Sangue quente.
10 Uma escolha de vida ou morte.
Notas iniciais
Sephiron...
O grito de Ian era de arrepiar, senti minha pele gelar e meu estômago afundar, eu tinha que fazer algo, comecei a chutar a porta do banheiro, dane-se que essa porta tem mais de quinhentos anos e foi feita a mão por um antigo e famoso escultor milenar! Dane-se que essa porta sozinha vale mais que uma casa pequena em um bairro chique.
Eu a quebrei e entrei no banheiro às presas, Ian estava sentado no chão sobre uma poça de sangue, encostado contra a parede de azulejos frios, ele me lançou um olhar de pura dor, dava pra ver o pedido de socorro dele.
Aproximei-me e me ajoelhei ao lado dele, seu rosto estava pálido, seus lábios quase não tinham mais cor, uma camada de suor cobria o seu rosto e fazia seus cabelos grudarem em suas têmporas.
–“Por favor... me tira daqui... eu não quero mais... ver isso!” Ele me pediu fraco.
–“Ver o que?” Perguntei exasperado com ele, eu não estava entendo nada.
Ian entreabriu um pouco as pernas, entre elas no sangue havia... impossível... isso é impossível... ele é macho... não pode ser isso... não pode ser verdade... não!
Acho que congelei um minuto olhando aquilo, Ian choramingou e eu voltei à realidade. O segurei nos braços e o retirei daquele lugar o mais rápido e cuidadoso que pude, o coloquei com cuidado na cama e ele caiu num choro desesperado.
Voltei ao banheiro para ter certeza de que minha mente não estava me pregando peças, pois aquilo não podia ser verdade, aquilo não estava acontecendo, não tinha como haver um... aquilo no chão do meu banheiro.
Voltei rápido para o lado de Ian, eu não queria ter voltado para ver aquilo! Porque eu fui lá ver isso de novo? Mas eu tinha que ter certeza de que era isso mesmo!
Mas como? Ian não podia estar... grávido... ele é macho, como isso pode estar acontecendo? Olhei para Ian incrédulo.
Eu sentia uma sensação ruim dentro de mim... mas não sabia o que era, não podia ser tristeza ou algo do tipo, pois sinceramente se eu soubesse que havia esse... troço... dentro do Ian, eu teria chamado um médico para tirar isso de dentro dele, não quero um... bebê babão e chorão em meus braços... quero passar a eternidade bebendo sague e fodendo, ter um filho não esta nos meus planos, nem pra hoje, nem para daqui a mil anos... então eu com certeza ia me livrar daquela coisa... mas porque me sinto tão mal com isso?
Deve ser pelo modo que aconteceu, deve ter sido porque Ian sofreu demais no processo, talvez com um médico fazendo o procedimento eu não estaria tão... chocado? Será que é essa a palavra certa?
–“E-eu... não... sabia... eu não sabia que eu podia...” Ian soluçava tentando se explicar, ele parecia assustado como se esperasse que eu brigasse com ele, porque ele está agindo assim?
–“Tá tudo bem! Eu também não sabia que você estava...” Não terminei a frase, eu me sentia um idiota agora, todos os sintomas estavam lá, o enjoou, o sono, a comida de mais... a barriga crescendo. Afastei rapidamente esses pensamentos, eles me davam a sensação de culpa... MERDA! Eu coloquei Ian para brigar nesse estado, merda, merda, merda!
–“Eu... não sabia... se eu soubesse... eu teria o protegido!” Ian levou as mãos sobre a barriga e chorou mais um pouco.
–“Não se culpe! Se eu soubesse desse negócio dentro de você eu teria mandado tirá-lo, você não precisa se preocupar, não estou zangando com você por tê-lo perdido!” Falei friamente para ele.
Os olhos de Ian se arregalaram para mim, era como se ele não me reconhecesse, era como se ele estivesse com medo de mim agora.
–“Como... p-pode dizer isso? Era... o nosso bebê... ele era metade de nos dois em um... ele era alguém inocente!” Ian soluçou e me olhou magoado.
O que ele disse? As palavras dele ficavam retumbando em minha mente... nosso... bebê... NÃO! Eu tenho que parar de pensar nisso, eu não queria isso... eu NÃO quero isso.
Ian desmaiou e eu fiquei mais exasperado andando de um lado para o outro, cadê a MERDA DESSE MÉDICO?
Sentei-me na beirada da cama e tentei relaxar... não conseguia... essa sensação ruim dentro de mim não passava... eu sentia a minha garganta apertar com força, alguém me explique que sentimento é esse? Eu não conheço... como eu posso dar um nome para isso? Como eu posso catalogar esse sentimento ou sensação? Como as pessoas descobrem o que estão sentido, quando sentem isso pela primeira vez?
As imagens do que eu havia visto no banheiro voltaram a minha mente... MERDA PORQUE EU FUI OLHAR AQUILO? Teria sido bem melhor se eu continuasse imaginando aquilo como sendo um monte de células amontoadas e sem utilidade, mas não, a realidade era chocante e o fato de... ele... já estar completamente formado era o mais grotesco para mim, eu pude ver todos os cinco dedes das mãos e dos pés dele... QUE DROGA! Porque essa imagem não sai da minha cabeça?... Porque me sinto tão mal?
Levantei-me e chutei a mesinha de cabeceira, ela voou contra a parede e se estilhaçou em pedaços de madeira nobre, as farpas se espalharam pelo chão e o abajur virou caquinhos! Isso não era o suficiente, eu tinha que destruir mais coisas, essa sensação não estava indo embora, arranquei as portas do meu guarda-roupas e destruí elas aos socos e chutes, isso me ajudava a extravasar um pouco, mas não era o suficiente, minha garganta apertava cada vez mais.
Meus olhos estão estranhos... porque esta tudo ficando turvo? Porque meus olhos ardem? Quando pisquei senti algo quente rolar pelo rosto... lágrimas? Impossível, não, não posso estar chorando... sei que vampiros podem chorar, mas isso é algo difícil para a minha espécie, alguns de nós passam a eternidade sem derramar uma única lágrima, é preciso algo realmente... forte e marcante para nos fazer chorar.
Uma batida na porta me distraiu, limpei meu rosto rapidamente, ninguém poderia saber dessa minha fraqueza!
–“Entre!” Falei simplesmente.
James abriu a porta para um vampiro de longos cabelos dourados entra, ele vestia um jaleco branco e carregava uma maleta preta.
–“O Dr. John, senhor!” Anunciou James e o médico fez uma reverência antes de se aproximar. Sem maiores perguntas ele se aproximou de Ian e começou a examina-lo.
–“James, já pode se retirar... diga para uma de minhas empregadas vir limpar o meu banheiro!” Ordenei e James fez uma reverência antes de fechar a porta.
–“Hmph... típico! Descobriu que ele estava grávido e o espancou para matar a criança?” Perguntou o médico olhando em volta e vendo a destruição no quarto, já tirando as próprias conclusões.
Pela expressão do médico dava pra ver que ele achava isso uma barbárie e era contra! E pelo modo que ele falou era mais que óbvio que ele não tinha medo de deixar isso bem claro na frente dos donos de mestiço, admirei a coragem dele, se eu fosse qualquer outro agora ele séria castigado, bem na verdade se ele estivesse atendendo um de meus antigos escravos, agora ele estaria sendo chicoteado pela audácia de falar assim comigo.
–“Eu não toquei nele... eu não o machuquei... eu não sabia que ele estava... eu nem sabia que ele podia fazer isso... não dizia nada no folheto do governo!” Olhei zangando para ele, eu não devia explicações a ele!
–“Hmmf, não acredite em nada que leu naquele maldito folheto. O governo não está nem ai para o bem estar dessa espécie!” Disse o médico abrindo a maleta e tirando vários instrumentos que para o meu alívio brilhavam limpos como se fossem novos em folha.
–“Já desconfiava disso!” Respondi e fiquei um pouco nervoso quando o médico espetou Ian no braço com uma seringa, mas relaxei ao ver que Ian parou de fazer careta de dor.
–“Cadê o macho ativo?” Perguntou o Dr. John escutando o coração de Ian com um estetoscópio.
–“O que?” Perguntei sem entender.
–“Se ele estava grávido, deve haver um outro mestiço nessa casa, o macho ativo que o engravidou!” Disse o médico tranquilamente enquanto fazia uma leve pressão com os dedos pela barriga de Ian.
–“Não tenho outro mestiço, eu sou o único que tinha relações com ele!” Respondi e os olhos do médico se arregalaram.
–“Incrível... essa é primeira vez que encontro um caso de gravidez entre nossas espécies... isso só pode significar que ele gosta de você... isso é raro, os donos de mestiço são sádicos cruéis, nunca encontrei um mestiço que se deixou engravidar pelo dono, achei até que isso era impossível!” O médico parecia excitado com a descoberta.
–“Espera ai... quer dizer que ele se deixou engravidar? Como assim?” Olhei para o médico exasperado.
–“Macho mestiços também podem engravidar assim como as fêmeas, acredito que eles evoluíram assim para garantir a proliferação da espécie, mas os machos não engravidam facilmente... os laboratórios do governo tentaram de todas as formas sem sucesso, eles fizeram até inseminação artificial em um procedimento quase fatal para essa espécie, mas nunca tiveram sucesso, por isso eles nem se preocuparam em colocar no folheto que os machos também tem um útero! Mas, o que eles não sabem é que sim, eles podem engravidar, mas os machos só ovulam e abrem a entrada para o útero deles, quando encontram um parceiro em quem confiam e sente alguma coisa, acho que isso é um meio de garantir que a prole vai ter ambos os pais para lhe proteger e assim dobra as suas chances de sobrevivência até a fase adulta!” O médico falou tudo isso calmo enquanto seguia examinando Ian com cuidado.
–“Como você sabe tudo isso?” O indaguei um tanto nervoso.
–“Eu era um dos... pesquisadores que trabalhavam para o governo, mas... depois de perceber o quão monstruosos eram os procedimentos e estudos realizados lá... eu me demiti e passei a estudar por conta própria os mestiços. Eles são uma espécie fascinante, tenho dez em minha casa, aqui, tome!” Ele me estendeu uma caderneta preta que tinha no bolso do jaleco.
–“O que é isso?” Perguntei pegando aquilo.
–“Toda a minha pesquisa!” Disse ele dando de ombros, ele por algum motivo estava confiando em mim, ele ou era muito estupido, ou estava querendo morrer, se eu o denunciasse ao governo, ele teria grandes problemas!
–“Porque está confiando a mim sua pesquisa? Sabe que eu posso te entregar pro governo por isso!” Perguntei lhe lançando um olhar arrogante.
–“Não sei, acho que é pelo fato de que você deve gostar desse mestiço!” Ele me lançou um sorriso quase tão arrogante e esperto quanto o meu.
–“Como pode ter certeza?” Perguntei lhe erguendo uma sobrancelha.
–“Talvez pelo fato de você ter me chamado ao em vez de deixa-lo morrer, que dizer... você poderia muito bem comprar um novo como todos os vampiros que tratam esses seres como objeto, mas ao em vez disso você me chamou!” O médico parecia convencido de suas palavras “E pelo jeito esse mestiço é muito bem cuidado! Eu não vejo sinais de desnutrição ou perda seguida de sangue apesar dele estar mal agora!” Ele falava isso enquanto seguia fazendo uma série de exames em Ian.
Eu ia rebater o que ele me disse, mas achei melhor deixa-lo trabalhar em paz. Abri a caderneta que ele me deu e logo na primeira página havia colado um pequeno trecho do folheto do governo, nele dizia:
Mestiços podem sobreviver com ração humana e necessitam de sangue humano uma vez a cada três meses.
Mas logo abaixo havia escrito a mão os comentários do médico!
Isso está completamente errado! Os mestiços não podem sobreviver só com a ração humana, eles necessitam de carne fresca pelo menos duas vezes por semana e pode-se e deve variar a alimentação deles com ovos, legumes e fibras, além é claro de um pouco de sangue de vez em quando! Essa má alimentação que o governo dá a seus mestiços os tornam fracos e doentes, podendo levar a óbito em determinado momento!
Virei a página e atrás estava uma lista de comidas que se devem dar a uma mestiço e comidas que nunca se devem dar a eles, fiz uma anotação mental sobre os alimentos. Na outra página estava escrito algo interessante, li para me distrair do que o médico estava fazendo em Ian.
Hoje descobri algo interessante, eu estava fazendo uma hidratação de pele com chocolate e meu mestiço enlouqueceu com o cheiro, ele ficou disposto e interessando em aprender truques em troca de um pouco de chocolate, após comer um pouco o efeito foi engraçado, aparentemente o chocolate age como uma “erva do gato” para eles, o meu mestiço mostrou alto níveis de hormônios de endorfina que os deixam muito felizes! Testei o mesmo em todos os meus outros nove mestiços, todos tiveram reações divertidas!
Chocolate? Isso não um creme de cheiro adocicado que nós vampiros usamos para deixar a pele macia? Porque os mestiços iriam comer algo assim? Bem vou tentar com Ian qualquer hora dessas.
Folhei mais um pouco a caderneta e achei algo interessante, novamente havia um recorte do folheto do governo.
Pode –se retirar as presas de um mestiço, apesar do procedimento ser doloroso, cicatriza rápido e não representa risco ao mestiço!
09/02 — Comprei um mestiço que já veio com as pressas retiradas, ele já tinha dono, um Conde que foi a falência e teve de se livrar dele. Aparentemente o mestiço já estava sem presas há pelo menos três meses, lhe dei o nome de Mike, ele é jovem, dever ter uns onze anos, ele gostou muito do brinquedo que dei pra ele, um ursinho de pelúcia azul, ele não desgruda por nada.
10/02 — Mike não quer comer, já tentei de tudo, ofereci carne entre outros alimentos que são irresistíveis a um mestiço, mas sem sucesso.
11/02 — Mike não socializa com os outros mestiços, ele sempre fica abraçado ao seu ursinho no canto. Ele é um bom mestiço! Me faz companhia quando estou lendo, ele gosta do barulho da chuva e nunca vi ele se divertir tanto quanto no dia de hoje quando deixei ele correr na chuva lá fora.
12/02 — Mike está obviamente faminto, mas não come, seu estômago ronca, mas ele se nega a comer.
13/02 — Mike não levantou da cama hoje, ele continua abraçado ao ursinho.
14/02 — Pobre Mike, odeio vê-lo desse jeito, ele é um bom mestiço, ia dar uma ótima companhia!
15/02 — Estou começando a pensar em sacrificá-lo, ele esta sofrendo, ele esta em um estado deplorável!
16/02 – Mike morreu durante o dia, odeio o fato de não ter estado ao lado dele nos seus últimos momentos, eu estava dormido! Pobre Mike, ele morreu abraçado a seu ursinho, o enterrei no meu quintal com o ursinho. Porque isso tinha que acontecer com ele? Ele era um bom mestiço.
Acabei comprando mais um mestiço duas semanas depois, ele também veio sem presas, assim como Mike, ele viveu bem por uns dois meses, depois disso apresentou os mesmo sintomas de Mike, ele se negou a comer e morreu pouco tempo depois.
Entrei em contato com o governo e revelei minhas descobertas, mas eles me ignoraram e continuam mutilando os mestiços vendidos em leilão, aparentemente o governo quer que os mestiços tenham uma vida curta, para que os ricos comprem novos logo em seguida! Os mestiços viraram a nova máquina de fazer dinheiro do governo.
Que bom que eu não deixei que arrancassem as presas de Ian, eu ia vê-lo definhar até a morte desse jeito.
Voltei a folear até achar o que mais me interessava no momento.
Percebi que dois dos meus mestiços macho estão próximos ultimamente, resolvi estudar o comportamento deles, quero saber como eles agem em sociedade.
Me deparei com algo inusitado, eu peguei esses dois macho copulando no inicio de uma noite, fiquei pasmo! Nunca tive a oportunidade de estudar o acasalamento dessa espécie em laboratório, isso é incrível!
Percebi que esses dois machos estão sempre juntos, acho que eles formaram um casal, isso é muito interessante mesmo, vou poder estudar como funciona a formação de pares e se eles mantem esse romance para sempre como certas aves ou se eles têm um momento de cio como alguns outros animais que só se aproximam na época do acasalamento.
O macho passivo, anda agindo estranho, acho que esta doente, tentei me aproximar dele para examina-lo, mas fui mordido pelo macho ativo, isso é muito estranho, nunca fui mordido por nenhum de meus mestiços.
O macho ativo não sai do lado do passivo por nada, já tentei atrai-lo com carne e com chocolate, mas ele parece saber que meu alvo é o passivo e não fraqueja em sua ronda de proteção.
Tive de sedar o macho ativo para ter acesso ao passivo, ele realmente perece doente, ele esta vomitando, nunca vi um mestiço vomitar!
Diagnostico do que o macho passivo tem: ele está gravido! Me sinto nas nuvens, consegui em casa sem interferência alguma o que os pesquisadores do governo veem tentando há anos, como um estudioso dessa espécie me sinto no nirvana, vou acompanhar de perto tudo.
Descobri que os machos só ovulam e abre seus...
Essa parte eu sei, o médico já me falou, vou pular esse trecho.
As coisas vão muito bem com o casal, mas não posso chegar perto sem ser atacado pelo macho ativo, tento compreender que ele só que proteger seu parceiro, mas isso está se tornando cansativo, acho que vou ter de separá-los.
Foi uma péssima ideia separa-los, o macho passivo ficou doente e depressivo, o macho ativo roeu as barras de metal até abrir um buraco e fugir, ele também quebrou duas portas grosas de madeira maciça, nunca vi tamanha demonstração de força de um mestiço, nem fazia ideia de que eles podiam ser tão fortes. Os dois se reencontrarão e se tornaram mais inseparáveis, agora o macho ativo está bem mais agressivo comigo.
Espera... eu estava me sentido possessivo com Ian, será que inconscientemente eu já reagia a uma ligação estranha a proteção de Ian e do...
Não, eu não o protegi quando necessário, eu o deixei ser levado e ferido dentro daquela jaula.
–“Me diga, se não foi você que bateu nele... quem foi?” Perguntou o médico curioso.
–“Tive de leva-lo para uma rinha... os ricaços estão fazendo uma barbárie em um galpão do Conde Leon! Não tive opção!” Respondi foleando rapidamente a caderneta.
–“Malditos bastardos miseráveis! Eles vão levar a extinção dessa espécie de novo e vão condenar a nossa também!” O médico parecia furioso.
–“Levar a espécie a extinção de novo? Como assim?” Perguntei achando isso esquisito.
–“Olha... eu não sei de tudo, mas tenho provas que essa espécie existia há muito tempo atrás! No entanto, o novo regime do governo matou todos eles juntos com os lobisomens! Acho que eles tinham medo que essa espécie se tornasse muito populosa e se voltasse contra nós! E agora eu acho que o governo só está deixando essa espécie voltar, porque a raça humana está prestes a sumir do mapa e sem os mestiços, vamos morrer de fome já que até aquele sangue alternativo feito em laboratório e vendido aos pobres é feito dos mestiços!” Disse o médico.
–“O que?” Arfei com essa descoberta.
–“Há uma ala dos laboratórios onde milhares desses mestiços são mantidos presos em gaiolas minúsculas enquanto seu sague é drenado cruelmente e constantemente! E acredite quando digo que isso é uma das coisas menos cruéis que eles fazem lá” O médico fez uma careta e se retorceu com alguma memória ruim.
–“O sangue desses mestiços é diluído em algum tipo de substância e vendido aos pobres, isso é uma das coisas mais estranhas em minha opinião, a quantidade de mestiços que há lá... é grande o suficiente para alimentar o país inteiro, sem precisar diluir o sangue... eu acredito que o governo esta fazendo essa mistura para enfraquecer o povo e evitar uma revolta que está cada dia mais próxima!” O médico disse isso sem pudor, ele com certeza era idiota! Como ele podia acusar o governo de algo assim na frente de um desconhecido, isso podia causar a sua excussão.
–“Está insinuando que o governo está envenenando o povo para inibi-los de se revoltar?” Perguntei chocado.
–“É exatamente o que estou fazendo!” Ele me falou usando o estetoscópio em Ian de novo, céus esse cara tem culhões, eu nunca falaria assim nem perto de alguém de minha total confiança.
O médico congelou de repente enquanto examinava Ian.
–“Ainda posso ouvir os batimento cardíacos do bebê... há uma pequena chance de salvá-lo, mas tenho que agir agora! O que você quer eu faça?” O médico perguntou me encarando.
–“O que? Não, isso é impossível! Ele perdeu o... aquela coisa lá no banheiro... eu vi com meus próprios olhos!” Falei tentando manter a calma.
–“Então eram gêmeos!” Disse o médico ficando mais surpreso ainda.
–“Responda logo... devo tentar salvar o bebê? Ou você quer deixar o curso natural das coisas acontecer?” O médico voltou a me olhar com uma expressão indagativa.
E agora? Eu não sei o que fazer! Pelo modo que Ian falou, ele queria aquela coisa... ele deve querer esse também... se ele souber que mandei tirar isso dele... ele não vai me perdoar! Mas ele não sabe que eram dois, talvez quando acordar ele só se sinta triste pelo primeiro, ele não precisa saber do segundo!
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