Sangues
1 Chegada
Aquelas pessoas não deveriam estar ali. Não queriam estar ali, mas simplesmente estavam. Era um cortiço de mais de quatro andares que estava lotado de jovens de diversas idades. Tinha paredes brancas asperas e escadas cinzas, grades nos parapeitos e nenhum espaço onde pisar. Estava lotado de pessoas. No último andar uma mesa com diferentes tipos de alimentos, que serviam apenas para que os novos "convidados" se sentissem acolhidos e se convencessem de que ali era um bom lugar para se estar, quando na verdade não era. Eu estive ali no terreo com meus parentes, que aparentemente me deixaram para trás. Não sei se de propósito ou se aconteceu ao acaso; só sei que fiquei presa. Subia e descia as escadas sem rumo, observando diversas tramas complexas começando a se desenrolar sem interesse.
Há um homem cujo nome e rosto desconheço, mas com uma índole mais do que duvidosa. Ele mantém o cortiço vivo, cheio de jovens que não deveriam estar aqui, mas estão. Conheço, finalmente, três jovens que me conduziram finalmente a algum lugar de certeza, na mesa cheia de alimentos frescos. Há doces e salgados do todos os tipos e cores — observo até mesmo um frango assado muito bonito. Entretanto, não sento cheiro algum. Eu não deveria estar aqui, mas essas três jovens me conduziram à mesa de doces e eu peguei um. Apenas um doce foi suficiente para que as portas fosse fechadas para mim. Eu jamais sairia daqui.
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