Santuário Dos Condenados

8 Capítulo 8 AUTO-REVERSE


Notas iniciais
**** Amadas todas, perdão pela demora. Os motivos continuam os mesmos, acrescidos de outros. Mas, enfim, o que posso assegurar é que a fic não será abandonada. Esse é um compromisso assumido com vocês e comigo mesma, então fiquem tranquilas. **** O trecho que abre o capítulo é da música Auto-reverse do Rappa que coube, perfeitamente no clima da trama, assim como serviu de título também. **** Espero que gostem das revelações que irão interligando os personagens!! XD

Tá aqui e agora

No ar que rodeia
No som que nos cerca
No olho que vê
E não consegue tocar
Aí que tá o segredo, meu irmão...

O mesmo sonho, as mesmas sensações... Os olhos de Minos se moviam rapidamente, ele alcançara o estado R.E.M onde tudo se tornava mais vívido, enquanto os movimentos do corpo eram paralisados. No entanto, suas mãos agarravam-se ao lençol com força, enquanto ele ouvia a voz alterada de Albafica.

“Nossa história acaba aqui, será melhor para nós dois!”

Junto da voz, o olhar dolorido estava tão claro, como se ele estivesse revivendo a cena novamente. O homem que amava deixando-o com a simples explicação que “seria melhor”.

Por quê? Ao menos diga a razão! Você me deve isso, Albafica.

Acredite, Minos... Eu e você... Nós não temos nenhuma chance de fazer essa relação dar certo. E... eu tenho outros planos prá mim. Foi um sonho bom, mas acabou.

Subitamente, Minos acordou, seus olhos ainda estreitos e buscando acostumar-se com a escuridão do quarto. A lua cheia ainda lançava sua luz pálida sobre o chão e ele respirou fundo, sentando na cama e jogando as pernas para fora dela. Esperou um tempo, depois levantou e foi até a janela, avistando o mar banhado pelo brilho prateado do luar. Seus olhos se perderam nas ondulações da água e ele sentiu que sua respiração alterada voltava ao normal, enquanto a maresia refrescava sua pele.

Perguntou-se a razão do sonho e odiou sentir-se abalado por ele. Não sonhava há meses, tinha sempre muito trabalho em administrar aquele lugar e, ao mesmo tempo, orientar os projetos que criara. Desabava exausto na cama e, o mais comum, era ter poucas horas de sono e jamais se lembrar de seus sonhos. Talvez estivesse mais apreensivo que percebera ao receber a nova leva de presos que chegaria dali a alguns dias e também a visita oficial dele. O que ele queria, afinal?

Com um suspiro de frustração vestiu um roupão, mas continuou nu e descalço. Viu seu rosto refletido no espelho preso à parede, envolto em sombras e fez uma expressão de desgosto com relação a si mesmo. Mesmo depois de achar que não se importava, ainda nutria sentimentos contraditórios em relação ao ex-melhor amigo. Radamanthys sempre o apoiara em tudo, eram como irmãos. No entanto, não conseguia evitar o ressentimento que sentia da relação dele com seu pai. Radamanthys sabia quem Hades era, desde sempre e guardara segredo, deixando-o acreditar na fachada construída até o momento em que a tragédia se abatera sobre aquele que amava...

Quando descobrira, enfim, a verdadeira face de seu pai, acusara Radamanthys de traí-lo e ser um cão vira-lata, eternamente submisso e fiel. Rompera com ele e com Hades, mas, ainda assim, Radamanthys o ajudara ao aprovar a retirada de Albafica de uma prisão comum, enviando-o para o Santuário.

“Sou um cão obediente que ama os da sua matilha. Mesmo discordando dessa sua loucura, farei o possível para ajudá-lo.” Ele dissera. Em seguida, todas as providências para tornar possível a sua indicação como diretor daquela prisão experimental foram tomadas e ele pudera ficar próximo de Albafica, minimizando as consequências do encarceramento ao qual seu amante fora condenado.

Deixara uma carreira de sucesso, sacrificando-a para encarcerar-se com aquele que amava e, mesmo assim, nem isso fora o suficiente para que Albafica o aceitasse... Ele continuava recusando-o, odiando-o pelo simples fato de ele ser filho do homem que o colocara atrás das grades.

Será que jamais se livraria do estigma de ser filho de um homem que, assim como o deus Jano, tinha duas faces distintas?

Hades era um gângster e um filantropo, uma união perversa construída com total cuidado e eficiência. Crescera acreditando na face filantrópica do pai até descobrir que, além de manter um staff de gângsteres, ele financiava novos talentos em todas as áreas da ciência com o intuito de promover negócios escusos e firmar-se no submundo das drogas.

Albafica tinha sido uma destas descobertas e, a pior ironia, tinha sido ele quem o apresentara à Hades. Aluno prodígio, o jovem bioquímico fazia pesquisas com metilfenidato, uma droga da família da anfetamina a ser usada na indústria farmacêutica, quando haviam se conhecido na universidade.

Quando pousara os olhos nele, Minos sabia que estavam fadados a ser um do outro. Era inexplicável e intenso. No início, Albafica o ignorara, mas quando, finalmente o seduzira e o tivera na cama, a sensação que estavam ligados por algo muito além do prazer se confirmou. Tornaram-se amantes e o caso acabou chegando aos ouvidos de Hades.

Para sua surpresa, seu pai não agiu como esperava. Além de apoiar sua relação, interessou-se pelo trabalho de Albafica e disponibilizou um grande laboratório e uma verba considerável para que ele continuasse com suas pesquisas.

Tudo parecia perfeito, até a descoberta acidental que seus auxiliares estavam alterando as pesquisas e sintetizando metanfetamina pura. O que Albafica não esperava era que o próprio Hades liderava o esquema. Quando levou a situação a ele, foi orientado a continuar as pesquisas em troca de uma boa soma de dinheiro.

Eu me recuso a participar disso! Dissera Albafica.

Minos o ama e se este sentimento é recíproco, sugiro que se mantenha do nosso lado ou vou ter que destruí-lo. Não fará mais nenhuma pesquisa neste país. Respondera Hades.

Por alguns segundos, Albafica debateu-se com o significado das palavras de Hades.

“Sugiro que se mantenha do nosso lado...” soara como se Minos soubesse das atividades do pai. Fora usado? A paixão de Minos fora um ardil para colocá-lo dentro daquela situação? Não, Minos não seria capaz de fingir a paixão que os consumia. Ele não sabia de nada ou será que não queria admitir o duplo engano?

Albafica decidiu abandonar as pesquisas e Minos. Entretanto, Hades não deixaria um fio solto em sua trama. Na noite em que Albafica se preparava para partir, deixando tudo para trás, um dos pesquisadores foi encontrado morto e tudo levando a crer que o jovem bioquímico era o culpado.

A situação, rapidamente, se inverteu, Albafica foi acusado de sintetizar drogas e de assassinar o colega de pesquisas quando fora descoberto. O ardil de Hades se cumpriu, provas e testemunhas foram apresentadas, não permitindo nenhum questionamento que pudesse livrar o jovem pesquisador.

Ao saber de tudo, Minos não acreditou na versão de seu pai. Albafica jamais seria capaz de algo assim! Afirmara com toda a segurança. Ele usou você! Usou-me! Vou cuidar para que apodreça na cadeia. Rebatera Hades.

Foi então que Minos decidiu ficar de olhos bem abertos e prestar atenção em tudo que se relacionava com seu pai. Aos poucos, um mosaico foi se desenhando e ele descobriu que nada era como parecia ser. As descobertas acabaram destruindo a imagem do pai íntegro e zeloso para dar lugar a um homem cruel, líder de uma máfia muito bem orquestrada cujo estigma abrangia muito mais do que ele ousava imaginar. O confronto com Hades foi inevitável...

Eu sei quem você é, pai. Você incriminou Albafica! Tudo o que ostenta, essa fachada de filantropo, essa pose de benfeitor, é tudo mentira!

Tentei mantê-lo à parte de certas questões, mas vejo que falhei. Paciência, estamos no mundo real, Minos. Um mundo onde somente os mais fortes e aptos sobrevivem. Lei de Darwin! A questão é: de que lado você quer ficar? Dos fortes ou dos fracos?

Custo a acreditar no que estou ouvindo! Como ousa comparar força e fraqueza sob a sua visão distorcida do que é certo ou errado?

Certo e errado não são polos opostos! São apenas forças de que dispomos para usar, segundo, nossa coragem e instinto. Meu império mantém o equilíbrio natural da sociedade e você, como médico e pesquisador, sabe muito bem que os fins justificam os meios. Ninguém é santo, Minos! Nem mesmo você!

Você é louco! Me recuso a ficar aqui ouvindo essas barbaridades!

Não seja patético. Tudo o que tem é graças a mim.

Não, tudo o que eu tinha, você me tirou quando incriminou Albafica. A partir de hoje, esqueça que teve um filho! Eu não tenho como denunciá-lo. Nisso você foi perfeito! Mas não vou permanecer do seu lado. Nem hoje, nem nunca.

Tem certeza? Pense bem em suas palavras, Minos. Uma vez ditas, elas dificilmente podem ser revertidas.

Que seja! Tem gente influente fazendo vistas grossas para os crimes que comete! E tem o seu fiel cão de guarda para lamber os seus pés, sempre grato pelos ossos que você joga!

Se está se referindo à Radamanthys, saiba que ele é inteligente o suficiente para valorizar o que dei a ele. Melhor um cão que sabe ser grato, que aquele que morde a mão do seu dono!

Mais um suspiro e Minos voltou ao tempo presente. Tinha que manter o foco e deixar o passado onde ele deveria ficar. Foi até seu notebook que deixara na escrivaninha ao lado da cama. Ligou-o e checou se havia alguma mensagem para si. Reviu sua agenda e tornou a deitar. Fechou os olhos e a imagem de Albafica tornou a assombrá-lo com aquele olhar dolorido que fazia seu coração apertar... Você pode não querer ver, mas está se tornando igual ao seu pai.

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A suíte estava imersa em sombras. As velas já haviam se apagado e o discreto perfume que havia nelas mesclava-se com o aroma frutuoso do vinho e das peles ardentes que, horas antes, haviam se tocado de forma íntima.

Radamanthys acordou de súbito e olhou para o lado. Valentine continuava dormindo, alheio à preocupação que tomava espaço na mente do juiz.

Dali a alguns dias visitaria Minos, não por vontade própria e sim para cumprir uma missão dada por Hades. Jamais negava algo ao homem que lhe possibilitara ser quem era, mesmo que, em alguns momentos, desejasse fazê-lo.

Com um suspiro, Radamanthys voltou a fechar os olhos, enquanto relembrava parte de sua história, uma história escrita a fogo e que tinha sido lacrada em sua memória...

O riso rouco, às vezes histérico, ecoava na sala ampla que cheirava à bebida, sexo e cigarro. Pandora, uma atriz em decadência, dava uma última tragada, enquanto berrava ao telefone:

— Venha buscá-lo! Ele é seu filho! Eu não posso ficar com ele! Nenhum estúdio vai dar um papel a uma atriz que tem a porcaria de um filho pequeno prá cuidar!

Em alguns minutos que pareceram uma eternidade, ele chegou. Parecia um deus quando adentrou a sala vestindo um terno impecável, seu olhar imponente e frio. Seus olhos azuis acinzentados perscrutaram cada detalhe do lugar, de modo que, até mesmo bêbada, Pandora sentira o desprezo e a desaprovação dele como se fosse algo denso e palpável.

Depois de alguns segundos, o olhar dele o encontrou...

— Você afirma que ele é meu filho, mas é uma vadia que vende o corpo por dinheiro e drogas. Ele pode ser de qualquer um!

— Eu fiz o teste! O DNA não mente! – disse ela sacudindo um envelope. — Você diz que eu sou uma vadia, mas você trepou comigo durante anos e gostou! Eu nunca exigi nada, mas agora é diferente. Estou lhe dando um filho bastardo e quero ser muito bem paga para que esse probleminha fique, apenas, entre nós! – gritou Pandora soltando uma gargalhada, enquanto servia uma dose de uísque.

Hades leu, silenciosamente, o que havia no envelope. Depois olhou para o garoto franzino, encontrando raiva, medo e dor nos olhos dourados. A comunicação foi imediata, como se ambos estivessem predestinados...

— Quer vir comigo? – perguntou ele.

— Quero.

— Sabe o que isso significa?

— Que ninguém mais vai me machucar... Não é?

A resposta veio carregada de ressentimento e esperança. Ele tinha, apenas, sete anos, mas já vivera toda a sorte de abuso, humilhação e perversidade. Quando Hades lhe estendeu a mão, ele aceitou. E quando viu dois homens entrando e segurando Pandora, um pequeno sorriso se formou na boca pequena. Exultou quando ela arregalou os olhos ao perceber o que aconteceria.

Finalmente, ela pagaria por tudo o que havia feito.

Ela podia tê-lo gerado, mas não era sua verdadeira mãe.

Uma mãe amaria e protegeria seu filho de todos os males. Uma mãe não deixaria que fosse abusado e machucado por homens drogados e depravados. Uma mãe não deixaria seu filho com fome e chorando, enquanto transava com todo o tipo de gente. Uma mãe jamais odiaria o seu filho, a ponto de vendê-lo!

Não, ela não era sua mãe!

Uma dose de heroína com veneno e Pandora deixou este mundo. E ele... Ele não sentiu nada. Nada, além de alívio, quando ela respirou pela última vez e ele teve a certeza que ela nunca mais iria feri-lo.

Hades observou-o, atentamente. Havia algo de si, nele. Era forte e, ao mesmo tempo dono de uma frieza sutil. Uma fagulha insana que indicava sua audácia e seu potencial.

— Não posso reconhecê-lo, mas não o deixarei desamparado. Eu cuidarei da sua educação e você terá tudo o que um homem pode desejar. Mas jamais o chamarei de filho e você jamais me chamará de pai. Esse acordo nunca poderá ser rompido ou você terá o mesmo destino que esta mulher. Entende isso e aceita?

— Sim senhor.

— Ótimo. Venha comigo e esqueça o passado. Sua vida começa agora.

E assim foi feito. Ele foi matriculado em um dos melhores colégios internos. Aprendeu a defender-se e tornou-se aluno exemplar. Foi tão brilhante que, ao sair, Hades tomou a decisão de trazê-lo para perto, fazendo com que convivesse com Minos, oportunizando que se tornassem amigos e assim desfrutar de uma convivência que se revelou profunda e bem-sucedida. Para todos os efeitos, o filantropo Hades apadrinhara uma das muitas crianças que haviam sido abandonadas e sua imagem de benfeitor adquiriu mais brilho e destaque... Simples e perfeito.

Sem ter a mínima ideia do que acontecia com seu amante, Valentine virou-se, apoiando a cabeça no ombro de Radamanthys. O ato rompeu com as lembranças e o juiz envolveu-o num abraço, tocando-o no rosto. O jovem abriu os olhos e sorriu.

— Bom dia... – disse ele com a voz enrouquecida.

— Bom dia. – respondeu Radamanthys.

Ignorando que acabava de acordar, Valentine beijou os lábios do juiz com a mesma paixão que demonstrara na noite anterior. Radamanthys correspondeu, deixando que a emoção tomasse conta de seu coração e corpo. Aquele homem era sua âncora, sua única ligação com sentimentos que podiam ser expressos.

Muitas vezes desejara contar a Minos que era seu irmão, fazê-lo entender o tipo de homem que Hades era. Não importavam os meios, no final, ele tornava todos que acreditavam nele, vencedores, e ele mesmo era a prova viva disso.

No entanto, o acordo com Hades sempre seria mais forte que qualquer coisa ou desejo que tivesse. Não por medo da morte ou perda de status e sim por amor. Um amor tortuoso, forjado na reverência que nutria por aquele que o libertara da vida corrompida que levava ao lado daquela mulher que se dizia sua mãe.

— O que você tem? – perguntou Valentine franzindo o cenho ao interromper o beijo.

— Nada. Por que a pergunta?

— Não sei... Seus olhos, eles...

Radamanthys não deixou que Valentine terminasse. Jamais se mostraria frágil ou vulnerável. Agarrou-o com selvageria e o beijou novamente, marcando-o com carícias sôfregas, até penetrá-lo com fúria e sentir-lhe a entrega.

— Nada mais importa a não ser ficar assim... dentro de você. – disse Radamanthys, enquanto começava a mover-se e dar prazer ao homem que amava.

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Todos estavam no pátio, até mesmo Dégel usufruía do sol matutino antes de trabalhar na enfermaria. De vez em quando olhava na direção de Kardia que conversava com Jabu, Máscara da Morte e Aldebaran. Tinha de ter cuidado para manter o acordo que haviam feito. Estavam juntos, mas não deixariam o relacionamento exposto aos demais. Dizia a si mesmo para não agir como um adolescente e policiava-se para não deixar transparecer o que sentia por aquele grego insano.

Kardia passava as instruções para Jabu e, de vez em quando, olhava para Dégel que começava a ser cercado por alguns homens. De imediato seu corpo retesou, mas em seguida relaxou, vendo que o médico começava a ser respeitado ali e apenas conversava com os outros detentos.

— É, parece que o nerd conquistou seu espaço por aqui. – disse Máscara.

— Ele tem ajudado bastante e não é arrogante. O pessoal tem comentado isso. – completou Aldebaran.

O grego ouvia os amigos e cuidava a movimentação ao redor de Dégel. Foi quando notou que Misty passava por eles, evitando olhá-los e parecendo irritado.

— O que aconteceu com a Sereia? perguntou Kardia.

— Sei lá, o Misty tá estranho. Sabe alguma coisa sobre isso, Aldebaran? – falou Máscara da Morte.

— Ele anda carrancudo desde que o Dégel voltou prá ala. – respondeu o brasileiro dando de ombros.

Máscara da Morte riu.

— Tá explicado. O negócio é contigo, grego. Sabe que ele arrasta a asa pro teu lado e deve estar mordido com a tua história com o nerd.

— Que história? Tá vendo coisa demais, italiano. – falou Kardia.

— Ah, tá. Vou fingir que não sei da nada e que não noto que a cada segundo o teu olho espicha na direção do médico.

Kardia franziu o cenho e olhou para Aldebaran que fez uma expressão de“eu não disse nada”.

— Escuta aqui, não tem nada entre eu e o Dégel, entendeu? Não fica falando merda.

— Ok, não tá mais aqui quem falou. – disse o italiano sorrindo e acendendo um cigarro.

— Vou lá falar com o Misty. Jabu, você sabe o que fazer, não é? Aldebaran vai te dar cobertura. Máscara vê se acha o Afrodite por ai, eu quero falar com ele.

O rapaz que era novo no grupo assentiu e saiu junto com Aldebaran. Era hora de recolher a féria das drogas distribuídas.

Máscara, por sua vez, exultou por ter um motivo para falar com Afrodite. Desde o episódio na cela,os dois haviam ficado um tanto estranhos, cada um no seu canto e, apenas, falando o essencial. Era bom ter conseguido uma desculpa para se reaproximar do loiro que mexia com o seu corpo e com sentimentos tão fortemente mascarados pela forma grosseira com que o tratava. Precisava dar um jeito naquela situação, pois transar com Misty já não o satisfazia como antes. A imagem de Afrodite sempre aparecia na hora H e tinha que morder o lábio para não deixar escapar o nome dele...

Longe dos amigos, Misty gesticulava e ria junto de um pequeno grupo que tentava negociar um encontro.

— Misty, a gente precisa conversar. – disse Kardia se aproximando.

— Estou ocupado fazendo negócios. – falou o loiro sem olhar para o grego.

— Pois agora, o teu negócio é comigo. – insistiu o grego pegando Misty pelo braço.

Os homens olharam para Kardia e, em seguida, dispersaram sem insistir na conversa, afinal o grego era o chefe. Misty bufou e só então encarou o grego.

— Pelo visto, além de mentiroso, agora deu prá atrapalhar a vida dos outros! O que você quer?

— Como assim mentiroso? Eu nunca menti prá você!

— Ah, é, machão do Santuário! Então me diga o que aconteceu com a regra: Eu não beijo homem? falou Misty engrossando a voz.

— Do que você está falando?

— Eu vi você beijar o Dégel!

A cor fugiu do rosto do grego. Ele franziu o cenho e encarou o olhar fuzilante de Misty.

— Aquilo foi... um deslize. Eu não...

— Nem tente me enrolar! Eu não sou idiota, grego! Quer saber o que me dá raiva? Você transou comigo e sempre veio com essa história de não beijar. Até então eu acreditava na sua conversinha de hétero mal resolvido! Mas você estava mentindo e quando eu vi você beijando aquele nerd sem graça, foi como... como se eu tivesse uma doença ou fosse alguém repugnante! Você me magoou e eu te odeio!

O desabafo de Misty deixou Kardia aturdido. Até então, via o loiro como alguém que tinha muitas conexões ali dentro e que escolhera ser a puta de todos. Não se achava importante na vida dele, a não ser por ser o chefe ali.

— Escuta aqui, eu não tava mentindo! Misty... você foi o primeiro com quem falei aqui dentro e o primeiro homem que eu comi. Eu não sei explicar, eu... Eu continuo não sentindo atração por homem e estou sendo sincero contigo. Eu gosto do Dégel!

Misty olhou para o grego. Ele parecia sincero e aquilo o desconcertou. Tinha uma queda por Kardia, gostava de transar com ele e fantasiava o dia em que ele o tomaria nos braços e o beijaria daquele jeito que tinha visto acontecer com o nerd. Ouvi-lo falar daquele jeito o deixava mais triste e aumentava a sua raiva. O grego estava apaixonado... Merda!Eu sabia! Pensou enquanto Kardia continuava a encará-lo.

— Meus pêsames! Sinto dizer que isso de achar que é *Dégelssexual é uma ilusão sua. O nerd só revelou a tua verdadeira natureza, Kardia.

A frase pareceu ao grego como se levasse uma bofetada. Ele levou a mão aos cabelos e tornou a encarar Misty.

Foda-se. Não quero mais falar sobre isso e não quero que você passe isso adiante. Se eu ouvir qualquer comentário ou olharzinho maldoso vou saber que foi você.

— Então trate de policiar a si mesmo. Tá tão na cara que chega a ser... ridículo!

— Escuta aqui... Eu to tentando ser civilizado contigo. Mais uma observação dessas e eu quebro esse seu rosto bonito! – ameaçou Kardia empurrando Misty contra a parede.

— M-Me bater não muda o fato de você não conseguir disfarçar que é gay!

— Eu te avisei! – disse Kardia fechando a mão.

Quando o grego fez o movimento de ataque, sentiu que uma mão forte se fechava em volta de seu pulso.

— Por favor, Kardia. Não. – disse Aldebaran, enquanto Misty o olhava com os olhos arregalados.

— Não te mete, Deba!

— Eu to pedindo, irmão. – insistiu Aldebaran.

Kardia olhou para o grandalhão. Considerava-o um amigo e gostava muito dele. Aldebaran o chamava de irmão e era assim que se sentia em relação a ele. De certo modo, ele se parecia com Red Bull, era verdadeiro, confiável e fiel. Devia muito a ele e sabia disso.

— Faço isso por você. Mas trata de controlar a sua amiguinha ou eu não respondo por mim. – disse Kardia se afastando.

Misty olhou com raiva para o grego e, em seguida, para Aldebaran.

— Obrigado. – disse, simplesmente.

— Misty...

— O que é?

— Deixa o Kardia em paz.

Agora sou eu quem diz: Não se meta!

— Você é quem sabe. Eu posso não estar por perto, na próxima vez. – falou Aldebaran dando as costas ao loiro.

Misty bufou, depois saiu rebolando. Ainda estava prá nascer quem o impediria de falar o que pensava.

Kardia voltou ao pátio, ainda irritado. Viu um dos rapazes muito próximo de Dégel, de um jeito que acentuou o seu desagrado. Apressou o passo, chegando perto do detento que se chamava Edward.

Vaza!— disse o grego, encarando o jovem com um olhar assassino.

Sentindo o rosto corar, Dégel percebeu a irritação de Kardia. Ele já estava se desvencilhando do rapaz quando o grego aproximou-se, de repente.

— O que aconteceu com o vamos ser discretos em público?perguntou o médico.

— Foi prá puta que o pariu junto com o otário que tava te cantando.

— Eu sei me defender, Kardia.

— Sei... Mais um pouco e aquele cara te arrastava para um canto cheio de pervertidos, loucos prá comer teu rabo.

— Edward apenas confundiu as coisas. Num lugar destes, é natural achar-se atraído por quem nos ajuda.

— Ah, é? Também é natural deixar bem claro aos desavisados o que acontece se eles se meteram a besta com quem não devem.

Dégel revirou os olhos.

— Mudando de assunto, por que está irritado? – perguntou o médico.

O Misty viu a gente.

— E?

— Como assim, e?

Ele não é um dos seus homens? Você não é o macho alfa? Mantenha-o na linha. Simples.— disse o médico, calmamente.

A frieza de Dégel acabou por irritar ainda mais o grego.

— É, talvez eu deva trepar com ele prá mantê-lo na linha! Simples, não?

Dégel aproximou-se de Kardia mantendo a mesma expressão serena.

— Faça isso... E eu também vou arranjar alguém prá me fazer companhia. Não vai ser difícil, sabia?

— Todo mundo achou o dia prá tirar onda com a minha cara e eu não estou disposto a deixar barato! – rosnou Kardia puxando Dégel pelo pulso para um canto embaixo da escada que levava à caldeira. Encostou-o na parede, os olhos fuzilando...

— Já disse que não tenho medo de você, então me poupe do seu discurso e desse seu olhar intimidatório.— falou Dégel sem desviar os olhos do grego.

— Medo você não tem, não é? Pois vamos ver se continua tão frio depois disso! – falou Kardia segurando o rosto de Dégel com as duas mãos e beijando-o.

Dégel tentou resistir, porém Kardia não permitiu que se afastasse. Continuou a mover os lábios e a língua até sentir que o médico se entregava, correspondendo com o mesmo ardor de sempre, emitindo um gemido baixo que tornava aquela carícia excitante e única...

— Você é meu, nerd... Vá se acostumando com isso. – sussurrou Kardia rente a boca ofegante de Dégel.

N-Não sou seu objeto, Kardia. E não vou permitir que me trate como um. – rebateu o médico.

— Foi você quem começou. – devolveu o grego.

— Eu comecei? Eu só disse prá manter o Misty na linha, não prá transar com ele!

— Do jeito que falou, parecia que não tava nem aí prá isso também.

— Ora, ora... acho melhor voltar em outro momento. – disse Afrodite entrando em cena.

Os dois se voltaram para o loiro que parecia aborrecido, mas mantinha um olhar malicioso.

— Máscara disse que queria falar comigo, Kardia.

— Já falo com você. To terminando uma conversa aqui com o doutor.

— Nós já terminamos. — falou Dégel.

Kardia estreitou os olhos, enquanto Dégel permanecia com o semblante sob controle. O médico sorriu para Afrodite e deixou o local, sendo acompanhado pelo olhar sério do grego.

Bem, o que quer de mim? – perguntou Afrodite.

— Preciso de alguém prá vigiar o Caronte e, embora o Misty tenha sido a puta dele nos velhos tempos, acho que os dois não se cruzam mais.

— Ei, não está me pedindo prá... Nem pensar, grego!

— Não quero que transe com ele, só faça o jogo.

— Aquele homem é repugnante!

— O Máscara vai te dar cobertura.

— O quê?

— Isso mesmo que você ouviu. Caronte é um inimigo que tem de ser vigiado de perto. Ainda mais que daqui a uma semana chegam presos novos e é certo que ele vai buscar aliados. Máscara vai cuidar da tua retaguarda. Ele pode ser meio louco, mas é um cara que tem colhões e já provou isso salvando a tua pele.

Afrodite ficou sério e apreensivo. Sentia-se atraído por Máscara da Morte, mas sempre que estavam juntos, trocavam farpas e insultos. Ele salvara a sua vida, mas continuava agindo como os inúmeros canalhas que conhecera antes de se apaixonar de verdade. E, o pior de tudo, era que sabia não ser somente atração. Era algo mais, do tipo que não pensara poder sentir outra vez...

— E então? Vai fazer o que eu te pedi? – perguntou Kardia.

— Preciso pensar.

— Tá certo. To vendo que hoje não é meu dia. – falou Kardia com um suspiro cansado.

A fala do grego surpreendeu Afrodite, porém o loiro não o questionou. Os dois voltaram para as celas em silêncio. No caminho, encontraram Caronte que caminhava ao lado de dois guardas novos. Ele encarou Kardia e depositou o olhar nos lábios carnudos de Afrodite. O loiro não deixou de sentir prazer em ver que conseguia seduzir, apenas com sua presença e uma ideia arriscada surgiu em sua mente...

Assim que estavam a uma distância segura, Afrodite falou:

— Pode contar comigo, eu faço. – disse com firmeza na voz. E aquela confirmação arrancou o primeiro sorriso, do dia, dos lábios do grego...

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A sirene anunciou o toque de recolher. O som das celas sendo travadas se fez ouvir. Porém, antes disso, Dégel viu Kardia adentrar a cela e seu coração deu um salto. Haviam se desentendido no pátio e não tinham conversado no jantar. O grego estava sério e quieto, um fato inédito para alguém com aquele tipo de temperamento. Chegou a pensar que ele não o procuraria tão cedo.

— Aconteceu algo na sua cela? – perguntou Dégel num tom casual.

Kardia encarou-o de forma tão intensa que o médico sentiu um arrepio em todo o corpo.

— Resolvi me mudar. Algum problema?

— Não...

— Pode ficar tranquilo, não vou bagunçar nada. – disse o grego colocando a caixa com os seus pertences num canto da cela.

Ainda em silêncio, Kardia despiu suas roupas, ficando, apenas de cueca. Dégel desviou o olhar e foi pegar um livro. Só então percebeu que estava trêmulo e desconfortável. Ouviu o som abafado do corpo de Kardia desabando na cama e fechou os olhos contando, mentalmente, para se acalmar. Sentia uma vontade irresistível de abraçá-lo, sentir o calor daquela pele quente... Mas, mesmo que já tivessem intimidade, ainda assim não sabia como agir com ele, ou melhor, não sabia lidar com as próprias sensações que o atropelavam, fazendo-o esquecer a razão e o cuidado.

Deitado, Kardia olhava para o médico e lembrava as palavras de Misty. "Sinto dizer que isso de achar que é *Dégelssexual é uma ilusão sua. O nerd só revelou a tua verdadeira natureza, Kardia."

— Posso te perguntar uma coisa? – falou Kardia.

Dégel virou-se e seus olhos encontraram os do grego e, de imediato, aquela conexão intensa se fez, novamente.

— Claro.

— Como era a história com a sua noiva? Você a amava?

O rosto do médico endureceu, mas logo voltou à expressão serena. Ele inspirou e olhou para cima.

— Minha relação com Sasha sempre foi mais de amizade. Nós crescemos juntos e, como meus pais viajavam muito, acabei ficando muito tempo com eles. Acho que tudo conspirou para que nós dois nos aproximássemos, mas hoje eu vejo que nunca fui apaixonado por ela.

— Você não tem irmãos?

Tenho um, ele se chama Camus e foi adotado pelos meus pais. Ele é seis anos mais velho e cuidou de mim até eu entrar para a universidade. Depois ele entrou para a polícia e eu passei a conviver mais com Sasha.

— Você e a sua noiva... Por que vocês nunca transaram?

— Sasha tinha suas crenças religiosas e queria esperar até o casamento. Eu concordei com ela, por que... Porque estava tão envolvido com minhas pesquisas que achei melhor que fosse assim. Todo o tempo que eu tinha, eu dedicava à pesquisa médica e isso me privou de uma vida, considerada, normal.

Kardia franziu o cenho.

— Nunca sentiu vontade de foder uma mulher?

O rosto de Dégel ficou rubro.

— Sendo bem sincero... não. Nunca senti vontade.

— Então você sempre soube que era gay?

A pergunta retumbou em seus ouvidos como se fosse uma bomba.

— Na verdade eu... Eu nunca tinha pensado nisso até... Até conhecer você. Eu nunca me vi como gay, mas a verdade é que o desejo que eu sinto quando estamos juntos é real. Muito mais real que o meu noivado com Sasha.

Kardia levantou-se da cama. Não havia mais raiva nos olhos azuis e sim uma voragem que atraia o olhar desconcertado de Dégel. Ele se aproximou do médico como se fosse uma serpente silenciosa, pronta para dar o bote. Afastou uma mecha de cabelo que insistia em cobrir os olhos violáceos que eram a sua perdição.

Dégel tentou sorrir e continuou olhando para os lábios do grego que estavam a milímetros dos seus. E então já não havia mais espaço entre eles... Quando a língua de Kardia encontrou a sua, Dégel se deixou levar e não pensou em mais nada que não fosse o gosto, o cheiro e as carícias do grego.

Segurando a cabeça de Dégel por trás, Kardia aprofundou o beijo fazendo- o gemer baixo, ato que sempre aumentava o fluxo de desejo que sentia ao tê-lo assim, entregue, excitado...

Dégel se permitia levar e também demonstrar o quanto Kardia mexia consigo. Suas bocas se tocavam, eles respiravam o ar um do outro e os corpos experimentavam um prazer agônico, como se nada fosse o suficiente para aplacar todo aquele ardor...

Kardia abriu os olhos e viu que os olhos de Dégel também se abriam sincrônicos, cheios de calor e urgência. O grego sorriu...

— O que é tão engraçado...? — perguntou o médico.

— Você consegue passar de um estado a outro em segundos. É difícil acreditar que eu tenho parte nisso... Eu confesso que isso me confunde, mas também me excita.

— Nem eu mesmo entendo... Só sei que quando eu te sinto em mim, tudo o mais perde o sentido.

A simplicidade com que Dégel dissera aquelas palavras só serviu para incendiar mais o desejo de Kardia. Ele acariciou o rosto do médico e abriu a boca, correndo a língua sobre o lábio inferior dele, o que o fez emitir um som gutural. Com a mão livre deslizou pelas costas, por baixo da camiseta, num movimento lânguido, sensual que fez Dégel sentir um arrepio e buscar a língua do grego com a sua. Sentiu o metal do piercing e continuou beijando-o, sugando e gemendo em tons baixos e profundos.

Kardia começou a despi-lo. Os dedos dele eram rudes, mas para Dégel era como se fossem os catalisadores do prazer que cavalgava sem piedade sua pele, seus músculos, seu corpo inteiro. De repente, era ele quem invertia as posições e ficava em cima do corpo de Kardia, beijando-o com loucura e querendo senti-lo em seus lábios. Inclinou-se sobre ele, pressionando a boca contra o peito forte e arfante numa atitude ousada e totalmente instintiva.

Uma sensação de poder se apossou de Dégel ao sentir que Kardia mordia o lábio e arqueava o corpo para que ele o tocasse. Ele abriu a boca e passou a língua na musculatura rija do grego e sorriu quando os mamilos dele se enrijeceram... Sugou um, depois o outro, enquanto a mão acariciava aquele corpo, descendo e descendo...

Um som abafado escapou dos lábios de Kardia e Dégel fez o mesmo caminho da mão, chegando até a ereção do grego, beijando o falo por cima da cueca, até retirá-la e roçar os lábios bem na ponta, para em seguida lambê-lo e colocá-lo na boca.

O grego gemia e seu corpo se arqueava dando a Dégel um duplo prazer. Descobria-se seduzindo e sendo desejado com tanta ânsia que se sentia eletrizado e pronto para entregar-se como seu corpo pedia.

Kardia o segurou e o fez retornar aos seus lábios. Um beijo profundo e afoito foi trocado entre os dois, enquanto Dégel sentava sobre os quadris de Kardia e as ereções se tocavam, pulsando juntas...

A respiração de ambos tornou-se mais acelerada e o grego intensificou o beijo, introduzindo a língua na boca arfante, enquanto o acariciava por inteiro, apertando-lhe as costas, as nádegas, mordiscando os mamilos e movendo as mãos pelo corpo do amante, lenta e sensualmente, deixando Dégel cada vez mais trêmulo e ardendo de desejo.

Dégel acariciou o peito e os ombros de Kardia, sentindo os músculos tensos e a excitação nos olhos febris. Ergueu um pouco o corpo, acomodando-se sobre o falo do grego. Os dois se olharam e Kardia o segurou pelos quadris e arremeteu de leve. Dégel mordeu o lábio inferior quando se sentiu invadido e afastou um pouco mais os joelhos para aprofundar a penetração.

Excitado, Kardia apertou a carne alva, suas mãos dançaram pelas costelas de Dégel que fechou os olhos e continuou a mover-se devagar, estimulado pelo grego que lhe beijava o tórax e o masturbava, no mesmo ritmo em que movia o corpo.

Sob as carícias experientes de Kardia, sua boca, seu calor, Dégel foi rompendo a barreira da dor e sentindo um êxtase crescente, uma tensão que atiçava seus instintos e o levava a cavalgar o corpo do grego cada vez mais rápido e profundo.

Sentir-se preenchido por Kardia fazia Dégel experimentar um prazer inebriante, transcendente... Seu corpo movia-se, impelido por um desejo incontrolável, o ritmo aumentava e o suor brotava das peles, ao mesmo tempo em que ambos os corações disparavam e os corpos começavam a estremecer.

Não havia palavras, nem conceitos que expressassem o extraordinário prazer de estar tão intimamente unido a Kardia. Sentir o membro pulsante dentro de si era algo único e não possuía uma explicação racional.

Para o grego, estar enterrado no interior do corpo de Dégel era uma experiência tão inédita quanto o que sentia no ato. O sexo sempre fora prazeroso, mas nunca tão excitante e intenso capaz de deixá-lo assim, vulnerável aos próprios sentimentos, desejoso que aquele momento nunca terminasse...

Dégel movimentou os quadris, sentindo-se tocar num ponto sensível que o fez gemer alto e, perder-se do controle, do mundo lógico que lhe era palpável e conhecido... Aumentou o ritmo, entreabrindo os lábios e sentindo o rosto, assim como todo o seu corpo em fogo.

Kardia levou as mãos aos quadris de Dégel e os gemidos se misturaram, enquanto o grego erguia o próprio corpo ao encontro de suas arremetidas. Os movimentos sinuosos e fortes provocaram no médico a sensação de estar sendo acariciado profundamente e, no momento em que a sua próstata foi tocada, uma força delirante o arrebatou e ele gozou. Agarrou-se à Kardia se contorcendo e cravando os dedos na carne latejante do grego. Ouviu-se gemer e gritar ao sentir o orgasmo percorrer cada poro e nervo do seu corpo. Estremeceu convulso e sentiu Kardia respirar alto, apertando os seus quadris com força.

De modo meio brusco, Kardia o segurou contra o peito, virou na cama, ficando por cima dele e o penetrou por completo, enterrando-se em seu corpo e acolhendo em sua boca o clímax que ainda convulsionava o corpo esguio.

Kardia continuou a arremeter, arquejante, até derramar-se dentro dele e gritar seu nome, sacudido por um violento tremor. Também chegava ao orgasmo e sentia-se morrer e renascer de um jeito muito louco, mas que tornava o sexo com Dégel tão prazeroso, quanto inexplicável.

Pouco depois, ele desabou, exausto, sobre o corpo de Dégel que o abraçou, mantendo os olhos fechados.

— Desculpe... eu te machuquei? — perguntou Kardia com a voz trêmula, enquanto retirava os fios de cabelo de Dégel que estavam grudados em seus lábios arfantes.

— Não... Eu estou bem. Deus, eu me sinto um depravado. — ele afirmou sorrindo.

Kardia sorriu e beijou-o com suavidade. Escorregou para o lado dele e o aconchegou em seu peito.

— O depravado aqui sou eu, nerd.

Dégel olhou para Kardia e seus lábios se abriram como se fosse dizer algo. Então ele recuou, fazendo com que o grego o puxasse para perto e ajeitasse uma mecha de cabelo atrás da sua orelha.

— O que foi? – perguntou Kardia.

— Nada. – mentiu Dégel.

Kardia passou o dedo pelos lábios de Dégel, antes de encará-lo de forma profunda e incisiva.

— O que foi? – perguntou Dégel.

— Nada. – mentiu Kardia e puxou o médico até que ele encaixasse o rosto em seu pescoço.

Dégel inspirou fundo e aconchegou-se ao corpo do grego. Suas pernas estavam espalhadas sobre as dele e suas mãos o abraçavam como se ele nunca mais fosse soltá-lo. Por sua vez, Kardia mantinha as mãos fortes sobre o corpo de Dégel. Uma das mãos segurava intimamente as nádegas roliças do médico e deslizava levemente sobre a pele alva.

E assim, os dois comungavam daquele momento em silêncio e, quando o sono chegou, ambos disseram a si mesmos: Como eu amo esse cara... enquanto a cela, testemunha muda de prazeres e dores, ficou imersa em uma aveludada escuridão...

Notas finais
****Agradecimentos, sempre, para cada comentário que alegra e incentiva, para quem favorita, para quem recomenda, para quem lê sem se revelar, enfim, para todos que, de alguma forma, aceitam viajar comigo!! Bjs, XD ****Perdoem a demora em responder aos reviews. Prometo saldar essa dívida logo! **** Eu usei esta expressão*Dégelssexual depois de ver a Mel Dark usar Camussexual em uma fic dela e ela, por sua vez, usou depois de ler Andrewssexual em uma fic do ou da Gokkun. Então, meus créditos a quem criou a expressão.