Santuário Dos Condenados

5 Capítulo 5 AMORES BRUTOS (PARTE I)


Notas iniciais
***Olá, galera!!! Mais um fim de semana e mais um capítulo!
**Agradeço imensamente os reviews e estou feliz com a receptividade que a fic teve.
**Um super beijo prá Ana Letícia que me enviou uma MP me perguntando sobre a postagem!! Amada, esse capítulo é prá ti!
** Muitas coisas acontecendo na fic, mas eu estou desenvolvendo a trama de forma a ficar tudo mais natural, então me perdoem e tenham paciência em relação aos casais preferidos.
** Eu odeio funk, mas esse que eu ouvi sem desejar num carro que passou com o som altíssimo me fez imaginar que era perfeito para um ambiente de cadeia! Fui até pesquisar no Youtube*risos Me perdoe quem gosta, mas... imaginar Misty rebolando prá um monte de tarado não tem preço!!!* risos

“Se joga se joga joga no meu colo e vem

Se joga se joga joga no meu colo e vem”

“Onde você ta eu quero sentir a sua boca agora

Quero ter você sei o que fazer então vem e não demora

Então chega aí então senta aqui e bota pra quebrar

Revira a cama toda é nosso mundo de pernas pro ar...”

“Girl, just shot that body

Samba, make it touch the floor

Brazilian wax that body

Makes me want some more”

“Me engole me sente respira me excita

Me engole me sente respira me excita”

“Se joga no meu colo amor

Se joga no meu colo amor

Se joga no meu colo amoooooorrrrrrrr”

A música alta saía de uma minúscula, porém potente caixa de som, enquanto Misty rebolava, deixando a bunda empinada para o delírio dos detentos.

Aldebaran sorria safado com o funk cantado em sua língua materna, entendendo cada palavra, enquanto o restante entendia somente a parte em inglês. Porém, isso não importava muito. O fato era que a dança associada aos movimentos sinuosos e sugestivos do corpo agachando e simulando o ato sexual deixava todos excitados e querendo negociar um alívio com Misty.

Puta que pariu! Se joga aqui Misty! Eu tenho o que você gosta. – gritou um homem esfregando uma nota de dinheiro sobre a ereção que já se evidenciava por baixo da calça.

– Deixa esse frouxo aí e vem aqui com o *daddy! Eu vou te foder bem gostosinho... – rebateu outro.

O loiro provocava a todos, mas olhava fixo na direção de Kardia que conversava com Máscara da Morte distante há uns três metros do grupo alegre...

Mesmo que o grego não o beijasse, nem acariciasse como ele desejava, ainda assim, ele sabia lhe dar prazer, não era bruto como a maioria e ficava duro por muito tempo, tempo o suficiente para que gozasse todas as vezes em que transavam... No entanto, Kardia estava diferente, era algo sutil, mas estava. Será que somente ele notava isso?

– Misty tá olhando prá cá e é contigo o negócio. Parece que depois de mexer aquela bunda ele ficou a fim de trepar... – falou Máscara com um sorrisinho.

Kardia suspirou e riu.

– Não to com cabeça prá isso agora. Achou outro cara prá fazer a parada?

– Achei, um tal de... Jabu. Parece que dá conta do recado.

– Tá, então manda ele sentar na mesa com a gente no refeitório. – disse Kardia olhando para o outro extremo do pátio, onde Dégel lia, como sempre e usava fones de ouvido.

Já havia se passado três dias após o episódio da arritmia e a convivência com o médico se tornara amigável, apesar de ele passar grande parte do seu tempo calado e lendo, o que deixava Kardia intrigado.

– Você não cansa de ler? De que adianta isso aí se estamos presos? – perguntou o grego se aproximando e apontando para o volume grosso nas mãos do médico.

Dégel ergueu os olhos e sorriu, timidamente.

– Podemos estar confinados... Mas, isso continua livre. – falou ele, apontando para a própria cabeça.

Kardia franziu o cenho, depois sorriu tirando uma trouxinha de maconha do bolso.

– Quer um baseado? Isso sim, liberta a minha mente... – disse o grego enrolando a droga, com eficiência e rapidez, no mesmo papel em que ela viera embalada.

– Engano seu. A Cannabis apenas o deixa letárgico e com uma falsa noção de realidade. Isso não é liberdade, muito antes pelo contrário, o torna prisioneiro de si mesmo e do vício. É pior do que estas grades se quer saber!

– Ah, vai à merda, nerd! E o que você tanto ouve nesses fones? – falou Kardia.

– Se não consegue suportar a verdade, volte para a rodinha dos rituais de acasalamento e me deixe ler em paz. E estou ouvindo as Quatro Estações de Vivaldi, uma música de verdade e não esse... Esse martírio sonoro! – respondeu Dégel com aquele tom frio e incisivo.

– Rituais de... acasalamento? – repetiu o grego estreitando os olhos.

– É aquilo que o seu amante está fazendo no meio de um grupo de homens que mais parecem gorilas em volta da fêmea disponível que exala feromônios por todos os poros.

– Ah, o Misty dançando. – falou Kardia rindo.

– Dançando? Se aquilo for dança, eu sou o Dalai Lama.

Mais uma vez, Kardia encarou Dégel e então balançou a cabeça e riu.

– E ele não é meu amante, seu otário. Eu só trepo com ele como todo mundo aqui. Quer dizer, menos você e o Afrodite que parecem anjos sem pinto. Se bem que Afrodite e Misty ia parecer uma coisa meio lésbica, agora você e ele...talvez desse alguma coisa.

Nesse momento, Máscara se aproximou, sussurrando algo que fez o grego interromper a conversa e ficar sério.

– Marte sai hoje... mais precisamente, agora. – disse o italiano olhando para o sol como quem adivinha a hora pela luminosidade do momento.

– E o Caronte, tá junto dele?

– Tá. Os dois tão de treta. Vamos esperar o momento certo.

– Chama o Aldebaran.

Dégel percebeu os olhares e sussurros e inspirou fundo. Kardia estava planejando alguma coisa e para variar, devia ser algo violento. Ele juntou os dois livros que tinha nas mãos e retirou os fones, guardando-os também. O grego notou a movimentação um tanto nervosa do médico.

– Onde tá indo?

– Não quero presenciar nenhuma briga sangrenta! E prá seu governo, eu não sou assexuado, apenas não me comporto como um animal no cio. Com licença.

Kardia fitou-o bem dentro dos olhos, sentindo a fibra do médico. Era estranho, mas mesmo sendo gentil e contra a violência, havia momentos em que o grego sentia firmeza e força no olhar e nas atitudes de Dégel que o deixava surpreso, pois com exceção dos amigos conquistados ali, ninguém mais tinha peito de falar com ele sem temer dizer algo que o desagradasse.

– Fica na cela, então, e não sai de lá. Se quiser tomar banho vá mais cedo aos chuveiros. – falou Kardia tocando o braço de Dégel.

– Obrigado pelo aviso. Espero poder andar nos corredores sem escorregar em sangue. – respondeu Dégel com sarcasmo.

Kardia bufou, mas nada disse. Juntou-se à Máscara da Morte e Aldebaran que já vinham vindo. Um olhar do grego e os dois assentiram em uma compreensão muda do que tinham de fazer...

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Por duas horas, Milo caminhou pelo próprio apartamento arrumando a desordem que ignorara por várias semanas. Nunca fora muito organizado, as roupas costumavam ficar onde aterrissavam, até que as juntasse para levar até a lavanderia, assim como os sapatos, meias e cuecas.

Crescera em uma casa cheia de gente, onde a bagunça era inevitável, mas mesmo assim seus pais faziam questão de manter cada coisa em seu lugar. Por isso que, quando deixara o lar, tipicamente grego, se permitira a liberdade de fazer bagunça sempre que quisesse até não aguentá-la mais. E, justamente agora, resolvera que era hora de se organizar, porque seu emocional já estava bagunçado por demais com tantas coisas acontecendo, ao mesmo tempo, missão, reabilitação, infiltração e... Camus!

Quando a campainha soou, o grego não imaginou que seria ele, a principal razão de toda aquela bagunça dentro de si. Atendeu sem nem olhar pelo olho mágico, mas colocou a pistola nas costas, por dentro da calça de moleton, um condicionamento que todo policial infiltrado acabava por contrair.

– O que está fazendo aqui? – perguntou surpreso ao ver Camus segurando um saco de papel pardo.

– Precisamos conversar. Trouxe vinho. — respondeu o ruivo.

– Entra. – disse o grego retirando a arma das costas e colocando sobre a estante perto da porta.

Camus obedeceu e, ao adentrar a sala, foi tirando o paletó como sempre fazia quando visitava Milo.

Milo olhou-o e teve aquele déjà vu básico de admirar o corpo do ruivo, perder-se nas formas esguias e na pele alva... Camiseta azul-marinho, jeans gasto e mocassins. Era uma merda, mas Camus era sempre lindo, do tipo que ficava bem fosse com um terno bem cortado ou com qualquer trapo naquele corpo gostoso...

O ruivo, por sua vez, correu os olhos pelo corpo bronzeado do grego, coberto por uma camiseta justa e desbotada fazendo par com uma calça de moleton que deixava o osso do quadril evidenciado, enfatizando a boa forma em que ele se encontrava e fazendo-o recordar da sensação das suas mãos apertando aquela região... Se fechasse os olhos podia descrever a textura dos músculos, o calor da pele, o gosto dele mesmo que o sexo só tivesse acontecido uma só vez. Era incrível como aquele grego podia desestabilizá-lo na mesma medida em que o fazia sentir-se vivo, pulsante...

– Perdoe-me por vir sem avisar, mas... Eu precisava esclarecer algumas coisas entre nós.

Um sorriso irônico distendeu os lábios grossos e sedutores de Milo.

– Prá quem saiu sem dizer nem ao menos um... Vá se foder, Milo e ficou fora durante três meses sem dar uma notícia sequer... Creio que pouco importa se você avisa ou não. Ainda mais que estou curioso, o que o trouxe aqui?

– Milo... Eu sei que justificar um ato que já causou estrago é... É no mínimo inútil, mas, acima de tudo, nós sempre fomos amigos. Por favor, me ouça e depois decida se... pode me perdoar ou ao menos, tentar compreender a minha atitude.

Considerando a ênfase no tom de voz do ruivo, assim como a sua expressão de urgência, Milo cedeu. Em parte, porque não conseguia domar seus sentimentos e, apesar da mágoa, amava Camus com um desespero exasperante. Por outro lado, Camus tinha razão, eram amigos e um laço como aquele não acabava assim. O francês sempre fora reservado e racional, mas quando estavam juntos sentia que ele se permitia coisas que com qualquer outra pessoa, era inexistente. E, além disso, Camus sempre fora cuidadoso e leal antes da noite fatídica.

– Ok, Camus. Sente-se. Eu estava pensando em comer. Você já jantou?

– Não, apenas bebi um pouco de vinho, após o banho. Mas, não quero que tenha trabalho por minha causa. Podemos pedir algo... Comida tailandesa que você gosta ou pizza. Não estou com muita fome.

– Já que não está faminto, posso exibir meus dotes culinários. Aprendi a fazer cachorro-quente de microondas. – disse Milo e foi a primeira vez que sorriu.

Aquela visão fez Camus relaxar, um pouco. Ver Milo sorrir era sempre um bálsamo, uma sensação de plenitude que ele não conseguia explicar, enquanto vê-lo sofrendo ou magoado arrasava o seu complicado coração mesmo que nunca o demonstrasse.

– Creio que cachorro-quente com vinho é, no mínimo, uma combinação interessante. – disse Camus e também sorriu.

Milo foi para a cozinha e montou seis cachorros-quentes. Colocou-os no micro e, enquanto ficavam prontos, retirou os acompanhamentos da geladeira.

– Mostarda, maionese e ketchup? – perguntou ele.

– Hã... Eu fico somente com o molho e a salsicha. – respondeu Camus, embora comer salsicha não fosse algo que apreciasse, depois de saber a origem e confecção da mesma.

– Eu gosto de tudo no meu! – disse o grego com a vivacidade costumeira e colocando os complementos em uma bandeja de madeira.

Em seguida, Milo abriu o armário e retirou duas taças de vinho de borda dourada. Pegou o saca-rolha da gaveta e ainda puxou dois pacotes de batata palha que só tinham espaço para serem levadas embaixo do seu queixo.

– Deixe-me ajudá-lo. – falou Camus se aproximando e, pela primeira vez, os olhares se encontraram sem conflito.

Os dois rumaram para a sala, onde a bandeja foi posta sobre a mesinha de centro. Os pacotes de batata palha foram abertos e o vinho também. Assim que o micro sinalizou, os cachorros-quentes foram retirados e o banquete começou.

– Aí está, cachorro-quente à La Milo!

Camus olhou para os cachorros-quentes por alguns segundos, depois pegou o vinho que trouxera, um merlot e serviu as duas taças. Após um brinde rápido, ambos degustaram um gole da bebida e Milo sorriu, fechando os olhos.

– Hummm... Seu gosto prá vinho é excelente, francês. Esse aqui é dos bons!

Francês! Não gostava quando Milo o chamava assim, preferia até ser chamado de ruivo. Francês parecia uma palavra que personificava a tentativa explícita de mantê-lo longe. Não desejava isso, não com ele. Queria sim a proximidade prazerosa que tanto podia ser no trabalho, quanto nos momentos em que faziam alguma coisa juntos. Não queria perder a amizade profunda que tinham um com o outro.

Os dois comeram em silêncio que, de vez em quando, era quebrado por alguns sons de aprovação feitos com a boca.

– Estou aprovado? – perguntou o grego.

Levando o olhar aos lábios úmidos de Milo, Camus disse:

– Venha aqui.

Milo sentiu um abrupto surto de excitação.

– O que foi? – perguntou ele.

– Você está com mostarda na boca.

O grego levou a mão ao guardanapo para se limpar, quando Camus adiantou-se e pôs a mão no queixo dele e, com o polegar, esfregou-lhe o canto da boca várias vezes.

– Saiu. – disse ele. – E sim, você está aprovado como um Top Chef de fastfood.

Milo sentiu o toque daqueles dedos e seu corpo recordou a sensação em outros lugares... Se já havia saído, porque Camus não tirava a mão do seu rosto? Porque o olhava daquele jeito único, como se seus olhos fossem duas brasas ardentes e frias, ao mesmo tempo?

– Obrigado. – disse o grego se afastando e levando a taça aos lábios para não deixar que Camus percebesse o seu estremecimento.

– Milo...

– Quer mais um?

– Não, obrigado. Estou satisfeito. Olhe prá mim...

O grego obedeceu e seus olhos azuis ficaram escurecidos, os lábios entreabertos e a respiração tensa. Quando olhou bem dentro dos olhos de Camus, viu a sombra de uma emoção poderosa unida à angústia e tentativa de manter-se sob controle.

– Estou ouvindo... Mas deixe-me levar isso prá cozinha. – disse Milo tentando disfarçar a angústia de enfim, saber o motivo daquela atitude que o deixara sem chão, durante três meses.

Camus o acompanhou, compreendendo que o grego tentava esconder suas inquietações com ações práticas e controlar seu temperamento. Apoiando-se no balcão de granito negro, ele falou:

– Vou ser direto. Naquela noite em que nós...

Transamos! – completou Milo. — Sim, eu lembro e muito bem dessa parte. Eu tava mal e você acabou cedendo ao meu assédio. Depois você sumiu e eu pensei no quanto eu devia ter sido... uma merda na cama e... Olha Camus... Eu não estou te cobrando nada. Eu só...

– Você ficou magoado e com razão, Milo. A minha atitude fez parecer que o que aconteceu foi errado e que eu sou um tremendo filho da puta.

Ao ouvir aquela última palavra, Milo arregalou os olhos. Apesar de ser um policial e conviver com todo o tipo de gente, Camus raramente falava um palavrão. Às vezes, falava merda em francês, mas até mesmo o som do palavrão em sua língua materna e com aquele sotaque aveludado soava como um elogio...

– Está surpreso, non? Sim, Milo eu disse filho da puta, porque foi assim que me senti e sei que foi o que você pensou. Aquela noite eu vivi a experiência mais intensa de toda a minha vida e, ao mesmo tempo, a mais confusa. Somos amigos e eu sempre priorizei nossa amizade em detrimento de outros sentimentos que eu sempre guardei dentro de mim. Eu confesso que estava muito furioso com tudo, com aquela missão, com o fato de você se tornar um dependente químico, comigo mesmo por não tê-lo protegido. – disse Camus.

Milo permanecia em silêncio, o cérebro tentando processar aquela cena invertida onde era Camus que se mostrava ansioso e falante, enquanto ele, apenas observava tudo em silêncio.

– Você não me assediou Milo, eu quis ter você aquela noite. Eu queria tirar aquelas dores horríveis que via você sentindo e... E tinha a oportunidade de dar vazão aos sentimentos que eu sempre guardei aqui dentro.

– Então por que, Camus? Por que você foi embora daquele jeito? Sem nenhuma palavra sequer!

Camus levou a mão aos cabelos curtos e depois tornou a olhar para o grego.

– Eu fui chamado pela DP central em ritmo de urgência. Quando cheguei lá, Dohko já estava com meu passaporte e as passagens para a Rússia. Hyoga já tinha sido enviado e minha missão era juntar-me a ele e prosseguir com o caso. A partir daquele momento eu não podia falar com mais ninguém, nem mesmo com familiares. Depois de um tempo, todos seriam avisados que eu havia sido alocado em um caso importante, mas durante 72 horas eu deveria ficar incomunicável. Eu quase desisti, Milo, mas Dohko não permitiu e nem eu contei a ele sobre o que acontecera entre nós. Dohko disse que confiava em mim para este trabalho e que quando eu voltasse, eu assumiria o seu lugar. Eu tentei argumentar, mas ele afirmou que tudo já estava decidido. Eu pensei muito e, apesar de saber que o magoaria, Milo, eu... aceitei.

– Você no lugar de Dohko... Aquele velho safado. Porque ele não me contou?

– Esse caso era confidencial, nem mesmo Aioros sabia dos detalhes.

– Eu fiquei pensando que você e seu amante teen haviam se mandado prá algum lugar cheio de vodka e transado até a exaustão.

– Amante teen? Como assim?

– O Kanon disse que o Hyoga colado em você o tempo e de segredinhos pelos cantos faz parecer que ele é seu amante misterioso. Como ele tem uma cara de adolescente, todos ficam zoando que ele é o seu amante teen.

Após aquela explicação foi a vez de Camus arregalar os olhos e balançar a cabeça.

– Isso é... É muito descabido! Hyoga e eu somos parentes, eu nunca transaria com ele... Mon Dieu, isso não tem cabimento e... E...

Milo interrompeu o ruivo, novamente, mas agora não com palavras e sim com a boca, puxando-o para um beijo, provando-o com a língua, excitando-o a tal ponto, que Camus sentiu o membro endurecer de uma forma urgente.

– Chega de conversa, francês... – sussurrou Milo entre os lábios de Camus. – Eu te perdoo se você me deixar fazer amor com você.

Camus fitou-o no fundo dos olhos, o corpo já reagindo àquela proximidade.

– Sou todo seu, grego...

Os beijos foram ficando intensos e carregados de uma necessidade visceral, fazendo as línguas se tocar de uma forma selvagem e desesperada. Milo desceu a língua pelo pescoço alvo, tendo o cuidado de sugar a pele sem deixar marcas, talvez mais tarde ele marcasse o francês, mas não agora... Passou as mãos pelo corpo esguio, com uma habilidade erótica deliciosa, perfazendo os contornos, apertando a bunda redonda, trazendo-o para junto de si, roçando as ereções, demoradamente.

Camus gemia, dentro da boca quente e despudorada, descortinando o sabor do desejo, provando da sensação de sentir a língua de Milo buscar a sua. Sorriu ao vê-lo, também entregue, mordendo seus lábios e aprofundando, ainda mais o beijo.

Com perícia, puxou a cordinha da calça de Milo, deixando-a cair e abriu o zíper da sua. Levantou o loiro e o pôs sobre a bancada, pondo-se entre as pernas abertas e beijando-o, lenta e suavemente, devolvendo a provocação do outro, sentindo-o avançar com a língua impaciente sobre a sua. Interrompeu o beijo, posicionando-se para penetrá-lo, mas foi nesse momento que sentiu e soube o que Milo desejava...

– Vamos prá cama... — sussurrou o ruivo, enquanto mordia a nuca do grego, fazendo-o se arrepiar e gemer mais ainda.

Os dois entraram batendo os corpos pelas portas e paredes, imersos nos toques ávidos e na excitação desenfreada. Tiraram o restante das roupas, atiçando o prazer de roçar as peles nuas, quentes e saudosas um do outro.

Milo estava louco para sentir-se dentro de Camus, aquele corpo sem exageros, o perfume cítrico e suave da colônia cara misturado ao cheiro dele, algo indefinível... Naquela noite, fora ele quem se entregara de corpo e alma ao francês, agora desejava possuí-lo, mas não queria que ele se afastasse. Camus tinha uma personalidade dominante, controladora... Talvez não fosse o momento, só queria estar com ele, amá-lo, matar aquela saudade que deixara um vácuo de tristeza em seu coração e em seu corpo.

O grego interrompeu o beijo e olhou dentro dos olhos cheios de paixão do ruivo.

– Eu te quero, Camus... – disse, simplesmente.

Sério, Camus deitou-se na cama desarrumada, o corpo relaxado e à vontade com a nudez exposta aos olhos de Milo. Olhando fundo nos olhos do outro, ele disse com a voz carregada de um desejo verdadeiro...

– Então venha e tome conta de mim... É isso que deseja, não é?

A respiração de Milo se intensificou e ele sorriu, sentindo esvaírem-se todas as amarras, indecisões e medos... Cobriu o corpo de Camus com o seu, acariciando e abraçando de forma lenta e ardente. Beijou-o, novamente, sentindo-o arfar e apertar suas costas com força. Deslizou o corpo, lentamente sobre ele, roçando a ereção túrgida entre as pernas, o ventre e o falo que pulsava e gotejava de tanta excitação.

– Ah, Camus... – sussurrou ao sentir a união pulsante dos falos e o olhar transtornado do ruivo.

Então, sua boca se fechou sobre os lábios entreabertos, num beijo molhado, a língua passeando sobre os lábios arfantes, os dentes roçando e mordiscando, as mãos acariciando os mamilos...

Olhando-o, entregue afastou as pernas de Camus, até que todo o seu corpo estivesse intimamente colado ao dele. Seus dedos, umedecidos com a própria saliva, mergulharam dentro dele e começaram a acariciá-lo, preparando-o para a penetração.

Quando sentiu o ruivo acelerar a respiração, posicionou o falo túrgido no canal e mergulhou fundo, soltando um gemido rouco e arrancando um gemido longo, de dor, mas também de prazer dos lábios avermelhados.

Devagar, Milo moveu-se até sentir o interior do amante ceder e acolhê-lo, úmido e quente. Excitados, os dois começaram a mover-se de forma sincrônica, até os corpos incendiarem como se estivessem tomados por um fogo devastador. Milo gemia e preenchia Camus num ritmo alucinante. Sentia-o contrair as coxas e ia mais fundo, mais rápido, como se pudesse fundir-se a ele, além das peles que se encontravam no insano bailado erótico...

Camus começou a estremecer e, com os olhos bem abertos, agarrou-se a Milo enquanto seu corpo se contraía convulsivamente. Sentia como se cada parte de seu corpo fosse incendiar e explodir... Sua boca abriu-se, soltando um arfar rouco e alto.

O grego segurou as mãos de Camus, entrelaçando os dedos, enquanto se movia dentro dele com força. Com uma última penetração ele sentiu Camus contorcer-se e gritar, derramando-se em sua pele. Foi então que se permitiu arrebatar pelos estertores do orgasmo e estocou ainda mais fundo, olhando-o com devoção, enquanto seus quadris se chocavam ao corpo suado abaixo de si.

Por um momento, Camus sentiu-se perdido no tempo e no espaço. Sentia uma espécie de epifania, de revelação imediata e atroz que amava Milo e que jamais permitiria que algo interferisse nesse sentimento...

Então, Milo o beijou com ânsia e também gozou. Um urro profundo escapou-lhe da garganta, enquanto sentia seu sêmen verter dentro de Camus em jatos quentes que pareciam não ter fim.

Os dois se abraçaram com força como se tivessem a eternidade dentro de si. Tentando recuperar o fôlego, ambos voltaram a se beijar e acariciar, enquanto a percepção do amor os tomava tão intensamente íntimos...

– Me prometa uma coisa, Milo...

– O quê?

– Que vai...

– Não me diga que quer que eu recuse essa missão. Eu não posso, Camus e nem quero...

– Não estou pedindo que recuse, apenas que tenha cuidado redobrado. Infiltrar-se numa prisão é uma missão de alto risco e eu farei tudo para que possa manter a sua integridade.

– Você quer dizer que será meu contato externo nessa missão? Será o meu... guardião? – perguntou Milo depositando um beijo nos lábios de Camus.

– Não, seu guardião será o Seiya. Eu estarei no comando de toda a operação. A minha estada na Rússia serviu para que eu trouxesse de lá algumas inovações que espero aplicar nessa missão.

Milo sorriu.

– Eu tinha esquecido... Você ocupará o lugar de Dohko. Me diga Camus, se ele não tivesse me escolhido, você o faria?

– Não.

– Por que, seu tosco? Não confia em mim? – gritou Milo colocando as mãos ao lado da cabeça de Camus e fuzilando-o com seus escuros olhos azuis.

– Não é questão de confiança, Milo. Você é um dos melhores policiais infiltrados que eu conheço. A sua forma de vivenciar o disfarce, o seu conhecimento, a sua força e caráter... Tudo isso forma um conjunto que o torna único.

– Então... Não entendo. Porque não eu?

– Porque eu o amo e você é a única coisa em minha vida que eu não suportaria perder. Quando o assunto é você, eu até posso fingir para o mundo que não me importo, mas aqui. – disse Camus tocando o peito. – Aqui, os meus sentimentos me traem e me fazem querer protegê-lo acima de tudo.

Milo quase engasgou ao ouvir aquilo. Camus o amava! Não eram, apenas, amizade e química sexual. Era amor! Amor!

– Eu... Eu não sei... o que dizer.

– Não diga nada. – falou Camus tocando o rosto de Milo. – Apenas cuide bem de você.

Um sorriso chegou junto com as lágrimas. Milo segurou o rosto alvo em suas mãos e antes de beijá-lo com sofreguidão, misturando saliva e lágrimas, ele falou aquilo que guardara a tanto tempo em seu coração.

– Eu também te amo, Camus. Sempre amei, seu safado! Não ouse me fazer chorar, ouviu?

Camus tocou com suavidade os lábios carnudos do grego.

– E você não ouse se machucar ou recair em drogas pesadas, novamente.

– Combinado... – sussurrou Milo.

Eles permaneceram enroscados na cama em desalinho, o som das respirações se misturando e pequenos sorrisos se somando aos beijos. A noite estava começando e eles tinham, ainda, muito amor para vivenciar antes de Milo embarcar na jornada perigosa que o aguardava...

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– Tem certeza? – perguntou Kardia para o homem franzino e com cara de macaco que estava sempre se balançando com fones de ouvido.

– Absoluta. O Caronte tirou ele de lá e levou prá cela do Rato. Agora o Marte tá sozinho. – disse o homem com um sorriso maldoso.

Kardia era um homem de ação e pensamento rápido e impulsivo. Muitos se perguntavam como ele podia liderar desse jeito, sem grandes planejamentos e sim com atos ousados e um tanto insanos. A resposta era: intuição. Ele farejava encrenca, assim como bons negócios. E o fato relatado, nesse momento, cheirava à encrenca!

– Bem, vou aos chuveiros. Um bom banho vai me ajudar a relaxar. – disse o grego.

– Não vai... enfrentar o Marte? – perguntou o homem.

– Não. Só quero saber dos passos dele aqui dentro. – respondeu Kardia dando às costas.

O homem coçou a cabeça. E agora? Volto lá e contou tudo ao Caronte? Ele disse que tinha certeza da retaliação do Kardia... Será que eu digo que ele se enganou?

Enquanto as dúvidas se somavam dentro da mente do cara de macaco, Kardia se encaminhava até os chuveiros. Chegando lá, encontrou Misty e um brutamonte chamado Rock. O loiro exibia o belo corpo embaixo do jato forte de água, enquanto Rock levava a mão ao pênis em riste e começava a deslizar para cima e para baixo em uma lenta masturbação, enquanto apreciava a vista.

Kardia ignorou a cena e entrou para baixo de um dos chuveiros mais distantes dos dois. Dali a instantes, Dégel entrou e seu rosto tingiu-se de vermelho ao ver um pequeno jato de esperma saltar do pênis do homem avantajado, enquanto ele emitia um urro baixo e apertava o lábio inferior com os dentes...

– Hã... Desculpem, eu... volto outra hora. – disse o médico constrangido pela cena e agora com a própria nudez.

– Ei, Dégel! Entra aí. – acenou Kardia.

Ao ouvir a voz grave do grego, Dégel sentiu-se ainda mais desconcertado e, pela primeira vez parou para perceber os corpos ali expostos. Geralmente, o seu horário de banho contava com três presos com deficiência física. Um não possuía uma perna, outro era cego de um olho e o terceiro não possuía a língua, resultado de um acerto de contas com uma facção rival. O trio o olhava e baixava os olhos, mas agora estava entre os mais violentos e também os mais sarados. Misty tinha uma beleza andrógena e um corpo esguio, o tal Rock era avantajado e musculoso e Kardia...

Kardia era bonito, másculo e o fazia sentir-se desconfortável sem que ele soubesse o motivo. O grego o olhava direto nos olhos e parecia sempre divertir-se com algo que ele não captava a essência.

– Bem, pessoal, o doutor aqui me parece envergonhado. – disse Kardia saindo debaixo do jato de água e se aproximando de Dégel com a água escorrendo pelo corpo vigoroso e nu. – Então, tá na hora de vazar e dar alguma privacidade ao homem...

Misty fitou Kardia com um olhar fuzilante e para Dégel, lançou um olhar de desprezo, tipo “Você só serve para atrapalhar, mais nada”!. Saiu bem devagar exibindo o corpo de propósito.

Rock deu mais uma lavada no pênis e nos testículos, voltando a ter uma ereção quando Misty passou por ele e roçou, propositalmente, a bunda em suas coxas.

Puta merda, Misty! Me deixou de pau duro de novo! – disse o homem entre dentes.

– Isso é fácil de resolver, bonitão...Pague e eu dou um jeito nessa sua arma de precisão... – respondeu o loiro.

Kardia acompanhou a saída dos dois com um sorriso malicioso, depois tornou a olhar para Dégel que sentia vontade que o chão afundasse e o levasse junto.

– Bem, nerd depois não diga que eu só sei agir com violência. Aproveita o banho... – falou Kardia piscando o olho, dando uma pequena palmada na bunda de Dégel e saindo também.

Ao sentir aquela mão em suas nádegas, Dégel ficou mais vermelho que as luzes de segurança da prisão. Por um momento, ele não acreditou que Kardia fizera aquilo. Depois, aos constatar que aquela área do seu corpo ardia de um jeito esquisito, abriu o chuveiro na água bem fria e colocou a cabeça debaixo do jato forte, tentando entender aquele grego maluco e também a si mesmo...

O sinal da refeição noturna soou pelos corredores. Dégel estava lendo, como sempre. Os cabelos soltos e longos ainda molhados do banho.

Kardia estivera fora, circulando pelos corredores e conversando com outros presos. Quando o grego retornou, viu o médico lendo e fazendo anotações. Sorriu e virou a cabeça de lado antes de falar.

– E então, curtiu seu banho privativo?

– Aproveitei, obrigado. Mas não precisava ter interrompido o banho dos outros por minha causa.

O grego revirou os olhos.

– Mas que pé no saco! Por que você tem sempre um “mas”?

Dégel elevou os olhos da mesa e dos papéis, encontrando o profundo olhar questionador de Kardia.

– Talvez porque eu seja mesmo um nerd pé no saco.

A resposta dita com a voz firme e o meio sorriso que o médico lhe deu fez com que o coração de Kardia descompassasse. Ele levou a mão ao peito num reflexo espontâneo e inspirou fundo. O gesto assustou Dégel que se aproximou rapidamente.

– Sente-se aqui.

– Eu to bem, nerd.

Dégel ignorou a resposta e tocou o peito do grego, pegando-lhe o pulso e ficando concentrado na pulsação sentida em seus dedos longos e frios. Kardia fechou os olhos e a sensação da mão macia, mais a respiração baixa do médico foi acalmando a arritmia.

– Continue a respirar fundo e devagar.

Kardia não falou nada, apenas se deixou tocar por aquele homem que provocava nele sentimentos contraditórios e intensos sem fazer nada de especial, apenas desafiá-lo com aquela mania besta de antiviolência.

Dégel olhou para o rosto do grego, enquanto ele mantinha os olhos fechados. Deviam ter a mesma idade, ou pelo menos, próximas uma da outra. No entanto, apesar de violento, Kardia parecia manter uma vivacidade juvenil, enquanto ele se sentia tomado por uma maturidade precoce que sempre via o semelhante em primeiro lugar.

– Eu gostaria de examiná-lo na enfermaria. Eu posso pedir ao Flégias que encaminhe um pedido.

– Hã? – falou Kardia abrindo de imediato os olhos. – Nem pensar, nerd! Isso fica entre você e eu e se, alguém ficar sabendo, eu te mato.

Dégel sorriu com sarcasmo.

– Me ameaçando, grego?

Kardia fechou a cara como um menino emburrado.

– Não, só te avisando.

Avisando? E por acaso eu sou um dos seus subordinados? Eu sou um médico e meu dever é fazer o que é correto.

O grego levantou-se da cadeira e chegou bem perto de Dégel, ao ponto das respirações quentes se misturarem. O ar ficou tenso, não porque os dois se enfrentavam, mas porque a proximidade mexia com ambos de forma intensa e inesperada.

Dégel não desviava o olhar, apesar de sentir as bochechas quentes. Kardia também não e seu coração parecia retomar a arritmia, mas não de forma dolorosa e sim com excitação.

– Você tem coragem, nerd e eu o admiro por isso. Ninguém aqui tem peito prá me enfrentar, mas você faz isso direto... Mas vou te avisar, não força. Aqui, quem mostra fraqueza vai pro saco e se tem uma coisa que eu não sou é frouxo.

– Eu também não sou. Sou um homem que se dedicou a preservar a vida e o farei até morrer, independente de ameaças ou ordens. – falou Dégel levando a mão ao peito do grego.

Kardia sentiu que o toque agora era firme como se Dégel estivesse erguendo uma barreira e num gesto, totalmente, instintivo colocou sua mão sobre a dele com o cenho franzido, a respiração forte...

Mais uma vez o silêncio os envolveu como um manto aveludado, até que uma voz os tirou daquele momento, fazendo-os piscar e voltar ao presente imediato.

– Ei, Kardia. Tá tudo certo prá mais tarde. – disse Aldebaran piscando o olho.

O grego sorriu, se afastou e Dégel suspirou.

– Não esquenta, nerd não é que você está pensando. – disse o grego percebendo o olhar de reprovação do médico.

– Não?

– Não. Mais tarde todos nós vamos à biblioteca. Quer vir junto?

Dégel não acreditou no que ouvia. Por um segundo ficou imóvel, até responder com um sorriso aliviado:

– Mas claro que eu quero.

– Então fica na nossa mesa. Todo mundo terá um tempo por lá, depois da janta. Cortesia do diretor que deseja adestrar a todos nós, pobres animais ignorantes. – falou Kardia com deboche.

Dégel ignorou a frase e preparou um bloco de notas. Pegou um lápis e deixou tudo junto. Kardia olhou-o e quase teve piedade da ingenuidade do médico. Talvez fosse isso que o atraía naquele homem... Dégel continuava a manter sua dignidade mesmo naquele ambiente permeado pela selvageria. No entanto, ele, Kardia, tinha as suas próprias regras e conceitos sobre o mundo. Aquela prisão era uma selva e como todo o macho alfa, ele desejava ser o rei e, para isso, tinha que ter coragem de fazer o que era necessário para assegurar o seu lugar.

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Marte se embalava para frente e para trás, enquanto os homens o atualizavam do que acontecera, enquanto ele estivera na solitária. Seus olhos estavam parados e ele respirava de forma profunda e pausada. Estava com o uniforme da prisão mais um cobertor de lã por cima dos ombros e ainda sentia frio. Maldita câmara fria! Aqueles filhos da puta me deixaram congelando com aquela música do caralho!

Um dos homens estava com fones de ouvido e se balançava ao ritmo da música que ouvia. O simples fato do homem dançando fazia Marte lembrar-se da música monótona e irritante que o fizera vomitar e como ele ficara um bom tempo em jejum, a única coisa que saía era saliva e o ato de forçar a garganta lhe causara dores e irritação no esôfago.

– Pare de se balançar como um macaco! – disse ele rouco.

Com o som alto, o homem não ouviu a ordem e Marte levantou-se pegando o homem pelo pescoço e gritando junto ao rosto que estava com os olhos esbugalhados.

– Eu não disse prá parar de dançar, caralho?

– T-Tá b-bem chefe! – murmurou o homem.

Marte o soltou, depois se virou para Rock que o olhava em silêncio.

– O que sabe do grego? Quando ele pretende vir atrás? – perguntou com a voz arranhada.

– Ele não disse nada prá ninguém. Acho que ele tá mais preocupado com o companheiro de cela. Hoje mandou todo mundo deixar os chuveiros pro doutorzinho tomar banho sozinho.

Um sorriso diabólico estendeu os lábios ressecados de Marte.

– Ora, ora... creio que poderemos matar dois coelhos com uma espada só.

– Hã? Não é matar dois coelhos com uma só cajadada?– questionou o homem dos fones.

Marte olhou-o com raiva e, em seguida, levou as duas mãos ao pescoço do homem elevando-o e apertando-o como se fosse um boneco articulado.

_ Quem é você, seu merda prá me corrigir? Eu vou te ensinar a ter respeito, seu pau no cu!

Os demais se afastaram ao ver seu chefe daquele jeito, os olhos injetados, a saliva escorrendo pelos cantos da boca. Marte sempre fora insano, mas após a derrota sofrida, ele se tornara ainda mais desequilibrado e violento.

Os olhos do homem saltaram dos orbes e a língua projetou-se prá fora, enquanto Marte continuava com a agressão. O rosto avermelhado começava a arroxear, quando Caronte apareceu empunhando um taser em forma de soqueira e o cassetete.

– Solte o homem ou vai voltar prá solitária, seu imbecil!

Espumando pela boca, Marte continuava a apertar, até Caronte aproximar-se e usar o taser na altura do pescoço do preso.

– Argghhh... – gritou ele soltando o homem e Caronte torceu-lhe o braço, dispersando o restante do pessoal e mandando levar o companheiro agredido junto.

Os homens obedeceram, ajudando o companheiro que mal podia equilibrar-se e precisou ser arrastado, enquanto tossia e soltava secreção pelo nariz.

Quando estavam sozinhos, Caronte o soltou e questionou:

– O que está fazendo, seu idiota? Se matar alguém de novo será seis dias na solitária e adeus revanche com o grego

– M-Me s-solte...E-Eu...E-Eu me descontrolei. Maldita solitária, eu pensei que ia enlouquecer.

– Não reclame, eu mandei levarem comida e água.

– Aquela música o tempo todo... Parecia um bando de gafanhotos ou sei lá que inseto do caralho! Eu não consigo ouvir nada que me dá vontade de vomitar! Merda!

– Isso passa. Agora foca no grego e deixa de fazer merda. Eu tentei atrair ele prá cá, mas parece que ele tem outra coisa em mente. Vamos fingir que tá tudo certo e articular um plano.

– Rock disse que ele e o tal médico estão se dando bem.

Caronte passou a mão nos lábios.

– Isso é uma revelação interessante... Se a gente fizer o doutorzinho sofrer um acidente, podemos armar para o grego e fazer com que ele seja responsabilizado. O diretor não se importa com a ala B, mas se perder uma das suas mentes brilhantes que tanto admira, certamente vai acabar com Kardia.

Um fio de saliva escorreu pelo canto da boca de Marte e ele sorriu.

– Sim... Sim... Vamos nos livrar daquele maldito. Eu quero acabar com ele, Caronte! Não importa quanto tempo eu vou ficar na solitária, eu vou cortar ele em pedaços!

Notas finais
* dadday: papai
* Mon Dieu : Meu Deus

***Agradecimentos a todos que leem, apoiam, comentam, silenciam e que me seguem nessa jornada divertida me ajudando a criar e compôr fics!! Bjs, XD