Sangue Maldito

18 Garota Suja


Notas iniciais
Está aí o capitulo, minna, postei mais tarde do que eu queria, mas é porque a energia aqui de casa acabou e meu laptop descarregou... :/

Shu falou invadindo a cozinha, eu só queria saber por que ele estava ali e não deitado em um sofá dormindo.

– E você pergunta logo para a pessoa que menos entende a dupla personalidade dele? – retruquei irônica. Tirei um bolinho da forma e coloquei em um pratinho, depois fui até o congelador e peguei o sorvete, usei a colher própria para fazer bolas e coloquei uma bola de sorvete no prato. Durante todo o processo Shu ficou lá parado me encarando. – Toma, esse é para você. – falei estendo o prato para ele.

– Eu não gosto de coisas muito doces. – revelou com apenas um dos olhos abertos.

– É claro que não gosta! – eu suspirei e coloquei o prato de volta no balcão. – Acho que o Kanato vai gostar de ter um a mais, isso se os outros também quiserem. – falei meio chateada. Puxa vida, eu tinha feito o Petit Gateou para todo mundo por pura consideração e aí me vem um imbecil e diz que não gosta de doces.

Peguei uma colher e o prato que eu havia feito e me sentei no chão da cozinha para comê-lo. Agora não dava para desperdiçar, uma simples lição de como eu preciso perguntar antes de fazer as coisas.

– Por que você não come em uma mesa? – perguntou Shu, ainda parado no mesmo lugar. Sei lá o que ele queria ficando plantado na minha frente.

– Porque eu estou afim de comer no chão que nem uma cadelinha. – respondi acidamente. – Agora, se você não tem mais nada para fazer aqui, vai embora! – mandei já com raiva. Eu abaixei minha cabeça e tirei um pedacinho do bolinho, isso fez com que a parte cremosa de dentro começasse a jorrar e se misturar com o sorvete.

– Eu fico onde eu quiser já que a casa é minha! – Shu disse irritado.

– Não, vampirinho! – contestei com a voz transbordando escárnio. – A casa é do Reiji já que é ele que faz todas as obrigações que deveriam ser suas! – falei, meus olhos brilhavam de fúria. Com certeza absoluta eu não deveria ter dito isto, mas o Shu bem que mereceu.

Num piscar de olhos ele estava na minha frente e agarrava minhas bochechas apertando com força.

– Você não sabe de nada, humana presunçosa! – ele disse com uma voz ameaçadora. Eu nunca tinha visto o Shu daquele jeito, da próxima vez eu ia pensar duas vezes antes de falar alguma coisa para ele. Fitei-o e percebi em seus olhos algo mais do que raiva, eu vi uma profunda tristeza e aquilo me partiu o coração, olhos tão bonitos não deveria possuir uma tristeza como essa.

– Tem razão, eu jamais deveria ter tocado nesse assunto. – concordei, minha voz saiu engraçada pelo fato dele estar apertando minhas bochechas.

– Ótimo. Agora eu vou sentar aqui e você vai dar esse doce na minha boca, porque eu estou muito cansado. Entendeu? – ordenou soltando minhas bochechas, por um momento ele ficou parecido com o Reiji. Pensei em protestar e dizer que não, porém a tristeza que eu havia visto antes me deixou incapaz de fazer isso.

– Você não disse que não gostava de doces? – perguntei só para provocar. Shu se sentou do meu lado e falou irritadinho.

– Cale-se!

Disfarcei um sorriso e peguei um pouco do sorvete dando na boca dele. Fiz isso até o Petit Gateou acabar, então me levantei e lavei as coisas que eu havia usado para a preparação da receita, quando terminei o Shu ainda estava ali só que parecia estar dormindo. Aproximei-me dele e me agachei para olhar seu rosto, ele parecia tão sereno assim, estava ainda mais bonito que o normal.

Sorri e toquei o rosto dele com a ponta dos dedos, era tão frio e ainda assim tão macio. Deslizei os dedos até a boca dele e parei lá por um momento, aquela boca pálida parecia tão deliciosa e tão atrativa que encostei minha mão na sua bochecha e fui chegando mais perto.

– Você é mesmo uma garota suja! – Shu falou, eu tomei um susto e me afastei rapidamente caindo de bunda no chão. Foi então que me dei conta do que eu estava prestes a fazer. O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO COMIGO?

– G-g-g-gomenasai! – gaguejei rubra de vergonha. Tentei me levantar, no entanto Shu agarrou meu braço e me puxou para cima dele, eu fiquei ainda mais vermelha.

– Você ia me beijar, não é? – perguntou com um sorriso de canto. Nossos rostos estavam a centímetros de distância e eu pude sentir o hálito dele, estava com cheiro de chocolate.

– N-não! – neguei tentando disfarçar minhas intensões, embora soubesse que não iria adiantar muito já que fui pega no flagra.

– Mentirosa! – acusou me fitando com aqueles olhos mais azuis que o mar, perdi minha linha de raciocínio por um momento. – Você quer que eu te beije? – perguntou travesso com os lábios na minha orelha. Um tremor percorreu meu corpo e eu fiquei espantada e ia recusar na hora, mas, dane-se, eu queria beijar ele e não estava nem aí se ele era um vampiro sádico e preguiçoso.

– Q-q-quero. – respondi corando no mesmo segundo. Agora não tinha como voltar atrás. Shu desceu os lábios pelo meu pescoço me fazendo arfar e sussurrou.

– Se eu te beijar o que você me dá em troca? – perguntou provocante. Eu arregalei os olhos e pensei em algo, contudo nada me veio à mente.

– O que está acontecendo aqui? – Reiji perguntou e parecia irritadíssimo. Eu fiquei de pé num pulo me afastando do Shu.

– Não era nada, Reiji-san! – respondi afobada. De todas as pessoas que podiam aparecer, por que tinha que ser logo o Reiji?

Shu se levantou e quando passou por mim sussurrou que nós ainda não havíamos acabado a conversa, imediatamente eu corei e ele saiu me largando sozinha com o Reiji. Pronto! Agora eu estava lascada!

– É melhor que isso não se repita! – Reiji avisou com raiva, eu apenas acenei com medo da minha voz falhar quando eu falasse. – Vá se arrumar para ir à escola, logo o jantar será servido e eu não quero atrasos. – mandou.

– Hai. – confirmei e saí rapidamente da cozinha indo em direção ao meu quarto, por sorte não encontrei o Shu e também não tinha nenhum vampiro pervertido e faminto no meu quarto. Peguei meu uniforme e alguns rolos de ataduras limpas e fui para o banheiro tomar banho.

Tirei a camisola preta que eu estava usando e parei diante do espelho, meu corpo estava coberto por ataduras, as únicas partes nuas eram meu rosto e metade do meu pescoço, meu ombro e meu braço direito e minha perna direita. Desenrolei as ataduras manchadas com um pouquinho de sangue que havia escorrido dos furos, olhei meu corpo novamente, desta vez sem ataduras. Não era uma visão muito bonita e eu tinha quase certeza que ficariam cicatrizes, afinal eu não sabia qual era o objetivo do remédio que o Reiji fez para mim.

Fechei meus olhos e tentei com todas as minhas forças não odiar o Ayato, isso se mostrou uma tarefa impossível naquele momento. Sim, eu o havia agradecido por ter feito o que fez comigo, pois aquilo me deixou mais forte, porém perdoá-lo por ter me causado tanta dor era algo totalmente diferente.

Respirei fundo espantando esses pensamentos e abri meus olhos, logo que fiz isso tomei um enorme susto.

Notas finais
Penteando e moldando o seu cabelo molhado com um beijo preguiçoso e ganancioso. Colocarei minha marca indelével do pecado mortal sobre a pele suave da nuca de seu pescoço. O que você quer que eu faça com você? Diga. Shu Sakamaki