Sangue nas Mãos, Zumbis na Terra
23 Mudados
Notas iniciais
Ér... Esse capítulo eu achei meio chocho sem sal e tempero. Me perdoem, mas adiantei um pouco das coisas, porque tive problemas com a dona criatividade para escrevê-lo.
E agradeço a alguns leitores antigos, que comentaram no capítulo passado, fiquei super feliz em vê-los ativos novamente XD
Era quase dia, e ninguém havia dormido com exceção de Azami que ainda não havia saído do choque e adormecera perto de Leon. Toshio levou Maya para fora da casa, saindo nas ruas da pequena cidade. Estava realmente sério.
Toshio- Estamos fodidos. — comentou simplesmente.
Maya- Porque? — riu disfarçando.
Toshio- Você viu como a Azami está? Mesmo quando ela tomou trezentas facadas na barriga e na coxa, não ficou desse jeito. — era assustador o que o arqueiro dizia, mas fazia sentido. — O olhar dela, me dói só de ver...
Riko- Não acho que isso seja preocupante. — se aproximou com Rin.
Maya- Aonde vocês foram? — olhou-os indiferente.
Rin- Alimentar o Chucrute! — sorriu, Riko afirmou com os lábios esticados também.
Toshio- Tanto faz. Mas o caso é sério... — cobriu seu rosto com o capuz da blusa.
Se sentaram na guia da calçada, e pensaram sobre o assunto.
Como algo tão inútil poderia feri-la tão facilmente? Ela apenas assistira tudo, foi tocada algumas vezes, mas isso não deveria abalar seu subconsciente, ainda era a mesma garota que matara seus pais e que deixou companheiros morrerem por si mesma sem piedade. Seria complicado, usar golpes marciais para sair do porão, ou usar a própria faca do policial para matá-los? Algo não se encaixava no acontecido com Azami e Beth.
-X-
Wally- Beth, se você precisar de qualquer coisa... — ofereceu ajuda, o rockeiro havia mudado de uns tempos pra cá.
Beth- Obrigada, — entregou-lhe o copo de água. você poderia achar o Gabe por mim? o menino assentiu, e foi procurar o cunhado da mulher pela casa.
Leon estava na cozinha, quando Azami deu seus primeiros sinais que estaria acordando. Beth o chamou ansiosa, todos esperavam que psico acordasse bem.
Tudo estava claro e embaçado. Franziu o cenho, procurando algo conhecido a sua volta. Não queria se lembrar da noite passada, foi seu pior pesadelo. Ainda com o olhar alterado, Azami levantou o tronco do tecido do sofá, se escorando com o cotovelo em algumas almofadas empoeiradas. Localizou algumas silhuetas conhecidas a sua frente, coçou os olhos na tentativa frustrada de desembaçar a visão.
Leon- Ei, melhorou? — se sentou ao lado da amiga.
Azami- Leon? — sibilou calma.
Beth- Azami, você está melhor? — tentou ajudar.
Azami- Beth?! — perguntou eufórica, se levantava do sofá. Eu que pergunto! preocupava-se. — Cadê aqueles... Aqueles... — suas mãos seguravam sua cabeça, e inutilmente resistia às imagens que lhe invadiam a mente. Imagens de Beth sendo violentada, imagens dos velhos lhe tocando e lhe assediando.
Leon- Deita aqui. — a abraçou por trás, enquanto se sentava novamente no sofá.
Beth a olhou angustiada. Mesmo sendo ela quem sofrera as piores consequências, um remorso lhe adentrava aos poucos. Azami era apenas uma garota de 17 anos, que sofrera metade da vida com situações piores. A mulher não se contentava em saber, que não havia perdido muito, já que não era mais virgem, e que tirando seu marido perdido, não sofreria com aquilo também pelo fato de ser estéril.
Mas psico não, a menina sempre fora marcada por essas coisas sujas, desde cedo. Cresceu e viveu até hoje com essas marcas, e muitas das vezes o seu ódio pela humanidade dava jus a esse motivo.
Azami- Ela vai ficar bem? — resmungou deitada no colo do amigo.
Leon- Ela está bem. afirmou. Só Dave que...
Azami- Morreu? — continuou.
Leon- Sim... — molhou o lábio atônito. — Me diz, porque você ficou tão abalada? Não foi contigo o que aconteceu. recebeu silêncio como resposta. Digo, você está melhor agora?
Azami- Sim. — levantou-se cambaleando. — Vamos partir agora, não quero ficar nesse lugar!
Vestiu seu sobre tudo, e agiu como se nada acontecera.
Leon pegou as mochilas de todos e depois entregou para cada um do lado de fora. O grupo se direcionou para o armazém de antes, para pegar o cavalo e chamar Wally que fora visto por lá com Gabe.
Chegaram ao lugar, prenderam suas coisas no novo companheiro de quatro patas. E seguiram por onde entraram. Gabe vinha por último, mais calado que o normal. Azami o acompanhava lado a lado.
Riko- Ér... Leon, pra que lado vamos? — quebrava o silêncio da estrada.
Beth- Vamos por onde a bússola apontar, sem mudanças desnecessárias. — cortou o rapaz.
-X-
Haviam recuperado suas armas na casa do velho, que fora imobilizado para tal ação. Wally decidiu usar uma arma conhecida do grupo, a wing shooter que já fora de Ash. O garoto rebelde era um insulto atirando, mas faria uma mísera diferença em lutas. O revólver de Dave, passou para sua esposa que aposentara o facão.
Não era meio dia, mas pararam para almoçar. Beth e Riko como sempre cozinharam enquanto o grupo levava conversas aleatórias.
Toshio- Eu nunca vou ensinar vocês a usarem o arco. — gabou-se. Afinal, foi feito por mim mesmo, não dividiria algo assim com vocês.
Rin- Para a Maya você já ensinou, né? — o menino de tapa olho ria descontrolado, fez o amigo e a irmã corarem bruscamente.
Wally- Isso é golpe baixo... — comentou rindo também.
Maya- Em minha defesa, afirmo que isso foi um caso diferente. Ele realmente estava me preparando e dessa vez não estávamos...
Toshio- Cala a boca, você só piorou. — seu capuz escondia o rosto ruborizado. — Não teve outras vezes. enfatizou suas últimas palavras.
Azami limpava a katana em um canto separado, mas se pôs alerta ao ouvir passos pesados vindo de suas costas.
Gabe- Sou eu. — disse fazendo a garota tirar as mãos das adagas, estava pronta para arremessar uma em um ataque.
Azami- Ah, oi. — voltou a se dedicar para a lâmina deitada em suas coxas.
Gabe- Serei direto. — sua voz saía fria. — A culpa foi minha?
Azami- Sobre a noite passada? — refletia mentalmente sobre essas estranhas palavras soadas.
Gabe- Sim.
Azami- Não duvido que isso esteja errado. — o assustou com suas palavras. — Não duvido que a culpa seja nossa. — devolveu a katana para a bainha, e levantou-se para ficar de costas. Seu sobre tudo voava com o vento, e levava seus cabelos medianos para o lado que soprava. — Eu poderia ter feito algo, você é grande e forte, também poderia ter feito algo.
Gabe- Entendo, mas...
Azami- Mas não devemos levar esse peso em nossos ombros. Estávamos tão assustados quanto a própria Beth. — seguiu para o lado movimentado, não pronunciou mais nenhuma palavra ao homem, sendo fria e calculista como de esperado.
Riko servia pães com carne, aproveitando o resto que tinham antes que apodrecesse. Rin sorria feliz em comer algo quente e gostoso, coisa que não fazia a muito tempo. Todos devoraram o lanche, não tinham carne sempre.
Wally- Poxa! Devia cozinhar mais vezes Riko... — a ruiva estremeceu tímida no lugar, não estava acostumada com elogios do garoto de bandana.
Terminaram de comer, e sem perder tempo voltaram a seguir o litoral, que ficava ao sul. Não encontraram muitos zumbis nesse período, o que lhes causavam calafrios só de pensar no por que. Talvez estivessem em uma manada, ou simplesmente estivessem todos comendo carne podre mais pra frente.
A segunda opção era a correta. Depois do almoço andaram mais um pouco, e se deparam com um grupo grande de zumbis. Devoravam incessantemente algo morto, era impossível de se reconhecer aquilo. Suas víceras estavam caídas para fora de forma que os bichos abriam o estômago da coisa a força.
Muitos sentiram o lanche dali de trás, subir na garganta. Engoliram em seco, não poderiam perder comida.
Toshio- Que comece o ataque. — abasteceu seu arco com uma flecha, e já a apontava para um cabeça-mole.
Beth parecia diferente. Antes ela só agia se fosse realmente necessário, dessa vez, saiu atirando antes mesmo de Leon ou Azami.
Psico não estava interessada na carnificina, ficou de longe arremessando a kunai ou algumas adagas às vezes. Wally se dava bem, usando pela primeira vez uma arma de boa potência, mas quase sempre acertava mais o ombro do zumbi.
Com todos agindo, inclusive Gabe e Beth que descarregavam seus extintos escondidos nos bichos, exterminaram aquela manada rápido o suficiente para voltarem ao caminho e pegar o sol forte do meio dia.
Leon- O que te aconteceu lá atrás? — diminuiu seus passos para poder acompanhar Azami.
Azami- Eu só não quis me divertir. — respondeu séria. — E que porra! Me deixem em paz, já falei que estou melhor. Vocês ficam todos preocupados, e eu odeio ser a atenção.
Gabe- Leon, deixa ela. — se aproximou vindo de trás. — Ninguém odeia mais tudo isso, como ela.
O médico assentiu com a cabeça, mas seus pensamentos eram diferentes. Porque um cara que acabaram de conhecer, defendia Azami? Ele, Leon Midore, cresceu com a amiga, somente ele a entenderia, e somente ele deveria entendê-la. Sentiu uma pequena chama de ódio acender em si, ódio por não a compreender melhor que um cara, que se juntou a equipe a menos de um mês.
-X-
Anoiteceu, e montaram o acampamento em um conjunto de árvores. Toshio ficaria de vigia junto de Wally. Jantaram, conversaram um pouco e depois adormeceram. Alguns jogados pelo chão cheio de folhas, outros em seus sacos de dormir.
Leon e Azami permaneciam acordados, estavam cada um em um extremo do monteiro de gente dormindo. Psico se concentrava em contar as estrelas, um segredo, toda noite antes de dormir e depois acordar soando com seus pesadelos, contava as estrelas céu escurecido. Já o loiro, olhava o fogo queimar a lenha. Era incrível como tudo funcionava a base de química, seus olhos brilhavam só de pensar que sabia todos as composições daquilo.
Ouviu um barulho de pessoa se levantando, e se fez de dormente. Os passos que quebravam galhos e amassavam folhas secas somente se aproximavam, quem seria?
Um cheiro absurdamente familiar inundou seu olfato, e logo duas mãos pesaram seu tórax, e foram balançadas no intuito de acordá-lo.
Azami- Leon? Leon, acorda! — a garota cochichava.
Leon- Estou acordado. — sorriu brincalhão.
Azami- Maldito. — se sentou ao lado dos panos do amigo. — Eu quero que você venha comigo.
Leon- Pra onde? — indagou sério.
Azami- Ouvi barulhos de mar. olhou para dentro da mata. E antes de chegarmos aqui, vi uma árvore grande, podíamos subir nela e verificar se estou certa.
O médico estremeceu antes de aceitar a proposta. Talvez fosse possível ver a brisa do mar de noite, mas não enxergá-lo visivelmente. Caminhavam lentamente, não tinham pressa. A noite era agradável, provavelmente estariam no verão. Azami vestia sua camiseta GG, que sempre usava para dormir e o rapaz vestia apenas calça moletom.
Toshio e Wally os viram caminhando para dentro da mata sozinhos, e trocaram sorrisos maliciosos. Só pensavam besteiras depois disso.
Leon- Eu estou escutando... — sorriu enquanto falou. — O mar está perto!
Azami- Eu disse. — não alterou sua expressão. — A árvore era pra estar aqui...
Encontraram um toco de árvore cortada, seu tronco devia ser realmente grosso antes. Mas não era somente essa árvore que estava dessa forma, se olhassem ao redor, havia incontáveis tocos, e folhas caídas em excesso.
Os amigos se entreolharam. Como uma árvore que viram antes de escurecer, havia sido cortada tão próximo deles, e não havia sido feito barulho algum?
Leon- Azami, olha pra lá. — apontou para uma trilha de árvores cortadas, era possível enxergar uma luz.
Correram seguindo aquela direção. Não estavam preocupados em se perder, o caminho não era longe e difícil de ser voltar. Leon calçava apenas um chinelo, e ao encontrar um chão diferente, o atolou em algo úmido e áspero, sentindo grãozinhos pequenos lhe invadirem os vãos dos dedos.
Azami- Isso é areia! — abaixou e recolheu um montoado com as mãos.
Leon- E aquilo é uma... — franziu o cenho enxergando além do que era possível de noite. — Ilha.
Viram então, uma montanha no meio do mar com luzes e barulhos de música. Voltaram ao acampamento assim que terminaram de contemplar aquela visão magnífica, do único lugar a salvo do país.
To be continued.
Notas finais
E se houver qualquer erro, de gramática ou de digitação, me informem para que eu arrume, não tive tempo de betar... ¬¬
vlwflw, :*
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