Sangue quente.
35 Relembrando os bons momentos.
Notas iniciais
Sephiron...
Eram seis horas da madrugada, mas eu não conseguia dormir mais. Minha mente estava cheia. O sentimento de perda continuava a me perturbar, mesmo eu tendo desabafado nos braços de Ian mais cedo. Até quando eu me sentiria mal assim? Esse sentimento um dia sumiria?
Droga, eu precisava distrair a minha mente abarrotada e eu sabia exatamente o que me daria um pouco de paz e sossego e ainda me animaria um pouco.
Olhei para Ian ao meu lado na cama confortável, ele estava dormindo profundamente. Apurei meus ouvidos para escutar o quarto ao lado, as crianças dormiam também... ótimo.
Levantei bem devagarinho da cama e fui silenciosamente até o guarda roupa. Na última porta a direita, ficavam meus brinquedinhos. Ah, como eu estava morrendo de saudades de uma brincadeira assim... Pobre Ian.
Peguei uma caixa recheada de coisa e voltei pra cama em silêncio. Subi nela sem causar nenhum movimento ou transtorno para o Ian.
Bem devagarinho eu fui despindo Ian, eu não queria que ele acordasse ainda, eu queria que ele tomasse um susto quando finalmente abrisse seus olhos e se visse preso na minha terrível armadilha de prazer.
Ele se remexeu incomodado quando tive problemas para tirar a sua camiseta, mas para a minha sorte ele não acordou. Depois de um esforço extra para despi-lo, eu parei para admirar o meu trabalho.
Ian agora estava completamente nu e ressonava inocentemente sobre a seda branca, essa era uma linda imagem... em pensar que eu quase o perdi.
Passei meus dedos de leve na pele dele, sentido a macies e a delicadeza de cada centímetro de seu peito... Não havia marcas que provassem o cruel estado em que ele estava antes, isso me deixava tão aliviado.
Mas o Ian que se engana se acha que vai ficar com essa pele sem marcas hoje. Vou fazer questão de marca-lo com meu desejo em cada centímetro cubico de seu corpo.
Abri a caixa com um sorrisinho safado, dentro dela havia muitos brinquedos e alguns lubrificantes, mas esses lubrificantes deviam estar vencidos a uns bons anos. Então para complicar a minha vida terei de usar apenas os brinquedos e dar um jeito de lubrifica-los com o que tenho.
Mas primeiro eu tinha que ter certeza de que Ian não ia fugir e nem fazer ruídos audíveis, afinal agora temos crianças ao lado e seria um saco ter que lidar com um flagrante desses pestinhas.
Peguei uma mordaça que parecia uma bola com tiras, enfiei a bola na boca de Ian e prendi as tiras em sua nuca, pronto, agora ele não vai poder reclamar também.
Virei Ian de lado e puxei seus braços pra trás, amarrei seus cotovelos um contra o outro, assim ele ficava com as costas arqueadas e o peito erguido o tempo todo. Usei uma corda de cerdas ásperas, assim se ele lutasse muito, a corda o arranharia.
Depois peguei sua perna direita, a dobrei e amarei seu tornozelo contra sua sobre coxa, desse modo ele não podia esticar a perna de modo algum, repeti o mesmo processo com a outra perna. Pronto, ele agora estava incapacitado de se defender de minha doce tortura de prazer.
Posso não ser mais aquele filho da puta de antes do Ian, mas ainda curto um sexo bem sádico.
Agora era a hora de escolher os brinquedinhos que usaria. Vi uma bola de metal e me lembrei da primeira vez que torturei Ian pra valer, daquela vez eu queria feri-lo e maltrata-lo até a loucura, mas agora eu queria levá-lo as alturas com prazer... Então porque não mostrar pra ele o quanto essas bolas podem ser agradáveis?
Peguei uma das bolas... droga, não tenho lubrificante, terei de usar muita saliva. Enquanto umedecia uma delas, eu usava um dedo para prepara-lo. Nesse momento Ian se remexeu incomodado, mas não acordou.
Enfiei dois dedos nele e ele não acordou, mas tentou mudar de posição, infelizmente para o coitado, ele estava muito impotente amarado assim.
Brinquei despreocupadamente com meus dedos dentro dele, não tive presa, afinal ainda era muito cedo para que qualquer um acordasse. Eu teria tempo o suficiente para me satisfazer.
Quando senti que ele estava bem alargado, comecei a enfiar-lhe uma bola, ela escorreu e escapou umas duas vezes antes de por fim começar a se afundar dentro dele. Ian agora gemeu, mas os sons saíram abafados pela mordaça.
—“Hmm... hmm HUMMMM... humhum?” Ian acordou e para a minha satisfação ele reagiu exatamente como eu esperava. Ele abriu os olhos levemente, mas logo os arregalou para olhar o que estava acontecendo entre suas pernas. Eu não pude entender o que ele estava falando, mas pelo visto ele fez uma pergunta... talvez tenha perguntado o que eu estou fazendo.
—“Sentiu saudades Ian? Lembra como era bom fazer algo pesado assim?” Ri da expressão irritada que ele lançou pra cima de mim. Ele se remexeu tentando se soltar, mas logo percebeu que não conseguiria.
A bola entrou completamente dentro dele, o corpo de Ian estremeceu por um momento antes dele rosnar pra mim. Seu olhar provava que ele queria me bater por estar fazendo uma brincadeira dessas sem permissão, sua expressão raivosa me queimou, mas ri disso.
A saliva de Ian escorria dos cantos de sua boca, a bola de borracha vermelha em sua boca lhe atrapalhava na hora de engolir completamente a saliva, me inclinei em cima dele e lambi o canto de sua boca.
—“Sei que você quer arrancar o meu coro agora, mas relaxe e aproveite, as crianças ainda estão dormindo, então temos um tempinho para revivermos o modo como nos conhecemos, lembra?” Cochichei no ouvido dele, mas ele seguiu me olhando com raiva.
—“Sabe que isso é só uma fantasia, não sabe? Eu não quero te ferir de verdade ou te causar dor estrema. Se eu fizer algo que você realmente não queira... você pode me parar. Estale os dedos como sinal de pare... você consegue fazer isso estando preso assim?” Perguntei pensando em algum modo dele se expressar nesse estado.
Ele ficou sério e analisou a situação antes de suspirar e concordar com a cabeça. Seu olhar furioso suavizou e ele deixou seu corpo relaxar sobre os lençóis de seda.
—“Muito bem... bom garoto.” Ri e peguei mais uma bola de metal pesada da caixa.
—“Lembra dessas aqui? Lembra quando usei algo assim em você?” Mostrei pra ele a bola brincando com ela entre meus dedos.
Os olhos de Ian se arregalaram ao ver o objeto, rapidamente ele lutou contras as amarras e estalou os dedos em desespero.
—“Calma... sei que está com medo. Dá última vez eu as usei para te causar dor, mas dessa vez é diferente, confie em mim.” Pedi lambendo o objeto para lubrifica-lo.
Ian ainda me olhava desconfiado, acho que aquela tortura que fiz nele ainda é algo bem vivido em sua memória. Não o culpo, fui duro demais com ele e enfiei aquelas coisas nele além da capacidade que ele possuía.
—“Relaxe completamente, confie em mim.” Eu não planejei isso, mas agora essa brincadeira virou um teste de confiança. Até onde Ian se entregaria a mim?
A respiração de Ian estava acelerada, suas pupilas dilatadas, tudo isso provando o seu enorme medo, mas mesmo assim ele não voltou a estalar os dedos, ele fechou os olhos e tentou relaxar.
Enfiei a bola dentro dele, ela escorreu fácil e empurrou a outra um pouco mais pra cima. Ian se remexeu incomodado, mas logo se acostumou.
—“Tudo bem?” Perguntei lhe erguendo uma sobrancelha. Ele fez que sim com a cabeça.
—“Vou colocar mais uma.” Peguei uma nova bola, Ian me olhou preocupado.
—“Fica tranquilo, não vou exceder esse número, três está bom. Não vou te enfiar vinte como dá última vez.” Lhe garanti, ele suspirou e voltou a relaxar. Enfeie a última bola.
Vasculhei dentro da caixa por mais brinquedos, Ian tentava erguer a cabeça pra ver o que viria a seguir, mas o deixei na curiosidade. Ficar na ansiedade pelo próximo brinquedo o deixaria tenso o suficiente para espremer as bolas dentro dele e assim massagear sua próstata.
Peguei um pequeno aparelhinho que dava leves choques, na verdade era mais um beliscão do que um choque, mas era exatamente o que eu queria agora.
Encostei o aparelho no mamilo de Ian apertei o botão, o negócio fez um zunido entranho e Ian se retorceu tentando se afastar do aparelho, mas estando amarrado daquela forma era impossível proteger seus mamilos.
Alternei os choques em seus mamilos e abaixo de seu umbigo. Ian realmente estava se retorcendo e se contraindo por dentro e por fora. E esse ato de se contrair por dentro estava mesmo fazendo as bolinhas serem espremidas contra sua próstata. O membro de Ian agora estava ereto e pulsante, mesmo que ele me lançasse olhares irritados, dava pra ver que ele estava curtindo.
Larguei o aparelho de choques e o ataquei com minha boca, mordi e lambi em todos os lugares possíveis. Ian se retorcia quando eu mordia, mas amolecia totalmente quando eu lábia, a respiração dele estava ficando entrecortada e seus gemidos sofridos.
Peguei um novo brinquedo, era um anel de silicone, Ian o olhou desconfiando. Peguei o membro de Ian e forcei o anel nele. O anel era bem apertado e espremia o pênis de Ian, ele gemeu alto quando consegui passa-lo por sua glande de forma brusca, mas não parei por ai e empurrei o anel até a base de seu membro, Ian choramingou, mas não estalou os dedos.
Peguei mais um anel, esse era mais apertado, o forcei contra o membro dele de novo, dessa vez Ian tentou fechar as pernas e choramingou mais alto, mas novamente não estalou os dedos. O anel entrou, mas esse eu deixei em volta da cabeça de seu pênis e não na base como no outro.
Parei para admirar meu trabalho, o membro de Ian estava latejante e muito vermelho, os anéis estavam quase cortando a circulação de sangue. Cutuquei a cabeça de seu membro sensível pela pressão do sangue no local. Ian realmente lutou contras as amarras agora e começou a lagrimejar. Esperei pelo estalar de dedos, mas ele não o fez, ele aguentou bem.
Continuei cutucando maldosamente sua glande judiada, Ian estava perdido entre choramingar, gemer ou lutar. Ri com malicia, eu sei que eu não estava torturando ele de verdade, mas esses maus tratos me faziam sentir poderoso de novo.
—“Ian... expulse as bolas de dentro de você, eu quero ver.” Falei separando bem as pernas dele e olhando fixamente para o lugar.
Ian ficou com o rosto super vermelho e negou com a cabeça repetidas vezes. Aparentemente ele estava com vergonha de fazer essa coisa humilhante e isso tornava essa tortura mais excitante pra mim.
—“Você não quer expeli-las? Prefere que eu meta em você com elas aí dentro?” O torturei com um sorriso cruel. Ele me encarou indeciso.
—“Sabe que se eu meter agora, elas vão ir bem lá no fundo e vai ser muito mais difícil tirá-las depois.” Sorri usando o meu olhar de vilão e vi Ian vacilar em sua decisão, ele estava lutando mentalmente contra as duas possibilidades.
—“Então? O que vai ser? Posso meter agora?” Perguntei inocentemente me posicionando pra entrar e só para tortura-lo mais um pouco, eu meti a cabeça. Ian rapidamente negou com a cabeça e se remexeu como se dissesse Tá bem eu faço, eu faço!
Retirei-me e voltei a olha-lo, agora seu corpo tremia e seu membro transbordava com o pré gozo. Ele tentou inutilmente esconder seu rosto envergonhando, suas feições se retorceram e se coloriram de vermelho vivo, seus dentes se cravaram na bola de borracha que o amordaçava enquanto ele fazia força para expulsar as bolas.
Não consegui tirar meus olhos de seu rosto contorcido de esforço, isso era quente. Quando a primeira bola saiu, ele relaxou e parou para respirar e descansar.
—“Nossa... eu não sabia que você era tão sem vergonha assim Ian. Brincando com bolinhas na minha frente. Não sabia que você curtia pompoarismo.” Debochei da cara dele, eu queria vê-lo muito envergonhando.
—“HMMM... HUMM... HMMMM!” Ele ficou furioso, aposto que estava me xingando de tudo quanto era palavrão.
—“Tsk... tsk... e eu achando que você era o cara certo pra casar, mas você é apenas um tarado que se satisfaz com qualquer coisa enfiada em seu traseiro.” Fingir estar indignado.
—“HUMMM... HUM HUM... HUMMM” Ian tentou me chutar, mas suas pernas estavam bem presas, no esforço ele acabou expulsando mais uma bolinha.
—“Ora... veja só, mais uma que saiu fácil, você está ficando frouxo Ian. Estou começando a desconfiar que você anda dando pra alguém além de mim, pois da última vez que transei com você, este lugar era bem estreito para essas bolinhas.” Hahaha como era bom judiar do Ian, ele estava mesmo puto comigo agora. Ele estava mordendo com tanta raiva a mordaça, que estava quase a estraçalhando.
Não esperei ele expulsar a última bolinha de metal, meti nele sem aviso. A surpresa fez Ian praticamente pular de susto. Seu corpo estremeceu e vibrou em minhas mãos, foi difícil entrar por completo nele, pois tive que empurrar a bolinha canal acima.
Retrocedi e a bola desceu junto e novamente tive que empurra-la canal acima, isso tornava a coisa mais difícil e intensa pra mim e pelo visto, também agradava ao Ian. Ele parou de tentar me agredir e jogou a cabeça pra trás.
Mas nessa posição eu ia acabar machucando os braços de Ian, pois ele estava há muito tempo com o peso do tronco sobre os braços presos. Me retirei dele, o virei de lado, amontei em uma das pernas dele e apoiei a outra contra o meu peito, ficando assim entre suas pernas. Meti novamente e acabei indo profundamente dentro dele.
A bola de metal ainda estava no meu caminho, subindo e descendo junto comigo, massageando mais intensamente a próstata de Ian.
Ian por sua vez parecia não ter mais controle de sua voz, ainda bem que eu o amordacei, se não seria possível escuta-lo até no jardim.
Perdi a noção do tempo, eu poderia estar metendo no Ian há quinze minutos ou há uma hora, eu já nem sabia. Eu estava naquele limite entre gozar sem querer e conseguir me controlar.
Ian choramingou e estalou os dedos, parei e olhei pra ele. Ian parecia estar fazendo um sinal com rosto, erguendo o queixo pra mim, indicando a mordaça, acho que ele queria que eu tirasse aquele negocio dele, assim o fiz.
Quando soltei as tiras, ele cuspiu a bola de borracha e lambeu os lábios babados.
—“Seph... por favor, tira os anéis... eu já gozei há uns bons minutos e está doendo ficar com isso preso dentro da minha uretra.” Ian pediu com a voz falha e chorosa.
Apiedei-me de seu singelo pedido. Levei a minha mão ao membro de Ian que agora estava com uma cor um pouco mais azulada. Puxei o anel que prendia sua glande, quando ele saiu, Ian mordeu o lábio inferior para não gritar.
Nesse momento um pouco de seu gozo preso escorreu, então comecei a tirar o anel da base, esse estava bem preso e me custou um tempo puxá-lo, Ian escondeu o rosto no travesseiro e choramingou alto.
—“Doí Seph... Ugh” Ele me olhou com rosto manchado de lágrimas. Usando as duas mãos eu arrebentei o anel de silicone para libera-lo. Assim que esse objeto se foi, Ian soltou uma exclamação de alívio e seu corpo todo amoleceu como se fosse feito de geleia.
—“Melhor?” Perguntei fazendo um carinho em seu cabelo.
Ian fez que sim com a cabeça e chegou a suspirar.
—“Você ainda é um grande filho da puta... sabia?” Ian me perguntou isso fazendo um beicinho.
—“Reclame o quanto quiser, isso nunca vai mudar.” Disse com sorriso safado, mas logo me estiquei sobre ele para beija-lo.
Me retirei de dentro dele e o virei de bruços, comecei a desamarrar seus braços e assim como esperado a corda feriu a pele dele. Seus braços estavam arranhados e irritados, os lambi para aliviar a dor.
Aproveitei que Ian estava de bruços e beijei sua coluna, subindo vertebra por vertebra até chegar em sua nuca.
—“Pode se livrar da última bolinha agora.” Cochichei em seu ouvido, ele estremeceu e gemeu. E então senti a bola pesada, quente e húmida escorregar sobre os lençóis húmidos e encostar-se ao meu joelho que fazia peso sobre o colchão.
Voltei a meter em Ian, eu ainda não tinha chegado ao meu nirvana, mas estava perto agora. Ian relaxou de bruços sobre a cama e se abraçou ao travesseiro.
Movimentei-me com velocidade dentro dele, chegando a cada segundo mais perto até que finalmente me liberei dentro dele.
Minhas forças se foram, todo o estresse que senti nas últimas semanas foram consumidas nesse ato, me senti mais leve, mesmo que a tristeza da perda ainda me atormenta-se no momento.
—“Obrigado Ian... eu precisava extravasar.” Agradeci soltado o meu peso sobre ele e beijando atrás de sua orelha.
—“Podia ter me pedido antes... me pouparia de querer te matar.” Ian resmungou amassado embaixo de mim.
—“Mas metade da diversão estava em te fazer uma surpresa.” Bufei em seu ouvido.
—“Nesse momento estou dividido entre querer te esganar e querer dormir... não sei o que faço.” Ian disse sonolento.
—“Parece que o sono vai ganhar.” Ri ao perceber que ele estava quase apagando mesmo.
—“É... vai mesmo...” Essas palavras foram seguidas de um suspiro e ele apagou.
Sai de cima dele aliviado, pelo visto eu não ia apanhar agora. Me salvei de uma bela bronca. Me deixei relaxar ao lado dele e logo apaguei também.
...
Monstro...
Quando o sol nasceu, acordei e testei meu corpo me espreguiçando. Parece que meu corpo estava se recuperando muito bem, eu já não sentia mais dor, mas acho que ainda não podia me dar ao luxo de matar meus escravos, principalmente agora que tenho a oportunidade de explorar esse pacto de sangue com o Leonard.
O garoto estava acordado, deitado sem camisa no chão gelado.
—“Bom dia tapete.” Sorri pra ele, o garoto apenas me lançou um olhar irritado.
—“Como foi passar essa noite fria nesse chão gelado?” Perguntei com ironia, eu o proibi de dormir em sua quente e confortável cama e o fiz passar a noite inteira deitado no chão sem nem mesmo um lençol para protegê-lo da noite fria que tivemos.
—“Se é isso que você chama de tortura... então você ainda não sabe nada do mundo mesmo. Meu antigo dono me fez coisa pior.” Ele respondeu prepotente.
—“Eu só estou me aquecendo... mas já que você está reclamando por eu pegar leve com você... talvez eu deva realmente te ferir na próxima.” Ameacei pulando da cama sobre a barriga dele, ele arfou de dor, mas não se moveu ou reclamou.
Limpei meus pés sobre a barriga dele.
—“Até que você é um bom tapete... quem sabe eu possa usar seu coro assim depois que eu te matar.” Debochei descendo de cima dele.
—“Não ligo... faça o que quiser comigo.” Ele deu de ombros e olhou para o teto sem emoção. Isso me irritava, eu queria que ele esboçasse medo, raiva... Qualquer coisa que provasse que eu estava afetando ele de alguma forma.
—“Levante-se escravo.” Ordenei, ele assim o fez sem pestanejar.
—“Ajoelhe-se diante de mim e me ofereça o seu sangue.” Ordenei com um tom de voz esnobe, ele resmungou, mas acabou se ajoelhando e estendo o seu pescoço a mim.
—“Como foi que eu disse que você deve falar nesse momento?” Retruquei.
—“Oh, meu adorado mestre... por favor beba de mim e me faça a sua fonte de vida.” Ele disse sem vontade, mas mesmo assim me diverti com isso.
Ataquei seu pescoço e fiz disso uma experiência o mais dolorosa possível para ele. Eu queria vê-lo chorar de dor, mas aparentemente ele tinha muito orgulho e trancou a respiração para não deixar um gemido escapar por entre seus lábios.
Tomei meu café da manhã com gosto, admito que o sangue dele é bom, mas tenho que me lembrar que ela ainda é uma criança, se eu beber demais posso matá-lo.
Parei quando estava perto do limite, ele cambaleou zonzo. Seu ferimento no pescoço logo fechou e qualquer vestígio do meu ataque sobre ele se foi.
Nesse momento os criadores acordaram e começaram a se arrumar, logo eles estaria aqui.
—“Aja naturalmente.” Ordenei em voz baixa pra ele.
O garoto foi vestir uma camisa e se sentou sobre a cama com um olhar abatido. O hospedeiro entrou no quarto animado.
—“Nossa, vocês já estão de pé? Aposto que estão curiosos para explorar a casa.” O hospedeiro sorriu feliz para nós.
—“Sim, Tata.” Fingi animação.
Leonard olhou desesperado para o hospedeiro, ele abriu a boca umas dez vezes tentando por pra fora as palavras que buscava, mas minha ordem de ontem o impedia de contar a verdade.
—“Que foi Leo? Você está meio pálido.” O hospedeiro fez um carinho na testa de Leonard, o garoto fechou os olhos e absorveu o toque com um sorriso triste e feliz ao mesmo tempo, a raiva me atingiu.
—“Eu... estou bem Sr. Ian.” Leonard lhe lançou um sorriso carinhoso, estava na cara que ele venerava o hospedeiro.
—“Hey Leo... porque a gente não vai brincar no jardim enquanto Papai e Tata terminam de arrumar a casa?” Falei com ânimo, assim como eu imaginava que a Sophia iria falar diante dessa oportunidade.
Leonard se abraçou as pernas do hospedeiro em desespero, acho que ele queria poder dizer ao hospedeiro para não me deixar sozinho com ele. Sorri para a expressão desesperada dele.
—“Isso é uma ótima ideia querida.” O hospedeiro me fez um carinho na cabeça, tive que aguentar essa melação chata.
Não demorou muito e logo eu e Leonard estávamos do lado de fora no jardim curtindo o belo dia. Leonard estava inquieto ao meu lado e isso me animava.
Eu estava preste a ordenar que ele pulasse dentro do arbusto de espinhos, quando um bicho estranho passou correndo por nós. O segui e consegui o encurralar contra um muro baixo do jardim.
—“Que coisa é essa?” Perguntei para Leonard que se aproximou de mim contra a vontade.
—“É apenas um filhote de coelho... a mãe dele deve estar por perto.” Ele respondeu calmamente.
—“Filhote é?” Olhei para o bicho encurralado e uma ideia cruel me veio à mente. Vou queimar o filme de Leonard com os criadores... huhuhuhu isso vai ser divertido, afinal de contas tudo que o Leonard quer é uma família, mas... e se eu estragar as chances dele ser aceito?
—“Escravo... quero que você pegue aquela pedra.” Apontei para uma pedra de tamanho considerável, se o Leonard não fosse um vampiro, provavelmente ele teria dificuldades em pega-la.
Ele resmungou pra mim, mas obedeceu sem pestanejar.
—“Agora... quero que você esmague a cabeça desse bicho com a pedra.” Ordenei com um sorriso cruel.
—“O quê? Por que isso? É apenar um bichinho indefeso, ele não fez nada pra você.” Ele relutou com a ordem, mas seu corpo se posicionou para cumprir o ordenado.
—“Isso é verdade, mas quem disse que eu me importo com esse fato?” Sorri mais.
—“Por favor... para com isso... eu não quero fazer isso... retire a ordem, por favor.” Ele estremeceu lutando, mas contra a sua vontade seus braços ergueram a pedra diante do animal que se encolhia assustado.
Eu nada disse, apenas assisti com um sorriso satisfeito quando ele atirou a pedra na cabeça do animal. Sangue e pedaços de carne salpicaram para todos os lados, manchando a camiseta e bermuda de Leonard e respingando um pouco em mim também.
Leonard ficou diante do bicho morto, seu rosto estava lívido, ele olhava as próprias mãos com descrença.
—“Por quê? Porque você tem que ser tão mau?” Ele me olhou com os olhos cheios de lágrimas.
—“Ah, mas as minhas maldades ainda não acabaram.” Ri com gosto.
—“O quê?” Ele me olhou sem entender, tomei folego e gritei o mais alto que pude.
—“PAPAI... TATA....... AAAAAAAAAAAAAAAH.” Gritei e gritei, forçando os meus olhos a produzir lágrimas, Leo me olhou assustado sem saber o que estava acontecendo.
De repente o progenitor e hospedeiro apareceram apavorados.
—“Sophia o que foi? Você se machucou?” Perguntou o hospedeiro.
—“O que está acontecendo aqui?” O progenitor perguntou.
—“O Leo machucou um bichinho... eu disse pra ele parar, mas ele riu e...” Cai num choro falso, mas até que eu fui um bom ator dessa vez, pelo visto eu posso chorar e berrar quando quero ferrar alguém.
—“Não... eu juro que a culpa não foi minha...” Leonard tentou se defender.
—“Ah, Leo... Porque fez isso com um bichinho indefeso? E bem na frente da Sophia.” O olhar de desaprovação do hospedeiro para Leonard foi duro. Leonard chegou a baixar a cabeça sobre esse olhar e chorar.
—“Moleque...” O progenitor erguer a mão para o Leonard, mas a parou antes de acerta-lo e suspirou consternado sobre o olhar do hospedeiro.
Chorei incontrolavelmente por fora, mas gargalhei por dentro.
—“Vamos criaturinha... vamos tomar um banho e trocar de roupa.” O progenitor estendeu as mãos pra mim.
—“Mas... mas ele machucou um bichinho... vocês não vão fazer nada?” Perguntei um pouco desapontado, estava esperando mais, queria ver alguém machucar o Leonard.
—“Eu vou pensar em um castigo pra ele depois querida... mas por hora eu só quero que saiba que estou desapontado com você, Leo.” O hospedeiro falou isso com um tom de voz frio para o Leonard e isso parecia deixa-lo pior. Senti-me um pouco satisfeito, mas isso não era o suficiente pra mim... vou pensar em outras formas de fazer o hospedeiro odiá-lo.
Torturar o corpo de Leonard não o faz sofrer, mas fazer o hospedeiro olha-lo com desgosto parece feri-lo mais do que um ataque real... acho que sei como tortura-lo agora. Prepare-se Leonard, você implorará por clemência logo, logo.
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