Sangue quente.
36 Aprendendo.
Notas iniciais
Sephiron...
Acabo de abater uma presa e agora estou voltando pra casa. Ian precisa de carne, mas ir até a cidade mais próxima comprar algo assim é perigoso. Levando em conta que carne é considerada uma comida humana e que atualmente é ilegal ter um humano, acho que a minha melhor opção é sair para caçar na floresta mesmo.
Tive muita sorte hoje, consegui caçar um veado adulto e corpulento. Ian vai ter muita carne para se recuperar de todo o trauma da viagem. Mas vou tentar racionar o alimento, talvez eu consiga fazer isso durar por umas três semanas.
No entanto isso não é a única coisa que estamos precisando no momento. Nossas roupas estão um trapo. Seria interessante ir até a cidade comprar algumas. Talvez eu possa fazer isso, quer dizer... eu não tenho mais a aparência do vampiro aristocrata Sephiron de Montheran que era procurado pelas autoridades, mas mesmo assim creio que eu não posso me misturar entre os outros sem chamar a atenção.
É... talvez ir comprar roupas não seja uma boa ideia. Acho melhor eu procurar algumas roupas velhas em um dos meus baús e quem sabe eu possa improvisar algo para as crianças.
Finalmente cheguei em casa, aproveitei que era de noite e que provavelmente a criaturinha estiva dormindo e entrei em casa com o animal que abati. Eu não queria que ela me visse com as partes do bicho morto, levando em consideração que ela ficou bem abatida com o que o Leonard fez ao coelho.
Eu não estou verdadeiramente zangado com o moleque, quer dizer... eu entendo ele. Nós somos predadores, temos desejos de caçar e matar, mas ele não deveria ter feito isso na frente da criaturinha.
Ian também não está zangado com ele, mas resolveu lhe dar um castigo para fazer com que a criaturinha se acalmasse. Ele mandou Leonard ficar o dia todo no quarto pensando no que fez.
—“Hei Ian, voltei... tudo bem?” Entrei na sala carregando o animal. Ian estava sentado na frente da TV assistindo as notícias.
—“Seph... tá tudo ok... As crianças já estão dormindo. Oh, vejo que você foi muito bem na sua caçada. Mas dê um jeito de esconder isso muito bem, odiaria que a Sophia visse isso.” Ian sorriu tristemente para mim.
—“Que cara é essa? O que você viu nas notícias que te chateou?” Perguntei preocupado.
—“Um bocado de coisas ruins, sabe como é... parece que todos enlouqueceram e o mundo virou um inferno.” Ian suspirou para a TV.
—“Entendo...” Suspirei para ele e fui guardar a carne no frízer, que por um milagre ainda funcionava, apesar de ser uma peça de museu... como metade dos eletrônicos que temos aqui.
Voltei para a sala, Ian estava de queixo caído diante da TV.
—“O que foi?” Me aproximei às presas para ver a notícia.
Uma repórter bem arrumadinha estava parada na frente dos laboratórios do governo... ou do império, eu sei lá. Algo muito impressionante tinha acontecido lá, atrás da repórter, dava pra ver que uma boa parte do laboratório estava destruído.
A repórter bonita começou a falar com uma expressão muito séria.
—“Hoje a tarde um vampiro com uma aparência deplorável explodiu metade do laboratório do império. Ele causou a morte de inúmeros pesquisadores e funcionários. Além de roubar mais de cem mestiços que estavam abastecendo o banco de sangue. O imperador garante que não haverá racionamento de sangue, mas que o preço da bebida subira nas próximas semanas.” A repórter falava tudo isso formalmente, ela continuou.
—“As autoridades ainda estão procurando o vampiro não identificado que foi descrito por testemunhas oculares como um vampiro adulto com cicatrizes pelo corpo inteiro. Ele foi apelidado então de Sr. Cicatriz. As autoridades ainda não confirmaram nada, mas acreditasse que esse vampiro tenha ligação com o líder dos terrorista, o Sr. Shadowy, que está sendo procurado por crimes contra o império há meses.” A repórter seguia falando enquanto na tela passava imagens do retrato falado do tal Sr. Cicatriz e do pai do Ian.
Eu e Ian trocamos olhares rápidos. Ian parecia nervoso e agitado, dava pra ver que ele estava preocupado com o pai.
—“Não se sabe ainda o paradeiro dos mestiços roubados e nem a intenção dos terroristas com essas criaturas. Como medida de proteção da população de bem, o imperador exige que todos que tenham um mestiço em casa, que implante neles um identificador com comprovante de pose. E pede também para que todos tomem cuidado e denuncie se virem alguém vendendo sangue de aparência ilegal ou adulterada. Não coloque sua saúde em risco e compre sangue somente nos postos licenciados.” A repórter seguia falando das medidas de proteção do império.
—“Sério mesmo que eles estão tentando apontar o dedo para as pessoas da resistência e alegando que eles estão adulterando sangue? Que filhos da puta!” Ian resmungou.
—“É... Nós sabemos muito bem quem é que adultera sangue.” Bufei irritado, para a minha sorte eu não precisava tomar esse sangue vendido nos postos, eu tinha o mais puro e legítimo aqui em casa mesmo.
—“Você acha que isso foi mesmo um ataque do meu pai?” Ian perguntou esperançoso.
—“Acho que sim... quem mais atacaria o laboratório para resgatar cem mestiços?” Falei isso sentido um arrepio de emoção, será que finalmente o pai do Ian está agindo? Ou será que ele já vinha agindo por de trás dos panos sem que ninguém desconfiasse? Bem... talvez ele tenha feito outros ataques, mas o imperador pode ter proibido a notícia de vir a público. Ou talvez eu não tenha tido muito acesso a notícias mesmo... acho que terei que assistir mais televisão agora.
—“Obrigado pela reportagem Miranda. Fiquem agora com a programação normal... Boa noite.” Disse o ancora do canal e seu programa terminou, mas logo uma rinha monstruosa começou. Agora além de jogarem os mestiços lá dentro, eles largavam animais famintos também.
Rapidamente desliguei a televisão quando um tigre atacou um mestiço e começou a devora-lo ainda vivo.
—“Acho que devemos ir nos deitar.” Chamei Ian.
—“Sim... mas você não vai me pegar de supressa de novo... vai?” Ian me lançou um olhar desconfiado.
—“Não se você for esperto.” Pisquei pra ele com um sorriso medonho. Na verdade eu estava planejando amarrá-lo e comê-lo de novo de forma bem sádica, mas para isso, eu precisava que ele fosse dormir primeiro, desse jeito ele não me atrapalharia quando eu fosse amarrá-lo.
—“Fica aí me atiçando Seph, eu quero só ver sua cara quando EU te pegar de surpresa então.” Ian devolveu o sorriso com uma ameaça.
—“Uuuuh... o gatinho está me ameaçando? Acho que o leão malvado vai ter que por esse gatinho no lugar dele.” Me aproximei dele em posição de ataque.
—“Haha... você um leão? Seph, você já perdeu a majestade há muito tempo, acho que agora você está mais para um saco velho cheio de pulgas.” Ian sabiamente contornou a poltrona e a usou como escudo.
—“Jura que você quer me irritar assim? Eu estava planejando pegar leve com você, mas acho que agora terei que te dar uma lição.” Me agachei e comecei a persegui-lo, Ian sorriu e começou a correr em volta da poltrona.
O peguei com facilidade, o meu desejo de fazê-lo pagar por suas palavras era mais forte que meu desejo de brincar de pega-pega com ele.
Quinze minutos depois Ian estava a minha mercê sobre a cama. Ele estava devidamente nu, amarrado, amordaçado e judiado. Lhe mordi, arranhei, eletrocutei, espanquei, mas é claro, tudo isso sem lhe ferir de verdade. Isso assim como ontem era apenas para o prazer e não uma tortura real.
Ian lutava inutilmente contra suas restrições, mas eu o amarrei muito bem, como sempre.
Enquanto torturava sua glande com aquela máquina de dar choques, meus dedos o alargavam bem, na verdade eu estava indo além do normal. Eu estava o alargando mais do que o necessário, pois dessa vez eu tinha um plano maléfico.
—“Prepare-se para pagar sua língua Ian, hoje você vai tomar muito no rabo.” Falei lhe mostrando um consolo muito realista. Ian a principio não deu muita atenção ao brinquedo, ele deu de ombros quando o enfiei nele. Sua expressão estava entediada e ele me olhava como se dissesse... É só isso que você tem? Francamente você já me fez coisa pior.
O brinquedo na verdade não tinha mesmo muita graça sozinho, ele não vibrava e nem era tão grande assim, mas minha reais intenção com esse brinquedo iam deixar as coisas bem mais interessantes.
Posicionei-me para entrar em Ian com o consolo ainda dentro dele. Foi aí que Ian entendeu o que viria pela frente, seus olhos se arregalaram e ele lutou para fugir.
—“Sempre quis fazer dubla penetração em você, mas é claro que eu sou ciumento demais para dividi-lo com alguém... Esse brinquedo por outro lado, bem... ele é meu no fim das contas, então tecnicamente, eu estou te fodendo em dobro.” Sorri me forçando a entrar em Ian, estava muito difícil e Ian não estava ajudando se remexendo daquela forma.
Quando minha glande conseguiu de alguma forma um espaço para entrar e passou pelo ânus de Ian, ele gritou contra a mordaça e relutou. Parei por um momento para ele se acostumar.
Quando ele parou de lutar e me olhou assustado com sua respiração em arfadas e seu coração a mil, eu voltei a me afundar e dessa vez não parei até entrar completamente.
Nossa... isso estava muito apertado, doía um pouco e era até desconfortável, o consolo era duro e seu formato apertava locais sensíveis do meu membro. Mas era Ian quem devia estar sofrendo mais.
Fiquei imóvel e dei a ele seu tempo, por mais que eu queira castiga-lo, eu não quero tortura-lo pra valer.
Ian conseguiu de alguma forma se livrar da mordaça que o impedia de falar, ele a cuspiu e me lançou um olhar furioso.
—“BASTARDO...” Ele rosnou.
—“Shhh... você vai acordar as crias.” Sorri para a fúria que ele jogava em cima de mim com seu olhar, acho que vou ter que cansa-lo de novo, desse jeito ele não poderá se vingar de mim mais tarde.
Apertei seu membro meio rígido, ele estava ficando flácido, acho que ele estava sentindo dor de verdade. O masturbei para trazê-lo de volta ao lado prazeroso da transa.
—“Para... não me toque seu filho...hmmm... de uma puta... canalha... aah... maldito... besta... cachorro sarnento... praga... aaaah... céus, eu te ODEIO!” Ele estava mesmo muito puto, mas foi ele quem começou, ele sabe que não pode mexer com esse meu lado predador.
—“Você me odeia? Que menino mentiroso.” Sorri para as palavras de Ian, eu sabia que isso era mentira, ele só estava zangado e a dor o impelia a xingar.
—“Quando você me soltar... eu vou enfiar uma árvore no seu rabo... aaaah, pra você ver como é bom... maldito.” Ele rosnava e me olhava com sangue nos olhos, segui masturbando ele, seu membro estava ganhando vida de novo.
—“Está reclamando do quê? Você já está duro de novo, então não deve ser assim tão ruim, não é?” Ri brincando com seu membro em minhas mãos.
—“Droga... não tem como não ficar duro com você me tocando aí, mas não significa que estou gostando do que está fazendo com resto de mim.” Ian voltou a me lançar um olhar zangado, mas sua voz estava mais calma agora.
—“O resto de você está Ok. Eu te preparei o suficiente para não se machucar com isso, então você ficará bem. Aconselho que relaxe e aproveite.” Toquei em seus pontos sensíveis para ouvi-lo gemer.
—“Merda... não é como se eu tivesse opção, não é? Cadê aquelas doces palavras de não sou mais um filho da puta, se você não estive gostando me avise que eu paro... cadê hein?” Ian tentou imitar a minha voz nessa frase, quase ri disso.
—“Aquelas doces palavras? Não sei... acho que eu esqueci delas quando você me chamou de saco velho cheio de pulgas.” Ri apertando com mais força seu membro, ele se remexeu.
—“É sempre assim... Você fica me dizendo que não quer mais me torturar e me machucar, mas é só ter a oportunidade e...” Ele não terminou a frase, um gemido de prazer o silenciou quando apertei seu mamilo, mas admito que ele tinha razão, dessa vez eu não dei a ele a segurança de uma palavra ou um sinal de pare se as coisas ficassem mesmo insuportável pra ele.
—“Você está odiando isso de verdade... ou é só manha?” Perguntei sério, eu queria seguir com isso, mas se ele estivesse mesmo odiando, eu ia ter que parar.
—“...” Ele ficou pensativo por um momento, acho que estava recalculando as sensações que estava sentido.
—“E então?” Voltei a perguntar, as coisas estavam ficando difíceis para o meu lado, eu já queria me mover.
—“V-você pode continuar, mas...” Ele falou mais calmo e seu rosto corou.
—“Mas?” Ergui uma sobrancelha pra ele.
—“Por favor, eu não vou aguentar horas disso... então tente gozar logo.” Ele implorou com um gemidinho manhoso.
—“Tudo bem, estou de acordo com isso. Eu também não vou aguentar isso por muito tempo.” Gemi me remexendo, meu membro estava mesmo muito esmagado e esse consolo era duro demais.
Ian suspirou e relaxou, me movi com muita dificuldade e ele contorceu o rosto.
—“Está doendo mesmo?” Perguntei.
—“Um pouco... sinto como se estivesse preste a rasgar em dois... mas...” Ele reclamou no inicio da frase, mas no final começou a rir.
—“Mas o quê? E qual é a graça?” Perguntei curioso.
—“Hahahaha... finalmente você percebeu que seu pênis é minúsculo e que precisa de algo a mais para me agradar.” Ian riu da minha cara.
—“É sério Ian?... É sério mesmo que você ainda está tentando me irritar em uma situação dessas? Você tá mesmo querendo ser rasgado em dois... Olha que eu tenho outro consolo ali na caixa de brinquedos, tá querendo experimentar uma tripla penetração?” Meu sorriso sádico aumentou e pude ver a cor sair do rosto de Ian, ele chegou engolir em seco de tanto medo.
—“Eu vou me comportar agora, eu juro.” Ian falou fazendo beicinho, tudo para me fazer ficar com pena dele e aliviar o castigo.
—“Como é que você deve me chamar Ian?” Perguntei relembrando os velhos tempos.
—“Mestre...” Ian disse sem vontade, retrocedi dentro dele e me enfiei com força de novo, ele mordeu o lábio.
—“Pensei que você tivesse dito que ia se comportar, Ian.” Reclamei fingindo estar desapontado.
—“Oh, meu Mestre... meu adorado senhor, tenha misericórdia de mim.” Ian agora estava fazendo uma expressão meiga pra mim, suavizei toda a minha pegada.
—“Bom garoto.” Disse antes de começar a me mover, primeiro fui devagar, mas logo comecei a aumentar a velocidade.
Ian aproveitou que eu estava deitado sobre ele e mordeu meu ombro, rasgando minha pele com suas presas retrateis, o senti beber o meu sangue com vontade... Nossa... eu não lembro quando foi a última vez que ele fez isso, mas admito que isso é quente.
Logo o afrodisíaco em meu sangue começou a fazer efeito em Ian, ele se tornou selvagem em seus beijos, acho até que levei uns chupões fortes em minha clavícula. Soltei as mãos dele de suas restrições e senti suas unhas se cravarem com força contra minhas costas, foi com tanta força que o sangue escorreu por elas.
O beijei e ele faminto mordeu tudo que alcançou dentro da minha boca, meus lábios e língua não foram perdoados, eles agora estavam em carne viva... Ah, isso é muito bom, amo essa adrenalina de ter um predador em potencial em minhas garras.
O mordi também, tentando demonstrar dominância. Uma luta selvagem por sangue e prazer se desenrolou a seguir. Nunca fizemos nada tão intenso e delicioso. Rolamos pelos lençóis deixando rastros de sangue e um doce cheiro de nosso suor.
Ian mordeu minha orelha forte o suficiente para arrancar pedaço, sorte que posso me regenerar disso.
—“Uauuu Ian...” Exclamei surpreso quando ele me atirou de costas sobre o chão e amontou em mim, sem nunca nos separar intimamente.
Ele lambia os lábios sangrentos com um sorriso diabólico... eu realmente me esqueci como esse afrodisíaco deixa ele diferente.
Ian se curvou sobre mim e mordeu meu mamilo esquerdo... Ah MERDA... isso doía, mas era bom ao mesmo tempo, arranhei o chão de madeira... Droga! Estraguei o piso antigo e perfeito.
Ian cavalgou sobre mim, segurei seus quadris e o ajudei a se mover, o consolo estava me atrapalhando e muito agora, eu queria arranca-lo de dentro de Ian, mas eu estava tão entregue ao momento que não conseguia me mover.
Foi o próprio Ian quem se livrou do consolo, puxando pra fora de si mesmo, agora meu membro tinha todo o espaço só pra ele. Ele se acomodou perfeitamente, era com se Ian fosse feito especialmente pra ele e somente para ele.
Ian estava no comando dos movimentos, mas eu não podia deixar isso acontecer, EU sou o mestre aqui.
Rolei pelo chão com ele e inverti as posições, agora Ian estava sendo espremido contra o chão frio pelo meu corpo, suas mãos arranhavam minhas costas com luxuria. As mãos dele foram descendo pelas minhas costas e um arrepio foi subindo pela minha espinha. As mãos de Ian apertaram as minhas nádegas, fazendo as unhas se cravarem nas bandas, estremeci de prazer e medo também, ele estava em um terreno novo e delicado pra mim, sem falar que ele estava agressivo em seus toques por causa do afrodisíaco.
Os dedos de Ian procuraram pelo meu ânus, memórias ruins vieram a minha mente, a festa, os Condes... quando dei por mim já tinha me separado de Ian e praticamente voado para o outro lado do quarto.
—“Não Ian.” Quase implorei a ele.
—“... Desculpa, me deixei levar por esse desejo que o afrodisíaco me dá... você está bem?” Ian tentou se aproximar de mim.
—“Não chegue perto!” O alertei me encolhendo pateticamente contra a parede.
—“Ah, Seph... desculpa, eu não sabia que era tão traumático assim pra você... por favor, me deixe chegar perto, eu não vou te machucar.” Ian falou com as mãos erguidas como um bandido se entregando as autoridades, seu olhar estava triste, eu não queria que ele ficasse triste por mim, eu não queria que ele soubesse dessa minha fraqueza.
Eu fui até ele e o abracei, provando que confiava em sua palavra.
—“Desculpa Seph...” Ian choramingou em meus braços.
—“Tudo bem Ian... Eu sei que posso confiar em você... talvez um dia possamos...” Eu não consegui terminar a frase, mas eu realmente queria dar ao Ian essa prova de confiança um dia.
Acho que ficamos abraçados por alguns minutos, mas foi o suficiente para apagar o nosso fogo.
—“Vamos pra cama.” Ian me puxou com ele e eu fui cansando.
...
Monstro...
Os criadores foram finalmente dormir, francamente eu não entendo o que eles estão fazendo, mas admito que gosto do lado sádico deles, eu queria que eles tivessem continuado até arrancar pedaços inteiros um do outro, isso seria interessante. Mas essa brincadeira deles me ajudou a entender e a perceber algumas das coisas que dão medo no progenitor, provavelmente eu venha usar isso como meio de tortura nele no futuro.
Levantei-me da cama e tentei sair de fininho.
—“Onde você vai?” Perguntou Leonard deitado no chão frio novamente.
—“Não te devo explicações, escravo.” O chutei e sai andando sem olha-lo duas vezes.
—“Bem que você podia ir embora pra sempre.” Ele resmungou no chão.
—“Porque eu faria isso se tenho tanta coisa pra brincar aqui?” Sorri para ele e recebi um olhar zangado.
—“Se você quer brincar comigo... você pode me levar com você, mas em troca você tem que deixar o Sr. Ian e o outro cara em paz.” Leonard se ofereceu para salvar os outros... ele me lembrava tanto a Sophia, os dois tem essa sede por doar sua própria vida em prol dos outros... que patético.
—“Que belo ato de altruísmo... mas infelizmente eu não gosto desse trato. Eu ainda tenho planos terríveis para os criadores.” Sorri ao imaginar os horrores que eu faria a eles. Leonard enrugou o nariz pra mim, como se eu cheirasse muito mal.
—“Volto logo, tente dormir meu querido brinquedinho.” Dei as costas pra ele e saí.
O deixei sozinho no quarto e marchei pra fora de casa. A lua iluminava tudo muito bem. Olhei o imenso jardim que se estendia a minha frente. Eu poderia caçar algum animal escondido por aí, mas eu estava querendo uma presa mais poderosa.
Então me concentrei em captar uma grande concentração de poder. Acabei captando algo interessante. Aparentemente havia uma pequena cidade de vampiros aqui perto. Era perto o suficiente para que eu conseguisse ir até lá, brincar com os habitantes e voltar antes dos criadores perceberem o meu sumiço... perfeito!
Usando minha agilidade, me locomovi por entre o mato alto, desviando de árvores e pedras. Meia hora depois eu estava no meu destino.
A cidade era mesmo pequena, mas até que tinha um bom número de habitantes. Agora era a hora de experimentar todo o meu poder.
Voltei pra casa antes do amanhecer, a raiva inflamando o meu ser. Eu fiz um genocídio naquele lugar e nem cheguei a suar, mesmo com muitos vampiros vindo pra cima de mim com a intenção de me matar após presenciar o assassinato de seus entes queridos. Ninguém fez sequer cócegas em mim.
Nem cheguei a usar todo o meu poder e consegui destruir tudo com estrema facilidade. Eu deveria estar feliz por ser tão poderoso... mas qual é a graça de ter todo esse poder, se você não tem alguém que suporte lutar contra ele? Não existe um desafio à altura pra mim? Não existe alguém que pode me enfrentar e me deixar descarregar todo esse poder? Então... Qual é a minha finalidade?
Voltei pra casa e me atirei na cama de mau humor, o Leonard ainda dormia no chão, tremendo como vara verde. Eu até teria prazer em vê-lo nesse estado deplorável, mas o meu humor não queria melhorar.
O pensamento de que eu nunca conseguiria uma luta decente com adrenalina e o real risco de morrer estava me enlouquecendo.
Será que eu errei matando a Sophia? Será que eu destruí o meu motivo de existi?... Eu me sinto tão vazio agora... não pode ser verdade. Eu fiz uma merda inacreditável. Eu a matei em um momento de raiva, mas eu sabia que ela era a minha metade, eu sabia que precisava dela, mas mesmo assim, eu me deixei levar e destruí tudo.
E agora estou aqui sozinho... não existe ninguém no mundo que possa se equiparar a mim? O que eu farei então? Passarei a eternidade atormentado uma pobre alma como o Leonard? Ou sairei por aí fazendo genocídios até matar todos os seres vivos da face da terra?
E o que eu farei quando tudo se acabar? O que eu farei quando matar a todos? Ficarei sozinho... sem motivação... sem objetivo... sem sentido. Não, não quero isso, mas não sei o que faço então. Eu não nasci pra ficar aqui fingindo ser um bebê adorável, eu não nasci para amar e ser amado, não tem como eu me contentar com essa vida.
Sophia era perfeita para esse mundo, mesmo sem eu ao seu lado como inimigo, ela teria uma motivação. Provavelmente ela teria como objetivo de vida... a salvação desse mundo. Sim, ela se viraria, ela teria muitos inimigos naturais, pois esse mundo é cheio de ódio e rancor, ela destruiria tudo isso com facilidade e seguiria sempre em frente com novos desafios.
Já eu?... Bem, se eu destruir tudo que é meu oposto, como a bondade e a paz, provavelmente eu ficarei sem objetivo novamente após transformar todos os seres da terrar em criaturas cheias de ódio e desejo por vingança.
Eu não tenho o que fazer... Droga.
Amanheceu e meu ódio só crescia, uma vontade de incendiar tudo inflamava o meu coração. E o pior era que eu estava sentido mais ódio de mim mesmo.
Todos se levantaram, Leonard deu um jeito de rapidamente se afastar de mim e o hospedeiro veio me dar seu sangue. Me alimentei normalmente, mas estava sem vontade alguma.
Depois disso os criadores foram lá pra fora trabalhar no jardim selvagem, Leonard estava na sala assistindo TV, me uni a ele sem ânimo algum.
—“Ei... que cara é essa bicho feio?” O moleque me encarou quando me sentei no sofá.
—“Estou pensando em algo...” Respondi sem pensar.
—“...” Ele novamente me olhou como se eu fosse uma aberração da natureza.
—“Se continuar me olhando assim, vou fazer você se arrepender.” O alertei.
—“Vai me fazer matar mais algum animal indefesso e me culpar? Vai em frente... eu não ligo.” Ele deu de ombros.
—“Foi você quem pediu... De pé, agora!” Ordenei com raiva, ele me obedeceu imediatamente.
—“Me deixe em paz.” Ele relutou quando fiquei frente a frente com ele.
—“Ah, não mesmo... estou furioso com uma coisa que descobri e quero extravasar essa raiva em você.” Verdade, descobri que não tenho o que fazer da minha vida... então porque não usar esse meu tempo livre torturando os outros?... Que os jogos comecem!
—“O que vai me forçar a fazer agora? Vai me fazer comer merda?” Ele debochou.
—“Melhor... Leonard, eu quero que você pegue aquele negócio ali...” Apontei para cima da mesinha de canto, havia um objeto pontiagudo ali ao qual eu não sabia o nome, mas que parecia uma faca.
—“O abridor de cartas?... O que você quer que eu faça com aquilo?” Leonard me olhou nervoso, provavelmente ele estava esperando que eu fosse mandar ele se alto mutilar.
—“Pegue o abridor de cartas e... tente me matar.” Dei a ordem com sorriso cruel.
—“O quê?” Os olhos dele se arregalaram ao receber a ordem.
—“Vamos lá... enfie esse negócio bem aqui, no meu peito, vamos, essa é sua chance de salvar o hospedeiro... não é isso que você quer?” Dei a chance pra ele, apontei o lugar exato do meu coração e fiquei imóvel.
Ele ficou relutante por um momento, mas logo seu corpo agiu, ele correu para pegar o objeto afiado e me olhou com raiva, acho que essa era a primeira ordem que eu dava pra ele, que ele tinha prazer em obedecer.
Ele veio pra cima de mim, por um momento pensei que teria o combate que tanto ansiava, pensei que teria um inimigo à altura, mas ele era lerdo e fraco demais, me desviei com muita facilidade e perdi a esperança de ter uma luta pra valer.
Irritado dei continuidade no plano original, deixei ele me acertar de propósito. O objeto arranhou meu braço profundamente... Ótimo, parece que Leo caiu na minha armadilha.
—“PAPAI... TATA... AAAAAAAAAAAAH” Gritei com força e coloquei angustia nesse grito, como se estivesse com medo.
Não demorou nenhum segundo e os dois entraram na sala correndo. E pegaram Leonard com a mão na massa, o garoto estava preste a me atacar de novo, tudo porque ainda estava sendo controlado pela minha ordem.
—“MAS... QUE MERDA VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO MOLEQUE?” O progenitor agarrou o Leonard e tirou o abridor de cartas das mãos dele. Então com raiva o progenitor ergueu a mão e estapeou o garoto com força.
O hospedeiro veio correndo até mim e me abraçou com carinho, enquanto isso o progenitor seguia batendo em Leonard que nem se prestava para revidar ou se defender dos golpes, ele apenas se encolheu e chorou, acho que era porque ele não tinha como se defender das acusações levantadas contra ele, não é? Não tinha como ele alegar que ordenei isso... e mesmo que tivesse, quem acreditaria?
—“Seph... Seph já chega.” O hospedeiro me soltou e correu para segurar o progenitor.
—“Esse garoto tem problemas... e você ainda quer essa aberração perto dela?” O progenitor estava mesmo com raiva, acho que se não fosse o hospedeiro segurando ele, o pobre Leo estaria sendo espancado no chão agora.
—“Seph... tá tudo bem, foi só um arranhão, ela vai ficar bem... aposto que há uma explicação para isso. Não há Leo?” O hospedeiro olhou com esperanças para Leo.
—“...” O garoto me olhou desesperado, ele tentou abrir a boca para falar algo, mas se engasgou em suas próprias palavras antes de cair em um choro profundo.
—“Viu só? Deveríamos expulsar esse garoto de nossa casa, ele já provou ser um psicopata matando animais e atacando um bebê. Que outra prova você quer de que ele é perigoso? Vai esperar ele te atacar, é isso?” O progenitor seguia furioso, sua voz estava subindo, acho que ele estava preste a gritar. Leo se encolheu no chão e chorou.
—“Seph... não vamos tomar decisões precipitadas. Calma, por favor.” O hospedeiro seguia defendendo o Leo... porque isso? Ele me atacou, o hospedeiro deveria colocar suas crias legítimas em primeiro lugar.
—“Ian... VOCÊ TEM MERDA NA CABEÇA? Esse moleque é um perigo para todos. Como pode ficar tão calmo assim? Ele atacou a nossa cria com a intenção de matar e você não liga?” O progenitor parecia ter a mente no sentido correto, diferente do hospedeiro ao qual eu não estava entendo.
—“É claro que eu ligo, Seph... eu só acho que isso está muito estranho, o Leo não é assim...” O hospedeiro lançou um olhar preocupado ao Leo.
—“Você está brincando, né? Como você pode saber como esse moleque é de verdade? Você o conhece há poucos dias, você não pode saber de uma coisa dessas.” O hospedeiro agora estava horrorizado com a calma do hospedeiro.
—“Eu sei... mas alguma coisa dentro de mim... eu não sei explicar, mas algo dentro de mim, me diz para protegê-lo de algo... talvez seja minha intuição... ou... eu não sei.” O hospedeiro deu de ombros.
—“Ian... você está maluco? Olha para a criaturinha.” O progenitor apontou pra mim, finalmente me lembrei de que devia atuar, até agora eu tinha ficado imóvel assistindo tudo, forcei as lágrimas a saírem de meus olhos e fiz uma careta assustada para o Leonard.
—“Você tem razão Seph... eu não sei o que está acontecendo comigo.” O hospedeiro finalmente voltou a si, era eu quem ele deveria proteger e não o filho postiço que ele achou há alguns dias.
—“Ótimo, você concorda comigo. Então vamos nos livra dele?” O progenitor apontou para Leonard que ainda chorava no chão.
—“Por favor... Sr. Ian... não faz isso.” Leonard implorou se agarrando a calça do hospedeiro, seu choro ficou mais alto.
—“Seph...” O hospedeiro olhou com remorso para o Leo e depois implorou ao progenitor.
—“Ian não cai nessa, isso são lágrimas falsas, ele é uma manipulador.” O progenitor lançou um olhar assassino para Leonard, que por sua vez procurou salvação no abraço que dava nas pernas do hospedeiro.
Pelo o que parece eu consegui criar um impasse entre eles, como eles vão resolver isso? Será que eles vão concordar e então vão se livrar do Leo? Ou será que eles vão discordar e por sua vez vão brigar e se separar? Isso é interessante, eu quero estudar isso. O que vai acontecer?
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