Notas iniciais
Bom gente... aí está o outro capitulo espero que vocês gostem!

Meu uniforme era muito fofo, eu usava uma camiseta branca com um laço branco maior sobre o colo e um laço vermelho no pescoço, um colete preto sobre a camiseta e ainda um blazer preto de quatro botões. A saia era preta também e tinha a barra branca, era para ela ir até o joelho, mas eu levantei de forma que desse para ver onde as meias 7/8 terminavam e ainda um pouco da pele da minha coxa, coloquei o sapato marrom e enfaixei meu pulso bem apertado. Depois me chequei no espelho e concluí que uniformes escolares eram mesmo muito lindos.

Desci as escadas rapidamente e corri para o hall, todos já estavam lá, eu era a única atrasada e estava rezando para Reiji não me punir por isso.

— Gomen pela demora, Reiji-san, é que eu precisei enfaixar o meu pulso. – expliquei levantando o braço e abaixando a manga do uniforme de forma a mostrar as faixas, talvez eu conseguisse me safar assim.

— Você não está adequada. – reclamou ele analisando-me de cima a baixo antes de ficar seu olhar sobre minhas pernas.

— Por que não? – questionei atrevidamente. – Tem alguma regra que diz que eu não posso substituir a parte que a saia cobre por meias? – desafiei-o e levantei um pouco a saia com as mãos enquanto dava uma piscadela, eu nunca permitiria que alguém me dissesse o jeito como devo me vestir.

— Muchi-chan, você está tão provocante hoje. – Laito comentou com um sorriso travesso, olhei-o e sorri da mesma forma.

— Eu só estou tentando descontrair, essa casa é muito morta! – confessei casualmente. – Na verdade todos vocês são mortos, menos a Yui-san e o Edgar. – provoquei revirando os olhos, entrelacei o meu braço no da Yui e a puxei para fora da mansão.

A limusine já estava lá (Exatamente! Eles tinham uma maldita limusine! Mas o que eu esperava de pessoas que moravam em uma mansão?) então eu entrei puxando Yui comigo colocando-a sentada ao meu lado e como eu estava na janela não precisaria me preocupar com algum vampiro muito perto de mim, depois dos incidentes com Kanato e Subaru o que eu menos precisava era mais confusão. Logo todos os outros também entraram e nós seguimos para a escola.

— O que você quis dizer com mortos, Tora-chan? – Kanato interrogou após alguns minutos de silêncio mórbido.

— Não foi no sentido literal, apesar de que poderia ter sido. Eu me referia a vocês serem tão... hum... chatos. – expliquei naturalmente, observando a paisagem pela janela. Obviamente, era uma péssima ideia agir dessa maneira com essas criaturas bipolares e crueis, contudo depois dos incidentes daquele dia eu percebi que não havia meio realmente eficiente de me salvar completamente deles, então, se eu sofreria de qualquer jeito, é justo que eu pelo menos provoque um pouquinho.

— Chatos? – Laito falou arqueando uma sobrancelha.

— E o que faz o serviçal ser menos chato que nós, Jujuba? – perguntou Ayato cruzando os braços, aparentemente eu o havia ofendido.

— Não é nada pessoal, vampirinho, é só uma questão de afinidade. – brinquei com um tom superior, estreitando os olhos em sua direção.

— O que há de errado com você? – Shu questionou abrindo um dos olhos, parecia desconfiado. Talvez ele achasse que eu tinha bebido alguma coisa, mas se eu tivesse encontrado bebida alcoólica na mansão certamente eu iria acabar virando acóolatra.

— Nada demais, só estou tentando mudar um pouco esse clima de velório! Não sou obrigada a aguentar isso todo dia, né! – retruquei impaciente.

— Já chega! Será punida se continuar com isso. – Reiji ameaçou-me severamente, revirei os olhos em desdém e recebi uma expressão assassina em troca, desviei o olhar de volta para a janela.

Parece que minha diversão acabou. Bem, não importa, afinal eu poderia tomar banho de piscina já que não tinha o menor interesse em assistir aulas tediosas. Era o ponto positivo de ir para a escola, já que nadar era uma das minhas paixões, desde que minha mãe me ensinou eu fiquei totalmente viciada e sempre que ela podia me levava a um rio não muito longe de casa. Infelizmente, ela nunca me deixava ir sozinha, era extremamente super-protetora e agora eu entendia o porquê.

Logo chegamos à escola e eu esperei todos saírem do carro antes de mim, nós entramos, Reiji me informou que eu estava na mesma turma do Subaru e me pediu para segui-lo.

— E se você tentar fugir... – começou com o aviso, porém nem o deixei terminar de falar, era óbvio o que ele diria.

— Hai, hai! Eu estou morta. Não se preocupe, eu já sei. – completei sua ameaça e fui atrás do Subaru. Entrei na sala só para ver onde passaria preciosas horas da minha vida de agora em diante e como parecia um lugar mortalmente chato tratei logo de sair, no entanto Subaru me segurou.

— Onde pensa que vai? – indagou irritadinho. Fitei-o e acabei me lembrando de mais cedo quando ele foi quase gentil comigo. – E então? – insistiu impaciente, trazendo-me do meu devaneio.

— Eu não vou ficar assistindo uma aula da qual já conheço o assunto, então vou fazer outra coisa. – respondi calmamente. Ele ficou me olhando por um instante e depois me soltou. – Obrigada! – agradeci dirigindo-me à porta da sala e antes de sair falei. – Se alguém me procurar diz que eu estou na piscina... – ele me fuzilou com ódio, claramente recusando-se a dar qualquer recado. – ou não, você que sabe.

Deixei a sala e fui vasculhar a escola atrás de uma piscina, aquele lugar era simplesmente fora do normal de tão enorme, demorou até eu encontrar o que procurava e quando finalmente consegui quase dei pulinhos de alegria, depois de tanto tempo eu iria nadar de novo. Por sorte a piscina ficava em um lugar coberto então a água não estaria tão fria, pelo menos era o que eu esperava.

Entrei no pequeno depósito que havia ali com o material de natação para procurar os maiôs escolares, achei uma enorme caixa lacrada escrito "ROUPAS DE BANHO" e a abri para pegar um maiô que fosse do meu tamanho. Fui até o vestiário e troquei-me rapidamente, tirei a faixa do meu pulso para não molhar, mas tomaria cuidado para não fazer esforço desnecessário. Depois de pronta corri empolgadíssima e pulei na piscina, a água estava deliciosa, o que me fez concluir que ela era aquecida. Sorte a minha!

— Delícia! – exclamei alegremente e comecei a boiar de um lado para o outro, fechei meus olhos e cantarolei com um sorriso, aquilo era mesmo relaxante. Alguns minutos depois parei de boiar para nadar pelo fundo da piscina, é claro, jamais usava o braço machucado para me movinmentar. Quando voltei à superfície, segurando-me na borda, dei de cara com um par de tênis, levantei minha cabeça e vi os belos olhos verdes de Ayato me fitando.

— Você não devia ficar matando aula, Jujuba! – advertiu com um sorriso de canto bem atrevido.

— Tsc, olha quem fala! – retruquei ácida. E estava prestes a voltar a nadar quando Ayato agarrou meu braço e me puxou para fora com violência, o pior é que ele pegou bem no braço machucado. – KYAAH! – gritei esganiçada, fechei os olhos e rangi os dentes, ele me largou de joelhos perto da borda.

— Não me desafie! – vociferou agarrando meu rosto com força, obrigando-me a encará-lo. – Agora diga que eu sou o melhor. – mandou soltando meu rosto para segurar meu pescoço. Fitei-o com os olhos marejados pelo meu braço dolorido e apenas continuei calada. – Diga. – ordenou entredentes apertando o meu pescoço, se continuasse assim ele ia acabar me matando.

— Você é o... – comecei a falar ofegante e dei uma pausa. – pior! – terminei com raiva, eu não o deixaria destruir meu orgulho dessa maneira. Ayato me encarou furioso e me empurrou com força obrigando-me a deitar, acabei batendo a cabeça no chão o que me provocou uma leve tontura, enquanto isso o vampiro apenas apertava ainda mais minha garganta, eu já não conseguia respirar direito.

— É mesmo uma pena eu não ter sido o primeiro a te morder, mas terei todas as suas outras primeiras experiências! – profetizou convicto e mordeu a curva do meu pescoço sem o mínimo de delicadeza, eu gritei e me debati. – Fique parada ou vai doer mais! – aconselhou voltando a beber meu sangue.

— A-Ayato... kun... – chamei pausadamente, cerrei meus olhos e agarrei o casaco do Ayato com força tentando me distrair da dor.

— Seu sangue é tão doce. – afirmou com prazer estampado na voz e então lambeu o sangue que escorreu da ferida fazendo um leve arrepio subir pela minha espinha. Logo ele se levantou e, depois de respirar bem fundo, eu também o fiz, virei-me para ir ao vestiário, porém o vampiro me puxou pelo meu braço bom bruscamente e deu-me um beijo na boca. Eu fiquei paralisada e completamente surpresa, rapidamente ele me soltou e eu arregalei os olhos enquanto corava. – Só para garantir que seu primeiro beijo é meu. – enfatizou com um sorriso presunçoso e saiu me deixando apática.

Toquei minha boca, por que meu primeiro beijo tinha que ser com um vampiro? Pior ainda! Por que tinha que ser com o BabacAyato?! Tá certo que foi apenas um selinho, mas ele não tinha o direito de fazer isso sem o meu consentimento! Mas que escolha eu tinha, não é mesmo? Entre os Sakamaki eu era fraca, se quisesse me livrar desse tipo de coisa teria que ser esperta e ficar alerta.

Apesar disso, esse ainda foi o meu primeiro beijo, de um jeito tosco e pouco agradável, foi meu primeiro beijo. Não seria fácil esquecê-lo... Principalmente, sabendo como era a sensação dos lábios dele nos meus: tão macio. ESPERA! O que eu tô pensando? Ele era meu inimigo, além de ser um vaidoso convencido! Não vou mais pensar nisso!

Balancei a cabeça tentando afastar esses pensamentos e fui em direção ao vestiário, troquei o maiô pelo uniforme, enfaixei meu pulso e saí daquele lugar. Eu não teria coragem de voltar ali tão cedo considerando as lembranças que ele traria.

Enquanto andava pelo corredor decidi que não poderia voltar para a sala de aula, então iria para a biblioteca, sabia que tinha visto uma na minha busca pela piscina, entretanto no meio do caminho acabei esbarrando em alguém.

Notas finais
Só sei como destruir e não pretendo aprender outra coisa. Sou uma vida desperdiçada, atormentado pela febre e pela frustração incontrolável. Até que a minha sede seja saciada. Fique longe de mim! Isso só me faz querer te destruir. Subaru Sakamaki