Sangue Maldito

19 Reflexos do Passado


Notas iniciais
Yoooo! ^-^ Outro capitulo novinho em folha pra vocês!

Havia uma mulher no espelho, olhei para trás para ver se tinha alguém, mas ela estava somente no espelho. Cobri meus seios nus com os braços de dei um passo para trás. A mulher era muito bonita, possuía cabelos louros presos em um coque com apenas duas longas mechas emoldurando seu rosto, seus olhos eram tão azuis como o mar e ela usava um vestido longo e um pouco armado de cor vinho com detalhes negros. Notei que ela era muito parecida com o Shu.

– Venha até mim. – pediu num sussurro, ela tinha uma expressão triste e parecia estar sofrendo. Será que eu estava ficando louca? No entanto, se vampiros e lordes demônios existiam, por que fantasmas não podem existir também?

– Eu não sei onde você está. – falei com um pouco de medo. Eu ainda achava que estava alucinando, porém talvez me arrependesse se não desse atenção à ela e no final a mulher fosse mesmo um fantasma e quisesse algo importante.

Ela fechou os olhos e a imagem do mesmo coreto que havia no meu sonho apareceu no espelho.

– Beatrix? – perguntei chegando mais perto dela, encostei uma das minhas mãos no espelho e ela sorriu e colocou sua mão sobre a minha, em um momento eu soube como chegar ao coreto.

– Sim. – confirmou se afastando, antes de desaparecer ela acrescentou. – Venha depois de terminar e não seja vista.

Ela sumiu e eu fiquei encarando o espelho por um momento. Com certeza ela não era uma alucinação e com certeza a aparição dessa mulher tinha algo a ver com o meu sonho, se ela apareceu então as donas dos outros dois nomes também apareceriam. Eu só esperava que eu não acabasse morrendo como no meu sonho.

Tomei um banho rápido, mas demorou um pouco para colocar as ataduras. Vesti o uniforme e fui para o meu quarto, sentei-me na cadeira em frente a penteadeira e comecei a pensar.

Se eu saísse agora teria que garantir minha volta antes de alguém vir me chamar para o jantar, porém eu não sabia o que a Beatrix queria, também não sabia quanto tempo iria demorar. Contudo não daria para ir depois do jantar, pois eu teria que ir à escola e eu, provavelmente não teria como ir até lá depois de voltar da escola já que a probabilidade de que algum dos irmãos Sakamaki fosse me atacar era de 99,99%.

A minha única chance era ir até ela agora. Levantei-me e fui saindo de fininho, Subaru quase me viu, mas eu consegui fugir a tempo. Por algum milagre consegui sair sem ser vista e corri em direção ao coreto, tomando o caminho que Beatrix havia me mostrado.

Cheguei ao coreto, parecia que ninguém ia ali há muito tempo, o mármore estava sujo e havia folhas secas espalhadas pelo chão, a mesa de mogno ainda estava conservada mesmo estando extremamente suja. Limpei as folhas de uma das cadeiras e me sentei, no mesmo momento ela apareceu sentada na cadeira a minha frente.

– Fico satisfeita que tenha vindo. – falou Beatrix com um sorriso. Eu sorri de volta.

– Eu estou curiosa para saber por que você é tão parecida com o Shu. – revelei com olhar questionador. A expressão dela ficou triste e ela abaixou a cabeça, eu me senti culpada e acrescentei rapidamente. – Gomenasai! Você não precisa me dizer!

– Eu preciso, foi para isso que te chamei. – disse ela calmamente se recompondo.

– Você me chamou para contar o porquê da sua semelhança com o Shu? – perguntei meio incrédula.

– Não exatamente. – respondeu. – Eu te chamei para mostrar-lhe o meu passado com meus filhos.

– O Shu é seu filho? – questionei totalmente chocada. Agora eu entendia a semelhança. Espera aí! Ela disse “filhos”?

– Sim, e o Reiji também. – Beatrix disse impassível. Eu fiquei boquiaberta, ela era mãe do Shu e do Reiji, como assim? Calma! Só deles dois? E os outros?

– Você não é a mãe de todos eles? – perguntei erguendo uma das minhas sobrancelhas.

– Não, Karl Heinz tinha três esposas. – respondeu tranquilamente e explicou. – Os trigêmeos são filhos da Cordelia e o Subaru é filho da Christa.

– Que cara mais safado! – exclamei revoltada pelo canalhismo desse Karl Heinz. Beatrix deu uma risada de divertimento.

– Sim, concordo. – falou e então estendeu a mão para mim, a olhei em dúvida e ela esclareceu. – Nós não temos muito tempo, eu preciso te mostrar meu passado para você poder voltar.

– Meu Kami-sama! Se eu me atrasar o Reiji vai ficar uma fera! – falei apavorada e peguei a mão dela. Ela sorriu e segundos depois eu estava em pé olhando o mesmo coreto de antes, só que ele estava diferente, estava limpo.

Percebi que Edgar estava em pé do lado de fora do coreto e que Beatrix e Reiji estavam sentados nas cadeiras ao redor da mesa, Beatrix bordava enquanto Reiji lia um livro. Ele não parecia muito diferente do que é hoje.

Comecei a ouvir latidos de cachorro e me virei para ver de onde vinha, me espantei ao ver que era Shu quem segurava um filhotinho de husky german marrom com caremelo e que ele parecia muito feliz com seu animalzinho de estimação, estava tão diferente. Ele parecia muito mais alegre e disposto... O que será que aconteceu?

Quando Shu chegou perto do coreto Beatrix se levantou da cadeira e perguntou com uma voz fria. Nem parecia a mulher com quem eu havia conversado agora pouco.

– Shu, o que está fazendo aqui?

Ela deu alguns passos para frente e Shu correu até ela estendo o filhotinho e dizendo alegremente.

– Olhe, um amigo deu ele para mim!

O cachorrinho deu alguns latidos e Beatrix encarou Shu com um olhar congelante.

– Solte logo essa coisa de uma vez. – mandou imponente. Shu pareceu não ouvi-la, estava brincando com o husky que lambeu sua bochecha.

– Ei, isso faz cócegas! – disse gargalhando. Eu sorri ao vê-lo tão feliz por ter um simples cachorrinho. Nesse momento me veio uma vontade de olhar para Reiji e tentar ver como ele estava reagindo àquela cena, me senti triste ao ver que sua expressão era de raiva.

– Shu! – Beatrix chamou com irritação, fazendo Shu prestar atenção nela. – Você é o filho mais velho, e, portanto, o próximo chefe da família. Você deve saber como se portar em todos os momentos. – falou friamente, dando sermão e olhou para Edgar que fez uma reverência e foi em direção ao Shu. Ele tentou pegar o filhotinho, mas Shu puxou de volta.

– O que você está fazendo?! Não! Prometi ao Edgar que cuidaria dele! – reclamou Shu. Quem era Edgar? Pelo modo como ele falava parecia que Edgar era algum amigo dele.

Beatrix andou até o Shu e começou a encará-lo com frieza. Caramba! Que mulher é essa? Shu soltou o husky com tristeza e saiu correndo. Beatrix voltou a se sentar, sua expressão demonstrava cansaço.

– Mãe, terminei de memorizar esse livro. – Reiji falou. Beatrix apenas o ignorou e voltou a bordar, Reiji parecia triste.

Agora eu entendi o que estava acontecendo, enquanto Beatrix direcionava toda sua atenção pra o Shu, que seria o próximo chefe da família, Reiji era esquecido e tentava de tudo para ser melhor que o Shu, mas mesmo assim sua mãe o ignorava e isso fez com que Reiji criasse um enorme ódio pelo seu irmão.

Pisquei e estava de volta a mesa em frente à Beatrix que me olhava tristemente.

– Por que você era daquele jeito? – perguntei franzindo as sobrancelhas em sinal de frustração. Ela suspirou.

– Agora eu sei que não fui uma boa mãe, tudo que fiz foi usar meus filhos para competir com a primeira esposa de Karl, Cordelia. – respondeu com a cabeça baixa.

– Não, Beatrix, você usou UM filho, o outro você esqueceu completamente! – retruquei com raiva, ela realmente fez tudo aquilo por causa de uma competição besta?

– Certo, eu mereci isso. – falou tristemente. – Mas você precisa entender que naquela época eu estava cega de amor pelo Karl, eu queria ser a melhor esposa e com Cordelia não era diferente. – pediu em suplica. Eu suspirei e a olhei.

– Você tem noção que eles se odeiam por causa do que você fez? – perguntei frustrada.

– Eu sei que foi minha culpa, você acha que de todo o tempo que eu estou presa aqui eu nunca observei meus filhos? – questionou retoricamente. De todo tempo? Quando foi que ela morreu? Ou melhor, como foi que ela morreu?

– Como você morreu?

– Infelizmente, essa parte do meu passado terá que ficar para outra hora. Você está atrasada! – avisou. AH, MEU KAMI-SAMA! EU ESTOU FERRADA!

– Eu vou voltar! – informei estreitando os olhos. Beatrix sorriu e eu saí correndo que nem uma louca.

Notas finais
Quando amamos uma pessoa temos que saber que tudo que ela fizer vai nos afetar mais cedo ou mais tarde, e quanto mais essas ações demorarem a nos afetar mais estaremos vulneráveis ao ódio no fim das contas. Abra seus braços e acolha o ódio como se ele fosse a única coisa que te mantivesse vivo! Beatrix Sakamaki