Sangue de Fênix: A chama da última dinastia
5 Capítulo 4 - Qual o sentido disso?
— É uma honra contar com a presença de vocês nessa noite tão nostálgica... Vinte e um de abril — O rei suspira antes de completar — Essa seria a noite de aniversário da minha Mirannae...
— Princesa Mirannae, que descanse nos céus em santa paz — O coral dos nobres foi quase melódico.
Um grasno cortou o ar, o imperador franziu a testa.
— O que...
A Imperatriz viúva, levantou-se do trono que parecia esculpido por folhagens de prata.
O vestido cinza reluzindo contra a luz azulada do lustre, uma risada engasgada por uma tosse.
— Parece que o reino animal veio prestar sua homenagem
— Já fui agraciado com a presença do animal, minha avó — brincou Eryndor.
— Era só o que faltava, por favor, guardas, peguem o ganso — a voz tinha um tom entediado, os dedos do jovem ajustam os botões azuis escuros da camisa.
Os cabelos dourados, olhos azuis cristalinos, lábios arco do cupido numa curvalhina de seriedade.
— Entendido, príncipe Herdeiro
Eryndor revira os olhos antes de se voltar para o irmão mais velho.
— Você leva tudo muito à sério, Cassian
— Em compensação você não leva nada a sério, não está na hora de criar juízo, um noivado quem...
A risada de Eryndor ressoa
— Vou aceitar os conselhos de meu irmão de vinte e seis anos que é solteiro desde o ventre, claramente, entendes muito de relacionamentos
Aurelian franze as sobrancelhas.
— Parem vocês dois, será possível que não param de brigar até mesmo no aniversário de Mirannae?
— Talvez porque Mirannae está morta — Uma voz cortou o ar, gélida, rouca.
O rapaz tinha cabelos longos, ruivos alaranjados, olhos azuis acinzentados, destacando o traje azul ciano.
— Seus comentários são sempre pertinentes, Lysander — ironizou Eryndor.
Os guardas se dispersaram entre os convidados.
O líquido vermelho do copo de Kaien se movia na sincronia dos movimentos daqueles homens, olhos se estreitando pela multidão.
Uma oscilação no peito o fez cambalear.
No instante em que os olhos cruzaram com aqueles azuis acinzentados, como uma tempestade de inverno que aquecia ao invés de gelar.
Naquele instante, Lirien franziu o cenho, inclinou a cabeça.
Ela arfou por um milésimo segundo — o que não era de seu feitio.
Sentiu algo como... Reconhecimento?
O grasno estridente a fez sobressaltar, foi subitamente tirada daquele devaneio.
Lirien se dispersou atrás do animal, passos suaves, porém apressados.
Kaien ergueu o pescoço, tentou passar pelas inúmeras pessoas.
No entanto, os saltos e gritos alvoroçados por conta do ganso não lhe permitiram.
— Pelo visto o problema de hoje é penoso — A voz suave dá ênfase na letra"r"
O homem esguio de smoking violeta, sobretudo negro e peruca branca trançada.
Os nobres gargalham.
— O que acham de darmos início à apresentação?
Os aplausos ecoam, assobios e gritos de euforia dançando no ar.
— Preparamos essa peça em homenagem à saudosa princesa Mirannae, que infelizmente não está mais nessa terra...
Vinho foi de encontro ao traje de Cassian, como um lamaçal.
O nobre que esbarrou nele estava com o rosto branco, tinha acabado de tropeçar no ganso.
— P-Perdão alteza, e-eu...
— Tudo bem, vou aos meus aposentos, com licença
Lirien passou por eles, por pouco não esbarrou no príncipe.
Uma melodia suave ressoa, a mão de Lirien congela no ar, o peito apertando.
Ela franziu o cenho e olhou por cima do ombro.
Uma garota de máscara rosa metálica, sorriso brilhante, saia de penas e corset rosa metálico, repleto de botões.
A mascarada jogava os braços no ar, penas de ganso voando ao seu redor dela
Os olhos de Lirien estremeceram por um instante ao fitar o palanque.
— Oh, que dia esplendoroso — exclamou a atriz, antes de colocar a mão no peito — mamãe, papai, podem me levar à cascata luz do sol?
O rosto do rei empalideceu, a mandíbula de Eryndor travou.
Meiyu estreitou os olhos, mãos para trás ao se aproximar do príncipe e sussurrar:
— Quer que eu os mande parar?
— Não. Quero ver até onde a ousadia dessa gente vai...
Ela assentiu, baixou o olhar.
Kaien fechou o punho, estava desacreditado na encenação que estavam fazendo.
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