Notas iniciais
Yoo, mais um capítulo cheio de intrigas para vocês! Aproveitem! ^-^

Tora

Acabei dormindo e só me dei conta disso quando acordei, mas, ainda assim, dormir era realmente perigoso em uma casa cheia de vampiros, especialmente depois de ter falado aquele monte de idiotices, como é que pude ser tão burra? Nesse momento eu odiava minha sinceridade exagerada, por causa dela agora eu teria que arcar com as consequências, porque com certeza eles se aproveitariam das minhas palavras. Porém, se estavam achando que seria fácil me transformar em tudo aquilo que eu disse eles iam ver o quanto estavam enganados.

Levantei-me puxando o lençol para me enrolar e fui até minha janela abrindo-a e saindo para a sacada, estava bastante frio, mas o lençol ajudava a me esquentar um pouco. Escorei-me na proteção da sacada e comecei a olhar para o belo jardim abaixo de mim, gostaria de poder ir até lá, no entanto, com certeza, a porta estaria trancada então me conformei apenas com a vista que definitivamente valia muito a pena.

Suspirei, toda essa situação era estressante demais, eu não estava acostumada com todo esse sofrimento, queria mesmo que minha mãe estivesse aqui, talvez eu conseguisse ser mais forte tendo-a ao meu lado, apesar disso eu sabia que ela ainda estava em meu coração e poderia me lembrar dela toda vez que me olhasse no espelho, pois éramos muito parecidas, a única coisa que puxei do pai que nunca conheci foram os olhos, por causa disso eu não gostava muito deles embora fossem realmente belos.

Respirei fundo, concentrei-me no ar frio adentrando meus pulmões e depois soltei o ar lentamente, decidi me sentar na mureta de proteção da sacada e ajeitei o lençol com cuidado para continuar me esquentando, fitei o céu negro desprovido de lua ou estrelas.

— Dedico a você, mamãe! – falei suavemente. Fechei meus olhos e comecei a cantar a canção que ela me ensinou, eu nunca esqueceria o seu valor.

"Are you going to Scarborough Fair?

Parsley, sage, rosemary and thyme

Remember me to one who lives there

He once was the true love of mine

Tell him to make me a cambric shirt

Parsley, sage, rosemary and thyme

Without no seams nor needle work

Then he'll be a true love of mine

Tell him to reap it with a sickle of leather

Parsley, sage, rosemary and thyme

And gather it all in a bunch of heather

Then he'll be a true love of mine

Are you going to Scarborough Fair?

Parsley, sage, rosemary and thyme

Remember me to one who lives there

He once was a true love of mine"

Kanato

Eu estava passando por um dos corredores da mansão após comer alguns doces com Teddy, quando ouvi uma canção já muito conhecida por nós. A voz não era tão ruim.

— Teddy, você quer ver quem está cantando? – perguntei virando-o para mim com empolgação. Ele concordou dizendo que também estava curioso e fomos até a porta por onde o som reverberava abrindo-a ansiosamente, quando o fiz vi Tora-chan sentada na proteção da sacada com o rosto voltado para o céu.

Aproximei-me e fiquei em pé ao lado dela, como ela estava de olhos fechados não percebeu minha presença e continuou cantando, apesar de ter uma voz tão comum a forma como ela cantava soava extraordinária aos meus ouvidos, eu não entendia o que era aquilo, mas Teddy me disse que parecia que ela estava dedicando a música a alguém. Eu não gostei nem um pouco disso, era para ela ser somente minha, como um dos meus brinquedos inúteis, devia me deixar usá-la em minhas brincadeiras sem questionar, porém eu ainda não tive a oportunidade de apresentá-la ao seu devido lugar então deixaria passar só dessa vez.

Quando ela terminou a música uma única lágrima escorreu pelo seu rosto e morreu em sua boca, não compreendi o motivo do choro e Teddy também parecia confuso.

— Por que você está chorando, Tora-chan? – questionei calmamente encarando-a curiosamente.

Tora

— Kanato-kun?! – assustei-me. Desde quando ele estava ali? Espera, ele estava me ouvindo cantar? – Você está aí há muito tempo?

— Eu fiz uma pergunta primeiro! – retorquiu com um bico emburrado, ele era bem mimado.

— Bem... Eu só estava com saudades da minha mãe. – respondi apreensiva, voltando meu olhar para o jardim. Eu não queria irritar o Kanato, desde que o vi pela primeira vez tive o pressentimento de que ele era perigoso, apesar de aparentar um ar infantil.

— Você gostava da sua mãe? – questionou confuso, deixando a birra de lado. Pelo jeito ele era bem mais instável do que eu suspeitava.

— Ela era a única pessoa que eu amava no mundo. – confessei sinceramente. Percebi que talvez aquela fosse uma boa oportunidade para perguntar algo da mãe dele. – Você gostava da sua?

— Não sei... Acho que a odiava. – respondeu parecendo nostálgico, observei que ele estava com as sobrancelhas franzidas e apertava seu ursinho. Odiava? Mas por quê? O que a mãe dele fez de tão errado?

— Por quê? – indaguei curiosa, porém preocupada. Kanato fitou-me com desprezo e retrucou ríspido.

— Isso não é da sua conta!

— Go-gomenasai! – pedi assustada, encolhendo-me sob o lençol. Eu precisava ter cuidado ao falar com ele a partir de agora ou então acabaria ficando bem encrencada.

— Seu rosto fica tão lindo com essa expressão. – elogiou mudando de humor de novo, sinceramente, era difícil acompanhá-lo. Kanato subiu na mureta e sentou ao meu lado ajeitando Teddy em seu colo. – Tora-chan, você quer saber o que minha mãe era? – perguntou calmamente, enquanto encarava o céu. Fiquei extremamente surpresa com a pergunta, afinal segundos atrás ele não queria nem tocar no assunto, mas eu era curiosa e gostaria de saber qualquer coisa sobre o passado desses vampiros, então imediatamente confirmei. – Ela era filha do Lorde Demônio.

O quê? Não era bem essa a reposta que eu esperava, eu achava que ele iria falar da personalidade dela e de como ela o tratava, só qyer aí ele me fala que ela é filha de um tal de Lorde Demônio? Se eu já não entendia muita coisa antes agora estava ainda pior.

— Essa coisa de "Lorde Demônio" é só um codinome, né? – interroguei confusa, porém já temia a resposta, agora que eu sabia da existência de vampiros não tinha porque duvidar da existência de qualquer outra coisa, entretanto a possibilidade de existir algo como um Lorde Demônio era um pouco absurda.

— Não, ele é mesmo um demônio. – respondeu normalmente como se aquilo não fosse nem um pouco estranho, bom, talvez para ele não fosse mesmo. Eu fiquei chocada por alguns segundos, mas logo consegui me recompor e foi quando meu estômago roncou, eu já sabia que não ia conseguir arrancar mais nada relevante do Kanato sobre sua mãe sem fazê-lo ficar furioso, por isso decidi deixar o assunto de lado para fazer um lanche.

— Huh... Isso é estranho demais pra mim, mas obrigada por compartilhar. –comentei francamente, dando-lhe um pequeno sorriso. – Agora vou comer alguma coisa. – anunciei me virando e ficando de pé, um passo foi tudo que consegui dar antes de Kanato ter um ataque de fúria sem sentido logo atrás de mim.

— EU RESOLVO TE CONTAR SOBRE MINHA MÃE E VOCÊ ME LARGA PARA COMER? – gritou indignado, enquanto ficava de pé na proteção e depois pulava na minha frente. – Como você pode ser tão egoísta? – acusou, arrancando o lençol que me protegia e agarrando meu pulso sem medir a força.

— Itai! – reclamei quando uma pontada dolorida percorreu meu braço. Kanato apertou ainda mais forte e uma lágrima escapou pelo canto do meu olho. – K-Kanato-kun... por favor... – implorei e vi a expressão do Sakamaki mudar de fúria para preocupação. Eu nunca ia conseguir acompanhar isso!

— Tora-chan, eu te machuquei? – interrogou retornando ao seu tom doce e meigo. Eu não falei nada, a resposta era óbvia, por isso apenas continuei olhando para o chão. Kanato afrouxou o aperto e levou meu pulso lentamente até sua boca, foi quando depositou um leve beijo no local machucado, seus lábios eram tão frios quanto aquela madrugada e eu não consegui evitar um arrepio. – Gomen, Tora-chan. – pediu manhoso, eu fiquei tão confusa, aquele jeito infantil dele era tão fofo e ele realmente parecia sincero ao se desculpar.

— Não tem problema. – perdoei com um sorriso de conforto que foi prontamente retribuído por outro muito animado.

— Tora-chan, eu estou com sede. – disse com uma carinha pidona, não era tão burra assim a ponto de não entender o que ele estava querendo. Eu sabia perfeitamente que estava sendo manipulada por aquela criatura fofa, me perguntei como eu podia ser tão fácil diante ações como a do Kanato. Ele era perigoso, caramba! Estou decepcionada comigo mesma!

— Você quer beber um pouco? – ofereci chegando mais perto dele. Que maravilha! Há segundos atrás eu estava me aconselhando a ser cuidadosa e agora já estava indo direto para a jaula do leão... Perfeito!

Kanato soltou meu pulso e aproximou-se, eu estava usando o único pijama de frio que eu tinha e como era muito fechado ele teria que abrir, mas o vampiro apenas rasgou a blusa e tirou meu cabelo do caminho, logo em seguida mordeu meu pescoço com violência. Doeu muito, um grito escapou pela minha garganta e eu tratei de morder o lábio inerior com força a fim de conter qualquer tipo de som que quisesse sair pela minha boca.

Ele sugava meu sangue com velocidade e sem um pingo de delicadeza, parecia que estava faminto há dias o que era praticamente impossível com a Yui aqui. Tentei me manter firme, mas estava prestes a desmaiar quando o Sakamaki decidiu que estava satisfeito, logo ele me soltou deixando-me cair no chão sobre o lençol.

— Que patético! Você é tão fácil. – desdenhou com desprezo. – Mas seu sangue com certeza é uma delícia, o mais doce! – revelou pegando Teddy de cima da mureta e me encarando, parecia que estava esperando alguma resposta.

— É melhor você procurar a Yui-san, Kanato-kun. – foi a única coisa que eu disse, sem nem mesmo olhar para ele. Kanato gargalhou claramente debochando de mim e num piscar de olhos ele sumiu e desandei a chorar, eu deveria ser mais forte e não chorar por uma coisa que eu provoquei, porém ser usada dessa maneira doía mais do que eu podia imaginar.

— Baka... – resmunguei me enrolando no lençol e me encolhendo no chão da sacada, fechei os olhos e, com as lágrimas ainda escorrendo pelo meu rosto, deixei a inconsciência me levar.

Fui puxada de volta a realidade por alguém me sacudindo com violência e era tanta violência que minhas juntas pareciam que iam descolar. Abri meus olhos e me sentei, ainda zonza tentei usar minha mão para me apoiar, mas senti uma dor muito forte no meu pulso e lembrei que Kanato o havia machucado. – Itaii! – reclamei imediatamente tirando-o do chão e anaisando-o, ele estava muito inchado e algumas pequenas manchas roxas espalhavam-se por ele graças ao aperto do trigêmeo mais novo.

— Reiji está te chamando. – alguém avisou-me e foi só então que eu percebi que Subaru estava recostado na minha janela com os braços cruzados encarando-me.

— Hai. Eu já vou descer. – respondi simplesmente, levantei-me ainda enrolada no lençol e voltei ao meu quarto. Minha blusa estava rasgada, mas eu não tinha tempo de trocar de roupa então só coloquei um moletom por cima, fui até a porta e estendi minha mão para a maçaneta.

— Essa não é a mão que está machucada? – alertou-me Subaru, ele tinha razão, eu já ia fazer esforço com ela mais uma vez.

— Obrigada por me avisar, Subaru-kun. – agradeci sem me virar, estendi a outra mão e saí do quarto.

Ao chegar na sala onde todos estavam Reiji me disse que eu iria para a escola junto com eles. Já era noite, mas é obvio que o horário que eles escolhiam para estudar também não seria normal.

— Eu não preciso ir para a escola. – informei calmamente.

— Por que não, Tora-chan? – Yui questionou com estranheza.

— A minha mãe já me ensinou todos os assuntos de todas as séries do ginasial e do colegial, além de alguns assuntos extras. – expliquei educadamente, eu sabia que estava estranha, entretanto esperava que agir dessa maneira controlada evitasse quaisquer conflitos, afinal o machucado do meu pulso e as mordidas no meu pescoço já eram suficientes.

— Você têm quantos anos? – Ayato perguntou tentando esconder a surpresa.

— Eu tenho apenas 16, mas a única coisa que eu fazia da vida era estudar, apesar de algumas dificuldades não era difícil completar duas séries em um ano. – respondi com indiferença.

— Não me interessa! Você vai para a escola, sem mais contestações. – Reiji determinou impacientemente. – Vista-se com seu uniforme e desça. – mandou. Eu suspirei e ia perguntar algo quando todos apenas desapareceram dali.

— Tsc... Só porque eu ia perguntar se tem piscina na escola. – lamentei-me, odiava ser sempre deixada falando sozinha.

— Tem. – respondeu Subaru atrás de mim. Eu me virei assustada, nunca pensei que logo o albino ficaria na sala mais que o necessário.

— Subaru-kun? – chamei confusa. – Por que você não saiu também?

— Eu fico onde quiser, saco de sangue imundo. – retrucou rudemente. COMO É?! Saco de sangue imundo? Foda-se o controle! Ele não tinha o direito de falar assim comigo!

— Olha aqui, seu imbecil, eu posso até ser só um saco de sangue, mas eu não sou imunda. – vociferei fervilhando de raiva, aproximei-me dele e coloquei o dedo na sua cara, infelizmente usei a mão que estava machucada, então quando ele agarrou meu pulso com aquela força sobre-humana fui capaz de ouvir um estalo, meu pulso havia deslocado. Gritei quando uma dor aguda percorreu meu braço e concluí que aquela era a pior dor que eu tinha sentido desde que cheguei aqui.

— Nunca mais chegue perto de mim ou vou te destruir. – advertiu furioso, largou meu pulso e sumiu. Como ele ousa? A única que deveria estar furiosa era eu! No entanto, não havia tempo para ficar furiosa, eu precisava cuidar de mim mesma, andei apressadamente até a cozinha e comecei a procurar gelo.

Subaru

Eu estava em um canto escuro de um corredor qualquer observando minha adaga quando Tora passou por mim segurando o pulso delicadamente e entrando na cozinha. Provavelmente apertei demais naquela hora, afinal ouvi um estalo, eu não era capaz de controlar minha força, ela não deveria ter chegado perto de mim. Poderia oferecer ajuda agora, mas um lixo como eu só pioraria tudo. Tudo o que sei fazer é destruir.

Resolvi, então, apenas segui-la e ver o que ela faria, entrei na cozinha e me escondi para que ela não me visse. Tora abriu o congelador e pegou uma forma de gelo, depois um pano de prato e colocou os gelos em cima do pano amarrando-o para formar um saco, ela tirou o moletom e a blusa rasgada com cuidado para não machucar ainda mais seu pulso, após ficar apenas com o sutiã pegou o pano com os gelos pousando em cima de seu pulso, que estava inchado e muito vermelho com algums lugares roxos.

— Isso não vai adiantar nada! – irritou-se jogando o saco em cima do balcão com brutalidade para entender o braço machucado ali, ela colocou a outra mão em cima do pulso e respirou bem fundo, foi então que eu percebi que ela estava prestes a tentar endireitar o pulso deslocado. Saí do meu esconderijo para impedi-la, se ela fizesse algo errado era capaz de piorar ainda mais sua situação.

— Não faça isso se tem um pouco de inteligência! – exclamei aparecendo atrás dela. Ela se virou assustada e se encolheu de medo, não era agradável vê-la fazendo isso, mas o que eu esperava? Que ela desse pulinhos de alegria por ver o cara que quase arrancou a mão dela ali? Pelo menos ela havia entendido o meu recado para se manter longe.

— Subaru-kun, você está aqui desde quando? – interrogou tentando não parecer tão vulnerável.

— É melhor você não tentar concertá-lo ou vai piorar. – avisei com indiferença, ela bufou com raiva e retrucou.

— Não se preocupe, minha mãe me ensinou alguns truques de medicina.

Tora se virou para o balcão e estendeu o braço ali novamente, dessa vez não parou para respirar apenas cerrou os dentes e empurrou de uma vez provocando um estalo alto, ela não se permitiu gritar talvez pelo fato de eu estar ali, porém algumas lágrimas escorreram pelos seus olhos contra sua vontade fazendo-a limpar o rosto rapidamente.

Vê-la ranger os dentes para aguentar a dor sabendo que aquela situação era culpa minha não foi agradável, por isso peguei o saco de gelo que estava no balcão e coloquei em cima do pulso dela com delicadeza, ao menos isso alguém podre como eu poderia fazer. Tora pareceu espantada por um momento, mas não disse nada apenas ficou me olhando segurar o gelo.

Tora

Que estranho, em um momento Subaru estava explodindo de raiva e no outro estava sendo gentil e preocupado, a bipolaridade desses vampiros me confundia e com certeza não era saudável para ninguém.

— Obrigada, Subaru-kun! – resolvi agradecer e esquecer o que ele fez comigo, afinal até agora Subaru foi o único que me ajudou e tentou se "redimir" mesmo que só um pouquinho. – Isso é gentil. – acrescentei baixinho ruborizando um pouco e sem coragem de olhar para ele.

— Eu não sou nada. – sussurrou melancolicamente soltando o saco de gelo e sumindo.

O que foi que aconteceu aqui? Eu nao entendia, de qualquer forma, como eu já estava atrasada resolvi deixar os questionamentos para depois e fui colocar meu uniforme.

Notas finais
Tora: Nesse capítulo eu só me ferrei! ;-; Autora: Nem é pra tanto! Tora: Claro! Não era você que estava no meu lugar. Autora: Urusai! >—