Sangue quente.
9 A rinha.
Notas iniciais
Ian...
Sephiron me trousse para o lugar mais assustado da minha vida, dentro da gaiola dois mestiços se matavam e fora da gaiola um bando de animais selvagens gritavam e festejava primitivamente ao assistir tanta brutalidade.
Não podia acreditar que Sephiron ia fazer isso comigo, ele estava me tratando tão bem nesses últimos meses, o que eu fiz para ele me castigar assim? Será que é porque eu não gosto quando ele é sádico? Se isso eu não me importo mais em ser amarrado contra a parede e chicoteado, espancado e também não me importo que ele enfie coisas dolorosas dentro de mim, eu não me importo mais desde que eu não tenha que matar... ou morrer nas mãos de alguém da minha própria espécie.
Os gritos me assustavam tanto, queria poder me esconder, me aconcheguei contra o corpo de Sephiron, eu me sentia protegido perto dele, mas não devia me sentir assim... ele não mudou nada, ele continua um monstro que quer ver o meu sofrimento... ele me odeia a esse ponto.
Implorei para que ele não fizesse isso comigo, prometi que ia deixar ele me machucar, mas ele apenas me disse que sentia muito e que algo ruim ia acontecer com nós dois se ele não fizesse isso comigo.
Não consegui controlar o meu choro quando percebi que não ia escapar do que estava por vir, não conseguia parar de tremer e me agarrar ao Sephiron, mesmo me sentido magoado com ele. Eu finalmente estava gostando dele, era divertido passar as madrugadas passeando, conversando, brincando e até transando com ele, admito que agora eu gosto disso, desde que ele começou a fazer isso sem dor estrema, só com tortura de prazer, eu comecei a perceber que sim, eu gosto disso.
Sephiron começou a conversar com o vampiro mais gordo que eu já vi na vida, eu nem estava prestando atenção ao que eles estavam falando, os gritos e grunhidos dos mestiços que lutavam estavam me deixando enjoado, eu queria correr para bem longe, mas eu sabia que não iria muito longe.
O vampiro gordo estava arrastando dois mestiços por uma coleira, o estado deles era tão terrível, que eu meio que agradecia por ter sido comprado pelo Sephiron no fim das contas, pelo menos ele não me mantinha o tempo todo nesse estado moribundo.
Mal percebi quando dois vampiros servos vieram e me pegaram, me agarrei a mão de Sephiron e ele retribuiu o aperto em minha mão, por um segundo meu coração se encheu de esperanças. Esperanças de que ele fosse parar isso, de que ele fosse dizer que não queria que eu fosse levado, de que ele fosse me salvar, mas ele soltou a minha mão e deixou que eles me levassem enquanto conversava com o vampiro gordo, um dos vampiros servos retirou a minha coleira e a entregou para Sephiron que a segurou como se fosse um ser vivo, dava pra ver que ele estava nervoso, mas não fez nada então me deixei ser levado por aqueles vampiros.
Eles me jogaram para dentro da gaiola e eu encarei o meu adversário, ele com certeza já havia lutado e vencido algumas vezes, seu corpo desfigurado provava isso, ele tinha cabelos negros bem tosados e olhos prateados como todos os mestiços tinham, sua boca entreaberta mostrava seus dentes, suas presas estavam expostas e ele me olhava fixamente como se eu fosse um pedaço de carne e não um ser da mesma espécie dele. Ele parecia já saber o que devia fazer, ele já sabia o que agradava aos monstros que nos assistiam.
Ele partiu para cima de mim com voracidade, podia ver nele o desejo de matar, ele realmente parecia um animal faminto, consegui me desviar dele, meu pai me ensinou artes marciais, então eu sabia muito bem me defender, mas eu não queria atacar ele... esse pobre ser na minha frente deve ter sofrido a vida toda e provavelmente esta destinado a lutar aqui até alguém de sua própria espécie ceifar a sua vida.
Continuei a me esquivar dele com facilidade, ele vinha com brutalidade e fome para cima de mim, assim ele ia se cansar rápido e eu ia conservar minhas energias, é isso!... Me recuso a matar ele, mas não quero morrer também, vou deixá-lo se cansar e pronto, espero que quando ele cair de exaustão eu seja liberado dessa gaiola.
...
Sephiron...
Nunca me senti tão orgulhoso, Ian sabia se esquivar e se manter a uma distância segura de seu agressor, podia reconhecer alguns movimentos de artes marciais milenares, era óbvio que o pai dele ia ensina-lo a se defender!
Ian estava indo muito bem, ele só precisava deixar o mestiço inimigo se cansar e depois poderia quebrar o pescoço dele com facilidade, assim ele venceria a luta sem se ferir e poderíamos ir embora em paz.
Os vampiros que assistiam começaram a ficar zangados com a falta de carnificina, eles não estavam aqui para ver um mestiço driblando o outro, eles estavam aqui para ver o sangue jorrar, uma vaia alta passou pela plateia e Conde Leon vendo que seu joguinho estava se tornando chato, fez sinal para um vampiros servo que segurava uma mangueira que saia de uma máquina ao qual soltava vapor... AH, NÃO!
Fechei os olhos quando percebi que o alvo era Ian, ele estava distraído calculando o próximo ataque de seu adversário que não percebeu que o povo estava torcendo por sua dor, ele não viu quando o vampiro servo se pós atrás dele com a mangueira e lhe atirou uma jato de puro vapor escaldante por entre as grades da jaula.
O grito de agonia de Ian me fez amolecer, quase cai de joelhos no chão, mas segurei no encosto de minha cadeira, eu não queria me sentar e eu não queria assistir, mas os gritos de comemoração da plateia me fez abrir os olhos, eu sabia por que eles estavam comemorando antes mesmo de abrir os olhos, eu sabia que eles estavam torcendo pelo outro mestiço e o fato deles estarem festejando significava que Ian estava perdendo a batalha agora.
Quando olhei o que estava acontecendo, tudo que eu conseguia ver era os dois rolando no chão e deixando um rastro de sangue na areia.
Os gritos de agonia de Ian provavam que o sague era dele... estou sentido todo o meu corpo tremer, sinto um aperto no coração... sinto uma sensação ruim que me fez querer gritar, será que é isso que se chama empatia?
...
Ian...
Minhas costas então em carne viva, não vi quando me atiraram água fervendo, mas a dor foi terrível o suficiente para me tirar de ação, quando percebi o meu adversário já havia me pegado, os dentes dele cravaram em meu ombro e começamos a rolar pelo chão, eu podia sentir ele tentando tirar um pedaço de mim, ele ia arrancar um pedaço do meu ombro!... Isso dói tanto... eu vou morrer, eu sei que vou... eu não quero morrer!... Papai me salva... Sephiron, por favor, me tira daqui... alguém, qualquer um por favor faz essa dor parar!
Um instinto de sobrevivência e luta tomou conta de mim, senti a adrenalina correr em minhas veias e um lado selvagem substituiu o meu medo, antes que eu pudesse me controlar eu devolvi a mordida no ombro do meu agressor, mordi o mais forte que pude até sentir que ele soltou o meu ombro para berrar de dor, mas eu não parei ai, arranquei um naco de carne dele e o chutei de cima de mim, agora eu quero ver sangue também, agora eu quero lutar... eu com certeza vou matar ele!
...
Sephiron...
Ian está extremamente assustador agora, ele é menor e tem uma aparência mais fraca que o outro, mas ele esta conseguindo vencer o outro mais forte, Ian pulou para cima do mestiço e esta lhe arrancado pedaços grandes, o outro berra e rosna para ele, mas Ian consegue ataca-lo e se defender perfeitamente.
Não vou aguentar isso por muito tempo, às vezes parece que ele vai perder e às vezes parece que ele vai conseguir, não aguento essa montanha russa de emoções.
Os dois estavam se digladiando a um nível que fazia a plateia ficar de pé para gritar, obviamente alguns estavam furiosos, aparentemente eles haviam apostado no campeão invicto e o fato de Ian estar ganhando significava que eles iam perder uma nota preta.
Estava tão distraído olhando a plateia que me choquei quando um grande pedaço de alguma coisa saiu voando pela jaula e se chocou contra as grades, levei um tempo para perceber que era um braço inteiro... olhei rapidamente para Ian, ele estava inteiro, QUE ALÍVIO!
O mestiço adversário gritou a plenos pulmões agarrando-se ao seu cotoco de braço, o sangue escorreu por um tempo, mas logo a ferida se fechou e ele cambaleou para longe de Ian.
Ian parecia chocado consigo mesmo, ele olhava suas próprias mãos cheias de sangue com uma expressão de puro pânico, eu mesmo estava em pânico, não por ele estar fazendo algo tão bárbaro, mas por descobrir que se ele perder algum membro, sua regeneração não vai lhe proporcionar um novo membro como seria se acontece com um vampiro, ele ia ficar como o outro mestiço que agora se encolhia para longe de Ian sem um braço.
...
Ian...
Não gosto disso... não acredito no quão longe eu fui... o quão mau e doentio eu fui! Como eu pude mutilar alguém? Independente de ser um mestiço, um vampiro ou um ser humano... o que eu fiz não tem perdão... eu sou tão monstro quanto esses bárbaros que torcem por nossa dor.
O pobre mestiço a minha frente agora esta com medo de mim, ele se encolhia e se afastava de mim, me sinto terrível... não quero mais fazer isso, não quero mais lutar... quero ir pra casa! Quero deitar na cama quantia de Sephiron e chorar a noite toda, pois agora eu sei o monstro que eu sou!
Eu estava tão distraindo em meus pensamentos conturbados, que mal percebi o vampiro com uma mangueira apontando para o mestiço mutilado a minha frente, ele escaldou o mestiço que urrou de dor e partiu par cima de mim com um gás novo, nem consegui me defender dessa vez, foi tudo tão de repente! Ele se jogou contra mim e seu ombro se chocou com violência contra a minha barriga, uma sequência de coisas aconteceu ao mesmo tempo, senti o ar sair dos meus pulmões, vi tudo dobrado e senti a pior dor da minha vida, estava no primeiro lugar do meu ranque.
Era uma pontada aguada em meu ventre, mal tive tempo de gritar de dor e o mestiço voltou a me morder, só que dessa vez no pescoço, agora eu estava sufocando também! Eu acabei perdendo todas as minhas forçar para revidar, a dor mal me deixa pensar... eu nem quero mais lutar... vou morrer... eu sei que vou!
...
Sephiron...
O grito de dor de Ian agora foi mais alto, agoniado e terrível. Era um grito tão visceral que fazia meus pelos dos braços se ouriçarem, nunca ouvi um grito tão chocante quando esse, nunca imaginei que Ian pudesse fazer esse som, era a pior coisa que já ouvi na vida.
Ian conseguiu afastar o mestiço de cima dele e tentou se levantar, o mestiço já parecia exausto da batalha por isso parou para respirar, Ian continuava a tentar se levantar, ele abraçava a barriga e tremia violentamente, a expressão de dor dele ia muito além de qualquer expressão que ele já tenha feito para mim quando eu estava lhe torturando.
Ele finalmente conseguiu ficar de pé e mancou para longe do outro mestiço, ele estava deixando um rastro de sangue por onde passava, demorei para perceber que esse sague vazava de entre suas pernas, o mestiço adversário deve ter lhe causando algum ferimento interno, algum órgão devia estar sofrendo hemorragia, me segurei mais forte na cadeira e respirei fundo tentando me acalmar, afinal Ian estava bem alimentado, ele ia se recuperar logo eu tinha certeza disso.
Ele caiu de joelhos e gritou novamente de agonia, agora até o outro mestiço parecia interessado na dor de Ian, ele se aproximou calmamente e se abaixou ao lado dele, os dois se encaram por um momento, ambos exaustos, Ian voltou a gritar de dor e o outro mestiço parecia querer conforta-lo, ele se encostou em Ian e Ian apoiou a cabeça no ombro mutilado do outro, parecia um pedido de desculpas mudo entre os dois, parecia que ambos estavam tendo um momento de reflexão, Ian berrou novamente de dor e o mestiço adversário só ficou ao seu lado, isso era a prova definitiva de que os outros mestiços que não sabiam falar também tinham sentimentos, porque estou me sentindo tão errado de repente? Isso... é errado? Eu sei que Ian não quer lutar, mas achava que o outro mestiço não se importava com isso, mas agora ao vê-lo se compadecer da dor de Ian, acho que ele odeia isso tanto quanto Ian... força-los a lutar desse jeito... é monstruoso.
Novamente ambos foram escaldados, fechei os olhos novamente, ambos gritaram de agonia e novos sons de rosnados e lutas voltaram a soar de dentro da gaiola.
Os sons ficaram piores e a multidão foi à loucura, eu não queria ver, sabia que Ian ia perder, Ian ia morrer essa noite! Meu coração doía de uma forma terrível, ele nunca doeu tanto assim, me senti culpado e também me sinto como se tivesse falhando com o pai dele.
O silêncio da multidão me fez congelar, parecia que eu havia ficado surdo de repente, não havia som algum... abri os olhos devagar e percebi o motivo do silêncio, todos estavam chocados com a cena.
Ian havia arrancado a cabeça do outro mestiço, ele segurava a cabeça pelos cabelos com uma expressão morta, o corpo do mestiço adversário ainda estava em pé, mas logo caiu com um baque surdo no chão.
Alívio e medo passaram pelo meu corpo, Ian estava com uma expressão distante, quase uma expressão de um zumbi! Sem emoção alguma, ele largou a cabeça com cuidado no chão e se deixou ser pego pelos dois vampiros servos que o tiraram dali, ele foi arrastado até mim, entreguei a coleira para os vampiros servos como me pediram, então eles recolocaram a coleira de Ian e me entregaram a corrente.
Eles largaram Ian ao meu lado, fizeram uma reverência e partiram, o corpo do outro mestiço já estava sendo retirado de dentro da gaiola, o corpo dele foi levado para ter o sangue drenado, agora seria o sangue dele que iria encher as taças nas mãos dos vampiros que assistiam! Dentro da jaula uma nova camada de areia era revirada no chão sujo de sangue e novos mestiços foram jogados lá dentro, dessa vez eram crianças de uns dez anos talvez.
Ian não se mexia na minha frente, continuava parado como uma estátua que retratava o desalento.
–“Ian... você está bem?” Eu queria tocar nele e demonstrar algum afeto, mas o Conde Leon se aproximou gargalhando, ele agora só puxava um mestiço pela coleira, o outro estava morto alguns metros de distância, completamente seco.
–“Boa luta! Muito boa luta, quer colocá-lo para um segundo round? Você vai sair daqui podre de rico esta noite!” Conde Leon gargalhou.
–“Não obrigado, já me diverti muito por uma noite, devo voltar para casa e descansar, amanhã tenho muito trabalho!” Respondi me colocando na frente de Ian.
–“É uma pena, seu mestiço foi muito bem, quem sabe isso faça você mudar de ideia!” O Conde Leon estalou os dedos e seus servos trouxeram duas maletas cheias de dinheiro, a quantidade era maior do que meu último lucro com meus negócios legalizados.
–“Você foi o único a aposta em seu mestiço, levou essa bolada toda, imagina o quanto mais você vai ganhar se colocá-lo para lutar mais!” Senti o olhar de pura magoa de Ian em mim quando ele ouviu isso.
–“Com todo respeito Conde Leon, mas comprei esse mestiço com o intuito de treiná-lo para ser o escravo sexual perfeito para mim, ele já foi bem treinado e sabe me agradar, não quero correr o risco de perdê-lo agora!” Agora Ian me olhava com nojo, eu sei que eu tinha esse intuito no início, não havia como negar, mas agora era diferente, ele era o meu gatinho.
–“Entendo, mas você pode comprar um novo e treiná-lo também, não quer me vender esse ai?” Conde Leon olhou com pura cobiça para Ian e eu senti Ian se encosta em mim tremulo.
–“Sinto muito Conde Leon, mas ele faz coisas que me agradam, acho que não acharei outro que faça nada igual, sabe como é né?” Tentei dizer não da forma mais educada possível, realmente não quero o Conde Leon como inimigo.
–“Ah, sim! Já tive um que me agradou muito, mas enjoei dele em dois meses... quando se cansar desse seu mestiço, não se esqueça de que eu quero comprá-lo, ele perece saber lutar muito bem, nunca vi um mestiço arrancar o braço e a cabeça de outro daquela forma!” Os olhou do Conde Leon brilharam para Ian e eu me senti furioso, ele NUNCA vai tocar no Ian!
Bom, nada mais me impedia de ir embora e tirar Ian dali, eu já tinha dado o espetáculo que o Conde queria, então não haveria problemas de irritá-lo agora, só tinha de me lembrar de ainda ser educado.
–“Claro Conde Leon, lembrarei disso!” Fiz uma reverência e peguei as duas maletas me retirando de lá com Ian em meu encalço, ele mancava levemente e eu ainda podia sentir o cheiro do sague dele, o que só podia significar que ele ainda estava sangrando.
Quando saímos do local e chegamos a um lugar escondido e reservado do estacionamento, me virei para examinar Ian, ele abraçava a barriga e tinha uma expressão de dor.
–“Ian, você está bem?” Fiz um carinho em sua cabeça e ele se afastou de mim me lançando um olhar que dizia claramente seu traíra!
–“Porque está tão preocupado? Esta com medo de perder seu escravo sexual favorito? Como eu fui idiota... eu cheguei a acreditar que você não me via mais dessa forma... mas no fim tudo o que você quer comigo é meter, eu não sou mais nada além de um buraco quente onde você pode se enfiar e gozar!” Ian me olhava com ódio e raiva.
–“Ian... não é isso, acredite em mim, o que disse ao Conde Leon... foi só para te proteger... você não entende o que ele pode fazer com nós se...” Ele me interrompeu antes que eu pudesse me explicar mais.
–“Pare de mentir Sephiron, você não se importa comigo, não passo de um escravo nojento para você, não tenho direitos nem nada... você me trouxe aqui com o intuito de ganhar dinheiro, você me deixou ser levado para dentro daquela jaula pra sofre e para causar sofrimento a alguém de minha própria espécie... admita que você só quer me ver sofrer, é assim que você se excita é assim que você é... você é um monstro!” Ian cuspiu ao meus pés e se afastou de mim gemendo.
–“É isso o que você pensa de mim?” Me senti furioso de repente, mas ao mesmo tempo eu compreendia o lado dele, o único que sofreu aqui essa noite foi ele, eu sai lucrando, não quero que ele pense assim, eu sei que sou um monstro desalmado, perdi tudo de bom em mim naquela noite na maldita festa, não vou negar que hoje sou um ser nojento e um belo de um filho da puta, mas eu não quero que Ian pense assim de mim, não quero que ele se afaste de mim, já me sinto mais vivo ao lado dele, não sinto tanta necessidade de ficar o tempo todo molestando e ferindo alguém para me sentir bem, eu nem consigo acreditar no quando posso ficar feliz só observando ele ler.
–“Sim, é exatamente isso que eu penso de você!” Ian respondeu arfando e apertando a barriga.
Abri uma das duas maletas e atirei o dinheiro ao vento, o dinheiro foi embora como se fossem simples folhas de uma árvore no outono, joguei a maleta no lixo ao meu lado e fiz o mesmo processo com a segunda, todo o dinheiro foi levado pelo vento, Ian arregalou os olhos para mim.
–“Você disse que te trouxe aqui para ganhar dinheiro em cima de sua dor, pronto, não ganhei nada com isso!” Respondi sério e ele me olhou em choque.
–“E você também disse que fiz isso porque me excito com sua dor... pois bem, de uma boa olhada!” Abri o zíper de minhas calças e mostrei que eu não estava nem um pouco excitado com toda aquela situação.
–“Seph...” Ele ainda me olhava pasmo quando as lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dele, ele se aproximou de mim e se aconchegou em meu peito, eu o abracei forte e o deixei chorar em meu peito.
–“Acredite em mim Ian, eu não queria ter feito isso com você, mas não podia irritar nenhum desses Condes de merda, ir contra eles... é exatamente o mesmo que ir contra o governo! Acredite em mim, eu juro!” Falei sentindo o corpo dele tremer em meus braços.
–“Agora eu acredito... por favor, me leve pra casa!” Ele pediu abraçando o meu pescoço, eu o peguei no colo e marchei para o meu carro, me sentido mais leve de repente, eu havia tirado um peso das costas.
Ian gemeu e se contorceu em meus braços mais sague escorreu dele e pingou no chão... era muito sangue! Ele já deveria ter se curado a essa altura! Vou levá-lo para casa e lhe dar um belo filé, ele vai ficar bem, eu sei que vai!
...
Ian...
Não me sinto nada bem, a dor não passa, ela vem em ondas e fica mais forte a cada minuto, quero gritar de dor, quero chorar e espernear, mas qualquer movimento doí, quero ir para casa me deitar na cama confortável de Seph e só me acordar amanhã quando eu vou estar totalmente recuperado, mas eu estou com medo de dormir... eu sei que se eu dormir vou sonhar com o que fiz a um semelhante meu, ele assim como eu não queria estar ali, ele não queria ferir o seu próximo, o momento em que ele sentou ao meu lado e me deixou apoiar a cabeça em seu ombro para me confortar da dor, foi a prova de que ele lá no fundo entendia o que estava fazendo comigo, apesar dele ter sido criado como um animal irracional, no final ele me deixou ganhar, ele teve a chance de me matar, quando fomos escaldados juntos a dor foi tão intensa que não reagi, mas ele pulou em cima de mim sem me machucar, ele fingiu me morder para o vampiro da mangueira de água quente parar de nós vaporizar, ele me olhou com um claro pedido para que eu acabasse com seu sofrimento, ele devia ter passado por aquilo tantas vezes, ele devia ter matado tantos de nosso irmãos e irmãs... quantos mais ele seria forçado a matar até finalmente descaçar em paz?
Mesmo não querendo fazer isso... eu fiz! Eu matei ele com minhas próprias mãos e agora isso vai me assombrar e me perseguir para o resto da vida, eu sei que nunca mais serei o mesmo.
Sephiron entrou no carro comigo em seus braços e continuou a me aninhar em seu colo enquanto seu motorista nos levava de volta para casa. Olhei para Sephiron, ele examinava meu corpo procurando por sinais de cicatrizes, me deixei relaxar em seus braços, eu nem podia acreditar no que ele fez, ele jogou toda aquela grana fora, ele me disse coisas que faziam meu coração acelerar... acho que gosto dele! No fim, ele não fez isso por maldade e sim por medo e isso eu posso perdoar!
A dor voltou e bem mais forte, o desespero me fez me debater e gritar involuntariamente, Sephiron me segurou forte para evitar que eu me batesse dentro do carro.
–“Ian o que foi?” Ele perguntou assustado.
–“DÓI, DÓI MUITO SEPH... AAAAAAAAAH!” Me agarrei a ele e respirei até a dor passar de novo, tudo ficou escuro do nada.
...
Sephiron...
Ian deu mais um daqueles gritos viscerais antes de desmaiar, seu corpo amoleceu nos meus braços, o que eu devo fazer para ajuda-lo? O que eu posso fazer?
Finalmente chegamos em casa, desci do carro com cuidado, sem agita-lo muito, durante a viagem de carro até aqui, eu percebi que ele gemia quando o carro passava em alguma lombada ou alguma rua de paralelepípedo, então andei com calma com ele em meus braços, ele não estava mais gemendo, mas ainda estava sangrando um pouco.
Quando entrei na minha sala James estava lá em sua costumeira pose de estátua imóvel, ele fez uma reverencia quando cheguei perto.
–“James, quero que pesquise e procure o melhor médico de mestiço que você encontrar e o chame imediatamente, não importa o quão caro isso vai custar, você me entendeu?” Falei rapidamente e sério.
–“Sim, mestre Sephiron!” Ele fez outra reverência e partiu para cumprir minha ordem.
Segui com Ian até o meu quarto e o coloquei com cuidado nos lençóis, o olhei uma última vez antes de partir para a cozinha, eu sabia que ele melhoraria assim que comesse um belo bife e tomasse muita água.
Quando voltei com uma bandeja de comida muito bem preparada pela nova cozinheira e abri a porta do quarto me surpreendi com o forte cheiro de sangue, Ian não estava na cama, um pequeno rastro de sangue ia até o banheiro.
Larguei a bandeja e fui ao banheiro, a porta estava trancada e eu podia ouvir os gemidos de Ian do outro lado.
–“Ian? Abra a porta Ian!” Pedi batendo na porta.
Um minuto de silêncio se passou, me perguntei se ele havia desmaiado de novo, quando um grito alto de trincar vidro soou de dentro do banheiro, senti meu estômago afundar, ele estava sofrendo muito eu sabia disso, eu precisava tomar uma providencia logo, droga, será que James já chamou um médico? Merda, será que Ian esta muito machucado e não vai sobreviver?
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