— Porque olha tanto para cima? — Julian perguntou — Quer saber se vai chover?

Giovani tirou os olhos do céu e encarou o amigo que acendia um cigarro.

— Só falta dizer que faz mal — Giovani retrucou, tirando risos do amigo.

— Você pode até não acreditar, mas fico preocupado quando você fica desse jeito — Julian segurou o cigarro com as pontas dos dedos — Me deixa assustado, de verdade.

Giovani colocou as mãos no bolso do paletó e voltou a encarar o céu.

— Só ando pensando muito, nada demais — Ele respondeu, dando com os ombros — Não precisa se preocupar.

Julian deu um trago no cigarro e soltou a fumaça lentamente.

— Na verdade, eu me preocupo, até demais — Julian disse — Você pensando desse jeito não é algo normal.

Giovani o encarou pelo canto dos olhos e fez careta de reprovação, o que fez o amigo rir.

— Te conheço a algumas décadas, Giovani, você realmente não é assim — Julian colocou uma mão no bolso do paletó — E por isso sei que aconteceu alguma coisa, basta você me dizer o que.

— Você não vai gostar de saber — Giovani respondeu, quase sussurrando. Julian colocou o cigarro na boca e colocou a mão no ombro do amigo.

— É a Dalila, sempre foi ela — Giovani disse, com receio — Quer dizer, nem sempre, mas já tem um tempo que é.

Lentamente Julian tirou a mão do ombro de Giovani, e tirou o cigarro da boca para poder soltar a fumaça.

— O que quer dizer? — Julian perguntou, mas não teve resposta — Vamos Giovani, me diga o que você quer dizer.

Giovani encarou o chão, e logo em seguida fechou os olhos com força.

— Ela é a sua irmãzinha, é a única pessoa que não te faz surtar e te mantém com os dois pés no chão — Giovani disparou — Ela é a sua protegida e o seu amor, mas da forma mais pura e adorável que alguém pode sentir, ela é o seu mundo inteiro.

Julian tragou novamente o cigarro.

— Mas ela também é o meu — Giovani encarou Julian — Ela é a minha terra, o meu céu, o meu mundo inteiro, mas não da mesma forma que é pra você.

Julian encarou o céu.

— Você a ama — Ele soltou a fumaça lentamente.

— Amo — Giovani confirmou, sentindo as mãos gelarem.

— Ela sabe? — Julian perguntou, olhando para o amigo.

— Você é o único que sabe — Giovani respondeu — Não queria agir pelas suas costas.

— Amar alguém não é agir pelas costas, você não controla essas coisas — Julian jogou o resto do cigarro no chão, e pisou em cima — Eu não escolhi amar ela, assim como você.

Julian colocou as duas mãos sobre o paletó e ficou completamente sério.

— Podemos não amar ela da mesma maneira, mas ambos queremos o bem dela, então se partir o coração dela, eu vou arrancar o seu fora e beber todo o seu sangue até que você vire um saco vazio e seco — Julian ameaçou — E o mesmo serve para caso você fique no meu caminho e atrapalhe a minha relação com a minha irmã, está claro para você?

— Não vai me proibir de chegar perto dela? De ter qualquer coisa com ela? — Giovani questionou, completamente surpreso.

— Eu confio em você, e sei que vai fazer o seu melhor para ela — Julian respondeu — E eu não posso passar por cima das vontades e das decisões dela, se ela te dizer sim, não posso contrariar, proibir vocês dois de ficarem juntos não seria um ato de amor, nem para ela e nem para você.

Giovani tentou conter o sorriso, mas não conseguiu.

— Mas se ela te dizer não, não desista tão facilmente — Julian aconselhou — Sei bem como ela pode acabar gostando de caras insistentes.

— Insistentes como você?

— O coração dela uma hora acaba amolecendo — Julian disse antes de deixar o amigo sozinho, que voltou a encarar o céu.