O amor pode vir de diversas maneiras, e também, ser sentido de diversas maneiras. Julian sabia que amava Dalila desde a primeira vez que a viu, quando ela tinha apenas dois anos de idade, poucos dias antes do natal. Ele instantaneamente a considerou sua irmã, e passou a protegê-la como tal. 13 anos depois ele ainda sentia o mesmo, e para a sua felicidade, era recíproco. Irmãos de alma, almas gêmeas. Era um amor puro, sincero e intenso.

Os 15 anos de Dalila era mais aguardado por Julian do que pela própria Dalila. Ironicamente, ele odiava seu próprio aniversário, mas fazia questão de comemorar cada ano de vida da sua pequena.

Ele apertava a caixa de veludo e respirou fundo antes de bater na porta do quarto, e respirou fundo novamente quando ela permitiu ele entrar.

— Oi, irmãozinho — Ela disse olhando ele pelo espelho da penteadeira.

— Oi, irmãzinha — Ele respondeu. — Ansiosa?

— Pelo que?

— Não se faz quinze anos todos os dias — Ele disse, se aproximando.

Ela se virou para ele e estendeu a mão.

— Eu sei que você comprou um presente

— E eu vou dar na hora certa — Ele respondeu.

Ele passou a mão pelo cabelo escuro e ondulado da jovem, que fechou os olhos com a sensação.

— Você é a minha pequena — Ele continuou passar o mão pelos cabelos dela — A única pessoa que eu amo.

— Você é muito exagerado — Ela sorriu.

— Sabe que não é exagero — Julian passou a mão pelo rosto dela — E sabe que é verdade.

Dalila se levantou e abraçou o centenário, colocando a cabeça sobre o seu ombro.

— Eu sei — Ela disse, calmamente.

Julian fechou os olhos e se lembrou da primeira vez que a menina colocou a cabeça em seu ombro. Ela tinha quatro anos, e ele tinha acabado de voltar de uma viagem, a qual deixou ele meses longe da criança. Ele se lembrou da felicidade da pequena em vê-lo, e de como ela correu para abraçá-lo, e nunca se esqueceu da sensação dela colocando a cabeça sobre o seu ombro, onde acabou dormindo por quase duas horas. Perguntaram para ele se queria colocar a menina na cama, mas ele insistiu que ela continuasse ali, dando paz a ele.

— Você é a minha pequena — Ele sussurrou.

— Você já disse isso — Ela riu — E você é o meu idoso predileto.

Eles se afastaram e começaram a rir. Uma pequena demonstração de amor que apenas os dois entendiam.

— Almas gêmeas? — Ela perguntou.

— Almas gêmeas — Ele confirmou.

— Vai dançar a valsa comigo?

— Morreria se não dançasse — Julian respondeu.

Julian entregou a ela a pequena caixa de veludo vermelho, que para a sua alegria, não estava quebrada se tanto que ele havia pressionado. Ela delicadamente abriu e passou os dedos pelo pingente de rubi com prata.

— Você sempre escolhe os melhores presentes — Ela disse, tirando o olhar da joia para olhar o irmão — Obrigada.

— O melhor para a minha pequena — Ele respondeu, passando os dedos pelos cabelos dela. — E vai te proteger de vampiros.

— E porque eu preciso me proteger de você e do Giovani? — Ela riu, mas ele não.

— Tem muitas pessoas ruins nesse mundo, e nem sempre eu vou estar por perto para te proteger — Ele explicou.

— Sempre os melhores — Ela disse antes de dar um beijo no rosto de Julian.

— Feliz aniversário, minha pequena — Ele disse, se afastando para deixá-la sozinha no quarto.

— Julian — Dalila chamou — Eu te amo.

Julian sorriu, e sentiu seu coração de encher de paz novamente.