Savin' Me
1 1X01 —Decision
Notas iniciais
Savin' Me
1x01
Escrita por: Srta. Winchester (332081)
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''Se você entra, não sai. Se você nasce nisso, morrerá nisso.'' — Ravenah Harper.
2005. Denver, Colorado
Passos apressados ecoavam pela rua pequena e vazia. As duas caminhavam em silêncio e mantinham expressões sérias. Nem sequer dirigiam um simples olhar para quem se encontrava ao seu lado.
Haviam brigado. Era raro, porém, às vezes acontecia.
Chegaram em frente a fachada do prédio que moravam e entraram logo se dirigindo às escadas. Em frente ao apartamento de número 112 no 9° andar a jovem Alexie Prescott tentava abrir a porta; a qual insistia em não querer destrancar. A franja longa de um tom achocolatado lhe cobria a testa e ela gostaria de arrombar aquela porta.
—Uma lesma é mais rápida que você — mumurrou Ravenah Harper, rolando os redondos olhos, castanho-escuro.
A outra respirou fundo e girou novamente a chave na fechadura, por fim abrindo-a finalmente. Adentrou o local sem olhar para trás e colocou seus livros na mesa de jantar.
Ravenah seguiu ao quarto e jogou sua mochila no chão, tirando rapidamente os inseparáveis coturnos de couro preto. Sentou-se na cama e suspirou. Uma simples sugestão havia se tornado em uma briga, aparentemente ridícula. A maioria das brigas que as duas tinham eram ridículas, ela tinha que admitir.
Certamente a jovem não daria o braço a torcer que estava errada, pois sabia bem que não estava. Tomar decisões e querer respostas não é errado. Agora fingir que nada havia acontecido, fugir do que está em você é algo totalmente inaceitável.
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Em outro cômodo do pequeno apartamento que dividiam, Alexie pegava algumas coisas no ármario para fazer algo para comer. Odiava brigar com a melhor amiga, porém estava certa. E ela não mudaria sua resposta por causa do orgulho bobo que Ravenah nutria.
Por que, querer voltar para aquela vida? Haviam conseguido sair, por sorte, com vida, então por que retornar? Alexie sabia os apuros que ambas haviam passado naquela loucura que chamavam de vida. Estradas, hotéis e vez ou outra retornavam para casa.
Não havia sentido. Nada realmente parecia ter algum sentido. As duas estavam na faculdade e teriam um futuro brilhante pela frente. Como pessoas normais. Sem demônios ou qualquer outra coisa sobrenatural, porém, a amiga parecia não entender o que estava querendo jogar para o alto por vingança e honra ao nome da família.
Ravenah sempre fora a mais aventureira. A mais vingativa. Sempre.
Mas ela não precisava se sacrificar sendo que David estava atrás do maldito que tirou a vida de seus pais há anos e com certeza o encontraria. Ele era um ótimo caçador.
Alexie jamais o decepcionaria, não largaria a faculdade para seguir a vida que Ravenah queria. David era como um pai para ela e de fato era. O pai que nunca teve.
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Ravenah Harper estava deitada na cama; os olhos fixos no teto, perdida nos pensamentos. Ela estava decidida.
Há semanas ela vinha com essa sugestão delas voltarem a caçar e ajudar David, seu tio. E hoje pela manhã propôs que no dia seguinte dissessem adeus a vida de universitárias e caíssem na estrada, porém, como certinha que sua amiga era lhe disse que isso era loucura e que não participaria do seu sonho de garota insana e vingativa.
Estava no seu sangue, por que fugir?
Sempre acreditou que existiam coisas além do que os olhos podem ver. E estava certa em acreditar. Orgulho era o que sentia dos seus pais. Tão corajosos e guerreiros. Ela seria assim e medo não existiria em sua vida.
Ela nunca realmente teve o sonho de ser uma garota da faculdade, então por que continuar naquilo ?
Ela salvaria pessoas e colocaria um fim nos seus mais obscuros pesadelos. Ela derramaria sangue se fosse preciso para ter o que queria. Vingança.
O caçaria até no inferno se fosse preciso, mas ele iria pagar.
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Alexie tentava ao máximo prestar atenção no que se encontrava escrito no grosso livro que lia, porém, o alto barulho de tiros e gritos que viam da TV lhe tiravam a concentração.
Respirou fundo tentando manter a calma e voltou os olhos para sua leitura. As palavras se misturavam com as falas do filme. Coçou a franja sobre a testa, impaciente e devidamente se dada por vencida, levantou-se juntando seu material e os colocando em sua bolça. Pegou a chave e seguiu até a porta a destrancando. Saiu e bateu a mesma com certa violência. Iria em algum lugar que pudesse estudar em paz.
A outra olhou para a porta e deu de ombros. Alex estava focada demais nos estudos. Anos na faculdade e um pedaço de papel intitulado de diploma não mudaria o que ela era. Não mesmo.
✪
Ravenah estava sentada no sofá que havia próximo a janela, olhando agora a lua que iluminava perfeitamente o céu escuro e com poucas estrelas. Lembrou-se de seus pais,mas logo afastou o pensamento.
Sua vida sempre fora uma loucura. Era impossível não perceber.
Entraram na faculdade por insistência de David. Ele queria que as duas tivessem um futuro, uma vida normal, não uma cheia de perigos e assombrações, como fora a sua. Mas não podia se enganar, as meninas pareciam ter nascido para aquilo. Quanto mais tentavam se afastar, mais as coisas iam atrás delas. Ele sabia. Sabia que as garotas eram iguais aos pais; guerreiras, fortes e que nunca fugiriam da luta. O sangue de caçador corria nas veias da duas e o destino de suas vidas era aquele. David perdera as contas das caçadas que fez com Ravenah e Alexie, juntas ao seu lado. Pelo simples fato de não poder deixa-las sozinha.
As treinou de forma que pudessem se defender quando ele não estivesse por perto e sabia do potencial de cada uma.
Agora sem David a jovem Harper seguiria seu caminho. Sua melhor amiga poderia não estar ao seu lado e nem mesmo de acordo com sua decisão, mas seguiria em frente.
O barulho da porta sendo aberta a despertou dos pensamentos.
Um tempo depois, uma hora talvez... E era a hora de colocar um ponto final naquela conversa inacabada. Ravenah colocou o cabelo escuro e cacheado atrás da orelha e suspirou.
—Vamos conversar? Olha, sem brigas—ela realmente não queria brigar, somente uma conversa.
—Pode dizer — Já imaginava o que era, mas agora estava disposta a ouvi-la.
—Eu sei que você tem sua opinião formada, porém, bem ... Eu não posso seguir pelo mesmo caminho. Eu vou voltar a caçar! —moveu seus olhos misteriosos em direção a amiga.
Alexie ouviu aquelas palavras atentamente e com uma resposta formada se pôs a falar:
—Olha eu poderia fazer a amiga calma, lhe abraçar e dizer boa sorte, porém, eu tenho uma pergunta —levantou-se do sofá.— Você tem noção do que está fazendo? Jogando tudo para o alto e simplesmente dizendo adeus ao que já construiu depois que saímos daquela vida? —E lá se ía a tentativa de uma conversa tranquila.
—O que eu construí, me diga?! Três anos na faculdade? Eu não me importo! — esbravejou, levantando-se também.
—Você é muito ingrata. David proporcionou isso à gente e é assim que você retribui?
—Sabe, eu não te entendo—balançou a cabeça, incrédula.— Como pode querer fugir de algo que está no seu sangue ? — seus gritos ecoavam pelo pequeno apartamento.
Alexie riu, balançando a cabeça; as mãos na cintura e realmente não acreditando naquelas palavras.
— Eu que não te entendo. Você é feita de vingança e irá acabar morrendo por causa disso—cuspiu as palavras sobre a outra.
—Eu vingarei a morte dos meus pais! E não importa se eu morrerei na batalha, pois meu trabalho estará feito — seu tom de voz voltara ao normal, um pouco magoado, talvez, porém ainda assim era ofensivo. — Pode ficar vivendo sua vidinha normal, nesse sonho de que conseguirá fugir de algo que está em si — virou-se se pondo a andar. —Eu partirei amanhã.
—David sabe disso? —questionou incrédula com a decisão imatura da amiga.
—Tio Dave sempre soube o que eu queria — respondeu ainda de costas.
Alexie suspirou.
—Ele quis que vivêssemos longe dessa vida. E você retribui indo de encontro ao demônio. Se jogando praticamente nos braços dele?
—Ele sempre quis, mas, querendo ou não a gente sempre esteve nessa vida— olhou sobre os ombros. — Ele irá entender. Garanto que mais que você.
A jovem seguiu ao seu quarto deixando a outra parada em meio à sala.
Ali estava o ponto final da conversa e uma decisão feita.
Fugir não era a melhor opção.
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