Santuário Dos Condenados

7 Capítulo 7 MEMÓRIAS DA PELE...


Notas iniciais
***Bem, amadas todas!! Demorei a postar por problemas de tempo e também por ter tido uma perda familiar que me exigiu dar apoio aos demais. No entanto, aqui está mais um capítulo e desde já agradeço as MPs perguntando sobre a postagem. Saibam que isso só demonstra o carinho de vocês!
*** Um SUPER BEIJO emocionado para a RITSU que recomendou a fic. Amada, obrigada pela honra, pelo carinho e pela tua presença!!!

Dégel acordou dolorido e por alguns segundos, pareceu que estava em outro lugar, não a prisão que agora era o seu lar... Ainda estava mexido com o sexo que fizera com Kardia, a intensidade da experiência descortinando partes de si que desconhecia. Sacudiu a cabeça ao ver os lençóis sujos e também seu próprio corpo que estava nu, coberto pela manta de lã. Tocou no ferimento e suspirou, sentindo uma fisgada e percebendo alguns pontos que haviam rompido.

– Você desobedeceu a uma regra importante. – disse uma voz conhecida.

De imediato, Dégel olhou para a porta da cela e lembrou-se que ela permanecera aberta e quem estava falando era Sorento. Ele estava sério, porém seus olhos tinham um brilho indagador, quase divertido.

– E você vai contar a alguém, suponho. – devolveu Dégel.

Sorento sorriu, entrando devagar como se estivesse andando sobre um fio invisível...

– As provas do crime falam por si. Quem limpa as celas relata tudo que acha fora do comum ao diretor. E, pelo que vejo, foi uma situação muito incomum mesmo! Quem esteve com você não é desta ala... Não é mesmo?

– O que eu preciso fazer para evitar que isso seja relatado? – perguntou o médico.

Um suspiro longo escapou da boca de Sorento.

– Vá lavar-se. Eu cuido disso.

Dégel encarou-o.

– E por que você faria isso?

– Talvez, porque eu simpatize com você e não goste de fazer o papel de delator, por aqui.

– Obrigado, eu...

– Rápido, doutor, não precisa me agradecer. – disse Sorento, enquanto retirava as roupas de cama.

O médico obedeceu e só então se deu conta que não estava constrangido. Nem pelo fato de ter sido descoberto e nem por ter se entregado à Kardia. A consciência disso o fazia sentir-se estranhamente culpado. Culpado por jamais ter sentido um terço do que o grego despertara nele, com outra pessoa e também por ser a primeira vez que tinha a percepção da sua sexualidade como algo real e não, somente, um conceito biológico.

A água fria do chuveiro lavou sua pele e Dégel fechou os olhos, recordando os toques, a mão forte e quente em sua pele, a penetração no início, dolorosa, mas que revelou um prazer surpreendente e inédito para si... Seu corpo reagiu à lembrança e Dégel sentiu uma ereção se formar.

Droga! O que está acontecendo comigo?Pensou, enquanto deixava a água ainda mais fria de modo a aplacar o desejo.

Ao voltar para a cela, Sorento já não estava mais. Em seu lugar, encontrou Morfeus esperando-o. O médico exibia um sorriso enigmático que Dégel considerava mais falso que charmoso. Não gostava dele, embora ele nunca lhe tivesse dirigido a palavra. Era algo irracional, então se obrigou a passar por cima deste sentimento e ser, ao menos, educado.

– Em que posso ajudá-lo? – perguntou ainda secando os cabelos.

– Eu gostaria de saber o porquê da sua recusa em participar do projeto. Minos tem o consentimento dos presos que integram o grupo de controle. São homens que jamais sairão daqui e desejam, ao menos, compensar o prejuízo que deram à sociedade.

– Dr. Morfeus, não creio que seja tão ingênuo a ponto de acreditar nisso.

– E por que não? Você falou com eles?

– Os que eu vi não conseguem nem piscar, quanto mais falar. E mesmo que eles tenham concordado, eu jamais infringiria um vírus a um homem saudável somente para observar como a doença evolui. Sou contra experiências em qualquer espécie, sejam humanos ou animais.

Uma risada alta escapou da boca de Morfeus.

– Eu custo a acreditar que um médico do seu calibre tenha chegado aonde chegou sem sujar as mãos. Está sendo hipócrita, Dégel.

– Pois saiba que jamais usei cobaias saudáveis. Todos os experimentos foram feitos em pessoas já doentes que se submetiam ao tratamento como uma última tentativa. E, para chegar a isso, eu sempre fiz simulações em programas criados, especificamente para isso.

– No entanto, com a sua noivinha você agiu diferente... Você a matou antes de esgotar todas as possibilidades, não é mesmo?

– Ela já estava além de qualquer recurso.

– Será?

– O que está insinuando, Morfeus?

– Eu? Nada, meu caro colega. Só acho que deve pensar bem, antes de excluir todas as possibilidades que Minos oferece. Ele é um visionário que tem a coragem de ousar. Pense nisso.

Dégel nada disse e Morfeus deixou a cela que estava impecável e sem nenhum vestígio da noite anterior. O médico passou a mão sobre o lençol limpo e, mais uma vez a imagem de Kardia invadiu-lhe a mente. A culpa tornou-se ainda maior ao lembrar-se do amor que Sasha lhe devotava e o qual não conseguia corresponder na mesma intensidade. A insinuação de Morfeus pareceu-lhe pesada, suja, mas ainda assim tocou-o em um ponto nevrálgico, desligara os aparelhos com tanta certeza... Se a amasse, teria agido com a mesma presteza?

– Dr. Dégel, o diretor deseja vê-lo. – disse um guarda interrompendo-o em suas divagações.

Sem nada dizer, Dégel prendeu os cabelos para trás e acompanhou o guarda.

Em sua sala, Minos aguardava. Enquanto Dégel não chegava, ele ouvia Caronte que estudara cada palavra a ser dita e conversava com Morfeus.

– Marte era fácil de manipular e não se importava em ceder os seus para... o projeto. Mas, esse grego chamado Kardia é diferente, ele age como se fosse um protetor. Teremos problemas com ele. – disse o guarda começando a colocar em prática sua guerra pessoal contra o grego.

– Era com ele que o Dr. Dégel estava quando foi ferido?- perguntou Morfeus.

– Sim, me parece que os dois ficaram amigos e Kardia deixou bem claro que o protege. – respondeu Caronte.

Minos franziu o cenho.

– Dégel e um... bandido? Isso me parece surreal, quase impossível de se acreditar.

– Para o senhor ver...

– Digamos que essa... união pode vir a ser muito interessante... – falou Morfeus com um sorriso malicioso.

– O que está pensando, Morfeus? – questionou Minos.

– Creio que Dégel está encontrando aqui, algo que lhe faltava lá fora, ou seja, um vínculo mais profundo com alguém. Esse tal Kardia parece importante para ele e uma relação entre os dois pode vir bem a calhar... Não acha?

No exato instante em que Morfeus questionara Minos, Dégel entrou. Os olhares se encontraram e Minos tomou a palavra.

– Vejo que se recuperou bem, Dr. Dégel. Por favor, sente-se e vamos conversar.

Morfeus e Caronte deixaram a sala sem nada dizer, embora Morfeus exibisse o seu costumeiro sorrido mordaz. Dégel permaneceu de pé, o olhar fixo em Minos que se mostrava ereto e elegante.

– Sente-se. – insistiu Minos apontando para a cadeira a sua frente.

Dégel obedeceu e Minos encarou-o de modo inquisidor, inspirou e então falou:

– Pensei muito a respeito do seu caso e decidi que você pode ser útil de outra forma. Vou colocá-lo como assistente do médico responsável pela enfermaria da ala B. Creio que seus conhecimentos podem ajudar bastante e assim não verei seu talento desperdiçado.

O semblante de Dégel se iluminou. Ele não esperava aquela atitude de Minos e o fato o desarmou.

– Está falando sério? – deixou escapar.

Minos encarou-o com um olhar sério.

– Sua falta de confiança em mim me deixa magoado, doutor.

– Perdoe-me, mas...

– Poupe-me de suas justificativas, Dr. Dégel. Espero que isso o faça ver que sou um homem justo. Agora vá, Caronte o espera para levá-lo de volta.

– Obrigado. – disse Dégel.

Minos o viu afastar-se e seu semblante mudou. Morfeus tinha razão, para levar Dégel a colaborar, deveria traçar uma estratégia mais sutil...

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Máscara da Morte abriu os olhos com dificuldade. A cabeça ainda estava pesada e a sua boca estava seca. Levantou-se da cama e foi até a pia. Abriu-a e levou o rosto. Depois colocou um pouco de água na mão e levou-a a boca. Bochechou e cuspiu, sentindo-se um pouco melhor.

– Tome um gole disso. – disse Afrodite estendendo uma caneca para o italiano.

O moreno olhou-o desconfiado, antes de aceitar.

– Espero que não esteja tentando me envenenar. – disse ele com um sorriso malicioso.

– E porque eu faria isso?

– Sei lá... Talvez porque eu tenha te deixado de pau durotodo esse tempo.

Afrodite franziu o cenho e sentiu o rosto ficar quente. No entanto, controlou-se e sorriu com sarcasmo.

Bem, o que aconteceu só confirma a minha teoria... Se tem algum macho aqui, capaz de fazer o serviço, esse sou eu e como eu não curto comer gente desmaiada, mostrei a minha gratidão pelo que fez por mim e protegi o seu rabo.

Máscara mordeu o lábio e se aproximou de Afrodite, tocando-o no rosto.

– Sabe... Você não me engana. Você é do tipo romântico que se derrete vendo filmes melosos e seu sonho é achar um macho que te domine, isso sim!

– Para seu governo eu já tive um homem de verdade que me amou e me tratou com respeito. Então, se me dá licença, vamos encerrar por aqui! – disse o loiro irritado.

Os olhos azuis escuros percorreram a pele clara e fixaram-se na boca delicada que agora estava apertada, formando par com os fuzilantes olhos claros que se detinham na face de Máscara da Morte.

– Eu não sei o que aconteceu com o seu macho dos sonhos, mas, deixa eu te mostrar uma coisinha... – murmurou o italiano, clamando a boca de Afrodite de maneira possessiva, enquanto o prendia junto ao seu corpo musculoso.

O corpo de Afrodite ganhou vida de imediato. Ondas de desejo lhe percorreram os mamilos e a pélvis, acordando sua pele, fazendo-o ter uma ereção. Ele ainda tentou reagir, enquanto o fogo do italiano o tomava de assalto, língua e lábios executando uma dança erótica na sua boca.

– P-Pare! – gritou o loiro tremendo e empurrando Máscara para longe de si.

Com uma risada rouca, Máscara elevou os braços como se estivesse sob a mira de alguma arma.

– Enquanto o macho certonão aparece, porque não se divertir com o macho errado?Seu corpo responde ao meu, basta olhar...

– Me deixe em paz! – disse o loiro tomado por sentimentos conflitantes e... culpa.

De repente, Afrodite sentiu-se traindo a memória dele, do único homem que o fizera sentir-se amado, além de desejado. Sim, Shura havia sido sua experiência romântica e... trágica. A velha história entre o herói galante e o vilão que se redime pelo amor. Só que, no seu caso, a redenção trouxe a morte do herói e o seu confinamento naquela prisão maldita. Então, o que estava fazendo consigo? Se deixando seduzir por um homem rude que parecia ter prazer em matar, em transar e, agora, submetê-lo aos seus desejos.

Máscara percebeu o sofrimento no belo rosto e parte de si não gostou de saber-se o causador de tal sentimento. Não sabia a razão de agir de forma tão contraditória, pois, ao mesmo tempo em que desejava Afrodite provocava-o, afastando-o de si. No fundo, sabia que o loiro era diferente, apesar de estar ali. Havia nos gestos e na fala de Afrodite uma sofisticação que erguia uma barreira natural entre eles.

– Fique tranquilo, não vou insistir e nem rastejar. Fique com o seu príncipe fantasma que eu tenho mais o que fazer. – disse o italiano, enquanto Afrodite engolia as lágrimas que encheram os seus belos olhos...

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Kardia falava com dois homens quando Dégel adentrou o corredor. Mesmo de costas, o grego sentiu a presença do médico e seu coração acelerou. Devagar, ele se virou, percebendo que Aldebaran cumprimentava Dégel com um sorriso largo e ficou grato ao companheiro por fazê-lo, pois isso, ao menos diminuiria a decepção que o médico teria...

Dégel correspondeu ao forte aperto de mão de Aldebaran e logo seus olhos pousaram sobre Kardia. A noite ardente ainda vívida em sua memória, em sua pele... Era a primeira vez que sentia aquele tipo de excitação e não sabia muito bem como lidar com isso, então respirou fundo e tentou ser o mais natural possível.

– Olá! – disse sorrindo, tímido, ao chegar perto do grego.

– E aí, nerd!Por que voltou? Achei que ficaria no seu canto vip, depois de tudo que aconteceu. – falou Kardia tentando manter o encontro num nível impessoal.

O tom debochado e a distância mantida pelo grego fez com que Dégel sentisse um aperto na boca do estômago. De imediato ele percebeu que Kardia desejava manter-se distante dele e o aperto evoluiu para uma dor incômoda que ele tratou de esconder.

– O diretor me colocou na enfermaria como assistente do médico-chefe. Voltei porque tenho a chance de fazer aquilo que sei e gosto. – disse Dégel, agora sério.

– Então tá. Sorte prá você. – falou Kardia dando as costas ao médico e voltando a falar com os homens.

Misty olhava para os dois como se fosse um gato olhando dois pássaros. Os olhos claros percebiam a tensão e a intensidade que ambos tentavam disfarçar.Dégel seguira em frente, enquanto Kardia continuava a conversa com os outros presos.

Num dado momento, o grego disfarçou e olhou para trás, fechando o punho como se tentasse resistir a algo... Enquanto isso, o médico seguia em frente, o corpo ereto, porém ele mordia o lábio inferior com força, um trejeito que denunciava as emoções disfarçadas pela atitude civilizada que ele mostrava.

Aí tem...Disse Misty para si mesmo, enquanto Máscara chegava junto dele e passava a mão na sua bunda.

– Vamos até o armário... – murmurou o italiano.

– Hummm... Estamos com apetite, depois de umas férias forçadas. – disse o loiro mordendo o indicador. — Trouxe camisinha?

– Essas servem? – perguntou Máscara mostrando uma caixa.

Céus, garanhão! Tudo isso?!

– Vou te levar ao paraíso, baby... – falou Máscara e quando os olhos de Afrodite encontraram os seus, ele puxou Misty pela mão e os dois dirigiram-se para o famoso armário.

Afrodite desviou sua atenção do casal e percebeu que Flégias o observava. Sorriu de forma educada e tratou de afastar os pensamentos incômodos e aquela sensação raivosa que se avolumava dentro do peito.

Aldebaran olhou a cena e, em seguida, foi falar com Kardia. O brasileiro mantinha o semblante alegre, embora por dentro estivesse profundamente incomodado. A verdade era que, apesar de saber que Misty era a puta de todos, ali, nutria por ele uma paixão inconfessada e tornara-se seu melhor amigo, mas cada vez que o loiro fazia programa com algum dos detentos, ele sentia o peito doer...

– Deba, quero te pedir um favor. – disse Kardia acendendo um baseado e passando-o para o brasileiro.

– Fala, irmão. – falou Aldebaran levando o baseado aos lábios.

– Fica de olho no Dégel quando eu não tiver por perto. Não deixa ele ficar sozinho por aí.

Aldebaran franziu o cenho, deu uma tragada e depois sorriu.

– Você gosta dele... O que vocês andaram fazendo, heim?

– Nada a ver, a gente não fez nada! Só to te pedindo isso, porque eu devo a minha vida ao cara. – falou Kardia tomando o baseado da mão do brasileiro e levando à boca.

– Tá, pode deixar.

– E Deba...

– Eu sei, Kardia... Nem precisa pedir, não vou falar disso com mais ninguém.

O grego segurou a fumaça e depois soltou, relaxando um pouco. Uma fumaça espiralada foi libertada, segundos depois, em meio à voz baixa e rouca. Ainda se sentia mal pela forma com que tratara Dégel, porém era assim que devia ser. Render-se aquele sentimento seria perigoso para si e para o médico. E, afinal, ele não era gay!

– Fico te devendo. – disse Kardia e pensou que era mais um favor na sua lista de credores. Entretanto, pelo menos em Aldebaran, ele podia confiar.

Aldebaran sorriu e tocou no ombro do grego.

– Não me deve nada, irmão.

Kardia bateu nas costas largas do brasileiro e enfiou uma trouxinha de maconha no bolso do uniforme do companheiro.

– Obrigado, Deba. Sabe que sempre pode contar comigo. – disse o grego se afastando.

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Aproximava-se a hora da janta e Dégel recolhia seus livros, colocando-as em uma caixa de papelão. Kardia entrou na cela, vendo a movimentação do médico e percebendo que ele evitava olhá-lo.

– Pretende ler no refeitório? – perguntou o grego.

– Não, estou me mudando antes do jantar. – respondeu Dégel sem ao menos olhar para Kardia.

– Se mudando prá onde?

– Perguntei ao Flégias se havia uma cela livre nesse corredor e ele disse que sim. Estou mudando para lá.

– E qual a razão disso?

– Eu desejo ficar sozinho e acho que você também quer. Não precisará mais dividir seu espaço com um nerd.

– Dégel... Eu... – murmurou Kardia segurando-o pelo braço.

O médico olhou nos olhos do grego como sempre fazia. Era um enfrentamento silencioso, íntimo, que criava rachaduras na barreira emocional que ambos haviam erguido para se proteger.

– Deixei Zorba, o grego para você. Eu havia negociado um dos meus em troca deste volume, então agora ele é seu. Se não quiser devolva para a biblioteca, jogue fora, faça o que bem quiser. – disse Dégel rompendo aquele contato físico.

Kardia levou a mão aos cabelos para não insistir e tomar Dégel em seus braços. Sentiu um tremor interno quando o corpo dele roçou o seu e segurou-se para não beijá-lo, mais uma vez, sentir-lhe a maciez dos lábios finos, o gosto e o cheiro que o impregnava de um desejo violento e uma emoção desconcertante, inédita e tão feroz quanto o seu temperamento.

Dégel deixou a cela sem olhar para trás. Por dentro, sentia uma decepção e uma mágoa dolorida que, por mais que disfarçasse, seu corpo reagia à presença do grego de forma que nem toda a sua racionalidade podia explicar.

Sentado na cama, Kardia olhou em volta e de repente, a cela ficou silenciosa demais. Não que Dégel fizesse barulho ou falasse muito. O silêncio era a ausência dos pequenos gestos, do olhar penetrante, do sorriso tímido, do rubor que se espalhava pelo rosto belo e delicado...

Merda! Exclamou o grego batendo com o punho fechado na parede.

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Milo caminhava pelas ruas da Cozinha do Infernocom a desenvoltura de quem estava habituado ao ambiente de um bairro como aquele, permeado pelas vozes, gritos, música, cheiro de óleo, de escapamento dos carros que, em sua maioria eram antigos ou populares...

As prostitutas da esquina viraram a cabeça, ao mesmo tempo, ao vê-lo passar. Um assovio cortou o ar vespertino e todas sorriram, analisando o grego de cima a baixo.

– Que tal me deixar cuidar de você, lindo?disse uma ruiva alta, cuja blusa com um decote profundo deixava ver os seios fartos e a saia curta, mostrando aquele lugarzinho...

Sorrindo, o policial fez um sinal especial aprendido nas ruas e seguiu em frente.

– Ai, garanhão... Tudo bem se você é gay!Eu tenho um pau e vou adorar te comer bem gostosinho! Podemos fazer algo flex também! – gritou uma morena alta e musculosa.

Milo atirou um beijo para o travesti e seguiu em frente. Quando chegou perto de um estacionamento, ouviu o barulho de pneus e um carro que estava parado se aproximou, de repente, e um rosto largo e conhecido debruçou-se na janela com um sorriso torto.

– O que te traz ao meu lar, escorpião?

– Nada demais, estou só passeando. – respondeu Milo descansando o cotovelo no teto do carro e inclinando-se na direção de Hasgard.

– Um policial honestopasseando na Cozinha do Inferno?Essa piada é nova.

– Mundo pequeno, esse... Eu queria saber mais sobre... Kardia. Você e ele são amigos, não?

– O que quer saber? Kardia tá preso e eu to tentando manter as coisas em ordem como ele fazia. Você conhece o meu estilo.

– Quando a gente trombou um com o outro você trabalhava com outro chefão. Pelo que eu vejo agora a história é diferente. Qual é o teu negócio com Kardia? – perguntou Milo.

– Entra aqui e vamos tomar uma cerveja em algum lugar.

Milo fez a volta e entrou no Dodge Charger 77. Olhou para o homem grande e sorriu. Só ele mesmo para manter amizade com um gangster que prendera em sua primeira missão como infiltrado. Na época, Hasgard era o que se chama de peixe pequeno, um bandido sem importância. No entanto, Milo presenciara uma cena que o fez ver Hasgard com outros olhos. O grandalhão se recusara a aliciar e vender drogas para crianças, atraindo a ira do seu empregador, um traficante violento que, além dos entorpecentes comandava uma rede de prostituição infantil. Quando a equipe de policiais conseguiu acesso ao covil, Milo acabou livrando a cara de Hasgard e nunca mais tinha tido notícias dele até pesquisar sobre o gangster jovem que liderava o crime na Cozinha do Inferno.

– Tudo bem, vamos lá.

O bar estava enfumaçado. Um homem tocava violão e cantava uma música country que falava de amores perdidos e traição. Uma mulher negra, simpática e sorridente servia as mesas, conhecendo cada cliente e perguntando de suas vidas e rotinas.

Milo bebeu um gole da cerveja gelada, enquanto Hasgard parecia enternecido pela música dor de cotovelo.

– E então... Me fala sobre o seu chefe.

– O que quer saber? Depois daquilo que a gente vivenciou eu vim prá cá. Conheci um garoto que tinha as mesmas regras que eu. Kardia é violento, não teme ninguém, mas tem mais caráter que muito homem que se diz honesto. Quando ele assumiu aqui, nenhum inocente foi metido no meio das negociações. Com ele, tudo se resolve entre quem tá dentro do esquema. O pessoal daqui gosta dele.

– Não me diga que ele rouba dos ricos para dar aos pobres?

Hasgard riu.

– Claro que não. Ele, apenas, deixa a coisa entre nós, bandido com bandido. Não tem essa de vender drogas prá criança, nem de deixar cafetão explorar e bater nas putas do bairro. Aqui na Cozinha cada clã vive no seu pedaço e deixa quem não é do ramo, em paz. Essa é a regra e Kardia faz todo mundo cumprir. Por isso, sou o braço direito dele, porque eu e ele pensamos da mesma forma e sou capaz de dar a minha vida por ele.

– Com Kardia preso, você fica no comando?

– Sim, eu estou no comando até ele voltar.

– A sentença dele é longa, meu amigo...

– Não importa, um dia ele vai sair e quando isso acontecer, a obra dele vai estar aqui, pronta prá ser resgatada.

– Bem, obrigado pela cerveja e pelas informações.

– Por que queria saber dele?

Milo cogitou em contar sobre a missão que teria, mas depois decidiu manter sigilo. Era o melhor para ambos.

– Por nada. Meu chefe quer saber sobre este lugar.

– Diga ao seu chefe que a Cozinha está em paz, por enquanto...

– Tá pressentindo algo?

– Hades está quieto, mas... Eu sei que ele está esperando um vacilo meu.

– Então fica esperto. – disse Milo se levantando da mesa.

– Adeus, escorpião.

– Adeus, grandalhão. Vê se não se mete em encrenca. Se é que isso é possível.

– Não posso prometer nada.

O rosto de Milo ostentou uma expressão fechada, por alguns segundos, mas depois sorriu.

– Eu sei, é o mesmo que pedir a um bombeiro que não brinque com fogo. Mas... mesmo assim, tome cuidado. Pode vir o dia em que agente se encontre em outra situação e você sabe que jogamos em times opostos.

– Sim, eu sei. Eu posso ter que te matar...

Idem, meu amigo.

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O doutor Julian Solo recebeu Dégel com um sorriso simpático e forte aperto de mão.

– Fico feliz que se junte a mim, Dr. Dégel.

– Obrigado. Gostaria de saber como funciona tudo aqui.

– Bem, temos uma farmácia bastante diversificada e remédios controlados que ficam em um armário trancafiado como se fosse um cofre. Somente eu e o senhor devemos ter a senha que o abre. O enfermeiro também pode ter acesso à certas medicações, porém deve sempre reportar-se a um de nós.

– Claro.

– Basicamente, aqui tratamos de ferimentos adquiridos em brigas, algumas indisposições gastrointestinais e overdose com drogas.

Dégel olhou em volta, era um lugar com recursos e contava com uma UTI modernamente equipada. Naquele momento havia, apenas, um paciente sendo tratado e tudo parecia em ordem.

– Já quer começar? – perguntou Julian.

– Sim, eu gostaria muito.

– Então venha, temos mais duas salas contíguas que funcionam como consultório.

Ainda surpreso com tanta sofisticação, Dégel acompanhou o médico. Toda aquela infraestrutura era melhor que muitos hospitais onde já tinha trabalhado. Apesar de ainda sentir-se triste e decepcionado a nível emocional, experimentou uma satisfação interna em, pelo menos, poder exercer sua profissão.

Enquanto isso, Kardia, Aldebaran e Jabu jogavam basquete no pátio. O time adversário tinha jogadores mais altos e pertenciam à facção dos violentos skinheads. Não eram muitos, mas até então eles haviam se mantido unidos e alheios aos conflitos. No entanto, com a morte de Marte e ascensão de Kardia no esquema de distribuição de drogas e domínio da ala, o grupo planejava unir-se ao grego, até destituí-lo do cargo.

– Marca ele, Aldebaran! – gritou Kardia quicando a bola, antes de passar.

Aldebaran foi para cima quando o adversário agrediu-o com uma joelhada, fazendo-o recuar, mas não cair.

– Ei, isso foi falta. – falou Máscara da Morte.

O juiz era um sujeito baixinho com um bigode largo que ele fazia questão de deixar com uma volta nas pontas.

– Falta! – gritou ele. – Arremesso livre para o time A!

Aldebaran foi para a marca e arremessou, conseguindo mais um ponto para o time e olhando feio para o homem que o agredira. Sabia que ele fizera de propósito por preconceito e provocação. Quando voltou para o seu time, Kardia se aproximou do amigo e piscou. Em seguida, o grego marcou o homem e quando ele pegou a bola, deu-lhe uma cotovelada em cheio no rosto, fazendo-o projetar a cabeça para trás, enquanto o nariz espirrava sangue.

– Falta! – gritou o juiz. – E você tá fora! – completou apontando para Kardia.

– Então tá na hora de um jogo mais interessante! – falou Kardia.

O grego olhou para o restante do time adversário e fez um sinal de desafio. Em segundos, os homens vieram para cima e a briga começou.

Máscara da Morte, que já estava só esperando uma oportunidade para extravasar sua agressividade, distribuiu chutes e socos, Kardia foi prá cima daquele que era o líder da facção e Jabu aproveitou o embalo para se “divertir” também, até os guardas intervirem mandando todos se afastar e colocar as mãos na cabeça.

O resultado do jogo permaneceu a favor do time de Kardia, porém a confusão acabara com qualquer chance de terminar a disputa. O líder dos skinheads se aproximou do grego com cara de poucos amigos e disse entre dentes:

– Não devia ter feito isso, grego. Agora, a chance de uma aliança entre nós é zero.

– E quem disse que eu queria algo com gente do seu tipo? Odeio gente que se acha acima dos outros e defende o preconceito,acho burricee a maior chinelagem.

O homem musculoso e de cabeça raspada passou a mão na suástica tatuada em seu braço direito e, em seguida cuspiu. Kardia sorriu debochado e, em seguida, foi encaminhado para a cela.

– Não força, grego, ou vou ter que te mandar para a solitária. – murmurou Flégias.

– Eu não comecei nada, ele aprontou para o Deba e isso eu não ia deixar passar.

– Ele seria um bom aliado, aqui dentro.

Kardia franziu o cenho e olhou para Flégias.

– Não faço questão e acho bom ele ter entendido a mensagem. Na próxima eu quebro aquela cara de ovo maligno tatuado que ele tem.

O guarda olhou-o sem entender e, enquanto os demais eram encaminhados para as celas, Kardia olhou na direção dos bancos, onde Dégel costumava ficar lendo. Havia uns poucos ali, mas o médico não estava. Soubera que, agora, ele passaria a maior parte do tempo na enfermaria e isso, pelo menos, o deixaria em segurança. Inspirou fundo tentando afastar as lembranças e seguiu em frente.

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Após se inteirar das atividades e recursos da enfermaria, Dégel se encaminhou para os chuveiros. Achava estranho que, àquela hora, ninguém estava ali, porém logo chegaram Afrodite e Misty. Afrodite cumprimentou Dégel com um sorriso amigável, enquanto Misty preferiu ignorá-lo.

– Então, doutor, está mesmo recuperado? – falou Afrodite abrindo o registro do chuveiro.

– Estou, obrigado. – respondeu Dégel.

O som da água caindo sobre os corpos deixava o ambiente leve, quase como se fosse um simples vestiário de um clube e não uma prisão. Misty começou a cantarolar quando Kardia, Aldebaran e Máscara entraram. Os três pararam alguns segundos, cada um fixando o olhar em seu objeto de desejo.

– Pensei que estariam trancados, depois do espetáculo de hoje. – falou Misty ao perceber a entrada dos três e olhando, sugestivamente para os três homens.

– Que nada, eu apenas dei um aviso para os nazistas filhos da puta. – respondeu Kardia.

Ao ouvir a voz grave do grego, Dégel estremeceu, porém permaneceu de costas o que permitiu a Kardia olhar demoradamente para a bunda arredondada, antes de desviar e olhar na direção de Misty.

– Ei, que tal a gente de divertir um pouco...? Acho que você está precisando. – disse o loiro se aproximando de Kardia e notando que ele começava a ficar excitado.

Achando que era por sua causa, o loiro murmurou baixinho, próximo ao ouvido do grego:

–Se você quiser... eu deixo você me comer sem camisinha...

Dégel continuou como se Kardia não estivesse ali. Fechou o registro e, quando se virou, deu de cara com aquele olhar incisivo do grego. Os dois nada disseram, até Misty puxar Kardia pelo braço, enquanto Máscara começava a tomar banho e Aldebaran desviava o olhar.

Kardia não se mexeu e nem respondeu, continuou a olhar para Dégel que pegou a toalha e saiu.

Misty estreitou os olhos, mas logo tratou de aproveitar a visão... O grego, o italiano e o brasileiro tinham corpos perfeitos, cada um dentro do seu biotipo.

– Bem que a gente podia fazer uma festinha a três... – disse Misty passando a língua nos lábios bem desenhados.

Afrodite teve a mesma atitude de Dégel, se retirando altivo, enquanto Máscara fingia ignorá-lo.

O grego desistiu do banho e também saiu. Vestiu a calça do uniforme às pressas e foi atrás de Dégel que já estava no corredor que levava às celas.

– Dégel! – chamou ele.

O médico se virou e, ao ver o torso nu de Kardia, sentiu a boca secar. Desconhecia a si mesmo ao sentir-se assim. Fizera um grande esforço em ignorar o grego, não queria parecer um tolo apaixonado por um homem que o ignorara.

– Sim? – perguntou com uma expressão falsamente neutra.

– Hã... Olha só, eu soube que você está trabalhando na enfermaria e... Eu machuquei a mão. Tem algum remédio na sua cela? – disse Kardia mostrando os nós dos dedos esfolados pelos socos que desferira na briga.

Dégel franziu o cenho. Kardia se mostrando vulnerável?O que ele pretendia com aquilo?

– Devo ter um pouco de antisséptico, venha comigo. – disse por fim.

Ao chegar à cela de Dégel, Kardia notou a ordem das coisas. O médico era disciplinado e gostava de tudo em seu lugar. Sentiu um alívio em saber que ele não dividia a cela com ninguém.

– Tá gostando de ficar aqui? – perguntou Kardia, enquanto Dégel pegava um frasco de dentro de uma pequena caixa.

– Estou. Tenho paz e silêncio. Me dê a sua mão. – falou o médico, tentando manter-se frio.

Kardia obedeceu e quando sentiu a mão macia do médico pegando na sua, seu coração acelerou. Aquele simples contato disparava uma excitação poderosa em seu corpo.

– Pronto. – disse Dégel quebrando a conexão.

– Hã... eu machuquei aqui também. – falou Kardia baixando o cós da calça e mostrando uma mancha avermelhada no lado esquerdo do quadril.

Ante aquela visão, Dégel sentiu que precisava acabar com aquele contato ou o grego perceberia que ele estava ficando excitado.

– Peça para ir até a enfermaria. – disse o médico se afastando.

– Eu posso não saber muita coisa, mas eu sei que os médicos fazem um tal juramento de Hipócrita e que devem tratar quem precisa. Você pode muito bem cuidar de mim! – falou Kardia.

Dégel fitou-o, buscando entender a razão de o grego ficar atormentando-o. Afinal, ele não o tinha ignorado? E mesmo quando deixara a cela dele, por que ele não pedira que ficasse?

Não é Hipócrita e sim Hipócrates.

– Hipócrita, Hipócrates, é tudo a mesma coisa. – respondeu o grego daquele jeito infantil que, apesar de irritante, era algo que desarmava Dégel.

– Não, não é, mas não vou ficar discutindo com você! Deixe-me ver isso... — disse o médico suspirando.

Lutando para manter-se sob controle, Dégel sentiu um nó na garganta ao tocar no corpo do grego. Lutava para restabelecer sua inteligência e controle. No entanto, antes que ele terminasse de construir uma barreira para os sentimentos que colidiam em seu interior, Kardia tomou-lhe a mão na sua e a sensualidade selvagem da sua boca encontrou a de Dégel num beijo ardente.

Dégel mergulhou no beijo como alguém que estava se afogando e precisava de ar. O desejo espalhou-se por todo o seu corpo numa memória de sua pele, revivendo o prazer que o contato com Kardia lhe dava. Entrelaçou as mãos nos cabelos negro-azulados e aprofundou o beijo... Podia sentir a paixão do corpo poderoso contra o seu e, nem mesmo as roupas entre eles, disfarçavam a rigidez das ereções de ambos. O constatar do desejo de Kardia impossibilitou Dégel de resistir ao próprio desejo desesperador. O gosto único do grego o deixou ofegante até lembrar-se da recepção que ele lhe dera.

– N-Não faça mais isso. Vá brincar com seu amante e me deixe em paz. – disse o médico.

– Já te disse que Misty não é meu amante.

– É, esqueci que você só trepa com ele, assim como trepou comigo. – disparou Dégel num tom sarcástico.

– Desde que a gente transou, eu não fiquei com mais ninguém. — falou Kardia.

– Eu não entendo o que você quer e, sinceramente, nem quero tentar.

– Você me excita absurdamente. Eu... Eu nunca senti isso por um homem e mesmo que seja, totalmente contra tudo que eu acreditava sobre mim, mesmo assim eu não consigo mais evitar. — confessou o grego.

Novamente Kardia aproximou o rosto do médico e mordiscou-lhe o lábio inferior, para em seguida se afundar naquela boca tépida. Sua regra de não beijar homens havia evanescido ao experimentar o gosto dos lábios de Dégel. O grego aumentava ainda mais a intensidade do beijo, instigando Dégel a fazer o mesmo, pelos provocantes movimentos da língua atrevida a roçar na sua...

Cada vez mais enlevado por aquelas sensações, Dégel enlaçou os braços pelas costas largas de Kardia apertando e sentindo a força daquele corpo. O grego deslizou a mão que se encontrava na nuca do outro para a curva de seu pescoço, descendo então para a linha do ombro, afastando a gola da camiseta revelando a pele nua e eriçada pela excitação.

Kardia então deixou os lábios de Dégel e passou a língua pela curva do pescoço, descendo até o ombro, marcando-o devagarinho. Alternava beijos e mordidas naquela pele macia e Dégel acabou deixando escapar um gemido baixo, a novidade de seu próprio desejo fazendo com que as sensações fossem ainda mais intensas.

A força das carícias de Kardia aumentava, a mão grande deslizou e enfiou-se por entres as pernas do médico, procurando pela intimidade, ávido por tocá-la.

Dégel sentiu uma fisgada na virilha quando o quadril de Kardia se esfregou devagar junto ao dele. Mordeu o lábio inferior, querendo mascarar o prazer que sentia. Kardia mexeu-se novamente, dessa vez mais incisivo que da primeira vez. O médico não pode mais se conter e deixou que um lamento de prazer escapasse de seus lábios.

Kardia lambeu sensualmente a orelha de Dégel, fazendo-o prender a respiração para conter o próprio deleite. Sob o jugo do grego, a única coisa que o médico podia fazer era sentir sua pele sendo acariciada com a fúria de uma excitação arrebatada. O corpo dele tremia e sua pele se arrepiava. Os mamilos reagiram quase de imediato ao estímulo, se enrijecendo.

O maior traidor de Dégel era ele mesmo. Estava impotente diante das investidas de Kardia. Sua respiração começava novamente a se descompassar e seu baixo ventre a latejar em uma onda abrasadora de calor e desejo.

A lenta agonia do médico estava apenas no inicio. O grego desceu o zíper da calça de Dégel, abrindo caminho com a mão para o sexo latejante que já implorava por alívio...

Dégel arqueou as costas num êxtase quase incontrolável. A boca entreaberta do médico deixou transparecer um murmúrio de satisfação, enquanto Kardia passou a massagear-lhe o falo que ficou ainda mais rijo e pulsante.

Os dedos grandes sabiam como mexer na intimidade do médico. Em pouco tempo ficaram umedecidos pelo líquido morno da excitação que começava a escapar por entre seus dedos. Dégel mantinha-se com os olhos fechados a maior parte do tempo, mas das poucas vezes em que se atrevia a abri-los, sempre cruzava com o olhar febril de Kardia que se assemelhava a uma arma poderosa e brutal, pronto para trespassá-lo. Em seguida fechava os seus, com o rosto em brasa. Kardia aumentou então o ritmo com a mão cada vez mais úmida pelo liquido que escorria do falo de Dégel.

Dégel se deixava conduzir pelos caminhos eróticos que o grego lhe proporcionava. Quase desfaleceu quando sentiu o dedo polegar rodear devagar a cabeça do seu falo pulsante. Teve vontade de gritar, mas se conteve a tempo. Em compensação, não conseguiu refrear o próprio gozo, que jorrou, segundos depois, fortemente de sua intimidade para a mão do grego.

Kardia sorriu. Ali teve a certeza que Dégel era virgem até conhecê-lo. A forma como ele se entregava, as expressões de prazer e o rubor no rosto... Era estranho encontrar um homem adulto nessa condição, mas, ao mesmo tempo, lhe dava uma satisfação interna em saber-se único na vida de alguém como ele.

Sentindo-o trêmulo pelo orgasmo, Kardia encostou Dégel na parede fria. Abaixou-se e sua língua percorreu o umbigo, subiu pela barriga até o peito. Passeou então para um dos mamilos ainda eretos e o rodeou com um movimento da língua, arrancando um gemido quase inaudível.

O grego fez com que Dégel envolvesse os braços ao redor de seu pescoço e mexeu o quadril de encontro ao dele. O médico sentiu as mãos grandes de o grego lhe apertar as nádegas com força, empurrando contra o seu ventre.

Mais uma vez, Kardia manobrava o corpo de Dégel com experiência, apertando, mexendo com força. Instintivamente, o médico cedia e se movia ao sabor de sua vontade e das intensas carícias, roçando seu baixo ventre no do seu amante. Ambos alternavam gemidos e sussurros pela libido exaltada. Trocavam beijos molhados, famintos...

Dégel retesou o corpo em desconforto ao sentir o golpe de um dos dedos úmidos de saliva de seu amante junto à entrada entre suas nádegas. Kardia o apertou contra seu corpo num gesto de posse, enquanto tateava o interior do outro. O médico gemeu quase sufocado ao ter seu ponto mais sensível tocado. Ele sentiu-se invadido por uma onda incontrolável de prazer. Cada músculo de seu corpo retesou diante daquela sensação enlouquecedora.

Ainda em êxtase, foi assaltado novamente por outro golpe, mais incisivo que o anterior. Dégel se agarrou com força ao corpo viril de Kardia, no intuito de não cair desfalecido ali mesmo. Os dedos iam e vinham, rodeavam e massageavam fazendo o médico gemer e desejar logo a penetração.

Kardia também estava no limite. Mal conseguia seguir com a preliminar. E num arroubo impetuoso, deitou Dégel na cama, despindo-o com facilidade. Em seguida, livrou-se da calça e afastou as pernas do médico, trazendo-o para junto de si pelos quadris. Podia sentir a carne trêmula do médico em suas mãos. A respiração de Dégel estava curta e rápida. O grego ainda parou por uma mera fração de tempo para olhar para o médico. Os olhos de Dégel tinham um brilho especial, diferente. Não era mais o mesmo brilho de inocência e intelectualidade e sim de um desejo veemente que atiçava, ainda mais, o grego.

Dégel ainda quis balbuciar algo, mas não teve tempo para isso. Em um segundo, sua expressão transformou-se em dolorosa agonia. Ele trincou os dentes, querendo suportar a dor lancinante de ser penetrado pelo falo do outro.

Kardia rosnou algo e, resfolegando, projetou-se de novo contra a entrada estreita, afastando ainda mais as pernas do médico, segurando-o pelas coxas.

Ao sentir-se, totalmente, dentro de Dégel, Kardia gemeu ruidosamente. A cavidade quente se contraia, apertando calorosamente o falo do grego. Foi a muito custo que ele conseguiu se controlar para não gozar dentro do médico naquele instante.

Kardia tornou a buscar os lábios de Dégel. O beijo veio devagar, lascivo e faminto, fazendo com que o médico começasse a se entregar e aceitar a invasão.

– Relaxa... – murmurou junto à boca do outro.

O grego mexeu o quadril devagar, mas com firmeza. O som dos gemidos de Dégel complementava o movimento estertorante de seu corpo ao avanço de Kardia. O deleite começava a se sobressair em meio à dor.

– Humm... Está melhor agora, não?... – Kardia balbuciou entre dentes, dando mais uma estocada possante, sentindo o calor úmido e aveludado que o interior de Dégel proporcionava.

Dégel apenas balançou afirmativamente a cabeça. O grego então sentiu o toque trêmulo das mãos do médico subir em seus braços.

Kardia passou a mover-se devagar, deslizando a carne rígida e pulsante do seu membro em movimentos compassados e incisivos para dentro do corpo de Dégel, que passou a acompanhar o mesmo ritmo ondeante de seu parceiro, ao mesmo tempo em que procurou estimular a própria sexualidade com uma das mãos, guiado pelo instinto e pela busca de aumentar aquela sensação.

A intensidade das estocadas ficou cada vez maior, cada vez mais selvagem e intensa. Pequenas gotas de suor recobriam os corpos de ambos. As mãos grandes de Kardia apertavam agora os quadris de Dégel com força, enquanto continuava em movimentos de avanço e recuo. Gemidos e ofegos ruidosos se misturavam e ecoavam pela cela.

Dégel era empurrado contra o colchão a cada investida de seu amante. Suas unhas se cravaram no braço musculoso na agonia sufocante e desesperada do ápice que se aproximava. A sensação era quase enlouquecedora de tão prazerosa que, mais uma vez o médico constatou que tudo que sentia, era além do que imaginara ser possível sentir...

Kardia sentiu que já estava se aproximando de seu limite. Erguendo um pouco os quadris do médico, retirou-se quase por completo de dentro dele e lançou-se novamente, numa estocada derradeira, acertando em cheio a próstata do amante.

O corpo de Dégel foi assolado pelo tremor sem controle que o orgasmo desencadeava. O quadril moveu-se num espasmo, derramando o sêmen junto ao ventre de Kardia e arrancando de sua garganta, um grunhido rouco. No mesmo instante, sentiu também uma golfada quente dentro de si e ouviu a voz do grego dizer seu nome junto a um ruído gutural diante do êxtase.

Fechou os olhos sentindo um prazer gostoso e quando o corpo pesado de Kardia tombou exaurido sobre o seu, abraçou-o com força unindo as respirações descompassadas e as batidas do coração, ainda aceleradas, de ambos.

Dégel mal raciocinava, apenas sentia, enquanto Kardia também compartilhava do contato íntimo com o médico. O grego sentia-se estranho em desejar ficar ali, dentro dele, saboreando a boca arfante e o calor do corpo sob o seu.

– Você nunca tinha transado... – falou Kardia acariciando o rosto afogueado de Dégel.

– Por que está dizendo isso? – rebateu Dégel desviando o olhar.

– Porque eu sinto. – respondeu Kardia passando o dedo indicador pelos lábios de Dégel que sentiu o rosto ficar, ainda mais quente, confirmando as suspeitas do grego.

Sem saber o que dizer, Dégel tentou desviar o assunto. Era um homem e ter descoberto sua sexualidade, mesmo que tardiamente, era responsabilidade sua, não do grego.

– Não podemos ficar assim, daqui a pouco chega alguém e...

Kardia interrompeu a fala do médico beijando-o devagar.

– Ninguém vai vir aqui, agora... — sussurrou, enquanto passava a língua no lábio inferior de Dégel.

– Kardia... – sussurrou Dégel baixo e ofegante, entregando-se, mais uma vez àquele sentimento que abria sem piedade os caminhos de seu corpo e de seu coração.

O grego interrompeu o beijo, sentindo a entrega do médico e a resposta do seu próprio corpo que, mais uma vez se excitava e ansiava em ter Dégel para si.

– Eu não quero ferir você, nem agir como um canalha. Eu nunca senti nada parecido com outra pessoa e... eu... não consigo evitar isso. Mas você me tira do centro e é a minha única fraqueza aqui dentro. – disse se afastando.

– Então esqueça. – disse Dégel tentando se levantar.

– Não posso... E não quero... – falou Kardia puxando, novamente, o médico para si.

O abraço que ambos vivenciaram era tão forte que chegava a doer. Nenhuma palavra foi dita, havia, apenas, o calor úmido dos corpos entrelaçados e uma emoção irresistível que os levava de encontro ao medo, ao desejo e à paixão...

Misty passou pela cela no exato instante em que Kardia beijava Dégel mais uma vez. O loiro arregalou os olhos e deixou escapar um não que, apesar de baixo, pareceu retumbar em seus ouvidos.

Nenhum dos dois o percebeu, e Misty deixou o local sentindo o sangue ferver e um ciúme atroz dentro do peito...

Notas finais
***Obrigada, sempre a todos que leem, favoritam, recomendam, silenciam! Cada um tem um lugarzinho especial em meu coração!!!
*** Estou atrasada na resposta aos reviews do capítulo anterior, mas responderei todos, podem ter certeza!!!!
*** Hipócrates:
Hipócrates é considerado por muitos uma das figuras mais importantes da história da saúde, frequentemente considerado "pai da medicina", apesar de ter desenvolvido tal ciência muito depois de Imhotep, do Egito antigo.

****Bjs, bom domingo e tenham uma ótima semana!!!XD