Sangue quente.
46 O ataque de Sebastian.
Notas iniciais
Sebastian...
Bem, é agora... Eu tenho que entrar lá e agir... Mas como?
Eu estou lidando com predadores, eles podem farejar uma gota de sangue a quilômetros. Se eu tentar entrar pelos dutos de ventilação... bem, serei pego em poucos segundos.
O que eu faço? O vento também não está me ajudando, não consigo achar nenhuma brecha.
Analisei melhor a entrada principal, havia quatro soldados montando guarda no portão principal. Eu teria de passar por eles primeiro.
E se eu tentasse pelos fundos?... Não, tem ainda mais soldados por lá.
Então vai ter que ser na primeira brecha que eu encontrar, terei de ser rápido ou então eu virarei a presa.
De repente uma ideia maluca me veio à mente, ela poderia funcionar, mas também poderia dar muito errado.
Bancando o louco desci do telhado e me aproximei o máximo que pude dos quatro guardas sem ser visto, então passei a agir como um bebê de verdade.
Fiquei de quatro e comecei a engatinhar até eles, fazendo questão de chorar como se estivesse muito assustado, eu era bom nesse teatrinho, afinal já fiz isso para estragar a vida do Leonard.
Os guardas ficaram surpresos quando eu apareci na frente deles, berrando como um bebê apavorado.
—Céus! Um bebê... — Um dos guardas largou seu posto e veio me pegar no colo, fui com ele de bom grado e segui chorando como se estivesse com muita dor... o que não era mentira.
—Pronto, pronto... o que foi? Se perdeu da sua mãe? — O guarda que me pegou tentou me acalmar enquanto olhava em volta, provavelmente procurando por meus pais.
Berrei mais alto e esperneei com vontade.
—Droga cara... segura ele direito. — Outro guarda largou o posto e veio até nós, tentando me ver melhor.
—PUTA MERDA! — O segundo guarda deu um pulo quando me olhou melhor.
—O que foi? — O terceiro guarda se rendeu a curiosidade e também veio olhar de perto.
—Esse bebê está muito ferido... Droga, o que a gente faz? Ele vai morrer perdendo tanto sangue assim. — O segundo guarda estava tentando estacar o sangue que escorria da minha ferida aberta.
—Quem faria isso a um bebê? — O primeiro guarda estremeceu ao me olhar.
—O que devemos fazer? Devemos leva-lo pra dentro? Devemos chamar ajuda? — O terceiro guarda parecia em pânico.
—Eu digo o que devemos fazer... Matem essa coisa agora. — Disse o quarto e último guarda, que se aproximou mirando a espingarda em mim.
—O quê? Enlouqueceu? — O segundo guarda se colocou na minha frente, me protegendo do quarto.
—Não vê? Esse bebê deve ser filho de um rebelde... aposto que os pais foram mortos pelos nossos companheiros aqui perto e o bebê escapou por ser pequeno. Devemos terminar com isso... saí da frente. — O quarto soldado tentou empurrar para o lado o guarda que me protegia.
—Tá maluco cara? Ele é só um bebê! — O primeiro guarda usou o corpo para me envolver também.
—Não importa!... Se ele é um deles, então tem de ser eliminado. — O quarto engatilhou a arma.
—Que loucura... isso não é justiça... isso é uma execução... Esse bebê não é um criminoso, ele não pode pagar por crimes que não cometeu. — O terceiro guarda se pronunciou, mas estava tremulo ao falar.
—É a ordem, vocês sabem... não poupem mulheres e criança... esse bebê de hoje, será o anarquista de amanhã. — O quarto guarda seguia tentando tirar o segundo da minha frente.
—Porra... não foi pra isso que me alistei. — O primeiro rosnou.
—Nem eu... — O terceiro tremeu assustado.
Quando eles começaram a discutir entre si, eu agi. Mordi o braço do cara estava me segurando, mas não injetei um veneno como planejava fazer com todos nesse lugar, na verdade injetei um forte sonífero, ele dormiria por horas agora.
Eu planejava matar todos na minha frente, mas ao ver essa discussão entre eles, pude perceber que nem todos são seres ruins, eles só estão do lado errado, seguindo ordens criadas por um psicopata, não posso sair matando eles só porque estão no meu caminho.
Ataquei o segundo que estava de costas pra mim, me protegendo do quarto guarda e também o coloquei pra dormir.
—MAS QUE MERDA É ESSA? — O quarto soldado reagiu apontando a arma pra mim, mas fui mais rápido e ataquei com a intenção de matar.
Sei que é errado bancar Deus e decidir quem vive e quem morre só pelo conceito que eu acredito estar certo, mas não me importo com isso agora, afinal, eu nasci do mal, não faz diferença matar mais um ou mil por aí, não é?
Pulei no pescoço do quarto e estraçalhei sua jugular, aproveitei para me alimentar um pouco, isso era como um refresco pra mim.
O terceiro guarda estava paralisado de medo ao assistir a terrível e sanguinolenta cena diante de seus olhos, foi fácil colocar ele pra dormir também.
Pronto... a entrada estava livre, mas não ficaria assim por muito tempo, eu não sabia de quanto em quanto tempo rolava uma troca de turno na guarda. Droga... fui mesmo precipitado, eu deveria ter estudado um pouco da rotina do lugar.
Agora tenho três caras puxando ronco na frente do portão e um cara que mais parece um bicho atropelado na estrada... ferrou, tenho que agir mais rápido agora.
Usei minha visão de calor e observei mais uma vez dentro da mansão. Passando pela porta já tinham mais uns dez guardas. Droga! O que eu faço? Matar todos seria o mais fácil, mas... como eu já percebi, nem todos aqui são seres do mal.
Mas... e se eu falhar? O que é bem provável que aconteça, afinal eu estou mesmo fraco.
Então a Sophia terá que me substituir na luta contra Uriel... e isso seria o ideal, afinal Uriel não estaria esperando por um novo ataque depois de me matar, pois ele não sabe que existe dois bebês... Isso seria uma surpresa e tanto pra ele e uma ótima estratégia pra Sophia.
Bem, tá na cara que eu vou morrer hoje... então não seria melhor se eu tentasse matar o máximo de inimigos possível? Dessa forma o caminho estará livre para ela... Sophia não precisará sujar suas mãos com sangue inocente e eu... Bem, eu seguirei sendo o assassino que já sou.
Isso mesmo, eu sou um monstro... Eu não preciso me apegar a valores ou a sentimentos de culpa e remorso.
Tá na hora de mostra o meu verdadeiro eu.
Deixei meu corpo tomar sua verdadeira forma, me tornei a criatura demoníaca que realmente sou.
Arrobei a porta da frente e entrei com tudo sobre os seres que ali estavam.
Meu corpo doía, mas eu podia suportar.
Minhas garras estraçalhavam e rasgavam tudo que tocavam, o banho de sague começou junto com os berros.
Eu podia ouvir as coisas horríveis que eles gritavam quando me viam...
MONSTRO... Sim, eu sou um.
DEMÔNIO... Com certeza eu sou algo tão ruim quanto isso.
Só parei de estraçalhar, rasgar, morder e devorar, quando os gritos pararam. Não havia mais ninguém vivo naquele setor.
Parei para olhar pra trás. As paredes, teto e chão agora possuíam uma única cor... vermelho sangue.
Sophia... desculpa maninha.
Leonard... sei que você tinha esperanças de que um dia eu me tornaria um ser bom... mas se você me visse agora, você teria medo de mim.
Seph e Ian... vocês não teriam orgulho de mim.
Não estou com tempo para me lamentar, lágrimas não cabem aqui, eu tomei essa decisão, eu tomei esse caminho... eu poderia ter apenas colocado todos esses guardas pra dormir, mas preferi seguir pelo caminho que vai me afastar dos seres que me amam.
Não importa mais... vou seguir em frente... vou me tornar o que nasci para ser.
Segui meu caminho de destruição, focando no meu destino. Uriel parecia alheio a minha presença, acho que ele estava tão perdido se divertido ao machucar Ian, que nem notou o caos que estou fazendo aqui.
A cada corredor mais próximo, mais dez almas eram colocadas na minha lista de assassino.
A cada corredor eu ficava mais perto do meu destino, do meu fim... Estou tão perto e ao mesmo tão longe... Meu corpo está mesmo muito ferido, muito do rastro de sangue que estou deixando pra trás é meu. Posso não aguentar chegar até Uriel consciente, mas eu só preciso chegar lá.
Eu devorei um pouco da carne dos guardas, mas isso não ajudou muito, meu corpo ainda estava adaptado para devorar a espécie de Shadowy e Uriel, reverter isso agora significaria perder muito tempo e força e eu não podia me dar a esse luxo agora.
Quanto mais perto eu ia chegando, mais cuidadoso eu ia ficando. Fui pegando os guardas sem dar a eles a chance de gritar, se um deles gritasse alto o suficiente para alertar Uriel, seria o meu fim.
Demorei, perdi mais sangue do que imaginei, mas finalmente eu cheguei à porta grossa onde eu podia sentir a presença de Uriel e Ian.
Respirei fundo algumas vezes para tentar me acalmar, afinal eu deveria ser preciso agora, não havia margem para erro. Ou eu acerto e venço... ou eu erro e morro.
Ian estava sofrendo, eu podia sentir o medo e a dor dele... o estranho era que isso me enfurecia um pouco.
A porta estava trancada, mas consegui forçar a maçaneta até o trinque ceder, por sorte não fiz muito barulho. Espiei para dentro do quarto, Uriel estava sobre Ian, na cama e de costas pra mim... PERFEITO!
Deixei minhas garras se alongarem e me preparei para atacar.
Com um pulo perfeito fui direto no ponto fraco de Uriel, minhas garras se afundaram no lugar correto. Uriel berrou como um animal que foi ferido mortalmente.
Ele ainda tentou se levantar e me alcançar em suas costas, mas logo seu corpo amoleceu e ele caiu ao lado de Ian.
E-eu... eu consegui? Eu o matei fácil assim? Não acredito... eu estava preparado para morrer, mas eu consegui.
—“V-você?” Ian me olhou assustado, o pavor no rosto dele ao me ver causava uma sensação ruim no meu peito... acho que era tristeza pela rejeição. Meu próprio criador tem medo e nojo de mim... Não o culpo, eu sou mesmo assustador.
—“Sebastian? É você?” Ian se esforçou para se sentar afastando mais o corpo de Uriel.
—“Sim... sou eu... mas não temos tempo pra isso, os guardas restantes devem estar vindo pra cá agora, temos que fugir, pois eu não conseguirei lutar com todos, estou muito no limite.” Sim, o perigo ainda não acabou, talvez eu ainda morra hoje... mas tenho que proteger Ian até que ele saia desse inferno, pelo menos isso.
—“Ah... SEBASTIAN!” Para a minha surpresa e espanto, Ian me abraçou forte, mesmo eu estando na minha forma verdadeira, mesmo eu estando com essa aparência horrenda... então, ele pode me amar mesmo assim?
—“Papa...” Essa palavra escapou dos meus lábios quando o abracei e voltei a minha forma fofa.
—“Ah... meu menino... você está bem... ainda bem!” Ian me abraçou mais forte.
—“Não temos tempo pra isso agora, temos que fugir.” Eu não queria assusta-lo, mas eu estava vendo tudo borrado agora, meus ferimentos estavam sangrando mais do que nunca.
De repente um sorriso sinistro fez tanto eu quanto Ian pular.
—“Então nos encontramos novamente... há quanto tempo baixinho.” Uriel se virou para nos olhar.
Como? Eu acertei o ponto fraco dele... como ele ainda pode estar vivo?
Ian me abraçou mais forte e recuou sobre a cama para mais longe de Uriel.
—“Droga... isso doeu, ainda bem que mudei meus órgãos vitais de lugar antes de receber o golpe, que bom que eu percebi o seu instinto assassino pulando sobre mim.” Uriel sorriu vitoriosamente e se levantou para nos encarar com um ar superior.
Ah, merda... eu falhei.
—“Uma pequena perguntinha...” Uriel sorriu cinicamente pra mim e se sentou sobre a cama com a perna cruzada como se estivesse tudo bem. Era como se ele estivesse preste a ter uma conversa educada com um velho amigo.
—“O-o que quer saber?” O encarei tentando não deixar o medo transparecer.
—“Bem... você sabia onde ficava o meu ponto franco e também está aqui quando deveria estar sendo estudado pelo Shadowy... então isso significa que...” O olhar de Uriel escureceu, ele parecia estar se controlando agora. Eu sabia que era idiotice, mas eu queria ver a reação dele quando eu confirmasse suas suspeitas.
—“Aquele velho tá morto... eu o matei.” Estufei o peito ao falar isso.
O olhar de ódio que Uriel dirigiu pra cima de mim chegava a queimar, senti todos os pelos do meu corpo se arrepiarem e meus instintos gritaram para correr.
Mas quando dei por mim, já era tarde demais, eu já tinha sido arrancado dos braços de Ian e estava sendo brutalmente esmurrado contra o chão, cada soco, quebrava mais um osso e deformava o chão ao meu redor por causa da força do impacto.
Meus órgão internos já eram... Droga! Ele vai mesmo me matar, eu posso sentir o desejo dele de me destroçar, de me transformar em pó.
Estou com medo... eu não quero morrer... eu sei que disse que seria melhor morrer, mas... eu não posso negar que estou com medo agora que a morte realmente se aproxima.
—“NÃÃOOO...” Ian pulou nas costas de Uriel e o segurou pelos cabelos, tentando tira-lo de cima de mim, mas Uriel agia como se Ian fosse apenas uma mosquinha.
É... eu vou morrer mesmo.
—“DEIXE-O EM PAZ!” Ian gritou esmurrando as costas de Uriel, tentando de tudo pra para-lo.
Mas era inútil... Ian não era nada comparado com esse monstro em cima de mim... Droga.
Tá tudo ficando escuro... não sinto mais meus braços e pernas... não sinto nem mesmo o gosto de sangue nos meus lábios... tá ficando frio... tão frio... quero dormir um pouco... só um pouco.
...
Ian...
Uriel estava esmurrando Sebastian tão forte que eu quase não reconhecia mais as partes do corpo ferido dele, ele agora parecia mais uma carne moída e Uriel não dava sinais de que ia parar, ele estava mesmo enfurecido com a morte de Shadowy... Então ele o amava mesmo?
Não! Não posso deixar meu filho morrer... não agora que me encontrei com ele... não agora que me enchi de esperança de fugir daqui... não agora que descobrir que o meu pai morreu.
Eu tenho que parar esse monstro... eu tenho que...
Merda! Meu braço esquerdo é inútil, não consigo nem fechar os dedos para socar a nuca de Uriel.
Tentei usar meus dentes para morder Uriel, mas a falta de uma presa me causava muita dor ao tentar fazer isso, era quase incapacitante.
Minha última opção e a mais estupida foi usar meu corpo de escudo.
Contornei Uriel e me joguei na frente dos punhos dele, me deitando sobre Sebastian para protegê-lo, mas acabei esquecendo completamente dos outros bebês.
Para a minha sorte, Uriel parou antes de me acertar.
—“Saia do caminho.” Uriel rosnou pra mim.
—“NÃO!” Me abracei em Sebastian o mais forte que pude, ele estava sangrando muito, quase que entrei em pânico por ele não estar respirando, mas logo percebi que ele estava sim, só que muito fraco.
—“Eu mandei sair da frente, lembra o que eu disse sobre me obedecer?” Uriel me ameaçou, mas no momento eu não estava com medo do laboratório, eu estava com medo de perder meu filho.
—“Não vou permitir que machuque o meu filho... NUNCA!” Abracei Sebastian com mais força.
—“Eu mandei sair seu merdinha...” Uriel me pegou pelos cabelos e me puxou, tentando me afastar de Sebastian, mas me abracei ainda mais forte no pequeno corpo mole dele e usei tudo de mim para proteger cada pedacinho dele.
—“SOLTA!” Uriel puxou tão forte meus cabelos que senti os fios arrebentarem em alguns pontos, mas não me dei por vencido, isso não era nada... essa dor não era nada.
Uriel tentou pegar Sebastian com a mão livre.
—“NÃO!” No desespero para defender Sebastian, eu ataquei Uriel, minha intenção era empurrar Uriel pra longe com meu braço esquerdo, mas quando dei por mim, meu braço tinha atravessado o abdômen dele, eu podia sentir os órgãos internos dele.
—“O quê?” Uriel me lançou um olhar espantando antes de soltar meus cabelos e dar um passo atrás, meu braço acabou saindo de dentro dele, mas não tinha mais a forma de um braço comum... parecia mais uma lâmina de uma espada muito grossa.
—“Que merda é essa?” Uriel olhou pra mim como se eu fosse um alienígena, mas eu não o culpava por isso, eu estava tão espantando quanto ele.
Eu não sabia explicar, eu não me sentia dono desse braço há muito tempo. Eu mal podia sentir as coisas quando tocava com ele. Agora ele está fazendo essa coisa estranha e eu nem sei dizer se sou eu quem está fazendo isso ou não.
—“F-fique longe... ou... ou eu...” Ameacei Uriel com minha nova e inesperada arma.
—“Ou você o quê?” Uriel riu de mim, como se eu fosse uma formiguinha desafiando um elefante e talvez eu fosse isso mesmo.
Apontei o braço espada na direção de Uriel com uma expressão decidida, eu não ia deixar ele me ferir de novo e também ia proteger Sebastian.
—“Ah... é assim é? Hu hu hu... muito bem, foi você quem pediu.” Uriel sorriu cruelmente para mim, senti meus pelos se irisarem.
De repente Uriel desapareceu, em um minuto ele estava na minha frente, no outro, algo atravessou minhas costas e saiu pela minha barriga, fui erguido no ar, a dor me fez gritar e espernear e isso só piorou a dor de ser empalado.
—“Não adianta você ter uma arma... se você não sabe usar e ainda por cima tem um reflexo tão lento quanto o de uma lesma... Pra você ter uma ideia, se eu quisesse, eu poderia te matar mil vezes nesse misero segundo.” Uriel sorriu nas minhas costas e torceu a estaca nas minhas costas.
—“Hurg...” Gemi quando a dor quase me fez vomitar.
—“Não se preocupe, eu desviei todos os seus órgãos, você não correr risco de vida... nem os seus bebês... mas você me decepcionou, pensei que você tivesse prometido que ia se comportar.” Eu não podia ver o rosto de Uriel, mas eu sabia que ele estava enraivecido comigo.
—“Huung...” Gemi mais alto quando ele puxou com força a estaca de dentro do meu corpo, eu nem pude ver de onde ele tirou esse objeto para me atacar, ele era mesmo muito rápido, eu não tinha chances mesmo.
—“Não esquenta... eu te perdoou dessa vez meu amor, afinal, você só estava defendendo o seu filho, assim como deve ser... estou orgulhoso, parece que nossos bebês terão uma boa mãe.” Uriel se abaixou ao meu lado e fez um carinho no meu rosto, me abracei mais forte em Sebastian, ele gemeu de dor junto comigo.
—“Shhh... não se preocupe, não vou te machucar dessa vez, você já provou que pode me satisfazer.” Uriel me pegou no colo e me levou de volta pra cama, o buraco na minha barriga já estava sarando.
—“Mas esse merda... ah, ele eu não vou perdoar, nunca!” Uriel arrancou Sebastian do meu braço.
—“Não, por favor...” Tentei pega-lo de volta, mas fui chutado de volta pra cama.
—“Fique calmo! Não vou mata-lo... afinal, a morte é um presente para as almas torturadas. Não, ele não vai morrer hoje...” Uriel olhou com raiva para corpo mole de Sebastian em suas mãos.
—“Não o machuque... por favor, me devolva... por favor.” Implorei me agarrando nas vestes de Uriel.
—“Está tudo bem meu amor... vou leva-lo para conhecer sua nova casa... o laboratório.” Uriel puxou as veste bruscamente das minhas mãos e se virou para se retirar do quarto.
—“Não... por favor...” Rastejei atrás dele.
—“Lá ele vai aprender a se comportar melhor... não se preocupe meu amor, você poderá visita-lo de vez em quando, mas não garanto que irá gostar do que vai ver.” Os olhou de Uriel se encheram de crueldade ao olhar para Sebastian, um frio passou pelo corpo.
—“NÃO... NÃO FAÇA ISSO... DEIXE-O EM PAZ!” Me levantei e tentei correr para segura-lo.
Mas Uriel saiu carregando Sebastian como se ele fosse um saco cheio de algo muito nojento, tentei seguir eles, mas assim que abri a porta, guardas me apontaram lanças afiadas.
Tentei passar por eles, no entanto fui emburrado de volta com as lanças, algumas me feriram, mas não foi nada fatal.
A porta foi trancada pelos guardas e Sebastian foi levado aos laboratórios.
...
Sophia...
Duas malditas semanas, realmente levamos duas semanas para chegar à capital. Foi uma viagem terrível, passamos por cidades destruídas, pessoas feridas, guardas bons, guardas maus, mas dei um jeito de passar por todos eles sem precisar mata-los, perdemos um tempo com isso, mas não me arrependo de ter seguido esse caminho.
A viagem realmente foi cansativa, apesar de eu ter tido bastante tempo para descansar, eu pude dormir e me recuperar.
No entanto foi difícil ver o quanto Papai sofreu durante o trajeto, ele não comia, não dormia e não queria parar de dirigir nem por um segundo. Era um inferno tentar convence-lo a parar de vez em quando.
Tive que seda-lo varias vezes, afinal de contas, se ele chegasse doente na capital, ele não me serviria de nada.
Leonard também não foi fácil de se lidar, ele não parava de se culpar por Sebastian ter fugido, tinha dias que ele se culpava tanto, que não queria aceitar sangue de jeito nenhum e ele ainda estava se recuperando dos machucados.
Francamente... meninos são difíceis de se lidar... espero que meus novos irmãos sejam todas meninas... Não, espera! Se eles forem meninas... elas iram competir comigo, não é? Se eu for a única menina... então terei tratamento de princesinha do papai pra sempre... Sim, que venham mais três meninos então.
Estávamos dirigindo pela cidade agora, indo em direção ao palácio de Uriel, no centro da cidade.
—“Qual o plano Sophia?” Leonard quis saber.
—“Por enquanto... só vamos fazer o reconhecimento do local.” Falei seria olhando em volta, era de dia então não tinha ninguém nas ruas, podíamos transitar tranquilamente pelas avenidas, mas isso era um pouco suspeito também, eu tinha que tomar cuidado.
—“O quê? Mas enquanto você enrola... Ian e Sebastian devem estar...” Papai me olhou irritado.
—“Eu sei, eu sei... eu também não gosto de ter que demorar mais, mas se eu não pensar em um plano perfeito, usando tudo ao meu favor... logo eu serei mais uma prisioneira e vocês serão comida de vermes.” Rebati firmemente, esse não era o momento de me deixar levar pela emoção.
—“...” Papai e Leonard me olharam exasperados.
—“Tenho que ver quantos guardas tem, onde eles montam guarda, onde estão Sebastian e Ian para que a gente não os envolva no meio do tumulto... tenho que estudar também a planta da casa e...” Comecei a contar nos dedos as coisas que eu devia fazer, mas fui interrompida.
—“Tá... já entendi... você é precavida.” Papai bufou pra mim, eu sei que ele não estava bravo comigo, ele só estava preocupado com o Tata e com o Sebastian.
—“Vamos parar perto e dar uma volta a pé.” Tomei a decisão.
—“Vamos fingir ser apenas cidadãos passeando pela cidade?” Leonard me lançou um olhar desconfiado.
—“Isso será difícil... já que eu estou com a cara deformada, você Sophia tem uma cor de olho estranho e chamativo e Leo... bem, o Leo é o mais normal aqui, mas mesmo assim... é estranho ver um vampiro passeando durante o dia.” Papai rebateu inteligentemente.
—“Verdade...” Leonard confirmou com a cabeça.
—“Coloquem essas capas, é normal usa-las para se proteger do sol, né?” Peguei algumas capas com capuz, eu já tinha visto vampiros passeando com elas durante nossa viagem.
—“Mas não vai ficar mais suspeito ainda?” Leonard vestiu a dele e se olhou pensativo.
—“Francamente... vamos logo...” Revirei os olhos pra eles, afinal, qualquer coisa que façamos agora será suspeito. E vir a noite não é indicado, pois todos estarão mais ativos nesse horário.
—“Mas e quanto a você?” Papai me olhou preocupado quando terminou de ajeitar o capuz para esconder o rosto ferido.
—“Essa cor de olho tá boa?” Perguntei ao mudar as células nos meus olhos.
—“Agora você pode mudar a cor dos olhos também? Quando é que você vai parar de ser estranha?” Leonard me olhou irritado, mostrei a língua pra ele. Essa viagem serviu para nos aproximar como irmãos, agora era divertido implicar um com outro.
—“Aff... “ Papai resmungou pra nós, ele já não aguentava a nossa implicância.
—“Papai... me enrola nessa manta e me trate como um bebê da minha idade, vai ser melhor assim.” Passei pra ele uma manta de lã e fiquei quieta para que ele pudesse trabalhar em mim.
—“Ok... então, vamos?” Leonard perguntou nervoso com a mão na maçaneta da porta do carro.
Saímos do carro e começamos a andar na calçada, a mansão de Uriel estava do outro lado rua, eu tinha que manter uma distância segura da mansão dele, afinal não sei se ele pode pressentir minha presença.
—“Tá vendo algo Sophia?” Papai cochichou pra mim.
—“Hmm... Sim... bem... temos mais ou menos cem guardas... estranho, achei que teria mais considerando o tamanho dessa mansão.” Olhei com atenção tudo lá dentro.
—“O que mais?” Leonard também cochichou.
—“Hmm... Tata está em um quarto aos fundos... no segundo andar.” O olhei com atenção, eu tinha que ter certeza de que ele estava bem.
—“Ele está bem?” Papai perguntou agitado.
—“Não sei dizer...” Forcei minha visão, ele parecia estar dormindo... acho que estava bem.
—“E o Sebastian?” Leonard questionou.
—“Não sei... não estou achando ele... espere!” Olhei toda a casa, mas só aí percebi que havia alguma coisa no subterrâneo.
—“...” Congelei ao ver tudo que tinha lá.
—“Sophia?” Papai achou estranho meu modo de agir.
—“Achei o Sebastian... ele está no subsolo... com alguns vampiros... será o calabouço? Porque ele estaria no subsolo?” Tentei manter a calma e agir como se o que estava acontecendo lá dentro não me afetasse, menti dizendo se tratar de um calabouço, afinal... eu não tinha coragem de descrever os horrores que estava vendo.
—“Ok... quando vamos agir?” Papai ficou animado.
—“Estou estudando isso...” Falei calma, tentando me recuperar do choque... Droga Sebastian... se você não tivesse fugido, você não estaria passando por essa tortura... seu idiota!
De repente senti uma sensação estranha, minha nuca arrepiou.
—“Sophia?” Papai ficou tenso quando percebeu que eu estava agitada.
—“Papai... não entre em pânico agora, mas estamos sendo seguidos...” Cochichei pra ele.
—“O quê?” Papai quase gritou isso.
—“Eu disse para não entra em pânico...” Resmunguei quando ele começou a agir feito uma barata tonta.
—“O fazemos agora?...” Leonard se aproximou mais de nós e se segurou na roupa do papai.
—“Shhh... eles estão nos ouvindo.” Reclamei ao perceber que sim, os dois seres que nos seguiam estavam ouvindo nossa conversa desde que saímos do carro... droga! Como não percebi isso antes?
—“O quê?” Papai pulou quando o cutuquei.
—“Entre no beco.” Apontei com a cabeça o beco mais a frente.
—“Mas desse jeito vamos ficar encurralados.” Leonard resmungou.
—“Vocês se esqueceram que estão comigo? E além do mais...” Olhei pra trás e fitei os nossos seguidores, eles também estavam de capuz e mantinham uma distancia segura.
—“Além do mais?” Papai insistiu para que eu seguisse falando.
—“Eles não me parecem hostis...” Falei calma ao pesquisar a intenção deles, eles não tinham o intuito de lutar ou de atacar.
—“O quê?” Papai olhou pra trás também.
—“Entre no beco... vamos falar com eles.” Dei a ordem firmemente e Papai assim o fez.
Nossos perseguidores vieram juntos.
Ficamos frente a frente no estreito e silencioso beco.
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