Sangue nas Mãos, Zumbis na Terra
8 Momentos
Notas iniciais
Ash- Cacete!! Como não percebemos esse troço aqui antes? — falou boquiaberto.
Toshio- Sei lá a plantação deve ter escondido... Mas é enorme!! E parece ainda estar funcionando. — observou aquilo com outros olhos.
Ash- Mas não tem explicação. É uma fábrica de... Milho industrializado??! — adentrou o grande portão enferrujado e macabro da frente.
Toshio- Fábricas assim, deveriam se concentrar nas cidades, mas essa deve estar aqui pela matéria-prima, assim não iria precisar transportar o milho e pagar taxas e impostos. — explicou atônito, arrepiava-se só de pensar no que havia mais para dentro.
Ash- Realmente, acho que você veio pra substituir o Héctus, é nerd igual ele. — um som engraçado de reprovação soava pela sua boca.
Toshio- Claro que não! E vê se fica quieto por... — fora interrompido.
Ash- Vê se fica quieto?! — repetiu aquilo nervoso. — Você pensa que está falando com quem? Somos amigos, mas sou dez anos mais velho que você, me respeita! — encostava o cano de seu revólver na orelha de Toshio.
Depois da ameaça, os dois permaneceram em silêncio. Andavam se espreitando pelos cantos da enorme fábrica, que parecia ser da revolução industrial e movida a carvão, de tão velha que era. Até agora tinham visto um ou dois zumbis, mas não atiraram para economizar munição.
Eles deram umas quatro voltas na fábrica, sem saber por onde entrar, acharam um depósito antigo que continha algumas latinhas de milho, e por incrível que parecesse, não estavam vencidas. Decidiram levar umas cinco daquelas latas, e ao amanhecer avisariam da presença daquele local ao resto do grupo. Mas o que mais os incomodava era uma luz acesa no último andar do prédio, e de lá vinha um som estranho de digitação.
–X-
Yui parecia um anjo dormindo, tão calma e reluzente. Azami, tinha uma feição de inocência e Leon dormia com a boca aberta. Ninguém esperava por nada, estavam cansados e a maioria ali, não era nem maior de idade e já tinham que se cuidar como adultos. A equipe estava cansada, tinham tido um dia difícil, em seus pés se formaram calos de tanto andar, mas essa era a nova vida deles e querendo ou não, tinham que se acostumar com ela.
Estavam confiantes que Ash e Toshio não vacilariam em seus postos. Azami que sempre tivera sono leve, acordou mas sem ouvir nada, será que estava sonhando? Olhou para Leon, e o mesmo dormia todo largado e com um dos braços esticado para fora do sofá. Decidiu ir ver Yui. Subiu devagar as escadas de madeira que rangiam muito, e abriu uma pequena fresta na porta do quarto e olhou para ver se ainda se encontrava ali, confirmado, a menina parecia morta enquanto dormia, nem se mexia.
Não havia uma explicação lógica para que Azami estivera acordada, e uma vez assim na noite, não conseguia voltar a dormir depois. Desceu as escadas novamente e se sentou com perninha de índio no sofá, onde observou o amigo loiro que estava a sua frente. Ficou uns dez minutos desta forma. Sentiu cansaço, se levantou para pegar seu cinto de adagas e fora treinar pontaria do lado de fora.
–X-
Claro, tudo estaria explicado agora. O porque de Azami ter acordado, era o seu instinto avisando perigo. Ao abrir a porta dos fundos se deparou com pelo menos quinze zumbis de uniformes e macacões azuis com uma espiga de milho bordada nas costas. Sorte que eles não a viram, mas sua raiva subiu a cabeça, querendo matar Ash e Toshio por deixarem tantos mortos se aproximarem da casa.
Antes de acordar Leon, subiu mais uma vez as escadas para ver se Ash e Toshio se encontravam na varando cochilando ou algo do tipo. Ao chegar lá surpreendeu-se em não vê-los. Realmente entrara em fúria. Desceu correndo sem se importar em fazer barulho, e foi até o sofá de Leon para acordá-lo e pedir ajuda.
Azami- Leon!! Leon seu merda, acorda! — o chacoalhou sem delicadeza.
Leon- Hum... Que foi? — balbuciou.
Azami- Ash e Toshio sumiram, deixaram a casa sem proteção! — informou nervosa.
Leon- Putz! E agora? — assim que ouvira as palavras da amiga se colocou sentado no sofá ao lado dela.
Azami- O problema nem é eles em si! — o encarou fria. — Tem uns bichos lá fora.
Leon- Vamos subir até varanda e matar eles!! — Leon pegou sua M4 que estava encostada. Foi até a bolsa de Ash e achou a bebê dele sem se importar em pegá-la. Entregou para Azami que fez uma cara feia, depois seguiu Leon.
A garota estava com uma camiseta GG que usava para dormir, era bem curta, cobria só o necessário ficando larga em excessos. Leon tirou sua camisa para dormir, depois que Azami apagou a luz e agora os dois estavam daquela forma na varanda atirando nos zumbis. O médico estava numa boa fazendo o que sempre fizera. Azami estava tendo dificuldades, afinal sua especialidade era combate corpo a corpo e não armas. Quando conseguia mirar, tremia errando a direção e somente desperdiçando munição.
Leon vendo Azami sendo ruim daquele jeito, resolveu ajudá-la. Colocou sua arma encostada na cerquinha da varanda, e foi até ela.
Leon- Quer ajuda, fodona? – era irônico, tentando a irritar a todo custo.
Azami- Não preciso, doutor. – devolveu na mesma moeda.
Leon- Vai Azami, para de ser rabugenta! — pedia por um desconto. — Você não sabe usar uma arma, assuma. — se sentou na cerca de costas para a plantação e de frente para ela com os braços cruzados.
Azami- Sim, eu não sei usar uma arma. — admitiu sem grandes esforços. — Tanto que eu uso uma katana. — abaixou a cabeça em sinal de desistência.
Leon- Não pensei que Azami Curtis, assumiria seu erro assim, tão fácil... Deixa que eu te ajudo. — a envolveu em seus braços, até chegar na arma que estava encostada no chão. Ergueu-a e colocou sua mão sobre a dela no gatilho, e posicionou a arma até mirar em um zumbi e atirar. — Entendeu? Tem que ser firme pra não mudar de direção na hora do disparo.
Azami- Sim... — parecia tímida. — Mas nunca mais me chame pelo sobrenome. = deveria ter seus motivos. — Agora que sei usar uma arma, posso acabar com você facilmente! — havia se soltado dos braços definidos de Leon e apontado a arma para ele. De forma que ficasse a centímetros do rosto do amigo.
Azami nunca percebera, aliás, nunca se interessara, Leon era atraente, de todas as formas e ângulos possíveis. Ele tinha um físico definido, nada exagerado até porque não era atleta. Mas a agradava. E sabia que ele tinha uma certa atração por ela também. Por um momento, não conseguiu desviar o olhar do peito nu dele, o que o deixou meio desconfortável.
Leon- Azami, você está bem? — a trouxe de volta a realidade.
Azami- Sim... É que o... Hum, deixa pra lá!! — falou se virando, pela primeira vez Leon havia visto sua amiga corada. De forma que nem quando ele a viu semi-nua no banheiro do museu ela tinha ficado. — Eu vou lá pra baixo, não sei e nem quero saber como usar uma arma tão pesada como essa. Vou sair pra matar os bichos com a katana mesmo, me dê corbertura!
Leon- Espera! — ele a segurou pelo braço e a puxou para mais perto. — Você sente falta? — sua cabeça estava baixa.
Azami- Do que? — franziu o cenho em dúvida.
Leon- De quando éramos crianças. De quando éramos íntimos de verdade? — sorriu bobo com as memórias que lhe invadiram a mente.
Azami- A época da infância, é uma época que eu queria poder apagar da memória. Então não... E vai se foder, está parecendo um viado falando desse jeito! — se afastou estressada, sem olhá-lo novamente.
Leon- Ufa! — se aliviou. — Pensei que tinha perdido a Azami Curtis que conheço. — fazia pirraça. — Nunca mais faça isso sua maldita!
Azami- Se eu estivesse com as adagas aqui, já tinha te acertado! — se apressava em sair dali.
Leon- Você perde a graça sendo sentimental...
Azami- Foda-se. E não esqueça de me dar cobertura! — o lembrou.
Azami desceu pegando sua katana e prendendo seu cinto na coxa. Andou até chagar do lado de fora e para matar os zumbis a sangue frio, e Leon a acompanhava lá de cima. Assim foi por uns dez minutos até exterminarem todos os mortos-vivos daquele lugar. Os dois ficaram lá na sala conversando pelo resto da noite.
–X-
Toshio- Cara, a gente vai morrer quando chegar lá na casa. A Azami deve estar acordada, você não ouviu os tiros?!
Ash- Mas ela usa uma katana, e não uma arma! Então deve ser o Leon... E ele é maneiro, temos chances com ele. — aproximavam-se da casa, quando viram um monte de zumbis degolados e sem os membros jogados no chão. — É... A Azami está acordada e estamos ferrados! — concluiu com uma olhar de culpa.
Os dois entraram e se explicaram da melhor forma que puderam e avisaram da fábrica que tinha lá atrás. Azami não ficou brava e apenas se estressou um pouco por deixarem a casa sem proteção.
Ash- Pensei que ia morrer ainda hoje... — limpou o suor da testa com as costas da mão.
Toshio- E eu pensei que ia ter que sair do grupo sem nem mesmo comer a patricinha. — todos menos Azami riram.
Azami- Agora chega de brincadeira. Me expliquem melhor essa história da luz acesa no último andar da fábrica... — pedia.
Leon- Vocês acham que pode ter gente lá?!
Toshio- Sim... Estava vindo um barulho de digitação lá de cima, mas não digitação de computador, o som parecia mais forte e mais marcante. — ao falar isso, Yui desceu as escadas, seu cabelo estava um pouco desarrumado, mas não havia olheiras por cansaço, parecia que estava da mesma forma que dormira.
Yui- Como o som de uma máquina de datilografia? — bocejou ao terminar o último degrau.
Toshio- Exatamente! Como você sabe? — exclamou tendo o problema resolvido.
Yui- Meu pai escrevia cartas pra minha mãe quando ela viajava dessa forma. Todos os dias da viagem... — um olhar de saudade lhe surgiu no rosto — Se eu ouvir, posso reconhecer!
Ash- Azami, nós vamos matar quem estiver fazendo isso?
Azami- Claro, não podemos deixar amigos pelo caminho...
To be continued.
Fale com o autor