Sangue Maldito
45 Felina Manhosa
Notas iniciais

No mesmo segundo em que ouvimos a voz de Shu desfizemos o beijo rapidamente, Yuma suspirou e saiu de cima de mim, mas antes que eu pudesse sequer me sentar ele já havia me pegado no colo.
– Y-Yuma-kun? – falei espantada. Era bom ele não estar querendo tirar minha virgindade agora!
– Quando eu mandei sair de cima dela também era para você ir embora, jardineiro! – Shu falou bem irritado. Eu nunca o vi ficar tão afetado por alguma coisa a não ser quando o Reiji o provocava e isso só aumentava minhas suspeitas de que o Yuma era mesmo o amigo de infância dele.
– Eu já estou indo. – Yuma respondeu amargamente.
– A noiva fica! – ordenou Shu, sério, ele ficou um pouco parecido com o Reiji agora.
– Você acha mesmo que eu vou deixa-la aqui só porque você está mandando? – Yuma perguntou com escárnio. Estou com a leve impressão que esses dois vão acabar saindo no soco se eu não fizer alguma coisa.
– Edgar-kun, me ponha no chão. – pedi calmamente, eu havia usado o Edgar porque queria ver a reação do Shu e realmente consegui uma ótima reação que comprovou minha teoria de que o Yuma era, na verdade, o amigo do Shu. Ele arregalou os olhos e cerrou os punhos.
– Já vai começar com a brincadeira? – Yuma perguntou irritado e me largou, por sorte eu tinha a habilidade de um felino e coloquei os pés no chão antes de cair.
– Um menino te confundiu com outra pessoa, eu não posso deixar essa passar de jeito nenhum! – respondi com um sorrisinho, eu estava bem atenta para todas as reações do Shu. – O que você acha de seu apelido ser Edgar? – perguntei para Yuma e quando olhei pelo canto do olho vi o Shu com uma expressão furiosa como eu nunca tinha visto antes.
– Me chame assim de novo para ver o que acontece. – ameaçou entredentes, foi bem assustador.
– Hai, hai! Você nunca mais vai me ouvir te chamar de Edgar! – falei erguendo as mãos na minha frente. Eu não precisava mais chama-lo assim, afinal já consegui o que eu queria. Yuma deu um sorriso de canto e segurou meu queixo dando-me um selinho carinhoso, depois sumiu me deixando mais vermelha que um pimentão. Lembrei que o Shu estava ali e fui até ele, que parecia transtornado. – Shu-san, você não parece bem. – falei preocupada, não devia ser fácil saber que seu amigo estava tão perto de você e que, mesmo assim, continuava tão longe.
– Tem razão, eu não estou bem. – disse entredentes e agarrou meu braço, levando meu pulso até sua boca e me mordendo com violência.
– Itaai! – gemi de dor. Realmente hoje não é meu dia, contudo eu não tentaria me livrar do Shu, eu sabia que merecia isso também porque o provoquei e mesmo que ele não soubesse disso, eu sabia e preferia que ele descontasse sua dor em mim do que ficar guardando-a em seu coração.
Ele passou bem uns dez minutos bebendo meu sangue lentamente e eu já me sentia muito fraca, afinal já era o terceiro vampiro me sugava hoje. Tentei continuar firme até que ele tivesse terminado, porém quando finalmente tirou as presas do meu pulso eu não consegui mais me manter em pé e caí feito um saco de batatas no gramado.
Senti Shu me pegar no colo antes de desmaiar, no entanto foi um daqueles desmaios bem curtinhos porque acordei na hora que ele me colocou na cama. Ele já estava se virando para ir embora quando o chamei.
– Shu-san, você já está melhor? – perguntei com voz de sono, me sentando na cama.
– Por que não estaria? – respondeu erguendo uma sobrancelha. Eu o fitei por alguns longos segundos.
– Nada não. – falei dando de ombros, espreguicei-me e falei. – Acho melhor eu tomar banho.
Levantei-me e segui para o guarda-roupa, ainda estava de sutiã nem sabia se aquela blusa ainda existia e por isso agradeci imensamente por ter guardado o colar do Subaru no bolso do short, estava um pouco preocupada sobre como o devolveria para ele.
Peguei o uniforme da escola, ainda era muito cedo para a hora da escola ou mesmo para a hora do jantar só que eu preferi coloca-lo logo já que iria tomar banho e também para não correr o risco de me atrasar como das outras vezes. Quando me virei para ir até a cômoda pegar minhas roupas intimas deparo com o Shu deitado na minha cama na maior folga.
– Tá fazendo o quê aqui ainda? – perguntei meio irritadinha. Caramba, Tora, qual é a dessa bipolaridade?
– Fique quieta, Summer! – mandou com voz sonolenta. Então ele iria me fazer ser animal de estimação, não é! Suspirei, mas não protestei.
– Posso tomar banho primeiro, Goshujin-sama? – perguntei formalmente, como ele não respondeu nada eu entendi como um sim, peguei minhas roupas íntimas e fui para o banheiro.
Tomei um banho bem tomado, no entanto não demorei. Ao terminar fiz um curativo na mordida do Subaru e coloquei ataduras – pelo visto eu não ia me livrar delas tão cedo – na mordida do Shu, quanto à do Yuma era desnecessário qualquer cuidado já que ele foi tão gentil que parecia que a mordida nem existia. Vesti-me e fiz duas tranças frouxas no cabelo.
Voltei ao quarto e Shu ainda estava lá deitado na minha cama, resolvi entrar no papel de animal de estimação e encenar uma daquelas felinas bem manhosas. Eu queria pelo menos tirar uma casquinha dele, afinal o modo AE também me beneficiava de certa forma. Subi na cama e engatinhei até bem perto do Shu, sentando como um gatinho ao seu lado.
– Meow! – imitei o miado de um jeitinho bem dengoso, enquanto roçava a ponta dos meus dedos no rosto dele para chamar a atenção. Antes de o Shu abrir os olhos eu fiz aquela carinha do gato de botas, com as pupilas dilatadas e a expressão pidona, logo ele abriu um dos olhos e me encarou, depois abriu o outro para confirmar se o que ele estava vendo era real e então deu um sorriso. Só que não foi qualquer sorriso, foi um daqueles sorrisos que são tão perfeitos, mas tão perfeitos que praticamente arrancam seu coração.
– Será que a Summer está carente? – perguntou com divertimento.
– Meow! – confirmei com um miado, eu não iria falar porque animais não falam e também porque quando eu falava parecia mais uma empregada, então hoje eu seria mimada ao invés de mima-lo. Shu se sentou apoiando-se na cabeceira da cama.
– Venha aqui, Summer. – chamou suavemente apontando para o seu colo. Eu abri um sorriso e deitei-me como uma típica gatinha, com a cabeça apoiada sobre minhas mãos em seu colo e toda encolhida. – Que gatinha mimada você é! – disse com um sorriso e começou a fazer carinho na minha cabeça, aquilo era tão bom que eu até ronronei fazendo com que Shu desse uma risada. Passamos algum tempo assim e eu já estava quase dormindo quando ele parou de repente.
– Meow? – disse sonolenta, me levantando e coçando os olhos. Shu pegou na minha cintura e me puxou para perto, bem perto dele, ficamos nos encarando até que ele disse.
– Eu não poderia ter encontrado animal de estimação melhor. – falou com um sorrisinho e antes que eu pudesse dizer alguma coisa ou sequer assimilar o que ele havia dito nossos lábios já estavam colados. Fiquei meio sem reação no começo, mas logo retribuí o beijo.
Esse beijo estava diferente do nosso primeiro, continuava preguiçoso assim como ele só que agora parecia muito mais cheio de desejo, das duas partes, diga-se de passagem. Nossas línguas dançavam cheias de luxúria, ele explorava todos os cantos da minha boca bem lentamente e eu fazia o mesmo, era como se o tempo tivesse parado e tudo que importasse agora fosse nosso beijo.
Deitamo-nos comigo por cima do Shu, ele colocou a mão por dentro do meu uniforme e foi subindo pelas minhas costas, gemi na boca dele e decidi não perder minha preciosa chance, adentrei minha mão por baixo da blusa dele e explorei aquela barriga maravilhosa.
– Tora-chan, o Rei... – Yui entrou no quarto falando e parou imediatamente quando me viu junto com Shu, eu logo desfiz nosso beijo e nós dois olhamos para Yui. – Kyaaaaa! Gomenasai! – gritou batendo a porta com força. Eu suspirei e apoiei minha testa na testa do Shu.
– Acho que está na hora do jantar. – falei decepcionada.
– Tsc!
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