Sangue de Fênix: A chama da última dinastia

6 Capítulo 5 - Doce e cruel melodia


— Foi na cascata de luz que ela se foi. — A atriz pressiona a mão contra o peito, inclinando o corpo para trás.


imperador trava a mandíbula, o olhar da imperatriz viúva falhou.


Água jorrando em esguichos ao redor da atriz.


Dançarinas jogando seus lenços rosa quase translúcidos no ar, saltando em sincronia, como cinses negros numa coreografia cruel.


— Foi como um rio jorrando de dor, as flores nunca pôde enxergar, ai, ai, adeus Mirannae — a atriz arrastou a melodia nesse verso.


Os dedos de Lirien se enrijeceram, tremendo contra o peito, lábios tensionados.



Penas dançando ao redor da atriz, Lirien baixou o olhar.


Ela segurou a barra do vestido e passos pesarosos pela primeira vez esquecendo da discrição.


Talvez estivesse apenas abismada com o desrespeito da companhia de teatro, talvez quisesse apenas pegar o ganso e voltar para a cozinha ou... Talvez nem ela mesma entendesse.


— Oh, oh, oh...


Oh, oh, oh...


Oh, oh, oh... — O coro atrás da atriz é harmônico, quase como uma orquestra.


Kaien estreita os olhos, mandíbula cerrada, os olhos correndo entre os rostos perplexos dos convidados.


Mas não encontrou o único par de olhos que, por alguma razão, necessitava ver.


Ele esticou o pescoço, virou-se, passos rápidos, quase inaudíveis.


— Quando a lua recua no mar, é a princesa a nos assombrar, ai, ai, ai, adeus Mirannae. Foi na cascata de luz que ela se foi. — A voz da atriz saiu mais fina, o piano escalando numa nota mais alta e potente.


Eryndor fechou os olhos com força, mandíbula travada, punho cerrado, um simples passo à frente parecia estremecer levemente o lugar.


Meiyu segurou o punho dele discretamente, os dedos pressionando o dorso da mão.


Ele a olha de soslaio, baixando brevemente o queixo na altura dos olhos dela.


Meiyu ergueu o olhar, sussurrou:


— É isso que eles querem... Que a família imperial perca o controle... Fique quieto, posso lidar com isso assim que ela terminar com esse atentado à audição alheia


— Foi como um rio jorrando de dor, as flores nunca pôde enxergar, ai, ai, adeus Mirannae — O coro teve uma sincronia sádica.


Aurelian recuou, a mão no peito, olhos fulminantes.


O coro continua sem dó:


— Oh, oh, oh...


Oh, oh, oh...


Oh, oh, oh...


Quando a lua recua no mar, é a princesa a nos assombrar.


Ai, ai, ai, adeus...


A atriz puxou o diafragma, cada nota saindo mais alta:


— MI... RA... NNAE


Um estalo de língua ressoa, seguida por um brandir de espada


— É muita coragem vir ao palácio imperial e cantar algo assim sobre a princesa — a voz de Cassian saiu baixa, amarga — parece que a família Thorne não tem medo da morte



Ao mesmo tempo, no jardim dos fundos, um grasno cortou o ar, penas voando no ar.


— Te peguei! — Exclamou Lirien, agarrando o animal, arfou brevemente — Você tinha que entrar no salão de baile, não é?


O ganso grasnou.


A jovem ri.


— Não te culpo, também não gostaria de virar guisado


Uma risadinha abafada escapa por trás dela, Lirien enrijece as costas.


A jovem fecha os olhos, se vira abruptamente e faz uma reverência, ainda segurando o ganso.


— A senhorita ia cozinhar seu animal de estimação?


— Não é meu animal de...


Ela ergueu o olhar e então percebeu.


Era ele, seus olhos tinham se cruzado à pouco no baile.


No entanto, ela notou... O símbolo de fênix em chamas circulares na roupa, na espada...

Lirien comprimiu os lábios.


— Sou apenas uma criada, desculpe se acabei o importunando


Ela não precisou de muitos segundos para perceber que aquele homem fazia parte da ordem da Fênix.


Lirien queria falar o mais breve possível e se retirar daquele jardim de uma vez