Sangue Maldito
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Notas iniciais

Eu tomei um susto e quase engasguei com a torta. Olhei para cima e encontrei Kanato me fitando com uma cara assassina.
– E-eu encontrei na geladeira e resolvi comer. – menti, não queria dar problemas para o Edgar.
– Você devia aprender a perguntar se as coisas tem dono antes de sair pegando. – retrucou com raiva. Caramba, eu mal acordei e já comecei a irritar todo mundo da casa. Que beleza!
– Gomen. – desculpei-me, eu não tinha mais medo de sentir dor, mas isso não queria dizer que eu ia sair por aí pedindo para ser torturada. – Se você quiser eu posso fazer outra torta para você. – ofereci, esperava que pelo menos eu conseguisse convencê-lo a me deixar em paz assim, porque eu não queria ser atacada por um vampiro psicopata estando toda esburacada.
– Você sabe fazer tortas, Tora-chan? – perguntou voltando à sua expressão fofinha.
– Sei, na verdade eu sei cozinhar quase tudo. – respondi enquanto comia mais um pedaço de torta. Parecia que minha tática estava dando certo, eu comecei a dar pulinhos de alegria dentro de mim mesma, só esperava que não estivesse comemorando vitória antes da hora. Com esses vampiros nunca se sabe!
– Então eu quero que você me faça uma torta agora! – exigiu feito uma criança mimada. Eu bufei baixinho.
– Mas agora eu estou comendo e eu ainda tenho que tomar banho. – reclamei fazendo um biquinho emburrado.
– EU QUERO AGORA! – gritou completamente fora de si. – NINGUÉM MANDOU VOCÊ COMER MINHA TORTA!
Putz! Que vampiros irritadinhos esses com quem eu fui morar! Será que todo dia eu vou ter que aguentar um deles brigando comigo? Desse jeito eu vou acabar indo buscar conforto no Shu, o único vampiro da casa que tem preguiça até de ficar com raiva.
– Hai, hai! Eu vou fazer sua torta agora! – disse calmamente, depois enfiei todo o resto da torta na boca e fui em direção à cozinha. Kanato estava me seguindo, quando entrei Edgar já não estava mais lá, provavelmente Reiji já deve ter dado outro serviço para o pobre coitado. – Você tem alguma preferência, Kanato-kun? – perguntei a fim de ter alguma direção para começar a fazer a torta.
– Não, só precisa ser doce e gostoso. – respondeu concentrado no Teddy, eu dei um risinho. Parecia que a comida favorita do Kanato eram doces, finalmente achei algo para poder acalmá-lo.
– Nesse caso eu vou fazer Petit Gateau. – anunciei e comecei a separar os ingredientes, ainda bem que tinha sorvete no congelador. A receita que eu tinha na minha mente fazia seis porções, entretanto eu aumentei para dar para mim, para a Yui e para o Edgar também. Já que eu faria para um, não me custava nada fazer para todos!
Depois de separar os ingredientes eu saí da cozinha indo para o meu quarto, encontrei meu celular e as caixas de som dele e retornei para a cozinha. Kanato ainda estava conversando com o Teddy e pareceu não se importar muito quando eu saí. Conectei meu celular às caixas de som e coloquei uma música, começando a fazer o Petit Gateau.
Yoru wo oou mabuta hirake
Nagaki koe wo osoreru nakare
Honoguraki hitsugi kara
Umiotosareta ningyou no you ni
Karada wa akaku kogoe
Kokoro wa yami ni ayasaresodatsu
Kimi ni boku ga mieru kai
Tsunagu ta no tsumetasa na
Senketsu no tsume tateru
Mayu wo yosete goran yo
Kowashiaou saki ni
Tsuzuku nazo ni michiru ketsumatsu wo
Hane mo ashi mo mogareta mama
Kokuu no naka kuchihateru yori
Mou hitori boku ga ite
Dareka wo itai hodo aishiteiru nda
Saa docchi ga maborochi darou ne
(Tradução)
Abra seus olhos e mostre a escuridão deles
Não tenha medo da voz de Deus
Como um fantoche que foi
Que saiu de um caixão sombrio
Seu corpo está coberto de gelo vermelho cor de sangue
E a escuridão é o berço de sua alma
Consegue me ver?
Consigo sentir o arrepio em suas mãos
Levante suas unhas manchadas de sangue
Odeie o mundo a sua volta
Vamos nos destruir
E evitar um futuro de dúvidas e confusão
Do contrário, com nossas asas e pés tirados de nós
Vamos apodrecer neste céu vazio
Há um segundo eu
Que ama tanto alguém a ponto de tirar o sangue
Agora me diga, qual das duas é real?
(Link da música nas notas finais)
Terminei de fazer a massa do Petit Gateau, distribui-a em nove forminhas próprias para o doce que eu estava fazendo e coloquei no forno. Agora era só esperar alguns minutos para assar, então eu poderia montar os pratinhos com o bolo e o sorvete e aí era só distribuir para todo mundo. Eu só esperava que ninguém reclamasse ou dissesse que não gosta de doces.
Olhei para o Kanato e ele ainda estava conversando coisas sem sentido com Teddy, como eu estava entediada resolvi puxar conversa, mas de um jeito diferente.
– Você gosta de doces, Teddy? – perguntei para o urso, realmente era bem estranho começar a falar com um ursinho de pelúcia, porém podia ser um tipo de terapia também. No final das contas é como conversar consigo mesmo.
– Não fale com o Teddy, ele só precisa de um amigo que sou eu! – Kanato disse com raiva. Nossa! Que cara possessivo! Suspirei e me escorei no balcão ao lado do Kanato, era impossível ter uma conversa civilizada com ele. Fiquei encarando meus pés e cantarolando junto com a música que passava. – Tora-chan, eu estou cansado de esperar, quero algo doce agora. – Kanato reclamou fazendo birra.
– Mas não tem nada doce aqui! – retruquei cansada, lidar com ele era muito complicado, eu poderia dizer que era como lidar com uma criança mimada só que, na verdade, era mil vezes pior.
– Tem sim, e eu vou querer agora! – ele disse e se pôs na minha frente, logo soube o que ele ia fazer, não protestei apenas fiquei calada e deixei que ele tirasse meu cabelo do caminho, ele deu uma lambida que me fez arrepiar e estremecer e mordeu meu pescoço em seguida.
No inicio eu senti uma dorzinha – que agora era mais do que insignificante – depois comecei simplesmente a sentir uma onda de prazer percorrer meu corpo, junto com arrepios causados pela pele fria de Kanato em contato com a pele quente do meu pescoço. Ele havia passado os braços pela minha cintura a fim de me erguer um pouco e eu passei uma mão ao redor de seu pescoço enquanto a outra mergulhava no cabelo extremamente macio dele.
Kanato parou de sugar meu sangue de repente e a retirada abrupta das presas dele do meu pescoço causou uma leve ardência. Eu fechei meus olhos e inspirei o ar rapidamente, mesmo depois de todo o meu sofrimento naquela Dama de Ferro eu ainda não era totalmente imune à dor, realmente nós nunca conseguimos parar de ser afetados por certas coisas.
– Eu esqueci que as mulheres gostam de ser beijadas antes do prazer. – Kanato disse meio entediado. O que é que ele queria dizer com isso? De qualquer forma acho que o que quer que fosse tinha uma influência do Laito por trás disso.
– Da onde você tirou...? – nem tive tempo de terminar de falar e ele já estava com a boca colada na minha. Não tive vontade de resistir, a boca dele, mesmo com vestígios do meu sangue nela, ainda era doce e sua baixa temperatura tornava tudo ainda melhor.
Eu não sei como ele conseguiu fazer a boca dele ficar com gosto de algodão-doce, mas eu não queria saber e quando a sua língua pediu passagem, eu não pensei duas vezes. O beijo dele era feroz e infantil, sua língua explorava todos os cantos da minha boca e eu tentava fazer o mesmo, entretanto eu não era tão experiente a ponto de conseguir dar um beijo como os dos filmes.
Kanato se separou de mim e dessa vez mordeu o ombro direito, aquele que não estava coberto por ataduras. Eu nem tive tempo de sentir dor, pois ainda estava tentando normalizar minha respiração devido ao beijo que ele me deu.
Se eu visse meu rosto no espelho agora provavelmente estaria corada, no entanto não seria de vergonha, talvez fosse de satisfação, eu não tinha como ter certeza. Toquei meus lábios e eles pareciam um pouco inchados por causa da ferocidade do beijo, dei um sorriso travesso, será que todos os irmãos beijavam assim. É claro que o Ayato e o Subaru já me beijaram, mas eu nem tive tempo de assimilar o que estava acontecendo então não posso descrever como é.
Caramba! Eu realmente estava um pouco diferente do que era antes de quase morrer naquele caixão de tortura, com certeza perder o medo de sentir dor fazia muita diferença na vida de uma pessoa. E quer saber? Eu estava gostando de não ser mais uma garotinha indefesa que gritava toda vez que era mordida, agora eu podia aproveitar minha estadia nessa casa. Pode escrever o que eu digo: de agora em diante o meu lado infernal vai andar coladinho com o meu lado celestial!
– Kanato-kun, eu preciso tirar os bolinhos do forno. – avisei com urgência, depois de perceber que já havia chegado a hora de parar de assar. Ele se afastou de mim e pegou o Teddy saindo da cozinha, acho que ele perdeu a vontade de comer Petit Gateau. Tirei os bolinhos de dentro o forno e coloquei em cima do balcão.
– Por que o Kanato saiu daqui com um sorriso sinistro?
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