Save Me
23 Conclusion
Notas iniciais
Edward's POV
Eu estava dilacerado.
Falar com Bella ao telefone era mais difícil do que eu imaginei que fosse. Ouvir a voz dela trêmula do outro lado da linha, seu choro, ouvir sua voz...
Estava sendo extremamente difícil não tê-la ao meu lado, e o buraco no meu peito só aumentava a cada batida que o meu coração dava. Absolutamente tudo me fazia lembrar ela. Eu não via a hora de vê-la novamente, de abraçá-la, cheirá-la, sentir os lábios dela nos meus, o corpo dela no meu, e a saudade só aumenta e só tende a aumentar ainda mais.
Tirando o fato de que não ter Bella comigo estava abalando meu psicológico, ainda tinha todo esse estresse da minha família. Por que não podemos ser uma família normal que seu une em meio de um problema grave?
Meu pai pela primeira vez havia ido ao hospital. Não sei se por culpa, remorso, curiosidade ou apenas preocupação, só sei que ele estava lá, olhando para Leah como se olhasse para uma parede. Minha mãe não dormia á dias e não havia ido para casa desde que Leah foi internada. Ela estava abatida, desolada, estava magra, parecia que não comia á dias, suas olheiras iam até a altura da metade do nariz, seus cabelos bagunçados, ela estava exausta. Mas também quem não estaria?
Conversei com Esme por 2 horas e a convenci de ir com Alice para casa tomar um banho e dormir um pouco. Jasper levou as duas e no fim sobraram eu, Leah e meu pai no quarto.
A única coisa que se ouvia era o barulho dos aparelhos que marcavam os batimentos cardíacos e a pressão arterial, a bolsa de soro que pingava no tubo da seringa e a respiração cansada da minha irmã. Carlisle se manteve imóvel, sentado no sofá ao lado da cama de Leah, como se estivesse de luto, como se não tivesse mais jeito.
Como não tinha mais jeito? Minha irmã ia se salvar SIM! Quem era ele para perder as esperanças? Deixar de acreditar?
Fui até a cama de minha irmã e peguei em sua mão. Ela estava entubada e inconsciente, estava pálida, imóvel. Segurei ambas as mãos dela e comecei a rezar.
Eu nunca havia realmente parado para rezar ou algo do tipo. Claro, quando minha irmã ficou doente, tudo o que eu mais desejava era que ela se curasse e eu sempre pedi por isso, mas nunca diretamente á Deus, especificamente. Eu na verdade não sabia por onde começar.
Resolvi começar pelo mais óbvio. Agradecer.
A maioria das pessoas iria reclamar por estar passando por um momento difícil, ou se questionar sobre ''o que eu fiz para merecer essa desgraça?'‘, mas eu não. Eu resolvi agradecer. Eu agradeci, pois apesar de tudo o que estava havendo, poderia ser pior. Minha irmã poderia não ter nem a mínima das chances, ela poderia estar morta, mas não está. Eu agradeci por que apesar de todas as coisas turbulentas na minha vida, eu tinha uma pessoa que amava ao meu lado, eu tenho saúde, tenho uma família, tenho esperança. Eu simplesmente agradeci.
“Obrigado Senhor.”
Então eu continuei. Não ia rezar em voz alta, mesmo por que além de ser algo pessoal não ia envolver meu pai nisso. Para ser sincero não sabia quais eram os pensamentos dele á respeito dessa situação, e qualquer energia negativa poderia estragar tudo.
Certo. Continuando.
Então eu resolvi pedir. Não apenas 'pedir' mas pedir com fé.
Isso mesmo, fé.
Alguns dizem que isso não existe, que quando pensamos muito em uma coisa ela acaba acontecendo por causa do universo, mas eu realmente acredito em uma força maior, e acredito que a fé pode mudar tudo. Então eu pedi com fé que tudo fosse do jeito que tivesse de ser. Eu não iria pedir que minha irmã se curasse, embora isso fosse a coisa mais óbvia e racional de ser fazer, eu apenas pedi que tudo fosse como tinha de ser.
Eu não sei muito sobre orações, mas, sei que Deus, faz o que tem de ser feito. Mesmo eu nunca acompanhando seriamente a igreja como minha mãe me obrigava a fazer, eu prestava atenção em algumas coisas que o padre dizia, e uma das que me marcou foi essa, ''Deus sabe o que faz, ele nunca vai te dar um fardo maior do que você pode carregar”. Isso me marcou muito para ser sincero, e eu nunca pensei que usaria essas palavras para alguma coisa mas aqui estou eu, em um hospital, rezando. Quem diria...
Então eu pedi que fosse feita a vontade de Deus.
No mesmo momento que imaginei isso, senti algo apertar a minha mão levemente. Em um primeiro momento eu fiquei assustado, por achei que algum espírito estava comigo ou algo assim, mas então, eu percebi que era a mão da minha irmã que havia apertado a minha.
Eu sei que médicos dizem que pessoas têm espasmos quando estão em coma, mas seria muita coincidência Leah ter um espasmo justo agora. Eu preferi interpretar isso como um sinal, um sinal de que tudo ficaria bem, e que essa era a vontade divina.
Terminei minhas orações rezando um pai nosso e uma ave Maria, eu ainda me lembrava dos tempos da catequese, então não foi tão difícil assim.
Eu nunca fui muito católico nem nada do tipo, e era estranho, até para mim, rezar desse jeito. Mas dizem que quando se esta desesperado vale tudo não é?
Saindo desse momento espiritual e milagroso, beijei a testa de Leah e disse ao meu pai que ia até a cafeteria pegar algo para comer, como ele não me pediu que trouxesse nada, fui despreocupado. Já eram 2 e 40 da manhã e eu estava feliz que minha mãe estava descansando, finalmente. Pedi um café puro para o atendente e peguei meu celular. Resolvi mandar uma mensagem para Bella, mesmo sendo tarde da noite.
“ Amor, ta acordada? To com saudades”
Bella's POV
Assustei-me com o barulho do celular vindo do banheiro. Larguei o pote de pipocas no colo de Jacob e fui buscar o telefone.
Era uma mensagem.
“Amor, ta acordada? To com saudades”
Enviada por Edward, ás 2h42min
Dei pulos de alegria silenciosos no banheiro. Eu parecia uma adolescente, acho que o fato de estar tão longe dele me fazia ver o quanto ele era importante e o quanto eu o amava. Apenas ver sua mensagem já me trouxe um sorriso de orelha á orelha. Resolvi responder pelo banheiro mesmo, para que Jacob não me entupisse de perguntas sobre nosso namoro.
“Oi amor, to sim. Também estou com saudades. Tudo bem? Por que não esta dormindo?”
Apertei enviar e sentei em cima da tampa do vaso sanitário, esperando ansiosa por uma resposta.
Edward's POV
Para minha surpresa ela me respondeu, não achava que Bella estaria acordada esta hora, mas felizmente, ela estava.
“Oi amor, to sim. Também estou com saudades. Tudo bem? Por que não esta dormindo?”
Enviada por Isabella, ás 2h46min
Sorri em silêncio ao ver a mensagem dela. Apressei-me para digitar.
“Oi anjo, estou bem também. Eu ainda estou no hospital com meu pai, minha mãe foi descansar um pouco, ela ainda não havia deixado o hospital desde que Leah foi internada. Como foi seu dia hoje? Estou com saudades :/ “
Apertei enviar.
Não iria perguntar explicitamente se ela havia ido ou não na delegacia. Eu sabia que ela havia ido. Mesmo isso não sendo um assunto propício para mensagens de texto, eu queria saber o que havia acontecido. Mas por outro lado, não podia pressioná-la, pois querendo ou não isso era assunto dela, era a vida dela. Havia muitas coisas que James tinha feito com Bella que eu não sabia, e eu particularmente não gostaria de saber, a menos que eu quisesse praticar homicídio. Mas eu não tinha tempo para matar alguém agora.
Meu celular apitou e abri a resposta de Bella.
“Sua irmã esta melhor? E a sua mãe? Mande lembranças á ela e um beijo enorme pra sua irmã! Deseje melhoras pra ela.
Bom, meu dia foi tenso como já deve ter imaginado. Jacob me deu a maior força. Conversei a tarde toda com Benjamin, dei o nome de umas testemunhas... Ele disse que pode ser complicado, pelo fato de James ser um homem poderoso, ele não me garante que ele seja preso... Provavelmente ele deve me chamar novamente na semana que vêm parar depor.
Também estou com saudades. Juro que estou quase entrando em um avião e indo te ver. Nem parece que fazem dois dias que estamos longe um do outro, eu sinto como se fossem dois anos >< “
Enviada por Isabella, ás 3h7min
O final da mensagem me fez sorrir novamente.
Eu odiava o fato de Bella estar sozinha indo á polícia e contando sobre coisas que a deixavam desconfortável e triste. Mas o que eu podia fazer? Não podia deixar minha família, mas também não estava gostando de deixar minha mulher enfrentar isso sem mim. Felizmente Benjamin era meu amigo, e Jacob estava cuidando dela, não eram desconhecidos. Mas mesmo assim, eu ficaria mais tranqüilo se fosse eu á acompanhando. Eu imagino como deve ser horrível para ela falar sobre aquelas coisas, ainda mais Bella que é toda reservada, ela contou a vida dela para um ‘’estranho’’, deve ter sido horrível.
Claro que eu não iria mais tocar nesse assunto. Quando eu voltasse nós teríamos muito tempo para conversar sobre isso. Eu sabia que James talvez nunca fosse preso, isso era óbvio, mas eu estava aprendendo a conviver com a esperança e nesse momento da minha vida, eu preferia acreditar que as pessoas mudam, e que talvez ele concluísse que deveria pagar pelo o que fez.
Eu não pensaria assim em outra época, antigamente, eu simplesmente iria aceitar que a justiça, em seu modo punitivo, não se aplica aos ricos. Mas hoje não. Principalmente agora, que eu vi a mudança de Emmett. Eu nunca pensei que voltaria a falar com meu melhor amigo depois do que houve e aqui estou eu, preocupado com a saúde dele inclusive.
Minha vida havia mudado muito ultimamente. Bella havia bagunçado minha vida, é claro. Mas ela bagunçou de um jeito bom. Lógico que houveram momentos ruins, quem não os tem? Mas os momentos bons sempre superaram os ruins. Desde o dia em que á vi naquele elevador vinha sonhando com ela, e hoje, estamos juntos. Se isso não é destino eu não sei o que é.
Resolvi parar de pensar e digitar a mensagem.
“Minha irmã ainda esta inconsciente. Hoje de manhã o médico virá nos explicar o quadro dela, se houveram melhoras ou não. Minha mãe está acabada, pelo menos ela foi descansar um pouco em casa. Eu que estou aqui encarando a cara feia do meu pai. Eu mando sim amor, pode deixar (:
Sinto muito por não poder estar ai com você agora, fico feliz que você tem Jacob, ele é um bom amigo. E Benjamin é ótimo também, você está em boas mãos.
Se você entrar em um avião talvez a gente se desencontre, por que EU estou quase entrando em um avião só pra ir te ver. Você não sabe como isso é extremamente horrível Bella, sinto sua falta o tempo todo. E eu prometo voltar assim que for possível.
PS: não arranje outro namorado, por favor."
Quando olhei para cima me deparei com meu pai me encarando. Ele não disse nada, apenas se sentou na minha frente. O garçom veio e ele pediu um café puro, depois continuou calado.
– Por que deixou Leah sozinha no quarto?
– Ela não sabe se está sozinha ou não, qual a diferença?
Se nós não estivéssemos em um hospital, eu começaria uma briga ali mesmo. Como pode um pai dizer algo assim?
Eu juro que eu estava tentando entender o jeito dele se sofrer nessa situação, mas não tinha explicação. Carlisle era tão frio, calculista, mesmo com a própria filha. Não era justo um pai perder as esperanças, ainda mais com Leah, que sempre o amou e deu carinho á ele. Eu não entendia Carlisle e nem queria entender. Eu simplesmente me levantei da mesa e voltei para o quarto da minha irmã.
A enfermeira estava arrumando o soro e anotando o que mostrava nas máquinas. Eu não disse nada apenas observei Leah, deitada, imóvel. Era horrível ver minha irmã em coma. Pior ainda era saber que meu pai estava sem esperança alguma.
Eu ainda não havia entendido o que havia acontecido, ou o que ela tinha realmente. Felizmente, daqui a algumas horas um médico viria me esclarecer tudo.
Liguei para Alice e ela me disse que nossa mãe estava dormindo. Ela iria dormir com Jasper por lá e os três retornariam de manhã. Eu estava quebrado, morto. Deitei-me no sofá ao lado da cama de Leah e fiquei observando-a. A enfermeira terminou de tomar as anotações e saiu.
Olhei minha irmã por mais alguns minutos, até cair no completo sono.
Bella’s POV
15 minutos e nada de Edward responder minha mensagem. Será que algo havia acontecido? Eu devia me preocupar? Ligar pra ele?
Melhor não.
Escovei os dentes, passei meu creme para dormir e sai do banheiro.
Olhei no celular, já eram 3h27 da manhã. Jacob já estava dormindo e babando. Deitei-me na cama e me cobri. O ar condicionado estava na temperatura ideal. Enrolei-me nas cobertas e olhei para o céu através da janela.
Minha vida havia mudado tanto desde que conheci Edward. Sim, mudou para melhor. Nada comparado á vida que eu levava, lógico que houveram algumas turbulências, mas nada insuperável, vamos dizer assim.
As vezes eu pensava porque eu tinha tanta sorte. Tinha uma filha maravilhosa, um cara perfeito do meu lado, amigos que me amavam e me apoiavam sempre, uma boa família, um cachorro adorável, o que mais eu poderia querer não é?
Eu na verdade queria James preso. Sei que isso talvez vá ser impossível, mas não posso deixar de acreditar nisso. Não é possível que uma pessoa possa ser tão má assim. Rosalie pelo menos ficaria presa, e por um bom tempo, ela era ruim e sempre seria ruim. Mas James não, ele era bom pra mim no começo, para a minha família. Ele era gentil, agradável, eu realmente não entendo o que aconteceu. Ele não é 100% mal. Há algo de bom dentro dele ainda, e eu realmente espero que ele pague pelo o que fez, pelo bem dele e pelo bem da filha dele.
Falar sobre tudo o que aconteceu no meu casamento foi horrível. As memórias das noites não dormidas, dos hematomas, das discussões, das lágrimas que derramei, do meu psicológico abalado, tudo me deixava extremamente mal, é claro. Todo aquele terror vivido no meu casamento ainda me machucava. Imagine só, eu era uma garota feliz, apaixonada, estava animada com meu casamento, fiquei grávida, achava que James era o homem da minha vida, que envelheceríamos juntos... Era horrível para mim lembrar de tudo, principalmente por que a minha situação me lembrava o que minha mãe passou na mão do meu pai, e em tudo o que eu via, o que me preocupava, porque Renesmee havia presenciado boa parte do que James fazia comigo. Ela já era inteligente o suficiente para entender mais ou menos o que estava acontecendo ali, e eu me preocupava com o psicológico dela, eu ficava super abalada quando via o que meu pai fazia com a minha mãe, era horrível. Eu temia por ela estar mal, ou com traumas por conta do que aconteceu. E no meio de tudo isso eu ainda fui depor. Pra qualquer pessoa isso seria vergonhoso, mas pra mim não foi tão ruim a situação, lógico que foi horrível relembrar de tudo, mas não foi tão desconfortante como eu imaginava falar sobre. Felizmente Benjamin era muito acolhedor e compreensivo, ele me deu tempo para falar e digerir tudo aquilo novamente. Mas minha vida não era uma tragédia total.
Eu estava grata pela minha vida, no fim das contas. Mesmo com toda a tragédia do meu pai, do meu casamento, tudo estava ‘’pseudo ajeitado’’. Eu estava com a minha filha sã e salva, com a minha família, com meu melhor amigo, estava me libertando de todos os fantasmas do meu casamento, que me assombravam o tempo todo, estava me libertando do meu passado, e dando espaço para o meu coração começar uma nova vida. E essa nova vida seria ao lado do amor da minha vida, que me salvou, que me deu abrigo, me apoiou, me acolheu.
Eu devia tudo á Edward. Não que ele me cobrasse algo, nunca o senti dessa forma. Mas eu sentia como se tivesse a obrigação de ser boa pra ele. De ser compreensiva, de aceitar algumas coisas que eu normalmente não aceitaria. Não que eu vá mudar por conta dele, não. Mas talvez, pelo jeito que tudo aconteceu conosco, eu sou mais maleável com ele, e isso é bom. É bom para o nosso relacionamento.
Edward queria ser o pai de Renesmee. Eu achava maravilhoso esse jeito dele, o modo como ele ama minha filha é algo que eu considerava impossível, mas não. Ele á ama como filha, como se fosse dele realmente, e isso só me deixa feliz. Logicamente eu amaria ter um filho dele, e isso sim era um assunto pra se discutir assim que ele voltasse. Renesmee ficaria feliz com um irmão, sem contar que isso seria bom para ocupar a cabeça dela com algo alegre. Eu odiava saber que minha filha havia visto tantas coisas ruins e passado por tantas coisas ruins, eu iria conversar com ela mais tarde.
No fim das contas eu estava feliz e leve. Rezei por Leah por um longo momento, depois rezei por mim, minha família, e por Edward. Eu realmente esperava que nos víssemos logo, e eu não sabia quando isso iria acontecer. Só me restava esperar e rezar.
Olhei para o céu e sorri ao ver as estrelas e a lua, as noites estreladas me lembravam Edward. Fiquei olhando e pensando no meu amor até que adormeci.
Esqueci a distância, a saudade e minha angústia. Apenas mergulhei na imensidão negra do meu pensamento.
Fale com o autor