Save Me
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Abrace-me quando eu fraquejar, me beije quando eu me calar, me ame quando eu menos merecer, seja minha paz enquanto tudo desmorona.
Pamela Merces
Temari chorava compulsivamente abraçada ao travesseiro branco abafando os soluços naquele objeto que tantas e tantas noites era o seu conforto, seu confidente. A mulher de belos cabelos loiros e intensos olhos verdes acabava de servir mais uma vez de saco de pancada de Hidan... Seu marido.
Um casamento que começou sem amor, e continuava sem esse sentimento. Aquela união foi uma forma de Temari salvar Sakura, uma amiga de longa data. Uma vez que Hidan queria Sakura como esposa e não ela, mas com a promessa de um herdeiro que era exatamente o que Hidan procurava e que a mulher prometeu oferecer, Sakura ficou dessa forma livre para ser feliz ao lado de Sasuke Uchiha, o homem que sempre amou.
Já Temari, mesmo após três anos de casamento continuava infeliz, amargurada, marcada pelas sovas que levava e abusos que sofria... E sem o herdeiro que havia prometido. Isso deixava Hidan furioso.
A mulher de belos cabelos gemados que estava deitada na sua cama metálica, apertou mais o travesseiro abafando um grito de raiva. Raiva... O único sentimento que conseguia nutrir pelo homem com quem partilhava a vida, a casa e o corpo. O que Temari não dava para poder se ver livre daquele inferno em que se meteu de livre vontade, mas que agora não conseguia sair de maneira nenhuma. Sempre que se falava em separação, Hidan acabava bofeteando a esposa e a obrigando a ter relações sexuais como forma de demostrar a sua dominação. Aquela sem dúvida não era a vida que a mulher de vinte e nove anos queria, na realidade só gostaria de poder encontrar alguém que a amasse, a salvasse daquele inferno... Que a fizesse feliz, mesmo quando não merecesse... Que a amasse mesmo quando ela errava... Que a amparasse quanto tudo em volta caísse... Que acima de tudo se amassem mutuamente.
Mas isso era apenas um sonho, como tantos outros que teve um dia.
….
O dia amanheceu e os primeiros raios de sol entravam pela janela entre aberta do quarto escuro e com cheiro de suor e álcool. Ao lado de Temari, dormia tranquilamente Hidan. O rosto do homem era sereno e delicado. Ninguém diria o que na realidade por trás daquele rosto se escondia um monstro. Hidan tinha trinta anos e possuía cabelos precocemente grisalhos. Sua pele era clara e seu corpo de dar inveja em qualquer garotinho que se achasse “o tal”. Para quem não o conhecesse verdadeiramente, ele era um homem charmoso e invejável, o marido ideal... Mas isso era só aparência, porque dentro daquele corpo bonito habitava um monstro. Além de fazer a vida da esposa num inferno, Hidan trabalhava numa igreja pregando a palavra de Deus, era um homem religioso. Mas quem disse que religião significava caráter? E neste casso realmente não significava.
Já Temari havia estado muito tempo desempregada, mas começaria hoje a trabalhar num pequeno bar. Não era algo que a gostasse de fazer, já lhe bastava aguentar as embriaguezes do marido, não lhe parecia nem um pouco agradável ter que aguentar também as bebedeiras alheias. Mas o lado bom era que em troca poderia conhecer novas pessoas e distrair um pouco a cabeça do seu inferno pessoal.
— Acorda meu anjo. – Hidan murmurou carinhosamente acariciando os cabelos loiros de Temari espalhados pelo travesseiro, agia como se na noite anterior não a tivesse agredido.
Temari abriu os olhos ao sentir o marido a tocar, tentou controlar a enorme repulsa e vontade de afastá-lo. Mas se o fizesse seria pior.
— Vamos folgada. – Voltou a murmurar desta vez beijando delicadamente o hematoma negro no braço delicado da mulher que sentia cada vez mais repugnância.
— Já estou acordada. – Respondeu seca se sentando na cama e prendendo os cabelos num coque no alto da cabeça.
— Volte para a cama meu bem... – Hidan ordenou maliciosamente passando a mão pelas costas desnudas da esposa.
Temari engoliu em seco, sabia o que ele pretendia e não tinha a mínima vontade de entregar mais uma vez o seu corpo. Mas como de costume sabia que se negasse seria muito pior.
A contra gosto e com uma lágrima no canto do olho, Temari voltou a deitar na cama, e imediatamente sentiu Hidan a beijar ferozmente enquanto as mãos exploravam o seu corpo machucado e dorido. Fechou os olhos com força se odiando por deixa-lo tocá-la mesmo após tudo o que sofria nas suas mãos. Era fraca e sentia vergonha da sua fraqueza.
Com uma enorme vontade de gritar e fugir, Temari engoliu o choro enquanto Hidan lhe invadia o corpo. Por uma vez ou outra soltava pequenos gemidos fingidos apenas para agradar o marido e o incentivar a terminar o serviço mais rapidamente. Pois ainda se recordava que da última vez que ele a havia tocado a tinha castigado por não emitir qualquer tipo de som que significasse que estaria gostando. E não queria isso outra vez, não queria ser magoada novamente.
Após o grisalho se dar por satisfeito, Temari se enrolou numa toalha amarela com rendados vermelhos e correu para o banheiro, precisava urgentemente retirar o cheiro do marido do seu corpo, limpar-e da repulsa que sentia por permitir ser invadida por alguém que tanto mal lhe fazia, por um homem que não amava.
Enquanto a água morna caia sobre o seu corpo várias lagrimas saiam de seus olhos. Chorar era tudo o que conseguia fazer perante uma vida tão miserável e árdua. Repreendia-se todos os dias por não ser forte o suficiente e ter coragem de dar um novo rumo á sua vida. Faltava-lhe alguém que segurasse nas suas mãos e lhe afirmasse que tudo ia correr bem, que não estava sozinha.
Mas essa era a sua realidade. Estava sozinha e não podia fazer nada quanto a isso.
— Até logo meu bem! – Hidan gritou do quarto para alívio de Temari, provavelmente hoje já não veria o marido. Agora ele ia trabalhar, e quando ele voltasse já estaria no bar. Ao menos algo de bom esse novo emprego teria.
Agora completamente sozinha entre tantas paredes, se permitiu gritar de desespero, soltar as desilusões acumuladas dentro de si. Libertar um pouco da raiva e angustia que sentia.
…
Temari caminhava apressada numa pequena rua escura, tinha-se atrasado ao sair de casa agora praticamente corria para o bar. Chegar atrasada no primeiro dia não dava boa impressão.
Um sorriso sarcástico surgiu no rosto da loira ao chegar ao local pretendido, o nome do bar realmente chegava a ser cômico New Live. Era o nome impresso numa pequena tabuleta á entrada. Realmente não parecia ser um local grande nem muito movimentado. Melhor assim.
— Sabaku no Temari? – Um homem de aparentemente uns quarenta anos, cabelos negros e sobrancelhas bastantes grosas trajando um estranho fato verde questionou com um sorriso.
— Sim. Eu mesma. – Assentiu com a cabeça mostrando um sorriso inibido. Esse devia ser Maito Gai, o seu novo chefe.
— Maravilhoso! – O estranho homem gritou alegre. – Chegou bem na hora senhora Sabaku. – Um sorriso continuava no rosto do novo e louco chefe da loira.
— Me trate apenas por Temari. – Pediu adentrando atrás do balcão pequeno e de cor negra onde Maito Gai lhe explicava onde estavam as bebidas e o preçário. Apenas um cliente estava ali. Realmente era um bar pouco frequentado.
— Certo então, Temari deixa eu te avisar só de uma coisa. – Gai não retirava o sorriso do rosto nem por nada. – Bem, é minha obrigação dizer que todas as outras funcionárias que já aqui estiveram se demitiram por causa de um garoto chato que vem cá todas as noites. Ele é realmente bem chato. – Gai franziu a testa e sorriu. – Ele é um bom garoto, só é bom ter paciência de ferro para ele. – Uma sonora gargalhada saiu de sua garganta. Aquilo realmente divertia Gai. Até porque ele era amigo desse tal garoto que vivia importunando as suas empregadas, esgotando a paciência até dos santos.
— Um garoto não é? – Temari não se mostrava relutante em testar sua paciência. – Acho que dou conta de um moleque. – Um sorriso convencido brotou nos seus delicados lábios.
Gai sorriu e antes de sair e deixar tudo por conta de Temari acrescentou.
— Mais tarde quando você fechar a caixa e o bar, meu filho Lee vêm te buscar e acompanhar até casa. – E saiu apressado não deixando-a recusar. Seria boa ideia deixar que um homem mesmo que possivelmente fosse um jovem leva-la a casa? Se visse não gostaria nem um pouco.
Temari arregaçou as mangas da camisa branca que usava, estava pronta para começar a trabalhar. Sem nenhum cliente para servir, visto que apenas permanecia um homem bebericando uma cerveja numa mesa ao fundo. Por fim se pós a limpar as garrafas de bebida que estavam cheias de poeira enquanto cantarolava uma musica qualquer.
— Eu quero ser pra você a confiança, o que te faz Te faz sonhar todo dia sabendo que pode mais. — Cantarolava docemente limpando vagarosamente uma garrafa de licor de amêndoa, sem se dar conta que há alguns minutos um jovem cliente havia entrado e esperava sentando ao balcão com uma cara de tédio aparente.
— Vai continuar cantando ou me atender? – Por fim cansado de esperar o rapaz se fez ouvir com a sua voz um pouco rouca e juvenil.
Temari se virou num salto encostando a garrafa de licor ao peito.
— Meu deus me desculpe. – Pediu timidamente enrubescendo com sua falta de jeito para com o primeiro cliente.
O rapaz olhou detalhadamente a nova empregada atrás do balcão, achava que ela possuía uma beleza exótica e uns olhos verdes encantadores. De certeza que Gai já a tinha avisado sobre os testes que costumava fazer á paciência das funcionárias.
— Certo. – Murmurou cruzando os dedos em cima do balcão preto recentemente envernizado. – Me sirva uma Cola e me diga o seu nome e fazei questão de esquecer sua falta de capacidade. – O jovem claramente já estava começando a testar a paciência da nova empregada.
Temari sentiu uma enorme vontade de esganar o pirralho na sua frente pelo fato de a chamar incapaz. Mas fez questão de se controlar, precisava daquele emprego, mais do que o garoto precisava de um pescoço novo.
— Tome aqui tem sua Cola. – Informou colocando um copo vazio e uma lata de cola em cima do balcão. – E me chamo Sabaku No Temari. – Concluiu com esperança que esse moleque realmente esquecesse o pequeno incidente.
— Shikamaru Nara. – O jovem se apresentou esticando a mão que foi apertada docemente por Temari, mesmo que um pouco desconfiada.
Shikamaru tinha os cabelos negros espevitados, apanhados quase no alto da cabeça. Seus olhos também eram negros e a pele levemente morena, tinha um ar de quem realmente não gostava de fazer nada
– Agora me diga porque não colocou gelo na Cola? – Shikamaru questionou erguendo o copo no ar e suspirou de descontentamento.
Temari então acendeu uma pequena luz na sua cabeça. Esse devia ser o jovem que Maito falou, o que vivia pondo a paciência das outras empregadas á prova.
— Eu não coloquei gelo porque você não pediu. – A mulher bufou e em seguida encheu o copo do jovem de pedras de gelo. – Assim chega? – Questionou com um sorriso travesso.
— Não. – Shikamaru murmurou aborrecido. – Falta a rodela de limão. – Completou olhando provocatoriamente para a nova empregada. Aquilo realmente o divertia, era uma boa forma de não fazer nada como ele apreciava, e ainda se rir com a falta de paciência alheia.
Temari cerrou as mãos atrás do balcão. Sentiu vontade de partir uma garrafa na cabeça do moleque. Mas tinha que admitir que o trabalho lhe estivava fazendo bem, ou então era esse cliente irritante. Porque desde que entrou no bar sua cabeça se aliviou e nem se lembrava mais que tinha um monstro á espera em casa.
— Tome o limão. – Temari bufou e colocou três rodelas dentro do copo que já não tinha espaço para levar a bebida. – Mais alguma coisa?
Shikamaru observava como a nova empregada reagia aos seus pedidos chatos, normalmente as outras empregadas já o tinham mandado ir- se ferrar, mas ela não. Ela era óbvio que se esforçava para não responder mal, aguentava as suas claras provocações. Perguntava-se quantos anos teria ela? Seria casada? Teria filhos?
— Que idade você tem? – Questionou não fazendo mais nenhum pedido chato e irritante.
Temari o olhou surpresa. Não esperava esse tipo de interesse.
— Há, vinte e nove. – Disse meio confusa com a pergunta, mas não havia mal nenhum nisso, ou havia? – E você? – Completou se deixando levar pela curiosidade.
— Dezoito. – Shikamaru respondeu com a voz desanimada, como se a sua idade fosse algo que o deixasse triste. – É casada? – Prosseguiu o questionário.
Novamente Temari lhe lançou um olhar de surpresa. Além de moleque e chato, também era muito curioso.
— Sim, sou casada. – Respondeu visivelmente triste e deu de ombros.
— Pela sua resposta não me parece que seja feliz no casamento. – Shikamaru respondeu imediatamente erguendo os olhos os cruzando diretamente com os verdes de Temari, a forma como a mulher havia falado que era casada era evidentemente um sinal que era infeliz. Não que Isso fosse algo de grande interesse, mas se sentia curioso.
— Isso não é da sua conta. – A dona dos olhos verdes respondeu rudemente e logo se arrependeu. Não podia tratar assim os clientes. – Há me desculpe! – Pediu tapando a boca envergonhada.
Shikamaru sorriu com gosto e seu rosto parecia já não estar tão entediado como antes.
— Eu perdoo e não comento sobre a forma como foi rude, se me deixar pagar uma bebida depois de o bar fechar. – Um olhar desafiador estava estampado nos olhos do moreno, ele realmente queria muito ver o seu convite aceite.
Vencida e com medo de perder o emprego Temari bufou cansada. Desde que Hidan não soubesse não haveria problema, afinal era só um garoto.
— Tudo bem, depois de eu fechar o bar. – Respondeu com um meio sorriso.
Shikamaru retribuiu o sorriso, retirou um maço de cigarros do bolso do casaco preto que usava e colocou um cigarro na boca o acendendo em seguida. Tragou o fumo e o soltou no ar com gosto.
— Eu espero aqui então. – Murmurou com um meio sorriso e voltou a tragar o cigarro.
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