Santuário Dos Condenados
9 Capítulo 9 GANGSTA'S PARADISE
Notas iniciais
As I walk through the valley of the shadow of death
(Enquanto caminho pelo vale da sombra da morte)
I take a look at my life
(Dou uma olhada na minha vida)
And realize there's nothing left
(E percebo que não sobrou nada)
'Cause I've been brassing and laughing so long
(Porque tenho farreado e me divertido por tanto tempo)
That even my momma thinks that my mind has gone
(Que até a minha mãe acha que perdi o meu juízo)
But I ain't never crossed a man that didn't deserve it
(Mas nunca apaguei um cara que não merecesse)
Me be treated like a punk, you know that's unheard of
(Eu ser tratado como um imprestável, você sabe que nunca aconteceu)
You better watch how ya talking
(É melhor ter cuidado com o que você fala)
And where ya walking
(E por onde anda)
Or you and your homies might be lined in chalk
(Ou você e os seus parceiros podem acabar marcados com giz no chão)
A luz branca e intensa feria seus olhos inchados, mas mesmo assim ele continuava rindo dos seus agressores e gritando palavrões. Estava suspenso por uma corda grossa, presa ao teto por um gancho, e seu corpo robusto estava tomado de hematomas e cortes, balançando e sofrendo agressões constantes. Nem mesmo quando a corrente metálica foi usada como chicote em suas costas, ele implorou que parassem.
O sangue estava por toda a parte, rosto, tórax, costelas... E ainda assim, Red Bull não disse o que o seu agressor desejava ouvir. Aiacos queria que o inimigo sofresse e Hades lhe dera aval para que agisse. No entanto, mesmo após horas de tortura, Hasgard continuava firme, mesmo que já estivesse gravemente ferido.
Aiacos tinha parte do rosto coberto por uma mancha escura, resultado da necrose sofrida pela ação da água sanitária e produtos de limpeza em sua pele. Aquela ferida, adquirida no confronto com o grego o deixara quase louco e era ele agora quem comandava a investida contra o homem que era o braço direito de Kardia.
– Tenho que admitir... Você é durão, Red Bull. Quero ver quanto tempo essa sua coragem vai durar... – disse Aiacos munido de uma soqueira e desferindo um violento soco no estômago do homem, fazendo-o ofegar.
– E quando vamos pegar os outros, chefe? – perguntou um dos homens.
– Hoje mesmo... Vamos acabar com esses merdas e nos divertir fora da Cozinha do Inferno. Sem esse escroto o restante não tem como resistir. – disse Aiacos.
O restante riu alto e Aiacos continuou:
– Tem um clube novo no Bronx e umas strippers prá lá de gostosas. Acabando esse assunto, vamos transar e beber para comemorar o fim do bando do grego e o nosso ingresso no parque de diversões.
Hasgard começava a entrar em um túnel escuro, seus olhos estreitos já não focavam em mais nada. Ele sentiu o gosto metálico em sua boca e sofreu um último golpe que o fez tossir e soltar uma golfada de sangue vermelho escuro. Sentiu que Aiacos puxava seus cabelos para trás.
– Vamos, seu filho da puta! Peça prá eu parar ou vou continuar até quebrar cada osso do seu corpo! – rosnou Aiacos.
Um sorriso distendeu os lábios cortados de Hasgard.
– V-Vá... s-se foder... balbuciou rindo em meio à saliva e sangue.
Com fúria, Aiacos desferiu mais um golpe no rosto de Hasgard deixando-o inconsciente.
– Desamarrem-no e o atirem no lixo da Cozinha.
– Meto uma bala na cabeça dele, chefe? – perguntou um dos homens.
– Não, isso seria misericordioso... Larguem-no na rua como o rato que é, ele não vai durar muito do jeito que está e vai sofrer um pouco mais.
– Sim, chefe.
Hasgard foi arrastado e atirado ao lado de um container de lixo. Um menino de pele bronzeada e olhos muito grandes e vivos testemunhou tudo e se aproximou, reconhecendo-o quando os outros bandidos se afastaram.
– Red Bull... – balbuciou o menino e aproximou-se do homem que mal podia manter os olhos semiabertos.
O grandalhão fez um último esforço, sabia que estava morrendo, mas precisava avisar os seus. Seus pulmões estavam cheios de sangue, mas mesmo assim, ele conseguiu falar:
– H-Haresh... p-procure o-os g-gêmeos... d-diga a...e-eles... n-número... treze. N-Não... e-esqueça... t-treze... V-Vá... a-agora...
O garoto ficou confuso, mas ainda assim guardou a informação e correu para avisar os outros. Aos poucos muita gente foi se aproximando e cercando o local.
Uma sirene estridente sinalizou que um carro de polícia chegava à cena e, assim que os guardas desceram, Hasgard dava o seu último suspiro. O corpo do gângster ficou estirado na calçada sob o olhar dos transeuntes e daqueles que tinham se aproximado.
Red Bull, como era conhecido ali, tornava-se mais um número na estatística trágica das mortes no submundo do crime...
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Os lábios de Defteros roçavam todo o pescoço de Aspros até alcançar o lóbulo da orelha e mordiscá-lo, enquanto pressionava o corpo contra o dele, fazendo-o sentir a ereção túrgida sob a roupa. Aspros fechou os olhos e deixou a cabeça cair para trás enquanto arrepios de prazer percorriam seu corpo. Sempre que os lábios de Defteros se moviam, ele sentia a pele ganhar vida e o tesão aumentar...
Com um sorriso safado, Defteros olhou para fora e constatou que estavam sozinhos ali, dentro do carro e em um local escuro, onde só se podia ouvir o barulho das empilhadeiras que descarregavam mercadorias no porto.
– Defteros... – sussurrou Aspros, agarrando os cabelos longos do irmão. – Precisamos parar, a mercadoria já tá chegando...
– Os outros estão cuidando disso. Eu sempre quis te comer assim, dentro do carro... – disse Defteros.
A boca de Defteros cobriu com força a do irmão, sufocando qualquer tentativa de argumentação do outro. Aspros relaxou e gemeu, abrindo os lábios para a invasão da língua ávida, ofegando ao sentir a mão forte abrir-lhe o zíper, tocando-o na ereção que pulsava aprisionada sob as roupas.
– SShhhhhh.... – fez Defteros com a boca, divertindo-se com a situação do outro. – Não faça tanto barulho, senão todos virão ver o que está acontecendo aqui.
– Seu... filho da... puta... – falou Aspros mordendo o lábio ao sentir que Defteros acariciava a ponta de seu falo com o polegar, deslizando na umidade que aflorava com o prazer sentido pelo gêmeo mais velho.
Defteros riu baixinho e levou a outra mão ao mamilo esquerdo do irmão, esfregando com suavidade, enquanto acentuava a pressão no falo túrgido com a outra, fazendo Aspros arquear o corpo no espaço apertado.
– P-Para... não dá... – gemeu ele, enquanto Defteros ignorava seus apelos e continuava a sua doce tortura.
– Eu to gostando demais disso para parar agora... – murmurou o gêmeo, puxando o outro para mais perto de si.
– Ei, vocês dois aí dentro! – a voz infantil e uma batida insistente no vidro fumê interrompeu o momento íntimo dos gêmeos.
Defteros pegou a arma debaixo do banco e baixou o vidro.
– O que foi, garoto?
– O Red Bull tá morto lá na rua!
– O Quê?! – falaram os gêmeos, ao mesmo tempo.
– E... Ele pediu prá dizer um número prá vocês, o número treze.
– Sai daqui! Vaza! – disse Defteros empurrando o menino.
Aspros pegou sua pistola e Defteros colocou a dele nas costas. Os dois se olharam em uma compreensão mútua e sem palavras. Número treze! Havia um traidor entre eles. Esse era o código combinado, caso algo do tipo acontecesse dentro da gangue.
Os gêmeos saíram do carro, indo em direção às empilhadeiras. Lá reconheceram Kasa, amarrado e ferido com diversas marcas de queimadura. Perdão! E-Eles pegaram meu irmão! Gritou o homem.
Um estampido seco cortou o ar e Kasa foi executado com um tiro na cabeça.
– Como eu sempre digo, traidor é que nem barata... A gente tem que pisotear bem, até ouvir aquele barulhinho nojento. Mas, depois, dá um puta prazer! – disse Aiacos soprando na ponta da arma como se estivesse em um filme de cowboy.
Em segundos, Aspros e Defteros foram cercados. Não havia como se proteger, nem escapar. Então, cerrando os dentes e emitindo um grito de guerra, os dois se olharam uma última vez e foram disparando suas armas, sendo recebidos por tiros vindos de dez homens armados com armas automáticas.
Os corpos dos gêmeos foram crivados de balas, estremecendo no ar com o impacto e logo caindo ao chão, mortos e de olhos abertos.
Aiacos sorriu, enquanto os demais continuavam atirando nos corpos sem vida.
– Vamos, homens! Nosso trabalho aqui já tá concluído. – gritou ele, enquanto o sangue dos gêmeos escorria como pequenos rios avermelhados em meio ao chão cinza.
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Camus se recostou na cadeira, apertou o canto interno dos olhos e passou a mão pelos cabelos avermelhados. Já eram duas horas da madrugada e ele havia lido e relido todo o protocolo da missão e agora confirmava alguns dados pelo computador, cuidando para usar uma linguagem protegida. Recolhia algumas anotações quando seu celular tocou.
– Camus, temos problemas na Cozinha. Olhe o noticiário. – disse Aiolia.
O ruivo pegou o controle da TV e ligou.

“Massacre na Cozinha do Inferno. Três integrantes da facção do Grego foram mortos, brutalmente esta noite. O grandalhão conhecido como Red Bull foi torturado, enquanto os gêmeos, Aspros e Defteros foram executados com tiros de fuzil. Há rumores que uma gangue rival seria a autora de tal ato, mas não foram encontradas testemunhas. A polícia continua as suas investigações.”
– Camus? – chamou Milo ao entrar no escritório do namorado.
Usando, apenas a calça de pijama, o loiro esfregou os olhos. Havia dormido, profundamente, depois do sexo prazeroso que fizera com o ruivo. A rotina de passar os fins de semana juntos se estabelecera, depois que haviam esclarecido o que sentiam um pelo outro.
– Veja isso. – respondeu Camus apontando para a TV.
Um nó se formou no estômago do policial ao ver a cena.
– Merda... Red Bull.
Camus levantou-se da cadeira.
– Você o conhecia?
– Sim.
O estreitar dos olhos do ruivo fez com que Milo percebesse que estava num momento delicado. Se dissesse a Camus que tinha ido até à Cozinha do Inferno, dias atrás, certamente o ruivo acharia arriscado que continuasse como infiltrado. Não costumava mentir para o namorado, mas agora iria apenas ocultar alguns fatos.
– Em que nível? – questionou Camus.
Milo suspirou, antes de falar.
– Nós nos conhecemos da época em que eu me infiltrei, pela primeira vez. Ele ainda não era da gangue do Kardia. Apesar de ser quem era, Red Bull tinha caráter.
– Tem algo mais que eu precise saber?
– Não, por quê?
– Tenho de estar ciente de tudo, Milo. Essa missão vai mexer com gente poderosa. Hades nunca aparece como gângster, mesmo que saibamos que ele é o Juiz. Ninguém, nem mesmo a imprensa ousa acusá-lo e nós sabemos que o diretor dessa prisão experimental é nada menos que o filho dele. Portanto, todo o cuidado é pouco, entende?
– Eu sei, Camus.
– Vamos tomar um café. – disse Camus.
Milo assentiu.
– Vou me vestir.
Camus olhou para o loiro.
– Milo...
– O que foi?
– Eu sinto muito. Vejo que isso te abalou.
– É. Mas, todos nós sabemos que isso iria acontecer, mais cedo ou mais tarde. Quem vive pela espada, morre pela espada. – disse Milo.
A frase, dita com ênfase, fez Camus se aproximar do loiro, encarando-o de forma íntima.
– Essa sua passionalidade sempre me aturdiu e... encantou. Gosto dessa força emocional que tem, Milo. Gostaria de poder afastar tudo o que entristece você, mas, infelizmente, não tenho esse poder.
Apesar de triste, Milo sorriu.
– Só você já basta, ruivo.
Os dois se abraçaram forte e Camus sentiu o calor do corpo do amado, assim como a sua indignação e tristeza. Então os olhares voltaram a se encontrar. O ruivo afastou uma mecha de cabelo insistente que teimava em ocultar a face de Milo.
– Está com fome? – perguntou Camus.
– Um pouco.
– Quer café ou...
– Ou...?
– Vamos voltar para o quarto, quero te mostrar uma coisa...
Milo sorriu e o ato deixou Camus ainda mais seguro do que iria fazer. Não podia afastar todos os males da vida do loiro, mas, ao menos, podia dar-lhe prazer e... amor.
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Kardia abriu os olhos com o coração disparado. A fraca luz do corredor fazia projetar a sombra das grades sobre o seu corpo e o de Dégel, que ainda dormia. Levou a mão ao peito e começou a respirar fundo, porém a sensação continuava. Não era como das outras vezes, parecia carregada de algo ruim e opressivo. Em sua mente, veio a imagem de Hilda e Hasgard, assim como dos gêmeos e todo o restante. Parecia um chamado, como se todos estivessem se despedindo...
Levantou-se para não acordar Dégel. Detestava mostrar-se vulnerável e já convivia com aquilo fazia muito tempo. Foi até a caixa com seus pertences e retirou um pequeno embrulho contendo haxixe. Fez um cigarro e levou à boca.
– Kardia...?
A voz de Dégel chamou a sua atenção e ele se deteve.
– To aqui, volte a dormir. – respondeu pegando o isqueiro e acendendo o baseado.
Dégel não obedeceu e levantou-se, já sabendo do que se tratava.
– Larga isso e vem cá. – disse o médico com firmeza.
– Me deixa, nerd e segue dormindo.
– Drogas não vão resolver isso, vem cá. – disse Dégel ignorando a fala do amante.
Kardia bufou, mas não conseguiu impedir que Dégel arrancasse o baseado da sua mão.
– Qual é a tua? Quando eu fumo, isso passa.
Dégel aproximou-se ainda mais do grego e olhou-o, bem fundo nos olhos. Mesmo que não pudessem ver, um ao outro, com muita clareza, ainda assim Kardia sentiu-lhe o olhar incisivo.
– Vem aqui. – disse o médico puxando Kardia pela mão.– Deite-se e feche os olhos.
– Isso não adianta, eu já tentei...
Dégel deitou-se ao lado do grego e colocou a mão espalmada sobre o peito forte.
– Fique de boca fechada e se concentre em mim. Um... dois... três... inspira e solta o ar, até conseguir fazê-lo no mesmo ritmo da minha contagem. – disse Dégel colocando a mão sobre o peito de Kardia.
O grego obedeceu e Dégel pode sentir que, aos poucos, a arritmia ia cedendo, embora o grego estivesse quente, muito quente.
– Você está quente demais. Acho que está com febre. Vou tirar a temperatura. – disse Dégel fazendo menção de levantar.
– Não. Não sai daqui. Já tá passando e eu sou quente, assim mesmo... Essa sua mão fria e macia faz milagres em mim. – disse Kardia segurando a mão de Dégel em seu peito.
O médico colocou a mão sobre a de Kardia.
– Não pode continuar assim, Kardia. Temos que investigar isso ou daqui a pouco você tem um infarto. Na sua idade isso será fatal, entende?
– Não me importo de morrer.
– Mas eu não quero que morra! – falou Dégel com um tom raivoso que surpreendeu o grego.
– É fofo você se importar comigo, nerd. – disse Kardia sorrindo.
– Fofo? – repetiu Dégel franzindo o cenho.
– É... coisa mais gay de se dizer, né? Eu to perdido mesmo. Então... falando como homem, fico feliz que se importe.
– Kardia, olhe prá mim. – disse Dégel. – Isso é sério.
O grego encarou-o, mas não o deixou continuar. Beijou-o daquele jeito sensual e profundo que o deixava meio fora do ar. No entanto, fazendo um enorme esforço, Dégel se afastou.
– Não vou deixar que me desvirtue do assunto. Se não me deixar examiná-lo, como se deve, vou fazer greve. Não vamos mais transar até você fazer os exames.
Kardia franziu o cenho.
– Tá me ameaçando, nerd?
– Estou... digamos... fazendo uma troca justa. Não quero ficar traumatizado se você morrer em cima de mim, qualquer dia desses!
– Fica tranquilo que antes de morrer, eu faço o serviço direitinho. Vou te fazer gozar muito, antes disso.
Irritado, Dégel tentou sair do lado do grego, mas ele o impediu.
– Vem cá... Não esquenta com isso. Eu tenho essa... essa coisa desde que perdi meus avós. Parece que... meu corpo avisa quando algo está errado, sabe?
– Kardia, intuição não tem nada a ver com arritmia. Seu coração sofre uma alteração que pode não ser nada grave, mas também pode ser uma doença. Quanto mais tempo demorar em verificar isso, mais perigoso será para a sua saúde. Deixe-me examiná-lo. Ninguém precisa saber. Veja, eu tenho tido apoio do médico chefe. Ele tem me deixado sozinho, grande parte do tempo. Por favor, me escute.
– Eu vi o rosto deles... Eu sabia que meu avô não gostava que eu me atrasasse, mas naquele dia eu vi o rosto dele sorrindo prá mim, então eu fiquei mais um tempo na rua, com alguns amigos. Durante muito tempo eu me culpei por não ter morrido com eles, mas quando eu conheci a Hilda, ela me disse que meus avós não gostariam disso.
– O que quer dizer? – perguntou Dégel percebendo que Kardia revelava um pouco mais da sua vida.
– Quero dizer que pode ser uma doença, mas mesmo assim, meu coração me avisa.
Dégel ia contra-argumentar, porém resolveu seguir por outro caminho. Se soubesse mais sobre a vida do grego, talvez achasse um meio de convencê-lo.
– Quem é Hilda? – perguntou.
Kardia olhou para o teto.
– Uma amiga que me ajudou a sobreviver nas ruas.
– Amiga? – insistiu Dégel.
– O serviço social tinha arranjado uma família prá mim. O casal parecia boa gente, até me levarem e eu descobrir que eles queriam uma criança prá manter uma fachada de família normal e feliz. O negócio deles era produção de vídeo pornográfico e adivinha, eles usavam crianças e queriam me usar. Eu fugi e resolvi voltar para a Cozinha. Chegando lá eu fui me esconder na zona de prostituição e conheci a Hilda. Ela era uma garota bonita e me deu comida e abrigo por um tempo. Ela me escondia no sótão da casa da mãe dela que era uma das putas mais bonitas da zona. Quando a mãe dela ficou tuberculosa, ela resolveu seguir os mesmos passos e começou a se prostituir prá ajudar. Foi ela quem me ensinou o que era sexo.
– E o que aconteceu com ela?
– Morreu. Foi assassinada. Mas eu matei o filho da puta que fez isso com ela. Espero que isso a tenha deixado em paz, seja lá onde ela esteja.
– Eu sinto muito.
– A imagem dela surgiu na minha mente hoje, junto com Hasgard e os gêmeos. espero que tenha razão, nerd e que isso não seja um mau sinal.
– Venha cá. – disse Dégel puxando Kardia para cima do seu corpo.
Kardia foi, olhando dentro dos olhos violáceos do médico. Porém, Dégel o fez deitar a cabeça em seu peito e acariciou os fartos cabelos escuros do grego. O ato fez com que Kardia relaxasse e fechasse os olhos. Os dois ficaram abraçados em uma doce cumplicidade, até o médico sentir que o contato íntimo das peles nuas despertava, mais uma vez, a necessidade de serem um do outro.
– To ficando excitado... – murmurou Kardia.
– Eu também, mas...
– Mas o quê, nerd?
– Quero que me deixe examiná-lo amanhã.
– Puta merda! Você é insistente prá caralho!
– Sou mesmo... – murmurou Dégel mordiscando o lóbulo da orelha do grego.
Kardia se remexeu, sentindo seu falo latejar junto com o falo de Dégel. Inspirou fundo, sentindo que todo o seu corpo respondia àquela simples carícia.
– Tá, eu deixo. Mas, tem uma condição.
– Qual...? – perguntou Dégel detendo-se, agora, nos lábios de Kardia, mordiscando e lambendo de forma lenta e sensual.
– Ninguém pode saber, nem mesmo os meus homens.
– Eu já disse que tenho ficado sozinho, ninguém vai saber.
– Tá, fim de papo, então. Vamos ao que interessa... – disse Kardia abrindo as pernas de Dégel com os joelhos.
Insinuou-se entre as pernas do médico, sem, no entanto, penetrá-lo. Sua boca e depois sua língua desceram languidamente pelo pescoço alvo, até chegar aos mamilos... Sugou cada um, devagar, para depois mordê-los e fazer Dégel gemer e arquear o corpo daquela forma deliciosamente fofa que só ele sabia ser.
Levou os dedos aos lábios de Dégel e os introduziu em sua boca ficando ainda mais excitado quando ele os sugou com avidez. Cada vez que transavam, o médico se entregava mais e descobria em si um erotismo que casava, perfeitamente, com a sensualidade de Kardia.
Dégel ofegou quando Kardia retirou os dedos de sua boca e os introduziu dentro do seu corpo. Os movimentos circulares o preparavam para a penetração e, ao mesmo tempo, traziam o prazer ao atingi-lo tão profundamente.
Mexendo devagar e sentindo a resposta de Dégel, seus gemidos, a forma como mexia o corpo, Kardia abaixou a cabeça e fez algo inédito, tomou o falo do médico em sua boca, lambendo-o e sugando-o como jamais havia feito em sua vida.
Um gemido rouco escapou da garganta de Dégel e ele custou a acreditar que Kardia estava fazendo aquilo. Os cabelos do grego caindo sobre as suas coxas, a boca gulosa saboreando-o, investigando-o com uma intimidade voraz.
O médico entrelaçou os dedos nos cabelos do grego e sentiu que ficava tão rígido dentro da boca do outro de modo que o orgasmo chegou rápido e o assolou sem piedade. Derramou-se na boca de Kardia e estremeceu sendo ele, agora, a ter o coração retumbando e a pele em fogo.
– Deus... – murmurou Dégel com dificuldade em falar, sua respiração irregular tornava sua voz baixa e rouca.
Kardia se sentia dividido, por um lado, o prazer que tinha ao ver Dégel entregar-se daquele jeito, era tão grande que não tinha explicação. Por outro, começava a fazer coisas que nunca ousara ser capaz.
Era a primeira vez que chupava o pau de um homem e que sentia na boca o gosto forte do sêmen. Olhou para Dégel que arfava e, em meio às suas divagações, o médico tocou seu rosto e puxou-o para um beijo intenso. As bocas se fundiram, trocando saliva e sêmen numa orgia de prazer que só intensificou a excitação dos dois. Com os olhos semicerrados, Dégel sussurrou quando o beijo foi interrompido:
– Eu te amo, Kardia...
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O forte odor e os murmúrios se intensificavam naquele lugar. Morfeus se deteve no paciente que falecera e fora isolado dos demais. O homem estava com o rosto macilento e chagas avermelhadas que exalando um odor pútrido, próprio da morte. No entanto, também notou que ele estava contido com amarras que o mantinham preso à cama.
O enfermeiro que fazia plantão ali cochichou algo próximo ao seu ouvido e o psiquiatra franziu o cenho.
– Tem certeza? – perguntou Morfeus.
– Sim, doutor. Eu mesmo presenciei o fato, antes de chamar o senhor. Quer ver?
Morfeus viu o enfermeiro pegar uma espátula suja de sangue e aproximá-la da boca do paciente. Quase instantaneamente, o homem mordeu o objeto com voracidade, enquanto tentava mexer os membros superiores. Porém, ele tinha sido diagnosticado como morto e, mesmo sem examiná-lo, o psiquiatra percebeu que aquela era uma sobrevida e não algo natural.
Sem demonstrar horror para não provocar pânico, Morfeus afastou-se.
– Vou comunicar ao doutor Minos. Por ora, deixe-o isolado e contido. Ninguém mais deve ter acesso a ele e não comente isso com ninguém. Fui claro?
– Sim, doutor.
Morfeus deixou o complexo experimental a passos largos. Quando concordara em participar do projeto, sua função era monitorar as condições de saúde mental das cobaias. No entanto, aquele efeito colateral que se revelara exigira dele uma posição em outras frentes, já que Asmita, Dégel e até mesmo Albafica estavam irredutíveis quanto a sua participação.
Merda! Só faltava essa, agora. Pensou o psiquiatra, enquanto solicitava ao guarda que o levasse até o diretor.
Em sua sala, Minos examinava alguns papéis quando Morfeus foi anunciado.
– O que houve Morfeus?
– Estamos com um grande problema.
– Qual? – perguntou Minos, ainda sem dar muita importância à fala do médico.
– Precisamos dos outros, a experiência com o vírus tomou um rumo inusitado.
– O que está dizendo? Eu mesmo iniciei o experimento e dentro de todas as regras envolvendo cuidado e sigilo. O que aconteceu?
– Na verdade, não tivemos problemas em relação às regras e sigilo e sim nos resultados. O vírus cedido pela empresa SALT de biotecnologia sofreu uma mutação inesperada. O primeiro homem, inoculado com ele, morreu ontem à noite.
– Bem, as baixas, neste tipo de experimento, já são esperadas.
– Sim, eu sei. Mas... o homem reviveu, esta manhã. Eu mesmo o vi, ele exibe funções primais como morder e mexer os membros. Uma espécie de morto-vivo.
Minos franziu o cenho e depois riu.
– Meu caro Morfeus, não me diga que virou piadista, agora! Tenho mais o que fazer.
– Não é piada, Minos. É verdade! Temos que terminar com essa experiência ou conseguir mais mentes pensando em conjunto! Se isso se dissemina neste lugar, todos nós estaremos fodidos! Esse vírus pode sim, fazer a alegria dos loucos que acreditam num apocalipse já tão difundido pela ficção.
– Refresque minha memória, quantos foram infectados no total?
– Seis homens. Eu já os isolei, mas temo que isso não baste.
– Destes seis, somente um morreu exibindo os efeitos que você está relatando, enquanto os demais permanecem sem manifestar o vírus. Não creio que seja tão preocupante, em termos estatísticos. No entanto, se acha perigoso, podemos sacrificá-los e esquecer esse assunto.
Morfeus levou a mão aos cabelos.
– Podíamos tentar trazer os outros para o projeto. Talvez sabendo que há perigo à vista, eles se disponham a ajudar.
– Prefiro que isso fique entre nós, por enquanto. Vou pensar em algo sem que haja pânico. Assim que me desobrigar aqui, irei até o complexo para ver a situação de perto. Até lá, está dispensado.
– Está bem.
Morfeus deixou a sala e Minos tornou a olhar para a janela. Desde que decidira tornar-se diretor daquela prisão, seus conceitos éticos haviam sofrido alterações. O único que acreditava ser inocente, ali, era Albafica. Os demais tinham cometido seus crimes e estavam pagando por eles. Quando os confrontava, oferecendo a oportunidade de ser útil à sociedade, o fazia sem arrependimento.
O grupo de cobaias era escolhido na ala B, a ala com prisioneiros de alta periculosidade. A eles era oferecido, caso sobrevivessem, uma revisão de pena ou até liberdade condicional, sendo que o prisioneiro passaria os seis primeiros meses, morando na própria ilha, para então regressar para seu respectivo lar. Era uma permuta justa, a seu ver e não entendia o porquê de Dégel, Asmita e Albafica serem tão inflexíveis quanto a isso.
Levantou-se da cadeira no exato instante em que Caronte adentrava a sala.
– Senhor, eu queria lhe falar sobre um probleminha...
– E o que seria? – perguntou Minos de má vontade. Havia algo em Caronte que o irritava, mesmo ele sendo obediente às suas ordens.
– Flégias tem sido muito brando com os prisioneiros da ala B. Daqui a pouco, teremos que pedir permissão para os bandidos para entrar lá!
Minos olhou para o guarda.
– Faça o seu trabalho, Caronte, e não me venha com fofocas de bastidores. Que eu saiba, Flégias era seu amigo, então resolva suas pendências com ele.
– Tenho carta branca para agir se eu sentir que ele está indo longe demais?
Um suspiro cansado e Minos concordou com o guarda. Não estava com cabeça para ouvir reclamações de subalternos.
Caronte despediu-se e saiu com um sorriso maldoso nos lábios. Se Minos não queria interferir, melhor. Ele faria do seu jeito e assim, quando a nova leva de prisioneiros chegasse, ele trataria de escolher novos aliados e então retomar seu lugar na ala e acabar com a hegemonia do grego. Finalmente, Flégias pagaria caro pela traição.
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A água escorria pelo corpo esguio e todos ali, sem exceção, olhavam para o belo loiro que ensaboava o corpo como se estivesse sozinho. Máscara entrou nos chuveiros e fingiu ignorá-lo. No entanto, só ao vê-lo ali, sentiu uma fisgada no baixo-ventre e aumentou o jato de água fria sobre o corpo.
Afrodite olhou-o e sentiu o mesmo. Porém, ambos faziam o jogo do não to nem aí e continuavam a conviver. Nesse meio tempo, o líder dos skinheads entrou e lambeu os lábios ao deparar-se com o loiro.
– Hummm... Se eu soubesse que esse é o horário do teu banho, eu tinha vindo mais vezes... – disse o careca conhecido como Spinne e já chegando perto de Afrodite.
O loiro olhou-o de cima a baixo, percebendo que ele já estava excitado e com o pênis em riste. Spinne sorriu com malícia e tentou tocá-lo, levando um sonoro tapa na mão.
– Fique bem longe, grandalhão. Se quiser olhar, olhe. Mas, nada de meter a mão.
Os que não eram da facção começaram a rir, o que fez Spinne ficar irritado.
– Se for bonzinho comigo, te tomo como a minha puta exclusiva e você nunca mais terá problemas aqui dentro. Você decide... Fica do meu lado e eu te protejo melhor que o grego.
Máscara só ouvia a conversa, seu sangue fervilhando, louco para acabar com Spinne e terminar com aquela baboseira.
– Não preciso de proteção, eu mesmo tomo conta de mim. Agora, se me dá licença.
– Oh! Mas que homem corajoso... Vamos ver o quanto vale essa sua coragem...
Quando Spinne terminou a frase, Máscara da Morte adiantou-se, olhando-o com fúria e se colocando ao lado de Afrodite.
– Escuta aqui, seu otário filho da puta, pega a tua gangue e dá o fora, antes que eu quebre essa tua cabeça de ovo!
Spinne riu e olhou para os demais. Quem não pertencia a nenhuma facção resolveu sair, enquanto os outros se agruparam, esperando as ordens do líder.
– Tava só esperando, italiano... Vamos ver quem é o otário... Prá cima dele, Männer!
Os homens de Spinne se lançaram contra Máscara, enquanto ele avançava na direção de Afrodite. O loiro havia se surpreendido, mas era tão adaptável às circunstâncias que logo se recuperou.
Enquanto Máscara desferia pontapés e socos, Afrodite permaneceu imóvel, deixando que Spinne chegasse perto o suficiente... Quando o skinhead agarrou-o, ele levou a mão aos testículos do homem e puxou, fazendo-o gritar, ao mesmo tempo em que lhe dava uma cabeçada forte no rosto, ambos, golpes de defesa pessoal que aprendera.
Spinne caiu e Afrodite chutou-o no rosto, deixando-o desacordado. Máscara continuava a lutar contra quatro homens. Era incrível a forma com que se desvencilhava dos golpes ou os assimilava. Tinha sido atingido no rosto e sua boca sangrava, no entanto, continuava com a mesma fibra e força. Afrodite foi ao seu encontro para ajudar, mas já não havia o que fazer. Máscara tinha quebrado o braço de um, a costela de outro e agora afundava o nariz daquele que estava a sua frente, enquanto com uma cotovelada no pescoço, se livrava do quarto homem.
Ofegante e com o lábio inferior sangrando, ele olhou para Afrodite.
– Você está bem? – perguntou, mas logo percebeu que não havia nenhuma marca ou machucado no belo corpo do loiro.
– Estou e você? – devolveu Afrodite tocando o rosto de Máscara da Morte.
– Tudo bem... – disse ele e sentiu-se estremecer com o toque delicado.
Afrodite era uma deliciosa contradição, sua aparência bela e refinada não combinavam com a violência eficiente com que agia. Máscara olhou-o bem dentro dos olhos e o resto perdeu o significado. Os homens deixaram os chuveiros, arrastando seu chefe, mas nem ele ou Afrodite deram importância ao fato.
Não era a primeira vez que os dois estabeleciam uma conexão intensa e eletrizante, porém agora era diferente. Afrodite não conseguia mais suprimir o desejo de se entregar àquele sentimento. Deu-se conta que estava confinado, não havia nada lá fora o esperando, nem alguém para quem voltar. Máscara da Morte sempre o defendia, fosse por desejá-lo ou por lealdade à Kardia. Nem mesmo isso importava agora, não quando queria muito sentir o italiano em seu corpo...
Num ato de coragem, Afrodite tomou a iniciativa inclinando-se para frente e cobrindo os lábios de Máscara da Morte com os seus. O beijo iniciou lento, delicado, quase como se quisesse curá-lo, mas o italiano logo subverteu a ordem tornando-o mais intenso, mais selvagem e faminto, fazendo com que o loiro estremecesse ao sentir o gosto de sangue e, mesmo assim, sentir aumentar a excitação em seu corpo pressionado contra o peito másculo.
Em meio à água que ainda vertia dos chuveiros, Máscara tomou Afrodite em seus braços, fazendo-o trançar as pernas ao redor da sua cintura. Encostou-o na parede molhada, o membro rígido pulsando em sua carne. Ofegante, Afrodite perdeu o fôlego quando Máscara inseriu o dedo em sua entrada e jogou a cabeça para trás, dando acesso ao italiano para que lambesse o seu pescoço, enquanto preparava-o para recebê-lo dentro de si.
O loiro gemeu e moveu os quadris, agarrando-se mais forte ao torso musculoso. Um sorriso brincou nos lábios de Máscara da Morte quando Afrodite passou os braços ao redor do seu pescoço e colocou a boca junto ao seu tórax. Sentiu-lhe os lábios e o hálito quente...
Olhando-o bem dentro dos olhos, retirou o dedo e o penetrou. Um ofego escapou dos lábios carnudos do loiro e Máscara começou a estocar, lenta e profundamente...
Afrodite fechou os olhos, deixando a boca entreaberta e Máscara se afastava e voltava com mais vigor, mais profundamente, mais forte... Cada investida era como se ele o tivesse marcando, possuindo-o em níveis mais profundos, quebrando-lhe a resistência.
Totalmente entregue ao calor e prazer de sentir-se engolfado por Afrodite e por seus sussurros enlouquecidos, Máscara estocou mais forte e rápido, afundando-se mais, preenchendo-o com o seu membro tão profunda e desesperadamente quanto podia.
Sentindo o falo potente abrir espaço em seu corpo e tocá-lo no ponto de prazer, Afrodite contraía as coxas e começava a perder o controle. Sentia a tensão crescendo, o coração disparado, o estremecer convulso que o arrancava da realidade, deixando-o fora de si na escuridão, no devaneio e por fim, a explosão orgásmica...
Máscara buscou a boca arfante, a língua provando dos gemidos enrouquecidos, seu falo ansiando pelo clímax dentro da maciez aveludada e quente do corpo de Afrodite...
Ele sentiu as contrações do loiro, os gemidos altos mesclando-se com o som da água que continuava a verter sobre os corpos e estocou forte e fundo. De sua garganta saiu um gemido alto e longo e ele sentiu seu tórax ser molhado pelo gozo de Afrodite que também chegava ao orgasmo, ao mesmo tempo.
Os dois tremeram, convulsos e se agarraram com força, as bocas se encontrando sem fôlego, o coração batendo violentamente por todos os poros. Puxou-o para si, afundando a mão entre os seus cabelos longos e lambendo os lábios ofegantes, apossando-se, novamente, da língua quente que agora se entrelaçava na sua com volúpia.
– Ah, loiro... como esperei por isso. – murmurou em meio ao beijo.
Afrodite pousou a cabeça no ombro de Máscara buscando recuperar o fôlego. O italiano sentiu a respiração quente do loiro em seu pescoço e sorriu.
– Está tudo bem? – perguntou ao sentir o silêncio de Afrodite.
– Sim, eu estou bem. Pode me colocar no chão. – respondeu o loiro.
Máscara sentiu que Afrodite voltava a manter distância e aquilo o incomodou. Podia fazer vista grossa e entrar no jogo, mas não queria.
– Escuta, eu sei que tenho sido canalha com você e que não sou flor que se cheire. Mas quero que saiba que...
– Não... Não diga nada, por favor. – disse Afrodite colocando o dedo nos lábios do italiano para interromper-lhe a fala.
– Afrodite... – insistiu Máscara.
– Não... Vamos deixar assim, não vamos complicar as coisas. – disse o loiro e, beijou-o nos lábios de forma a calar qualquer argumento que ele tivesse.
Quando o beijo findou, Afrodite passou os olhos pelo corpo de Máscara e viu alguns hematomas e arranhões, assim como as marcas dos seus dedos que haviam afundado na carne rija ao atingir o orgasmo.
– Vamos sair daqui. Venha! – disse ele estendendo a mão para o italiano.
– Terei boas lembranças desses chuveiros... – falou Máscara fazendo Afrodite sorrir.
– Vem, italiano... Eu ainda não acabei com você... – disse o loiro com um sorriso malicioso.
Máscara sorriu e pegou sua toalha.
– E nem eu, acabei com você, belo...
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– Cambada de frouxo! – gritou Caronte ao ver os skinheads estropiados após o confronto com Afrodite e Máscara da Morte.
– E-Ele me pegou desprevenido. – gemeu Spinne.
– Desprevenido?! Você e seus homens contra dois! Sendo que um é mais delicado e bonito que uma mulher! Francamente Spinne, você é um cuzão!
– Eu ainda vou matar aqueles desgraçados!
– Você vai é ficar quieto no teu canto! Daqui a dois dias chega a nova leva de presos e poderemos criar uma nova facção. Tomara que os novatos não sejam bola murcha que nem vocês! Agora voltem para as celas!
Assim que Spinne obedeceu, Caronte retomou sua ronda. Aos poucos, iria resgatando seu poder dentro da ala e, para isso, tinha que lançar iscas para saber com que tipo de peixe estava lidando.
Os skinheads já eram cartas fora do baralho, covardes e imprestáveis, seriam enviados para servir à humanidade como cobaias. Ele mesmo se encarregaria desta missão. Depois, era só esperar... A nova leva de prisioneiros era especial, muito especial... Foi andando e divagando até chegar ao pátio, onde assumiria seu lugar na torre de observação.
Kardia viu Dégel se encaminhando para o trabalho. Olhou para os lados e viu pequenos grupos conversando ou jogando. Andou alguns metros e assoviou, ato que chamou a atenção do médico. Acenou chamando-o para baixo da escada que levava às caldeiras e quando ele foi, puxou-o pela mão e o trouxe para junto de si.
Sorriu ao ver que o médico já ficava corado e beijou-o. Não era um beijo rápido ou um selinho. Beijou-o profundamente, buscando a língua dele com a sua... Era como se estivesse tomando a boca para si. Com força, avidez e sem misericórdia.
Da mesma forma abrupta com que começou, Kardia interrompeu o beijo.
– Me deixa resolver um lance e eu vou até a enfermaria. Vou deixar que me examine, doutor. – disse ele.
Dégel sorriu e Kardia ergueu-lhe o queixo, fitando os olhos violáceos que brilhavam de contentamento. Ficou em silêncio por alguns segundos e antes que o médico dissesse algo, aproximou-se do ouvido dele e falou:
– Eu também te amo, nerd.
Os dois voltaram a unir as bocas, imersos no sentimento que os fazia pertencer um ao outro. Nenhum dos dois sabia como ou por que, apenas vivenciavam a voragem e o despertar daquele amor profundo, insano, capaz de unir dois seres tão contraditórios.
Em sua torre, Caronte observava tudo e aqueles dois pontos embaixo da escada acabaram por chamar a sua atenção. Ele regulou o binóculo e presenciou o momento exato em que Kardia e Dégel estavam se beijando. Sorriu, maldoso, e exultou como se tivesse ganhado um prêmio. Aproveite, grego... Logo, logo você vai pagar por tudo que me fez e pagará com juros! Sorria, agora, porque logo vai chorar lágrimas de sangue!
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