Satisfaction

27 Capítulo 23 - A caminho


Notas iniciais
Pessoal, sinto muito a demora, a Blonder (minha beta) ta meio ocupada ultimamente e ela não pôde revisar esse capítulo, e como essa semana ela vai tirar pra lidar com o TCC dela, vou deixar os últimos capítulos de Satisfaction prontos e postarei provavelmente já betados na semana que vem o/ Mais explicações nas notas finais, boa leitura ♥

A carruagem bem reforçada que transportava Gajeel Redfox e Kagura Mikazuchi corria contra o tempo, prevista para chegar a Magnólia num momento crucial. Ambos encontravam-se apreensivos a respeito do horário, pois a cerimônia havia sido marcada para o dia seguinte no período da manhã, e já aproximava-se da madrugada. O pequeno vilarejo ao qual o veículo passava denunciava que estavam à cerca de quatro horas da cidade.

— Quando chegarmos, vamos tomar uma boa xícara de café na espelunca de uma conhecida minha e correr para a catedral. — Gajeel quebrara o silêncio com um pigarro antes de sua fala. Kagura, que bocejava, assentiu.

— Do jeito que estamos indo, é bem capaz de que “correr” não vá ser usado no sentido figurado. Vou precisar que tenha raciocínio rápido para sustentar meu relato, senhor Redfox. Creio que deva ter lido algo a respeito na biblioteca dos Cheney.

Os olhos do advogado estreitaram-se no escuro.

— Encontrei materiais interessantes, para não dizer suspeitos. A árvore genealógica começa a partir de Jenna e Reywards, sem antepassados, como se eles fossem a primeira geração da família, mas…

— Mas como somente uma geração teria o dinheiro que eles têm, não é? — Kagura completara o pensamento, com um sorriso malicioso. — Você é esperto, Gajeel Redfox. Ligue os pontos.

— Se for algo da natureza que estou pensando, sinto muito por Rogue e Wendy. — Gajeel suspirara, imaginando o longo processo que aquela história poderia dar.

O resto da viagem permaneceu silenciosa após a pequena conversa. Uma expressão saudosa passava pelo rosto de Kagura ora ou outra enquanto apertava um pingente numa correntinha de ouro. Um presente de Rogue, o moreno supôs. Infelizmente não havia nada material consigo que pudesse fazê-lo ser transportado a Levy, somente sua memória. Após o tempo que passaram juntos, esquecera de lembrar-se do dia em que se conheceram, no baile do Conde Heartphilia. Não fazia tanto tempo, provavelmente dois meses, mas a sensação era de que fazia um ano. Gajeel sorriu nostálgico, e todos os momentos que tivera com a azulada correram como flashes em sua mente, como se tentasse decidir qual fora o melhor.

Não tinha muita noção de como seria quando voltasse a Magnólia, mas tinha certeza de que chegariam no meio da cerimônia, ou, com sorte, antes dela ocorrer. A última visão que gostaria de ter era da McGarden e do Cheney trajados como noivos, com olhares sofridos e expressão melancólica, trocando alianças às falas do padre. A questão não era nem por ciúmes, e sim porque acabaria com o que ele e Rogue tanto quiseram ter: as mulheres amadas aos seus lados.

—x-

O dia amanhecera, mas ninguém na residência Cheney queria que o dia chegasse tão de repente. Todos exceto Elevínia e os próprios Reywards e Jenna estavam apreensivos e nada contentes. Ao café da manhã, a McGarden mais velha tagarelava alegremente sobre o modo como foi mandado que a catedral fosse decorada para o “casamento do ano”, como quis chamar. Talvez o casamento realmente ficasse marcado entre todos os casamentos daquele ano, mas não da forma jubilosa que ela esperava.

Natsu e Lucy seriam os padrinhos de Levy, e mesmo com a ausência do Redfox, o alfaiate recebera o apreço dos Cheney para estabelecer-se em sua casa até a cerimônia. Algo entre um flerte comedido e uma paixão desenfreada pairava entre o futuro casal, que vez ou outra trocavam alfinetadas em público por diversão. Bem, pelo menos da parte do rosado era por diversão. Os padrinhos de Rogue seriam um casal conhecido há certo tempo, Evergreen e Elfman Strauss. O sobrenome era familiar à azulada, e supôs que o tal de Elfman era parente de Mirajane.

Ah, Mirajane… Como será que a governanta estava, tão sozinha naquela mansão? Sentiu-se egoísta por estar definhando com a falta de Gajeel quando a albina estava somente com uma pantera, que estava mais para um gato tamanho família, e sem família para manter contato. Levy ao menos tinha amigos ao seu redor, deveria ser menos ingrata e tentar melhorar seu humor, mesmo que falhasse todas as vezes que pensasse na hipótese de sorrir.

—x-

Mirajane acordara tarde, mas pouco se importava. Sabia que Gajeel não retornaria tão cedo de onde quer que estivesse, e não seria nada agradável que o mesmo encontrasse Laxus Dreyar em sua casa.

Sim, o loiro brotara ali três noites atrás e desde então, ficara.

A história da mulher com o Dreyar era caso antigo, desde que ela e seus irmãos ficaram órfãos por, também, parte de pai. Lisanna estava na casa de uma tia com Elfman, ambos crianças com cerca de onze anos, e Mira – com uns dezesseis anos – voltava do trabalho como cozinheira num restaurante do bairro cerca de nove horas da noite. Ficara completamente sem chão ao ver chamas engolirem o que um dia fora sua casa, e a notícia de que o pai havia sido morto por envenenamento não tornara as coisas mais fáceis.

Após ser interrogada pela polícia de Magnólia diversas vezes e do depoimento de seu patrão no restaurante convencê-los de que nada tinha com o crime, a moça se vira sem lugar para onde ir, afinal, a única parenta viva era sua tia, que a detestava. A mulher amargurada concordou em cuidar de Lisanna e Elfman, pois não tinha filhos, mas deixou claro que Mirajane teria que arrumar o que fazer.

Com os jornais todos estampando o sobrenome Strauss e o misterioso crime na primeira página, ela fora demitida do restaurante no dia seguinte ao depoimento, caminhando nas ruas até chegar num bairro um tanto perigoso para moças. As ruas possuíam bares, motéis e bordéis, mulheres promíscuas e homens bêbados, de roupas já esfarrapadas, enfeitavam as ruas noturnas, fazendo barulho e algazarra.

Já suja e faminta pelos quatro dias que seguira na rua, Mira não teve escolha a não ser tentar a sorte em algum bordel. Quando não se tem família nem casa nem dinheiro, a honra e a dignidade alguma hora terão de ir também. Entretanto, quando a garota estava aproximando-se de um dos prostíbulos, uma mão duas vezes maior que a sua segurou seu pulso e, ao se virar, deparou-se com um homem alto e corpulento de cabelos loiros, com uma cicatriz grossa no olho direito.

— Não sei de onde veio, mas esse lugar não é para você.

As palavras ainda estavam claras em sua mente como se houvessem sido ditas naquela madrugada, e não cinco anos atrás. Laxus não era boêmio como o lugar em que estava sugeria, mas cuidava de um bar que pertencia ao seu avô, pois o velho estava debilitado para administrar lugares como aquele. A presença imponente do homem evitava muitas brigas e tornava o ambiente minimamente decente para aqueles que decidiam frequentá-lo.

Mira não precisou explicar sua história a fundo, foi só falar seu sobrenome que Laxus entendera o que se passava. Depois de um sermão de meia hora sobre “como garotas desamparadas não deveriam procurar prostíbulos à primeira vista”, sugeriu que ela trabalhasse como empregada na casa que dividia com o avô, recebendo um salário bom o suficiente para conseguir comprar roupas novas e juntar para economia.

Nisto, ela e Laxus já haviam se envolvido de forma além da que um patrão se apaixona pela empregada de sua casa. Ele se apaixonara pela garota maltrapilha e desesperada que não parava de rir durante seu sermão e que precisava de um lar. Por mais que tentassem esconder sua relação, o avô, Makarov Dreyar, felicitava o casal quando podia. Eles poderiam ter vivido daquela forma muito bem, até que a oportunidade de trabalhar para um ex-amigo do pai de Mirajane surgiu, e ela não pôde recusar.

Com ciúmes e sentindo-se traído, Laxus afundou-se na bebedeira e em festas, unindo-se com os homens de caráter mais baixo da vida noturna que, por sua vez, eram amigos de Rogue Cheney. O loiro estava presente no baile do Conde Jude Heartphilia, no qual o colega bêbado tentara agarrar uma menina pequena de cabelos azuis, mas, por mais que a ideia de sair galantear donzelas solitárias e levá-las para um quarto fosse tentadora, nenhuma delas seria sua Mirajane.

Os anos passaram e o orgulho não o deixou aproximar-se novamente da Strauss, com medo de que ela houvesse se envolvido com o tal advogado Redfox e já tivesse se esquecido dele, porém já não aguentava mais. Reencontraram-se como um casal que fora separado por uma longa viagem, e agora voltavam a ver-se no porto, pensando em como conseguiram ficar longe um do outro por tanto tempo.

Nos dois dias e três noites que Laxus e Mira estavam juntos novamente, ela tagarelou sem parar sobre os acontecimentos dos últimos meses, incluindo o caso de Levy e Gajeel – o qual sempre demonstrou total apoio, ressaltando o quanto Levy era uma gracinha e que descobrira que o moreno conseguia ser gentil com mulheres. O Dreyar tentava se concentrar nas palavras ditas pela albina, mas as saudades que sentia daquela mulher era grande o suficiente para interrompê-la no meio de sua narrativa e começar uma série de amassos até que parassem no quartinho da mesma.

E, por mais que odiasse ter sua fala cortada, Mira admitia que nunca se sentiu tão feliz sendo interrompida.

—x-

A expressão de velório no rosto de Levy estava cada vez mais aparente. As olheiras tentavam ser encobertas desesperadamente por Lucy com pó de arroz, mas a tarefa não estava sendo fácil sem deixar a pequena noiva com o rosto branco como um fantasma. Noiva. A loira torcia ao nariz em pensar nesse termo para Levy sem que seu noivo fosse Gajeel. Não detestava Rogue, até criara simpatia pelo mesmo depois de saber de Kagura, mas aquilo estava descabido demais.

— Levy, por favor, esse vestido é tão lindo, não fique com essa cara. — a Heartphilia implorava, forçando um sorriso em sua face preocupada. — Não vai querer que Gajeel a veja assim quando ele chegar para interromper a cerimônia…

— Gajeel não virá. — a azulada afirmara, com a voz rouca. A garota mal falava e mal comia, além de fraca, quando era forçada a dizer algo sua voz não saía muito bem. Lucy arregalou os olhos.

— Não diga isso, Lev… Gajeel vai chegar a tempo, sei que vai. — a mais alta não estava tentando animá-la, mas acreditava piamente naquilo.

— Ele me abandonou, Lucy… Gajeel mentiu.

O desamparo que pairava na McGarden fazia o coração de Lucy apertar a ponto de ela achar que explodiria. Uma semana decisiva como aquela provocou os sentimentos mais obscuros e sombrios na amiga, que havia ficado bem nos primeiros dois dias, até ser consumida pela depressão. Os pesadelos eram frequentes, não havia o que Rogue dissesse ou tentasse fazer que a tirava do clima de enterro, nem falar no moreno a deixava feliz por míseros segundos. O problema é que todos estavam muito complacentes a situação da pequena, Lucy, Natsu, Rogue… Ninguém havia dado um choque de realidade em Levy para respeitar seus sentimentos, mas aquilo estava tomando proporções assustadoras.

— Escute bem, Levy McGarden. — a voz insegura de Lucy tornara-se firme e pegara com ambas as mãos os ombros da garota a sua frente. — Gajeel Redfox se propôs a ir até Crocus caçar a ex-noiva do Rogue para impedir o casamento de vocês dois. Ele fez isso por amor, menina, mesmo que soubesse que você sofreria longe dele e ele de você. O Gajeel vai chegar a tempo, pois, se não fosse, ele estaria aqui em Magnólia desde o começo assistindo você ser entregue a outro sem fazer nada. Pare de drama, já passou mal o suficiente nessa semana!

As palavras da Heartphilia pareceram estourar a bolha na qual Levy estava se isolando do mundo, fazendo o brilho retornar aos seus olhos opacos. Olhando-se no espelho, encarou aquilo não como o fim de sua felicidade, mas sim como uma batalha prestes a ser travada. E vencida.

— Pois bem, pois bem. — suspirara. — Ajude-me a terminar de vestir essas coisas, Luce.

— Com todo prazer.

E dentro de poucos minutos, Levy McGarden estava de vestido, véu e grinalda, pronta para esperar Gajeel adentrar aquela igreja com Kagura a qualquer momento.

Notas finais
"Mas como assim já estamos no fim, Juh?" Bem, a treta principal da fic ta chegando e logo será resolvida, depois desse teremos o último capítulo e provavelmente 1 ou 2 epílogos (depende de qntas palavras vai ter e se vai caber todo mundo num só kkk). Agradeço de paixão a todos que vem acompanhando e comentando, o carinho de vocês na minha volta de fic-writer foi e é essencial ♥ Quando acabar Satisfaction vou focar Prófugos (atualmente postada só no Social) e tenho mais dois projetos de fics GaLe (uma long-fic e uma short-fic), a short-fic provavelmente vai ser postada assim que for concluída, lá pelo fim de maio, creio eu. Terá uns 5 capítulos e, claro, ambas serão universo alternativo. Mas então, pessoal, se eu começar a postar Prófugos aqui vocês vão querer ler? Tem como foco GaLe e Gruvia, vou deixar o link de lá aqui caso se interessem ♥ https://spiritfanfics.com/historia/profugos-6745158