natural.
— Onde estão as harpias? Acho que aquilo tudo era uma notícia falsa, afinal! – gritou Arme, já distante das outras duas.
— Você nos trouxe aqui À TOA? É ISSO MESMO??!
— Não, certamente ouvi sobre o aumento do número de harpias na praia Carry. Temos que investigar. – Lire tentava aplacar a ira da ruiva.
— Ah, vamos investigar depois! Quero aproveitar o mar! Olha esse sol, gente!
— Você vai ficar vermelha igual a um gorgos, com essa sua pele branca!
Arme desceu sua mochila à areia e fuçou o interior em busca de seu traje de banho. Mas enquanto ela fazia isso, alguns monstros começaram a aparecer.
— Arme, temos que deixar o banho pra depois. – disse ela sacando sua espada.
— Ah, para de ser chata. O que é que pode dar de err- Uaaah!!!
Um caranguejo enorme já estava perto de Arme quando a maga notou sua presença e saltou para o lado. O mesmo agarrou a alça da mochila com sua pinça e começou a andar para longe.
— Ei!! Volta aqui com minhas coisas!
Lire estava com o arco apontado ao caranguejo, mas Arme entrou na mira, impedindo que a elfa atirasse.
E mais monstros começavam a aparecer. Da areia brotavam os caranguejos e as gosmas, monstros de corpo gelatinoso. Ambos alcançavam a altura do joelho, e não apresentavam perigo às jovens peritas em combate, mas em quantidade a situação começaria a se complicar.
Arme pulou sobre sua mochila, o que rendeu uma picada da garra do caranguejo no braço esquerdo, mas reavendo seu cajado pôde derrotá-lo facilmente em seguida. As gosmas ao seu redor tiveram o seu fim com bolas de fogo.
— Vamos, ouço barulhos de harpias daquela direção! – chamou Lire, já acelerando o passo pela grama coberta de areia, e foi seguida pelas outras. Arme, às pressas, amarrou um pano sobre o machucado no braço, o que rendeu um olhar breve da Elesis para ver se estava tudo bem com ela.
Assim como diziam os relatos dos moradores da região, as harpias estavam agressivas e em número maior que o normal daquela região. Isto não era problema para Lire, que passou a abatê-las antes que elas viessem com seus rasantes sobre suas companheiras, as quais continuavam abatendo as gosmas e caranguejos.
— O que foi, Lire? Fácil demais pra você?
Elesis notou que Lire estava calada, sem expressão. Bem diferente de quando ela estava atacando os Oaks na muralha.
— .... .... hã? ... Não, ... nada.
Elesis resolveu ignorar, e talvez perguntar sobre isso depois de terminarem o serviço. Mas eis que uma sombra grande passa encobrindo Elesis por um breve momento, mas o suficiente para que ela percebesse que não era de uma harpia comum. Lire cobriu os olhos com o braço quando o grande animal parou perto da direção do sol, e uma chuva de penas endurecidas caiu sobre ela.
— Ahh!! Lire! – Arme gritou quando a elfa foi atingida e Elesis correu para socorrê-la, esquivando-se para a esquerda com Lire nos braços para escapar do segundo ataque da harpia. O monstro chegou a enterrar suas garras no chão, mas logo bateu suas asas fazendo uma ventania com areia enquanto se erguia no ar novamente.
— Então essa coisa gorda aí é a Rainha Harpia?
— Unnhg... deve ser! – Lire se esforçou pra dizer, sentindo as queimaduras dos cortes na pele.
— Você aí! Você é a que está me impedindo de curtir a praia, e ainda machucou minha amiga!!! Você vai ver só!
— HYAAAAAAAR!!! Crianças barulhentas!!! Perturbando minhas harpias!!! – a grande ave gritou de volta e fez uma manobra no ar para desviar-se.
— RELÂMPAGO!! – Arme lançou um raio de seu cajado na direção de sua oponente, atingindo algumas harpias no caminho, mas a grande fez desvios no ar e se escondeu atrás de alguns dos coqueiros dali até que a maga terminasse o ataque.
— Presta atenção, Arme! Não lança sua magia de qualquer jeito!
— Mas eu...!!! .... ahhh!! OK! Vamos lá, Elesis.
— Vocês duas ficam pra trás, eu cuido dela!
— HYAAAAAAR!!! Bagunceiras! Barulhentas! Vou silenciar vocês de uma vez por todas!!
— Você que é barulhenta com esse berro idiota!
A harpia voltou aos céus e lançou outro ataque com suas penas. Elesis conseguiu desviar e defender algumas com sua espada, enquanto Arme correu para se afastar da área do ataque, e aproveitando que as duas se separaram, a harpia desceu em conjunto com outras sobre Elesis e Arme.
— Argh!! Tome... isso! Ah!— A ruiva lutava segurando sua espada contra as garras da grande harpia. As asas batendo ao redor de seu corpo tornavam a tarefa ainda mais difícil, mas ela aguentava firmemente. O mesmo podia ser dito de Arme, que fez um escudo mágico de última hora para se proteger das harpias pequenas que vinham atacá-la.
Lire se pôs-se parcialmente de pé, com um joelho no chão. Puxou o arco com toda a força para conjurar e lançar flechas maiores e mais poderosas, abatendo com poucos tiros a grande harpia que estava sobre Elesis e logo em seguida as outras menores que atacavam o escudo de Arme.
Elesis espantou as outras harpias com sua espada, inclusive as que vinham atacar Lire, mas a elfa não pareceu se importar com o que vinha em sua direção. Ela mantinha os olhos na Rainha harpia, atingida por suas flechas na lateral direita do peito e nos músculos da asa esquerda, onde seria o antebraço de uma humana comum. A harpia estava caída ao chão, e Lire se aproximou do rosto da mesma.
— Você está sob controle da Cazeaje!... Por favor, acorde!
A grande ave bateu sua asa direita de qualquer jeito sobre Lire, que grunhiu de dor. Arme tentou chamá-la.
— Sai daí, Lire! Ela está descontrolada!
A elfa não deu ouvidos e segurou o rosto da harpia com as duas mãos, aproximando-se ainda mais pra encostar testa com testa.
— Por favor...
Naquele momento a harpia parou de se mexer, em um pequeno lapso de consciência. Não adiantaria nada atacar a elfa que demonstrou claramente que não a quer ferir. A ave fechou os olhos e abaixou suas asas, repousando-as no chão, e as outras harpias pararam de atacar as duas companheiras.
— O... Que... foi isso...?
Diante da cena incomum, Elesis ficou sem palavras. Arme, por sua vez, juntou um pouco mais de mana e, com um pouco de receio, liberou uma magia de cura para todos os que estavam próximos – suas aliadas e as harpias feridas. A elfa aproveitou para quebrar e tirar as flechas que perfuraram o híbrido de humana com ave.
Os breves momentos de silêncio foram seguidos de um súbito bater de asas da Rainha Harpia, que fez com que Lire caísse para trás. Elesis se pôs na frente, pronta pra deter um segundo ataque, mas a ave levantou voo e seguiu para a montanha, junto com o grupo de harpias que sobreviveram ao ataque.
— Ótimo. Elas foram embora. – A ruiva falou, incomodada, como se desse bronca no grupo por deixar os inimigos escaparem. Arme, no entanto, estava curiosa pra saber se a elfa tinha usado alguma magia.
— O que foi que você fez com ela, Lire?
— É mesmo, você estava... com pena das harpias?
Lire se ergueu devagar, e seguiu em direção ao seu arco, que jogou para o lado antes de se aproximar da harpia.
— Eu... ... eu não me conformo com esse poder da Cazeaje... de controlar os animais desse jeito. Eu tinha que fazer alguma coisa! – Ela começou a falar, devagar, mas ganhou confiança.— Eu não podia simplesmente matá-las, elas são vítimas de Cazeaje!
— ... Eu imaginei que fosse dizer isso. Eu vi sua cara enquanto atingia as harpias no alto e... Lire, não se pode ter piedade dos inimigos assim! Você sentiu pena do Lorde Oak, por acaso?
Lire contraiu os ombros, acuada, e respondeu que sim.
— Mas mesmo assim atirou pra matar, o que é que foi diferente agora?
— Elesis, calma... – Arme tentou intervir.
— Todas as vidas são preciosas! Mas o... mas... O Oak.... ele... estava...
— ... Arrhh.... - Elesis colocou a mão na testa quando viu que Lire iria começar a chorar. Fazer as pazes com um inimigo descontrolado não era uma atitude sensata, mas por algum motivo deu certo dessa vez. Aparentemente.— Escuta... Vamos... ... acampar. E... ... E aproveitar a praia também. ... Isso. Acho que vai melhorar o humor de vocês.
Arme olhou para Elesis, um pouco indignada por ela ter pressionado a elfa desse jeito, mas contente por vários motivos. Abraçou Lire com o intuito de animá-la.
E aprontando o acampamento, permaneceram ali, esperando até a noite. As harpias não retornaram, o que as deixou livres pra efetivamente aproveitarem a praia e aliviarem as tensões.
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