Save Me

22 I miss you


Notas iniciais
Oi genteeeeeeee. q saudadeeee tudo bem? Me desculpem a ausência. eu estava de mudança então eu tava sem internet, mas agr eu ja tenho *o* , entao nao vou demorar pra postar mais. Espero que n me abandonem, e me desculpem mesmo. Eu to enrolando pra terminar a fic pq n quero q acabe kk então agr os capítulos serão mais longos... espero que gostem, obrigada pela paciência. beijos e boa leitura!

Edward’s POV

O voo estava sendo mais longo do que o normal. O acento vazio ao meu lado me lembrava á todo momento o que havia ficado temporariamente para trás. Levantei o apoiador de braço e coloquei meus pés no acento ao meu lado, na tentativa ridícula de tentar preencher o espaço vazio que havia ali, o espaço que poderia estar sendo ocupado por ela.

Mas nem minhas meias pretas conseguiram preencher o vazio do acento, muito menos o vazio em meu peito.

Olhei pela pequena janela ao meu lado e a única coisa que eu via eram nuvens e escuridão. Parecia que eu estava me vendo naquele céu, meu coração estava negro e nublado, e não havia nada que eu pudesse fazer em relação á isso no momento.

Finalmente (ou não) o avião aterrissou em minha cidade Natal. Se as circunstâncias fossem outras eu até estaria feliz de estar em casa. Infelizmente, não estava com lembranças muito boas da casa dos meus pais e eu estava lá porque Leah estava no hospital... Nada muito agradável.

Alfred, como sempre, foi me buscar no aeroporto. Ele ficou surpreso em me ver sozinho.

– A Senhorita Isabella não veio, senhor?

– Não dessa vez Alfred. Bella achou melhor dar espaço á mim e à minha família, eu não sabia o quão grave era a situação, e ela também acabou de chegar na casa da mãe dela, esta com a filha... enfim, vim sozinho.

– E você não está bem com isso, não é? – ele olhou pra mim, como se soubesse da sensação.

– Nem um pouco. – falei sincero.

– Acredite, eu sei da sensação. – Eu sabia do que se tratava.

– Eu sinto muito Alfred... Sabe, ela também sente sua falta, e muito!

– Também sinto a dela. Diga que eu mandei um ‘oi’. – Ele sorriu tristonho.

– Vou dizer. – prometi.

Alfred colocou minhas malas no carro e fomos rumo a casa dos meus pais. O caminho não era muito longo. Alfred não me disse nada sobre a situação em que Leah se encontrava, eu também não iria perguntar, ia falar com a minha mãe primeiro, com os médicos, entender a situação. Eu queria ver minha irmã, quero dizer á ela que tudo ia ficar bem.

Mas e se não fosse ficar tudo bem? Eu seria capaz de dizer á ela o contrário? Seria capaz de mentir?

O que vou fazer sem a minha irmã? Como vou viver com essa dor?

Eu me sinto um impotente.

Não poder fazer nada pela doença dela me deixa arrasado. Se eu pudesse, ficaria doente, para que ela pudesse ficar bem, eu faria de tudo. Não posso ficar sem minha irmãzinha, não posso.

‘Não é hora de pensar no pior, Edward. Fale com sua mãe primeiro’ pensei comigo mesmo. Certo.

Respirei, segurei o ar nos pulmões por 10 segundo e depois soltei devagar. Fiz isso algumas vezes até me acalmar e afastar os pensamentos ruins. Peguei meu celular e mandei um e-mail para Bella avisando que eu havia chegado e já estava com saudades.

Ela não demorou nem 5 minutos para responder.

De: Isabella Swan

Para: Edward Cullen

Assunto: Saudades

*um anexo*

“Oi amor, que bom que chegou bem... Já tem alguma notícia da sua irmã? Por favor me avise qualquer coisa! Daqui a pouco estou indo á delegacia, o Benjamin me ligou e pediu que eu desse meu depoimento..

Estou com saudades de você também... Eu demorei mais de 40 minutos para conseguir ir embora do aeroporto, estava quase entrando em um avião atrás de você.

Renesmee está mandando um beijo e eu também. Estamos com saudades.

Te amo.”

Abri o anexo do e-mail. Uma foto de duas bocas, uma menor e outra maior, fazendo bico, como se mandassem beijos, apareceram no visor do meu iphone. Meu coração doeu. Eu já estava morrendo de saudades das duas, como ia conseguir ficar longe delas?

De repente tudo mudou e trocou de lugar. Um momento eu estava com Bella, finalmente iríamos ser felizes, como uma família. No outro, eu estava entrando em um avião, indo para longe da mulher que eu amo, pois minha irmã estava mal e precisava de mim.

Como isso tudo aconteceu tão rápido? Eu sinto como se minha vida não fosse ser tranquila nunca. Sempre que algo de bom parece estar por vir, algo de ruim acontece, mudando os meus planos. Será que minha vida se acalmaria algum dia?

Eu só queria estar ao lado da mulher que eu amava, sabendo que minha irmã estava bem, curada. Eu queria me casar, queria ter filhos com Bella, aumentar a nossa família, adotar mais um cachorro. Eu quero essas coisas, eu preciso disso, preciso construir uma família. Mas parece que o universo sempre conspira ao contrário, minha vida não tem nem um dia de sossego. E infelizmente não posso fazer nada sobre isso.

Meus dedos voltaram a digitar.

De: Edward Cullen

Para: Isabella Swan

Assunto: Amo vocês

“Oi anjo. Não, não tenho notícias, estou no caminho de casa com Alfred, ele não me disse nada...

Bom, boa sorte. Vai dar tudo certo. Você vai sozinha á delegacia?

Assim que tiver notícias te aviso, prometo.

Devia ter vindo atrás de mim, eu não ia me importar. O seu colo é bem melhor que o acento do avião, devo admitir. Ainda esta com a calcinha de pinguim? Estou com saudades dela também..

Estou com saudade de vocês duas. Alfred me perguntou de você, ele mandou seus comprimentos. A propósito, eu amei os beijos, obrigada.

Anjo, nós chegamos aqui, vou falar com a minha mãe, me informar de tudo e depois te ligo, tudo bem? Eu amo vocês também, se cuidem minhas princesas, beijos.”

Alfred estacionou o carro e eu desci. Ele foi tirar minha mala do porta malas e eu fui indo em direção á casa de meus pais. A porta estava aberta, então eu entrei. Senti o celular apitar no meu bolso, no visor mostrava que era um novo e-mail de Isabella Swan. Depois eu responderia á ela, agora queria saber o que estava havendo. Bloqueei o iphone e o guardei no bolso. Fui entrando em casa e andei até a sala de estar. Carlisle estava sentado, quieto, ao lado de Alice no sofá. Jasper estava na varanda, eu não vi Esme.

– Olá. – eu disse, meio baixo. Alice levantou a cabeça e olhou para mim, seus olhos cheios de lágrimas. Ela se levantou do sofá e veio correndo até mim, me abraçando.

– Oh meu irmão. – Ela começou a chorar em meus ombros. Passei meus braços em volta dela, á abraçando forte. – Que bom que você está aqui. – Alice me abraçou mais forte ainda, como uma criança que abraça sua manta em um dia de frio. Á abracei o mais forte que pude, acariciando seus cabelos curtos. Minha família toda estava desestruturada, frágil, inclusive meu pai, que era inabalável, estava mal. Era minha vez de ser forte, por todos e principalmente por Leah, que precisava de mim.

Depois de um longo tempo Alice me soltou. Eu cumprimentei meu pai um tanto quanto formalmente, cumprimentei Jasper com um abraço.

– Aonde está a mamãe? – consegui perguntar.

– Ela esta no hospital. – Jasper disse, por fim. – Ela não sai de lá um minuto. Nós levamos comida e roupas limpas para ela, Esme não sai do lado de Leah nem para ir ao banheiro.

Todos ficaram em silêncio e eu também. Não sabia o que falar diante daquela situação. Palavras confortantes e clichês não mudariam o fato nem fariam minha irmã ficar melhor. Meu pai permaneceu mudo. Jasper falou novamente.

– Estou indo ao hospital com Alice, levar roupas limpa para ela, quer ir conosco?

– Claro, vamos!

– Você vem pai? – Alice perguntou, com receio.

– Não. – Foi a única coisa que Carlisle disse. Alice abaixou a cabeça, pegou na mão de Jasper e saiu pela porta. Eu sai logo atrás deles, sem olhar para trás.

Em meia hora chegamos ao hospital local. Felizmente, ele era todo com equipamentos de última geração, Leah tinha tudo o que precisava ali. Fomos até a recepção, pegamos o cartão de entrada e fomos até o quarto 1983.

Era horrível estar ali. Claro, eu já havia estado naquele hospital várias vezes com Leah, mas agora era diferente, pelo visto o caso era bem mais sério. Eu estava preocupado. Além das preocupações com a minha irmã, estava preocupado com Bella. Como ela iria dar um depoimento tão importante sozinha? Precisava ligar pra ela... Mas eu faria isso mais tarde.

Calma Edward, um problema de cada vez.

Meu coração doía a medida que íamos chegando perto do quarto. Não queria ver minha irmãzinha na pior, não poder fazer nada por ela ia acabar comigo, me matar. Mas eu tinha eu tinha que ser forte não é? Eu prometi para mim mesmo.

Respirei fundo e andei com firmeza, acompanhando Alice e Jasper.

Ao chegar na porta eu não tive coragem de abri-la. Eu não sabia o que iria encontrar do outro lado daquela porta, não sabia se eu seria capaz de conter minhas lágrimas ou não.

Minha mão travou na maçaneta. Alice veio por trás de mim e colocou a mão dela em cima da minha e nós abrimos a porta juntos.

Nem meus olhos, muito menos o meu coração acreditavam no que estavam vendo. Meu corpo doeu e por um momento eu pensei em desistir de tudo e me afogar em lágrimas. Aquela visão era mais do que meu cérebro podia processar. Todas as minhas terminações nervosas se ativaram e meu corpo todo doeu novamente, não podia ser real. Mas, apesar da situação extremamente delicada, eu tinha que ser forte. E eu seria forte.



Bella’s POV

Edward não respondeu meu e-mail. Eu sabia que ele estava com problemas de família, mas eu estava nervosa com tudo isso, e já estava muito carente. Droga.

Respondi ao e-mail e resolvi ligar para Emmett, para saber como ele estava. Ele atendeu no segundo toque.

– Oi Emm, é a Bella.

– Oi Bells! Como vocês está?

– Bem.. e você? Está melhor?

– Sim sim, bem melhor, me disseram que terei alta hoje a tarde. Ainda dói um pouco, mas os médicos acharam melhor eu ir para casa, me recuperar ao lado de pessoas conhecidas e tudo mais, não quero ficar sozinho nesse hospital.

– Você tem para onde ir aqui na Austrália? Se quiser pode ficar aqui em casa, tem me quarto antigo e o quarto de Renesmee para você dormir.

– Renesmee não esta na Austrália mais?

– Ela está, Edward que se foi.

– Edward?! Mas porque??

– Leah não esta muito bem, ele foi até lá saber como estão as coisas...

– Entendi, espero que esteja tudo bem... Ér, Bells, tem como eu ficar na sua casa então?

– Claro Emm, pode sim! Vou ligar para o hospital e deixar o endereço na recepção, assim que você for liberado, mando te mandarem em um táxi pra cá, tudo bem?

– OK, valeu mesmo Bells, eu sei que não mereço sua ajuda... Muito obrigada.

– Emm, eu já disse, sem ressentimentos, se lembra? Ta tudo bem. – eu sabia que ele sorria do outro lado da linha. Em meio de toda tristeza e toda a saudade, eu sorri também. – Emm, vou desligar aqui ok? Tenha que ir á delegacia e um amigo meu está chegando aqui na Austrália. Minha mãe vai estar em casa, vou avisar á ela que você vem, se cuide. Beijos.

– Ok Bells, obrigada de novo. Até mais, boa sorte! Beijos.

Desliguei o telefone e liguei para Jacob.

– Falcão rosa falando! — ele atendeu.

– Gnomo roxo na escuta. — respondi brincalhona, segurando o riso.

– Bella sua totosa, é vocêeeeeeeee! – Jake gritou do outro lado da linha. Tive que afastar um pouco o telefone do ouvido.

– Sim, sou eu. – eu ri – Aonde você está?

– Estou no céu meu amor.

– Quanto tempo até o avião pousar?

– Não sei... espera ai que eu vou ver aqui... EI, VOCÊ, MOCINHA, VEM CÁ, QUE HORAS QUE ESSA JOÇA POUSA? – Ouvi ele gritar do outro lado da linha e comecei a rir.

‘Querido, tem gente querendo dormir aqui’ ouvi uma voz baixa do outro lado da linha e ri ainda mais.

‘ ESCUTA AQUI MINHA SENHORA, SE VOCÊ QUER DORMIR COLOCA ALGUM ALGODÃO NESSA SUA ORELHA DE DUMBO OU UM TAMPÃO. AVIÃO NÃO É LUGAR DE DORMIR NÃO, A SENHORA QUE DURMA NA SUA CASA.

– Jake! – o repreendi, rindo.

– Bella, sem lição de moral agora, estou resolvendo tudo aqui, fica quieta.

‘OW LOIRINHA, EU TE FIZ UMA PERGUNTA, TA DIFÍCIL AI?’

‘Desculpe senhor, o vôo chega em 1 hora’

‘Você não foi eficiente mas pelo menos trouxe alguma resposta, obrigada.’

– Bella, em 1 hora eu to ai doida, me espera para ir ver o policial gostosão.

– Jake, você precisa ser mais educado.

– Educado? Essa gente é tudo folgada, não preciso ser educado nada, ninguém paga minhas contas meu amor.

‘Cala a boca’

‘ CALA A BOCA VOCÊ, NÃO TA VENDO QUE EU TO NO TELEFONE’ – Jacob era muito folgado, mas eu tinha que admitir, ele levantava o meu astral.

– E o Mike?

– Ahhh Bells, estamos em crise. Ele quer adotar uma criança, mas eu não estou preparado para isso. Nós discutimos e estamos sem nos falar á 2 dias...

– E você está bem?

– Bella, estamos sem nos falar á 2 dias, como você acha que eu estou?

– Eu imagino como...

– Bella, eu estou chegando ai ok. Quer que eu te encontre na delegacia?

– Acho que é mais prático...

– Então vou mandar um táxi com minhas malas até sua casa e vou em outro até a delegacia. Até já Bella. Eu te amo.

Jake desligou o celular sem esperar pelo meu ‘tchau’. Sorri sozinha ao lembrar do jeito doido dele. Jacob era meu melhor amigo, sempre foi, por mais que eu esteja pra baixo, triste, desolada, ele chega e consegue mudar meu mundo de cabeça pra baixo, ele consegue me fazer sorrir mesmo isso parecendo ser impossível de se conseguir. Em meio de toda a tragédia, eu pelo menos tinha o meu melhor amigo.

Chequei meu celular: Nenhuma ligação.

E-mail: Nada.

Caixa postal: Nada também.

OK. Ele devia estar no hospital, vamos esperar.

Resolvi me arrumar. Peguei uma calça jeans e uma blusa de mangas até o cotovelo e fui me trocar.

Lavei o rosto e encarei meu reflexo no espelho. Eu não via mais uma mulher frágil, com medo, que apanhava do marido e não tinha coragem de sair de casa. Hoje, eu via uma mulher determinada, resolvida, que havia encontrado a felicidade e arrumado coragem de se livrar do marido. Essa Isabella Swan era boa. Essa Isabella iria permanecer.

Tomei um banho e sequei meu cabelo. Respirei fundo 5 vezes.

Meu celular apitou e fui checar rapidamente, na esperança de que fosse algum e-mail de Edward, mas era uma mensagem do Jake.

'Bella, aonde você está???!! Já estou aqui na delegacia te esperando mulher, ande logo'

Fiz um rabo de cavalo, calcei meus tênis, peguei a chave do carro e sai.

O caminho até a delegacia não era longo, liguei o rádio e logo reconheci a música da Miley Cyrus, 'The Climb'. Sorri ao ouvir o começo da música e comecei a cantar junto, batucando no volante do carro. Em menos de 20 minutos eu estava na delegacia. Avistei Jake com cara de poucos amigos me esperando na porta. Ao me ver sair do carro ele praticamente voou até mim e me deu um abraço apertado.

– Sua vaca, que saudade. — Jacob me abraçou forte e deu um tapinha na minha bunda. Eu ri e o abracei também.

– Oi Jake.

– Você está gostosa! Anda malhando?

– Eu não tenho tempo pra isso... — Fomos andando em direção á porta.

– Ahh, então ta fazendo muito sexo! É a única explicação lógica para...

– Jacob! Depois conversamos sobre isso ok? Agora é sério.

– Ok, mas depois você me conta tudo.

– Conto.

– Ok.

Antes de chegamos na frente da porta da delegacia, um policial alto, moreno, musculoso, abriu a porta para nós. Jacob quase caiu pra trás.

– Boa tarde. O que desejam?

– Você. — Jacob disse com uma voz melosa. Dei uma cotovelada nele um pouco discreta.

– Eu gostaria de falar com o Benjamin. Fui convocada para dar meu depoimento.

– Seu nome, por favor?

– É Isabella Swan, sou namorada do Edward.

– Ahh sim, Benjamin avisou que a senhorita viria. Venham por aqui, por favor.

O homem grande e moreno foi na nossa frente, nos mostrando o caminho. Olhei pra Jacob com cara de brava e ele surtou em silêncio com a beleza do policial á nossa frente.

Jake foi com as mãos para apertar a bunda do policial. Antes que ele chegasse eu as segurei e as coloquei do lado de seu corpo novamente. O adverti em silêncio.

O policial se virou e nós dois lançamos sorrisos inocentes pra ele. Quando ele se virou eu consegui ler o nome na plaquinha.

John era o seu nome.

John abriu a porta e nós entramos na sala de Benjamin.

– Senhor. A senhorita Bella Swan veio dar seu depoimento.

Benjamin levantou a cabeça dos papéis e sorriu para mim.

– Obrigado John, pode ir.

– Sim senhor.

John saiu da sala e Benjamin veio até nós.

– Olá Bella. – ele estendeu a mão e eu a peguei. — Prazer em conhecê-la, sou Benjamin.

– Olá. — eu disse simpática. — Este é meu amigo, Jacob. Ele é uma das minhas testemunhas contra as outras acusações de James.

– Olá Jacob. — Benjamin estendeu a mão e Jacob praticamente á agarrou.

– Olá bonitão. — dei uma cotovelada mais forte em Jacob.

– Ai. – ele disse baixinho.

– Se contenha. — sussurrei pra ele.

– Bella, onde está Edward? — Benjamin perguntou voltando á sua cadeira. — Ah por favor, sentem-se. — ele mostrou as duas cadeiras á frente de sua mesa e nós sentamos.

– Edward foi visitar os pais, Leah não está muito bem. — meu peito doeu.

– Eu sinto muito. — Benjamin sorriu, amigável. — Bom, se quiser começar com seu depoimento..

– Claro, eu quero sim.

– Certo... — ele pegou vários papéis e entregou para mim. — Você precisa preencher esse formulário, são perguntas simples sobre seus dados. Depois, nós iremos á uma outra sala, com um gravador, para que você dê seu depoimento sobre o ocorrido.

– Ok. — peguei os papéis e os folheei. — Benjamin, eu tenho outras acusações contra James.

– Que tipo de acusações?

– Eu sofria violência doméstica com ele. Edward inclusive me socorreu um dia que eu fiquei inconsciente.

– Edward comentou... Certo. Eu gostaria que você, primeiramente falasse sobre o ocorrido do dia em que vocês foram resgatar sua filha. Depois você poderá fazer um boletim de ocorrência e o acusar do que quiser. Você tem testemunhas? Sobre as agressões? Seria ótimo se tivesse. No tribunal, testemunhas contam muito Bella, e bom, pelo o que entendi, você está com Edward á um tempo, não tem mais marcas das agressões de James, a legista não poderá afirmar nada. Você entende, não é? Por favor, não me entenda mal, não estou duvidando de você.

– Eu sei, eu entendo. Testemunhas são o que não me faltam Benjamin. Só que nenhuma delas mora aqui na Austrália.

– Vou ligar para a policia de Los Angeles. Preciso dos nomes das testemunhas, eles pegarão os depoimentos lá e me mandarão depois. — ele sorriu pra mim e eu sorri de volta. — E você, Jacob. Veio só acompanhar?

– Não, eu também sou uma testemunha. Vim de Los Angeles pra cá.

– Certo, vou chamar John, ele vai coletar seu depoimento.

Eu devia estar louca, mas eu podia jurar que vi os hormônios de Jacob pulando por dentro, seu rosto se iluminou e ele ficou todo sorridente. Parecia uma adolescente de 15 anos apaixonada. Ri em silêncio.

– Vamos? — Benjamin perguntou.

– Vamos.

Benjamin me conduziu á uma outra sala. Na sala havia uma mesa de ferro de 8 lugares, com uma cadeira em cada ponta. A sala era meio escura, e havia um pequeno gravador sobre a mesa. Ele se sentou em uma ponta da mesa e eu na outra.

Benjamin apertou o botão 'gravar' do gravador.

– Policial Benjamin. Entrevistando a testemunha Isabella Swan. Caso 508. Depoimento um. — ele apertou um botão e logo em seguida colocou para gravar de novo.

– Isabella Swan, por favor, conte-me o que houve no dia do sequestro de sua filha.

Eu comecei a falar sem parar, cada mínimo detalhe do dia em que Renesmee foi sequestrada. Eu não chorei, até então. Depois de 40 minutos eu havia terminado de contar. Benjamin apertou um botão novamente e logo em seguida começou a gravar de novo.

– Certo. Agora me conte o que houve no dia em que você, Edward Cullen e Emmett foram buscar sua filha.

Comecei a tagarelar novamente. Dessa vez lágrimas brotaram em meus olhos, mas nãos as deixei cair.

Tudo aquilo era muito doloroso, e tudo me lembrava Edward e a saudade que eu estava dele. Aquilo estava me fazendo bem e mal ao mesmo tempo.

Bem, por que finalmente eu colocaria tudo para fora e James pagaria por tudo o que havia feito. E mal, primeiro por que Edward não estava comigo e segundo porque eu sentia falta dele.

Terminei meu depoimento, entre lágrimas e saudade.

Benjamin parou a fita novamente e veio até mim, me trazendo um lenço.

– Obrigada.

– Se você quiser tomar uma água e se recompor... Podemos pegar seu depoimento sobre James depois...

– Não, quero fazê-lo agora, se puder.

– Claro.

Ele voltou para o lugar e apertou o botão de gravar.

– Depoimento Isabella Swan. Acusado James Gigandet. Nova acusação do réu do caso 508. — ele apertou um botão e começou a gravar novamente. — Pode falar, senhorita Swan.

– Tudo começou um ano depois que nos casamos... — Eu disse tudo, nos mínimos detalhes. Mesmo quando James não me agredia fisicamente, e sim com palavras. Violência doméstica não é só bater. Existe violência psicológica, verbal, e muitas outras. Eu disse tudo, nos mínimos detalhes, ou pelo menos dos mínimos detalhes de que eu me lembrava. Benjamin parecia horrorizado com o que ouvia.

Eu contei também sobre o dia em que Edward, na festa, descobriu o que James fazia comigo, contei que eu tinha medo de dizer alguma coisa, medo pela minha filha, medo de que acontecesse o que aconteceu. Contei do dia em que Edward me salvou, contei do divórcio, de Rosalie, de tudo que eu me lembrava, tudo que se relacionava á ele e ao meu sofrimento. Meu depoimento durou 5 horas. Minha boca já estava seca, eu estava cansada, triste, mas ao mesmo tempo me sentia aliviada, finalmente liberta, livre de tudo aquilo.

Terminei meu depoimento. Benjamin desligou o gravador e colocou as fitas em um envelope pardo. Ele escreveu algo no envelope e apertou um botão. Em um minuto um policial estava na sala.

– Senhor.

– Leve isto para a central de evidências e coloque junto com o material do caso 508. John já acabou o depoimento?

– Há algum tempo senhor.

– Pegue a fita com ele e coloque junto ao caso 508, por favor.

– Sim senhor.

O policial saiu da sala. Benjamin pegou a cadeira e a trouxe para perto de mim, se sentando ao meu lado.

– Eu sinto muito por tudo Bella. Eu te aconselho á arrumar um advogado. No dia do julgamento você precisará de um. Se quiser ir montando suas exigências como o valor da pensão, a distância que ele tem que ficar de vocês, essas coisas, pode ir arrumando com seu advogado. Eu farei de tudo para deixá-lo apodrecer na cadeia, mas como você me disse, ele é um homem poderoso, com muito dinheiro, você sabe como é a lei...

– Eu sei.

– Mas eu farei o que eu puder, eu juro. Eu sinto muito por você, pelo o que você passou, e por sua filha. Você tem sorte de ter Edward, ele é um cara legal, de bom coração. Fico feliz que ele esta com uma moça de bom coração como você também. Desejo toda a felicidade de mundo para vocês dois.

– Obrigada, Benjamin. — sorri pra ele.

– Bom, eu preciso ir. Tenho que ligar para a polícia de Los Angeles. Você poderia por favor fazer uma lista com as testemunhas?

– Sim, claro.

Fomos até a sala de Benjamin e eu fiz a minha lista. Jacob estava do meu lado, acariciando minhas costas, me trazendo conforto.

Entreguei a lista para Benjamin e ele sorriu com gratidão.

– Obrigada Bella, farei o meu melhor.

– Eu sei que sim. — o cumprimentei com o aperto de mão. O mesmo ele fez com Jacob.

Saímos da sala e fomos em direção da porta. John veio atrás de nós e abriu a porta para saímos.

– Obrigada. — sorri para ele.

– Por nada senhorita. — ele sorriu também.

– John, call me maybe viu? — Jacob colocou um papel dobrado no bolso da camisa de John e saiu andando atrás de mim. Eu comecei a rir, apesar de tudo. Nós entramos no carro.

– Você não existe Jacob.

– Queridinha, a vida é assim. Não ia deixar um bofe escândalo daquele passar por mim. — nós rimos juntos. — E você, tudo bem? — Jake olhou com ternura pra mim, acariciando meu braço.

– Estou aliviada, mas não totalmente bem.

– Edward ligou. Você estava lá dentro, ai eu atendi seu celular. — Jacob me entregou o celular. — Eu disse que você ligaria pra ele.

– Obrigada, Jake. Você é o melhor amigo que alguém pode ter, eu te amo. — Abracei Jacob o mais forte que eu pude.

– Bella, eu também te amo, mas essa roupa é seda egípcia, não chore em cima dela, por favor. — Eu não havia percebido que estava chorando. Saí dos braços de Jacob e limpei minhas lágrimas. Jake tirou do bolso uma toalha e colocou no ombro dele. — Pronto, agora vem cá. — Ele me puxou e me abraçou de novo. Minhas lágrimas caíram em cima da toalhinha em seu ombro e eu sorri com isso. Eu amava tanto Jacob, ele era meu melhor amigo, meu companheiro, mesmo longe, ele havia vindo me ajudar e eu nunca me esqueceria disso. Jacob se soltou do meu abraço e olhou para mim, sorrindo.

– Ande, ligue pro seu bofe, ele deve estar preocupado.

Peguei o telefone e disquei o número de Edward. O telefone tocou duas vezes até que ele atendeu.

– Alô? Bella?

– Oi amor. — minha voz ainda estava trêmula, por causa do choro.

– Está tudo bem com você? Está chorando?

– Eu só fiquei um pouco sensível. Disse muita coisa no meu depoimento, as memórias mexeram comigo, e bom, Jacob esta aqui comigo, eu estou feliz por isso também. E claro, estou com saudades de você... Como estão as coisas?

– Eu sinto muito não poder estar com você agora. Fico feliz que tenha falado tudo, que esteja aliviada, amor. Também estou com saudades. Ah, esta tudo mais ou menos, eu ainda não consegui entender o que está acontecendo, ninguém me diz nada e o médico só vai chegar em uma hora, então não sei. Eu vi Leah. Ela esta entubada e sedada, nada muito bonito de se ver.

– Eu sinto muito, queria estar ai também. Nós estamos rezando por Leah, vai ficar tudo bem, nós vamos nos ver logo.

– Eu espero muito por isso anjo. Você não sabe como sinto sua falta.

– Eu sei, eu sinto o mesmo.

– Bella, eu tenho que ir, preciso convencer minha mãe á sair do hospital e meu pai esta aqui.

– Sim, vai. Quando tiver notícias me ligue, por favor.

– Pode deixar amor, te ligo. Eu te amo, muito.

– Também te amo Edward, muito muito.

– Tchau amor, se cuida, boa noite.

– Você também, boa noite.

Não havia mais ninguém do outro lado da linha. Jacob estava dirigindo, para nossa sorte. Meu coração se quebrou em mil pedaços e as lágrimas voltaram.

Eu estava indo para casa, para a minha filha. Estava sem Edward, era verdade. Mas eu tinha a minha família, e agora, eu tinha a minha paz, e eu faria de tudo para que essa paz durasse. Por muito e muito tempo.

Notas finais
Espero que tenham gostado e comentem muitoooooooooooo beijos amores, até o próximo capítulo!