Sangue quente.
19 Fugindo com o circo.
Notas iniciais
Sephiron...
Passamos três semanas naquela maldita cabana, três malditas semanas esperando aquele merda desabar nas nossas cabeças, três malditas semanas de abstinência sexual, tudo porque o Ian tinha vergonha de dar na frente de James e Pedro... mas o James e o Pedro pelo visto estavam pouco se lixando para nós dois! Pedro nasceu no meio do mato, então ele não via problema em arrastar James pro meio da floresta pra dar umas trepadas!
No entanto, eu tinha que admitir que foram três semanas de pura paz e sossego! Estávamos no meio da floresta, com tudo que precisávamos ao nosso redor! Havia um rio com água fresca e pura próximo à cabana, então Ian e Pedro não morreriam de sede, o único problema era pra tomar banho, a água era muito fria pros dois, mas não era problema para mim e para o James! E para alimentar os dois, tanto eu quanto James passamos a caçar animais silvestres e essa era a minha parte favorita, eu amo caçar!
Foi bom também ficar afastado dos problemas, estávamos completamente no escuro! Não sabíamos o que estava acontecendo com o país, o pai do Ian já poderia ter acabado com o governo nesse momento, ou o mundo poderia estar acabando que a gente nem saberia!
Mas tudo que é bom um dia acaba! A cabana estava preste a cair de vez e nós tínhamos que continuar andando até a minha casa de campo!
James foi até a cidade compra barracas para acamparmos até o nosso destino, descobrimos que viver no meio da floresta é mais seguro do que tentar alugar uma casa nas cidades que passarmos!
James demorou muito para voltar, dessa vez ele quebrou seu recorde de tempo sem nos dar sinal de vida! Uma hora depois ele voltou carregando uma enorme carga e Pedro suspirou aliviado.
—“Estava fabricando as barracas?” perguntei furioso, eu fiquei muito preocupado com a demora dele, Ian ao meu lado relaxou! Ian agora sabe que James é meu pai, acabei contando pra ele depois de finalmente ter me aberto com James aquela noite!
—“Foi horrível...” James atirou as coisas no chão e se largou no sofá cansado, ele estava pálido e suas mãos tremiam.
—“O que foi?” Me aproximei dele e Pedro correu para sentar ao seu lado e passar a mão nas costas dele.
—“O exercito tomou conta da cidade de uma forma...” James tremia.
—“Conte-nos!” Pedi mantendo a calma, pelo visto a revolução ainda estava rolando.
—“Aquela cidade parece até um campo de concentração! Os cidadãos não têm mais direito de ir e vir na rua sem um passe, eu quase fui preso!” James me olhou desesperado.
—“Céus! Você tá bem? Como escapou?” Ian se assustou.
—“Eu estou bem... não se preocupe Ian! Eu subornei os soldados que me pegaram, eles são bem corruptos, graças a isso ganhei um passe pra andar livremente, mas gastei um pouco do dinheiro que levei!” James me lançou um olhar preocupado e eu dei de ombro, eu ainda tinha muito dinheiro na bolsa principal, não estou preocupado com grana nesse momento!
—“Os cidadãos da cidade tem hora pra tudo! Eles parecem robôs programados, andam em fila perfeita e não falam nada... eles têm medo de serem pegos falando algo proibido...” James seguia nos contando seu relato.
—“As mulheres são violentadas pelos soldados sem motivo nenhum e ninguém faz nada... qualquer um que tenta se meter pra impedir isso... ou que é pego fazendo algo suspeito é executado na hora e sem direito de se defender e se explicar! Os soldados os executam no meio da rua mesmo, os corpos são amontoados nas calçadas e eu nem quero saber o que fazem com eles depois!” James estava tremendo tanto que parecia que estava tendo uma convulsão.
—“Já passou James, você não vai mais precisar ir naquela cidade nunca mais! Vamos pegar as nossas coisas e partir!” Falei começando a juntar as coisas, James abraçou Pedro, pelo jeito ele viu coisas piores, mas não queria nos contar.
Juntamos nossas coisas e separamos em bolsas, eu e James lavaríamos as coisas mais pesadas, Ian e Pedro iam ajudar levando as coisas mais leves em mochilas pequenas que James comprou.
Naquele dia andamos bastante pela floresta até que Ian e Pedro se cansarem, montamos acampamento, James havia comprado duas barracas de casal, ele e Pedro ficariam em uma e eu e Ian em outra, montamos elas meio afastadas para nos dar privacidade.
Ian e Pedro comeram uma carne seca que havíamos desidratado no sol com sal como faziam antigamente, Ian odiou, mas comeu sem reclamar, ele estava ficando enorme nos últimos dias, também pudera, agora ele estava com seis meses e estava entrando no último trimestre de gestação, mais um pouco e teríamos uma criaturinha babona e chorona pra cuidar.
James e Pedro foram para dentro da barraca deles trocando olhares quentes... QUE RAIVA! Meu velho estava conseguindo transar mais do que eu!
Ian entrou na barraca com um pouco de dificuldade e se deitou no colchão inflável com um sorriso bobo nos lábios, entrei e fui indagar o porquê de sua felicidade.
—“Eu nunca imaginei que um dia acamparia no meio da floresta assim, igualzinho a muitos personagens dos livros que eu gostava!” Ian sorriu e deitei ao seu lado, o colchão afundou com meu peso e ergueu Ian um pouco.
—“Pois é... nunca me imaginei em uma situação assim também!” Confessei.
—“Você acha que um dia eu vou conseguir ver o mar?” Ian perguntou pensativo.
—“Falando assim me dá uma sensação ruim... parece que você vai...” Me calei e mudei a minha fala.
—“É claro que você vai ver o mar... eu vou te levar lá! Dá minha casa de campo até uma praia deserta e paradisíaca que tem lá perto, leva apenas meia hora de viagem de carro!” Falei isso com certeza em minhas palavras, Ian sorriu e rolou para perto de mim.
A barriga dele nos separava agora, mas não perdi a oportunidade de judiar da criaturinha e me abracei forte em Ian, amassando a criaturinha entre nós.
—“Tá apertado ai, criaturinha?” Perguntei com um sorriso maldoso e recebi um chute forte bem na região do umbigo, gargalhei com isso, é bom ele se acostumar com minhas maldades, não vou poupá-lo de conhecer meu lado sádico!
—“Espera só ele nascer pra poder chutar suas bolas, você não vai rir assim!” Ian sorriu pra mim, mas retribuiu o abraço e uniu nossos lábios, o beijo foi terno e meloso, se eu pudesse vomitar... Ian estaria afogado em vômito agora!
A língua de Ian procurou minhas presas e as massageou com carinho... AH DROGA, ele está mexendo com o leão adormecido e faminto!
Minhas persas e meu membro reagiram, senti que o membro de Ian também se despertava... aham... então ele também quer isso! Não vou perder essa oportunidade!
Rolei pra cima dele sem largar meu peso sobre ele, mas ainda assim esmaguei a criaturinha entre nós, quem mandou ele ficar ai nesse lugar que só atrapalha!
Comecei a beija Ian com vontade enquanto separava as penas dele.
—“Não... eles vão ouvir!” Ian reclamou virando o rosto e fugindo de meus beijos.
—“Eles estão fazendo o mesmo nesse momento, então que se dane, porque eles podem e nós não?” Reclamei para Ian que ficou vermelho.
—“Se sente vergonha, então tente ficar quieto oras!” Comecei a despi-lo, ele tentou me impedir no início, mas foi desistindo de lutar quando percebeu que eu não pararia! Despi completamente Ian que me olhava envergonhado.
Ajoelhei-me entre as pernas dele e tirei minhas roupas também! Finalmente me senti livre! Nossa que saudade de ficar pelado e preste a foder!
Voltei a deitar sobre Ian e a esmagar a criaturinha, dessa vez a criaturinha esperneou um pouquinho como se dissesse parem com isso seus filhos da puta! Já está bastante apertado aqui dentro sem você ficarem de putaria ai fora!
Nossos beijos ficaram mais intensos, enquanto nossas mãos passeavam pelo corpo um do outro, passei a minha mão direita pelo peito dele e fui descendo, meu alvo era seu traseiro, mas quando passei por seu membro, Ian se retorceu em baixo de mim, resolvi que ele deveria ganhar um pouco de atenção nesse lugar, acho que nunca dei prazer a ele.
O masturbei de leve e ele tapou a boca, ficando mais vermelho ainda, ele queria abafar os sons dos gemidos, mas eu queria que ele gemesse alto pra mostra pro James como é que se faz! Então resolvi fazer algo que nunca fiz em ninguém antes, eu fui descendo pela barriga de Ian dando lambidas e chupadas até a sua virilha, ele paralisou totalmente!
Percebi que ele estava em choque, ele não esperava que eu fosse chegar com a boca assim tão perto de seu membro! Lambi seu membro e seu corpo se arrepiou todo, brinquei com a ponta da língua na cabeça de seu membro e seus dedos dos pés se retorceram de prazer.
—“Hmmm... Seph... isso é bom!” Ian cochichou, mas eu queria que ele gritasse isso, então o chupei com vontade e o gemido alto que Ian deu me deixou satisfeito, me senti viril ao conseguir fazer Ian reagir assim!
Cuspi um pouco em minha mão e humedeci os dedos, eu ia prepara-lo adequadamente, afinal faz tempo que não fazemos, pode ser muito doloroso pra ele se eu for com sede ao pote!
Enfiei um dedo nele e como eu previa ele sentiu um desconforto, seu corpo contorceu e ele deu um gemido sofrido, não demorei muito para colocar um segundo dedo, quero ser bonzinho com Ian, mas nem tanto!
Enquanto arregaçava Ian tesourando com os meus dedos dentro dele, minha língua não parava de brincar com seu membro! Ian estava dividido entre o prazer e o desconforto, mas logo se entregou completamente ao prazer!
—“Seph... eu vou...” Ele gemeu alto e gozou, cuspi o conteúdo de minha boca entre suas pernas, isso ajudaria a deslizar mais fácil, virei Ian de quatro, assim a barriga dele não atrapalharia, dei uma palmada na bunda dele para deixa-la rosada pra mim e ele pulou pelo choque.
—“Ai Seph!” Ele me olhou por sobre o ombro, fazendo beicinho, bati de novo, quem manda nessa porra sou eu!
Me posicionei atrás dele e coloquei meu membro em sua entrada, Ian respirou fundo em antecipação ao que viria e me afundei nele de uma vez, Ian gemeu alto e baixou a cabeça entre as mãos sobre o travesseiro, sei que fui rude, mas eu gosto de ser assim!
Retrocedi dentro dele e ele gemeu, me afundei novamente e ele arfou, parei um pouco pra ele se acostumar.
—“Melhor?” Perguntei depois de deixa-lo se acostumar um pouco, ele fez que sim com a cabeça então comecei a me mover em uma velocidade agradável! Ian mordeu o travesseiro para não fazer barulhos, ele ainda estava com vergonha da possibilidade de James e Pedro escutar o que estava acontecendo, por isso se segurava pra não gemer, mas eu tinha certeza que James podia ouvir com perfeição tudo, assim como eu podia ouvir a pele dos dois estalando quando se chocavam, eles estavam na mesma etapa que nós!
Comecei a competir com James, de jeito nenhum eu gozaria antes dele, eu irai me segurar o tempo que fosse preciso, mesmo que eu estivesse com aquela sensação de estar preste a gozar sem querer, eu iria ficar assim com Ian por dias se fosse necessário, mas não perderia para o meu velho, ele pareceu estar com o mesmo pensamento, pois não chegava nunca ao ápice!
Quinze minutos e ainda nos mantínhamos firmes, mesmo estando ambos no limite! Esse era o problema de transar com Ian, eu quase não tinha controle sobre o momento de me liberar! Ian e Pedro a essa altura já não ligavam mais em manter o silêncio, ambos estavam gemendo alto!
Mas chegou o momento em que James desistiu, eu sabia que ele não iria muito longe, afinal ele está com um humano! E humanos morrem fácil! E é claro ele também deveria estar pensando em Ian que estava carregando o neto dele, então é obvio que ele iria arregar desse jeito!
Ele gozou primeiro e eu logo em seguida! Ian se desconectou de mim e caiu exausto na cama, ele apagou logo em seguida!
Na manhã seguinte Ian e Pedro nos encaravam furiosos e de braços cruzados, eu sabia que ia ouvir bronca, então decidi me candidatar pra ir caçar, sei que se eu trouxesse uma carne suculenta para Ian, ele me perdoaria!
Corri pela floresta farejando o ar, isso era muito bom! Eu amo liberar esse meu lado animal e correr por ai livremente, pronto para abater minha presa! Estava correndo quando senti o cheiro de uma junção de humanos, o cheiro era forte, acho que havia mais de vinte humanos aqui perto, decidi ir investigar!
Acabei indo até a beirada de um pequeno lago! Do outro lado do lago, havia um circo com vários humanos trabalhando para desmontar tudo e guardar as coisas em caminhões! Eram muitos humanos e eles pareciam formigas trabalhando, eles carregavam coisas pra lá e pra cá.
Observando com mais atenção eu pude ver que havia uma barraca de pano próximo ao lago, lá dentro havia vários barris de comida humana, talvez eu pudesse roubar um pouco para o Ian e o Pedro, sei que eles precisão variar a alimentação e ultimamente eles só tem comido carne de caça!
Contornei o lago dentro da floresta, tomando o cuidado para não ser visto, mas os humanos pareciam ocupados demais e estavam cada vez mais longe da beirada do lago e da barraca de comida, aproveitei a oportunidade e corri pra lá.
Entrei dentro da barraca de fininho, acho que ninguém me viu! Encontrei um saco de estopa e comecei a enchê-lo com que fui achando nos barris, havia legumes e frutas, não fiz distinção de nenhuma e enchi a sacola!
Estava preste a voltar quando vi um pequeno humano brincando com uma bola próximo ao lago, se eu saísse de dentro da barraca ele ia me ver! Então me abaixei atrás de um barril e o observei!
Ele era minúsculo, deveria ter uns quatro ou cinco anos, tinha cabelos negros bem lisos e olhos amendoados, nunca vi um humano assim! Ele estava brincando alegremente com a bola!
A bola rolava cada vez mais para perto do lago e ele estava cada vez mais próximo da beirada, isso era uma tragédia anunciada, o garoto ia cair no lago e se afogar, eu sabia que isso ia acontecer!
Como o esperado, a bola rolou para o lago e o miúdo foi tentar pegar, mas caiu em algum buraco e começou e se debater! Eu podia ver só suas mãozinhas minúsculas pra fora d’água, elas se agitavam desesperadamente!... É fazer o que? A vida é assim, seres burros como esse filhote de humano morrem cedo! Pelo menos agora eu podia ir embora e ninguém me veria!
Sai da barraca com o saco de comidas nas costas e já ia contornar o lago quando o garoto conseguiu pro a cabeça pra fora d’água e soltou um grito desesperado... MERDA!... Eu vou ter que salvá-lo ou os gritos dele vão chamar a atenção dos outro!
Peguei uma vara comprida que acho que servia para fixar outra barraca que já havia sido desmontada e coloquei a ponta da vara próximo ao garoto, ele se agarrou nela e eu o puxei para fora d’água, ele saiu tossindo e chorando pra fora do lago! Ótimo, agora eu posso ir embora...
—“PARADO AI! FIQUE LONGE DO MEU FILHO! ESSAS BALAS TÊM IRÍDIO E PLATINA!” Uma voz feminina gritou às minhas costas... AH MERDA! Virei-me devagarinho, havia vários humanos de cabelos negros e olhos amendoados me cercando com armas em mãos, larguei o saco de comida no chão e ergui as mãos em rendição.
Eles engatilharam a arma prestes a atirar em mim! O pequeno garoto que salvei correu para a mulher.
—“Mamãe... mamãe... eu... eu cai na acua e essi vampilo me pego!” O garoto falava tudo errado, com certeza era burro! Isso me irritava, mas parecia que os humanos conseguiam entender essa linguagem errada dele!
—“Você... salvou meu menino?” Perguntou a humana ainda mirando a arma em mim.
—“Aparentemente sim!” Falei dando de ombros.
Os humanos baixaram as armas e se entre olharam.
—“Chamem a Mia!” Disse a humana que era mãe desse burrinho que salvei.
Dois humanos jovens correram para dentro de uma tenda maior e voltaram logo em seguida com uma vampira magra e alta de longos cabelos cacheados, ela usava roupas de cigana e tinha um jeito malandro.
—“O que esta acontecendo aqui? Você estava tentando capturar e devorar um de meus humanos?” Perguntou a vampira erguendo uma sobrancelha pra mim! Ah merda, acho que acabei de arranjar treta!
...
Ian...
Seph estava demorando muito, geralmente ele caça um animal com facilidade, será que ele está com problemas ou essa região não tem muitos animais mesmo?
A noite foi chegando e nada de Seph voltar, James andava de um lado pro outro e Pedro segurava a minha mão para me confortar.
—“Temos que ir atrás dele! Eu posso seguir o rastro dele, nós vamos encontrá-lo!” James falava isso com convicção, mas acho que ele estava falando mais pra ele mesmo, acho que ele tentava se convencer disso!
—“Vão me procurar coisa nenhuma!” Seph apareceu no meio do mato com uma expressão irritada.
—“SEPH!” Corri para os braços dele e ele me abraçou.
—“Onde esteve seu merda, você quase me matou de medo!” Bati no peito dele com os punhos e a criaturinha chutou a barriga dele!
—“Eu estou bem! Acalme essa ferinha chutadora dentro de você e me ajude a desmontar o nosso acampamento!” Seph sorriu.
—“O que? Por quê?” James se assustou.
—“Acabo de conseguir uma carona pra gente! Nós vamos fugir com o circo!” Seph me largou e começou a juntar as coisas dele.
—“Espera... espera... explica isso direito!” James pediu.
—“Achei um circo que está indo para o norte, na mesma direção que fica minha casa de campo! Eles estão precisando de mão de obra pra ajudar a montar e desmontar o picadeiro! Então eu disse que podia ajudar e conhecia outro vampiro que podia colaborar! Em troca a gente pegaria uma carona nos caminhões deles e teria comida humana pra vocês!” Seph falou tudo isso desmontando a nossa barraca.
—“Espera Seph... você acha que podemos confiar nessa gente? Você os conheceu agora a pouco! E se eles te reconheceram e só querem te entregar para o governo em troca de alguma recompensa?” James perguntou.
—“Acho que estamos seguros, eles parecem agradecidos por... uma coisa que fiz! E também se eles fossem me entregar, eles não teriam me deixado ir embora, não acha?” Seph perguntou agora fechando a mochila.
—“Isso é verdade... mas...” James não estava seguro.
—“Vamos logo, eles vão partir daqui a pouco!... Ian, acho bom você se vestir de mulher e esconder sua pele com maquiagem por via das dúvidas!” Seph parecia confiar nessa gente do circo, mas nem tanto!
Desmontamos acampamento e seguimos Seph até onde havia vários caminhões parados em filas! Os caminhões tinham estampas nas latarias anunciando o circo da Mia, havia desenhos de humanos se equilibrando em cordas, cuspindo fogo e jogando coisa pra cima.
Assim que chegamos perto dos vários caminhões, muitos humanos de cabelos negros e olhos puxados saíram de onde estavam sentados esperando e nos cercaram curiosos.
—“Então essa é a sua família?” Uma vampira magra e alta surgiu entre os humanos e veio até nós.
—“Sim... como disse, estou viajando com meu pai, o humano dele e minha esposa mestiça grávida!” Seph nos apresentou e eu fiquei nervoso dele ter me anunciado como mestiço, isso não era algo muito comum, mas o fato de eu ser mestiço não causou espanto em ninguém, todos pareciam achar isso normal, então reparei alguns olhos prateados no meio da multidão, logo percebi que ali haviam mestiços também!
—“Prazer! Eu sou Mia e essa é minha família!” Ela abriu os braços indicando os humanos e os mestiços ao seu redor.
—“Você disse que eles são sua família?” James se surpreendeu!
—“Sim! Há quatrocentos anos fui adotada por uma família circense de humanos, fui criada como filha deles e atualmente finjo ser dona de seus tataranetos para não levantar suspeitas do governo, viajamos pelo país nos apresentando!” Ela sorriu contando a sua história, era legal encontra uma vampira que considerava os humanos sua família e fingia ser dona deles para protegê-los!
—“Eles gostam de se apresentar... ou são forçados a isso?” James olhou para os vários humanos, todos pareciam muito bem tratados e alimentados!
—“É claro que gostão! É tradição passado de pai pra filho nessa família, eu não sou dona deles de verdade, não os forço a andar sobre a corda bamba para enriquecer ou coisa do tipo!” Ela respondeu tranquilamente e sem se ofender com a pergunta.
—“Interessante!” James olhou em volta.
—“Então vocês aceitam o trabalho? Eu pago bem!” Mia se entusiasmou.
—“Não precisamos de dinheiro, só queremos uma carona, um lugar confortável pra dormir e comida para esses dois!” Seph respondeu.
—“Oh... está bem! Isso me lembra de que vocês devem estar famintos!” Mia se virou para mim e Pedro e bateu palmas três vezes, dois humanos saíram do meio da multidão nos trazendo um prato de comida quentinho.
Provei a comida e me senti nas nuvens, estava delicioso, Pedro fez um hmmmmm ao meu lado.
Após comermos tudo, fomos levados até o caminhão na qual viajaríamos, eles abriram a traseira dele e subimos, havia outros humanos lá dentro, alguns já dormiam amontoados em vários colchões que forravam o chão, me indicaram um livre e me deitei ali com Seph, James e Pedro ficaram em outro! O caminhão deu a partida e começou a andar, foi difícil dormir em movimento, estava ficando enjoado, mas estar nos braços de Seph ajudava!
...
Sephiron...
Viajamos até a próxima cidade e chegamos ao amanhecer, o comboio do circo seguiu para o norte como o combinado! Não entramos na cidade para o meu alívio, desembarcamos em um campo próximo da cidade e começamos a montar o circo!
Eu e James tínhamos que carregar mastros pesados, mas para nós não era problema! Ian e Pedro estavam se divertido assistindo o treino dos humanos, eles se contorciam como se não tivesse coluna vertebral, nunca vi nada igual, era incrível! Eles também davam saltos altos, giravam no ar e caiam de pé com facilidade, fiquei impressionado, não sabia que humanos podiam pular assim... porque eles não pulam assim o tempo todo? Seria um pouco mais difícil para nós vampiros capturá-los desse jeito! Eu estava me segurando para não correr atrás de um pra ver no que dava, ia ser divertido caça-los!
Estava entretido assistindo o treino deles e carregando barris pesados quando senti um leve puxão em minha calça, olhei para baixo e lá estava o burrinho que salvei!
Ele riu pra mim e saltitou batendo palmas, parecia que não podia conter a alegria em me ver.
—“Xô sai... vai embora... xô!” Tentei espanta-lo, mas ele se agarrou na minha perna... AH QUE MARAVILHA! Acabo de arranjar sarna pra me coçar, já vi que esse burrinho vai grudar em mim, literalmente!... Ele estava abraçado a minha perna com braços e pernas e quando eu andava ele era erguido e baixado no chão e isso causava risos histéricos neles.
Balancei a perna tentando tirar ele de mim, mas ele não desgrudava! Olhei em volta e percebi que a mãe do burrinho me olhava com um sorriso.
—“Hey... tira esse moleque de mim! Ou eu vou arrancar os braços e pernas dele!” Ameacei a mãe do moleque e ela só sorriu e foi embora fazer suas tarefas... COMO ELA OUSA? Ela me ignorou? Será que ela não levou a sério o que eu falei?
—“Hey burrinho... é bom você ir com sua mãe, se não vou te devorar!” Estiquei as presas pra fora e mostrei pra ele, minha intenção era assustar, mas isso só causava risos nele.
Tentei ao máximo ignora-lo e fazer o meu trabalho, mas era difícil já que ele não soltava a minha perna, então tive que ficar carregando ele pra lá e pra cá! E para piorar James e Ian sorriam contentes pra mim e me davam olhadas com um significado oculto ao qual eu não entendia!
—“Eu gosto di voche!” Ele riu pra mim e percebi que ele não tinha um dente da frente, mas era possível ver um novo nascendo... não sabia que humanos podiam regenerar dentes perdidos!
—“Mas eu não gosto de você!” Respondi pra ele, mas novamente ele sorriu pra mim, QUE DROGA! O que eu tenho que fazer pra me livra dele?
—“Burrinho eu vou te atirar no lago!” Ameacei sabendo que esse era ponto fraco dele, mas ele me ignorou e seguiu agarrado na minha perna.
De repente ouvi os cochichos de vária humanas que se juntaram para me assistir.
—“Ele é um paizão né? E é muito gato! Olhas os músculos definidos dele!” Disse uma que se abanava.
—“Oooohn ele leva jeito com crianças, e trabalha duro!” A outra dava gritinhos e pulinhos me observando.
—“E ele é tão forte! Mas o jeito que ele tá brincando com o pequeno Kyou é tão lindinho!” Outra humana com as bochechas rosadas falou! Havia umas dez mulheres e todas estavam delirando por mim! Qual é? Quer dizer que o fato de eu estar trabalhando pesado e ter um pestinha me azucrinando era sexy? Como isso? O que essas mulheres têm na cabeça? Mas não pude deixar de notar que até Ian me olhava babando também!
Resolvi testar esse estranho atrativo e larguei no chão o barril que estava carregando e andei até o Ian com o burrinho agarrado a minha perna!
Quando cheguei perto do Ian aticei meu ouvidos para escutar o que as mulheres diziam, abracei Ian e o beijei com vontade, aproveitei que ele ficou atordoado com meu ataque e me afastei um passo para poder alisar a barriga dele.
—“Como está o nosso amado filhote querida?” Perguntei em alto e bom som para as mulheres ouvirem e beijei a barriga de Ian.
As mulheres foram à loucura, todas suspiraram e caíram de amores por mim! Hahahah isso era muito engraçado!
Ian colocou a mão na minha testa e me estudou preocupado.
—“Seph você está bem?” Ian me perguntou parecendo realmente preocupado comigo.
—“É claro que estou bem meu amor!” Falei alto de novo e enchi Ian de beijos, ele estava todo perdido com isso.
—“Seph... seja lá que drogas te deram... por favor, tome mais!” Ian riu e me abraçou.
Eu sorri de volta e então o burrinho me solto para então saltitar ao nosso redor pedindo colo.
—“Xô... sai!” Tentei espanta-lo, mas Ian se encantou pelo pequeno e o pegou no colo, aproveitei esse momento pra fugir, mas o burrinho esperneou no colo de Ian que o saltou no chão e novamente o burrinho começou a me perturbar.
Acabamos terminando de montar o circo antes do anoitecer, todos estavam contentes com isso! Eles comemoram aplaudindo e conversando animados, me sentei ao lado de Ian exausto, o pequeno burrinho ainda me perseguia.
Finalmente a mãe dele apareceu para leva-lo para comer e dormir! FINALMENTE LIBERDADE! Mas o pestinha queria que eu fosse junto com ele, ele bateu o pé pra mãe e se agarrou em mim, Ian estava quase morrendo de tanto dar risada da cena, a mãe do burrinho o puxava e ele se agarrava em mim!
Quando ela conseguiu o fazer desgrudar de mim, o burrinho caiu no berreiro, nossa ele chora alto, é irritante! A mãe dele foi embora tentando acalma-lo!
Mia se aproximou de nós com um sorriso.
—“Obrigada pelo ótimo serviço, vocês ajudaram muito, normalmente levamos doze horas pra montar tudo, mas com vocês conseguimos fazer tudo em oito horas! Tomem, isso é um agradecimento deles!” Ela passou pra mim e para o James que havia acabado de se sentar ao meu lado exausto, um copo grande cheio de sangue, James pegou o dele atordoado.
—“Não... eu... eu não...” James não sabia o que fazer com tanto sangue, bebi o meu de uma vez, não ia desperdiçar tanto sangue delicioso!... Me sinto nas nuvens com isso, nossa faz muito tempo que não bebo tanto sangue humano! Que delicia!
—“Não se preocupe, o sangue foi doado de bom grado, existem muitos humanos aqui, eles se revezam para doar, ninguém fica nunca ficou doente doando um pouco de sangue aqui! Pode beber tranquilo!” Mia sorriu para James que bebeu o copo dele meio sem jeito.
—“Senhora Mia posso te fazer uma pergunta?” Ian perguntou animado.
—“Pode me chamar só de Mia... o que foi querida!” Ela sorriu para Ian.
—“Porque todos os humanos aqui têm olhos puxados? Nunca vi nada igual! Será que é por isso que eles conseguem pular tão alto?” Ian parecia interessado nisso.
—“Eles tem olhos puxados porque é uma característica da raça deles, eles são asiáticos, essa espécie de humano existe aos montes do outro lado do mundo!” Mia respondeu ao Ian com calma e eu fiquei interessado nisso também, eu também tinha ficado o dia todo me perguntando o porquê que eles tinham essa aparência.
Ian e Pedro ganharam comida também e estávamos prestes a ir dormir quando a humana mais velha que eu já vi na vida saiu de dentro de uma tenda resmungando alto, nunca vi um humano com mais de trinta anos, essa humana parecia ter uns noventa e poucos, ela era toda enrugada e molenga... tenho sorte que os vampiros não envelhecem, não quero ficar assim!
A mulher veio até mim resmungando e falando coisas estranhas e sem sentido.
Do nada ela começou a gritar.
—“A MORTE... A MORTE ESTÁ VINDO! ELA ESTÁ MARCHANDO PRA CÁ!” A velha gritava a plenos pulmões isso, Ian se agarrou em mim apavorado, dois humanos mais jovens vieram e levaram ela de volta para a tenda.
—“Não se assustem! Essa é a nona, ela é a humana mais velha aqui! Ela costumava trabalhar lendo mãos, cartas de tarot e prevendo o futuro, ela era boa nisso, nunca errou em uma única previsão quando era jovem, mas atualmente ela anda gaga e diz coisas sem sentido assim!” Mia nos explicou com seu sorriso que quase sempre estampava a sua cara.
Mia foi para a sua tenda e eu levei Ian para uma tenda que havia montado pra nós! Ian dormiu em seguida, mas eu não consegui dormir, a droga das palavras dessa mulher retumbava em minha mente!
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