Sangue Maldito

44 Segundas Intenções


Notas iniciais
YOOOOOO! ^w^ Como vocês estão, my crazys?! Espero que estejam preparadas para reta final dessa super maratona!! ^-^ E espero, também, que tenham aproveitado bastante todas essas novidades!! ^-^ Desde já agradeço o carinho que Angel-san, Samiris-san, Pika-san e Thamyres-san reservaram à essa maratona, sempre comentando em todos os capítulos, mesmo em um curtíssimo espaço de tempo de postagem entre um e outro! Eu adoro vocês!! ^-^ XOXO, Natia-sama

Saí da torre, deixando todas as portas abertas para que Christa pudesse sair quando quisesse. Passei pelo jardim prestando mais atenção a todos os detalhes, já que eu pretendia começar a arruma-lo o mais rápido possível, eu só precisava arranjar alguns materiais e explicar tudo para a Yui, o difícil era ela acreditar.

Cheguei a parte ajeitada do jardim e segui em direção a uma torneira que havia ali, eu precisava limpar essa mordida e todo o sangue que havia escorrido dela para o meu corpo. Encaixei a mangueira na torneira e decidi que ao invés de só limpar o sangue iria era tomar um daqueles banhos de mangueira que a gente acha tão divertido quando ainda é criança.

Tirei os sapatos e a blusa para usa-la como toalha depois que terminasse e fiquei só de sutiã e short mesmo, nem me importava mais com isso já que praticamente todos os moradores dessa casa já me viram de roupa íntima e os que não viram poderiam ver agora se estivessem interessados.

Liguei a água e coloquei a ponta da mangueira próxima ao meu pescoço, a água estava um gelo foi um alivio quando molhou meu machucado dolorido, só que quando escorreu para o resto do meu corpo eu comecei a pular e correr pelo jardim todo.

– Gelada, muito gelada! Ah, meu Kami-sama! – gritei, mesmo assim continuei me molhando com a ponta da mangueira sobre minha cabeça. Continuei pulando e rindo, espalhando água por tudo quanto é lado. – Isso é muito legal! – falei fazendo chuvinha com a água da mangueira.

– O que você está fazendo, sua imbecil? – Yuma perguntou com raiva, acho que era porque eu estava molhando todo o jardim.

– Hum, tomando banho de mangueira! – respondi com ironia. Eu estava ciente do meu poder naquela situação, será que o Yuma estava?

– Pare já com isso! – ordenou irritado.

– Me deixa pensar... Não! – respondi dando uma risadinha. Ele cerrou os punhos e começou a marchar até mim, quando estava a um metro eu esguichei água molhando-o, ele parou e me olhou de um jeito assassino.

– Você não sabe o erro que cometeu. – disse ameaçadoramente, eu dei um passo para trás e ele um passo para frente, então joguei a mangueira na cara dele e saí correndo. Aposto que ele estava todo encharcado, fiquei imaginando a cara dele e não consegui conter o riso. – EU VOU TE PEGAR! – urrou furioso. Eu olhei para trás e o vi correndo até mim, ainda bem que ele preferiu não usar os poderes, como ele ainda estava um pouco longe eu parei e fiz a típica zoação do pega-pega.

– Nananana não me pega! – brinquei com os dedões da mão apoiados nas bochechas e os outros dedos chacoalhando, além da típica língua para fora. Logo voltei a correr quando percebi que ele acelerou devido a minha provocação, uns segundos depois eu senti os dedos dele roçarem o meu braço. – Kyaaaaa! – gritei acelerando ainda mais.

Nós dávamos voltas e mais voltas pelo jardim, era muito divertido, pois toda vez que ele estava quase me alcançando eu acelerava mais e conseguia fugir dele. Só não consegui entender o motivo dele não querer usar aquele poder de aparecer e desaparecer em qualquer lugar. Comecei a ficar cansada com toda aquela correria e já não conseguia mais manter o ritmo, então no fim das contas o Yuma pulou em cima de mim e nós caímos no gramado.

– Eu disse que iria te pegar. – sussurrou com um sorriso perverso. Eu estava ofegante, meus pulmões imploravam por ar e meu rosto estava muito quente e muito vermelho, ainda bem que hoje estava bem friozinho se não eu estaria molhada de suor. Esperei alguns segundos para responder.

– Você poderia ter usado aquele negócio de sumir e aparecer onde quiser, acho que o nome é teletransporte. – falei com dificuldade, minha visão havia ficado um pouco embaçada por causa da queda e só agora ela resolveu voltar ao normal, então só agora eu vi o deus grego que estava à minha frente.

É claro que o Yuma já era bonito antes, no entanto com o cabelo solto e todo molhado e com aquele sorriso maligno ele havia se transformado na perfeição em pessoa, eu devia estar boquiaberta com aquela maravilha bem ali.

– Eu poderia, mas era muito mais vantajoso para mim te deixar cansada e sem forças para lutar contra mim. – respondeu debochadamente. Ei, isso foi golpe baixo! Como eu não percebi as segundas intenções dele? Só que se ele queria brincar, nós íamos brincar.

– Se você tivesse soltado o cabelo antes tenha certeza que ao invés de correr de você eu teria corrido até você. – falei com um sorriso de canto. Yuma estreitou os olhos.

– Você se acha muito esperta, não é? – disse com escárnio.

– Só um pouquinho. – retruquei dando de ombros. Ele balançou a cabeça com irritação e se inclinou em direção ao meu pescoço, como ele estava indo bem para o lado da mordida do Subaru cerrei os olhos muito antes dele sequer me tocar.

– Quem fez isso? – Yuma perguntou irritado. Eu abri meus olhos e o encarei.

– Eu mereci que fizessem isso comigo, então tudo bem é só morder o outro lado. – respondi de forma neutra. Ele segurou meu queixo e virou minha cabeça para deixar a ferida mais a mostra, logo tocou no machucado. – Itai!

– Foi o Subaru. – afirmou seguramente, acho que não devia ser muito difícil identificar as mordidas do Subaru. – Por que você disse que mereceu isso?

– Bem, eu com certeza merecia algo muito pior por ter roubado o que roubei e quando ele descobrir terei meu castigo. – respondi calmamente, como se eu estivesse completamente tranquila por saber que iria levar uma punição daquelas.

– Você roubou algo do Subaru? – questionou com divertimento. – O que foi que você roubou que vai lhe render um castigo tão severo?

– Roubei o colar dele. – falei e ele me olhou confuso como se estivesse dizendo: “para quê você quer o colar dele?”. – Eu precisava daquela chave. Etoo, será que antes de você me obrigar a te contar o motivo de eu querer a chave a gente pode sentar? – perguntei apertando os lábios, nossa posição não estava lá muito confortável para conversar. Yuma se levantou e, podem ter um infarte agora, me estendeu a mão, olhei para ele incrédula, mas aceitei a ajuda.

– Oe, você está sem ataduras. – afirmou o óbvio.

– Pois é, você só percebeu agora? – perguntei erguendo as sobrancelhas. Yuma ignorou o que eu disse e me puxou para mais perto dele, então olhou para o meu corpo de forma minuciosa.

– Então foi isso que aconteceu. – disse concentrado nas linhas rosadas espalhadas por todo o lado esquerdo do meu corpo.

– O que aconteceu? – perguntei em desafio.

– O Ayato te colocou na Dama de Ferro, mas pelo que estou vendo só fechou a metade. – respondeu convencido, não era justo ele acertar tão na mosca assim. Eu suspirei tristemente. – O que você fez para ele tentar te matar? – perguntou, nossos rostos estavam tão próximos que eu podia sentir o hálito dele, tinha cheiro de açúcar.

– Você sabe... – falei completamente hipnotizada por ele. – Feri o... enorme ego que ele... tem... – eu estava tão vidrada no Yuma que só conseguia falar pausadamente. Gente, como é que o Yuma podia ser tão bonito? Essa pose que ele tem o deixa tão sexy!

– Qual seu problema? – perguntou fazendo cara de bravo. Continuei encarando-o sem dizer uma única palavra, meu deslumbramento deveria ser bem óbvio.

Então, sem que nenhum de nós tivesse consciência do que estava fazendo, acabamos nos beijando. Nossos lábios se tocaram, o quente e o frio se mesclando, Yuma agarrou meus cabelos com uma mão e com a outra puxou minha cintura fazendo nossos corpos colarem, a essa altura eu já estava completamente arrepiada e segurava o cabelo dele com força.

A língua dele pediu passagem, que eu não hesitei em dar e logo senti o gosto açucarado da sua boca na minha, tão delicioso que eu precisava de mais. Fiquei na ponta dos pés e o puxei ainda mais para mim, nossas línguas dançavam freneticamente enquanto nosso beijo se tornava cada vez mais feroz, tão feroz que Yuma acabou mordendo meu lábio com força demais fazendo-o sangrar.

– Yuma-kun, se controle! – pedi com uma voz suave.

– Não dá, você é deliciosa demais para isso. – retrucou com um sorrisinho suspeito. Sorri de canto e falei.

– Você também. – sem esperar resposta o puxei para um beijo ainda mais feroz que o primeiro. Yuma também não era uma pessoa muito controlada e logo nós estávamos deitados no gramado novamente, ele separou nossos lábios e foi beijando e dando chupões no meu pescoço até o meu ombro, onde mordeu tão delicadamente que eu nem sequer senti dor, fiquei acariciando os cabelos dele e dei graças por estarmos em uma parte bem escondida do jardim, pois assim ninguém iria nos achar. – Yuma-kun, algum dia você me conta mais sobre você? – perguntei e no momento em que terminei ele parou de me morder e se apoiou sobre os cotovelos me encarando.

– O que você quer saber? – questionou calmamente. Quê? Isso está sendo fácil demais, aposto que tem alguma segunda intenção. De qualquer forma é melhor eu não perder a chance.

– Qual sua comida favorita? – comecei pela mais simples. Yuma saiu de cima de mim e se deitou ao meu lado usando os braços como travesseiro.

– Cubos de açúcar. – respondeu fitando o céu. Eu fiquei de lado e apoiei a cabeça sobre o cotovelo.

– Ehhhh, sério? Que coisa estranha. – falei espantada, não entendia como a comida favorita de alguém pudesse ser cubos de açúcar, embora isso explicasse o gosto que ele tinha.

– Se você acha que minha comida favorita é estranha, espere até saber a do Azusa. – retrucou meio irritado e meio divertido.

– Por quê? Qual é a comida preferida do Azusa-kun? – questionei curiosa.

– Pensei que você quisesse saber sobre mim. – disse secamente sem me olhar.

– Ah, gomen! – desculpei-me rapidamente e voltei às perguntas. – Qual é seu hobbie?

– Pensei que isso fosse óbvio.

– Tem razão, essa pergunta foi muito idiota. – disse rindo. – Deixe-me ver... Hum... Qual a sua história? – finalmente cheguei à pergunta a qual eu mais queria saber a resposta. Só então Yuma olhou para mim, parecia que ia explodir a qualquer momento quando de repente ele volta ao semblante desinteressado e calmo.

– Quer mesmo saber sobre isso?

– É claro que quero, tudo sobre vocês me interessa. – respondi com segurança, não havia mais nada no mundo que eu quisesse saber tanto quanto o passado desses vampiros.

– Certo, então vem cá! – chamou para deitar-me mais perto dele, apoiei minha cabeça no ombro dele e seu braço apertava minha cintura. – Eu era um humano, assim como você. Mas não tenho lembranças dos meus pais, só sei que eles morreram em um incêndio e que eu perdi a memória enquanto tentava salva-los. Acabei me tornando o seguidor de uma gangue de rua, era época de guerra e o líder da gangue precisava roubar comida para dar aos seus seguidores e seu sonho era um mundo onde todos são livres e iguais, não há classes sociais ou lacunas. Ele queria tirar os políticos e aristocratas do seu estado de corrupção, a fim de purificar este mundo de sua imundície. – o jeito como Yuma falava do líder da gangue dava a entender que ele o admirava bastante. – No entanto, os militares acabaram indo para a cidade com tanques e tropas.

– Deixe-me adivinhar. – o interrompi. – Os militares encontraram a gangue de vocês. – conjecturei irritada, esse mundo está mesmo decaindo cada dia mais.

– Sim, e eles mataram todos, menos eu que fui levado para um orfanato. Eu conheci primeiro o Kou, acabei ficando na cela de castigo por bater em uns idiotas que insultaram minha gangue e Kou estava lá. Depois eu conheci o Azusa e o Ruki que de certa forma se tornou nosso líder e elaborou um plano para escaparmos do orfanato, ele havia definido um tempo, mas eu acabei sendo pego em uma discussão com um garoto que ficou me dizendo que eu era alguém chamado Edgar. – espera, ele disse Edgar? Esse não era o nome do amigo do Shu? Era muita coincidência para uma pessoa só.

– Escuta, você não se lembra de nada antes do tal incêndio, não é? – perguntei interessada.

– Não, mas para quê você está perguntando isso? – retrucou desconfiado.

– É besteira, pode continuar. – falei fazendo pouco caso. Eu iria investigar direitinho essa história do Yuma poder ser o amigo de infância do Shu.

– Bem, de qualquer forma o plano seguiu como combinado e Kou pôs fogo em um quarto qualquer para distrair os guardas, nós conseguimos escapar, porém somos caçados pelos funcionários e acabamos sendo baleados e arrastados de volta para aquele inferno. Pouco tempo depois Karl Heinz apareceu para cada um de nós com a proposta de uma segunda chance de vida como vampiros, lógico que aceitamos e ele nos transformou e nos levou para uma mansão. Depois disso nós seguimos com nossas vidas como vampiros. – finalizou.

Eu fiquei alguns minutos tentando assimilar o que ele acabara de me dizer, não conseguia acreditar que eles eram humanos e que ainda por cima o Karl Heinz havia salvado eles daquela prisão chamada orfanato. Perguntei-me o que eles fariam se descobrissem que eu pretendia matar o Heinz se ele não pedisse perdão sincero às almas das esposas.

– E-eu ainda não consegui assimilar direito, mas eu não consigo entender o porquê de pessoas boas sofrerem tanto. Esse mundo não é justo e só piora a cada dia! – comentei com revolta.

– Pessoas boas? – Yuma perguntou com uma sobrancelha erguida.

– Sim, você é uma boa pessoa, só não é um bom vampiro! – respondi com sarcasmo. Ele subiu em cima de mim e sorriu perversamente.

– É exatamente por não ser um bom vampiro que você vai me dar algo em troca de ter te contado meu passado. – disse com divertimento. Eu sabia que tinha segundas intenções por trás dessa facilidade toda!

– O que você quer, Yuma-kun? – perguntei desinteressada, provavelmente eu acabaria em mais um daqueles acordos malucos.

– Quero sua primeira vez. – respondeu simplesmente e ninguém é tão burro de não saber sobre qual “primeira vez” ele está falando.

– Ehhhhh! Isso é trapaça, você não vai ter a virgindade de ninguém aqui! – retruquei mega irritada com a safadeza dele.

– Ei, você acha que eu não percebi o jeito como me beijou? – disse convencido. – Você sabe que quer.

– Eu não quero nada! – gritei com raiva e comecei a me debater para ver se ele saía de cima de mim.

– Ah, é? – falou e agarrou meu queixo me beijando logo em seguida, eu quis empurra-lo, juro que eu quis, só que não era fácil se desvencilhar de uma boca tão doce.

– Saia de cima dela!

Notas finais
Tudo que você fizer, dedique a mim. Você é minha e não tem o direito de me recusar, te possuirei sempre que eu quiser. Não se preocupe, minha bela flor, tenho o canteiro perfeito para você! Yuma Mukami