Satisfaction

28 Final - Satisfação


Notas iniciais
PESSOAL, eu sinto muito mesmo! Concluí a história no Social e esqueci de vocês kkkk desculpa, sério. Enfim, espero que gostem muito deste capítulo assim como eu gostei de escrevê-lo, na época estava sem computador e escrevi esses 4,8k de palavras com meus polegares hehe Boa leitura e até as notas finais!

Em cerca de duas horas, a Catedral de Magnólia já estava devidamente decorada e preparada para a cerimônia de casamento entre Rogue Cheney e Levy McGarden às dez horas da manhã daquele mesmo dia. Os jornais da cidade estampavam, com letras chamativas, a notícia em suas primeiras páginas, pois o maior solteirão da metrópole finalmente se casaria. Ah, se soubessem da metade da história. As coisas decorreram em tão pouco tempo que, ao repassar os detalhes mentalmente, Levy sentia-se nauseada.

Encontrava-se na sala principal do ateliê de Natsu, com as devidas roupas de baixo no corpo, apenas aguardando a chegada do alfaiate com seu vestido matrimonial e encarando a jovem pálida e abatida no espelho. "Esta sou mesmo eu?" ecoou em seus pensamentos. Sentia-se tão cheia de vida com Gajeel e forte o suficiente para enfrentar todo e qualquer problema ao seu lado que a falta do moreno por aquela curta semana fora o bastante para sugar suas energias e fazê-la perceber o quão fraca era. Lucy Heartphilia, sua madrinha e melhor amiga, já estava dentro do vestido de cetim salmão cheio de rendas e mangas compridas, devido à chegada do inverno.

Tinha os cabelos loiros presos num coque alto e usava ametistas em seus colares e brincos dourados. Quando a McGarden encontrara o olhar da Heartphilia no espelho, sentiu vontade de chorar e cair nos braços da amiga. Esquecera de como a loira conseguia ser compreensiva e empática e não estava preparada para isso naquele instante.

— Ele não falhará, Levy. Tenha fé. — a voz melodiosa da mais alta soou como um alento no recinto, e antes que a azulada pudesse formular uma resposta, o Dragneel já voltara ao local com o vestido de noiva em mãos.

— Bem, eu sei que o clima aqui é de velório, mas também peço que tenha fé em Gajeel, Levy. Ele não a deixaria escapar tão facilmente. — o rosado sorriu de forma torta pela suposta intromissão, mas julgava necessário manifestar sua opinião naquele momento. — Além do mais, não fiz este vestido tão lindo para você para que ficasse tão emburrada dentro dele. — Natsu fez beicinho e conseguiu arrancar uma risada de Levy. Tal fato fez ele e Lucy trocarem um olhar cúmplice.

Dentro de pouco mais que quarenta minutos, a noiva já estava dentro de todas as anáguas, armações e babados que aquele vestido poderia ter. Pequenas safiras haviam sido pregadas ao corpete com esmero, e pensou no que Natsu disse, que aquele vestido havia sido feito para ela, e não para uma noiva padrão. Lamentou o fato de mal conseguir mexer-se dentro do traje, se seu amado falhasse, a tarefa de sair correndo para sabe-se Deus onde seria bem complicada.

Concluído seu trabalho, Natsu observava, admirado, o seu projeto que saíra do papel em tão pouco tempo e ficara melhor do que esperava. O pequeno corpo de Levy, com sua pele pálida, fazia com que ela parecesse uma pequena e frágil boneca de porcelana e se pegou pensando em como Gajeel não tinha-na quebrado ainda. Desviando a atenção da menor, dirigiu-se à Lucy, cumprimentando-a ao pegar sua mão direita e depositar um beijo em suas costas.

A paixão que estava sentindo pela bela nobre crescia de forma desmedida desde que dançaram juntos no jardim dos Cheney poucas semanas atrás. Era cômico como parecia que fora há tanto tempo, como em outra vida, e mal passara-se uma lua.

— Está muito formosa, minha dama. — sorriu com seu melhor sorriso galante. As bochechas da loira ruborizaram, mas ela lhe devolveu o sorriso atrevido e lhe fez uma mesura, respondendo:

— Se me permite retribuir o galanteio, o senhor também não está nada mal, nobre cavalheiro.

— Ai de mim! Mas que pecado seria não permitir que tal bela criatura elogiasse a minha pessoa! — Natsu fez uma pose de ator e Lucy riu, os dois estavam bobos um pelo outro de forma totalmente indiscreta. Levy, descendo do pedestal no qual estava, limpou a garganta para chamar a atenção dos pombinhos.

— Perdão interromper o ensaio de Romeu e Julieta, mas quem irá arrumar meu cabelo?

— Eu! Perdão a demora, senhorita McGarden! — a jovem albina que trabalhava com o Dragneel adentrou, às pressas, a sala do ateliê. Lembrar que Lisanna era a irmã mais nova de Mirajane deixava a jovem saudosa em relação à governanta. — Sente-se aqui, por favor.

Assentindo, Levy foi, obediente, à banqueta de almofada cor vinho em frente à grande penteadeira do cômodo, a qual nem havia notado anteriormente. Lisanna possuía o que diziam ser "mãos de fada". Penteou seu cabelo para trás de forma delicada e cheia de firmeza, prendendo-o em umas partes e soltando-o em outras. Ao final, Levy possuía uma fita branca de cetim segurando sua franja enquanto cachos azuis caíam ao redor de seu rosto, o resto do cabelo preso por grampos. O véu fora feito de forma que seria preso à sua fita, e logo Levy viu-se quase irreconhecível novamente no espelho.

Uma boneca num vestido branco de corpete justo cheio de safiras, saias armadas em diversas camadas, renda branca cobrindo seu colo e seus braços, mangas bufantes nos ombros, mais rendas. Não era necessária joia alguma em seu traje, estava pronta, exceto a falta temporária de sapatos. Sentia-se como uma protagonista daqueles livros que costumava ler quando ainda morava em sua casa, prester a ir, secretamente, a um baile conhecer aquele que seria o amor de sua vida.

A diferença é que estava sendo obrigada a se casar com seu amigo de infância graças à ganância de sua progenitora enquanto o amor de sua vida corria contra o tempo para impedir a cerimônia. Realmente, Levy não era uma mocinha convencional.

"Esteja chegando, Gajeel..." apelou em silêncio.

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A carruagem chacoalhava sem parar pelas ruas de granito de Magnólia devido a velocidade na qual os cavalos corriam. Kagura segurava-se da melhor forma que podia em seu assento enquanto Gajeel, pelo tamanho, apenas mantinha os músculos firmes em seu lugar. A moça ignorara o triste destino que seu chapéu tivera ao sair voando pela janela, tendo sua ansiedade como combustível contra o sono e a fome que lhe atormentavam. O silêncio entre o advogado e a mulher não era desconfortável, mas a tensão de ambos chegava a ser palpável. Já próximos do centro da cidade, Gajeel gritou para o cocheiro parar e ajudou a Mikazuchi a descer da carruagem, com as pernas um pouco bambas graças as intermináveis horas que passou sentada.

— A catedral é duas quadras à frente, creio que esteja com fome. — Gajeel comentou e a morena teve de assentir, ouvindo seu estômago roncar. — Vamos.

Em poucos passos estavam em frente a uma pequena espelunca, de portas abertas. Seguindo o homem, Kagura percebeu uma mulher de pele bronzeada e cabelos ondulados castanhos limpando um caneco com um pano branco atrás de um balcão. Imitando os gestos de Gajeel, sentou numa das banquetas e limitou-se a observar tudo, um pouco grogue.

— Mas só se for pelo espírito de Barba Negra, quem é vivo sempre aparece! — a mulher atrás do balcão sorriu ao notar o Redfox a sua frente.

— Bom te ver, Cana.

— Papai me contou dos seus pedidos de extrato de pâncreas, sua mãe ainda...?

— Ela faleceu há um tempo, já. Não foi para ela que pedi. De qualquer forma, avise Gildarts que vou precisar de mais com frequência. Veja um café preto para mim e Kagura, por favor.

— Claro, vocês parecem bem abatidos. Estiveram viajando? Ela é o que, sua namorada, é, espertinho?

A presença de espírito de Cana Alberona era impressionante, mesmo para Gajeel, que a conhecia há tanto tempo. Calhou bem o fato da espelunca que possuía para se sustentar ser próxima de seu objetivo, de lá iria correndo para a catedral e ele e Kagura cumpririam sua missão. Tomando o líquido quente com calma, Gajeel explicou brevemente para a amiga os ocorridos dos últimos meses, especialmente do mês passado.

— Uau, então você e a moça aí vão para uma missão de amor? Que lindo! Toda sorte do mundo a vocês, ninguém merece ficar longe de quem ama. Não que eu saiba como é ter alguém, mas enfim, não importa. O rum nunca me deixa. — Cana deu de ombros, cruzando os braços sobre o balcão.

— Você sabe que horas começa a cerimônia, Cana? — Kagura finalmente se manifestara, depositando a xícara vazia na superfície de madeira.

— Claro, desde que amanheceu os jornais falam sobre "o casamento do ano". — respondeu, fazendo aspas com as mãos e catando um jornal debaixo do balcão. — Aqui diz dez horas.

— E que horas são? — Gajeel perguntou despreocupadamente.

— Hm, deixe-me ver... — Cana se pôs nas pontas dos pés para ver melhor no relógio-cuco. — Por todos os santos, é dez e quinze!

— Certo, eu pago você depois de tudo isso, agora vamos. — o sangue gelou nas veias do moreno e pegou Kagura pelo pulso, saindo correndo com a Mikazuchi bar afora.

Pelo que sabia sobre os casamentos realizados na metrópole, não duravam mais que meia hora e já havia se passado quinze minutos. Tinha que dar tempo. Gajeel soltou o pulso de Kagura, que segurava as saias do vestido enquanto corriam o máximo que suas pernas permitiam dentro daquelas roupas de baixo desconfortàveis. Cabelos ao vento e muita pressa caracterizava as duas figuras que atravessavam as quadras que os separavam da catedral de Magnólia, e o Redfox notou que encontrava-se sem seu casaco e muito menos sem chapéu, mas, bem, formalidades a parte, aquilo era uma situação de extremo risco.

— Gajeel, não vamos chegar a tempo! — a voz da morena se fez ouvir um pouco atrás do homem contra o vento gelado de início de inverno.

— Temos que chegar!

Mais alguns segundos correndo e já podiam avistar a igreja em toda sua opulência com sua escadaria gigantesca para as portas da frente, que estavam abertas.

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A cerimônia decorria-se de forma tensa, tediosa e desesperada para os noivos. Rogue estava incrivelmente elegante em seu traje negro, também feito com esmero por Natsu, mas se Levy soubesse o quanto o moreno sentia-se sufocado dentro do colete e do casaco em si pensaria duas vezes antes de elogiá-lo. O padre tinha mais de oitenta anos, certamente, pois mesmo lendo o missal demorava-se em cada palavra, como se fosse estrangeiro — ou como se sua dentadura estivesse solta.

A McGarden optou pela segunda opção. Sua mãe jazia numa cadeira ao lado de Reywards e Jenna Cheney, do outro lado onde Natsu e Lucy — os padrinhos — estavam sentados. O sorriso triunfante de Elevínia era perceptível a qualquer um e a mulher não fazia questão de esconder sua satisfação em entregar sua filha num casamento infeliz e sem futuro para voltar à vida de riqueza e ostentação que tivera outrora. O tempo arrastou-se e a cada cinco minutos Levy se pegava olhando de canto para a entrada da igreja, o estômago preenchido por borboletas invasivas. Começou a suar frio e a sentir tontura. Percebendo o estado da amiga de infância, o Cheney primogênito pegou sua mão esquerda e lhe afagou as costas para acalmá-la. Os convidados que presenciaram a cena foram levados a acreditar que não passava de um casal jovem apreensivo com o matrimônio, e não dois amigos de infância esperando seus amados para fugirem daquele destino vil que lhes foi arquitetado.

O padre estava aproximando-se da parte em que fariam seus votos e dizer o "sim" talvez tenha sido o trabalho mais complicado que Levy pensou em realizar. Não... Estar nessa loucura por si só já era complicado. Manteve a esperança conforme a cerimônia decorria, independente de quão ínfimas as chances de Gajeel vencer fossem. Estava pronta para reunir saliva o suficiente para repetir as palavras do padre quando um alvoroço às portas da catedral lhe chamou atenção, e achou que iria desmaiar de tanto alívio.

— Volte para o inferno do qual saiu, sr. Redfox! O senhor e essa, seja quem for, não são bem-vindos! — Elevínia levantou-se e bradou para todos ouvirem, apontando com desprezo para os penetras maltrapilhos e suados.

Um olhar tenso, porém repleto de felicidade, foi trocado entre Rogue e Levy, e então ela pôde finalmente encarar seu amado depois de tantos dias. O advogado já esteve em estados melhores, mas só de lembrar que ele estava se sujeitando a tudo aquilo por ela fazia seu coração quase saltar de seu peito. Percebendo o olhar de sua baixinha para si, Gajeel lhe deu seu melhor sorriso malicioso de quem estava para aprontar, todavia estivesse sendo preso pelos braços pelos guardas.

— Sr. Redfox, srta. Mikazuchi, mandarei que os guardas lhes soltem se aceitarem retirar-se até o fim da cerimônia. — Reywards levantou-se e, com muito mais compostura que Elevínia, manifestou-se.

— Para o caralho com esse falatório, Reywards! Você me silenciou por muitos anos! — Kagura gritou, livrando-se ela mesma do guarda que a prendia de forma nada delicada.

— Essa é a minha tigresa. — Rogue murmurou cheio de orgulho e amor reprimido durante todo aquele tempo e, embora tenha falado baixo o bastante para que ninguém ouvisse, Kagura lhe sorriu. — Solte o sr. Redfox, por favor. — o rapaz pediu com a voz imponente e o guarda obedeceu imediatamente.

— Mas esperem, ainda não chegamos na hora em que os que possuem algo contra o casório se manifestam. — o padre disse, sôfrego, ajeitando os óculos no rosto.

— Pois bem, prossiga até essa parte então! — Gajeel gritou para que o velho lhe ouvisse com clareza, logo em seguida espreguiçando-se à vontade e aguardando com as mãos na cintura.

— C-certo! — assustado pela autoridade do homem a poucos metros longe de si, o sacerdote seguiu com o missal e Levy e Rogue disseram "sim" apenas para completar o teatro, recusando-se a assinar todo e qualquer papel.

— Ótimo, se há alguém contra este casamento fale agora ou cale-se para sempre. — o Redfox uniu as mãos numa sonora palma e esfregou-as, andando pelo corredor central e observando os convidados, atônitos. — Eu e Kagura temos. — olhou sério para as cadeiras onde o casal Cheney jazia tenso e Elevínia raivosa.

— Pois prossiga, então! Quem não deve não teme! — a McGarden mais velha gritou, impaciente, e Kagura sorriu em escárnio.

— Se eu fosse você não diria tal frase diante dos Cheney, senhora. O que trago comigo é a árvore genealógica da minha família por três gerações. O mesmo sangue ao qual seu marido pertence, Jenna. — a Mikazuchi desenrolou o papel de pergaminho com a origem de sua família, tida no começo por Mavis e Zeref Vermillion.

— M-mas isso...

— Você sabe muito bem. O que tenho a lhes revelar, caros senhoras e senhores, é o maior golpe cometido em toda a Magnólia. Mas antes, vamos contar uma historinha. — Kagura sorriu triunfante, e Reywards pulou de sua cadeira antes que ela prosseguisse.

— Pare! Eu lhe dou todo o dinheiro que desejar, mas não revele algo tão particular!

— O dinheiro já é meu por direito, Reywards. Posso continuar com a minha narrativa ou você mesmo prefere contar a todos o que fez com Skiadrum e Grandine? — burburinhos preencheram a igreja. Mais de quinze anos haviam se passado e o desaparecimento do casal ainda era um mistério, assim como de Metallicana Redfox, pai de Gajeel. Visto o silêncio no qual o Cheney permaneceu, Kagura disse: — Foi o que pensei.

"Skiadrum foi um dos três filhos de Mavis e Zeref Vermillion. Um dos mais brilhantes, inclusive. Graças à sua exploração e estudos sobre motores a vapor, conheceu sua esposa, Grandine. Prosperaram com as indústrias Vermillion e fizeram a maior fortuna que Magnólia já viu, e tiveram apenas uma filha, Lola, minha mãe. Enquanto isso, antes mesmo de eu ser concebida, o irmão do meio, Weissologia, teve Jenna, que casou com Reywards Cheney, e logo tornaram-se os sobrinhos preferidos de Skiadrum e Grandine, visto que o irmão mais novo, Acnologia, partiu de Fiore antes mesmo de casar-se."

— Pare! Por favor! — foi a vez de Jenna implorar.

— O remorso dói, não é, Jenna? Vou fazer a mesma proposta que fiz ao senhor seu marido. Quer você mesma contar o que fizeram a Skiadrum e Grandine? — a ira na voz de Kagura era palpável, mas a mulher não oscilou igual seu marido. Ergueu a cabeça e assentiu. — Ótimo. Weissologia era conhecido pela coragem, pelo menos você ainda carrega seu legado. Agora confesse, Jenna. Em alto e bom som.

— N-nós... Soubemos de um navio que partiria de Crocus para a costa norte de Fiore, e demos a viagem para o titio e a titia como presente de trinta anos de casamento...

— Por que você e Reywards seriam tão caridosos, Jenna? — Gajeel tomou as rédeas ao perceber Kagura tremendo de raiva e segurando-se ao máximo para não avançar nos Cheney.

— U-uma notícia de furacões e tempestades violentas na costa norte ch-chegaram aos nossos ouvidos e... Reywards achou que seria uma boa oportunidade para...

— Vamos, diga. Sem medo. Você e seu marido não tiveram remorso na hora de sentenciar os Vermillion à morte! — o advogado rosnou e a mulher encolheu-se na cadeira, derramando lágrimas desesperadas. — Ela não vai falar mais, Kagura. — Gajeel constatou ao ver o estado de Jenna, e a morena relaxou os ombros, parecendo ter tomado o controle de si mesma novamente.

Os momentos de silêncio foram suficientes para unir os pontos da história de Kagura com a confissão de Jenna, e Rogue, ainda do altar, olhava incrédulo e enojado para seus pais. Nunca imaginaria que o fardo que sua amada carregava era tão grande. E se Gajeel e Levy não tivessem se conhecido? Estariam eles ali, com toda aquela sujeira exposta? Ele, que sempre fora tão cético, passava a acreditar no dito destino.

— Era nisso que a senhora iria me envolver?! Era em fortuna suja de sangue inocente que a senhora queria ascender novamente?! — Levy desceu do altar a passos firmes e decididos em direção à sua mãe, que estava sem reação nem ação.

— E-eu juro que não sabia de nada, filha!

— É claro que não sabia, é uma egoísta! Só pensa em si mesma e no próprio bem estar, para o caralho com sua ganância, Elevínia! — a azulada quase gritava com a voz repleta de raiva, chutando os saiotes por baixo de seu vestido. Se soubesse que seria tão libertador enfrentar sua progenitora depois de tantos infortúnios, teria feito antes. Assim que voltou a si repreendeu-se mentalmente pelo palavrão dito, mas a mão de Gajeel em seu ombro e seu olhar orgulhoso a deixou mais calma. Trocaram um breve sorriso e voltaram à seriedade da situação na qual se encontravam.

— E então, como prosseguimos, sr. Redfox? — Jenna, já livre de seu surto, perguntou com a voz firme e levantando de seu lugar, com a postura reta. — Não quero que depois de tudo meus filhos vejam os pais se acovardarem. Levante-se, Reywards, assuma seus erros.

— Ser nobre agora não lhe alivia a culpa, mulher! — Kagura cuspiu, o rosto vermelho com vestígios de algumas lágrimas que caíram minutos atrás.

— Estou certa disto, Kagura. Como a neta de Skiadrum e Grandine, você mesma disse, a herança é sua por direito. O senhor é advogado, não é, sr. Redfox? Pois providencie a papelada necessária para que Reywards passe todos nossos bens e dinheiro para ela, e depois faça os devidos procedimentos jurídicos.

— Você quer dizer ir em cana, não é? — Gray, que estava sentado com Juvia no meio dos convidados, levantou-se, com o distintivo em mãos. — Além de sócio de Gajeel Redfox, eu, Gray Fullbuster, sou detetive e policial. Logo, creio que agilizamos muitas coisas por aqui, não é mesmo?

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Seis meses depois, Reywards e Jenna Cheney já haviam sido postos em seu devido lugar, a cadeia. Kagura Mikazuchi, como a descendente viva mais próxima de Skiadrum e Grandine, recebeu todas as propriedades, bens e fortuna outrora roubados. Sua vida havia entrado nos eixos de uma forma que só imaginara ser possível em sonho, e lá estava ela e Rogue aproveitando a lua de mel depois de uma semana, finalmente, casados. Wendy passaria a morar com eles assim que voltassem à rotina normal, mas enquanto isso, a pequena estava com os avós paternos no campo.

Gajeel e Levy passaram a morar juntos assim que casaram civilmente — duas semanas após o escândalo no qual culminou a prisão de Reywards e Jenna — destituindo a guarda de Elevínia da filha, e sua cerimônia religiosa estava marcada para a semana seguinte, um dia depois do casamento de Lucy e Natsu. O casal Redfox pensou em argumentar que era cedo demais, mas ao olhar para a própria história, quem eram eles para falar de tempo?

A diabetes de Levy mostrou-se um desafio maior quando, depois de um ano casados, ela engravidou. O extrato de pâncreas adquirido com Gildarts uma vez por mês mostrava-se eficiente, mas conforme a gestação evoluía, mais a azulada enfraquecia e ficava abatida. Gajeel ficou extremamente preocupado, chamando os melhores médicos de Crocus para acompanhar o meio e fim da gravidez de sua esposa, e, depois de nove meses de muita tensão, Levy deu a luz a um casal de gêmeos, os quais ela e o moreno deram o nome de Shutora — para a menina — e Yajeh — para o menino. Devido a fraqueza na qual a Redfox se encontrava, Mirajane ofereceu-se como ama de leite para as crianças, já que esbanjava saúde desde o nascimento de seu garotinho.

Oh, sim. Mirajane Strauss e Laxus Dreyar casaram-se, depois de anos enrolados, e seu filho já tinha um ano. Era loiro como o pai e energético como a mãe, Gajeel sentia-se feliz em ser padrinho de tal criança, ainda mais porque os gêmeos amavam Edwin e podia brincar sem parar com os pequenos.

Alguns anos depois...

— Yajeh, desça já daí! — uma Levy já nos seus trinta anos gritava atrás do garoto, já mais alto que ela, de doze anos.

— Não vou cair, mamãe!

— Filho, por favor, essas escadas estão aí desde antes de eu conhecer seu pai, a madeira pode quebrar. — a mulher advertira, apreensiva com a altura na qual o filho estava longe do chão. A biblioteca sempre fora o lugar preferido dos gêmeos, mas não imaginaria que se arriscariam tanto quando crescessem.

— Peguei! — ignorando a mãe, Yajeh deslizou os degraus da escada de madeira e se jogou em pé no chão, fazendo um estrondo assustador. — Viu só, mamãe? Estou bem.

— Por que não faz como a sua irmã e lê livros que não estejam tão altos? — Levy suspirou, parte de alívio e parte para conter a irritação. Yajeh era um pestinha desde sempre.

— Eu peguei este lá de cima também, mamãe. — Shutora, que estava sentada confortavelmente num dos sofás, manifestou-se.

— Tá, tá, eu desisto de vocês dois. — a Redfox ergueu as mãos em rendição e se retirou, rindo.

Voltando para a sala de estar, a azulada sentara-se na poltrona de Gajeel, com Pantherlily dormindo aos seus pés. Mesmo que vários anos passassem, certas coisas nunca mudariam. Uma delas era a enorme preguiça da pantera negra, que parecia achar-se um gatinho preto e não um felino de grande porte. Levy não parou para pensar quantos minutos passou refletindo, mas mãos grandes e quentes em seus ombros denunciavam que seu marido já havia voltado ao lar.

— Estão aprontando de novo? — Gajeel perguntou num tom brincalhão, massageando os ombros da esposa, que fechou os olhos conforme prosseguia o toque.

— Como sempre. Não me dão sossego igual o pai. — a mulher abriu os olhos para piscar em provocação ao Redfox.

— Deixe-me apenas dar um beijo nas minhas crianças que já te faço se arrepender dessas palavras, sra. Redfox. — Gajeel retribuiu a provocação, com exatamente o mesmo sorriso malicioso de tantos anos atrás. Levy amava isso nele. Estavam.envelhecendo juntos, criando seus filhos e o tempo parecia não passar.

— Mal posso esperar.

Naquela noite o casal Redfox se amou de forma apaixonada e urgente, era incrível como as vezes em que uniam-se num só ficava cada vez melhor a cada ano, talvez fosse o cuidado que eles tinham com seu relacionamento e evitar brigas sérias — já que discussões banais e trocas de farpas eram um tanto frequentes, ou talvez eles apreciassem tanto o ato que buscavam melhorá-lo cada vez mais. Sinceramente, o motivo não importava para nenhum dos dois.

Provavelmente o esforço físico feito tenha exaurido Levy em demasia, pois poucas horas depois um Gajeel e uma Mirajane preocupados seguravam os cabelos de Levy e uma bacia enquanto a mesma botava para fora todo o jantar. Mais uma gravidez, será? Desde o nascimento dos gêmeos a azulada passara por três abortos espontâneos logo no começo da gestação, Gajeel não queria que sua esposa passasse por mais dor.

Assim que Levy melhorara e conseguira tomar um caldo de frango que Mira fizera, a amiga pegara a mão daquele que foi seu patrão por tanto tempo e lhe lançou um olhar que possuía todo o significado do mundo.

— Ela não vai passar do inverno, Gajeel...

— Por favor, não vamos falar nisso de novo. Agradeço todo dia a Deus por mantê-la comigo saudável apesar de toda essa doença maldita... — o homem se interrompeu para evitar que lágrimas saíssem de seus olhos.

— Sabe que tenho grande amor e carinho por Levy, mas ela fez mais do que o diagnóstico de todos os médicos que a examinaram. Segundo eles, era para ela ter ido há muito tempo, em plena juventude, e veja só. Levy viveu o bastante para ver os filhos quase jovens! É um milagre, e as coisas não acontecem por acaso, Gajeel.

— Eu sei... Só... Dói pensar que vou perder a mulher da minha vida para a mesma doença que levou a minha mãe.

— Força. Talvez Levy aguente mais uns anos para ficar com você. Você sabe que é a força que a mantém viva.

— Obrigado, Mira. — Gajeel abraçou a albina, deixando-se chorar por alguns minutos. Até mesmo um homem como ele precisava desabafar.

— Está tudo bem. Qualquer coisa me chame, vou voltar para a cama porque Laxus me procura durante o sono. — dito isso, a Strauss deixara o Redfox velando o sono de sua esposa.

— Aguente mais um pouco, meu amor. — murmurou beijando sua testa e deitando ao seu lado sobre as cobertas.

— Não se atreva a me deixar... — Levy murmurou ainda sonolenta, aninhando-se no peito de Gajeel.

— Jamais.

Muitos anos depois...

O casal de irmãos estava de mãos dadas, segurando buquês de cravos e rosas nas mãos livres. À sua frente, duas lápides. Uma dizia "Levy Redfox, 08/09/1813-04/17/1856, Querida mãe e esposa" e a outra "Gajeel Redfox, 04/15/1807-08/09/1866, Pai e esposo dedicado".

— Não acha engraçado como eles morreram no dia do aniversário um do outro? — Yajeh comentou, soltando a mão da irmã e depositando as rosas no túmulo do pai.

— Engraçado? Papai ficou arrasado! — Shutora o repreendeu e, chorandinho, colocou os cravos brancos sobre o túmulo da mãe.

— Mas lembra de como ele ficou feliz antes de falecer? Mesmo dez anos depois da morte da mamãe ele continuou apaixonado por ela, e o sorriso no rosto dele... A forma como ele suplicou que não chamássemos um médico porque estava na hora de ver a mamãe... — naquele momento até Yajeh debulhou-se em lágrimas, escondendo o rosto no ombro da irmã.

— Eles estão juntos, isso que importa. Hoje fariam quarenta anos de casados... Gosto dessa tradição de trazer flores aos dois nesta data. — Shutora enxugou o próprio rosto com as mangas do vestido.

— Bem, vamos. Tio Natsu e tia Lucy estão esperando, além de Edwin e Mina.

— Quem diria que nos casaríamos com os nossos tão "detestáveis" primos? — a moça fez graça, acompanhada de seu irmão. — Pelo menos papai viveu até me levar ao altar.

— Não que ele apoiasse muito você e o Edwin, não é, Shu? — Yajeh provocou.

— Pais, Yajeh, têm ciúmes de suas garotinhas indefesas.

— Indefesa? Essa é boa. Você sempre ganhou nossas brigas quando éramos crianças!

— Ai ai, quando Mina der à luz você vai entender o que digo.

— Como você sabe que será menina?

Shutora parou de andar e deu de ombros.

— Intuição feminina.

— Claro, esqueci que você foi cartomante em outra vida!

— E se tiver sido?

A provocação entre os irmãos persistiu até adentrarem o carro, onde o — velho — casal Dragneel esperava com os devidos esposos dos gêmeos Redfox, para depois seguirem a confeitaria Lockser. Sim, isso mesmo. Juvia realizara um sonho antigo de abrir uma confeitaria com seu nome de solteira e Levy amava comer ali com Gajeel. Toda data especial era comemorada ali, e o legado permaneceria com seus filhos até os filhos de seus filhos até que alguém esquecesse.

Fim!

Notas finais
Dei ctrl c ctrl v nas notas finais do Social, e lá ocorreu que muitos não entenderam o final da forma que gostaria, então, enfim. Pessoal, vocês nao tem noçao do qnto to feliz em concluir essa fic e em como fiquei emocionada conforme fui escrevendo o capitulo! Espero de verdade que voces gostem, botei todo o meu carinho por voces nessa fanfic e MDS OBG POR TUDO PESSOAL ♥ SEM VCS ISSO NAO SERIA POSSIVEL ♥ E serio, ouçam o Lust For Life, esse album me inspirou completamente a terminar o capitulo e a chegar a um final condizente à fanfic q fosse feliz/triste/emocionante enfim. AMO VOCES, NOS VEMOS EM PROFUGOS ♥ P.S.: Gajeel e Levy ficaram muitos anos casados, a tempo de ver os filhos crescerem e, no caso do Gajeel, casarem. Eu nao escrevi 5k de palavras com os polegares no celular pra geral chegar no final e chorar pq "eles morreram" sendo que foi algo q levou decadas e teve mt mais coisa no capitulo em si :/ To meio decepcionada mas faz parte... Eu queria muito que o final agradasse vcs, mas fazer oq, nao se pode agradar a todos e toda a alegria q eu tive em concluir esse trabalho foi por agua abaixo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!