Sangue quente.
45 O plano de Sebastian.
Notas iniciais
Ian...
Cinco dias... Estou aqui há cinco dias e já estou enlouquecendo.
Uriel acabou me trazendo de volta para o quarto e isso foi bom, porque eu não queria ficar naquele laboratório frio e assustador.
O quarto ao menos era quente, aconchegante e calmo, tudo o que eu precisava nesse momento de fragilidade, sem falar que possuía coisas para manter a minha mente ocupada, como livros e mais livros.
Mas mesmo a minha paixão pela leitura não estava sendo o suficiente para me animar.
Meu corpo estava estranho, eu me sentia completamente diferente... Acho que era por causa da presa arrancada.
Eu sabia que não ia morrer por causa da presa, afinal Uriel não me mataria... Pelo menos não até eu lhe dar um exército... No entanto, aposto que ele não se importaria de fazer algo que me incapacitasse permanentemente.
Desde que perdi minha presa, meu corpo anda muito estranho... Sinto-me desanimado e cansando o tempo todo. Não sei se estou me sentido assim por causa da presa arrancada ou porque não tenho mais esperanças de um dia ser livre.
Talvez realmente seja pelo estresse da mutilação... Talvez o processo seja tão chocante para o corpo que causa uma certa depressão e letargia.
A única coisa que me impede de tentar tirar a minha vida própria nesse momento... São os bebês que carrego no ventre... Eu não sei o que faria sem eles aqui comigo.
Meu braço esquerdo é outro que anda estranho, desde que o perdi e o reconstruí, eu não consigo mais comanda-lo normalmente. Eu pensei que com um pouco de fisioterapia ele melhoraria, mas até agora ele continua na mesma.
Bem, pelo menos meus bebês estão bem... Recebo acompanhamento médico diário para garantir a saúde deles e o melhor é que posso vê-los no monitor do ultrassom.
Mas eu ainda me sinto uma cobaia... Os médicos me examinam de forma rude, como se eu não fosse um ser vivo, mas o pior é que... eu acho que eles estão me estudando e usando as coisas que aprendem comigo nos outros mestiços... Afinal eu sou o primeiro mestiço com uma gravidez natural, sem a intervenção cientifica... E eu odeio isso. Odeio saber que por minha culpa novos mestiços sofrerão com testes horríveis.
Gostaria de poder ajuda-los... Gostaria de salvar a todos desses monstros... E eu realmente deveria fazer isso, não é?... Afinal, eu sou um mestiço diferente... eu deveria guiar os outros da minha espécie até a liberdade, não é?
Mas no momento estou tão fraco e cansando... eu só quero dormir e chorar.
Eu tento não pensar no pior, mas sempre que tento fugir do presente e me lembro do passado... Eu me pego imaginando se o Seph e Leo estão vivos... Mas eu sei que não estão... Meu pai jamais os pouparia... E o Sebastian? Como ele deve estar agora? Será que meu pai está fazendo experimentos terríveis nele?
Minha mente foi arrancada dos devaneios por um servo que veio me trazer comida.
Estou ganhando muita comida e estou provando coisas que nunca comi antes.
De acordo com Uriel, os exames que fizeram em mim estavam assustadores, os cientistas nem sabiam explicar como eu estava conseguindo levar essa gravidez adiante, pois meu organismo carecia de diversos nutrientes e vitaminas essenciais.
Eu nem sabia que mestiços precisavam comer tanta frescura... Eu sempre vivi bem com a minha alimentação a base carne e sangue... E Sophia nasceu saudável apesar do período difícil que foi a gestação dela... eu passei fome e necessidades, mas ela nasceu bem, então nunca sequer imaginei que eu precisava dessas coisas que estou comendo agora.
Quero dizer, tá certo que agora me sinto muito mais bem alimentado e consigo me satisfazer por completo com a comida que me é servida, mas eu não sabia que precisava comer pasto... ou como é mesmo o nome? Brócolis, vagem e alface... Urgh, o gosto é ruim, mas se os bebês precisam disso... então tudo bem.
Quando Uriel não está por perto, eu tenho uma vida calma e até que agradável, passo o dia deitado, comendo, dormindo, lendo, descansando e principalmente chorando, mas quando Uriel vem me visitar... o meu mudo vira um inferno.
Eu preferia simplesmente ser torturado com fogo a encara-lo.
Ele parece ter um imenso prazer em me torturar física e mentalmente, as coisas que ele faz comigo deixaria qualquer um desejando a morte em cinco minutos... Eu não desejaria isso a ninguém, nem mesmo ao meu pai que é um monstro.
Como se ao pensar no diabo, eu o invocasse... Uriel entrou no quarto sorridente, me encolhi rezando para que ele me deixasse em paz.
—“Boa noite querido... como está se sentido essa noite?” Uriel sentou nos pés da cama e me lançou um olhar assustador.
—“Bem, obrigado por me perguntar... querido.” Forcei o querido a sair dos meus lábios, mesmo querendo vomitar por chama-lo assim, mas era assim que ele havia me ordenado a chama-lo.
—“Viu? Não é tão difícil ser civilizado comigo, não é? Por acaso caiu algum pedaço de você?” Uriel chegou mais perto de mim e fez um carinho em minha cabeça, tentei não tremer, eu sabia que depois do afago, sempre vem a tortura.
—“Não... querido.” Respondi calmamente, mas eu queria gritar por ajuda.
—“E então? Como você deve se portar mesmo?” Uriel segurou o meu queixo e me forçou a encara-lo.
—“Urgh... E você meu amor?... Como está essa noite?” Forcei a pergunta a sair dos meus lábios, eu não sei por que ele quer isso... Eu não consigo entender porque ele quer fingir que somos um casal apaixonado.
—“Hu hu hu...” O sorriso dele foi cruel, assim como o aperto de sua mão em minha garganta.
—“E-eu perguntei... eu fui educado...Aaah” Lutei para falar mesmo que o ar mal passasse pela minha garganta agora.
—“Eu sei que você está de má vontade... Como posso ter uma conversa amigável com você, se você fica bufando e resmungando assim?” O aperto dele piorou, agora eu não conseguia mais puxar o ar, me debati quando meu corpo entrou em pânico sem o oxigênio... Como ele podia fazer isso comigo? Isso causava mal aos bebês também.
Ele me soltou finalmente, puxei o ar desesperadamente, mas ele não deixou de me torturar e logo segurou minha garganta de novo... Maldito, ele vai ficar me sufocando quase até a morte, mas sem nunca me matar realmente.
—“Eu vou me comportar melhor... eu vou... para...” Implorei a ele.
—“Vamos de novo então.” Ele me soltou e colocou um falso sorriso inocente em seus lábios.
—“Oh, meu amor... espero que tenha tido um ótimo dia AAI...” Fui esbofeteado com todas as forças.
—“Agora você está exagerando, dá pra ver que você está fingindo.” Uriel rosnou furioso... Merda, como eu faço para agrada-lo?
—“O que você espera que eu faça então? Eu não sei como te agradar...” Choraminguei pra ele.
—“Você sabe sim...” Uriel sorriu cruelmente e me olhou de cima a baixo.
—“...” Ah, não... aquilo não, eu não quero isso.
—“E então?” Ele me olhou em expectativa.
—“Uhg... P-por favor... meu querido, me possua.” Pedi querendo simplesmente morrer, eu odiava ter de dizer esse tipo de coisa... Isso só tornava a traição ao Seph pior.
—“Assim é melhor...” Ele separou minhas pernas e se acomodou ali.
Fechei os olhos e rezei para acabar logo, mas nunca era assim... ele sempre me usava de forma dolorosa e por longas horas.
Eu acho que não vou aguentar nove messes disso.
...
Sephiron...
Sophia estava nos meus braços, aconchegada confortavelmente. Nossa... eu nem fazia ideia do quanto sentia saudades disso... De ter a minha menina nos meus braços dessa forma.
Eu deveria ter percebido que não era ela durante todo esse tempo em que Sebastian usurpou o corpo dela. Eu me sinto culpado por não ter percebido, ela é minha filha e eu nem consigo perceber quando algo de errado acontece com ela... que tipo de pai eu sou?
Por outro lado, eu estou feliz por não descoberto antes sobre o Sebastian... pois eu com certeza teria ficado com raiva dele e acabaria fazendo ele ficar com mais ódio do mundo.
Imagina se ele fosse renegado por mim? Se isso tivesse acontecido... Sebastian provavelmente não estaria do nosso lado agora.
Sophia me contou que ele sofre com o fato de não ter sido feito com amor, ele sofria por ter sido de certa forma abandonado por nós.
Mas agora está tudo bem, Sophia voltou e eu sinto que posso amar Sebastian tanto quanto amo ela. Afinal ele é o filho homem que eu tanto queria, sem falar que ele é forte e tem o meu lado malvado com ele... a gente vai se dar bem, eu tenho certeza.
Quer dizer... eu disse que tudo está bem agora, mas isso é mentira, as coisas só vão ficar bem quando Ian e meus outros bebês voltarem pra casa.
Eu já bolei tudo, eu vou resgatar o Ian e reconstruir a minha casa, dessa vez com a ajuda do Ian, assim poderemos dizer que a casa é nossa... que a fizemos juntos.
Vamos ter um quarto pra cada um desses meus filhos e Leonard vai ter um quarto só pra ele, com tudo que ele quiser. O coitado já foi escravo, então ele merece uma vida de príncipe agora, então darei a ele o que ele quiser.
—“Papai... olha!” Sophia apontou quando uma cidade surgiu na nossa frente, paralisei, ela estava aos farrapos.
O que aconteceu aqui? Foi os soldados de Uriel ou foi... Sebastian?
—“Ah, maninho...” Sophia suspirou triste ao olhar a cidade destruída, parecia que um furação havia passado por ali.
—“Foi mesmo ele que fez isso?” Questionei a ela sentido os pelos da minha nuca arrepiar. Com certeza não havia sobreviventes no meio dessa destruição toda.
—“...” Sophia não respondeu, ela apenas baixou a cabeça.
—“Bem... assim é melhor, vamos pegar o que precisamos e sair sem levantar suspeitas.” Tentei anima-la, mas sabia que era impossível, afinal ela era boa... Mas eu realmente não me importava com as coisas ruins que o Sebastian tinha feito no passado... E no final das contas, ele até nos ajudou agora, pois sem vampiros andando pela cidade, ninguém veria um estranho usando capuz e levando uma criança diferente nos braços. Poderíamos pegar tudo que precisávamos sem nos preocupar com a falta de grana e essas coisas.
—“Sim...” Ela concordou, mas seguiu triste.
Procurei numa loja eletrônica algum tablet que tenha sobrevivido a toda aquela destruição.
—“Pra que isso papai?” Sophia me questionou interessada no objeto.
—“Isso é tablet, posso me conectar com os satélites e usa-lo para encontrar o Ian, ele tem um chip de rastreamento, eu implantei nele há muito tempo em sua mão esquerda... Ah, MERDA!” Meu ânimo desmoronou.
—“O que foi?” Sophia me olhou preocupada.
—“A mão esquerda do Ian foi decepada... ele não tem mais um chip de rastreamento. Como vamos acha-lo agora?” O desespero estava quase tomando conta de mim.
—“Tudo bem papai... vamos encontrar outra forma de encontra-lo, eu posso me adaptar para rastreá-lo... ou coisa do tipo.” Ela tentou me animar, nossa... eu realmente senti falta dela.
—“Tem razão... mas levando em consideração que o Uriel é o imperador, acho que podemos considerar que ele está na capital... mais precisamente no palácio dele.” Fiquei mais animado ao falar isso, mas mesmo assim eu ainda tinha medo de que Uriel sumisse pra sempre com Ian, afinal Uriel é esperto, ele poderia levar o Ian para um lugar onde ninguém mais conseguiria rastreá-los.
—“É um bom lugar pra começar a procurar sim.” Sophia parecia confiante, ela até estava mais relaxada nos meus braços.
—“Mas... levamos meses para chegar aqui vindos da capital, me sinto como se estivesse voltando à estaca zero.” Nem acredito que vou voltar para o lugar onde toda aquela fuga assustadora começou... E o pior é que agora Uriel tem total poder naquele lugar... sem falar que se vamos demorar tanto tempo assim para voltar, Ian pode não suportar.
—“Calma papai... isso foi antes do Sebastian e eu nascermos... Além do mais, vocês perderam muito tempo acampando e se escondendo, mas com nós dois aqui... isso não será mais necessário. Levaremos no máximo duas semanas para chegar... isso se encontrarmos um meio de transporte rápido que possa seguir viajando constantemente sem parar...” Sophia estava frenética, acho que ela estava bolando um plano, pude me sentir um pouco mais aliviado.
—“E pode deixar que o Sebastian e eu vamos tirar os inimigos do caminho para que não precisemos nos esconder e também... vamos dar um jeito de fazer poucas paradas para descansar.” Sophia já estava um passo a frente, ela já bolava um plano super otimista.
—“Não gosto disso... cada dia de atraso é mais um dia que o Ian sofre nas mãos daquele crápula.” Duas semanas ainda era muito pra mim... Afinal em apenas uma noite eu sofri tanta coisas naquela festa... imagina passar semanas nas mãos de alguém tão doente quanto aqueles Condes?!
—“Eu sei... mas Uriel o quer vivo... então creio que ele não fará nada com o Tata ou com os meus novos irmãos.” Sophia era tão inocente... ela ainda não entende a maldade do mundo... Gosto disso, quero que ela continue assim pra sempre.
—“Assim espero... Pois se aquele monstro machucar qualquer um deles...” Tremi só de pensar no pior.
—“Só espero que o bebê mais fraco sobreviva e não cause muito enfraquecimento nos mais fortes...” Sophia ficou séria e pensativa nesse momento.
—“Bebê mais fraco?” Questionei preocupado.
—“Um dos bebês é quase humano... ele é tão frágil quanto o Tata e não tem poder algum, sem falar que ele está sobrevivendo com ajuda dos outros.” Sophia me explicou enquanto olhava em volta procurando suprimentos que não estivessem destruídos.
—“...” Eu terei um bebê quase normal? Isso significa fraldas e mamadeiras de verdade?
Que estranho... em outro momento isso me enlouqueceria... Só de pensar em ter que dedicar meu tempo para cuidar de algo que precisava ser limpo e alimentado já seria o suficiente para me deixar possesso, mas agora... Agora eu quero muito isso, quero isso mais do que ter um filho poderoso. Acho que é porque eu não tive muito tempo de pai com a Sophia, ela cresceu rápido e hoje ela quase não precisa de mim.
Sim, eu quero um bebê completamente dependente de mim, eu quero ter de niná-lo, amamentá-lo e trocá-lo, quero ficar noites e dias em claro cuidando dele, com Ian ao meu lado reclamando que eu não sei segurar direto... eu quero muito isso.
—“Como são os outros dois?” Eu agora queria conhecer mais desses novos seres.
—“Bem... quem conheceu eles foi o Sebastian, eu só tive acesso as memórias dele e vi tudo isso, mas eu não os conheço propriamente dito.” Sophia suspirou.
—“Mas sobre as memórias do Sebastian... como eles são nelas?” Eu estava curioso agora e isso era bom, matinha minha mente distraída.
—“O bebê que ele chama de experiência 1 é muito inteligente... mais inteligente que nós, isso deixou o Sebastian irritado e francamente... eu também estou com ciúmes disso, posso ter voltado mais esperta, mas ele ainda é mais inteligente do que eu.” Sophia bufou... Não me diga que ela será uma irmã ciumenta ao em vez de carinhosa?!
—“Nossa...” Ri ao imaginar ela implicando com um bebê recém-nascido.
—“A experiência 2... bem, ele é forte, mas parece ter um grande coração... o que é bom porque provavelmente ele vai ser bem mais forte que eu e o Sebastian.” Ela estremeceu.
—“Eu só me supero na hora de fazer filhos.” Não pude deixar de me sentir orgulhoso, afinal meu amigo lá de baixo sabe trabalhar.
—“Por sinal... como se faz um bebê?” Sophia me olhou curiosa.
—“... Você é tão esperta e não sabe disso?... Bem...” Não acredito que ela já está na fase de fazer essa pergunta constrangedora.
—“...” Ela me olhou com expectativa agora.
—“Pergunta pro Ian... ele que se vire pra falar disso com você.” Passei a tocha... eu que não ia me meter nesse mundo obscuro.
—“Você está vermelho... tudo bem papai?” Ela se esticou no meu colo pra tocar a minha bochecha.
—“Sim... o que mais precisamos?” Desviei do assunto e olhei em volta, procurando qualquer coisa para me tirar dessa enrascada.
—“Um meio de transporte grande o suficiente para carregar muita coisa.” Ela olhou em volta e seus olhos pararam em cima do carro com o maior porta malas.
—“O que pretende com isso?” Questionei interessado.
—“Eu tenho um plano... você verá.” Ela me lançou um sorriso bobo.
Infelizmente o carro que a Sophia colocou o olho não estava funcionando, tivemos então que procurar e acabamos achando um carro que funcionava. Esvaziamos os tanques dos outros carros e enchemos uns seis galões de gasolina, agora não precisaríamos parar para abastecer.
Pegamos um monte de suprimentos, incluindo sangue fresco, ele não duraria muito tempo, mas serviria para curar as feridas de todos... Sebastian e Leonard ainda precisavam se recuperar.
Voltamos então para o acampamento improvisado e nos deparamos com gritos, rapidamente descemos do carro e corremos para onde os gritos vinham.
—“SEBASTIAN... SEBASTIAN...” Leonard gritava para o céu desesperadamente.
—“Céus... o que está acontecendo?” Questionei sério.
—“Sophia! Sophia rápido... você precisa ir atrás do Seby... ele... ele...” Leonard rapidamente correu até a Sophia e começou apontar para o céu.
—“Calma Leo, respira e me diz o que está acontecendo.” Sophia tentou acalma-lo.
—“Ele disse coisas... coisas assustadoras sobre ser malvado e que seria melhor para o mundo se ele não existisse... ele disse coisas como resolver tudo sozinho...” Leonard estava em pânico e não estava falando coisa com coisa.
—“O quê?” Entrei em pânico quando percebi que ele estava falando do Sebastian.
—“Ah, não... esse idiota! Ele vai estragar o meu plano, nós precisávamos ficar unidos... Droga, ele não tem chances sozinho...” Sophia levou as mãos à cabeça.
—“Desculpa... eu tentei para-lo, mas não deu...” Leonard começou a soluçar e a derramar lágrimas.
—“Calma Leonard... tá tudo bem.” Sophia o abraçou.
—“Você consegue alcança-lo?” Leonard perguntou isso a ela quase como se implorasse que ela fizesse algo.
—“Bem... talvez eu possa alcança e...” Ela olhou pensativamente para o céu.
—“E?” Questionei sério... eu não estava gostando da expressão dela.
—“Talvez isso seja o melhor, sabe? Se eu for de atrás dele... terei de deixar vocês pra trás... então...” Sophia parecia inclinada a esse plano agora, mas rapidamente meus neurônios me avisaram do perigo.
—“Nem pensar!” Rapidamente vetei esse plano, isso era suicídio.
—“Mas...” Sophia tentou rebater.
—“MAS nada... eu sei que você pretende nos deixar aqui em um lugar seguro, enquanto você e Sebastian lutam com aquele monstro sozinhos... mas isso não vai acontecer.” Cruzei os braços e a olhei sério.
—“Mas... o Sebastian não vai conseguir sozinho... e desse jeito todo o meu plano já era...” Sophia tentou mais uma vez me convencer desse plano, mas eu não ia permitir isso de jeito nenhum.
—“Vamos ficar unidos... esse é o melhor jeito.” Bati o pé.
—“...” Sophia baixou a cabeça irritada... Acho que terei de ficar de olho nela para impedir uma fuga.
—“Droga Seby... que menino estúpido. Ele ficou furioso porque você levantou antes dele.” Leonard ficou furioso, mas eu podia ver que ele estava na verdade preocupado.
—“O quê? Então ele ficou zangando consigo mesmo porque eu me levantei primeiro?... Mas isso foi só porque eu não cheguei a apanhar dos inimigos, eu tive um escudo e meu corpo não sofreu danos por ataques, somente por transformação... Já o Sebastian não só sofreu a transformação, como apanhou de dois monstro... ele não é mais fraco que eu, na verdade ele é mais forte... e o fato dele ter sobrevivido aqueles ataques só prova isso.” Sophia bufou irritada.
—“Idiota...” Leonard chutou uma pedra, tão irritado quanto a Sophia.
—“Bem... então vamos ter que partir agora. Sem pausa, vamos acelerar com tudo.” Estufei o peito decidido, estava na hora de partir.
—“Está bem... mas antes preciso da ajuda de vocês com uma coisa.” Sophia nos olhou séria... o que ela está planejando?
...
Sebastian...
Droga... essas correntes do Leonard estão ficando mais pesadas, mas não posso fraquejar, eu preciso chegar até aquele cara e destruí-lo.
Indo sozinho eu tenho mais chances, vou poder me aproximar dele sem chamar a atenção.
E agora eu sei onde fica o ponto fraco dessa criatura, eu só preciso chegar até ele e pega-lo desprevenido.
Se eu falhar... bem, ao menos o mundo irá se livrar de mais um monstro, não é?
Voei sem descanso por um dia inteiro, meu corpo doía e implorava por uma pausa, mas eu não parei. Eu não vou parar até chegar ao meu destino.
Eu adaptei meu corpo para rastrear Uriel e isso estava me levando cada vez mais para centro do país.
Minhas asas latejavam, eu mal conseguia move-las sem arfar de dor, por sorte algumas correntes de vento me ajudaram a simplesmente planar e seguir em frente.
Sobrevoei por cima de inúmeras cidades devastadas pelo exército e pelo fogo... Droga, eu sou realmente igual a esse desgraçado do Uriel, não é?
Mais algumas horas... só mais um pouco... e eu chegaria.
Meus ferimentos começaram a abrir novamente... DROGA! Eu ainda não estou bem mesmo... acho que estou perdendo muito sangue, mas isso não importa, eu estou perto... estou muito perto agora.
Finalmente cheguei a uma enorme cidade, por sorte era de noite, ninguém me veria voando. Descer e andar não era uma opção, eu seria um alvo fácil e levaria horas para chegar ao centro da cidade.
Acabei pousando sobre o telhado de um prédio que ficava de frente para o palácio de Uriel.
Respirei fundo, era agora... Uriel era o meu alvo, os outros eram apenas pedras no meu caminho... vou matar qualquer um que me atrapalhe.
Usei minha visão de calor, tinha muitos guardas... talvez mais de quinhentos... espero não ter que matar a todos... não tenho força pra isso agora.
Também tem um número considerável de gente no subsolo... o que tem lá? Bem, isso não importa agora... o alvo é ele.
Foquei ao máximo minha visão e o encontrei, ele estava em um quarto com o Ian... Ótimo! Dois coelhos com uma cajadada só.
Vamos revisar o plano então... vou invadir o local sem chamar atenção, preciso chegar em Uriel de surpresa e pega-lo por trás. Vai ser rápido... vou matar os guardas que cruzarem o meu caminho para que eles não soem o alarme.
Vou invadir o quarto, matar Uriel com um único golpe e então tirar o Ian de lá... Isso se terei forças para ajuda-lo a fugir... Mas acho que Ian saberá se cuidar sozinho se eu tiver que ficar pra trás.
Sim, esse é bom plano... Ah, droga... mais sangue... Porque não está estancando? Será que passei do limite? Meu corpo está exausto demais para se curar... droga!
É... eu não sairei desse lugar com vida, mas Uriel vem comigo.
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