Sangue Maldito
20 Sobremesa
Notas iniciais

Entrei na mansão com estardalhaço e logo todos estavam no hall de entrada me encarando. Dei um passo para trás e fiquei encostada na porta, dei uma olhadela para o Shu e outra para o Reiji. Eles nunca foram felizes?
– Onde você estava? – Reiji perguntou com raiva. Eu encarei-o intrigada, de tantos jeitos para ele reagir ao que a mãe dele fazia ele escolheu o pior.
– Eu estava andando pelo jardim e acabei perdendo a hora. – menti usando o tom mais calmo que consegui.
– Mentira. – Subaru me desmentiu. – Eu estava no jardim e você não estava lá. – acrescentou. Muito obrigada, Subaru!
– O que você está escondendo, Jujuba? – Ayato perguntou estreitando os olhos.
– Nada. Eu estava na parte abandonada do jardim. – respondi ríspida. Eu mal conseguia olhar na cara do Ayato.
– O que você estava fazendo lá, Muchi-chan? – foi a vez do Laito me interrogar. Quê isso agora? Eles tiraram a noite para me encher o saco?
– Estava tendo um encontro com o meu namorado secreto. – respondi ironicamente. – Nós nos divertimos muito e eu até o deixei brincar comigo, se é que você me entende! – acrescentei dando um sorriso malicioso. Não estou com a menor paciência para ficar respondendo a um interrogatório.
– Ah, é? – Laito falou com um sorriso travesso entrando no meu jogo. – E o que vocês fizeram? – eu andei até ele e coloquei meu indicador no peito dele.
– Eu não vou entrar em detalhes. – falei enquanto descia meu indicador até o umbigo do Laito. Eu me afastei dele. – Eu não sei vocês, mas eu estou morrendo de fome! – anunciei e comecei a andar em direção à sala de jantar. Os seis estavam um pouco atônitos pelo modo como eu agi, dei uma risada baixa, parece que minha tática para desviar a atenção deles sobre o que eu estava fazendo na parte abandonada do jardim deu muito certo... A partir de hoje essa será minha distração oficial!
Entrei na sala de jantar e Yui estava lá sentada comendo sozinha, me aproximei e sentei ao lado dela. Será que ela sabia do passado dos meninos? Eu não posso ter certeza de nada, afinal eu só estava sabendo do passado de alguns deles porque um fantasma me contou e não eles, resolvi perguntar.
– Yui-san, você sabe alguma coisa sobre o passado dos irmãos Sakamaki? – questionei baixinho para o caso de alguém já ter entrado. Ela me olhou intrigada por um momento e respondeu baixinho assim como eu.
– Sim, eu sei.
– O que vocês estão cochichando aí? – Ayato perguntou desconfiado. Putz! Que vampiro intrometido!
– Não é nada demais, Ayato-kun. – Yui fez o grande favor de responder por mim. Todos se sentaram à mesa, sendo que Laito ficou do meu lado que estava disponível. Comecei a comer imediatamente, a comida estava uma delicia, era uma sopa de abóbora de entrada, o prato principal era bacalhau ao molho branco e a bebida era suco de morango.
– Você está mesmo com fome. – Subaru falou me olhando com um sorriso de canto, era a primeira vez que eu o via sorrir.
– Depois de passar sei lá quanto tempo sem comer acho que eu tenho esse direito, não é! – retruquei retribuindo o sorriso. Logo terminei de comer e percebi que Edgar estava saindo da sala para pegar as sobremesas, foi então que me lembrei do Petit Gateou que eu havia feito mais cedo. – Me deem licença um minuto. Por favor, não saiam da mesa. – falei e me levantei indo em direção à cozinha.
– Tora-san, o que faz aqui? – Edgar perguntou ao me ver entrar na cozinha.
– Eu vim pegar a sobremesa que eu fiz. – respondi com um sorriso.
– A senhorita fala dos bolinhos que encontrei em cima do balcão?
– Sim, você poderia me ajudar a arrumá-los, por favor. – pedi gentilmente.
– É claro, Tora-san. – aceitou e começou a pegar pratinhos e bandejas, eu peguei os bolinhos, o sorvete e uma calda de chocolate e fui arrumando cada pratinho. Ao terminar peguei um deles e estendi para Edgar.
– Este é seu, Edgar-san. – falei.
– Eu não posso, senhorita. – recusou, eu o olhei em reprovação e ele rapidamente pegou o pratinho.
– Ótimo! Você pode ficar aqui, eu vou servi-los. – avisei e peguei a bandeja com a sobremesa. Voltei até à sala e todos olharam para mim, eu sorri e andei até a mesa, comecei servindo a Yui.
– Por que você está fazendo o trabalho do mordomo? – Reiji perguntou irritado.
– Porque já que fui eu quem fez essa sobremesa achei melhor servi-la eu mesma. – respondi calmamente. Reiji, Ayato, Laito e Subaru me olharam surpresos e dei um sorriso.
– Isso está muito bom, Tora-chan! – Yui exclamou com satisfação depois de provar um pedaço do Petit Gateou. Eu sorri e voltei a servir os doces, coloquei um no meu lugar, depois um no do Laito, aí foi a vez do Kanato, depois Reiji, Ayato e Subaru. É óbvio que eu pulei o Shu porque ele já havia comido o dele. – Por que o Shu-san não ganhou, Tora-chan? – Yui me perguntou.
– Ele já comeu o dele hoje mais cedo. – respondi e me sentei no meu lugar para comer o meu Petit Gateou.
– Muchi-chan, você devia cozinhar mais vezes. – Laito falou fazendo uma cara de prazer ao comer um pedaço da sua sobremesa.
– Da próxima vez você faz takoyaki, Jujuba! – Ayato pediu, o modo como ele falou parecia mais uma ordem. Preferi não responder para não acabar arrumando uma briga.
– Realmente, você conseguiu fazer uma sobremesa adequada. – Reiji me elogiou, embora de um jeito estranho. Eu apenas sorri.
– Tora-chan, você terá que fazer doces para mim e para o Teddy sempre. – Kanato disse me olhando e me fazendo lembrar do beijo que ele me deu, eu corei e resolvi perguntar se o Subaru havia gostado.
– Você gostou, Subaru-kun?
– Para mim tanto faz. – respondeu desinteressado. Eu suspirei e senti uma enorme vontade de ver por que Subaru ficou do jeito que está.
– Estou feliz por vocês terem gostado da minha sobremesa. – disse com um enorme sorriso, aquele parecia um daqueles raros momentos em que eles não estavam sendo sádicos. – Se vocês quiserem eu posso cozinhar para vocês de vez em quando. – ofereci corando.
– É uma ótima ideia! – todos os irmãos responderam juntos e eu e Yui demos risada juntas. Havia algo no que estava acontecendo nessa mesa de jantar que me deixava muito feliz.
– Você vai ser minha parceira, Yui-san? – perguntei para ela com um sorriso, eu queria que ela fizesse parte desses momentos.
– Eu não sou tão boa cozinheira. – disse ela corando de vergonha. Eu peguei a mão dela e sorri em incentivo. Ela me olhou e sorriu. – Tudo bem, vamos ser parceiras.
– Com licença, Reiji-sama. – Edgar falou entrando na sala de jantar com uma bandejinha na mão, parecia que havia uma carta ali. – Essa carta acabou de chegar, é do senhor Tougo. – informou para Reiji. Quem diabos era Tougo? Reiji pegou a carta rapidamente e começou a lê-la.
– Quem é Tougo? – sussurrei para Yui não querendo atrapalhar a leitura do Reiji. Yui se virou para mim e respondeu-me.
– Tougo Sakamaki é o pai deles.
– O pai deles não é o Karl Heinz? – questionei completamente confusa. Que enrola era essa?
– O pai deles tem dois nomes. – Yui explicou calmamente.
– O que foi dessa vez, Reiji? – Shu perguntou entediado. Eu voltei minha atenção para o Reiji que estava com a expressão enfurecida, parecia que estava prestes a matar alguém. O que foi que o Karl fez dessa vez?
– Nosso pai – Reiji disse a palavra “pai” com um nojo extremo. – está mandando os Mukami para morar conosco.
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