Santuário Dos Condenados

11 Capítulo 11 - CONFRONTOS E ALIANÇAS!


Notas iniciais
♥ Olá, galera amada!!! Depois de um tempo atualizando fics mais antigas, estou de volta com Santuário. Perdoem a demora e espero que gostem do capítulo. Bjs e obrigada pelo imenso carinho que tenho recebido!!!♥

Aiacos sorriu e enfiou as mãos nos bolsos. A prisão era bem diferente do que esperava e, em parte, isso o estimulava a concluir sua missão e tirar alguma vantagem nisso.

— Uma aliança, você diz...

— Sim, você deve saber que esta prisão tem as suas peculiaridades e pouca semelhança com as outras. Eu sou um dos responsáveis pela ala e tenho,digamos, interesse em fazer negócios com as pessoas certas. – disse Caronte.

O sorriso se alargou nos lábios do presidiário.

— E que negócios seriam esses?

— Venha, vamos conversar às sós.

Aiacos obedeceu com uma expressão indecifrável. Sua missão ali era acabar de vez com o grego Kardia. Hades lhe prometera uma quantia considerável em dinheiro se o fizesse. Depois, ele continuaria a expandir seu poder até chegar à ala vip e assim, dominar o lugar, até o ponto em que o diretor deveria negociar sua própria liderança.

Caronte guiou Aiacos para uma pequena sala que funcionava como um lugar para interrogatório.

— Sente-se. – disse Caronte fazendo um gesto na direção da cadeira.

Lentamente, Aiacos obedeceu, analisando aquele homem e já tirando algumas conclusões. Ele era um porco, como todos os policiais o eram. Covarde, ambicioso e se achando esperto. Iria usá-lo, deixando-o pensar que estava no comando...

— Escute com muita atenção. Aqui temos um homem chamado Kardia que dominou alguns negócios da ala B. Ele se aliou com o guarda que controla a entrada e saída dos presos, dando uma porcentagem dos negócios e recebendo proteção por isso. Antes dele, as coisas eram mais fáceis, mas agora o maldito impôs regras e tem apoio de grande parte das facções aqui dentro. Eu quero ele morto!

Aiacos estreitou os olhos e sorriu ainda mais.

— E... o que eu vou ganhar ao matar o filho da puta prá você?

— A liderança da ala tendo a mim como seu colaborador. Todos os negócios passam por nós e o poder será nosso.

— E o guarda?

— Vai ter de matá-lo também... – disse Caronte sentindo prazer com a ideia.

— Feito! Mas, nada de solitária ou punição. Vai ter de dar um jeito e me deixar livre de qualquer ônus, inclusive pela morte do policial.

— Posso fazer isso. Inclusive, já dei um jeito de você não cair na ala B, neste momento. Vou dar condições para que passe essa primeira semana na ala A, onde só ficam os médicos e pesquisadores. Kardia só saberá que tem um rival quando for tarde demais... Deixa ele pensar que ainda está seguro, que não existe ninguém nessa leva que lhe traga perigo. Enquanto isso, eu vou aliciando quem não vai com a cara do grego, preparando terreno prá você tomar conta.

— Você é esperto... Gosto disso. Mas, ainda tem os meus homens. Eu não vim sozinho.

— Eu sei, já providenciei tudo. Vocês vão ficar juntos até transferi-los, para a ala B. A justificativa para isso vai ser que vocês estão se oferecendo para integrar um projeto de pesquisa como grupo de teste. Tá acontecendo algo por lá e, por enquanto, ninguém vai questionar sobre isso.

— Muito bem, estamos acertados, então. Eu mato os dois e você facilita prá mim.

— Isso mesmo. Agora vamos, tenho que encaminhar os outros, enquanto o guarda leva vocês para a ala A.

Aiacos levantou-se da cadeira e alongou o corpo. Levou a mão ao lado do rosto que possuía uma mancha herdada do último encontro com Kardia. Fez um muxoxo com os lábios e depois voltou a sorrir.

Caronte fez uma breve avaliação daquele homem. Ele lhe seria útil, até o momento de ser descartado também. Bandido bom era bandido morto!

Ambos pensavam o mesmo e sorriram com cinismo, imersos em pensamentos mútuos de traição...

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— Por aqui, senhor. – disse o homem, após verificar a ordem judicial.

Camus seguiu o oficial até uma sala contendo pastas e arquivos, assim como um computador. Já havia acessado a listagem do fórum, antes de Milo e Kanon embarcarem para Hornos. Agora, continuava a sua investigação de forma mais aprofundada.

Pela listagem já havia constatado que Radamanthys julgara vários casos onde a sentença era cumprida, especificamente, naquela prisão. Persistia em sua pesquisa para descobrir mais sobre os casos e os julgamentos do juiz. Algo sinalizava que as sentenças e os presos não eram aleatórios e sim compilados em um mesmo pacote. E quando isso acontecia era porque havia interesses e pessoas poderosas por trás.

Por longas e extenuantes horas, Camus leu e releu documentos, sentenças e dossiês dos presos. Comparou as informações do computador e traçou uma linha de conduta do juiz Radamanthys. Não havia nenhuma queixa ou prova de corrupção contra ele. No entanto, havia uma estranha coincidência no que se relacionava aos presos de alta periculosidade. Todos os que haviam sido enviados à Hornos possuíam ligações ou eram adversários do mafioso conhecido como Hades.

O ruivo apertou o canto interno dos olhos quando terminou a leitura. Sentiu a vibração do celular no bolso, retirou-o e leu a mensagem:

Primeiros sinais, ok! Tudo andando como deve ser.

Respirou fundo sabendo que a missão já passara ao segundo estágio. Milo e Kanon já circulavam dentro da prisão e seus microchips já davam sinais de localização e também das condições físicas de cada um. Era o que dizia a mensagem enviada por Seiya.

Foi até o carro e deixou o local. No percurso, quando cruzou a rua 42 notou uma aglomeração de curiosos, repórteres e viaturas da polícia. Franziu o cenho, estacionou o carro e atravessou a rua, onde alguns policiais já estabeleciam uma área de segurança.

Mostrando o distintivo, Camus se aproximou.

— O que aconteceu aqui? – perguntou ele.

— Pelo que tudo indica, foi suicídio. O homem saltou no 14º andar deste prédio. – respondeu o policial.

Camus aproximou-se, ainda mais ao ver o corpo estendido dentro de uma poça de sangue vivo, contrastando com o negror do asfalto. Olhou para cima e teve dificuldades em enxergar devido a incidência da luz do sol sobre o prédio envidraçado.

Andou ao redor do corpo, observando cada detalhe da cena macabra. Um dos pés estava descalço e o outro dobrado numa estranha posição. As roupas eram caras, um traje escuro e de corte impecável. A cabeça estava arqueada num ângulo antinatural e os olhos estavam abertos e congelados como se estivessem em choque por alguém tê-lo surpreendido.

— Qual é o nome da vítima? – perguntou Camus.

— Dr. Bartolomeu Dawson, juiz, 57 anos.

O nome da vítima fez Camus trancar a respiração. Ele olhou a ordem judicial que havia conseguido para vasculhar os arquivos referentes às sentenças proferidas por Radamanthys de Wyvern. A assinatura do juiz estava bem legível e clara: Bartolomeu Dawson.

E agora, o homem que a assinara, estava morto.

Os sentidos de Camus experimentaram uma sensação de alerta. Ele olhou em volta, tentando perceber naqueles rostos, algo que pudesse explicar o que havia acontecido.

Suicídio? A pergunta reverberou em seu cérebro acostumado à análises rápidas e profundas.

Ele pegou o celular e ligou, enquanto ia em direção ao prédio onde, supostamente, o juiz cometera suicídio. Inspirou fundo antes de falar.

— Aiolia, temos um problema.

Mais um? Qual? – perguntou Aiolia imerso em papéis e luzinhas que piscavam nas diversas linhas do telefone em sua mesa.

— O juiz que assinou a ordem judicial para a investigação está morto. – respondeu Camus.

Passando a mão nos cabelos, Aiolia suspirou perguntando:

— Como assim?

— Estão dizendo que foi suicídio, mas acho que é muita coincidência. Eu não cheguei a vê-lo, mas ele foi o único que assinou aquela ordem sem pensar duas vezes. Os anteriores não se mostraram disponíveis. Estou averiguando, mas todo o cuidado é pouco.Certifique-se que somente você, eu e Seiya tenhamos acesso ao comando central da missão.

— Sim, claro. Mantenha-me informado e cuide-se, também. Se você estiver certo, significa que estamos incomodando um certo alguém.

Concordando, Camus desligou e já acessava o apartamento, atravessando a faixa de contenção onde os legistas trabalhavam coletando provas. Notou um jovem de aparência exótica que olhava, atentamente para um livro grande com capa preta de couro e, marcando a página com o dedo enluvado, folheava as demais.

— Olá, eu sou o agente Camus do FBI. Podemos falar um instante?

— Claro. Eu sou Mu, perito criminal. Em que posso ajudá-lo?

— A morte do juiz está sendo dada como suicídio. Há algum indício que possa ter sido assassinato?

— Por enquanto não, mas olhando para isso. – disse o jovem apontando para a página do livro. – Não me parece que alguém com uma crença tão ortodoxa, tomaria uma atitude deste tipo.

Camus leu o trecho sinalizado pelo perito:

“O que anda em justiça, e o que fala com retidão, que arremessa para longe de si o ganho de opressões, e que sacode das suas mãos todo suborno, que tapa os seus ouvidos para não ouvir falar de sangue, e fecha os olhos para não ver o mal; este habitará nas alturas, e as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio. O seu pão lhe será dado, e as suas águas serão certas”. Isaías 33:15-16.

— Bem, pela bíblia podemos deduzir que ele era religioso, mas se não acharmos outras provas, creio que, somente, isso, não será suficiente para levantar outra hipótese. – disse o ruivo.

— Verdade, mas vamos continuar investigando. Ainda não usamos o luminol. Muita coisa ainda pode estar escondida.

Camus olhou ao redor, o apartamento amplo e mobiliado com móveis pesados e escuros continha uma atmosfera clássica e reservada. Havia um vaso com margaridas e dálias ainda vívidas, uma estante com livros dos mais diversos assuntos e uma escrivaninha com fotos que deviam ser da família do juiz. Tudo parecia muito bem organizado e limpo. Não havia nenhum sinal de luta ou de algo fora do lugar.

— Posso pedir-lhe um favor? Sei que somos de setores diferentes, mas tenho interesse particular nesse caso.

— Claro. Creio na cooperação e não divido a implicância que os setores costumam ter entre si. O que deseja? – perguntou Mu com um tom simpático.

— Me manteria informado caso ache indícios que apontem uma teoria diferente do suicídio? Aqui está o número do meu celular. – disse Camus estendendo um cartão para Mu.

— Sim, pode ficar tranquilo.

Ao término da fala de Mu, uma mulher trajando um tailleur cinza escuro entrou, aos prantos, custando a ser contida pelo policial que guardava a porta, embora fosse de estatura baixa e bastante magra. Devia estar na faixa dos cinquenta e poucos anos, usava os cabelos grisalhos presos em um coque, um colar de pérolas adornando o pescoço fino e na mão direita, uma aliança de diamantes que chamava a atenção.

— Senhora? – disse Camus ao vê-la vir em sua direção.

— Diga que não é verdade! – gritou ela cobrindo o rosto com as duas mãos.

Sinalizando para o guarda que estava sério e pouco à vontade, Camus conduziu-a para longe da cena principal, levando-a ao hall de entrada que era adornado por quadros valiosos da arte impressionista.

— Por favor, senhora, acalme-se. Quem é a senhora? – perguntou o ruivo.

— Eu sou Glenna Davis, advogada. – respondeu ela, ainda chorando.

— A senhora e o juiz eram amigos? Colegas?

— Tudo isso e muito mais. Nós éramos... amantes! Ele ia, finalmente, esquecer a esposa morta e ficar comigo . – disse ela, para surpresa de todos ali.

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Quando os novos presos adentraram a ala, Kardia observou todos eles. Estranhou o número, pois suas informações diziam que a leva era grande e ali estavam apenas quatro homens. Mirou no loiro alto com pinta de esperto e ginga de malandro. Os outros pareciam marginais comuns, sem muito a oferecer.

Milo notou o olhar de Kardia. Já o tinha visto em fotos e estudado o seu perfil. Surpreendeu-se com a juventude dele, vinte e dois anos e já dominava com maestria o mundo do crime. Bem, ele era grego e os gregos sempre se davam bem! Pensou, quase sorrindo e lembrando da expressão de Camus quando ele dizia isso.

— Você aí vai ficar na cela com Jabu. – disse Flégias cortando os devaneios de Milo.

O restante foi acomodado em outras celas, enquanto o loiro avaliava seu companheiro, dali para frente. Jabu era magro, baixo e jovem. Tinha uma expressão vivaz e um tanto nervosa.

Kanon havia sido enviado para a ala A, conforme o planejamento estratégico da missão, então, agora, Milo estaria por sua própria conta, entre os mais perigosos. Todavia, Jabu não parecia ser um prisioneiro de alta periculosidade, mas... As aparências podiam enganar.

O grego sorriu e deitou-se na cama de baixo sob o olhar silencioso e questionador de Jabu.

— Eu me chamo Milo. Você eu já sei que se chama Jabu. E pode ficar tranquilo, não farei trocadilhos infames com o seu nome. – disse Milo estendendo a mão.

O jovem aceitou o cumprimento, mas nada falou. Deitou-se na cama de cima e fingiu estar lendo uma revista. Não tinha simpatizado muito com aquele novo preso. Ele é grande e musculoso. E se ele fosse como os do seu grupo? Fortes, másculos e comedores de cu... E se ele quisesse fodê-lo...? Não, melhor nem pensar nisso.

Milo colocou as mãos atrás da cabeça e perguntou:

— Então, Jabu... Me diz quem é o fodão por aqui?

O jovem trancou a respiração, mas como Milo não fez nenhum movimento ameaçador, respirou aliviado, e só então se permitiu conversar com o recém-chegado.

Logo mais, na hora do almoço, todos estavam buscando suas mesas. Milo sentou-se à parte, esperando uma deixa para se enturmar, porém primeiro iria analisar as pessoas e saber mais sobre a “dinâmica” do lugar. Já tinha percebido que Kardia tinha um grupo pequeno que o acompanhava, mas o restante o respeitava. A única exceção parecia ser o grupo dos skinheads que permaneciam afastados dos demais.

Kardia conversava com os seus, buscando a opinião deles, enquanto cuidava as ações de Milo.

— E então, o que acharam da nova leva? – perguntou ele.

— Fora o bonitão ali, o resto parece peixe pequeno. Não vejo nada que ajude Caronte a restabelecer seu domínio. – disse Afrodite.

— Bonitão? – falou Máscara franzindo o cenho.

Afrodite riu e atirou um beijo na direção do italiano.

— Sem ciúmes, baby... você sabe que mora aqui... – disse ele apontando para o corpo. – Mas isso não impede que meus olhos vejam a realidade.

— É verdade! O loiro é sexy, bem do jeitinho que eu gosto... – falou Misty mordendo o lábio.

Foi a vez de Aldebaran fechar a cara.

— Que eu saiba, não estamos fazendo um concurso de beleza. – disse ele espetando com força um pedaço de carne em sua bandeja, fazendo um som arranhado.

— Ui! Credo, grandalhão... quase me senti espetado e no mau sentido... – falou o loiro provocando.

— Não sei não, aquele cara me parece... confiante demais. – disse Kardia. – Jabu, você que divide a cela com ele, o que diz?

Jabu mastigou a comida de um jeito um tanto animalesco.

— Sei lá, ele não falou muito. Só perguntou quem era o fodão por aqui.

— E você respondeu o quê?

— Eu disse que era o Misty.

— Eu? – gritou Misty levando a mão à boca.

— Como assim? – questionou Kardia.

— Bem, eu achei que ele queria foder, entende? Então tratei de livrar o meu rabo.

Máscara da Morte revirou os olhos e riu. Misty debruçou-se na mesa na direção de Jabu e falou:

— Obrigado, coisinha estúpida. Às vezes, essa sua ingenuidade (leia-se burrice) vem bem a calhar...

Todos riram, menos Aldebaran e, Kardia, que continuava desconfortável com a presença de Milo.

Quando Dégel entrou, tardiamente, já que ficara até tarde na enfermaria, o grego teve certeza que odiaria o novo preso.

Milo olhou na direção de Dégel que o fitou também. O médico sentiu que já conhecia aquele homem, mas não sabia de onde, enquanto Milo pensava em quanto tempo havia passado onde ele fora apresentado ao irmão caçula de Camus. E neste instante crucial os dois ficaram conectados, fazendo parecer que tinham algo em comum.

Merda! Ele não devia estar na ala dos nerds? Pensou Milo, enquanto baixava a cabeça.

Dégel franziu o cenho, mas logo olhou na direção de Kardia que já estava com aquele olhar.

— Oi, pessoal! – disse o médico sentando-se à mesa ao lado de Kardia.

Todos responderam, menos Kardia.

— Trabalhou muito? – perguntou o grego num tom aborrecido.

— Bastante. – respondeu Dégel, olhando novamente na direção de Milo.

— O que foi? Gostou da estampa do novo preso? – questionou Kardia, agora com uma expressão debochada.

Dégel suspirou e olhou para o amante.

— Não é o que está pensando, apenas parece que eu o conheço de algum lugar.

— Ah, tá. Vai me confessar que era uma das putas dele. Sim, porque o cara é um cafetão e traficante. Não imagino como um nerd como você, pode conhecer alguém como ele. – falou o grego.

O olhar gelado de Dégel se fez presente, deixando claro a sua indignação. Ele levantou-se da mesa com a bandeja nas mãos e foi sentar ao lado de Milo para espanto e irritação do grego.

— Com licença, eu me chamo Dégel. Posso sentar aqui?

Mastigando um pedaço de pão e pensando no que dizer, Milo sorriu e disse:

— Mas é claro, uma joia rara como você tem passagem livre comigo.

Dégel ficou corado. Fizera aquilo, somente para mostrar a Kardia que não suportaria aquele tipo de grosseria e também porque esperava lembrar-se de onde conhecia o novo preso. No entanto, não pretendia dar uma ideia errada àquele homem.

Milo notou o constrangimento de Dégel e usou isso para desviar a atenção sobre si e, ao mesmo tempo, tirar uma febre da situação do irmão de Camus, ali.

— E então... vai me contar como uma gracinha como você veio parar aqui? – perguntou Milo com uma entonação propositalmente maliciosa.

Dégel recuperou-se e contra-atacou:

— Na verdade, eu me juntei à você, porque achei que o conhecia. Me pareceu alguém que meu irmão me apresentou.

Milo encarou Dégel bem dentro dos olhos.

— Acredite, docinho... Se me conhecesse, eu saberia. Alguém como você me daria muito lucro, sabia? Essa sua pele clara e esses seus olhos... Você deve fazer chover, aqui dentro. – disse o grego tocando a mão do médico.

A mão sobre a sua fez Dégel pensar no absurdo que acabara de dizer e fazer. Estava claro que era alguém parecido e fora o estresse causado pelo ciúme de Kardia que o levara a cometer o erro de confrontar um criminoso recém-chegado.

A cena fez o sangue de Kardia ferver, o ciúmes corroendo-o por dentro. Ele se levantou e foi até a mesa onde os dois estavam. Olhando de forma incisiva para Milo, ele falou:

— Tá chegando agora, malandro, então é bom saber das regras antes de dar bola fora. – disse Kardia.

Movendo, lentamente a cabeça, Milo sorriu.

— Me deixa adivinhar... Você é o chefe por aqui, não é?

— Boa observação, pelo menos cego, você não é. Me encontra nas caldeiras, depois do almoço. O Jabu vai te mostrar onde é. – respondeu Kardia.

— Tudo bem, estarei lá. – respondeu Milo sem mostrar-se temeroso ou desconfortável.

Dégel olhou um tanto apreensivo para Kardia, mas o grego o ignorou e voltou para a mesa com seus companheiros. Milo percebeu o mal-estar do médico.

— Acho que o seu amigo não gostou da nossa conversa.

— Eu vou lá falar com ele.

— Não tema por mim, Dégel. Eu sei me cuidar.

— Não é por você que eu temo e sim por ele. – falou o médico com um suspiro.

— Vocês são... amantes?

Sem responder, Dégel apenas despediu-se com um prazer em conhecê-lo rápido. Ao ver Dégel destoando em meio àquilo tudo, Milo não deixou de pensar... O que Camus acharia de seu irmão ter se envolvido com o bandido mais perigoso da Cozinha do Inferno.

Kardia já deixava o refeitório quando Dégel o pegou pelo braço.

— Preciso falar com você.

— Agora não posso, tenho assuntos mais importantes para tratar. – disse o grego.

Merda, Kardia! Por que tem de ser tão... tão irritante? Esqueça esse cara, quero falar sobre a sua saúde.

— Minha saúde nunca esteve tão boa! Nem tive um ataque cardíaco quando foi se oferecer para aquele idiota!

— Se insistir em me ignorar e ficar dizendo bobagens, vou fazer o mesmo com você! – disse Dégel.

— Pois faça! – respondeu Kardia, dando as costas e deixando Dégel com o rosto quente.

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Camus trocou um olhar com Mu que fez surgir uma caixa de lenços de papel e, retirando dois, estendeu à senhora que ainda chorava.

— A senhora havia marcado algo com o juiz? – perguntou Camus.

— Se eu havia marcado? Ele me ligou e disse que estava me esperando. Até as flores... aquelas ali, está vendo? Ele as comprou para me esperar. Eu amo margaridas e dálias. Ele disse que iria contar tudo para a mulher. – respondeu ela de forma ansiosa e um tanto atropelada.

Aquela informação deixou Camus confuso, embora reforçasse a sua teoria de assassinato e não suicídio. No entanto, poderia ser mais um crime passional, já que a revelação que o juiz tinha uma vida dupla poderia ser um fator para tal.

— Bem, Sra. Davis, os policiais vão tomar o seu depoimento. Por favor, me acompanhe. – disse o ruivo.

Minutos mais tarde, após lágrimas e revelações bombásticas, Camus deixou a cena e dirigiu-se à saída. Mu acenou e ele retribuiu.

Apressado, Camus deixou o prédio sem perceber o furgão parado no outro lado da rua. Visto de fora, parecia um daqueles veículos de reportagem, o que o fazia passar despercebido já que a imprensa farejava sangue com muita rapidez.

Dentro do furgão, um homem calvo e de olhar sinistro sorria, enquanto falava ao celular.

— Tudo certo, senhor. Sim, acabamos de iniciar a próxima fase do plano. Não se preocupe, a imprensa e a polícia terão muita coisa com que se preocupar.

Dali a meia-hora, a suposta amante do juiz aproximou-se do veículo e juntou-se ao homem que acompanhava tudo pela tela do computador. Retirando a peruca e a maquiagem, a senhora Davis revelou um rosto jovem, emoldurado por cabelos avermelhados. Ela balançou a cabeça, movendo os longos fios e, em seguida, também sorriu.

— Está falando com ele? – perguntou ela trocando de roupas ali mesmo.

— Sim. – respondeu o homem.

— Eu queria que ele tivesse me visto! – disse ela.

Do outro lado da linha, Hades sorvia um gole de uísque.

— Bom trabalho. – disse ele e desligou.

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O vapor das caldeiras inundava o ar. As paredes tinham sido limpas e não havia mais sinal do sangue que Kardia deixara ao socá-las. Ali se tornara uma espécie de santuário menor onde expusera sua dor e agora era usado para esclarecer a sua posição dentro da prisão.

Milo estava com os braços cruzados e o olhar fixo nos olhos de Kardia. Já conhecia esse tipo de procedimento. O chefe, na prisão, sempre deixava explícito o seu poder de liderança.

Máscara da Morte e Aldebaran estavam juntos e faziam a guarda caso alguém aparecesse para interromper a conversa.

— Bem, vou ser curto e grosso. Aqui tem hierarquia e regras. Quer se dar bem, é só respeitar. E, principalmente, ficar longe do...

— Médico! Eu entendi. Olha, eu sou grego como você e respeito a propriedade alheia.

Kardia franziu o cenho.

— Quem te disse que o médico é minha propriedade?

— Ah, então ele tá livre?— brincou Milo.

A resposta veio num forte soco que atingiu em cheio o rosto do loiro, derrubando-o.

— Não te faz de esperto! Fica na tua que é melhor prá tua saúde. Mais uma gracinha dessas e eu te rebento a cara! – disse Kardia ignorando a dor que sentiu ao agredir Milo com a mão machucada.

Milo passou a mão na boca, limpando o filete de sangue adquirido com a agressão.

— Ok! Já vi que você não tem senso de humor... Mas, não quero briga. – disse o loiro estendendo a mão para que Kardia o ajudasse a levantar-se.

Kardia não respondeu, nem ajudou. Olhou para Aldebaran e Máscara e os três deixaram o local.

Milo cuspiu um pouco de sangue, levantando sozinho. Kardia tinha um golpe forte e, apesar de violento, agia diferente dos valentões com os quais ele já tinha convivido. Havia nele uma liderança natural e seus companheiros o apoiavam como se fossem uma família...Bom, agora o primeiro passo era conquistar a confiança dele e assim se inteirar mais do que acontecia no...Santuário.

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A movimentação na ala A, estava um tanto diferente do habitual. Embora tivesse sido levado para lá em um esquema proposto por Caronte, Aiacos elevava a sobrancelha e atraía a atenção para si ao falar alto, ao perceber as celas muito limpas e o trânsito livre, como se estivessem em um dormitório escolar. Seus homens faziam gracinhas e ele achava tudo muito divertido.

Kanon percebeu que o jovem com o rosto manchado e mais os seis homens que o acompanhavam não eram o que se podia considerar intelectuais e isso o preocupou. Foi até Sorento, o único que viera lhe dar as boas vindas, já que aquela ala parecia um tanto vazia.

— Oi! Bem, eu sou novo por aqui, mas, você já sabe, não é? – disse fingindo constrangimento.

— Sim, eu sei. Em que posso ajudá-lo, novato?

— Você notou aqueles ali? Eu acho que eles não são desta ala.

— Também notei. Mas, aqui acontecem algumas coisas um tanto... peculiares, principalmente quando envolvem os guardas.

— Sei. E o diretor? Eu gostaria de falar com ele. Soube que ele tem projetos e eu gostaria de participar.

Sorento riu.

— Ele virá falar com você, não se preocupe.

Kanon sorriu de volta, sentindo o olhar de Sorento demorar sobre si.

— Hã... Está bem. Já decidiram em que cela eu vou ficar?

— Na minha. – respondeu Sorento e o tom da voz era muito sugestivo.

— Legal. – respondeu Kanon coçando a cabeça.

Os dois riram, porém Sorento se aproximou cochichando em seu ouvido.

— Vamos ter bastante tempo para conversar já que o sexo é proibido dentro das celas...

Kanon parou de rir e Sorento riu, ainda mais.

— Sério? – questionou Kanon.

— Sério. Mas... nos é oferecido um lugar muito melhor para isso. Basta se comportar direitinho.

— Eu sempre fui considerado um bom menino. — disse Kanon, rindo.

Sorento passou a língua nos lábios e deixou Kanon tendo pensamentos bastante pervertidos, até que Aiacos riu alto, chamando a sua atenção.

O policial deu-se conta que havia mesmo algo errado. Agora, olhando com atenção, reconhecia aquele homem em fotos que estudara antes da infiltração. O nome dele era Aiacos e, provavelmente, os homens que estavam com eles eram da mesma gangue.

Mas, se aqui é a ala intelectual, o que ele está fazendo aqui?Perguntou-se Kanon ao mesmo tempo em que Aiacos colocava a perna no caminho de Sorento, fazendo-o tropeçar.

Alguns metros adiante, Asmita se reunia com os demais para relatar as conclusões que tirara sobre a situação na área de pesquisa. O esquema de isolamento havia sido intensificado e o acesso restrito, apenas, aos médicos e três enfermeiros.

— Bem, senhores, pelo menos temos o paciente zero conosco. Pela análise do sangue, esse vírus é altamente mutável. No entanto, as primeiras reações que ocorrem após a morte permanecem inalteradas. Temos que isolar esta área em quarentena. – disse o hematólogo.

— Uma quarentena traria problemas mais sérios. – disse Minos. – Se estes homens já estão mortos, então não há mais nada a fazer. Vamos cremá-los.

Albafica olhou para os demais que não ousavam dizer mais nada e questionou o diretor:

— Você não está querendo dizer todos eles, está? Somente aqueles que já estão mortos e se tornaram focos de disseminação do vírus. Não é, Minos?

Minos concordou com a cabeça, mas logo desviou o olhar do homem que amava.

— Basta isso, Asmita?

— Sinto dizer que, enquanto houver um infectado vivo, teremos que fazer quarentena. Não se pode arriscar num lugar como esse.

— E Dégel? Ele é um especialista em biotecnologia. Talvez haja esperança para quem ainda não está em estágio terminal. – disse Albafica.

— Sinceramente, eu acho que isso não tem mais volta. – falou Morfeus. – Por mim eu dava isso por encerrado. Essa gente já está ferrada mesmo.

— Quanto tempo temos, Asmita? – perguntou Minos.

— Muito pouco. Menos de 12 horas para tomar a sua decisão.

— Eu estou caindo fora. – disse Morfeus.

— Se Dégel puder ajudar, eu me integro ao grupo de pesquisa. – disse Albafica.

— Eu também. – completou Asmita.

— Bem, vou falar com Dégel. Aliás, eu já tinha mandado Caronte buscá-lo. – falou Minos consultando o relógio.

Minutos mais tarde, Caronte se apresentou à Minos. Irritado, ele olhou para o guarda questionando-o:

— Onde está Dégel?

— Eu o procurei, senhor, mas fui informado que ele estava fazendo um trabalho importante na enfermaria. Então eu pensei que...

— Você não tem de pensar, tem de obedecer! Traga-o, já aqui!

— Sim, senhor. – falou Caronte, simulando humildade.

Quando deu as costas à Minos, Caronte cerrou os dentes e pensou em Aiacos. Se o usasse bem, logo acabaria com a liderança do diretor e implantaria uma nova fase naquela prisão. Homenzinho presunçoso!

Ao chegar na ala B, Caronte foi direto ao pátio, onde os skinheads faziam exercícios nos aparelhos de musculação. Falou com o líder, colocando-o a par da chegada de Aiacos, antes de ir atrás de Dégel. O líder da facção sorriu com a maldade brilhando nos olhos claros.

Kardia estava conversando com Máscara da Morte e outros dois presos. Como quem não quer nada, ele observou a movimentação de Caronte e depois foi até Flégias que circulava próximo das torres de vigilância.

— A leva de presos foi menor que o esperado. – disse o grego.

— Eu acompanhei a chegada, mas não a distribuição. Pode ser que Caronte tenha remanejado alguns para a ala A. – respondeu Flégias.

— Ele tem poder prá isso?

— O diretor o tem chamado com frequência devido a problemas no setor de projetos. Eu tenho permanecido aqui, mantendo as facções e os negócios sob controle. Caronte pode ter aproveitado a situação e feito a troca. Temo que isso seja uma falha da qual teremos que dar conta. – cochichou Flégias, continuando a sua ronda pelo pátio.

Kardia ficou sério, seu instinto sinalizando algo, mesmo que, aparentemente, tudo estivesse normal.

Dégel estava distante, lendo um livro nos poucos minutos de folga antes de retornar à enfermaria. Estava ignorando-o, como disse que faria, porém até isso lhe pareceu melhor que se estivessem juntos. Estava irritado, com ciúmes, mas também preocupado com a segurança dele.

Aldebaran olhou-o, sinalizando que estava de olho em Dégel e o grego voltou a cuidar dos negócios indo até Máscara da Morte que passava algumas pílulas de ecstasy e papelotes com haxixe para alguns presos.

— Soube de alguma coisa? – perguntou Kardia.

— Tem muita controvérsia na história. Uns dizem que chegou gente da pesada, mas aqui não tem nenhum. – respondeu o italiano.

— Flégias acha que Caronte está escondendo o jogo. – falou Kardia.

— Falando no diabo, lá está ele falando com o médico.

Kardia ficou tenso, mas sabia que Aldebaran estava por perto.

O grandalhão traduziu o que estava acontecendo com um sinal indicando: "ele foi chamado pelo diretor" e Kardia inspirou fundo, aceitando o baseado que Máscara lhe passou.

— Relaxa, grego. Seja o que for, a gente dá conta. – disse o italiano.

— Não é só isso que me preocupa. Tenho outros problemas... – falou Kardia acompanhando a saída de Dégel com os olhos.

— Sei... Um dos teus outros problemas tem nome e começa com D. – falou Máscara sorrindo e tragando o baseado.

Um suspiro longo escapou da boca de Kardia.

— Sou louco por aquele nerd. Fazer o quê? Até aceitei esse lance de estar apaixonado por um homem. Merda, ele me tira do sério.

— Bem-vindo ao meu mundo... Mas se quer um conselho de amigo, não força com ele. Ele se parece com Afrodite, os dois não pertencem ao nosso mundo. – disse Máscara fazendo um movimento com a cabeça, indicando que compreendia muito bem o que se passava com o grego.

Kardia bufou, soltando a fumaça devagar quando algo atraiu a sua atenção.

Ele olhou na direção dos aparelhos onde os skinheads estavam. O recém-chegado se aproximava da barra e se preparava para o exercício. Os cabeças raspadas o cercaram, porém ele permaneceu inalterado. Dali a pouco começou um burburinho e os guardas das torres posicionaram as armas e mandaram o grupo circular.

Depois que os skinheads se afastaram, Milo continuou a se exercitar, porém Flégias foi falar com ele e logo ele foi encaminhado à cela.

— É... parece que, apesar do estranhamento entre vocês, o teu xará não aceitou o aliciamento dos nazi filhos da puta.

— Melhor prá ele. – falou Kardia.

— Talvez ele seja um bom acréscimo ao grupo. – insistiu Máscara.

— Veremos... Mas, por hora, deixa assim.

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Quando Dégel voltou para a ala, seus pensamentos estavam tomados pelas imagens que presenciara na área de pesquisa. Os rostos lívidos contrastando com a deformação, após a morte. Sua ação havia sido solicitada e sentia que Minos já não agia com a mesma arrogância. O caso era grave e exigia uma intervenção imediata.

Precisava de um banho e precisava pensar, decidir o que fazer. Foi até os chuveiros e lá deixou que a água fria banhasse seu corpo.

Em seguida, Kardia chegou, os olhos azuis encarando-o com a intensidade do desejo.

Dégel desviou o olhar e continuou a molhar a cabeça. Não queria deixar-se subjugar pelos sentimentos e pelo tesão que o grego despertava.

— Está tudo bem? – perguntou o grego.

Dégel não respondeu. Fechou o registro e estendeu a mão para pegar a toalha pendurada. Kardia aproximou-se dele de modo que pode sentir-lhe o calor da pele.

— Vamos acabar com isso. Chega de um ignorar o outro. – falou Kardia.

— Oh, sim senhor! O que mais deseja, senhor?— disse Dégel com sarcasmo.

O olhar magoado do médico o fez suspirar e, em seguida, encostar sua testa na dele.

— Desculpa. Eu sou meio ogro, mas... porra, Dégel, ele te tocou. Você me conhece...

O médico quase se rendeu ao pedido, mas afastou-se do grego. A passionalidade de Kardia era, ao mesmo tempo, atraente e sufocante.

— É, eu conheço. Mas parece que você não me conhece! Vou passar um tempo na outra ala. Precisam de mim por lá. – disse ele.

Kardia franziu o cenho.

— Eu já pedi desculpas. Precisam de você para quê?

— Vou participar de uma junta de cuidados médicos.

— Quando veio prá cá, você disse que não faria o que o diretor havia pedido a você.

— Eu sei, mas agora é diferente.

— Ele tá te obrigando a fazer isso?

— Não.

— Quer me dizer agora no que deu os exames que eu fiz?

— Eles mostraram que você tem a síndrome de prolapso da valva mitral. Apesar do nome complicado, ela é uma anormalidade cardíaca comum e se você evitar certas coisas vai conseguir lidar melhor com as arritmias. Pode ficar tranquilo. – falou Dégel como se estivesse falando com um de seus pacientes.

Kardia olhou-o de um jeito mais terno, puxando-o para perto de si.

— Não seja frio comigo. – disse ele com aquele tom de voz rouco que conseguia penetrar no coração do médico.

Dégel prendeu os dedos na seda espessa do cabelo escuro do grego com a intenção de afastá-lo. Porém, isso não aconteceu, porque Kardia cobriu seus lábios com a boca e puxou-o de encontro ao corpo nu.

O que veio em seguida foi uma avalanche de sentimentos e sensações. Kardia beijava-o de forma profunda, beijos quentes e molhados que se depositavam dentro e fora da boca. Os dedos longos o acariciavam nas costas, pressionando as costelas até chegar aos quadris e deter-se ali, apertando-o contra a ereção pulsante.

— Sabe que pertencemos um ao outro... Não adianta negar, nem fugir. – murmurou o grego.

Não havia como negar. Dégel não conseguia abstrair o desejo, nem o amor que sentia por ele. Também não conseguia fingir que era uma vítima, pois seu corpo mantinha-se, plenamente, consciente das transformações que sofrera, após conhecer Kardia. Desejava-o com a mesma fúria e fome.

— Você me tira do sério, mas... Eu amo você, seu estúpido... – disse o médico.

Os dois olharam-se de forma intensa e foi a vez de Dégel recapturar a boca de Kardia com uma urgência abrasiva, fazendo-o reagir com voracidade, a tensão sexual transparecendo nas faces angulosas...

Os corpos escorregaram pela parede molhada, a ânsia da entrega desprezando o lugar, a hora, tudo... Kardia colou seu corpo ao de Dégel, acariciando-o, enquanto o forte e preciso toque da língua e dos seus dentes deixavam os mamilos do médico duros e avermelhados. A fome que sempre os consumia levou o prazer de Dégel até o limite da dor.

Os gemidos se intensificaram quando Kardia vagou entre as coxas apartadas de Dégel e a ponta arredondada do seu membro fez a primeira investida contra a sua carne. Sentindo-o ali e ansioso pela possessão, o médico jogou a cabeça para trás e Kardia o penetrou, ambos gemendo roucos e extasiados.

O súbito empuxo da invasão, seguido por uma dor ardente e, logo em seguida, o prazer, fez Dégel fixar-se no rosto do grego, sempre tomado pela paixão.

— Você é meu e sabe disso... – sussurrou Kardia, enquanto mexia os quadris penetrando-o com força, aumentando a intensidade ao ver o rosto transtornado pelo gozo.

A descarga de prazer torturante começou a fluir pelo corpo de Dégel. Ele gemeu contra a boca de Kardia que, agora o agarrava pelos cabelos, olhando-o e mergulhando com fúria dentro do seu corpo.

Fogo queimando fogo, as peles fundidas no momento em que a boca de Kardia possuiu a de Dégel e gozou dentro dele, o falo pulsando, o sêmen se derramando... O médico sentiu as últimas investidas e o convulsionar do corpo do grego. Foi o que bastou para que ele também fosse arrastado para aquela voragem. Estremeceu com a força do orgasmo, fincando os dedos nas costas de Kardia.

— Deus... – disse o grego, enquanto seu corpo estremecia e Dégel o segurava, também arfando, os lábios entreabertos e o corpo se contraindo com a intensidade do clímax.

Exaurido pela descarga maciça da libido, Kardia caiu sobre o médico, ofegante. Dégel o envolveu com os braços e fitou-o, meio sério, meio sorridente.

— Não sei como deixo você fazer isso comigo...

Kardia estava com os olhos semicerrados, o coração ainda disparado.

— Você me provoca, fazer o quê? – retrucou o grego.

— Olha onde estamos... no chão de um banheiro... – murmurou Dégel.

— Bem, estamos no lugar certo para tomar um banho. – disse Kardia mordiscando o pescoço do médico.

Dégel sacudiu a cabeça e acariciou o rosto de Kardia.

— Não se meta em encrencas enquanto eu estiver fora.

O grego ficou sério. Pensou em dizer algo, mas desistiu. Se Flégias estivesse com a razão, logo os presos misteriosos viriam para a ala B. Melhor seria se Dégel não estivesse ali. Beijou-o, novamente e cochichou algo no ouvido do médico, fazendo-o ficar vermelho.

— Você não presta, Kardia! – disse Dégel empurrando-o.

Kardia levantou-se, trazendo Dégel consigo. Encarou-o, enquanto afastava alguns fios de cabelo do rosto, ainda corado pelo orgasmo.

— Tem razão, nerd eu não presto. – falou Kardia com um sorriso safado, antes de beijar Dégel novamente.

— Ei, irmão! Tá na hora do banho dos nazi. – gritou Aldebaran do lado de fora.

Com um suspiro, Kardia encerrou o encontro. Quando ele e Dégel saíram, Spinne olhou o grego de cima a baixo com uma expressão de deboche.

— Bald wird Ihre Herrschaft zu beenden, sucker! (Logo, logo o teu reinado vai acabar, otário)— disse o skinhead entre dentes.

Kardia não sabia o que ele estava dizendo, mas lia a expressão facial do homem. Dégel, por sua vez, falava alemão fluente e entendera muito bem a ameaça. O grego encarou os olhos azuis claros que mais pareciam chispas e sorriu.

— Eu posso não entender essa tua língua escrota, mas não tem problema... Assim que você e os seus capachos se recuperarem da surra que levaram do Afrodite e do Máscara, a gente conversa...

Spinne sorriu com os dentes cerrados e então cuspiu no chão.

— Pode esperar, grego... – respondeu ele e depois olhando para Dégel, completou em alemão. — Und Sie, Herr Doktor, genießen Sie praktisch genug, um mit diesem Tier zu ficken. Wenn ich fertig bin, werde ich dir zeigen, was ein richtiger Mann. (E você, doutor, aproveite prá foder bastante com esse animal. Quando eu acabar com ele, vou te mostrar o que é um homem de verdade.)

Dégel não costumava aceitar provocações, mas aquele homem o enojava. Ele encarou-o sem demonstrar receio e então falou:

— Ich habe bereits ein richtiger Mann, meine Liebe. Sie und Ihre Männer sind ja nichts als erbärmlich und voreingenommen Schatten! (Eu já tenho um homem de verdade, meu caro. Você e seus homens sim, não passam de sombras patéticas e preconceituosas!)

Surpreso com a fluência de Dégel, Spinne franziu o cenho e então seguiu em frente. Antes de entrar no banheiro, falou em um tom audível, mas sem encará-lo.

— Es überraschte mich, Herr Doktor! Ich werde noch mehr aufgeregt sein, wenn ich hörte ihn stöhnen, als ich meinen Namen ganz begraben mich Ihren Körper. (Me Surpreendeu doutor! Ficarei ainda mais excitado quando ouvi-lo gemer meu nome quando eu me enterrar por inteiro dentro do seu corpo).

Kardia fez menção de enfrentar Spinne, porém Dégel o deteve.

— Não vale a pena. – disse o médico.

— O que ele falou? – insistiu Kardia.

— Bobagens! Esse cara é um idiota. — respondeu o médico.

Meio a contragosto, Kardia aceitou. Ainda ficou olhando para a direção onde Spinne se encontrava.

Tudo bem... Eu ainda me acerto com esse cara. Pensou Kardia, enquanto Dégel continuava andando em direção aos corredores. Alcançou o amante e, de repente, viu uma aglomeração que se formava à frente.

A voz áspera como lixa irrompeu o ar, gritando a palavra que fazia o sangue congelar nas veias.

Lock down!

Dégel piscou, atordoado com a visão horrenda.

Um dos homens que costumava negociar com Kardia e Máscara da Morte, estava nu e pendurado em uma das grades que dava para as celas.

Ele tinha as mãos amarradas aos pés com nós, cuidadosamente elaborados. A corda feita de lençóis estava vermelha de sangue e podia-se ver que os cabelos haviam sido arrancados junto com o couro cabeludo e o escalpo jazia, sangrento, ao lado do corpo.

Havia um buraco no lugar do olho direito e o olho esquerdo estava perfurado com um chuço feito com um fragmento de régua. Os testículos haviam sido arrancados e estavam dentro da boca que fora costurada de um modo grotesco, deixando antever os pedaços de carne e da saliva misturada ao sangue.

Os policiais empurravam os presos que teimavam em olhar aquilo de perto. Na parede, oposta às grades, estava escrito com sangue e letras garrafais, a seguinte frase:

SAUDEMOS A MORTE!

Notas finais
Agradecimentos especiais para essa galera MUITO ESPECIAL que acompanha e favorita a fic: JORDANA, MINOS DE GRIFFON, KUREITA, THATY HANAYUME. AGHATA MARIE, ASMITA, HERICK UCHIHA, LUCIAN DI AMBREY, BERLIN, JESSY AL SAYF, LRC, LUNAZINHA, SHALL, MILEIDY, ANA LETÍCIA, BOYS LOVES, JULI-USUMAKI, ASUKA KAORU, KIMY, LAURA HIEI, AZARELLA, ALGEL BLACK ROSE, LADU MIDNIGHT, SECRET, HINATAILOVE, MISSKO, LOUPS GARDIENS, NUTELLA e todos que leem, se emocionam, comentam, silenciam, enfim, sou grata de alma e coração!! Boa semana! Prá quem gosta de saber: ****Luminol é uma substância química criada em 1928 por H. O. Albrecht. É um produto que é preparado misturando-se o luminol propriamente dito, com uma substância à base de peróxido de Hidrogênio ( água oxigenada), que reage muito lentamente. Quando essa mistura entra em contato com o sangue humano, utiliza o ferro presente na hemoglobina como agente catalisador causando uma reação de quimiluminescência. É aquilo que vemos em seriados como CIS e NCIS. ****Paciente zero é o paciente inicial em uma população que está sobre investigação epidemiológica. O paciente zero pode indicar a fonte de uma nova doença, uma eventual propagação e o que detém o reservatório da doença entre os surtos. É o primeiro paciente que indica a existência de um surto.