Santuário Dos Condenados
1 Capítulo 1 COMO TUDO COMEÇOU...
Notas iniciais
** No entanto, apesar disso, existe romance, amizade e um grande amor!
** Para quem acompanha as minhas outras fics em andamento, não se preocupem que elas seguirão, normalmente com as atualizações.
– Você está me deixando nua na frente de todo mundo...
– E qual é o problema? ... — sussurrou o jovem junto ao ouvido da loira em seus braços, fazendo-a se retesar ao sentir um arrepio. — Vai me dizer que no seu histórico de puta, nunca teve a parte em que trepou na frente de outros caras... — ele completou, aproveitando-se para embrenhar seus dedos pelos cabelos longos dela e segurá-los firmemente na região da nuca, puxando-os para trás em seguida, fazendo-a inclinar o pescoço e expor toda a extensão a qual ele pode deslizar a língua e dar um chupão que logo deixou uma marca avermelhada.
A mulher fez um muxoxo e em seguida disse:
– Seu depravado! Isso foi antes de eu ser a sua mulher.
– Minha mulher? Alguém se esqueceu de me avisar que eu estou casado. – falou o gangster franzindo o cenho, ao mesmo tempo em que sorria com sarcasmo.
A loira riu alto, sentindo os olhos excitados dos outros sobre si e acabou deixando que ele continuasse, permitindo-o lamber os mamilos dos seus seios expostos e enfiar a mão por baixo da sua coxa torneada até sentir que ela estava sem calcinha.
– Humm... minha mulher tá bem molhadinha... Pronta prá ser fodida. – disse ele introduzindo os dedos entre as pernas dela.
Não muito distante deles, havia outro casal, um rapaz moreno de olhos azuis e uma ruiva voluptuosa que se beijavam com os olhos abertos e fixos no que acontecia ao redor, assim como outros homens e mulheres que se agarravam e bebiam, fazendo algazarra em meio às carreiras de cocaína e garrafas de cerveja sobre mesas improvisadas.
O lugar estava abarrotado de mercadorias ilegais, drogas e bebidas. A gangue festejava a conquista de mais um território na Cozinha do Inferno e seu líder, o jovem Kardia, conhecido como o Grego, comemorava com a mulher seminua em seu colo, enquanto sussurrava-lhe obscenidades ao ouvido e abria o zíper da calça, expondo o pênis ereto e fazendo-a abaixar-se, até tomá-lo na boca e iniciar a felação.
A mulher gemia ao engolir o membro e aprofundá-lo até a garganta, fazendo Kardia ofegar e agarrar-lhe os cabelos com força. Uma, duas, três sugadas mais fortes e ele gozou na boca pintada de vermelho. O grunhido que escapou de sua garganta pareceu incentivar os demais e a orgia começou...
Uma das mulheres disputava a atenção de um homem com outra e, enquanto via a parceira subir e descer pelo pênis em riste, passeava com uma das mãos por entre as pernas e se masturbava com força ao mesmo tempo em que outra a beijava na boca, lambendo-a e a cariciando-a nos seios fartos...
Sexo, bebida e drogas foram compartilhados até altas horas no galpão que se encontrava nas docas.
Em meio à madrugada, a festa cedeu lugar ao cansaço... Um filete de cerveja escorria da boca do líder, percorrendo o queixo e passeando pelo pescoço da prostituta que dormia em seu colo. A cena se repetia por todo o lugar, homens e mulheres bêbados e adormecidos entre corpos nus ou, parcialmente vestidos, entrelaçados e cheirando a sexo, suor e álcool.
Foi então que o inesperado aconteceu...
– K-Kardia! Kardia! – gritou uma voz feminina.
O jovem abriu os olhos com dificuldade, limpou a boca com as costas da mão e fixou o olhar na silhueta que cambaleava em sua direção. Reconhecia a voz em meio à ressaca, mas ainda assim era difícil organizar as ideias, até que ela caiu aos seus pés e ele viu o rastro de sangue...
– Hilda... – murmurou ele, afastando com rudeza a mulher em seus braços, ao vê-la desabar.
O corpo alvo e bem proporcionado estava perfurado no ventre, por onde vertia o sangue mais abundante, o rosto bonito estava cheio de hematomas a ponto de mostrar-se desfigurado. O olho direito estava fechado e inchado e os lábios cortados. O braço direito pendia fraturado e o outro exibia cortes e marcas de queimadura feita com cigarro.
– Hilda! – gritou Kardia, agora segurando-a, enquanto ela tentava balbuciar algo.
– J-Jure... J-Jure que... vai... proteger...F-Freya... – murmurou a jovem.
– Vai ficar tudo bem, Hilda. Eu prometo. Quem fez isso a você? – indagou o jovem sentindo-se estremecer por dentro, embora se mantivesse firme.
Não houve tempo para respostas, uma lágrima escorreu dos olhos de Hilda, enquanto ela entreabria os lábios e um filete de sangue escorria juntando-se às outras escoriações... Ela inspirou fazendo um som rouco e logo seu corpo amoleceu nos braços de Kardia que arregalou os olhos e gritou seu nome, mais uma vez. De imediato, todos foram acordando e houve um instante de comoção ao ver seu líder acariciando o rosto da mulher morta. Entretanto, ele não teve tempo para lamentar, logo, as docas foram cercadas e uma voz animalesca e anasalada se fez ouvir.
– Menos uma puta prá te chupar, Grego! Se bem que essa aí não era das mais habilidosas! – disse o homem soltando uma gargalhada. — Agora, vamos aos negócios... O chefe te mandou um recado: mesmo que você tenha conquistado um dos territórios dele, isso não vai ficar assim. Contabilize a perda de uma das tuas garotas como um aviso. Ninguém mexe com Hades e sai ileso.
– Zelos... – murmurou Kardia, entre dentes.
– Estamos prontos prá detonar esses otários, chefe. É só dar a ordem! – Disse Hasgard, apelidado carinhosamente de Red Bull, um dos homens de confiança de Kardia que levantara do sofá surrado e já empunhava uma pistola.
Os olhos de Kardia se estreitaram e ele olhou para Hasgard com um brilho insano percorrendo o azul profundo da íris.
– Não quero que deixem nenhum deles vivo! Agora é olho por olho e dente por dente. Vamos acabar com todos! – disse o gângster.
Regulus, Hasgard e Sísifo, assim como os gêmeos Aspros e Defteros se colocaram em posição. Kardia tornara-se um líder de gangue muito cedo e, mesmo abusando da impulsividade e espírito beligerante, era considerado um herói pela comunidade sediada na Cozinha do Inferno.
Conhecido por todos como Grego, devido a ter vindo com os avós imigrantes para os Estados Unidos, Kardia, apesar de ser um gângster violento e perigoso possuía alguns princípios que defendia com muito rigor. Um deles era que na comunidade, ninguém do seu grupo poderia ferir ou lesar aqueles que ali viviam. A disputa por drogas ou pontos de venda ilegal e prostituição se restringia às gangues e somente aos seus integrantes. Qualquer dano ocasionado a outrem era punido, severamente.
Hades era um gângster poderoso e com ligações políticas importantes o que o tornava, quase intocável. O apelido que lhe davam às costas era Juiz e possuía um séquito de homens violentos e dispostos a morrer por ele. Seu staff era imenso, muito maior que o do grego. No entanto, ele não vivia naquele bairro e nem tinha ligações com a população dali. Delegava poderes a subchefes que constantemente tentavam adentrar o território e mudar as regras, porém Kardia sempre os expulsava e a Cozinha do Infernovoltava a ficar em paz. Até agora.
Hasgard assentiu com a cabeça. O céu ainda estava escuro, na madrugada fria, e não havia transeuntes àquela hora. Entretanto, dali a pouco, os operários estariam chegando e, segundo as regras do próprio Kardia, ninguém inocente deveria ser envolvido no que lhe dizia respeito.
– Aspros, pegue o caminhão e feche a saída das docas. Defteros vá com ele e assim que ele encostar jogue a mercadoria. O resto vem comigo e a coisa é simples, vamos chegar mandando bala. – ordenou Kardia.
Os gêmeos obedeceram à ordem dada, silenciosos e rápidos, como sempre. Logo, o caminhão arrancou dos fundos e acelerou, fazendo uma curva fechada à direita e raspando no meio-fio. Aspros sorriu, divertido, e pisou no freio causando uma derrapagem que deixou a marca dos pneus no solo cimentado.
O som fez os dois veículos da gangue rival se voltarem para a saída. Aspros chutou a porta do lado do motorista que se escancarou. Ele sorriu travesso e olhou para o irmão. Os dois começaram a disparar uma automática fazendo furos na lataria dos carros da gangue que os desafiara.
Cinco homens saíram atirando. Usavam colete de kevlar e pistolas automáticas. Foi então que Defteros colocou uma máscara e lançou a mercadoria, uma bomba de gás lacrimogêneo que explodiu com um ruído seco e alto. Uma nuvem de vapor sibilou e se espalhou até longe, chegando aos três que tossiram e tentaram proteger os olhos.
Vendo o que estava acontecendo aos companheiros, mais quatro homens da gangue rival saíram de um Audi prata parado mais atrás. Usavam camisetas atadas ao rosto como máscaras e carregavam metralhadoras AR-1. O vapor os cobria e se atirassem, poderiam matar seus companheiros. Com cautela, colocaram as metralhadoras no ombro e sacaram armas com silenciadores. Os companheiros tossiram e eles se aproximaram, tirando-os da linha de fogo.
No entanto, a ação não impediu que Kardia aparecesse com o restante de sua gangue e soubesse a localização exata dos rivais. O jovem líder apontou a arma com silenciador e atirou na cabeça do que estava mais à frente. Acompanhando-o, Hasgard, Sísifo e Regulus dispararam as armas, não dando a chance de defesa.
O som das balas atravessando o ar foi como uma pancada surda em meio aos vapores do gás. As cabeças explodiam liberando pedaços de carne, cérebro e ossos. Aqueles que tentaram correr para os carros foram atingidos pelas costas e estremeceram tombando para a frente. Hasgard aproximou-se de um deles que ainda respirava e atirou entre os olhos do sujeito, à queima-roupa.
Os estampidos e o estalar dos crânios soaram abafados e em meio ao mar de corpos, um dos braços do chefão da gangue rival estava ferido e ofegava, tentando se esconder e fingir-se de morto. Foi Kardia quem o encontrou e um sorriso perverso se abriu nos lábios carnudos.
– Zelos... Mas que surpresa agradável... – disse o grego saboreando o tremor que percebeu em seu inimigo.
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A sala ampla e decorada com sofisticação possuía uma imensa janela com vidro até embaixo de onde se podia ter uma vista incrível de Manhattan. A chuva fina batia na janela formando desenhos abstratos e liquefeitos, enquanto Sasha olhava-os com os expressivos e tristes olhos verdes.
Com dificuldade, ela levantou-se da poltrona de couro branco e foi até o vidro, tocando-o como se quisesse sentir a textura da água que escorria. Olhando a sinuosidade dos pingos e comparando-os ao momento que vivia, se permitiu chorar.
Estou morrendo, me esvaindo como a chuva que retorna ao seio da terra.Pensava, enquanto as lágrimas quentes escorriam pelo belo rosto.
– O que está fazendo de pé? – perguntou a voz grave, porém agradável e um tanto baixa, adentrando a sala.
Sasha limpou as lágrimas antes de mover a cabeça na direção da voz e sorrir fraco.
– Me despedindo. – respondeu ela.
A expressão do jovem médico se contraiu. Os olhos violáceos que contrastavam com o exótico cabelo esverdeado, frutos de uma anomalia genética que o fazia ser único, se fixaram no rosto pálido da jovem e ele foi até ela, abraçando-a gentilmente.
– Não diga isso. Seu pai e eu estamos trabalhando dia e noite. Vamos chegar à cura ou, pelo menos, a um retardamento da doença. Tenha fé.
– Fé? Creio que a minha fé está se esvaindo com essa chuva. Eu queria tanto acreditar que você e eu nos casaríamos, teríamos um casal de filhos e viveríamos felizes.
– Sasha...
– Eu sei... Nunca vai acontecer! Não importa o que diga, eu estou morrendo e sei disso.
Dégel tomou-a nos braços e fitou-a, bem dentro dos olhos.
– Eu estou aqui com você, e vou tentar tudo o que me é possível.
Encostando o rosto de contornos juvenis no peito de Dégel, ela suspirou e então disse:
– Eu quero que prometa... Prometa que não vai me deixar sofrer, nem ficar presa àquela parafernália de aparelhos como um vegetal! Se não for para viver de verdade, eu prefiro morrer. Por favor, prometa que vai deixar-me morrer se não houver outro jeito!
O jovem médico sentiu uma opressão no peito, pois em seu íntimo, sabia que o caso dela estava adiantado demais. Fechou os olhos e beijou-a no topo da cabeça.
– Eu prometo. – disse ele abraçando-a com delicadeza, sentindo os soluços estremecerem o corpo enfraquecido.
Sasha fechou os olhos e inspirou, lentamente, o cheiro do homem que amava e com quem jamais faria amor como sonhara desde menina. Questionou-se pela decisão de ambos, ao adiar o momento até que se casassem. Esse momento, jamais chegaria e agora ela lamentava não ter conhecido o sexo, nem a intimidade com aquele que amava. Então, abriu os olhos e sorriu, tentando gravar em sua mente a imagem altiva e serena do jovem médico. Os olhos, aquele cabelo, o rosto belo e clássico.
– Eu te amo, Dégel... – sussurrou baixo e abraçou-o com todas as forças que ainda lhe restavam.
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Era sempre a mesma história. Apesar do burburinho nas ruas, dos curiosos nas janelas e algumas portas abertas, nada de testemunhas ou informações. Os corpos espalhados haviam criado uma piscina de sangue e contavam sua história silenciosa para os legistas e policiais. A cena macabra ainda o deixava furioso pela impotência em resolver aquele caso com rapidez. Brigas e destruição de pontos disputados entre as gangues eram frequentes naquele bairro, porém agora a situação havia tomado proporções grandes demais para serem ignoradas.
– Nove mortos e ninguém viu nada. – falou Aioros, inspetor designado para aquele caso.
– É, chefe... Estamos na Cozinha do Inferno.Dificilmente alguém vai dar com a língua nos dentes. – completou Seiya acenando para Kanon que vinha apressado na direção dos dois.
– Aioros, Seiya! Creio que temos uma pista importante. Parece que está tendo um velório na igrejinha da Rua 25th com a 27th. Uma prostituta foi morta e eu creio que isso tem a ver com a carnificina. – disse Kanon.
– Vamos lá. – falou Aioros.
A capela era pequena com janelas estreitas e altas feitas de vitrais em azul e vermelho. Cenas da bíblia adornavam as paredes e o turíbulo deixava escapar espirais aromáticas e transparentes de incenso. Havia poucas pessoas em meio ao silêncio sepulcral que começava a ser quebrado pelas palavras do padre que ali estava.
Kardia vestia um terno preto e estava sério, cercado por seus homens de confiança que também estavam trajados à rigor. Os outros estavam vigiando em diversos lugares do bairro. Aioros aproximou-se do grupo e do caixão que estava aberto. A beleza da mulher o surpreendeu, pois sabia que a vida de uma prostituta da Cozinha do Inferno não era nada fácil, principalmente porque os cafetões, em sua maioria, pertenciam às gangues e as exploravam para valer.
– Kardia Nicholas Stephanopoulos? Polícia. Vamos ter uma conversa. – disse Aioros se aproximando do grupo e mostrando o distintivo.
Sem mostrar-se surpreso ou abalado, Kardia apenas olhou o inspetor e os dois policiais que o acompanhavam. Fez o sinal da cruz e dirigiu-se à Hasgard.
– Cuide de tudo por aqui. Eu já volto.
Aioros não pode deixar de notar a presença magnética do jovem gângster, ele devia ter no máximo uns 23 anos e era conhecido por manter uma gangue coesa e violenta desde os 16. Alguns que estavam sob o seu comando pareciam ser mais velhos, no entanto isso não denotava problemas e o inspetor percebeu que havia mais que lealdade, havia uma relação de afeto entre eles.
– Então, a que devo o prazer, inspetor? Eu peço que seja rápido, pois este não é um bom momento. – disse Kardia com um tom arrogante.
– Pois eu acho que chegamos no momento certo. Além da jovem ali, encontramos um mar de mortos nas docas e eu creio que você sabe o que aconteceu, não é?
Kardia encarou Aioros com desprezo, depois correu os olhos pelos outros dois que o encaravam sérios.
– Não, não sei. Sinto muito, inspetor, vai ter que trabalhar de verdade para descobrir. – disse o gângster com um sorriso debochado.
Seiya aproximou-se de Kardia com intenções de pegá-lo pelo colarinho, mas foi impedido por Kanon. O gângster sorriu e passou a língua nos lábios, mostrando o piercing metálico que tinha na língua.
– Não tem nada contra mim, inspetor! A Cozinha do Inferno é o meu reino. E agora, se me dá licença, eu tenho que enterrar uma amiga.
Aioros franziu o cenho, depois sorriu.
– Aproveite o momento, Kardia... Você pode se considerar o rei, aqui, mas acabou de iniciar uma guerra e eu acho que você não tem colhões prá enfrentar o que está por vir. Sei que, pelas suas regras, ninguém fora das gangues deve arcar com o prejuízo, mas não creio que Hades vai deixar barato.
Kardia sorriu.
– Valeu a tentativa, inspetor... Mas, não sei do que está falando.
– Veremos. – respondeu Aioros dando as costas.
Após o enterro, Kardia rumou para o prédio em que comandava algumas operações de contrabando e distribuição de drogas. Sentia um furor dentro de si e quando isso acontecia, precisava extravazar. Matar aqueles homens não tinha aplacado o ódio e a dor pela morte de Hilda, sua amiga e confidente desde a adolescência.
– Quer que o deixe sozinho? – perguntou Hasgard.
Kardia suspirou.
– Me faz um favor, vá buscar Freya e depois a leve até este endereço.
– Uma escola? Quer que eu leve a menina para uma escola?
– É um internato. Hilda sempre sonhou em colocar a irmã em um lugar decente. Vou fazer a vontade dela. – disse Kardia.
– Está bem. Mas... e você?
– Eu? Eu tenho um recado prá mandar pro Hades. Aquele filho da puta vai se arrepender de ter mandado o escroto do Zelos.
– Kardia... Hades tem ligações importantes e talvez a gente deva deixar assim. Já liquidamos com os homens dele. Foi uma troca justa pelo que fizeram com a Hilda.
– Qual é Red Bull? Está com medo, agora?
– Sabe que não é isso! Hades tem mais homens e muita influência. Precisamos fazer a coisa direito ou ele acaba com a Cozinha do Inferno.
– Pois antes dele pensar em alguma coisa, eu vou acabar com cada gerente dos pontos do maldito aqui. Vou fazer Zelos pagar pelo que fez e vou mandar a cabeça dele de volta para Hades.
Hasgard ficou calado. Conhecia seu líder, quando ele estava irritado não adiantava tentar negociar ou trazê-lo à razão.
– Tá, o que pretende fazer, agora?
– Vou cuidar de um certo negócio. Me encontra daqui a meia-hora.
Havia uma goteira intermitente que, aos poucos, parecia martelar em seus ouvidos. Estava com a cabeça envolta em um saco de lixo preto e sufocava com o ar rarefeito e quente que escapava de suas narinas.
O prédio abandonado ficava nos arredores e servia de ponto de entrega ou para atividades como essa, onde gritos, choros e sons dos mais variados passavam despercebidos.
Ferido e sangrando, Zelos ainda assim podia sentir o fio de nylon que atava as suas mãos e lhe cortava os pulsos. Já havia perdido a noção de tempo e não sabia a hora ou onde estava.
Ao longe podia ouvir os passos que se misturavam com o barulho da água que caía. Não havia voz, apenas o som de alguém se aproximando e esse alguém vinha acompanhado.
Os passos estavam próximos e seu coração pulsou descontrolado. O ranger de uma porta se abrindo fez com que ficasse ainda mais apavorado. Alguém havia puxado uma cadeira e sabia que havia colocado em sua frente. Uma voz cortou aquele som da água caindo.
Era ele.
Kardia.
– Então Zelos... Como você mesmo disse antes, vamos aos negócios! – disse o grego puxando, violentamente o saco da cabeça de Zelos.
A lâmpada que balançava no teto, gerava uma luz branca que machucava seus olhos com o brilho intenso, impedindo-o de ver o rosto do homem que estava sentado a sua frente.
– Bem, vamos começar, então... – disse o grego retirando o paletó e ficando, apenas, com a camisa branca e impecável.
Zelos mordeu o lábio. Era o tipo de homem que só adquiria coragem quando estava no grupo. Sozinho era um covarde e já sentia que tinha molhado as calças só com o olhar intenso de Kardia, mais aquele ato de retirar o paletó como quem se prepara para brigar.
Kardia viu a calça de Zelos molhada de urina e franziu o cenho.
– Onde será que Hades arranja esses cuzões?– falou o grego olhando para os gêmeos que o acompanhavam.
Ferido em seu orgulho, Zelos cuspiu no rosto de Kardia, depois de falar:
– Você se acha invencível, moleque! Mas Hades ainda vai fazer você se borrar todo e melhor que isso, ele vai comer esse teu rabo e depois vai te matar!
O grego não se mexeu, mas podia-se sentir a ira, instalada nos olhos azuis.
– Aspros, Defteros... Creio que o nosso convidado precisa aprender boas maneiras. – disse Kardia limpando o rosto com a mão.
Os gêmeos se olharam e sorriram. Aspros retirou um canivete do bolso, enquanto Defteros segurava a mão direita de Zelos que estava presa no braço da cadeira por fios de nylon. O bandido arregalou ainda mais os olhos que pareciam os de um sapo.
– O-O que v-vocês vão fazer...? – balbuciou ele.
– O que o chefe mandou, te ensinar a ter boas maneiras. – respondeu Defteros apertando com força o pulso de Zelos, de modo que ele não conseguia mover os dedos.
Aspros enfiou a ponta do canivete embaixo da unha do dedo indicador, fazendo uma alavanca. Um tranco violento e lá se foi a primeira unha da mão de Zelos que gritou de dor. A unha caiu no chão e o dedo começou a sangrar...
Os gêmeos se olharam como se estivessem prestes a fazer algo divertido e, sem dar tempo para Zelos se recuperar da dor, Aspros arrancou mais duas o deixando extenuado a ponto de desmaiar.
– Acordem-no! – ordenou Kardia e um balde de água gelada misturada com água sanitária foi atirado ao rosto de Zelos que retomou a consciência e tossiu com o cheiro forte e o ardor na pele devido ao cloro.
Kardia se aproximou dele e elevou seu queixo, olhando-o bem dentro dos olhos que estavam cheios de lágrimas.
– Isso foi só o começo, Zelos... Eu vou aproveitar cada segundo com você. Portanto, pense bem no que vai fazer ou dizer, daqui para frente.
– E-Eu... Eu não t-tenho... nada a dizer! Eu cumpro ordens. .
– Cumpre ordens... Quer me dizer que matar e torturar uma mulher inocente foram ordens de Hades?
Zelos tentou sorrir. Sabia que ia morrer e, tentou ser corajoso ao final de tudo. O grego era conhecido por seu temperamento quente e explosivo. Talvez se o provocasse, Kardia pararia com aquilo e o mataria de uma vez.
– Hades ordenou só te dar um aviso! O que fizemos com a vagabunda foi por puro prazer, mesmo! Cada um de nós enrabou ela bem fundo e quando ficou sem graça, a gente achou por bem acabar com ela de uma vez!
Ao ouvir aquilo, Kardia arregaçou as mangas da camisa branca e pegou um alicate que jazia ao chão, próximo à cadeira onde Zelos estava. Sua respiração se alterou, assim como o seu olhar que foi tomado por raios de fúria. Entretanto, após pegar o alicate e encarar Zelos, o grego vasculhou-o com um prazer sádico.
– Sabe... seu escroto covarde! Sua voz me irrita. Então, digamos que a sua língua tornou-se... desnecessária! Acabou a brincadeira.
Ditas as palavras, Kardia postou-se atrás de Zelos e enfiou os dois dedos em seus olhos, puxando-o para trás e fazendo com que sua cabeça acompanhasse o movimento, sendo possível ouvir o estalo da vértebra cervical devido ao ato violento.
– N-Não! Por favor, nãooooooooooooooooo!! – gritou o bandido.
Foi a última palavra que disse antes de Kardia puxar a sua língua com o alicate até que a mesma fosse arrancada de sua boca e fizesse jorrar o sangue vermelho escuro que se esvaiu, juntando-se às poças de umidade espalhadas pelo lugar.
Kardia jogou o alicate que segurava a língua de Zelos no chão imundo e encaixou uma unha metálica no dedo indicador direito, um artefato que o acompanhava nos momentos mais cruciais de sua vida e que era tão afiado e mortal quanto uma navalha.
Zelos arfava, seus olhos estavam fechados e o sangue em sua boca brotava, intensamente, como se fosse uma mangueira jorrando água sem limite. A dor havia atingido um nível tão alto que ele já não sentia seu corpo. Suas mãos e pernas, estavam arroxeados pelo fio de nylon, toda a sensibilidade de seu corpo o havia abandonado. Foi quando sentiu em seu pescoço algo frio e afiado o pressionando. Parecia uma unha metálica e longa. Sim, era isso mesmo, uma arma que Kardia mandara fazer em um ourives para usar em momentos como esse.
Cerrando os dentes, o grego passou a unha que funcionava como uma navalha e cortou a garganta de Zelos. O bandido estremeceu e, naquele momento pode sentir o frio alívio da morte, descendo sobre si...
Aspros e Defteros sorriram enquanto o corpo de Zelos sofria os últimos estertores antes de a cabeça pender para o lado evidenciando um colar de sangue. Balançando a cabeça, o gêmeo mais novo estendeu uma nota de dez dólares ao irmão.
– Você ganhou. Esse merda não durou nem vinte minutos!
– Eu falei... Kardia não ia deixar barato e nem perder tempo com esse covarde.
Kardia olhou para o corpo ensanguentado de Zelos e cuspiu em cima.
– Arranquem a cabeça dele e incinerem o resto, depois limpem tudo. Mais tarde vamos deixar um presentinho para o grande Hades. – disse Kardia indo em direção à porta.
Quando deixou o prédio, Kardia sentia uma estranha opressão no peito e, por um momento, o ar faltou-lhe. Sentia dor e tristeza, emoções com as quais não sabia lidar muito bem. Usava da ira e da violência para aplacar as perdas que ocorriam em sua vida, mas ainda assim, seu coração comportava-se de um jeito caprichoso. Apoiou-se na parede cinza e respirou fundo. Hasgard veio ao seu encontro com o cenho franzido e passos largos.
– Você está bem? – perguntou o homem corpulento.
Kardia não respondeu. Tirou do bolso um papelote, abriu-o colocando próximo do nariz. Inspirou rápido e fechou os olhos, sentindo o efeito da droga, quase de imediato. Voltou-se para o amigo com as pupilas dilatadas e um tanto excitado.
– Fez o que eu te pedi? – falou o grego.
– Fiz, deixei a menina no internato e instruí minha irmã para falar com a direção. Falsificamos alguns documentos e fizemos o depósito do dinheiro. Tudo muito okay.
– Ótimo. Agora vamos nos reunir com o pessoal, ainda temos muito trabalho a fazer.
– Ainda com a ideia fixa de atacar os pontos do Hades?
Um sorriso iluminou o rosto de Kardia.
– Pensando melhor... Vamos escolher, somente um, aquele que é o coração de todos os pontos e que vai dar bastante dor de cabeça ao senhor Juiz.
– Você quer dizer... O Clube?
– Esse mesmo! Acabando com ele, Hades sofrerá um duro golpe. E de quebra, vamos deixar a polícia ocupada.
Hasgard estava preocupado, mas sua lealdade e amizade com Kardia estava acima das suas inquietações. Suspirou, enquanto consultava o relógio de pulso.
– Vou reunir o pessoal.
– Faça isso.
Quando Hasgard o deixou, Kardia olhou em volta. As calçadas estavam tomadas de gente que vinha do trabalho, vendedores e toda a sorte de transeuntes, até mesmo artistas que se exibiam em troca de moedas ou um café pago.
Um jovem de cabelos longos tocando saxofone fez o grego parar e apreciar a música. Era um som melancólico, mas belo e denso, fazendo-o lembrar-se do passado, mais precisamente a infância. O efeito da droga, associado com aquela música o fazia reviver o carinho dos avós e, logo em seguida, a tragédia que o levaria às ruas e o apresentaria a toda sordidez possível e imaginável. A vida faria dele um gângster violento, mas também uma espécie de Cavaleiro das Trevas como o personagem dos gibis. Não aceitava desaforo, mas era generoso com que fazia por merecer. Era Kardia, o Grego. Simples, assim.
Ouviu mais um pouco aquela melodia e depois retomou o rumo. Estava na hora de fazer jus ao que todos esperavam dele...
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O som dos aparelhos era monótono e parecia se diluir na imensidão branca do hospital. Deitada e conectada a eles, Sasha estava em estado de coma, para desespero de Hakurei, seu pai e chefe da ala de Oncologia do Metropolitan Hospital Center.
Dégel chegou, logo assim que fora informado da crise inesperada de Sasha, logo que ele a deixara para retornar às suas pesquisas. A jovem desenvolvera um câncer linfático raro, cujo desenvolvimento estava sendo fulminante. Enquanto andava pelos longos corredores, ele tocou na aliança e sua mente viajou até o dia em que a colocara no dedo.
Ele e Sasha eram amigos desde a adolescência. Com o passar do tempo, após formar-se em medicina e ir trabalhar com Hakurei, os dois ficaram mais próximos e acabaram namorando. Somente ela podia compreender a sua paixão pela medicina e também pela pesquisa sobre nanotecnologia que o deixava afastado dela, a maior parte do tempo. O sonho que tinha de salvar o maior número de vidas o fazia procurar a cura de doenças ainda desconhecidas através do desenvolvimento de remédios inteligentes criados para atacar, somente os tumores e células malignas, acabando com as reações adversas. E foi assim que a amizade profunda, mesclada com admiração, evoluiu para algo mais e eles haviam ficado noivos.
– Dr. Dégel, o Dr. Hakurei o aguarda na sala de espera. – disse uma enfermeira simpática e esguia, tirando-o das lembranças que lhe ocorriam ao aproximar-se do seu destino.
– Ah, sim, obrigado enfermeira. – respondeu ele, educado.
Hakurei andava de um lado a outro na sala pequena. Quando viu Dégel sua expressão aflita assumiu um ar esperançoso.
– Só você pode me ajudar. Entrei em contato com um hospital francês e fui informado que lá também existe uma equipe de médicos estudando essa doença. Você pode ir até lá e ver o que estão fazendo. Enquanto isso, eu a manterei viva.
A angústia que via em Hakurei o deixava entristecido, pois sua intuição e os exaustivos estudos lhe diziam que Sasha estava além do que ambos, ou qualquer outro médico, poderia fazer. A última frase que ela dissera, ainda martelava em sua mente... “Prometa que não vai me deixar sofrer, nem ficar presa àquela parafernália de aparelhos como um vegetal! Se não for para viver de verdade, eu prefiro morrer. Por favor, prometa deixar-me morrer se não houver outro jeito!”
– Hakurei, Sasha está com a doença em estado avançado. Não tem como reverter esse fato. Compreendo a sua dor, porque também estou arrasado, mas...
– Mas o que você está dizendo? Eu apelarei para a criogenia, se for a última opção que nos restar. Eu não deixarei minha filha morrer! – disse o médico, alterado.
– Está bem, eu vou tentar. – falou Dégel com um suspiro cansado.
Hakurei passou a mão nos cabelos grisalhos em tom de prata e Dégel percebeu que ele não dormia há bastante tempo.
– Vá descansar um pouco. Precisa dormir ou não vai poder ajudá-la. Vá, eu fico com ela. – disse o jovem médico.
O médico mais velho aceitou, confiando no futuro genro. Assim que ele deixou a sala, Dégel se encaminhou ao quarto onde Sasha estava. Viu-a intubada e ligada a todos aqueles aparelhos piscantes e ruidosos que a estavam mantendo viva. Tocou a mão delicada, percebendo a aliança de noivado que cintilava com aquela luz baixa e fria da UTI e sentou-se ao lado dela, em uma poltrona para acompanhante.
“Prometa que não vai me deixar sofrer, nem ficar presa àquela parafernália de aparelhos como um vegetal! Se não for para viver de verdade, eu prefiro morrer. Por favor, prometa deixar-me morrer se não houver outro jeito!” Não conseguia esquecer o pedido que ela lhe fizera e, ao mesmo tempo, sofria com a decisão de livrá-la daquele tormento.
Tinha que fazer, porque sabia que não tinha mais volta. Sasha apenas vegetaria como pedira a ele para não ficar. Seria, apenas, uma pálida sombra da menina doce e gentil, confiante e compreensiva. Ficaria ali, vivendo artificialmente, ávida dependente dos constantes bips...
Perdoe-me, Hakurei. Pensou ele e desligou as máquinas.
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Kardia entrou no salão que era ladeado por um imenso aquário cheio de peixes exóticos, usando roupas escuras e uma camiseta preta que moldava o seu torso esguio e com músculos sob medida. O cabelo estava solto dessa vez, deixando os fios negro-azulados resvalar pelo seu dorso. Parou num ponto, olhando para alguns jovens que dançavam na pista, visualizando os lugares estratégicos e os seguranças infiltrados por entre os clientes.
Gostava de música e de dançar, porém ali não era o lugar adequado e mesmo que desejasse, o que trazia em mãos dificultaria os seus movimentos. Resignou-se a observar os corpos sob o ritmo ensurdecedor daquelas caixas de som e a ficar atento a tudo que o rodeava, porque sabia que sua segurança estava em risco naquele lugar, assim com a de seus homens.
O Clube era uma casa noturna onde os negócios de distribuição de drogas, prostituição e jogatina eram orquestradas por Aiacos, um dos braços direito de Hades. Ali, as ciladas eram preparadas, as alianças fortalecidas, tudo acontecendo sempre dentro de uma fachada de legalidade o que dificultava a ação policial e servia como chamariz para gangues de outros locais, à espera de um convite do Juiz para participar da mina de ouro.
Os olhos azuis com reflexos violáceos acompanharam, quando Aiacos o viu e sacou a arma. No mesmo instante Hasgard puxou a sua e direcionou para aquela cabeça fazendo Aspros e Defteros sorrir e apontar as suas também.
– Ora, ora, mas será que ninguém desse bando tem um pingo de educação? – falou Kardia com sarcasmo.
– O que quer aqui, Kardia? – inquiriu Aiacos, ainda com a arma em punho.
– Vim trazer um presentinho para o seu patrão.
Kardia disse com firmeza e em voz alta, para compensar a música ao fundo e, em seguida, atirou o saco que trazia em mãos no meio da pista. O saco rolou e quicou. Quando, enfim, parou, se abriu e a cabeça ensanguentada de Zelos saiu de dentro dele, ficando em meio ao público que olhou horrorizado e começou a deixar o local.
Aiacos franziu o cenho e não demonstrou nenhuma emoção. Sabia que com aquela cena, os outros viriam ajudá-lo e continuou apontando a arma para o grego. Quando isso aconteceu, ele pareceu relaxar, antevendo o confronto.
Percebendo a atitude do gângster, Kardia não se importou de ter a arma apontada na sua direção, sua reputação não fora conquistada com atos cuidadosos ou medo de ameaças daquele tipo. Sorriu, sentindo uma excitação nas veias. Sua natureza belicosa casava, perfeitamente, com o caos e toda a sorte de violência. Um olhar seu e Hasgard baixou a arma como quem desistia do ato. Aiacos esboçou um sorriso para o líder da gangue rival.
– Acho que vai ter que abaixar a porra da arma, grego até a sua puta percebeu que o jogo acaba aqui. – disse ele ao ver a aproximação dos seus.
Kardia passou a língua nos lábios, deixando visível o piercing metálico. Os olhos fixos em Aiacos e uma expressão insana brincando naquelas íris. Depois, abriu os braços como se fosse largar a arma.
– O jogo tá apenas começando... E você vai aprender a ter mais respeito! – falou o grego.
Ao término da frase, houve um som estrondoso e o grande aquário que ladeava a pista de dança, explodiu, inundando a pista com água e peixes, fazendo com que o restante que ainda permanecia ali, saísse correndo em direção às saídas de emergência. Cortesia da dupla dinâmica, Aspros e Defteros.
Sem se abalar com os tiros, Kardia ergueu o braço e atirou diversas vezes na direção dos homens que apoiavam Aiacos, matando dois e ferindo um. Hasgard fez o mesmo, sendo tão certeiro quanto seu chefe e, Aspros, junto com Defteros acompanhou o ato, disparando vários tiros pelo ambiente, aumentando o caos...
Aiacos havia sido atingido no ombro e, mesmo assim, ainda tentava atingir Kardia quando ouviu o clic e a gélida sensação metálica do cano encostado à sua cabeça.
– Larga a porra da arma ou a puta aqui vai estourar essa tua cabeça, arrancar teu pau e enfiar tudo nessa boca suja! — disse Hasgard com a arma em punho.
– S-Se me matar, haverá guerra. – falou Aiacos.
Kardia gargalhou, depois chegou bem perto dele, pegando-o pelos cabelos e puxando para trás, fazendo-o cerrar os dentes.
– Aspros, descobre onde ficam os produtos de limpeza nessa joça. Como eu disse, desde o início, vou ensinar o nosso amigo aqui a ter respeito!
O gêmeo mais velho nem pestanejou e, logo em seguida, voltava com três embalagens plásticas contendo detergente, desengordurante e água sanitária. Aiacos foi segurado por Hasgard, enquanto Kardia puxava sua cabeça para trás e virava os produtos em seu rosto. O rapaz tentava evitar que tudo aquilo entrasse em sua boca e olhos, porém, maldosamente, Kardia apertou-lhe as narinas, obrigando-o a abrir a boca para respirar.
Aiacos engasgou-se, ficando com o rosto queimado pela mistura de produtos. Lágrimas escorriam de seus olhos vermelhos e irritados e ele começou a asfixiar-se, sendo solto por Hasgard de forma violenta no chão.
– Eu não vou te matar, Aiacos... Vou te deixar bem vivo prá dar o recado.
Tossindo, Aiacos tentou abrir os olhos sentindo uma dor dilacerante, mas ainda assim, desafiador.
– H-Hades... vai... te... matar, seu filho da puta!
Kardia sorriu, mas sua alegria durou pouco. Ouviu um som seco, seguido de uma ordem gritada em bom e alto som:
– É a polícia! Larguem as armas, fiquem de joelhos e mãos na cabeça! E você, Kardia, nem pense em reagir ou será um homem morto!
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Sasha estremecera, levemente, e, em seguida, seu corpo relaxou como se ela caísse num sono profundo... Segurando sua mão, Dégel se permitiu chorar em silêncio, enquanto permitia que ela partisse, como pedira a ele.
Quando Hakurei chegou e o viu, seu olhar transtornado atingiu-o em cheio e ele agarrou-se ao corpo da filha imerso em dor e ódio.
– O que você fez?! Você a matou! Assassino! Assassino!
Dégel ouvia os gritos e não ousava se explicar ou defender. Sim, a tinha matado. Hakurei tinha razão, ele era um assassino, mesmo que por piedade.
– Ela me fez prometer... – disse Dégel em um sussurro.
A partir dali, o jovem médico ficou em uma espécie de transe, ouvia os murmúrios, percebia os rostos chocados e tudo pareceu entrar em um túnel vertiginoso, denso e lento. O ambiente do hospital era sempre movimentado, mas naquele instante, parecera congelar no tempo, até que uma voz firme chegou aos seus ouvidos como uma avalanche:
– Nos acompanhe, Dr. Dégel. O senhor está preso!
Notas finais
*** Pobre Hakurei, não teve a chance de fazê-lo...
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS; A todos que derem uma passada por aqui!!! Comentários, energia positiva, tudo é sempre bem-vindo!!! Um grande beijo e, mais uma vez, obrigada, sempre pelo carinho que recebo aqui!!XD
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