Sangue nas Mãos, Zumbis na Terra
9 A dor dos que conhecem a morte
Notas iniciais
Bom, eu demorei um pouquinho mais com esse capítulo, porque estava esperando alguns comentários... Mas como ninguém comentou a não ser o fofo do IagoWesker, estou trazendo mais um capítulo again!!! ^^
Gente, espero que não me matem no final do capítulo, fiz uma coisa que estava planejando fazer desde início da fanfic!
Esse capítulo ficou um pouquinho maior, e mais sanguinário que os outros. E também tem muito drama, mas ficou bom (na minha humilde opinião)...
Boa leitura, espero que gostem!! Até as notas finais... :*
"14 de janeiro, algum lugar a oeste da Capital.
Faz exatamente 2 meses e 18 dias que estou presa nessa fábrica de milho industrial no meio do nada. Data que coincide o início da vacina que acabou com o país e segue para acabar com o resto do mundo. Eu me recusei a tomar a vacina, pois o Governo não revelou sua verdadeira composição ao povo, e como sou alérgica a pelo menos 50% de todos os remédios, não poderia correr o risco de tomar a vacina e depois sofrer com infecções e alergias. Sorte minha.
Tudo mudou muito desde a vacina. O céu escureceu, as estradas são desertas, e se você andar pela mata de noite, é possível ouvir os gemidos das coisas que vagam incansavelmente atrás de carne. Aonde quer que você ande, encontra sangue e restos mortais de pessoas pelo chão. É terrível. Cenas que nem maiores de dezoito deveriam ver, porque não estão em um filme ou seriado de televisão, são reais e qualquer um pode ver abertamente.
Estou completando hoje meus 53 anos, sem ninguém por perto. A não ser os zumbis que cercam essa velha fábrica que estou hospedada e esta máquina datilográfica, que tem sido minha companheira e não deixa que eu enlouqueça. Ontem ouvi passos e tiros um pouco pra frente daqui. No mínimo algum grupo de sobreviventes acharam a casinha abandonada, e estão passando a noite. Eu fiquei com medo, e corri com a espingarda para a porta, esperando que eles entrassem, mas o som dos tiros estavam meio abafados, deduzi que nem sabiam o que tinha aqui, por ser meio afastado da casa e da estrada. Depois vi que não havia perigo e voltei a digitar minhas longas cartas sem destinatário.
Eu escrevo essas cartas desde que me refugiei nesta fábrica, tem papel de sobra aqui mas a tinta da máquina datilográfica acaba hoje. Vou tirar minha vida com fim dessa carta, não quero ficar gagá e morrer sozinha. O estoque acabou também e não tenho coragem de ir checar o escritório de baixo, pois está tomado de bichos, é meu fim mesmo, estou considerando isso daqui como minha despedida!
Só queria lembrar de tudo que eu passei, e ficar mais um pouco com meus netos, mas estão todos perdidos. Eu poderia até me arriscar e pedir ajuda para aquele grupo da frente, mas não os conheço e não sei se eles teriam compaixão de uma idosa inútil como eu. Realmente é minha deixa aqui e hoje.
Não dedico estas cartas a ninguém, a não ser em minha memória, Esther Yushana."
–X-
Azami- Yui, eu quebro tua cara se você não souber seguir o som dessa tal máquina de datilografia! — dizia passando e sendo seguida pelo grupo.
Yui- Calma! Você é muito desesperada!! Eu sei disso porque minha mãe tinha uma carreira artística, então sempre que ela viajava, meu pai escrevia cartas de uma máquina assim... — sentia falta de tudo isso, se esforçou para não demonstrar.
Leon- Não entendo ainda o porque a gente está seguindo esse som. É inútil! Pode ser um senhor de idade que está fazendo isso, ele não saberia que estamos aqui.
Ash- Talvez, depois que saíssemos da casa, ele ia vir atrás de nós... E pow! Se é que vocês me entendem... — suas mãos juntas formaram uma arma e mirava para Leon.
Toshio- Quanta lógica nesse raciocínio... — zombou.
Ash- Ah! Vai se ferrar, filhinho da vacina!! — deu de ombros.
Yui- Parem meninos! Não tem motivo de vocês brigarem! Vocês são companheiros, poxa...
Azami- E companheiros não se matam? Eu não hesitaria em matar qualquer um de vocês se precisasse... — todos olharam indignados com o comentário dela. Depois disso, não houve uma palavra.
O grupo, que tinha como objetivo chegar ao leste, na Capital do país, agora estavam se envolvendo com uma simples tarefa de executar quem quer que seja que estivesse naquela velha fábrica. Estavam dentro do lugar, e Toshio cuidava dos zumbis que se aproximavam com suas flechas. Não se preocuparam porque não tinha muitos bichos ali fora, logo o campo já estaria limpo.
Ash, seguiu com o grupo até a porta da frente do galpão, lá provavelmente teria uma escada que os levassem até a parte de cima, que era de onde a luz permanecia acesa. Ao entrarem se depararam com muitos zumbis espalhados pelo enorme galpão.
Azami- Crianças, essa é a hora do sangue jorrar!! — um sorriso brotou de orelha a orelha ao decepar o primeiro zumbi que lhe apareceu. — Formação! — ordenou atenta.
Ash- A gente conta piadas e faz graça, e nem assim ela da risada... — preparou a Wing Shooter.
Toshio- Mas é só colocar uns quinze cabeças moles na sua frente, que ela sorri como se fosse uma menininha! — completou sátiro.
Ash carregava sua arma, enquanto Toshio lhe dava cobertura. Leon estava com Yui que tinha os olhos lacrimejados e se segurava para não entrar em desespero. Azami corria com a katana na horizontal, cortando os zumbis no meio, o que não adiantava muito pois eles só perdiam as pernas, mas ajudava os meninos a mirar melhor e com mais precisão. Fazia aquilo como se fosse um hobbie, o que deixava todos com um único pensamento sobre ela: psicopata.
Ash tinha uma ótima pontaria e uma ótima arma em mãos, a wing shooter. No meio de todo o tiroteio e adagas sendo lançadas pela psicopata da equipe, um zumbi surpreendeu ele por trás o agarrando. Com o susto, seu dedo ficou preso no gatilho da arma, atirando por todo lado enquanto se jogava em cima do zumbi para mobilizá-lo. Uma bala acertou de raspão Yui na perna direita, que a fez gritar de dor, Azami rolou pelo chão para não ser acertada. Quando se levantou, sua roupa e seu sobretudo estavam molhados de sangue, e visualizou uma cena engraçada em que todos estavam de cóquix com as mãos sobre a cabeça, procurando se proteger.
Azami- Putz, que merda em? — zombou com um sorriso de canto. — Você quase assassinou todos seus companheiros Ash, parabéns! — batia palmas ironicamente.
Ash- Foi mal gente... Meu dedo ficou preso. — explciou-se cabisbaixo.
Leon- Alguém ajuda aqui, a Yui tomou um tiro!! — apoiava a loirinha nos ombros.
Yui- Não, eu estou bem... Aí! — não conseguia pisar no chão.
Toshio- Merda, pensei que ia morrer... — olhou vago com o coração ainda disparado.
Ash- Mas que porra! Eu já pedi desculpas.
Leon deitou Yui no chão, se preparando para fazer os primeiros-socorros nela. Teve que improvisar com uma parte da blusa de Toshio já que não tinha bandagens.
–X-
Logo após terminar o curativo de Yui, Leon ficou de pé com a menina nos braços e estavam prontos para a abrir a porta que a escada levava, mas uma idosa que escrevia as cartas com a máquina datilográfica, foi mais rápida e surgiu abrindo a porta.
Esther- O que vocês querem aqui?! — surgiu de um lado escuro.
Por um momento, Ash se lembrou de toda sua infância. Memórias e sorrisos perdido, que foram tomados pela perda de alguém muito importante.
Ash- Mãe?! - era tudo o que conseguia dizer diante da situação. Sua falecida mãe poderia ter voltado, impossível. Não poderia acreditar em tal teoria sem provas!
Esther- Mãe? — perguntou sem muita surpresa. — Eu só tive uma filha, e ela faleceu no parto do seu segundo filho. — respondeu ranzinza. — Não te conheço jovem, sinto pena que...
Azami atravessou o corpo da idosa com sua katana, sem dó nem piedade, um movimento rápido, enquanto o corpo caia de joelhos ela retirou a espada e devolveu a sua bainha. O corpo ficou esticado sangrando no chão, deixando Yui com uma expressão de nojo.
Azami- Pronto, já matamos a velha. Agora vamos voltar para... — foi interrompida.
Ash- Porque vocês fez isso?! SUA VADIA! — andava na direção de Azami, seus punhos estavam cerrados, queria a esfolar viva.
Azami- Porque eu quis. — seus olhos estavam frios, mais do que nunca, queria provocar Ash. — E essa era nossa missão, vir e matar quem estivesse aqui! Aquela velha não era sua mãe, idiota.
Ash- Foda-se!! Quem é você para decidir quem vive e quem morre?!! – Toshio o segurava para a pior das hipóteses.
Leon- Ash, se acalma mano!! Se você continuar gritando desse jeito só vai atrair mais zumbis pra cá... — trazia razão à tona, observando o lugar que realmente se enchera de mais corpos podres andantes.
Ash- Ela podia não ser minha mãe, mas era igual a ela... — balbuciou sem chorar. — Minha mãe me deu esse colar quando entrei para a faculdade, — segurou o colar de prata nas mãos, ainda o deixando pendurado sobre o peito. — ela queria que eu me tornasse um bom homem, que tivesse uma família e que fosse alguém decente na vida... Mas ela teve câncer caralho! A melhor mãe do mundo, estava com seus dias contados. Eu não poderia perdê-la, entrei no mundo das drogas e bebidas, eu só encurtei o seu prazo de vida dela!! Eu sou um merda, não pude nem pedir desculpas pra ela, e quando eu a reencontro, me tiram ela de novo!! Você... Não... Devia... Ter... Feito... Isso!! — uma singela lágrima escorreu por seu olho. Uma lágrima que não expressava vergonha ou timidez de um homem chorar, pelo contrário, ela demonstrava todo o amor que sentia e simplesmente o deixava esvaziar.
Azami- Já disse que aquela não era sua mãe. — tornou a repetir sem o olhá-lo.
Yui- Azami, fica quieta poxa! — sentia pena de Ash, se enxergara nele de certa forma.
Ash se levantou, carregou a wing shooter, indo com ela apontada na direção de Azami, que estava com madeixas de seu cabelo castanho escuro nos olhos e ensanguentada de todas as formas possíveis. Um súbito momento de desespero se alastrou pelo galpão. O dedo de Ash já se movimentara em puxar o gatilho para trás, não teria mais escapatória.
Tudo que Azami enxergou no momento, fora alguém de cabelos loiros entrar em sua frente, tomando algo que era para si própria.
–X-
Leon- Yui!!! — gritou inutilmente correndo para socorrê-la.
Toshio- Puta merda... — suas mãos seguravam seu cabelo, apenas assistia a desgraça acontecer diante de seus olhos.
Yui já estava ferida na perna, tendo acabado de tomar um tiro certeiro no tórax agora. Toshio correu e deu uma pancada na cabeça de Ash com qualquer coisa que tinha em mãos, o homem caiu desacordado. Azami ficara parada com o mesmo olhar fri mesmo nesta situação, Leon estava fazendo massagens cardiorrespiratórios em Yui e respiração boca a boca.
Azami- Inútil. Ela já deve estar morta, ou vai morrer. — recolhia suas adagas atravessadas nos crânios dos zumbis, que estavam jogados pelo chão do galpão.
Leon- Para de ser negativa!! Yui... Yui acorda!!! — sua voz falhava, o susto do que acontecera quase lhe consumia.
Toshio apenas observava a cena encostado na parede, Yui tinha dado a vida pela Azami, e ela nem se importava com ela agora...
Yui- Leon? - tossia e falava com dificuldade, sangue escorria entre seus finos e delicados lábios, mostrando estar com hemorragias internas.
Leon- Você ainda não se foi!! — a abraçou — Eu faço qualquer coisa pra você ficar aqui! — prometia com lágrimas nos olhos.
Yui- Qualquer... Coisa? - seu tom de voz era falhado.
Leon- Qualquer coisa!!! — aproximou-se de seu rosto para ouvi-la melhor.
Yui- Me... Beija? - perguntou surpreendendo o loiro.
Leon nunca gostou de Yui dessa forma, não a ponto de beijá-la. Mas ela era importante para ele. Hesitou por um momento, mas não resistiu aquele rostinho angelical e aos olhos azuis dela. Em questão de segundos, seus lábios se encontraram, Leon estranhou o gosto de ferro do sangue que havia em sua boca, mas foi correspondido de imediato. As mãos de Yui envolveram seus cabelos curtos e loiros... Mas em menos de trinta segundos, elas perderam a força, sua boca parou de se movimentar, seu corpo ficou mais pesado e sua cabeça fora inclinada para trás. Era isso, o fim de Yui, que só pode agradecer a Leon, e balbuciou algo como tchau psico. A loirinha falecera nos braços do amigo, tendo seu último desejo realizado.
Azami- Ela me chamou de psico... ? — perguntou sem entender ao certo.
Toshio- Acho que é pra abreviar psicopata... — sugeriu.
Leon- Ela ainda não está morta... O vírus que tem na vacina também é transmitido pelo ar. — colocou seu corpo morto no chão, o som de sua voz saia sem emoção alguma.
Toshio- Como você sabe disso? — indagou.
Leon apontou para Esther que estava se levantando sozinha. Ele tirou uma das adagas do cinto na perna de Azami, e enfincou na cabeça da idosa. Depois limpou com uma das mãos o sangue e a colocou de volta sem se importar em estar sendo ousado. Suas ações estavam moles e sem força, realmente afetado pelo o que acabara de acontecer.
Azami- Nós temos que terminar com a Yui também...
Leon- Não! — exasperou-se. — Não vou deixar que matem ela um segunda vez!! — abriu os braços tentando protegê-la.
Azami- Então quando ela virar aquilo... Você mata? — perguntou simplesmente, já sabia a resposta.
Azami tirou o sobretudo que cobria sua perna direita da frente, retirou a mesma adaga que Leon acabara de usar, e foi em direção ao corpo da menina que ainda estava no chão. Leon tentou segurá-la pelos braços, mas foi inútil, pois ela se esquivou. Ao chegar no corpo de Yui, Azami se ajoelhou e cravou a adaga em seu crânio, não estava mais com o olhar frio de psicopata como de antes, mas era possível enxergar um sentimento de pena nos seus olhos. Limpou sua adaga com as mãos, e colocou novamente no cinto preso em suas pernas.
Azami- Toshio, me ajuda a pegar os micros-chips, e depois a gente arrasta o Ash e decide o que vamos fazer com ele... – saiu pela porta do galpão.
Azami e Toshio saíram do galpão que tinha marcas de sangue por todo chão e paredes, deixando Leon com os olhos fixos no corpo agora morto de Yui.
To be continued.
Notas finais
Bom gente, é isso aê! Gostaram? Não gostaram? Querem recomendar? Querem Favoritar? Sintam-se a vontade...
Ah, eu preciso de sugestões para o que fazer o Ash, então estou aceitando a opinião de vcs quanto a isso! ^^
Muito obrigada, logo logo vem o próximo baby... :*
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