Saudade
1 Ida
Notas iniciais
A Primeira Divisão do Shinsengumi estava prestes a começar uma missão extremamente perigosa, e até mesmo os mais otimistas não tinham certeza se alguém iria voltar vivo. Todos tentavam conversar, para aliviar a tensão, com exceção do Capitão, Okita Sougo, que estava parado no portão olhando pro nada.
“No fim das contas, ela nunca vai saber da verdade...” Ele pensou.
“O que diabos está acontecendo, sádico estúpido?” Uma garota Yato apareceu ao lado do policial.
“Chi-China, o que está fazendo aqui?” Okita perguntou, tentando disfarçar o susto.
“O gorila me disse que você tinha uma missão ou algo do tipo. Estávamos juntos ontem, porque não me contou.” Alguma coisa dizia a Kagura que havia algo errado. Aquele sádico desgraçado sempre avisava quando ia ficar fora da cidade por causa do trabalho, mesmo quando ela ao perguntava, então porque agora estava guardando segredos?
“Porque quer saber? Preocupada comigo? Está preocupada com seu mestre, hein china?”
“Eww, não diga coisas nojentas. Eu só quero saber quando você volta porque.... Você me deve um ramen por ter perdido a briga de ontem, esqueceu?” Nenhum dos dois falou por alguns instantes, Kagura porque esperava uma resposta, e Okita porque estava tomando coragem.
“E que tal nós fazermos uma troca? Já que eu não sei se o ramen vai ser possível, eu vou te contar meu segredo mais embaraçoso se esquecer a comida só dessa vez.”
“Certo, qual é? Você dorme com um ursinho de pelúcia? Gosta de comer cola? Trabalha como okama nos fins de semana?”
“Não. Eu te amo.” Ele disse num tom frio e se calou novamente. Sougo sabia que ela nunca iria corresponder, só queria deixar as coisas claras antes de ir embora.
“Sádico... Você acha que vai morrer, não é?” Ela perguntou, com a franja cobrindo os olhos. “Eu conheço essa sua cabeça vazia, e você nunca diria algo assim se não achasse que vai acontecer algo muito ruim nessa missão.”
“É uma coisa complicada. Estamos indo atrás de um grupo grande, que possui um gigantesco arsenal de armas com tecnologia bem avançada. Além do mais, não podemos levar muitos soldados para não sermos descobertos. Então quem sabe, talvez no primeiro segundo uma bala atravesse minha cabeça.”
“Você não pode.”
“Não posso o que?” Okita olhou o rosto da ruiva, e ela estava chorando.
“Você não pode morrer. Me prometa que não vai.”
“Eu não posso, não tem nenhum jeito de saber.”
“EU DISSE PRA PROMETER!” Ela gritou, tentando enxugar os olhos e abraçando o mais velho.
“China, todo mundo está olhando você agir totalmente OOC.”
“Eu não ligo para esses ladrões de impostos, só me prometa que você vai voltar.” Ela parecia realmente desesperada, e mesmo com seus instintos sádicos dizendo para fazer alguma brincadeira sobre a confissão de amor maluca em público, Okita não queria ver a garota triste.
“E que tal nós fazermos outra troca? Eu prometo que volto, mas se eu voltar você promete que vai ser minha.” Ele tinha certeza que dizer algo daquele tipo era completamente insano, mas decidiu arriscar mesmo assim.
“Isso quer dizer... EU NÃO VOU SER SUA ESCRAVA, SEU BASTARDO!” Kagura fez uma cara brava, apesar de não ter interrompido o abraço nem por um segundo.
“Não é isso, pirralha idiota. “Ser minha” quer dizer que você vai ser minha namorada e nunca vai estar com outros caras.” Sougo explicou.
“Bem, isso é impossível.”
“Porque? Você tem... outra pessoa?” Pensar em outra pessoa perto da china girl fez Okita querer matar todos os homens da Terra, do universo, oh inferno, da maldita existência.
“Não. Eu não posso prometer isso porque... porque...” Kagura ficou muito vermelha enquanto gaguejava.
“Você o que?”
“Eu sou sua agora mesmo. Apesar de nós brigarmos o tempo todo, e eu sempre te chamar de idiota, e você me chamas de garota monstro, eu acho que nunca vou sentir a mesma coisa por outra pessoa. Mesmo se você não voltar, eu vou ficar esperando.”
“China... Nossa, eu sou muito bom...”
“CALADO!” Kagura corou mais ainda, e chutou Okita nas partes baixas.
“D-Droga, eu vou te matar vadia. Se em alguns anos nós não podermos ter filhos, a culpa vai ser sua.”
“Como se eu fosse ter meus filhos com um inútil. Foi mal, mas a grande Kagura-sama pode arranjar algo muito melhor.”
“Tente pra ver o que acontece.”
“O que?”
“Esse cara sortudo vai sentir o prazer de ter uma espada enfiada na bunda, bebendo lentamente todo o sangue dele.”
“Seu sádico ciumento.” Ela sorriu um pouco e segurou a mão dele.
“Ah china-san, você veio dizer tchau ao Sougo.” Kondo apareceu e sorriu discretamente quando viu os dois rivais de mãos dadas. O plano dele tinha funcionado perfeitamente.
“Yo gorila. Valeu por me contar sobre o que esse idiota ia fazer.”
“Fico feliz em ter ajudado. Sougo você tem que ir agora. O Toushi vai acompanhar sua Divisão até os limites da cidade.”
“Certo.” Sougo suspirou irritado ao ouvir sobre a companhia do samurai viciado em maionese.
“Quando você volta?” A chinesa do Yorozuya perguntou, seus olhos azuis encarando seu rival/namorado.
“Vou estar esperando. Não faça nada estúpido que me obrigue a ir no inferno chutar sua bunda sádica.”
“Tsc, já entendi pirralha.” Okita tentou a sorte, se aproximando de Kagura para beijá-la, mas ela apenas lhe deu um beijo na bochecha.
“Quando você voltar. Só por garantia.” A ruiva sorriu e abraçou Sougo mais uma vez. “Amo você, ladrão de impostos inútil.”
“Também te amo, garota estúpida e sem peitos.”
“Sougo, se você não entrar nesse carro em 5 segundos, eu te faço cometer seppuku!” Hijikata gritou, já dentro da viatura.
“Vamos ver quem vai matar quem, Hijibaka-san. Até breve china girl.” Okita entrou no carro, enquanto Kagura observava os membros do Shinsengumi deixarem Edo.
Fale com o autor